OS LÍDERES DO IRÃ DISSERAM QUE SUAS POLÍTICAS NÃO MUDARIAM COM BASE NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DOS EUA

Como vai ficar a relação entre EUA e Irã quando acabar a era Trump?

Existe uma expectativa de que Joe Biden leve os EUA de volta para o acordo nuclear com Teerã, mas divisões internas na política do país e ações remanescentes do governo Trump são um obstáculo real a esse objetivo

INTERNACIONAL |

 por BBC NEWS BRASIL

Os líderes do Irã disseram que suas políticas não mudariam com base no resultado da eleição presidencial dos EUA

EPA

Na longa lista de tarefas do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, está voltar a integrar ao acordo nuclear com o Irã.

Celebrado em 2015, o Plano Conjunto e Abrangente de Ação (PCAA) foi costurado pelo governo de Barack Obama, o antecessor de Donald Trump na Casa Branca.

Mas Trump retirou os Estados Unidos do acordo em maio de 2018 e, desde então, tem feito o possível para demoli-lo.

Mas apesar de mais de dois anos da sua política de “pressão máxima” sobre o Irã, o país não cedeu e está mais perto de adquirir a tecnologia necessária para uma arma nuclear.

Biden, que assume em 20 de janeiro, conseguirá voltar ao status quo de antes?

“A estratégia é muito, muito clara”, diz Aniseh Bassiri Tabrizi, especialista em Irã do Instituto Real de Serviços Unidos, centro de estudos de defesa e segurança internacional baseado em Londres, no Reino Unido. “Mas não será fácil.”

O próprio Biden reconheceu isso em uma entrevista ao jornal The New York Times no início de dezembro, mas também afirmou que “a última coisa de que precisamos naquela parte do mundo é um aumento da capacidade nuclear”.

Condições e recusas

É justo dizer que existem desafios consideráveis. A começar pela complexa teia de sanções impostas pelos Estados Unidos nos últimos dois anos.

Além disso, após os Estados Unidos se retirarem do PCAA, o Irã começou a dar para trás em seus próprios compromissos.

Biden disse que retornará ao acordo nuclear e suspenderá as sanções se Teerã voltar a “cumprir integralmente o acordo nuclear”.

O Irã respondeu que não aceitará as pré-condições de Biden e que os Estados Unidos devem retornar ao acordo antes que as negociações possam ocorrer, segundo o ministro das Relações Exteriores, Javad Zarif.

Urânio enriquecido

Quando Trump abandonou o acordo nuclear, justificou que queria forçar o Irã a negociar um novo acordo que impusesse restrições indefinidas em seu programa nuclear e também interrompesse o desenvolvimento de mísseis balísticos.

O Irã se recusou e, em julho de 2019, ultrapassou o limite de 3,67% para o enriquecimento de urânio.

Ao mesmo tempo, o país tem hoje estocada cerca de 12 vezes a quantidade de urânio pouco enriquecido permitida pelo PCAA, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O urânio pouco enriquecido é usado para muitos fins civis relacionados à energia nuclear. Mas, em seu mais alto estado de purificação (do qual o Irã não está nem perto, nem se sabe que está tentando fazer isso), ele pode ser usado em uma bomba nuclear – daí a preocupação.

Mas o governo iraniano insiste que suas ambições nucleares são inteiramente pacíficas.

Essas talvez sejam provavelmente questões relativamente simples de se lidar. As autoridades iranianas disseram que seus movimentos em direção ao não cumprimento são “reversíveis”.

Mas os avanços na pesquisa e desenvolvimento iranianos não podem ser simplesmente anulados. “Não podemos voltar atrás”, disse Ali Asghar Sol Budaph, ex-embaixador do Irã na AIEA.

O Irã que resistiu à tempestade Trump também tem suas próprias demandas. As autoridades dizem que a remoção das sanções não será suficiente. O país espera ser indenizado por dois anos e meio de danos econômicos graves.

Além disso, o governo iraniano diz que o próprio governo americano deixou de cumprir seus compromissos.

Em uma conferência virtual, Zarif afirmou que os Estados Unidos “violaram gravemente” uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que endossa o acordo nuclear quando o abandonaram.

“Os Estados Unidos devem cessar suas violações do direito internacional”, disse ele. “Isso não requer negociações.” Zarif continuou, dizendo que os Estados Unidos “não estavam em posição de estabelecer condições”.

Pressão política

Com as eleições presidenciais do Irã se aproximando em junho do próximo ano, campos reformistas e linha-dura estão disputando posições no país.

As avaliações populares do presidente Hassan Rouhani, visto como moderado, caíram à medida que a situação econômica do Irã piorou. Será que Biden sentirá necessidade de aumentar as chances de Rouhani reduzindo as sanções?

No início de dezembro, o Parlamento do Irã elevou a pressão sobre Biden ao aprovar um projeto de lei que impede as inspeções da ONU em suas instalações nucleares e exige que o governo retome o enriquecimento de urânio para 20%, bem acima dos 3,67% acordados no acordo, se as sanções americanas não forem abrandadas dentro de dois meses.

Rouhani disse que se opõe à implementação da lei, mas o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que é a autoridade máxima do país, ainda precisa deixar clara sua posição sobre o projeto.

Isso ocorreu após o assassinato do principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, que teve um papel crucial no programa nuclear do país.

Ele foi morto em um misterioso ataque a uma estrada fora da capital Teerã. O Irã acredita que Israel e um grupo de oposição exilado usaram uma arma de controle remoto. O governo israelense não comentou publicamente as alegações de seu envolvimento.

No entanto, a margem de manobra de Biden pode ser limitada. O apoio ao acordo nos Estados Unidos está dividido em linhas partidárias, com a maioria dos republicanos se opondo.

Os resultados das duas votações em segundo turno da Geórgia para o Senado em janeiro determinarão o equilíbrio de poder em Washington e, possivelmente, a liberdade de ação do próximo governo.

Antigos aliados e novas alianças

Claro, o PCAA nunca foi um assunto bilateral. Seus outros patrocinadores internacionais (Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha, além da União Europeia) estão todos, de uma forma ou de outra, investidos nos seus rumos.

