CRÔNICAS: CIAO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, POR LAURA AIDAR

A nossa coluna CRÔNICAS desta quarta-feira inicia uma série de 8 crônicas famosas comentadas por Laura Aidar, Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design. Uma forma de homenagear, aqui na coluna os maiores cronistas brasileiros de todos os tempos. Na nossa primeira leitura temos Ciao, a última crônica do monstro Carlos Drummond de Andrade, Publicado no Jornal do Brasil em 29 de setembro de 1984, o texto aborda a trajetória do escritor como cronista.  Boa leitura!

Os 10 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade - Revista Bula

Laura Aidar
Escrito por Laura Aidar

1. Ciao – Carlos Drummond de Andrade

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

– Sobre o que pretende escrever?

– Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível.

O diretor, ao perceber que alguém, mesmo inepto, se dispunha a fazer o jornal para ele, praticamente de graça, topou. Nasceu aí, na velha Belo Horizonte dos anos 20, um cronista que ainda hoje, com a graça de Deus e com ou sem assunto, comete as suas croniquices.

Comete é tempo errado de verbo. Melhor dizer: cometia. Pois chegou o momento deste contumaz rabiscador de letras pendurar as chuteiras (que na prática jamais calçou) e dizer aos leitores um ciao-adeus sem melancolia, mas oportuno.

Creio que ele pode gabar-se de possuir um título não disputado por ninguém: o de mais velho cronista brasileiro. Assistiu, sentado e escrevendo, ao desfile de 11 presidentes da República, mais ou menos eleitos (sendo um bisado), sem contar as altas patentes militares que se atribuíram esse título. Viu de longe, mas de coração arfante, a Segunda Guerra Mundial, acompanhou a industrialização do Brasil, os movimentos populares frustrados mas renascidos, os ismos de vanguarda que ambicionavam reformular para sempre o conceito universal de poesia; anotou as catástrofes, a Lua visitada, as mulheres lutando a braço para serem entendidas pelos homens; as pequenas alegrias do cotidiano, abertas a qualquer um, que são certamente as melhores.

Viu tudo isso, ora sorrindo ora zangado, pois a zanga tem seu lugar mesmo nos temperamentos mais aguados. Procurou extrair de cada coisa não uma lição, mas um traço que comovesse ou distraísse o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam.

Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.

Com esse espírito, a tarefa do croniqueiro estreado no tempo de Epitácio Pessoa (algum de vocês já teria nascido nos anos a.C. de 1920? duvido) não foi penosa e valeu-lhe algumas doçuras. Uma delas ter aliviado a amargura de mãe que perdera a filha jovem. Em compensação alguns anônimos e inominados o desancaram, como a lhe dizerem: “É para você não ficar metido a besta, julgando que seus comentários passarão à História”. Ele sabe que não passarão. E daí? Melhor aceitar as louvações e esquecer as descalçadeiras.

Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais, interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge, a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria profissional. A duas grandes casas do jornalismo brasileiro ele se orgulha de ter pertencido ― o extinto Correio da Manhã, de valente memória, e o Jornal do Brasil, por seu conceito humanístico da função da Imprensa no mundo. Quinze anos de atividade no primeiro e mais 15, atuais, no segundo, alimentarão as melhores lembranças do velho jornalista.

E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Ceda espaço aos mais novos e vá cultivar o seu jardim, pelo menos imaginário.

Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo.

A última crônica de Carlos Drummond de Andrade impressa em jornal foi Ciao. Publicado no Jornal do Brasil em 29 de setembro de 1984, o texto aborda a trajetória do escritor como cronista.

Drummond revela ao leitor sua paixão pela notícia e também pela escrita das coisas simples, corriqueiras e, ao mesmo tempo, filosóficas. É com transparência e entusiasmo que o autor refaz seu percurso como cronista aliado aos acontecimentos do mundo.

Assim, sua despedida dos jornais se tornou também um relato de sua história e de suas ideias sobre o gênero da crônica.

