DICA DE LIVRO: O SANTO GRAAL E A LINHAGEM SAGRADA DE MICHAEL BAIGENT, RICHARD LEIGH E HENRY LINCOLN

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira É “O Santo Graal e a linhagem sagrada”, dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. No fim do século XIX, um padre descobre, nas fundações da igreja francesa de Rennes-lw-Chateau, algo que lhe confere grande poder sobre seus superiores e acesso a círculos restritos da nobreza europeia. Para muitos um tesouro. Para os autores deste livro, esta descoberta se refere a um conjunto de informações, codificadas em pergaminhos dos primeiros séculos da nossa era,  contendo as mais explosivas revelações sobre a figura de Jesus e sobre o cristianismo. A recompensa desses dados misteriosos converge para as origens da dinastia merovíngia , a “linhagem sagrada”, afogada em sangue há mais de 1.300 anos, com apoio da Igreja, que buscava abafar para sempre um segredo, finalmente revelado no fim deste livro. Então, se você é buscador e curioso descubra esse segredo lendo esse extraordinário livro.

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DICA DE LIVRO: A ALMA DO MUNDO DE ROGER SCRUTON

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é uma obra do renomado escritor Roger Scruton sobre a experiência do sagrado contra o ataque dos ateísmos contemporâneos. O renomado filósofo argumenta que nossos relacionamentos pessoais, intuições morais e julgamentos estéticos implicam na existência de uma dimensão transcendental que não pode ser completamente compreendida pelo olhar da ciência. Em vez de apresentar uma defesa da existência de Deus, ou da verdade da religião, o que o autor propõe neste livro é uma reflexão sobre por que o sentimento do sagrado é essencial à vida humana, e o que a perda dele pode significar. Ao analisar arte, arquitetura, música e literatura, Scruton sugere que as formas mais puras da experiência e da expressão humana contam a história da nossa necessidade do sagrado, e que esta busca dá ao mundo uma alma. A alma do mundo conclui, portanto, que, mesmo com o papel cada vez menor do sagrado no mundo contemporâneo, os caminhos à transcendência permanecem abertos.

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DICA DE LIVRO: 50 ANJOS PARA A ALMA DE ANSELM GRUN

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é um livro extraordinário que li há muitos anos e retorna  a minha cabeceira, pois merece ser lido mais de uma vez. Neste livro são apresentados cinquenta anjos que introduzem os leitores no tesouro da alma. É impossível viver de uma só vez as múltiplas possibilidades da alma, mas sempre podemos voltar nossa atenção para um aspecto. Os cinquenta anjos ajudarão a desdobrar as muitas facetas de nossa alma. O próprio Deus precisa nos enviar, no anjo, sua graça, seu espírito, para que a alma em nós se fortaleça e não vivamos desalmados, mas moldemos nossa vida e este mundo a partir de nosso interior. Você vai se apaixonar por essa leitura!

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REFLEXÃO: O QUE PODEMOS TIRAR DE LIÇÃO EM CADA RELIGIÃO

Nesta terça-feira na nossa coluna REFLEXÃO vamos analisar o que podemos aprender com diferentes religiões, já que o que há em comum entre todas elas é a FÉ. A crença em algo, algum deus ou deuses. Invariavelmente todas elas pregam o amor entre os indivíduos, mas além disso, cada uma possui suas peculiaridades e têm algo a nos ensinar. Portanto lhe convido a conhecer a essência de cada uma delas, refletir fazer o seu aprendizado!

O que podemos aprender com diferentes religiões

A maioria das pessoas tem alguma fé. Não necessariamente seguem uma religião, mas acreditam em alguma coisa: destino, astrologia, forças cósmicas, entre outras. É a fé que traz algum tipo de conforto e segurança para uma pessoa, principalmente quando ela se sente desamparada. A crença, por outro lado, manifesta-se essencialmente por meio de uma religião. É possível acreditar na existência de um ou de vários deuses, e levar a vida seguindo aquilo que os livros sagrados, por exemplo, determinam como certo.

Entretanto, a crença e a fé não devem ser limitantes da realidade. Muitas pessoas passam a acreditar em algo e rejeitam a existência de quaisquer outras formas de pensamento ou de existência. É preciso compreender que existem inúmeras maneiras de ver e sentir o mundo, e que é necessário conviver em paz com todas elas.

Para que você possa aplicar esse conceito de harmonia, paz e compreensão na prática, vamos aprender o que cada religião pode nos ensinar. Não consideraremos a base da religião em si, mas os conceitos que podemos seguir, independentemente de qual seja a nossa crença. Faça este exercício! Sempre há o que aprender.

Imagem de três cruzes, referindo-se à ressureição de Jesus Cristo.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

1) Cristianismo

O cristianismo é a religião com mais adeptos em todo o mundo. Isso se dá pelo fato de a Igreja Católica ter catequizado povos que estavam sendo explorados, aumentando a região de influência da religião. Embora pareça contraditório, impor o cristianismo para outras pessoas, anulando a religião delas, não faz parte do que prega essa religião.