Os patrocinadores europeus, em particular, estão ansiosos para ver Washington mais uma vez comprometido com o sucesso do acordo.

O Reino Unido, a França e a Alemanha tentaram manter o acordo vivo durante os anos Trump e agora podem desempenhar um papel na negociação dos termos do retorno americano.

Mas há um reconhecimento de que o mundo mudou e que um simples retorno ao plano original é improvável.

“Até esses países agora falam cada vez mais em um novo acordo que dê continuidade ao PCAA”, diz Tabrizi.

Qualquer acordo desse tipo, afirma a especialista, teria como alvo as atividades regionais do Irã e o desenvolvimento de mísseis balísticos, bem como limitar as atividades nucleares quando as cláusulas do PCAA começarem a expirar.

O fato de que algumas das potências regionais que se opuseram ao plano, como Israel, Emirados Árabes e Bahrein, recentemente assinaram acordos de normalização de relações diplomáticas patrocinados e fortemente promovidos pelo governo Trump tornará seus interesses muito mais difíceis de ignorar.

“Se vamos negociar a segurança de nossa parte do mundo, devemos estar lá”, disse o embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Washington, Yousef al-Otaiba, ao público em um seminário recente organizado pelo Instituto de Estudos em Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv.

A determinação do embaixador foi confirmada por seu interlocutor israelense, o diretor do instituto, Amos Yadlin. “Israel também quer estar à mesa”, disse Yadlin, “com nossos aliados no Oriente Médio.”

Por sua vez, o rei Salman, da Arábia Saudita, fez um apelo pro “uma posição decisiva da comunidade internacional contra o Irã”.

Reviver o PCAA e, ao mesmo tempo, acomodar os pontos de vista e interesses daqueles que o temem ou desprezam representará um quebra-cabeça diplomático muito complicado para Biden. E não esqueçamos: o governo de seu antecessor ainda não acabou.

A mídia americana informou que Trump perguntou na semana passada a conselheiros seniores sobre as opções para atacar uma instalação nuclear iraniana, mas que ele foi dissuadido.

Desafiando as normas tradicionais associadas aos fins de governos, ele ainda está pressionando o Irã, introduzindo novas sanções desde sua derrota nas eleições e ameaçando impor ainda mais.

O que quer que ele acabe fazendo até o final de janeiro, a intenção parece clara: tornar o mais difícil possível para Joe Biden desfazer os resultados.

Fonte: R7

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CEO DA FARMACEUTICA CHINESA SINOVAC BIOTECH, CONFESSOU TER SUBORNADO AUTORIDADES SANITÁRIAS DA CHINA DURANTE ANOS PARA ESTABELECER SUA EMPRESA COMO LÍDER NO MERCADO

 

CEO da Sinovac  subornou autoridades sanitárias na China

Casos não têm ligação com a Coronavac, a vacina contra o novo coronavírus que está sendo desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan (SP)

INTERNACIONAL

Do R7

A Sinovac é uma das líderes no setor de vacinas na China A Sinovac é uma das líderes no setor de vacinas na China
Thomas Peter / Reuters – 24.11.2020

Yin Weidong, fundador e CEO da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, uma das líderes na corrida por uma vacina contra o novo coronavírus, confessou ter subornado autoridades sanitárias da China durante anos para estabelecer sua empresa como uma das líderes do mercado.

O caso, revelado em documentos da Justiça chinesa publicados pelo jornal norte-americano Washington Post, não envolve a Coronavac, a vacina contra covid-19 que a Sinovac está testando no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, mas revela como a companhia cresceu no mercado.

Segundo os documentos, em 2016 Yin admitiu em um julgamento que pagou mais de US$ 83 mil (cerca de R$ 427 mil) entre 2002 e 2011 para Yin Hongzhang, um agente sanitário que fiscalizava desenvolvimento de vacinas, e sua esposa. Foi nesse período que a Sinovac saiu de uma startup para uma das gigantes do setor na China, com diversas pesquisas financiadas pelo governo.

Confissão na Justiça

No julgamento, Yin Hongzhang confessou que apressava as certificações das vacinas da Sinovac e sete outras empresas e foi condenado, em 2017, a dez anos de prisão. Yin Weidong, que apesar de ter o mesmo sobrenome do agente não é parente dele, não foi processado e permanece no cargo, comandando a Sinovac até hoje.

Durante os nove anos em que o fiscal facilitou o processo de aprovações, a Sinovac conseguiu lançar vacinas contra hepatite A, SARS, gripe aviária, gripe suína, febre aftosa e gripe comum. Por conta da pesquisa com a SARS, acabou saindo na frente na corrida pela vacina contra o novo coronavírus.

A confissão de Yin Hongzhang ajuda a entender como uma empresa até então de pequeno porte foi a primeira no mundo a fazer testes clínicos de uma vacina contra a SARS em 2003 e a primeira a lançar comercialmente uma vacina contra a gripe suína em 2009.

A CoronaVac é uma das três vacinas chinesas contra a covid-19 que estão em fases mais avançadas. A vacina da estatal Sinopharm já está sendo aplicada em um programa que abrange os funcionários de saúde e a da CanSino, em parceria com um instituto militar de pesquisas, foi aplicada em pessoal das Forças Armadas.

A Sinovac reconheceu publicamente o caso de suborno, mas afirma que cooperou com as investigações e que ninguém da empresa foi processado. O CEO disse, ao testemunhar, que não tinha como recusar os pedidos do fiscal.

Em outros processos, pelo menos 20 agentes do governo e administradores do setor hospitalar de pelo menos cinco províncias chinesas admitiram ter recebido propinas de funcionários da Sinovac entre 2008 e 2016.

Em uma nota de resposta ao Post, um porta-voz da empresa disse que todos os casos foram analisados pelo sistema jurídico da China e que até hoje nenhum processo foi aberto contra a empresa ou seu fundador.

Corrupção e punições

A corrupção no setor farmacêutico chinês se tornou gigantesca após a descentralização promovida nos anos 1990, até que em 2007, o antigo responsável pela agência sanitária do país, Zheng Xiaoyu, foi executado por receber propinas de diversas empresas.