Fonte: Cultura Genial

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DICA DE LIVRO: APRENDENDO A LIDAR COM A RAIVA DE THICH NHAT HANH

Nesta quarta-feira, aqui na coluna DICA DE LIVRO você vai conhecer “Aprendendo a lidar com a raiva” de Thich Nhat Hanh. Este livro tem como tema a raiva, mostrando como esse sentimento é uma emoção extremamente destrutiva e muito presente na nossa civilização. O autor procura ensinar como libertar-se dela, praticando o que ele chama de exercí­cio da ‘Plena Consciência’. Thich Nhat Hanh fornece instruções concretas sobre como transformar o anseio, a raiva e a confusão que existem dentro de nós, para que se torne possível cuidar do sofrimento e alcançar a paz para podermos ajudar outras pessoas.

Fonte: Acervo particular

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POESIA: “QUEM ME COMPREENDE”, POR ROLANDO BOLDRIN

Na nossa coluna POESIA desta terça-feira você vai assistir o incrível Rolando Boldrin contar vários causos sensacionais e cantar “Quem me Compreende” da obra do extraordinário Ari Barroso, pra você se divertir até umas horas. Então se acomode na sua poltrona e comece logo a assistir o vídeo completo a seguir!

Fonte:

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CRÔNICAS: FRED, POR ANA MADALENA

Caro(a) leitor(a),

Nesta quarta-feira tenho o enorme prazer de publicar, aqui na coluna CRÔNICAS mais um dos maravilhosos contos da nossa ex-colaboradora Ana Madalena, que se chama simplesmente “Fred”, um personagem que povoa o seu criativo imaginário que mais parece a sua cara metade. Convido você a ler essa incrível e empolgante história!

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Fred


Dizem que o amanhecer é para padeiros e amantes. Eu não sou nem uma coisa nem outra! O amanhecer para mim é resultado de uma crise de insônia daquelas… A lua é meu sol, se é que me entende. Já fiz de tudo para tentar regularizar meu sono, até simpatias! De nada adiantou. Alguns dizem que agora é  porque o sol entrou em Virgem; outros falaram da Lua, de Saturno. A verdade é que pode ser por qualquer coisa, inclusive nada. Os amigos me presentearam livros de auto-ajuda; já li tudo sobre a higiene do sono e mudança de hábitos, mas nada funcionou. A lembrança que tenho do meu melhor sono, foi quando operei as amidalas, aquele soninho profundo de anestesia. Já cheguei ao ponto de anotar num caderninho meu top 10 do sono, mas nem cheguei ao item 8. Agora resolvi deixar para lá, talvez porque exista Fred na minha vida.

Pois é, Fred é um amigo daqueles para toda hora, principalmente quando a vaca está indo para o brejo. Ele tem uma forma de falar tão calma que dá até quentinho no coração. Com Fred libero as minhas constipações emocionais; ele sempre diz que é péssimo reter alguns sentimentos. Ele é quase meu Freud, do tanto que me ajuda.

Eu e Fred tivemos um breve namoro na adolescência; o fim não foi trágico nem cômico, foi apenas um fim. Percebemos que éramos mais amigos do que um casalzinho apaixonado. Por sorte, continuamos amigos, coisa rara depois de um término.  Eu sou dessas, de manter as amizades, telefonar para ouvir a voz, apesar de hoje em dia ser até invasão de privacidade telefonar para alguém.

Voltando a Fred, ele passou por uma separação há algum tempo: um casamento de vinte e tantos anos, dois filhos, três gatos, um cachorro e duas tartarugas. Ah, e cinco peixinhos. Tudo isso dentro de uma casa linda, com um jardim digno de campeonato inglês. A ex esposa, minha amiga, uma mulher maravilhosa, me ligou certo dia, pedindo para eu ir ao seu consultório. Ela, então, abriu seu coração e disse que eles estavam se separando. Eu fiquei chocada! Eles eram aquele tipo de casal que catalogaria como “perfeito”, mas entendi suas razões. Realmente não faz sentido viver com alguém só por causa dos filhos, principalmente por não serem mais crianças.