O cristianismo traz uma mensagem sobre praticar o bem para as outras pessoas, amando-as como ama a si mesmo. Seguindo esse conceito, de espalhar amor para quem está a seu redor, teríamos uma sociedade mais igualitária, justa e respeitosa.

2) Islamismo

O islamismo é outra religião de muitos adeptos em todo o mundo. Quem a segue é considerado muçulmano, e deve viver toda a vida tendo como foco os princípios pregados por Alá, a figura sagrada desse povo. Ainda que existam diferenças no tratamento de homens e mulheres de acordo com o islamismo, a religião é mais do que isso.

“Maktub” é a expressão que significa “estava escrito”, e é o que diz para as pessoas muçulmanas que o destino delas já foi traçado. Assim, tanto o que acontece de bom ou de ruim pode trazer algum ensinamento no futuro. Tudo estava destinado a acontecer, e não podemos fugir desse destino. É uma boa forma de pensar quando estamos enfrentando um momento de muita dificuldade.

3) Hinduísmo

O hinduísmo funciona como um conjunto de cultos que teve origem na Índia. Diferentemente de qualquer outra religião, o hinduísmo abrange a diversidade de divindades e de pensamentos, sendo que os seguidores podem escolher com qual se identificam mais.

A crença em uma força cósmica formadora do Universo é uma característica do hinduísmo, mas a maior lição que podemos aprender com a religião é a de que existem múltiplas formas de pensar e todas elas são válidas. Crendo em uma ou em várias divindades, você ainda estará conectado(a) com algo maior, com o Universo.

Imagem de Buda em posição de meditação. Ao fundo temos um lago, uma árvore com copa bem frondosa e um lindo por do sol.
Imagem de Karin Henseler por Pixabay

4) Budismo

Confundido com uma filosofia, o budismo é uma religião que segue os princípios de Siddhartha Gautama, chamado de Buda. Monges budistas são conhecidos no mundo todo, por levarem a religião a um outro patamar: o da devoção completa. As pessoas que atingem esse estado de espírito passaram, inicialmente, por um processo que qualquer um pode reproduzir.

O budismo ensina a necessidade de se desapegar das coisas que são transitórias. Objetos, por exemplo, não são essenciais na vida de uma pessoa, muito menos fazer compras de bens não necessários todos os meses. O luxo, a ostentação e as riquezas não favorecem a evolução espiritual de uma pessoa, nem a conexão dela com o que existe de mais puro no mundo. O desapego é o segredo do budismo. Valorize o que realmente importa.

5) Judaísmo

O judaísmo é a primeira religião monoteísta da história. Antes dela, todos os povos acreditavam na existência de inúmeros deuses, que governavam elementos da natureza e emoções. A mudança que o judaísmo trouxe não anula a possibilidade de crer em múltiplas divindades.

O que podemos aprender com o judaísmo é o que a religião considera como maior pecado: a idolatria. Quando idolatramos uma pessoa ou um conceito, nos fechamos para outras possibilidades e nos recusamos a enxergar o ser idolatrado como alguém que pode ter cometido erros. É preciso estar com a mente sempre aberta.

6) Espiritismo

O espiritismo é a religião que mais cresce no mundo, e conquista adeptos a todo momento. Para fazer parte dela, não há qualquer ritual específico. Basta começar a frequentar os cultos e acreditar no que a religião prega.

Existe uma característica fundamental do espiritismo que pode ser aprendida e seguida por qualquer pessoa. A caridade é vista como uma atitude fundamental para a evolução da alma de uma pessoa. Mesmo que você não acredite na existência da alma, você ainda pode praticar caridade e espalhar o bem para outras pessoas.

Imagem de um ritual de Candomblé. Várias fitas coloridas e ao fundo mães e pais de santos.
Imagem de José Eugênio Costa jecosta por Pixabay

7) Candomblé

O candomblé é uma religião que foi criada por pessoas negras escravizadas, que trouxeram as crenças africanas para o Brasil, enquanto tentavam sobreviver. Por mais que a origem da religião tenha vindo de pessoas que viviam em péssimas condições, o candomblé pode surpreender.

É uma característica da religião a prática de festas e oferendas, com dança, música e batuques tipicamente africanos. É assim que quem crê nessa religião homenageia o deus e os orixás nos quais acreditam. Isso significa que a festa, a dança e a música podem transmitir sentimentos e emoções puras, sendo uma forma essencial de comunicação com o divino.

8) Umbanda

Diferentemente do candomblé, a umbanda é uma religião que une as crenças africanas às crenças europeias, que foram trazidas ao Brasil com os colonizadores. A união das duas formas de ver o mundo criou uma religião nova e que tem muito a ensinar.

