JUSTIÇA: BENS DA HEMPSHIRE, EMPRESA QUE DEIXOU DE ENTREGAR RESPIRADORES AO CONSÓRCIO NORDESTE, SÃO BLOQUEDOS ATÉ QUE SEJA DEVOLVIDO O DINHEIRO

Por Fernanda Zauli e Igor Jácome, G1 RN

 

A Justiça determinou o bloqueio dos bens da empresa HempShare, que deixou de entregar respiradores comprados por R$ 48,7 milhões aos estados nordestinos. A decisão foi tomada após uma ação aberta pelo Consórcio Nordeste – que representa os estados da região – contra a empresa.

Os respiradores foram comprados para atender as necessidades dos estados na pandemia do novo coronavírus e o pagamento, antecipado. A compra foi realizada de forma conjunta, pelos estados, através do Consórcio Nordeste, que é liderado pela Bahia e, desde o início da pandemia do novo coronavírus, vem tentando realizar compras unificadas de equipamentos para a região.

De acordo com a HempShare, os equipamentos fabricados na China apresentavam problemas. A empresa afirmou que, em contrapartida, ofereceu respiradores produzidos no Brasil, testados pela Anvisa e mais baratos, mas que não foram aceitos pelo Consórcio. Ainda segundo a empresa, caso a substituição fosse aceita, ao invés de 300, mais de 400 respiradores seriam entregues.

A empresa ainda declarou que não vai recorrer da decisão porque já havia acordado a devolução do dinheiro, que será feita nos próximos dias. Depois disso, os bens deverão ser desbloqueados.

A denúncia em nome do Consórcio Nordeste foi feita pelo estado-líder, a Bahia, desde que foi sinalizada pela própria empresa a impossibilidade de entrega dos equipamentos pelas condições contratadas. O processo corre em segredo de Justiça.

A Bahia publicou no Diário Oficial a rescisão do contrato e acionou a Justiça para ressarcimento dos valores. O G1 entrou em contato com o governo da Bahia na sexta-feira (29) para pedir mais informações sobre o assunto, mas não recebeu resposta até este sábado (30).

Em nota, o Governo do Rio Grande do Norte afirmou que a quebra do contrato teve início quando a empresa responsável por realizar a perícia nos equipamentos que seriam comprados da China informou sobre a constatação de falha nas válvulas e alertou que todas elas deveriam ser substituídas. Apenas o estado desembolsou R$ 5 milhões.

Em nota, o Consórcio Nordeste informou que “em nome da total transparência e publicidade de suas ações, o Consórcio Nordeste adiantou-se em comunicar a situação aos órgãos competentes e a solicitar o acompanhamento das ações com foco no ressarcimento, o mais breve possível, dos valores repassados. A aquisição desses equipamentos foi delineada com muito cuidado, atentando para o rigor da lei e o mais importante: no intuito de salvar o máximo de vidas possível, uma vez que a oferta de respiradores no mercado era a pior possível e não havíamos recebido, até aquele momento, os equipamentos prometidos pelo Governo Federal”.

Respiradores são usados em UTIs — Foto: Divulgação

Fonte: G1 RN

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DENÚNCIA: GEORGE ANTUNES, SECRETÁRIO DE SAÚDE DE NATAL DIZ QUE FLEXIBILIZAÇÃO DO COMÉRCIO É UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Por Igor Jácome, G1 RN

 

George Antunes, secretário de Saúde de Natal — Foto: Reprodução/Inter TV CabugiGeorge Antunes, secretário de Saúde de Natal

“Esqueçam decreto de governadora e de prefeitos. Esqueçam pelo amor de Jesus Cristo e fiquem em casa. Isso é o maior absurdo que a gente pode ver nos dias de hoje, se falar em flexibilização. O povo deve ficar em casa. Os poderes, os governantes, têm que ter a coragem de dizer o que são serviços essenciais nas suas cidades, o que é serviço essencial dentro desse estado, e não abrir comércio da forma como está sendo aberto, chamar o povo para a rua, distribuir máscara para causar sensação de falsa segurança”. A fala é do secretário de Saúde de Natal, George Antunes, na manhã desta segunda-feira (1º).

Em entrevista à Inter TV Cabugi, o secretário afirmou que a estimativa é que o pico da pandemia do novo coronavírus ocorra no estado próximo ao dia 15 de junho e se mantenha por pelo menos outros 15 dias. Por causa disso, ele afirmou que está “revoltado” com o apelo pela flexibilização do comércio e pela liberação em si, que já ocorre em algumas cidades do estado. “Estou completamente revoltado, você percebeu até o tom de voz meu que já mudou quando se fala nesse assunto. Para mim é um absurdo”, disse.

O secretário ainda criticou o fechamento dos pronto-socorros de hospitais estaduais e de uma UPA de Parnamirim, na região metropolitana, no fim de semana, o que causa superlotação nas unidades da capital.

“Mesmo compreendendo que é uma obrigação minha ter pronto atendimento, mas o estado recentemente fechou a porta do (Hospital) Giselda Trigueiro. Ontem à noite o secretário manda uma mensagem dizendo que vai fechar a porta do Hospital Santa Catarina e só vai receber paciente referenciado. Parnamirim se dá ao direito de fechar uma Unidade de Pronto Atendimento. Isso do ponto de vista de legalidade, nem existe, é inadmissível se fechar uma unidade de pronto atendimento. Isso pode se caracterizar até como omissão de socorro”, disse.

“As minhas UPAs estão superlotadas, mas ninguém fecha UPA não. Ontem, no Satélite, que recebeu um monte de gente de Parnamirim, se viraram lá. Foram arrumar cilindro de oxigênio, botaram gente em sala de prescrição médica. E as UPAs estão superlotadas. E eu digo a vocês com toda convicção: se não se tomar uma medidas agora, nós vamos ter um caos instalado nessa cidade. Eu digo a vocês que é uma tragédia anunciada”, afirmou, defendendo o aumento das restrições para aumentar o isolamento social.