Até 2014, o governo costumava punir apenas os funcionários estatais que cobravam as propinas do setor privado. Naquele ano, a GlaxoSmithKline recebeu uma multa de US$ 490 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) por subornar médicos e agentes do Estado para ampliar suas vendas. O principal executivo da empresa no país foi preso.

Apesar de todas as confissões, nenhum processo indica que a Sinovac esteja envolvida em algum tipo de escândalo com relação à segurança de seus produtos nem que as propinas tenham sido pagas para a aprovação de algum produto defeituoso. Mas especialistas acreditam que ela precisa ser olhada com cuidado.

“O fato de que a empresa tem esse histórico de propina cria uma sombra de dúvida sobre os dados da vacina, que ainda não foram publicados em artigos nem revisados por outros profissionais”, disse Arthur Caplan, especialista em ética médica entrevistado pelo Post. “Até mesmo em uma pandemia, uma empresa com reputação duvidosa precisa ser vista com cuidado”.

 

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LÍDERES DO G20 EM EVENTO PARALELO DEBATERAM SOBRE A ECONOMIA CIRCULAR DO CARBONO

Líderes do G20 nivelam importância da sustentabilidade à da pandemia

Em evento fechado neste domingo, sete líderes gravaram depoimentos sobre experiências e ambições em relação ao setor da economia circular do carbono

INTERNACIONAL

por Agência Estado

Evento aconteceu virtualmente neste ano

Líderes das 20 maiores economias do mundo (G20) debatem nesta manhã de domingo durante evento paralelo de alto nível do grupo sobre a chamada economia circular do carbono (CCE, na sigla em inglês).

O evento é fechado, mas sete deles gravaram depoimentos sobre suas experiências e ambições em relação ao setor.

presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não estava entre eles. Durante a exibição do vídeo, alguns dos chefes de Estado e de governo colocaram a importância da sustentabilidade para o G20 no mesmo patamar das preocupações com a pandemia de coronavírus. O presidente americano, Donald Trump, disse que a estrutura do Acordo de Paris não serve aos Estados Unidos, mas que o país é o que mais investe no setor.

O primeiro a falar foi o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, da Arábia Saudita, que neste ano é a presidente do G20. Para ele, o grupo conseguirá, unido, mitigar os efeitos negativos sobre o meio ambiente. “Salvaguardar o planeta é algo de extrema importância. Temos que ser pioneiros em sustentabilidade e colocar metas ambiciosas de ambiente”, afirmou. O país se comprometeu a produzir 50% de sua energia a partir das fontes eólica e solar até 2030.

Na sequência, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, que será o próximo país a liderar o G20, prometeu ampliar as ambições do grupo durante a presidência de 2021. “O impacto da pandemia não deve afetar nossa determinação de atingir nossos objetivos”, alertou, salientando que os dois assuntos são “a maior pressão do nosso tempo”. “Estou convencido que o G20 pode guiar o mundo para a direção correta”, disse, acrescentando não haver “escapatória”, a não ser a redução das emissões de carbono.

Já o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, o último país a estar à frente da presidência rotatória do G20, disse que o grupo tem de trabalhar junto, como um time. Ele aproveitou para enfatizar o anúncio feito no mês passado pelo governo de reduzir a meta de emissão líquida para zero até 2050.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, ressaltou que é preciso apoiar o crescimento, mas também a sustentabilidade. “Sempre temos que ter um olhar para o futuro e para o mundo que vamos deixar para nossas crianças”, disse. Ele relatou que o país baniu a exportação de lixo plástico e citou medidas adotadas pela Austrália que foram premiadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O presidente chinês, Xi Jinping, por sua vez, disse que é preciso fortalecer a resposta do G20 às mudanças climáticas. Ele também descreveu iniciativas nesse sentido promovidas recentemente pelo seu país. “Podemos proteger o ecossistema com respeito à natureza. A Terra é uma casa compartilhada. Precisamos proteger o planeta azul.”

Já o premiê indiano, Narendra Modi, ressaltou que todos estão focados em salvar seus cidadãos e economias por causa da pandemia. “Igualmente importante é manter nosso foco nas mudanças climáticas. Temos que viver em harmonia com o meio ambiente”, declarou. Ele disse estar contente em dividir a informação de que seu país não só já atingiu a meta acordada em Paris, como a superou.

O último a gravar um depoimento foi Trump. Ele disse que os Estados Unidos trabalham para ter a água e o ar mais limpos do planeta, e que o país está investindo “bilhões” nesse sentido. O presidente afirmou também que é preciso neste momento proteger os trabalhadores americanos e os empregos do país, além de promover a sustentabilidade.

Para o americano, as críticas feitas aos Estados Unidos sobre meio ambiente são “muito injustas”, e são motivadas apenas pela decisão do país, em seu governo, de não ser mais um signatário do Acordo de Paris. Para ele, o pacto não atende às necessidades dos EUA. “Os Estados Unidos e o G20 têm uma oportunidade importante de manter esse trabalho”, disse sobre o clima e a acessibilidade energética.

Fonte: R7
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DEPOIS DE UMA DÉCADA EM CONSTRUÇÃO, LÍDERES ASIÁTICOS ASSINARAM O MAIOR ACORDO COMERCIAL DO MUNDO

 

Como o RCEP, o maior tratado de livre-comércio do mundo, afeta o Brasil e a América Latina

O acordo que foi fechado neste domingo (15/11) estava em andamento havia quase uma década e cobre quase um terço da economia global,com a China na liderança

INTERNACIONAL

por BBC NEWS BRASIL

O novo acordo abrange 29% do Produtor Interno Bruto (PIB) do mundo

Getty Images

Depois de uma década em construção, o maior acordo comercial do mundo aconteceu. Líderes asiáticos assinaram no domingo (15/11), em Hanói, o mega-tratado que inclui os dez membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático, além de China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

O acordo, Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês), será maior que a União Europeia e o Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Os membros somam quase um terço da população mundial e 29% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.

A Índia também fez parte das negociações, mas desistiu em 2019 por temer que a redução das tarifas prejudicasse seus produtores.

O acordo

O RCEP eliminará tarifas de importação pelos próximos 20 anos. O acordo também inclui dispositivos sobre propriedade intelectual, telecomunicações, serviços financeiros, comércio eletrônico e serviços profissionais.