Para a umbanda, as entidades que conduzem as pessoas não podem ser consideradas totalmente boas ou totalmente ruins. Cada uma delas age de acordo com uma intenção, que pode ser prejudicial ou benéfica. É importante pensar assim também sobre as pessoas, que não devem ser julgadas como boas ou ruins a partir de simples atitudes ou formas de pensar.

9) Wicca

Wicca é uma religião diferente de qualquer outra. Nesse caso, não há crença em uma divindade, sendo uma religião pagã. A fé se manifesta na Wicca por meio da conexão entre espiritualidade e natureza, sendo uma religião que prega o contato com a essência da vida na Terra.

O que podemos aprender com a Wicca é a possibilidade de explorar o que a natureza nos fornece de forma respeitosa e consciente. É preciso compreender cada elemento que vemos como parte de um todo, buscando aprender que tipos de energia a Lua, o Sol e o mar, por exemplo, podem nos transmitir.

Imagem em preto e branco de uma bíblia antiga aberta.
Imagem de Free-Photos por Pixabay

O amor deve prevalecer

Ainda que a liberdade de praticar qualquer religião seja garantida pela Constituição Federal do Brasil, o racismo e a intolerância religiosa continuam atacando as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.

De janeiro a novembro de 2018, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebeu 213 denúncias de ataques a religiões de matriz africana. Infelizmente, esse número cresce a cada ano. Em 2017, por exemplo, foram feitas 145 denúncias.

O ataque aos praticantes de candomblé e de umbanda representa a recusa da população em aceitar a presença da população negra no Brasil. Ainda acreditam que as pessoas negras existem para servir as pessoas brancas, e que devem pensar e agir como tais.

Por mais que o Brasil se declare como um Estado laico, os temas relacionados à religião, quando votados no Congresso, são definidos por uma maioria de pessoas cristãs. Isso não significa que as pessoas que praticam umbanda e candomblé são minoria ou que não se interessam por política. Pessoas negras que seguem essas duas religiões são sistematicamente excluídas da sociedade.

Os ataques aos terreiros (onde são praticados os rituais religiosos) e aos fiéis vão contra os princípios de quaisquer religiões, que pregam, acima de tudo, o amor. Rejeitar a existência de crenças diferentes para cada pessoa não condiz com os ideais de igualdade, respeito e harmonia que as religiões definem.

Impor a própria crença, negando a fé de outra pessoa, não irá converter alguém, muito menos convencer outra pessoa de que a religião dela não é válida. Todas as religiões têm direito de existir e de serem praticadas, sem o risco de seus fiéis serem atacados.

Fonte: Eu Sem Fronteiras

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DICA DE LIVRO: JESUS, O HOMEM MAIS AMADO DA HISTÓRIA DE RODRIGO ALVAREZ

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é um livro extraordinariamente bem narrado e primorosamente ilustrado do jornalista e escritor Rodrigo Alvarez, “Jesus, o homem mais amado da História”. Uma biografia daquele que ensinou a humanidade a amar e dividiu a História em antes e depois é o livro mais atual sobre a vida do homem cuja história mantém seu vigor e interesse há mais de dois mil anos. O autor tomou como base as fontes arqueológicas e bibliográficas mais recentes, além das mais antigas (entre eles diversos manuscritos originais). Para descrever com maior autenticidade e sentimento, viajou pelos mesmos lugares percorridos por Jesus em seu tempo para reconstituir os passos do pregador que, ao mesmo tempo Deus e homem, ensinou a amar, mudou o curso da humanidade. Um livro para todos os leitores, cristãos ou não, perceberem a relevância e a permanência de sua trajetória e de seus ensinamentos.

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ESTABELECIMENTOS RELIGIOSOS ESTÃO AUTORIZADOS A FUNCIONAR NO RN DIZ NOVO DECRETO

Por G1 RN

 

Igrejas foram fechadas para conter avanço da Covid-19 — Foto: Douglas Lemos/Inter TV CabugiIgrejas foram fechadas para conter avanço da Covid-19

O Governo do Rio Grande do Norte regulamentou o funcionamento de igrejas, templos, espaços religiosos e estabelecimentos similares – que estão autorizados a funcionar durante a pandemia do novo coronavírus desde 1º de abril – por meio de uma Portaria publicada neste sábado (23), no Diário Oficial do Estado.

O texto normatiza o decreto estadual de 1º de abril, que já trazia medidas restritivas de funcionamento nos estabelecimentos religiosos. No documento do Governo do Estado foram estabelecidas uma série de recomendações sanitárias para as atividades religiosas e orações individuais.

A portaria recomenda organização de filas, dentro e fora, das igrejas com a distância mínima prevista, além de frequência simultânea de até 20 pessoas. A manutenção da higienização regular dos ambientes e dos equipamentos de contato para evitar o contágio por Covid-19 também foi estabelecida como condição para a reabertura.