George Antunes ainda considerou que, mesmo com a abertura de leitos no Hospital de Campanha e no Hospital Municipal, o sistema não dará conta da demanda de novos pacientes. Isso porque os pacientes da Covid-19 são de longa permanência nas UTIs. Uma pessoa com coronavírus, de acordo com ele, leva de 14 dias a 20 dias internado, quando precisa de tratamento crítico.

“Ou a gente fecha a metade dessas portas que estão abertas, que eu acho um absurdo o que está acontecendo, ou nós vamos ter um caos. Se vocês estão achando que a situação está crítica, é porque vocês não tem noção exata do que virá. A se manter nessa condição, nós vamos ter pessoas morrendo nas calçadas, sem ter direito nem a entrar em uma unidade de pronto-atendimento ou hospital”, disse.

“Ou se toma uma medida de se apertar o distanciamento social,do isolamento social, ou o caos vai se instalar. Porque não tem hospital de campanha, não tem hospital municipal que dê conta. Isso eu afirmo com convicção”

Para o secretário, os governantes passam uma “mensagem subliminar” à população ao liberar o comércio e entregar máscaras. “Assim, estou dizendo para as pessoas: coloquem a máscara, podem ir para o comércio, vão comprar confecção, vão fazer suas unhas, vão cortar seu cabelinho, vão passear, vão para a rua”, considera.

Paralelo a isso, ainda criticou os disseminadores de notícias falsas, aos quais chamou de “irresponsáveis”, e citou um áudio compartilhado por um médico dizendo que os hospitais privados estavam vazios. “Isso é uma mentira. Não tem hospital vazio não. Eu tentei contratar 10 leitos de UTI no Hospital do Coração e ele me disse que não tinha condição”, ponderou.

Antunes ainda falou que falta integração entre os municípios da região metropolitana que abrangem praticamente um terço da população do estado.

Considerando a pressão recebida pelos gestores, o secretário disse que eles deverão escolher como perder votos – a quem irão desagradar. “Ele (político) vai ter que escolher de que forma quer perder voto. Se ele quer perder voto diminuindo a flexibilização, ou se quer perder voto sendo responsabilizado pelas mortes que estão acontecendo. Isso é uma opção que ele vai ter que fazer”, pontuou.

Sobre esse dilema, o secretário ainda citou o psicanalista francês Jacques Lacan: “A gente tem que botar esses governantes para pensarem sobre um dilema que era colocado já por Lacan, há muito tempo, que é o dilema do indivíduo entre a bolsa e a vida. Está se falando ai do comércio, que tem que sobreviver, mas no dilema, todos que escolhem a bolsa, acabam perdendo a bolsa e a vida. A economia hoje tem que ser pensada como uma economia de guerra. Todas as potencialidades, do governo federal, estado e municipal, tem que estar voltado para a guerra. Estamos em guerra com um inimigo silencioso, mas isso é uma guerra. Temos que voltar nossas atenções para salvar vidas. A economia nós recuperamos depois. Uma vida ninguém recupera, e nem recupera o que é desestruturado numa família que perde um ente seu”.

Fonte: G1 RN
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SAÚDE PÚBLICA: GOVERNO RUSSO PRETENDE COMEÇAR A MINISTRAR O ANTIVIRAL AVIFAVIR A PARTIR DE 11 DE JUNHO

Antiviral é anunciado pelo governo russo

Reuters

01 de Junho de 2020 às 08:04

Profissional de saúde segura bandeja com amostras para testesOs hospitais russos podem começar a dar o medicamento antiviral, registrado sob o nome Avifavir, a pacientes a partir de 11 de junho.

A Rússia vai começar a ministrar seu primeiro medicamento aprovado para o tratamento da Covid-19 na próxima semana (8), Uma medida que espera facilitar as tensões no sistema de saúde e acelerar o retorno à vida economica.

Os hospitais russos podem começar a dar a pacientes o medicamento antiviral, registrado sob o nome Avifavir,a partir de 11 de junho, diz o chefe da RDIF [Fundo Direto de Investimento] na Rússia. Ele falou que a empresa por trás do medicamento fabricaria o suficiente para tratar cerca de 60.000 pessoas por mês.

Atualmente, não existe vacina para a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e os testes em humanos de vários medicamentos antivirais que já existentes ainda não demonstraram eficácia.

Um novo remédio antiviral da Gilead chamado Remdesivir mostrou alguma promessa em pequenos testes contra a Covid-19 e está sendo oferecido a pacientes por alguns países sob regras de uso compassivo ou emergencial.

O Avifavir, conhecido genericamente como Favipiravir, foi desenvolvido pela primeira vez no final dos anos 90 por uma empresa japonesa comprada mais tarde pela Fujifilm ao entrar na área da saúde.

O chefe do RDIF, Kirill Dmitriev, disse que os cientistas russos modificaram o medicamento para aprimorá-lo e afirmou que Moscou estará pronta para compartilhar os detalhes dessas modificações em duas semanas.

O Japão está testando a mesma droga, conhecida como Avigan. Ele ganhou prestígio do primeiro-ministro Shinzo Abe e US $ 128 milhões em financiamento do governo, mas ainda não foi aprovada para uso.

O avifavir apareceu no sábado (30) na lista do governo russo de medicamentos aprovados.

Processo acelerado

Dmitriev disse que os ensaios clínicos do medicamento foram realizados com 330 pessoas e mostraram que o vírus foi tratado com sucesso na maioria dos casos, em quatro dias.

Os testes devem ser concluídos em cerca de uma semana, disse ele, mas o Ministério da Saúde aprovou o uso do medicamento em um processo acelerado especial e a fabricação começou em março.

Os ensaios clínicos para testar medicamentos de eficácia geralmente levam muitos meses, mesmo quando acelerados, e envolvem um grande número de pacientes designados aleatoriamente que recebem o remédio que está sendo testado – ou um controle ou placebo.

O sucesso em ensaios de pequena escala e em estágio inicial não é garantia de sucesso em estudos posteriores e mais abrangentes.