Muitos dos países-membros já têm acordos de livre-comércio entre si, mas com limitações que podem ser superadas com o atual acordo.

“Os acordos de livre-comércio existentes costumam ser muito complexos em comparação com o RCEP”, disse Deborah Elms, da organização Asian Trade Centre, à BBC em Cingapura.

Até agora, as empresas que dependem de cadeias de suprimentos globais podiam ser afetadas por tarifas, apesar de um acordo de livre-comércio, porque seus produtos tinham componentes fabricados em outro lugar. Um produto fabricado na Indonésia que contém peças fabricadas na Austrália, por exemplo, pode estar sujeito a tarifas.

No âmbito do RCEP, entretanto, os componentes de qualquer país membro serão tratados da mesma forma, o que poderia dar às empresas nos países do RCEP um incentivo para fazer parceria com fornecedores da nova aliança regional.

Qual é a sua importância geopolítica?

A ideia do RCEP nasceu em 2012 e foi vista como uma forma de a China, maior importadora e exportadora da região, se opor à influência que os Estados Unidos vinham exercendo ali durante o governo de Barack Obama.

Obama havia promovido a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), da qual faziam parte México, Chile e Peru, mas não a China.

O interesse pelo RCEP cresceu quando Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífico – o país era o arquiteto do acordo e cuja economia correspondia a dois terços do total do bloco.

Na verdade, a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a política nacionalista de Trump (“America first”) acabaram com a ideia de Obama de olhar mais para a Ásia e serviram para dar força ao RCEP, que é visto como uma oportunidade de Pequim para definir a agenda comercial regional na ausência de Washington.

Como principal fonte de importações e principal destino das exportações da maioria dos membros do RCEP, a China parece ser o principal beneficiário e está bem posicionada para influenciar as regras comerciais e expandir sua influência na Ásia-Pacífico, algo que Obama queria evitar.

A Presidência de Biden mudará alguma coisa?

O comércio internacional esteve muito menos presente na agenda nesta campanha presidencial, e Biden disse relativamente pouco sobre se sua política comercial mudará significativamente ou se vai reconsiderar o retorno à Parceria Transpacífico.

Biden defende retomar uma política de multilateralismo, como durante o governo Obama, mas é prematuro falar em acordos comerciais, dados os enormes desafios que o democrata enfrentará internamente. Além disso, eventuais medidas nesse sentido correm o risco de serem vistas como prejudiciais aos sindicatos que o ajudaram a vencer nos Estados do chamado cinturão da ferrugem (região tradicionalmente industrial dos EUA).

É esperado que suas prioridades comerciais se concentrem em trabalhar com os aliados para pressionar a China e forçar mudanças na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Voltar ao que era à Parceria Transpacífico pode não acontecer no curto prazo.

Os sindicatos e os progressistas que apoiaram a eleição de Biden têm sido céticos em relação aos acordos de livre-comércio, e representantes desses grupos estão presentes em sua equipe de transição. Eles podem defender certas medidas de proteção a indústrias vulneráveis, como aço e alumínio.

Se Biden decidir se reconectar com a Ásia-Pacífico, isso pode funcionar como um contrapeso em relação à China.

Como afeta a América Latina?

O comércio bilateral entre a Ásia e a América Latina tem crescido continuamente nas últimas décadas, mas a integração entre as duas regiões tem muito espaço para avanços e pode sofrer o impacto do novo acordo, afirmam analistas.

“No curto prazo, o RCEP pode causar algum desvio comercial, limitar o crescimento do comércio entre a América Latina e a Ásia”, diz Jack Caporal, especialista em comércio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.

“No entanto, as regras comuns tornarão mais fácil para as empresas latino-americanas com presença na Ásia fazerem negócios lá”, agrega Caporal. “Uma questão importante para os países latino-americanos é se eles buscarão uma integração com a Ásia individualmente ou em conjunto, como por meio da Parceria Transpacífico ou do Mercosul.”

“Desde que o comércio entre a América Latina e a China explodiu, nos anos 2000, liderado quase exclusivamente pelo rápido crescimento da China e sua necessidade de matérias-primas, os países da região buscaram uma maior integração com a Ásia em geral, não apenas com a China, mas em particular com Japão, Coreia do Sul e Índia”, diz à BBC News Mundo Cynthia Arnson, especialista do Wilson Center nas relações entre as duas regiões.

Arnson afirma que esse era o espírito da Parceria Transpacífico, agora dizimada na ausência dos Estados Unidos.

“A menos que o governo Biden retorne à Parceria Transpacífico, os países latino-americanos serão atraídos por uma maior participação de mercado na Ásia, que agora está representada pelo RCEP”, acrescenta.

Nicolás Albertoni, professor da Universidade Católica do Uruguai e pesquisador associado do Laboratório de Política e Segurança Internacional da Universidade do Sul da Califórnia, acredita que há uma “desvantagem” para os países que não fazem parte desse tipo de mega-acordos.

“É fundamental que os países da América Latina (principalmente do Cone Sul) que não fazem parte batam à porta e peçam para fazer parte desses acordos”, opina à BBC News Mundo.

E os efeitos para o Brasil?

O novo acordo deve afetar pouco a exportação de commodities brasileiras para a região, segundo especialistas em relações internacionais e comércio exterior ouvidos pela BBC News Brasil.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Bruno Hendler destaca que o acordo “faz parte de uma disputa maior, entre EUA e China, por processos de integração regional que vão muito além da redução de tarifas comerciais”.

Especialista em relações da China com o Sudeste Asiático e com a América Latina, Hendler pondera que os efeitos desse tipo de acordo levam anos para serem sentidos, principalmente porque muitos países tendem a usar salvaguardas para proteger setores econômicos mais frágeis.

“O reflexo mais imediato desse acordo é a tendência de elevação de competitividade dos países asiáticos pela integração nas cadeias globais de valor, que é um processo que vem acontecendo há décadas”, diz Hendler.

Para o Brasil, ele diz, o impacto não deve ser tão significativo.