Confira outras recomendações:

  • Disponibilização alternada de assentos entre as fileiras de bancos, devendo estar bloqueados de forma física aqueles que não puderem ser ocupados;
  • Disponibilização ininterrupta e suficiente de álcool gel 70% em locais fixos de fácil visualização e acesso, devendo os frequentadores higienizar as mãos na entrada e na saída do estabelecimento;
  • Utilização de máscaras de proteção, industriais ou caseiras, pelos frequentadores e funcionários durante todo o tempo em que permanecerem no estabelecimento;
  • Vedação de distribuição de qualquer material impresso aos frequentadores;
  • Utilização de embalagens individuais para a partilha de objetos litúrgicos;
  • Utilização, sempre que possível, de sistema natural de circulação de ar, abstendo-se da utilização de aparelhos de ar condicionado e ventiladores.

A publicação em Diário Oficial também condiciona o funcionamento dos centros religiosos a “priorização do afastamento” de pessoas colaboradoras da igreja, que pertençam ao grupo de risco da nova doença, como idosos, hipertensos e diabéticos. As igrejas, templos e espaços também ficam autorizadas a transmitir missas e cultos pela internet, desde que sigam as recomendações sanitárias.

Fonte: G1 RN

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ITÁLIA VOLTA A CELEBRAR MISSA PRESENCIAL NESTA SEGUNDA-FEIRA

Papa reza pelos que cuidam da limpeza de ruas e hospitais

Itália volta a celebrar nesta segunda-feira missa com fiéis presentes

por Agência Brasil – Publicado em 17/05/2020 às 11:46

Em missa celebrada neste domingo (17), na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, o papa Francisco lembrou as pessoas que fazem o serviço de limpeza nas casas, nos hospitais e nas ruas

Em missa celebrada neste domingo (17), na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, o papa Francisco lembrou as pessoas que fazem o serviço de limpeza nas casas, nos hospitais e nas ruas.”Hoje,  a nossa oração é pelas muitas pessoas que limpam os hospitais, as ruas, que esvaziam as lixeiras, que passam pelas casas para recolher o lixo: um trabalho que ninguém vê, mas que é necessário para sobreviver.”

Na homilia, afirmou que na sociedade há guerras, contrastes e insultos porque “falta o Pai: o Espírito Santo ensina o acesso ao Pai que faz de nós irmãos, uma única família, e nos dá a mansidão dos filhos de Deus”.

Fiéis nas igrejas

Em alguns países, as celebrações litúrgicas com a presença dos fiéis foram retomadas; em outros, a possibilidade está sendo considerada.

Na Itália, a partir desta segunda-feira, a missa será celebrada com a presença do povo. “Mas, por favor, continuemos com as normas, as prescrições que nos dão para proteger a saúde de cada um e do povo”, destacou o papa, em referência aos riscos de propagação do novo coronavírus, causador da Covid-19.

“Nestes tempos de pandemia em que estamos mais conscientes da importância do cuidado da nossa casa comum, faço votos de que toda a nossa reflexão e compromisso comuns ajudem a criar e fortalecer atitudes construtivas para o cuidado da Criação”, acrescentou Francisco..

Após rezar a oração de Regina Coeli (Rainha do Céu), o pontífice lembrou ainda que amanhã comemora-se o centenário do nascimento de São João Paulo II, em Wadowice, Polônia. “Amanhã de manhã, celebrarei a santa missa, que será transmitida para todo o mundo, no altar onde repousam seus restos mortais. Do Céu, ele continua a interceder pelo povo de Deus e pela paz no mundo”, disse Francisco.

Fonte: Agora RN
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PANDEMIA CAUSA ESTRAGOS NAS FINANÇAS DO VATICANO

PANDEMIA CAUSA ESTRAGOS NAS FINANÇAS DO VATICANO
Pope Francis speaks during his general audience as it is streamed via video over the internet from a library inside the Vatican, March 25, 2020. Vatican Media/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY.

Coronavírus provoca queda de receitas e esgota cofres do Vaticano

Da CNN, em São Paulo*
14 de Maio de 2020 às 00:03

Papa Francisco no VaticanoPapa Francisco no VaticanoPapa Francisco dá uma bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo) extraordinária diante da praça de São Pedro vazia

O Vaticano anunciou, no final de abril, que a pandemia de coronavírus havia forçado o papa Francisco a adiar uma campanha anual de arrecadação de recursos entre católicos de todo o mundo.

O adiamento do “Óbolo de São Pedro” em mais de três meses, para o primeiro final de semana de outubro, ocorreu em um momento particularmente ruim, já que outras receitas, principalmente dos museus do Vaticano, despencaram.

“Definitivamente temos anos difíceis pela frente”, disse o padre Juan Antonio Guerrero, novo chefe do Secretariado de Economia do Vaticano, ao site oficial Vatican News nesta quarta-feira (13).