Um estudo publicado em maio, por exemplo, vinculou a droga hidroxicloroquina antimalárica, que o presidente dos EUA, Donald Trump, diz que está tomando e incentivando seu uso, a um risco aumentado de morte em pacientes com a Covid-19 hospitalizados.

Dmitriev disse que a Rússia conseguiu reduzir os prazos dos testes porque o medicamento genérico japonês, no qual o Avifavir se baseia, foi registrado pela primeira vez em 2014 e passou por testes significativos antes que os especialistas russos o modificassem.

“Acreditamos que isso é um divisor de águas. Isso reduzirá a tensão no sistema de saúde, teremos menos pessoas entrando em uma condição crítica”, disse Dmitriev. “Acreditamos que a droga é a chave para retomar a atividade econômica completa na Rússia”.

Com 414.878 casos, a Rússia tem o terceiro maior número de infecções no mundo depois do Brasil e dos Estados Unidos, mas tem um número oficial de mortes relativamente baixo de 4.855 – algo que tem sido o foco do debate.

O RDIF, que detém uma participação de 50% no fabricante do medicamento ChemRar, financiou os testes e outros trabalhos com seus parceiros, no valor de cerca de 300 milhões de rublos (R$ 23 milhões), disse Dmitriev, que explicou que os custos para a Rússia eram muito mais baixos por causa do trabalho de desenvolvimento anterior realizado no Japão.

Fonte: CNN

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PRIMEIRAS NOTÍCIAS DO DIA 01 DE JUNHO DE 2020 NO G1

Por G1

 

Protestos antirracistas se espalham por mais de 20 estados dos EUA. A escalada de tensão aumentou no final de semana e mais de 40 cidades estão sob toque de recolher por causa das manifestações após a morte de George Floyd, um cidadão negro, por um policial branco. O Brasil ultrapassa a marca de meio milhão de casos de coronavírus, e já são quase 30 mil mortes no país. No estado de SP, começa hoje o relaxamento das regras de isolamento social. O podcast O Assunto conta a história da refugiada síria que fugiu da guerra e morreu de Covid no Brasil. E os criminosos mais procurados do país que tiveram o auxílio de R$ 600 liberado, enquanto muitos trabalhadores não têm o que comer.

Fúria nos EUA

Protesto contra racismo em Washington — Foto: AP Photo/Alex BrandonProtesto contra racismo em Washington

Manifestações antirracistas chegaram a pelo menos 75 cidades de 20 estados dos EUA no final de semana, e a agressividade entre policiais e manifestantes também aumentou. Até a madrugada de hoje, 5 pessoas morreram desde o início dos protestos, após o assassinato do ex-segurança George Floyd, um homem negro morto por um policial branco, há uma semana.

No fim da noite de domingo, o clima ficou tenso nas proximidades da Casa Branca, em Washington. A capital americana é uma das 40 cidades que decretaram toque de recolher para conter a onda de fúria no país. O enredo dos protestos tem sido sempre o mesmo: começam pacificamente e, ao anoitecer, há cenas de violência, com viaturas da polícia incendiadas, quebra-quebra, brigas e saques.

Em Minneapolis, onde Floyd foi morto e os atos começaram, um caminhão avançou sobre os manifestantes. Ninguém ficou ferido.

‘Vidas negras importam’

Protesto contra operações violentas em favelas é feita em frente à sede do governo do RJProtesto contra operações violentas em favelas é feita em frente à sede do governo do RJ

Aqui no Brasil, houve protesto em frente à sede do governo do Rio de Janeiro. O ato, chamado de “Vidas Negras Importam”, foi contra operações violentas em favelas. Manifestantes lembraram o menino joão pedro, de 14 anos, morto em casa na comunidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio, há 2 semanas.

A manifestação foi encerrada pacificamente, mas a polícia lançou bombas de efeito moral e fez disparos de balas de borracha pra dispersar pessoas que ainda chegavam ao local. Houve correria, alguns manifestantes reagiram com pedras e um homem foi detido.

Pró e anti-Bolsonaro

Manifestação a favor da democracia termina em confronto com a polícia em São PauloManifestação a favor da democracia termina em confronto com a polícia em São Paulo

Um ato a favor da democracia na Avenida Paulista, em São Paulo, começou pacífico e terminou em confronto com a polícia após encontrar com grupo de manifestantes pró-Bolsonaro.

A manifestação pró-democracia foi organizada por integrantes de torcidas de futebol e aconteceu no mesmo horário e local de outro ato, de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

A PM apura se a presença uma bandeira usada por neonazistas no ato pró-governo foi o estopim da confusão. Um vídeo nas redes sociais mostra uma apoiadora de Bolsonaro com um taco de beisebol na mão sendo levada por um policial para longe dos manifestantes do outro grupo.

Em brasília, apoiadores de Bolsonaro fizeram uma nova manifestação na esplanada dos Ministérios. O presidente participou, como tem feito sempre aos domingos, e houve aglomeração. O protesto tinha faixas pedindo fechamento do STF, do Congresso e intervenção militar, medidas inconstitucionais.

Avanço da pandemia

Brasil ultrapassa a marca de meio milhão de casos confirmados de Covid-19Brasil ultrapassa a marca de meio milhão de casos confirmados de Covid-19

O Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de casos confirmados de coronavírus, menos 100 dias após a confirmação do primeiro paciente. Segundo o Ministério da Saúde, são 514.849 infecções pela Covid-19 no país. As mortes chegaram a 29.314, e o Brasil passou a França no número de vítimas e se tornou o 4º país do mundo com mais óbitos.

Reabertura em SP

Mais 2,5 mil novos casos foram confirmados ontem no estado de SP, que começa hoje a flexibilizar as regras de isolamento social. A retomada econômica vai depender da situação de cada cidade em relação à taxa de ocupação dos hospitais e a redução do número de casos. Na capital paulista, a quarentena foi prorrogada até 15 de junho, e a abertura de atividades só será liberada após apresentação à Prefeitura de propostas dos setores econômicos.