“O grande mercado asiático, que é o chinês, já tem acordo de livre-comércio com países que são concorrentes do agronegócio brasileiro. O novo acordo tende a oficializar uma série de acordos que já existiam – que alguns autores chamam de prato de espaguete, em referência a essas conexões. Vejo esse acordo como um ‘upgrade’ de uma série de acordos bilaterais e multilaterais que já existiam entre esses países. Então, no curto prazo, acho que o agronegócio brasileiro não será tão impactado porque já tem sido impactado há anos pelo acesso privilegiado que o Sudeste Asiático tem ao mercado chinês.”

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, espera um “impacto menor” para a exportação de commodities brasileiras.

“Tínhamos preocupação com o acordo anterior (TPP ou Parceria Transpacífico), em que os EUA, nosso grande concorrente na exportação de commodities, participavam e teriam muita vantagem. No acordo atual, o impacto para o Brasil em termos de commodities muda pouco, e em relação a produtos manufaturados já temos participação muito pequena, que continuará pequena enquanto Brasil não fizer reformas estruturais internas”, diz Castro.

Especialista em geografia das relações internacionais, Gustavo Glodes Blum também diz que as correntes de comércio do Brasil com a região Ásia-Pacífico, baseada nas commodities, não serão alteradas. Ele destaca, no entanto, que o Brasil pode sentir efeitos de uma possível perda de mercado dos EUA por lá.

“O efeito mais relevante para nós talvez seja um aprofundamento da disputa por mercado, com os EUA aumentando esforços de penetrar no nosso mercado. A China cria, na prática, um mercado comum na região e isso vai prejudicar circulação de produtos americanos ali dentro”, diz Blum.

O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral, que classifica o acordo como uma vitória da China, avalia que “pode haver algumas concessões tarifárias para países da região, que não vão abranger o Mercosul, e isso faz o Brasil perder vantagens tarifárias na região”.

Barral destaca que o Mercosul terá que procurar avançar nos acordos com a Ásia. E também aponta que empresas brasileiras que eventualmente decidam se instalar em algum dos países abrangidos pelo acordo podem se beneficiar de uma plataforma de expansão na Ásia.

‘Pouco ambicioso’

Embora o RCEP tenha sido uma iniciativa dos dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, ele é visto por muitos como uma alternativa apoiada pela China à Parceria Transpacífico, um acordo que exclui Pequim, mas inclui muitos países asiáticos.

Doze nações, incluindo Chile, México e Peru, assinaram a Parceria Transpacífico em 2016, antes de Trump retirar seu país do acordo em 2017.

Sem os Estados Unidos, os demais países assinaram o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP, na sigla em inglês). Embora inclua menos países, o CPTPP reduz as tarifas ainda mais do que o RCEP e inclui disposições sobre emprego e meio ambiente.

O ex-primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull criticou o novo acordo ao dizer que é desatualizado.

“Haverá alarde sobre a assinatura e entrada em vigor do RCEP, mas é um acordo comercial pouco ambicioso, não devemos nos enganar”, disse Turnbull, que assinou a Parceria Transpacífico em nome de seu país.

Ativistas temem a falta de medidas para proteger os trabalhadores e o meio ambiente e que isso prejudique os agricultores e pequenos negócios em um momento em que eles já estão sofrendo devido à pandemia.

Diferenças à parte

Do lado positivo, o RCEP reúne países que costumam ter relações espinhosas, como China e Japão. Além disso, tanto Austrália quanto China estão aderindo ao acordo, apesar de relatos de que a China pode boicotar algumas importações australianas por causa de diferenças políticas.

“Você pode cooperar com alguém ou simplesmente odiá-lo, assim como as pessoas. O RCEP fez um trabalho impressionante ao se separar de outras disputas”, diz Elms.

Fonte: R7

 

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LÍDERES DE PARTIDOS DO CENTRÃO DIZEM QUE CHAPA HUCK-MORO É EMBRIONÁRIA E PRECISA DE APOIO DO CONGRESSO

Centrão diz que é cedo para tratar de Huck-Moro e que chapa ainda precisa de apoio no Congresso

 POLÍTICA

Centrão diz que é cedo para tratar de Huck-Moro e que chapa ainda precisa de apoio no Congresso - 10/11/2020 - Poder - Folha

construção de uma chapa à Presidência que reúna o apresentador Luciano Huck e o ex-ministro Sergio Moro é vista como embrionária por líderes de partidos de centro —entre eles siglas que formam o chamado centrão—, para quem a dupla ainda precisaria de apoio no Congresso para se tornar viável.

Uma aliança entre os dois forjada para se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022 começou a tomar forma após um almoço entre Huck e o ex-juiz da Lava Jato em Curitiba no final de outubro.

Logo que o encontro se tornou público, no entanto, a articulação foi bombardeada por importantes nomes de partidos do centro e centro-direita, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que exerce forte influência na sigla.

À colunista Mônica Bergamo, Maia afirmou na segunda-feira (9) que Moro era de extrema direita e descartou qualquer apoio a uma chapa composta pelo ex-juiz.

No mesmo dia, o deputado e o apresentador almoçaram no Rio de Janeiro. Segundo o colunista Lauro Jardim, Huck teria dito que sua “turma” era a do presidente da Câmara e lembrado que já se reuniu com outros nomes além de Moro, como os governadores do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

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NOS ÚLTIMOS 100 ANOS APENAS TRÊS PRESIDENTES DOS EUA ALÉM DE TRUMP, NÃO FORAM REELEITOS

 

Além de Trump: os outros 3 presidentes dos EUA que, nos últimos 100 anos, não foram reeleitos

Desde que o país elegeu George Washington, há mais de dois séculos, apenas 10 líderes perderam suas disputas por um segundo mandato na Casa Branca

INTERNACIONAL

por BBC NEWS BRASIL

Trump é primeiro presidente do século 21 a perder reeleição

Derrotado nas urnas, Donald Trump será um presidente de apenas um mandato.

O candidato democrata Joe Biden ultrapassou no sábado (07/11) a barreira dos 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para se tornar o novo ocupante da Casa Branca, segundo projeções da BBC e da imprensa americana.

O pleito deste ano já tem seu lugar nos livros de história.

E não só por causa da pandemia do coronavírus, do tempo que demorou para que os resultados fossem conhecidos ou das acusações infundadas de fraude de Trump, mas também porque o presidente em exercício se tornará um dos poucos que não foi reeleito.