Ele estimou que a receita da Santa Sé cairá entre 25% e 45% por causa do coronavírus, dependendo de como as medidas de corte de custos funcionarem.

A pandemia causou estragos nas finanças do Vaticano, forçando-o a recorrer aos fundos de reserva e a implementar algumas das mais difíceis medidas de controle de custos já feitas na pequena cidade-estado.

Os principais administradores do Vaticano realizaram uma reunião de emergência no final de março, quando ordenaram o congelamento de promoções e contratações e a proibição de horas extras, viagens e grandes eventos.

Um memorando interno checado pela agência Reuters informa que as decisões, válidas para o restante do ano, foram tomadas “para mitigar, pelo menos a curto prazo, o grave impacto econômico…e para evitar medidas drásticas imediatas”.

O sistema Óbolo de São Pedro, que arrecada entre 50 a 65 milhões de dólares por ano, visa ajudar as atividades do papa como chefe da Igreja, de 1,3 bilhão de membros, e apoiar projetos de caridade nas áreas mais necessitadas do mundo.

Fonte: CNN

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ESTUDOS TEOLÓGICOS: UMA DISCUSSÃO SOBRE A EXISTÊNCIA OU NÃO DOS IRMÃOS DE JESUS

A Semana Santa sempre é mais rica em literatura sobre o assunto: Jesus. Por isso estamos editando a coluna ESTUDOS TEOLÓGICOS novamente, com um tema muito polêmico entre cristãos: os irmãos de Jesus! Nesta edição está em discussão as afirmações do livro “Jesus e os manuscritos do Mar Morto” do autor David Donnini, que acredita ter tido Jesus muitos irmãos. Leia o texto completo a seguir e tire suas conclusões!

Os irmãos de Jesus: um mistério bíblico ainda sem solução

Maria deu à luz uma única vez ou teve vários filhos depois de Jesus? Trechos da Bíblia levam pesquisadores a acreditar na segunda hipótese

Os irmãos de Jesus: um mistério bíblico ainda sem solução - Planeta
Jesus faz o Sermão da Montanha, em tela de Carl Bloch (1834-1890): há pistas na Bíblia de que ele tinha irmãos. Crédito: The Museum of National History/Wikimedia
Em várias passagens dos evangelhos há menções diretas ou indiretas a irmãos e irmãs de Jesus, todos filhos de Maria. Ao contar como Jesus nasceu, Lucas diz, no evangelho que leva seu nome, que Maria deu à luz seu filho primogênito. Se Jesus fosse o único filho de Maria, não haveria por que referir-se a ele como o primogênito, isto é, o primeiro entre outros.

“Também no Evangelho de Mateus a palavra primogênito aparece nas antigas versões em latim, mas os tradutores cortaram essa palavra”, diz o historiador florentino David Donnini, autor do livro Jesus e os Manuscritos do Mar Morto. “Estava escrito em Mateus – diz ele: ‘Peperit filium suum primogenitum‘. A última palavra foi suprimida. E na versão em grego se lê, com mais detalhe: ‘E não a conheceu até que deu à luz seu filho primogênito, a quem deu o nome de Jesus’.” A frase refere-se a José, o pouco lembrado pai de Jesus, com quem Maria não teria tido relações sexuais “até que deu à luz seu filho primogênito”. E a família foi numerosa, segundo o especialista em cristianismo antigo Mauro Pesce, da Universidade de Bolonha: quatro irmãos e um número não sabido de irmãs.

Segundo o historiador David Donnini, a palavra primogênito figura nas primeiras versões em latim do Evangelho de Mateus, mas depois os tradutores a cortaram.

Tiago, o chefe da Igreja de Jerusalém após a morte de Jesus, seria outro dos filhos de Maria e José.

Facção antirromana

“Sobre a existência dos irmãos e irmãs de Jesus não faltam menções no Novo Testamento. O mais importante deles chamava-se Giacomo (Tiago), que foi o chefe da Igreja de Jerusalém após a morte de Jesus”, diz o historiador. De acordo com ele e outros estudiosos, Tiago era o líder de uma facção antirromana do cristianismo antigo, até ser assassinado.

O Evangelho de Marcos diz explicitamente: “Chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. Muita gente estava sentada ao redor dele, e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora, à tua procura” (Marcos, capítulo 3, versículos 31-32). A mesma passagem é descrita por Lucas (Lc 8, 19-20). E Marcos, em outra passagem (Mc 6, 3), cita os nomes dos quatro irmãos de Jesus e ainda pergunta pelas irmãs: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset (variação de José), Judas e Simão? E as suas irmãs, não estão aqui entre nós?”

A mesma passagem está em Mateus, com ligeiras diferenças de palavras: “Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não estão todas conosco?” (Mt 13, 55).