O Assunto

O podcast O Assunto chegou hoje ao episódio #200, que conta a história de Khadouj Makhzoumde, uma refugiada síria de 55 anos que foi trazida pelo filho para o Brasil e morreu de Covid-19. Um relato emocionante de um filho que salvou a mãe da guerra, mas foi vencido na batalha contra a pandemia. Ouça:

Exclusivo Fantástico

Exclusivo: 11 dos 22 criminosos mais procurados do Brasil têm auxílio emergencial liberado

Exclusivo: 11 dos 22 criminosos mais procurados do Brasil têm auxílio emergencial liberado

O Fantástico teve acesso a um levantamento exclusivo que revela que mais de 27 mil foragidos, em todo o Brasil, tiveram o auxilio emergencial de R$ 600 aprovado durante a pandemia. Entre eles, estão 11 dos 22 criminosos mais procurados do país.

Do outro lado dessa história, está quem – comprovadamente – tem direito ao benefício, e mesmo assim, teve o cadastro recusado. “Sem esse dinheiro, eu não consigo fazer nada. Até pra comprar as coisas pros meus filhos está difícil”, conta Karine Souza Oliveira, de Minas Gerais.

O Tribunal de Contas da União deu um prazo de 48 horas para o governo se manifestar sobre problemas na concessão do auxílio emergencial. O TCU quer explicações sobre dificuldades de acesso às bases de informações da Receita, para definir quem tem direito ao benefício.

Inquérito das fake news

Canais do YouTube de investigados no inquérito das fake news por ataques ao STF foram financiados com verbas publicitárias de empresas estatais, segundo levantamento do jornal ‘O Globo’. Os dados, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, revelam que, “ao todo, mais de 28 mil anúncios da Petrobras e da Eletrobras foram veiculados nesses canais entre janeiro de 2017 e julho de 2019, antes e durante o governo Bolsonaro”.

Morre Nicolau dos Santos Neto

ex-juiz Nicolau dos Santos Neto morreu ontem, aos 91 anos, em São Paulo. Estava internado com pneumonia e suspeita de Covid-19. Ele ficou conhecido em 1998 no caso do superfaturamento na construção da sede do Fórum Trabalhista de São Paulo, na Barra Funda. Ele foi condenado em 2006 a 26 anos e 6 meses de prisão, de onde saiu no ano passado ao receber indulto por ter problemas de saúde.

Curtas e Rápidas:

Fonte: G1
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TENSÃO AUMENTA ENTRE EUA E CHINA, APESAR DE GUERRA SER AMEAÇA AINDA DISTANTE

EUA x China: Tensão aumenta, mas pandemia e eleição adiam confronto

Avanço tecnológico e militar chinês assusta os poderosos norte-americanos, mas possibilidade de uma guerra, ainda que fria, é apenas ameaça distante

Giovanna Orlando, do R7

 

China acusa EUA de tentarem provocar uma Guerra Fria China acusa EUA de tentarem provocar uma Guerra Fria

Trocas de farpas constantes, ataques racistas e culpabilização de outro país por uma pandemia, sanções econômicas fortes e falta de diplomacia são a receita perfeita para uma possível nova Guerra Fria entre Estados Unidos e China.

Depois de uma guerra comercial que durou 2 anos e os constantes ataques vindos de Donald Trump desde que ele assumiu a presidência, em 2017, a China acusou o país de estar tentando provocar um conflito entre os dois países.

A grande dúvida é se esse conflito seria armado ou no mesmo formato que a Guerra Fria disputada entre EUA e União Soviética, em 1947, em que não houve um confronto direto, mas os países competiam entre si no campo econômico e tecnológico, além de financiarem guerras e guerrilhas em diversos países.

Segundo o professor de Relações Internacionais, especialista em China e ex-embaixador brasileiro no país asiático, Fausto Godoy, os Estados Unidos se sentem ameaçados pelo desenvolvimento e crescimento econômico da China.

Para ele, o avanço chinês e domínio na área da tecnologia é o que assusta os americanos, já que a China de hoje não é a mesma do século passado, que se sustentava com exportação de produtos baratos e enfrentava a pobreza e a miséria, e agora está conquistando o espaço e o mercado que foi deixado de lado pelos Estados Unidos quando Trump começou a valorizar e focar na economia interna.

“A China assusta. A China de hoje não é uma China miserável”, explica. “Isso é uma guerra tecnológica travestida de guerra comercial.”

Para ele, um conflito armado e uma nova Guerra Fria não são viáveis e não há a menor chance de que os países apostariam em um confronto direto agora, tanto pela questão da pandemia do novo coronavírus quanto pela proximidade das eleições nos EUA, nas quais Donald Trump busca uma reeleição.

Já o professor de Relações Internacionais da ESPM e economista Leonardo Trevisan diz que sempre existe a possibilidade de um conflito armado entre as duas potências ou então um esfriamento de relações no mesmo formato que a Guerra Fria.

“A China é uma potência militar em ascensão”, diz o professor, que destaca que o país agora tem controle do Mar do Sul, uma região antes sob domínio norte-americano. “Esse é um controle preocupante.”

Para Trevisan, a tensão entre os dois países começou a aumentar com a posse de Donald Trump, em 2017, que tem um discurso mais duro e uma retórica mais agressiva que os democratas, e que há dois anos os problemas vêm se empilhando, como uma guerra comercial, a administração do yuan, gerando uma guerra financeira, e uma guerra tecnológica, já que a China se tornou a referência no mundo e é o único país a ter 5G.

Além das guerras diplomáticas travadas, os Estados Unidos e a China também se desentendem quanto a Hong Kong.

Desde 2019, a região autônoma de Hong Kong entrou no noticiário internacional por causa dos protestos contra o governo chinês, pedindo maior autonomia e democracia. Os protestos foram majoritariamente liderados por jovens, que se reuniam semanalmente em marchas gigantescas pela cidade, que por vezes foram marcadas pela violência policial e vandalismo.