Desde que os Estados Unidos escolheram seu primeiro presidente (George Washington) há mais de 200 anos, apenas 10 líderes perderam suas disputas por um segundo mandato na Casa Branca.

O fato, por si só, é visto por alguns historiadores como uma falha de gestão e, em boa parte dos casos, como uma reprimenda dos americanos a políticas ou posições polêmicas de seus governantes.

Nos últimos 100 anos, 3 mandatários não lograram a reeleição. Conheça-os a seguir.

George H.W. Bush (1989-1993)

Bush perdeu a reeleição para Bill Clinton

O ex-diretor da CIA e pai do ex-presidente George W. Bush foi o último dos líderes americanos a perder a reeleição antes de Trump.

Embora ele não tenha chegado às primárias quando concorreu à presidência em 1980, seu caminho até a Casa Branca foi pavimentado quando o então candidato republicano Ronald Reagan lhe pediu para se tornar seu companheiro de chapa.

Ele serviu como vice-presidente de Reagan de 1981 a 1989, quando foi eleito para a presidência.

Bush pai aprovou vários tratados comerciais que se tornaram populares e promulgou a Lei dos Americanos com Deficiências de 1990.

No entanto, a Guerra do Golfo durante seu mandato minou sua popularidade e a chegada ao cenário político do democrata de Bill Clinton, um jovem e carismático candidato, pesou em suas chances de vitória e ele acabou perdendo as eleições presidenciais de 1993.

Carter perdeu reeleição após fracasso em resgatar reféns após invasão da embaixada americana no Irã

James Carter (1977-1981)

O democrata Jimmy Carter provou do seu próprio remédio no fim de sua presidência: ele assumiu o cargo depois de derrotar Gerard Ford, que ocupou a Casa Branca após a renúncia de Nixon, e que tentou ficar por mais um mandato no cargo.

Carter venceu o oponente por uma pequena margem de votos em 1976.

Ford, aliás, também poderia fazer parte dessa lista, já que não foi reeleito. A questão é que ele nunca fora eleito para o cargo: chegou à presidência após uma série de renúncias que se sucederam à eclosão do caso Watergate.

Carter tomou várias medidas progressistas e até fez acenos importantes aos governos da América Latina, incluindo à Cuba “comunista”, onde abriu um “escritório de interesses” para tentar melhorar as relações com Fidel Castro.

No entanto, problemas econômicos afetaram negativamente sua popularidade, que foi ainda mais prejudicada pela invasão da embaixada dos Estados Unidos em Teerã (Irã) perto do fim de seu mandato.

Ele acabou derrotado por Reagan nas eleições de 1980.

Hoover governou em um dos momentos mais críticos da história dos Estados Unidos

Herbert Hoover (1929-1933)

Hoover foi o 31º presidente dos Estados Unidos, e sua tentativa de reeleição fracassada confirmou o que parece ser uma lei não escrita: se a economia não vai bem, o presidente raramente é reeleito.

Com Hoover, os EUA atravessaram um dos momentos econômicos mais críticos de sua história: a quebra do mercado de ações em 1929 e a Grande Depressão.

Culpado por esses acontecimentos, na visão dos eleitores, e pela incapacidade de conter as perdas econômicas e financeiras, foi derrotado nas eleições de 1932 por Franklin D. Roosevelt, que foi, aliás, o único presidente dos Estados Unidos eleito por mais de dois mandatos.

Fonte: R7

 

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EM BUSCA DE ACORDO PARA VOTAÇÃO DO VETO DE DESONERARAÇÃO DA FOLHA, LÍDERES SE REUNEM NESTA TERÇA FEIRA

Por Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília

 

Alcolumbre marca para quarta (4) a análise do veto à prorrogação da desoneração da folha

Alcolumbre marca para quarta (4) a análise do veto à prorrogação da desoneração da folha

Líderes de partidos da Câmara e do Senado se reúnem na tarde desta terça-feira (3) para tentar chegar a um acordo sobre a votação da desoneração da folha de pagamentos de setores da economia.

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que pretende colocar em o tema em discussão na sessão desta quarta-feira (4), mas líderes partidários ainda precisam chegar a um acordo sobre a pauta da sessão.

Ao sancionar a medida provisória que permitiu a redução da jornada de trabalho e do salário durante a pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro vetou o trecho que previa a prorrogação até 2021 da desoneração da folha de pagamentos de empresas.

Atualmente, a desoneração contempla 17 setores da economia que empregam 6 milhões de pessoas, como os de call center; comunicação, tecnologia da informação, transporte, construção civil, têxtil, entre outros.

Apesar de o trecho sobre a desoneração da folha ter sido vetado, a palavra final caberá aos parlamentares. Deputados e senadores podem derrubar o veto e restabelecer o texto enviado à sanção.

A lei atual prevê que o benefício da prorrogação será concedido até o fim de 2020. Se o veto for derrubado, a desoneração será prorrogada até o fim de 2021.

A desoneração da folha de pagamentos permite que empresas optem por contribuir para a Previdência Social com um percentual que varia de 1% a 4,5% sobre a receita bruta em vez de recolher 20% sobre a folha de pagamento.

A derrubada do veto encontra resistência no governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na semana passada que sem a criação de um novo imposto não pode levar adiante a discussão sobre desonerar a folha de pagamentos.

No entanto, o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), disse nesta segunda-feira (2), em entrevista à rádio CBN, que a criação de um novo imposto está fora da pauta.

“Novo imposto está fora da pauta. Cem por cento fora da pauta. O que vamos discutir são reformas e a PEC Emergencial”, afirmou à rádio.

Entenda como funciona a desoneração da folha de pagamento das empresas

Líderes

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que ainda não recebeu orientação do Planalto a respeito do tema e que aguarda a reunião desta terça para saber se o veto entrará ou não em pauta.

“A gente vai ver se vai ter votação ou não. Ainda não foi definida a orientação do governo. Assim que a gente a receber a orientação, eu vou entrar em campo”, afirmou.

Para o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), a derrubada do veto é essencial a fim de evitar demissões em massa, uma vez que os setores beneficiados serão onerados no período pós-pandemia caso o veto seja mantido.