Em João também há referência aos irmãos de Jesus: “Aproximava-se a Festa dos Judeus, chamada dos Tabernáculos, e seus irmãos lhe disseram: Parte daqui e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que tu fazes” (Jo 7, 2-3). O trecho é importante porque faz uma clara distinção entre irmãos e discípulos. Irmãos poderiam significar não irmãos de sangue, mas de fé, e o texto descarta essa hipótese.

A menção de Paulo

De todos os textos canônicos do catolicismo, as cartas de Paulo, o grande propagador do cristianismo entre os não hebreus, são consideradas os documentos mais próximos da realidade histórica. Todas foram escritas por ele mesmo, após a morte de Jesus e muitos anos antes das transcrições dos evangelhos. Numa das cartas, ele diz: “Só três anos depois fui a Jerusalém para conhecer Pedro e não vi nenhum dos outros apóstolos, com exceção de Tiago, o irmão do Senhor” (Gal 1, 18-19).

Os evangelistas nunca escreveram seus evangelhos. Todos foram transmitidos por via oral e transcritos dezenas de anos depois por diferentes escribas da Igreja, que lhes deram os nomes que têm como homenagem aos apóstolos, já falecidos. As cartas de Paulo, ao contrário, não passaram por transcrições ou traduções de terceiros e foram preservadas tal qual o apóstolo as escreveu. Nelas, em nenhum momento Paulo fala em virgindade de Maria ou que Jesus fosse seu único filho. Na verdade, de Maria não cita nem mesmo o nome. Sobre o nascimento de Jesus, a única coisa que diz é que “nasceu de uma mulher, segundo a Lei”, referindo-se à lei dos hebreus.

O culto a Maria é posterior. Ela só foi declarada virgem no século 4 d.C., quando o patriarca Cirilo fez valer sua tese de que Maria era mãe de Deus, o Deus Jesus, e não do homem Jesus – tornando, assim, possível (ao menos no plano teológico) sua virgindade carnal. No entanto, a ideia de que Jesus era Deus é estranha aos evangelhos, pois o próprio Jesus refere-se inúmeras vezes ao “Pai que está no céu”, inclusive quando, na cruz, pronuncia a célebre frase: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27, 46; Mc 15, 34) – cujo real significado permanece um grande mistério.

Sucessão familiar

As incongruências provam como era importante para a Igreja demonstrar a virgindade de Maria, 400 anos depois do nascimento de Jesus. E o porquê disso é também um mistério. A questão não existia na época em que Maria era viva. Aparentemente, havia coisas mais importantes a tratar. Havia perseguições, a Palestina vivia convulsionada. Quando Jesus morre, quem será seu sucessor? Jesus havia feito uma multidão de seguidores e eles precisavam de um chefe. Seria Pedro? João? Ou Maria Madalena? E Maria, a mãe, seria ouvida sobre essa questão? E José, o pai?

A sucessão de Jesus seria um problema sério se ele fosse o único filho de Maria. Felizmente, para o cristianismo, não era. O escolhido foi Tiago – o que pode parecer estranho, porque Jesus diz no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18) que seu eleito para construir sua Igreja era Pedro. Mas Tiago foi escolhido porque era irmão de Jesus, “seguindo uma regra semelhante à do califado muçulmano xiita, em que o sucessor deve ser sempre um membro da família, diferentemente da regra sunita, em que o sucessor é eleito por seus seguidores”, explica o historiador Mauro Pesce.

Mas Tiago, além de irmão, tinha méritos. De acordo com o historiador Robert Eisenman, da California State University e autor de Tiago, o Irmão de Jesus, ele era o chefe de um grupo de cristãos que não aceitavam a dominação romana da Palestina, pregavam que o reino de Deus estava próximo – seria antirromano e neste mundo – e defendiam a pureza da tradição hebraica (eram, por isso mesmo, chamados de integristas). Não havia unanimidade entre os judeus sobre a dominação romana e toda a região vivia, já naquela época, em pé de guerra.

Sobrinhos de Jesus

O irmão de Jesus foi chefe da Igreja até o ano 61 d.C., quando irromperam violentas revoltas na Palestina e ele foi apedrejado até a morte, a mando de judeus colaboracionistas que o acusaram de estar por trás das rebeliões. Em 70 d.C., as tropas de ocupação romanas atearam fogo ao Templo de Jerusalém, destruindo-o, fato que é atribuído nos evangelhos apócrifos do Mar Morto à punição divina pelo assassinato de Tiago.

Outro irmão de Jesus, Judas, também teria participado dos movimentos de libertação. Seus filhos foram presos como subversivos em 90 d.C., durante as perseguições movidas pelo imperador romano Domiciano. O fato é citado por Eusébio de Cesareia – historiador, teólogo e bispo da Igreja do século 4 -, lembrando que os presos eram sobrinhos de Jesus e membros da estirpe real de Israel.