Antes uma província britânica, Hong Kong foi devolvida à China em 1998 e funciona desde então com a política de “um país, dois sistemas”, o que permite que Hong Kong tenha uma espécie de autonomia econômica e legislativa com relação à China e possa negociar com outros parceiros comerciais sem estar diretamente ligado ao governo chinês.

O professor Fausto Godoy explica que Hong Kong era “uma desculpa da China para uma abertura para o mundo”. Segundo o professor, o governo chinês criou na região as 32 zonas econômicas, que permitiam que estrangeiros usassem o espaço físico e mão de obra chinesa para fabricar seus produtos, que seriam vendidos depois pela Inglaterra, dona da região. Com isso, a China se beneficiava com transferência de tecnologia até conseguir se firmar como uma referência mundial.

Com a transformação da China em um dos principais exportadores de tecnologia no mundo, Hong Kong perdeu seu propósito, diz o especialista, que ressalta que a autonomia e “liberdade” de Hong Kong só dura até 2049, quando a região será incorporada ao território chinês e fará parte da China.

Os Estados Unidos também tinham negócios com Hong Kong e a decisão de não reconhecer mais a autonomia da região foi vista como uma espécie de interferência, já que a China diz que o assunto é interno, diz Trevisan, que ressalta que as atitudes dos dois países já eram esperadas.

Por hora, nenhum dos dois países ameaçou diretamente o outro ou anunciou planos de um ataque iminente. Esse cenário extremo é o mais improvável, segundo Godoy, que acredita que, caso haja alguma forma de conflito, “a China vai comprar a briga da maneira dela e vai revidar da maneira que ela acha conveniente”.

Para Trevisan, a possibilidade de uma guerra agora “é um passo perigoso demais”, ainda mais levando em conta que os Estados Unidos tem o exército mais poderoso do mundo e um batalhão e porta-aviões no Mar do Sul da China.

“Não há dúvidas que os EUA tem uma força militar muito maior que a China. A China tem aliados na Ásia e acordos com a Rússia, que tem força militar e armamento nuclear, mas nas vésperas de uma eleição isso não aconteceria”, diz.

Caso um confronto estourasse na Ásia, os EUA teriam a ajuda dos dois maiores PIB’s asiáticos, o Japão e a Coreia do Sul, enquanto a China teria ajuda do restante da Ásia e, possivelmente, até da Austrália.

“Os aliados da China são mais numerosos, mas em questão de força, de qualidade, os Estados Unidos estão à frente”, conclui.

Fonte: R7

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CANDIDATO DEMOCRATA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DECLARA APOIO A PROTESTOS NOS EUA

CANDIDATO DEMOCRATA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DECLARA APOIO A PROTESTOS NOS EUA
Former Vice President Joe Biden speaks at the Kilcawley Center at Youngstown State University, Monday, Oct. 29, 2018, in Youngstown, Ohio. (AP Photo/Tony Dejak)

 

Biden declara apoio a protestos nos EUA, mas condena distúrbios

Candidato democrata à presidência disse compreender o drama dos negros no país e disse que é correto protestar contra a brutalidade policial

INTERNACIONAL

Da EFE

 

Biden declara apoio às manifestações nos EUA Biden declara apoio às manifestações nos EUA

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, e atual pré-candidato democrata à presidência, Joe Biden condenou neste domingo (31) os distúrbios ocorridos nos últimos dias derivados dos protestos contra o assassinato de George Floyd, homem negro sufocado até a morte por um policial branco, e afirmou que o país não pode permitir que a dor o destrua.

“Somos uma nação com dor, mas não podemos permitir que esta dor nos destrua. Somos uma com raiva, mas não podemos permitir que a raiva nos consuma. Somos uma nação exausta, mas não podemos permitir que o cansaço nos derrote”, disse em comunicado.

Biden acrescentou que, nos últimos dias, foi feito um manifesto de que os EUA são um país “furioso por justiça”.

“Qualquer pessoa consciente pode compreender o trauma que os negros experimentam neste país, desde indignações diárias à violência extrema, como o horrível assassinato de George Floyd”, declarou.

Floyd morreu enquanto estava sendo detido na segunda-feira passada, em Minneapolis. O policial Derek Chauvin pressionou Floyd contra o chão com o joelho em seu pescoço durante quase nove minutos, provocando uma morte por sufocamento.

A brutalidade policial desencadeou uma onda de protestos e distúrbios, com saques, incêndios e repressão da polícia em Minneapolis e outras cidades dos EUA.

Biden reconheceu que “é correto e necessário” protestar contra a brutalidade policial, “uma resposta completamente americana”, mas advertiu que “queimar comunidades e a destruição desnecessária não são, nem a violência que coloca vidas em risco”.

“Nunca deveria ser permitido o ato de protestar ofusque a razão do nosso protesto”, comentou.

O pré-candidao pediu para que os Estados Unidos se juntem a ele para fazer o país atravessar “o limiar turbulento para uma nova fase de progresso, inclusão e oportunidade”.

“Como presidente, vou ajudar a liderar esta conversa e, mais importante ainda, vou ouvir. Vou manter o compromisso que assumi com o irmão de George, Philonise, de que George não será uma mera hashtag”, enfatizou.

“Devemos e vamos chegar a um ponto em que todos, independentemente da raça, acreditem que ‘proteger e servir’ significa protegê-los e servi-los. Só ficando juntos é que ficaremos mais fortes do que antes. Mais iguais, mais justos, mais esperançosos e mais próximos da nossa união mais perfeita”, concluiu.

Fonte: R7

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SÃO PAULO É REPROVADA EM PROTOCOLO DA OMS PARA REABRIR ECONOMIA

São Paulo só atende 2 de 6 critérios recomendados pela OMS para reabrir

Estadão Conteúdo

31 de Maio de 2020 às 08:33

O Monumento às Bandeiras, na zona sul de São Paulo, com máscaras de proteçãoO Monumento às Bandeiras, na zona sul de São Paulo, com máscaras de proteção

Embora a Prefeitura de São Paulo tenha anunciado que passará, a partir de segunda-feira, a receber propostas de representantes do setor privado para liberar parcialmente a retomada das atividades comerciais, a capital paulista só atende a dois de seis critérios recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para iniciar um processo de relaxamento do distanciamento social, segundo um relatório da própria Prefeitura, publicado na última sexta-feira.