“A gente espera que realmente haja essa votação e sensibilidade das bancadas e dos partidos. Preservar empregos e gerar novas oportunidades é prioridade para o Brasil em 2021”, afirmou o líder.

O deputado Paulo Ganime (RJ), líder do partido Novo, é mais pessimista. Segundo ele, o governo “não conseguiu negociar nada” com os partidos, e a proximidade das eleições municipais pode atrapalhar a presença dos parlamentares.

“Acho difícil votar. Estamos no meio da campanha, o governo não conseguiu negociar nada em relação a isso. Ficou insistindo na criação de novo imposto e acabou que não foi para outra solução alternativa”, explicou.

O líder da oposição, deputado André Figueiredo (PDT-CE), disse que orientará o voto a favor da derrubada do veto. Ele afirmou que os deputados devem comparecer à sessão porque outros projetos de interesse dos partidos podem entrar na pauta.

O líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF), afirmou que a tendência no Senado é derrubar o veto e manter o benefício até o final de 2021.

“Eu acho que o governo vai tentar negociar na reunião de amanhã [terça, 3]. Mas eu acho difícil não derrubar. Acho que a tendência é derrubar no Senado”, afirmou o senador.

Guedes diz que, sem imposto, não há como manter desoneração da folha

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MORALES COMEMORA VITÓRIA DE SEU PARTIDO E DIZ QUE NÃO QUER INFLUÊNCIA NO GOVERNO ELEITO, SE DEDICARÁ A FORMAÇÃO DE LÍDERES E A CRIAÇÃO DE TAMBAQUIS

 

Evo Morales diz que se dedicará a formar líderes e a criar tambaquis: ‘Não vou sugerir nenhum ministro’

Em entrevista exclusiva à BBC News Mundo, Morales, que foi coordenador de campanha do partido, diz que não quer ter nenhuma influência no próximo governo boliviano

INTERNACIONAL

por 

BBC NEWS BRASIL

 

Em entrevista exclusiva, Evo Morales falou sobre sua intenção de retorno à Bolívia

 

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PARA VOTAR PROJETOS NO CONGRESSO, GOVERNO E LÍDERES NEGOCIAM CANCELAR RECESSO

 

O governo Jair Bolsonaro e lideranças do Congresso Nacional já discutem a possibilidade de cancelar o recesso parlamentar no mês de janeiro. A ideia é conseguir votar projetos considerados essenciais e que foram atrasados por conta das eleições municipais.

Entre os temas, estão a proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que viabilizaria a manutenção do teto de gastos já em 2021. O mesmo texto deve ser usado para o governo indicar fontes de recursos para o novo programa social (Renda Cidadã ou Renda Brasil).

Há também a possibilidade de que a votação do Orçamento de 2021 não seja concluída em dezembro – a comissão mista que vai avaliar o texto sequer foi instalada. Neste caso, o debate também avançaria para o início do próximo ano.

A pausa nas votações com potencial impopular até o fim das eleições municipais foi definida pelo presidente Jair Bolsonaro e por líderes da base aliada no Congresso, como forma de evitar que os temas virassem arma de partidos da oposição nas campanhas.

Com o adiamento das eleições em meio à pandemia da Covid-19, o segundo turno ocorrerá apenas em 29 de novembro. Assim, o Congresso teria apenas três semanas para votações antes do Natal.

Legislativo e Executivo

O presidente da Câmara dos DeputadosRodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ao blog neste domingo que vê com bons olhos a possibilidade de líderes no Congresso tomarem essa decisão. A extensão das votações até janeiro permitiria votar projetos que ele considera essenciais, como a PEC Emergencial.

A ideia de entrar com o calendário de votações no início de 2021, caso não seja possível vencer a pauta prioritária até dezembro, também foi defendida ao blog por uma fonte graduada do governo.

Até o fim do processo eleitoral, o governo pretende, segundo a mesma fonte, incentivar que o Congresso vote temas menos polêmicos, mas com impacto positivo na economia – como a lei de falências, a autonomia do Banco Central, a nova lei de cabotagem e lei do gás.

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COMPROMISSOS DO PRESIDENTE: “POLÍTICA DE TOLERÂNCIA ZERO” CONTRA CRIME AMBIENTAL, É O DESTAQUE EM DISCURSO DE BOLSONARO PARA LÍDERES MUNDIAIS

VÍDEO: Em discurso para líderes mundiais, Bolsonaro destaca “política de tolerância zero” contra o crime ambiental; veja

 DIVERSOS

 

Apesar do caráter virtual, a sede da ONU em Nova York receberá um representante de cada país. Cerca de 200 pessoas estão fisicamente presentes, o que equivale a 10% da capacidade de ocupação da estrutura. ASSISTA ACIMA A PARTIR DE 19 MINUTOS E 50 SEGUNDOS.

Assim como em 2019, quando discursou pela primeira vez na ONU, Bolsonaro deve falar sobre a Amazônia e as políticas ambientais do seu governo. Cada país-membro tem até 15 minutos para os discursos. Após a fala do presidente brasileiro, Donald Trump, Tayyip Ergodan e Xi Jinping – líderes dos Estados Unidos, Turquia e China, respectivamente – ocuparão a tribuna virtual.

“O presidente vai tocar na Amazônia. A princípio vai mostrar aquilo que estamos fazendo. Temos ainda a criação do Conselho [da Amazônia], a criação da operação Verde Brasil 2, um esforço do governo em combater as ilegalidades, o que não é simples, não é fácil e elas continuam a ocorrer, infelizmente”, afirmou a jornalistas, nesta segunda-feira (21), em Brasília, o vice-presidente Hamilton Mourão. Ele coordena as ações do governo brasileiro no combate ao desmatamento e às queimadas na Amazônia.

Agência Brasil

Fonte: Blog do BG

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POLÍTICA: EM ENTREVISTA GOVERNADORA DO RN DEFENDE REFORMA DA PREVIDÊNCIA E ALFINETA DEPUTADOS DA OPOSIÇÃO

Líderes rebatem críticas do Governo do Estado e cobram atenção à saúde pública

24 jul 2020

Líderes rebatem críticas do Governo do Estado e cobram atenção à saúde pública

A entrevista coletiva concedida pela governadora Fátima Bezerra (PT) à imprensa nesta quarta-feira (22), em defesa da reforma da Previdência, dominou os discursos dos líderes partidários durante a sessão desta quinta-feira (23) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Além disso, os deputados também cobraram ações por parte do Estado a favor da saúde pública.