A Igreja Católica justifica a menção a irmãos e irmãs de Jesus nas escrituras como um mal-entendido semântico. Seriam primos dele, filhos de uma irmã de Maria também chamada Maria, dita “de Cleofas”. De acordo com essa explicação, a confusão vem do fato de que em aramaico se emprega a mesma palavra para irmão e primo. “Mas essa ideia não se sustenta”, afirma David Donnini. “Os evangelhos não foram escritos originariamente em aramaico, mas em grego, e o termo utilizado é adelphos, que significa inequivocamente irmão, e não primo.”

Outro historiador, Daniel Maguerat, da Universidade de Bolonha, foi tirar a prova: examinou os textos dos evangelhos na língua original e só descobriu um único caso em que o termo irmão podia estar sendo usado para designar primo. Em todos os outros, era irmão mesmo.

Fonte: Revista Planeta

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ESTUDOS TEOLÓGICOS: O ENIGMÁTICO PILATOS É DESNUDADO PELO HISTORIADOR ALDO SCHIAVONE

Enfim um novo livro sobre um personagem polêmico e enigmático na história da humanidade que nunca havia ficado claro a sua participação ou intenção no que tange a condenação e crucificação de Jesus. Nesse livro, o autor, Aldo Schiavone revista a figura do governador que julgou Jesus para explicar sua ambiguidade e afirma ser inverossímil que ele tenha lavado as mãos. Portanto lhe convido a ler o artigo a seguir e conhecer melhor esse grande personagem da história.

Historiador desterra mitos sobre Pilatos e diz que é inverossímil que ele tenha lavado as mãos

Aldo Schiavone revisita a figura do governador que julgou Jesus para explicar sua ambiguidade

'Ecce Homo', de Antonio Ciseri.‘Ecce Homo’, de Antonio Ciseri.

Poucas figuras entraram para a história como Pilatos, aparecendo brevemente, com uma só ação, para depois se volatilizar deixando poucos rastros. Além disso, chegou a nós como uma figura ambígua. O historiador italiano Aldo Schiavone publica na Espanha o livro Poncio Pilato – Un Enigma entre la Historia y el Misterio (editora Trotta), um interessante livro que mergulha em tudo o que se pode saber sobre ele, nos Evangelhos e nas únicas quatro fontes históricas encontradas: textos de Flavio Josefo e Fílon de Alexandria, uma menção de Tácito e a inscrição em uma pedra achada em 1961.

Para o autor, Pilatos se viu metido num imbróglio que punha em risco os complexos equilíbrios políticos de um país revoltoso e cuja cultura lhe parecia bárbara e incompreensível. Para complicar ainda mais as coisas, o relato teria sido desfigurado pela óptica antijudaica impressa nos Evangelhos, que procurava também deixar os romanos com uma boa imagem para que a nova fé prosperasse no império, e força situações incompreensíveis à luz histórica. E, como última tese, Schiavone aponta que Pilatos inclusive chegou a compreender que Jesus estava decidido a morrer e não poderia fazer nada para evitá-lo. Não só isso: intuiu que devia colaborar em um desenho sobrenatural que lhe escapava, como uma espécie de cooperador necessário.

“Este o ponto mais delicado de toda a história”, afirma o autor por telefone de Roma. “Eu acredito que isso foi ocultado porque punha em xeque o equilíbrio entre predestinação e livre arbítrio, e sobretudo a responsabilidade judaica na morte de Jesus. O relato de João, o mais preciso, trai esta realidade, esta profecia que se autocumpria, pois há saltos no relato que tornam evidente que algo aconteceu ali. Pilatos, depois da enésima tentativa de salvar Jesus, se rende e diz: que se cumpra o seu destino. Mas isso era difícil de dizer, e os evangelhos não dizem”. Assim se explica, opina Schiavone, a ambiguidade de Pilatos na tradição e o fato de Tertuliano, um dos primeiros grandes autores cristãos, ter dito no século II que o governador da Judeia tinha “coração cristão”.

Schiavone segue em sua análise os Evangelhos, escritos décadas depois do ano 30, porque acredita que “há na memória um fundo de verdade decifrável, não quer dizer que seja tudo falso, e o que se pode verificar costuma corresponder aos dados históricos”. Pelo caminho, detona estereótipos. O mais famoso: a lavagem de mãos: “É um gesto totalmente hebraico. É impensável que um dirigente romano fizesse um gesto assim em um processo. Uma incongruência cultural e jurídica”, raciocina. “Mas era necessário que ficasse claro para o leitor judeu que o praefectus não tinha nada a ver com o assunto”. Para o autor, é o marco zero na genealogia do antissemitismo cristão.