De acordo com o quatro Relatório Situacional da Covid-19, no momento, “impedir a escalada da transmissão e atingir a estabilidade com transmissão de baixo nível ou próxima de zero deve ser a prioridade”. O texto, elaborado por técnicos da Secretaria Municipal da Saúde, destaca ainda o distanciamento social como medida que “tem possibilitado ao poder público municipal ampliar sua capacidade de atenção de forma ordenada e efetiva”.

O documento cita outro relatório, Covid-19 Strategy Update, elaborado pela OMS e publicado em 14 de abril, que contém parâmetros a serem considerados em uma transição e relaxamento gradual das medidas de distanciamento.

Os requisitos já cumpridos pela cidade são: ter capacidade de detectar e tratar novos casos, sobretudo os graves, e adotar medidas de prevenção em locais de trabalho. “Isso inclui medidas de distanciamento social, orientações de higiene e de etiqueta respiratória, e, quando possível, monitoramento da temperatura”, afirmam os técnicos que fizeram o relatório.

Já entre os critérios que ainda não são atendidos para iniciar o processo, estão: o controle sobre a transmissão da doença, que seria observada caso o surgimento de novos casos fosse esporádico”, todos por contatos conhecidos ou importações”; a redução do risco de novos surtos, com maior controle sobre a prevenção à doença; controles sobre o surgimento de casos importados; e, por fim, conscientização da população: no novo cenário, a população deve estar consciente de que todo caso, grave ou não, deve resultar em isolamento do paciente.

O relatório faz ainda um balanço das ações adotadas pela Prefeitura até aqui e destaca que, antes da pandemia, a cidade possuía 507 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Agora há 1.007 leitos só para a covid-19. De acordo com o texto, todos os dias 45 novos pacientes com a doença requisitam leitos de UTI, em média. Na semana do dia 21 de março, a média era ainda maior: 55.

Por meio de nota, a secretaria da Saúde informou que as regra da OMS são recomendações, não determinações. “O município tem trabalhado com outros critérios, como redução da disseminação com atuação única no Brasil no controle da covid-19, com a presença de toda a rede básica e a rede hospitalar envolvida”.

Ainda segunda a nota, “o número de casos estão em forma decrescente de crescimento”. Além disso, a nota afirma que o governo do Estado “coloca (a cidade) em melhor situação dentro da região metropolitana.

Retomada

Neste sábado, 30, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a cidade irá retomar, a partir de amanhã, consultas e cirurgias eletivas. “Mantivemos o funcionamento normal das consultas e também de cirurgias de cinco casos: os casos crônicos de diabete e cardiopatas, para recém-nascidos, para gestantes e vacinação. Fizemos a suspensão de pequenas cirurgias eletivas e também de algumas consultas. Mas já determinamos, a partir da semana que vem, que as consultam suspensas voltem a ser marcadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs)”, afirmou.

Casos e mortes

Pelo terceiro dia consecutivo, o Estado de São Paulo, epicentro da pandemia de coronavírus no Brasil, registrou mais de 5.500 novos casos de infecção pela doença em 24 horas. Dados divulgados neste sábado pela Secretaria Estadual da Saúde mostram que o total de casos chegou a 107.142. O total de pessoas mortas aumentou de 7.275 para 7.532 de sexta-feira para este sábado, aumento de 257 casos. Os três maiores recordes de número de novos casos por dia da pandemia, desde março, foram atingidos, nesta quinta (6.382), sexta (5.691) e sábado.

A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é estável: 71,6% no Estado e 83,1% na região metropolitana da capital, que recebeu autorização da gestão João Doria (PSDB) para iniciar planos de reabertura comercial.

Somente entre sexta-feira e este sábado, o coronavírus chegou em mais quatro cidades do Estado. Agora, são 525 cidades paulistas com registros da doença. “O número de pacientes internados é de 12.988, sendo 8.190 em enfermaria e 4.798 em unidades de terapia intensiva”, informa a secretaria. Parte das cidades do interior do Estado iniciará segunda-feira processos de reabertura econômica.

Índice

A taxa de isolamento social no Estado ficou em 47%, índice mais baixo do que o aferido na sexta-feira anterior, 22, quando ficou em 48%. No caso da capital, onde a queda também foi de um ponto porcentual em relação à sexta-feira passada, o índice ficou em 48%.

Fonte: CNN

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SOCORRISTAS DO SAMU OBSERVAM MUDANÇA DE PERFIL DOS PACIENTES COM COVID-19

A rotina sob pressão dentro de uma ambulância que carrega pacientes com covid-19

Socorristas do Samu acostumados a lidar com traumas veem mudança no perfil de pacientes durante a pandemia, que já deixou mais de meio milhão de infectados até este domingo

BEATRIZ JUCÁ

Santo André – 31 JUN 2020 – 20:37 BR

Paciente com suspeita de coronavírus é transferida para uma UPA de Santo André pelo Samu.Paciente com suspeita de coronavírus é transferida para uma UPA de Santo André pelo Samu

São duas horas da tarde de terça-feira, 26 de maio. A tranquilidade que tomava a base central do Samu de Santo André ―a quarta maior cidade de São Paulo― é quebrada por um chamado no rádio. “É covid”, grita um profissional que conversava com os companheiros na garagem. O enfermeiro Haroldo Guireli e o condutor Ricardo Vieira Lopes correm para se paramentar. Colocam máscara, gorro, luva e avental e logo seguem em uma ambulância básica para encontrar uma paciente de 37 anos que estava em uma clínica na qual costuma fazer hemodiálise, um tratamento para filtrar o sangue quando os rins não funcionam bem. A gravidade repassada pelo rádio não indicava necessidade de usar a estrutura mais sofisticada, com UTI móvel. Guireli e Vieira encontram a paciente cerca de meia hora depois do chamado no rádio, com um cateter de oxigênio e aparência cansada. Saturava a 87% quando o normal é acima de 95%. Eles entram na unidade de saúde com pressa, a envolvem numa estrutura que parece alumínio e a conectam em um pequeno cilindro de oxigênio para ajudá-la a respirar no trajeto. Logo depois a levam até a ambulância, onde voltam a avaliá-la. Observam a saturação, a temperatura e só então conseguem iniciar uma conversa difícil, entrecortada pelo cansaço dela e pelas barreiras impostas pela máscara especial, que protege os profissionais mas torna suas vozes pouco audíveis.