Para Gustavo Carvalho (PSDB), “a governadora não achou pouco só falar sobre a importância da reforma, resolveu também alfinetar os deputados de oposição, que estão diariamente nas sessões da Assembleia, de forma responsável dizendo que votaremos a previdência em momento oportuno, com debates, discussões e democracia”.

“Estou consciente do meu papel. Questão do prazo é desculpa. Até hoje só 13 estados no Brasil aprovaram a reforma. Em MG não votará remotamente. Falei com líder do Governo na PB, que tem maioria imensa, mas está tendo dificuldades porque grande parte dos deputados tem entendimento que o prazo não fará com que estados percam nada. Não vai paralisar Oiticica, nem Passagem das Traíras. A desinformação é tanta que eles têm como obrigatória a implantação da reforma federal se o prazo for exaurido. A população já tem sentido quem tem falado a verdade”, disse Gustavo.

Em seguida, o deputado Getúlio Rêgo (DEM) também abordou a questão da Previdência. “O governo ignora ausência de debate da PEC. Do ponto de vista estratégico é compreensível para quem trabalhou contra a reforma em nível federal, promoveu passeatas para obstruir avanço da reforma. Se esconde hoje para se preservar”, afirmou o democrata.

Segundo Getúlio, os deputados de oposição querem oportunizar à governadora um debate presencial, “para mostrar a real face, de ser radicalmente contra e de repente mandar uma pior”.

A deputada Cristiane Dantas (SDD) foi mais uma líder a colocar em pauta a reforma da Previdência. Para a parlamentar, o grupo de oposição está definido a só votar presencialmente a matéria. “Sou a favor de reforma justa, onde possamos apresentar emendas, melhorar o projeto. As emendas da oposição não foram acolhidas na comissão da AL. Não tivemos participação no debate, precisamos de espaço para previdência justa aos servidores”, disse.

Saúde
Além da previdência, tanto Getúlio quanto Cristiane Dantas também destacaram problemas identificados por ambos na saúde pública do Estado. O democrata citou a situação “gravíssima dos portadores de doenças vasculares”. O deputado alertou para a crise “humanitária” que está ocorrendo.

“Estão impondo a esses pacientes sofrimento insuportável, dores que fazem desmaiar várias vezes ao dia e a progressão do agravamento da doença. É uma tragédia. Socorro aos pacientes internados em hospitais públicos, pessoas atendidas há mais de 30 dias no Ruy Pereira, com lesões pontuais e que agora estão perdendo membros. Reativem o setor para diminuir sofrimento das pessoas e até evitar óbitos”, disse.

Já Cristiane chamou a atenção para os pacientes psiquiátricos, que estão sem receber medicamentos e com o atendimento prejudicado, diante do fechamento de leitos para este fim no Hospital João Machado. As unidades foram direcionadas para atender casos de pacientes com Covid-19.

“A falta de medicamentos faz com que pacientes entrem em surto e precisem buscar internação no hospital João Machado. Isso preocupa, porque muitos leitos foram desativados, a porta de entrada passou a ser as UPAs, o que dificulta paciente com surto ir a UPA para ainda fazer encaminhamento. Nesse hospital que era destinado para pacientes psiquiátricos, foram abertos leitos para tratar da Covid-19, onde poderiam ser destinados a outros hospitais em outros municípios. Fica aqui toda nossa indignação pela falta de atendimento a esses pacientes. Deram outra destinação ao João Machado, erroneamente na nossa opinião”, criticou a deputada.

Fonte: Política em Foco
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CENTRÃO JÁ ADMITE NOVA CPMF E DISCUTE APOIO, ENQUANTO GUEDES TENTA CONVENCER A BOLSONARO

Líderes do Centrão discutem estratégia de apoio à ‘nova CPMF’

Renata Agostini e Bárbara Baião, da CNN em Brasília

 Atualizado 15 de julho de 2020 às 15:41

Líderes de partidos de centro iniciaram conversas com o Palácio do Planalto e com a equipe econômica para traçar uma estratégia política que viabilize a criação de um imposto sobre transações financeiras.

O plano, que foi abraçado por líderes do PP e do PL, é apresentar o imposto como uma das fontes de financiamento do novo programa do governo para a área social, que vem sendo chamado de Renda Brasil e substituirá o Bolsa Família, além de uma forma de promover a desoneração ampla da folha de pagamentos para as empresas.

A ideia já foi apresentada de forma preliminar a outros líderes do bloco chamado de “Centrão”. A avaliação é que a proposta precisa amadurecer, mas pode ser um caminho para dirimir as resistências dentro do Congresso à criação do novo imposto.

Na terça-feira, os líderes de PP, Arthur Lira, e de PL, Wellington Roberto reuniram-se com Guedes, o secretário da Receita, José Tostes, e outros integrantes da pasta. O tema também já foi sugerido à Secretaria de Governo, que cuida da articulação política do governo.

O imposto sobre transações financeiras, que lembra a antiga CPMF, é um sonho antigo do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele defende que reduzir o custo de contratação de funcionários é essencial para a retomada da atividade econômica. Para compensar a queda de arrecadação com essa isenção que seria dada às empresas, é necessário buscar uma nova fonte de receita para o governo. No desenho de Guedes, é aí que entraria o imposto sobre transações financeiras.

O problema: Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já se posicionaram publicamente contra a ideia. Até recentemente, os líderes dos partidos do  Centrão também sinalizavam discordar do plano. Agora, que passaram a integrar a base do governo, buscam com Guedes uma forma de emplacar o tributo.

O Ministério da Economia pretende enviar seu desenho de proposta tributária à Casa Civil ainda nesta semana. A equipe econômica ainda debate o formato. Mas a ideia é que ele inclua a simplificação de impostos e não defina ainda as bases do  imposto sobre transações digitais.

Guedes tem a missão de convencer Bolsonaro a abraçar a ideia. Agora, a articulação do governo pensa como “vender” o imposto, que é impopular no Congresso.

Fonte: CNN

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