Haveria outros elementos forçados. Como a introdução do povo judeu como tal no processo contra Jesus. Marcos e Mateus colocam a multidão no relato, em frente ao palácio de Pilatos, para que compartilhe uma responsabilidade que, de outra forma, recairia apenas sobre os sacerdotes. Sobretudo, em nenhuma parte se explica o motivo: por que a mesma cidade que seis dias antes recebera Jesus como um herói muda de opinião e exige sua morte. Na mesma linha se situa o dilema público entre Jesus e Barrabás, outro personagem sem base histórica. “É outra falsificação. Era necessário que o povo por completo se apresentasse em cena. Mas é totalmente irreal que se convocasse uma assembleia popular em frente ao palácio. Ali não havia uma praça, uma ágora, nem quem a convocasse. Certamente não os sacerdotes, pois os romanos não teriam permitido, e tampouco os próprios romanos. O mais provável é que fossem só os sacerdotes com um pequeno grupo.”

Os sacerdotes, que viam em Jesus um perigo teológico e político, queriam envolver os romanos em seu plano para eliminá-lo, usando-os como anteparo perante o povo, cuja reação temiam. Jesus, acredita o autor, era um personagem conhecido, destacava-se no exército de pregadores e iluminados da Palestina no século I. A acusação útil foi de que instigava à insurreição. Roma governava com o consenso, com alianças com as aristocracias locais, e isto era ainda mais marcado nas províncias do Oriente, com civilizações mais antigas. Não eram os bárbaros do norte, que simplesmente eram submetidos. Nessa época se vivia na Judeia um messianismo apocalíptico, misturado com a política e a resistência ao invasor. Os romanos, tão afastados desta cultura, viam esse lugar como um hospício. “Nenhuma das populações submetidas tinha produzido nada parecido com a Bíblia”, diz o historiador.

Pilatos temia uma armadilha, ser instrumento de um ajuste de contas entre facções, acabar utilizado por sacerdotes saduceus para se livrarem de um adversário, e que isso desencadeasse a ira popular. Os saduceus eram a aristocracia local, colaboravam com os romanos, mas eram uma minoria. De fato, seriam massacrados na revolta do ano 66. Todo o interrogatório de Jesus, segundo o relato dos Evangelhos, é uma sondagem de Pilatos para saber o que se está tramando. E revela que ele não tinha nada contra Jesus, procurava uma imputação, mas não a encontrava. Os textos não esclarecem em que língua falaram, provavelmente aramaico. Em nenhum lugar consta que Jesus falasse grego. Talvez houvesse um intérprete. Jesus não se defende em nenhum momento, e frases como “Meu reino não é deste mundo” desnorteariam Pilatos que, em todo caso, percebeu que não se achava diante de um rebelde. Segundo Schiavone, mais que um interrogatório, tornou-se “uma conversa em que Pilatos parece cada vez mais fascinado e perturbado”, e quase um diálogo platônico. Até que, muito a seu pesar, o envia para a morte.

Só há sete nomes próprios na Paixão: Judas, Anás, Caifás, Barrabás, Herodes Antipas, José de Arimateia e Pilatos. Sobre Judas e Barrabás não há confirmação histórica, mas dos outros cinco, sim. E Pilatos é o mais importante. Não vivia em Jerusalém, e sim em Cesareia, a capital, perto da Síria. Cidade pagã e litorânea, mais agradável. Mas naquela semana havia festas e ele estava em Jerusalém, 40.000 habitantes. Uma cidade grande na época, mas tudo ficava perto. Os deslocamentos do relato evangélico são questão de ruas. Aldo Schiavone aponta que tudo começou provavelmente em 6 de abril do ano 30, uma quinta-feira.

Pilatos estava na Judeia desde o ano 26. Chegou com 40 anos de idade. Não sabemos nada de sua vida anterior, nem seu nome. É possível que fosse Lúcio ou Tito. Seu primeiro episódio conhecido, relatado por Flávio Josefo, foi um incidente assim que assumiu o cargo. Entrou à noite em Jerusalém com as tropas, que levavam insígnias e retratos do imperador, algo proibido na religião judaica, que se opunha às imagens na Cidade Santa. Uma multidão se congregou por cinco dias diante do seu palácio dias para exigir que fossem retiradas, e no sexto a situação estourou: o governador mandou a guarda dissolver a multidão à força. Mas os judeus se jogaram no chão dispostos ao sacrifício, algo que deixou Pilatos estupefato. Viu então que a religião era algo “passional e decisivo” para essa gente, diz Schiavone, e isso condicionou sua atitude posterior, para se movimentar com mais tato.

Depois da morte Jesus só há duas menções a Pilatos, sobre novos incidentes. Foi afastado após dez anos em seu cargo e chamado a Roma. Como era inverno, ano 36 ou 37, não podia fazer a viagem por mar e foi por terra. Mas justo então morreu o imperador Tibério, em 17 de março de 37, e não voltamos a saber mais nada sobre ele.

Fonte: EL PAÍS

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