 

Aos poucos, eles vão descobrindo que a mulher havia ido à clínica sozinha, como costumava fazer rotineiramente. Não chegou sequer a fazer a sessão de hemodiálise, quando profissionais da saúde observavam que ela apresentava sintomas que poderiam ser da covid-19 e, diante de sua dificuldade para respirar, chamaram o Samu. Há dias, a paciente sentia febre e tosse seca, que vinha controlando com um antitérmico. Havia perdido paladar e olfato. “Está mais para positivo do que para negativo. Acho que é a covid-19”, diz o enfermeiro Guireli, de 51 anos, logo após deixá-la na unidade de pronto-atendimento onde faria novos exames para definir para qual hospital ela deveria ser encaminhada. Guireli atua no socorro há 22 anos. Começou como condutor no Resgate Voluntário de São Paulo, se formou enfermeiro e está na linha de frente da enfermagem do Samu há 10 anos. Acostumado a acompanhar principalmente casos de traumas, viu o perfil de seus pacientes mudar desde março ―quando a pandemia ganhou força no país. Santo André conta 2.330 casos confirmados e 130 mortes pela covid-19, uma pequena parte do que se vê no país, que neste domingo ultrapassou o meio milhão de casos, com 29.314 óbitos. Mas o município da Grande São Paulo viu aumentar em 20 vezes a busca de pacientes com sintomas gripais nos postos de saúde e nas unidades de pronto-atendimento nos últimos dois meses.

O reflexo dessa demanda é sentido também no Samu, onde os profissionais precisaram adaptar o seu ofício diário a uma nova nova realidade. Equipamentos de proteção, assim como a função de desinfectar a ambulância a cada retorno de uma ocorrência, foram adicionados à rotina. “A gente já passou pela H1N1, pela dengue, mas essa doença agora é diferente. Acho que entrou na cabeça de todo mundo que luva, máscara e avental é obrigatório. Não tem mais jeito de trabalhar sem”, diz Guireli.

O enfermeiro também precisou mudar o olhar sobre cada paciente em um exercício diário de tentar identificar uma doença ainda pouco conhecida e bastante agressiva em sua manifestação mais grave. Desde que novo coronavírus começou a se disseminar com velocidade pelo país, Guireli redobra a escuta e o olhar para identificar se há quaisquer sintomas de desconforto respiratório mesmo quando os chamados não envolvem diretamente a suspeita de covid-19. Isso faz parte de um processo de triagem que, para os profissionais do Samu, começa na rua para evitar que pacientes que possam estar infectados tenham qualquer contato com pessoas com outras doenças que procuram as unidades de saúde. “A gente passa a ter um ouvido mais afinado, a prestar mais atenção em detalhes clínicos que te norteiam, como a respiração e a temperatura”, conta o enfermeiro. Aprender a decifrar a doença nova ainda é um desafio na ponta, quando pacientes apresentam sintomas diversos, vários deles comuns também em outras síndromes gripais. “A gente vai se especializando naquilo lá”, diz Guireli, já na base, enquanto se prepara para desinfectar a ambulância.

É ele próprio quem faz a primeira limpeza, com a ajuda do condutor Ricardo Vieira, de 42 anos. Depois de desinfectado, o veículo passa por uma nova higienização pela equipe de limpeza. Há dois anos na linha de frente do Samu, Vieira conta que, nos últimos meses, viu os chamados duplicarem. Se antes trabalhava apenas com o fardamento básico, agora precisa ser muito mais metódico para colocar e, principalmente, para retirar cada equipamento de proteção depois das ocorrências. É ainda na rua, após encaminhar o paciente, que a equipe borrifa álcool nas botas e em parte dos equipamentos após cada atendimento. Uma proteção necessária tanto para evitar afastamentos em uma importante força de trabalho no combate à pandemia quanto para proteger a própria família em meio ao risco de levar um vírus tão contagioso para dentro de casa.

Até a minha vida em casa mudou bastante. Chego em casa e vejo a minha mulher e o meu filho preocupados”, conta. Sempre que retorna do plantão que já não tem hora certa pra sair, Vieira precisa tirar parte do uniforme antes de entrar em casa. A roupa vai direto para a máquina de lavar. No trabalho, os colegas estão o tempo todo pesquisando técnicas e novos aparatos para tentar se proteger o máximo possível. Em uma emergência sanitária como esta, a ordem é tentar. Foi assim que os socorristas do Samu de Santo André desenvolveram com canos e plásticos uma espécie de cápsula para tentar trazer mais segurança aos profissionais ao entubarem pacientes graves. Ou adotaram pequenas soluções como o uso de plásticos nos compartimentos das ambulâncias para facilitar a desinfecção de cada insumo guardado ali dentro.

A preocupação consigo e com os familiares é constante em quem está na linha de frente, mas medo é uma palavra que não cabe no cotidiano deles, especialmente quando se veem em situações de urgência e casos graves da covid-19. “Medo a gente não tem. A gente escolheu isso, treinou. A gente estuda o tempo todo”, explica o enfermeiro Guireli. Assim como não cabe se envolver com os pacientes para não atrapalhar a tecnicidade que demanda a assistência deles, ainda que algumas histórias teimem em voltar à mente. Guireli lembra que perdeu um paciente de 47 anos, homem, que fazia exercícios físicos e parecia ter uma vida saudável. Relutante em procurar hospital, chamou o Samu quando já apresentava insuficiência respiratória. Chegou na unidade de saúde com vida, mas já não havia muito o que fazer. Morreu no mesmo dia em que foi socorrido. “Ele me chamou muita atenção porque era saudável”, diz o enfermeiro. “Essa doença é agressiva. E os pacientes apresentam sintomas diferentes dependendo da idade”, acrescenta.

Antes da pandemia costumava receber uma média de 200 chamados por dia. No início de março, a histórica demanda por acidentes e traumas se arrefeceu com o distanciamento social, mas não demorou para que os 250 profissionais que atuam nessas ambulâncias em santo André voltassem a ver a demanda se intensificar outra vez e voltar ao patamar anterior à crise com um novo perfil: a dificuldade respiratória imposta pela covid-19. “Os casos de suspeita de covid-19 e pedidos de transferência de pacientes vêm aumentando. Mudou o nosso perfil, porque agora temos menos traumas”, diz a médica reguladora Renata Rigo. Ela é uma das três profissionais que ficam em uma central monitorando tanto as características dos pacientes quanto os hospitais com vagas para saber para onde encaminhá-los. “Com base nisso a gente decide qual a ambulância que vai e se precisa que vá um médico ou só a enfermagem”, explica.

Se antes os profissionais do Samu conseguiam acompanhar a história dos pacientes que atendem e entender a sua capacidade de recuperação rapidamente, as longas internações dos casos graves do novo coronavírus agora deixaram os finais das histórias das quais participam fragmentadas. É difícil acompanhar o desfecho de cada ocorrência em meio à grave crise sanitária. Acostumados a lidar com altas situações de estresse e treinados para serem ágeis diante da urgência, os socorristas dizem que chama a atenção a gravidade da covid-19 e a dificuldade de reanimar os pacientes que não procuram atenção médica antes de apresentarem um quadro grave.

“Olha só como caiu o número de PCR (pacientes com parada cardiorrespiratória) que a gente consegue reverter”, diz o coordenador do Samu de Santo André, Renan Tomas, enquanto aponta para um gráfico com estatísticas fixado em um painel na parede. Desde janeiro, ele contabiliza ali o número de ocorrências em que os socorristas encontram o paciente em parada e quantos deles foram revertidos. “Em janeiro, revertemos 19 de 92. Em abril, de 121, a gente reverteu 4″, conta. “Está morrendo mais gente. O paciente com covid-19 não volta [da parada] de jeito nenhum. A gravidade aumentou”, diz.

Fonte: El País

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ÚLTIMAS INFORMAÇÕES SOBRE A PANDEMIA DA COVID-19 NO RN

Dados do Ministério da Saúde: RN registra 649 novos casos de coronavírus, totalizando 8.051; sem registro de óbitos nas últimas 24h, total é de 305

 SAÚDE

Conforme dados do Painel Coronavírus do Ministério da Saúde atualizados na noite deste domingo (31), o número de casos confirmados de Covid-19 no Rio Grande do Norte passa dos 8 mil. Ainda de acordo com o painel, não houve registro de óbitos provocados pelo coronavírus nas últimas 24h no RN.

Casos confirmados: 8.051, são 649 casos a mais em relação aos 7.402 do boletim de sábado divulgado pela Sesap.

Óbitos: 305, nenhuma morte registrada a mais em comparação com os dados de ontem da Sesap.

Fonte: Blog do BG
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JUSTIÇA JULGA PARCIALMENTE PROCEDENTE PEDIDO DO MPRN PARA QUE ESTADO REGULARIZE CARGOS DE DIRETORIA DE SAÚDE DA PM

Justiça determina que o Estado adote providências para preencher cargos na Diretoria de Saúde da PM

01 jun 2020

Justiça determina que o Estado adote providências para preencher cargos na Diretoria de Saúde da PM

A 6ª Vara da Fazenda Pública de Natal julgou parcialmente procedente pedido formulado pelo Ministério Público do RN e determinou que o Estado do Rio Grande do Norte adote as providências necessárias para que, no prazo máximo de dezoito meses, sejam preenchidos, através de concurso público, os cargos de 2º Tenente e de Cabo dos quadros de pessoal da Diretoria de Saúde da Polícia Militar.

O preenchimento deve ser realizado em número suficiente para que tais quadros passem a funcionar com, pelo menos, a metade do seu efetivo, o que corresponde, respectivamente, a 90 oficiais de todas as patentes para o Quadro de Saúde e o Quadro de Apoio à Saúde somados, e a 125 praças de todas as graduações para o Quadro de Praças Policiais Militares Especialistas de Saúde.

Salienta a decisão judicial, que o último concurso para a Diretoria da Saúde foi realizado em 2000, portanto, há mais de 20 anos e, considerando o efetivo atual, a tendência é o esvaziamento do Quadro.

A determinação menciona, também, que embora 100 mil pessoas sejam beneficiadas pelos órgãos de apoio da Diretoria de Saúde da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, entre elas, policiais militares e bombeiros militares e seus dependentes, o Poder Público não adotou, nem está adotando, qualquer previdência para evitar o colapso dos Hospitais da Polícia Militar no Estado do Rio Grande do Norte.

A sentença ressalta que, analisando o conjunto de fatos e provas, a omissão administrativa restou evidenciada, o que legitima a atuação excepcional do Poder Judiciário. Com fundamento em precedentes do Supremo Tribunal Federal, observa que não há qualquer indicação de progressão e adoção de medidas concretas para mudança da situação apresentada.

De modo que o Poder Judiciário deve intervir quando o Poder competente demonstra-se inerte na adoção de medidas assecuratórias a realizar políticas públicas indispensáveis à garantia de relevantes direitos constitucionais, sempre em respeito aos mecanismos do sistema de freios e contrapesos (checks and balances).

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