Coincidentemente, Fred ligou no mesmo dia. Marcamos um almoço, que emendamos com jantar. Eu dei meu ombro amigo e depois de muito ouvi-lo, concordei com sua explicação. Os dois tinham razões diferentes para não quererem estar mais juntos e entendi que minha presença ao ouví-los foi uma espécie de validação da decisão. É muita inteligência emocional conseguir se separar sem culpas ou remorsos. Eles tinham inteligência de sobra! Ela mudou de cidade; os filhos, já adultos, deram muita força aos pais, um deles seguiu com a mãe e o outro, o mais velho e financeiramente independente, aproveitou o momento para dar seu grito de independência. Fred continuou morando na mesma casa; tinha um apego emocional àquele lugar.

Com a separação, ficamos muito próximos. Sabe a corda e a caçamba? Bem isso. Fred tem uma história de vida linda, mas vou descrever a versão curta: ele sempre foi um “gato”, transbordando testosterona! Hoje, com cabelos grisalhos, está dando de mil a zero no jovenzinho engenheiro que conheci. Ele trabalha coletando dados nos oceanos, tipo salinidade, niveis de carbono, ou qualquer outra coisa que não seja criptonita. O melhor dessa versão de Fred é que agora ele virou notívago como eu, chega até a filosofar dizendo que é melhor lidar com pessoas noturnas do que diurnas. Perguntei certa vez quem eram as pessoas noturnas que ele estava conversando além de mim. Não, não é ciúme, apenas senti uma certa ameaça à minha exclusividade, afinal eu fui quem apresentou a vantagem das altas horas.

Fred gosta de citações, disse que aprendeu comigo, embora ele reescreva em cima da original. Algumas, cá pra nós, ele muda totalmente o sentido, motivo de algumas discussões . Hoje recebi a seguinte mensagem:
– Hoje o dia está maravilhoso. Nunca houve um dia assim!
Perguntei de quem era a citação e ele respondeu que “poderia” ser dele. Rimos! Ele sabe que eu sei que não é,  mas isso não tira o brilho da mensagem, em tão poucas palavras. Admiro quem tem concisão, coisa que jamais, repito, jamais terei.

Falando em dia, hoje ele está tímido, nem sol nem chuva, mas nublado. Para alguns, o melhor dos mundos, eu mesma adoro dias assim. Para outros, uma espera de que algo aconteça, ou que o sol vença as nuvens ou que elas deságuem. Para mim, agradecimento! E para não fugir das citações, ” Se eu não tivesse visto o sol, a sombra eu suportaria. Mas essa luz fez do meu deserto, um deserto que antes não existia”. Adoro Emily Dickinson!
Fred, obrigada por fazer parte do meu deserto…

Ana Madalena
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CRÔNICAS: A LÓGICA DO MALUCO DE LIMA BARRETO, EM CRÔNICAS BRASILEIRAS

Hoje, continuamos com a série CRÔNICAS BRASILEIRAS com uma criativa história do imortal Lima Barreto, “A lógica do maluco”, que você precisa ler e apreciar esta obra prima de um dos maiores ícones da literatura brasileira. 

lima-barreto

A lógica do maluco


Lima Barreto

Estes malucos têm cada ideia, santo Deus! Num dia destes, no Hospital Nacional de Alienados, aconteceu uma que é mesmo de se tirar o
chapéu. Contou-me o caso o meu amigo doutor Gotuzzo, que me consentiu em trazê-lo a público, sem o nome do doente – o que farei
sem nenhuma discrepância.
Havia na seção que esse ilustre médico dirige um doente que não era comum. Não o era, não pela estranheza de sua moléstia, uma simples
mania, sem aspectos notáveis; mas pela sua educação e relativa instrução. Com bons princípios, era um rapaz lido e assaz culto. Fazia
parte até da Academia de Letras da Vitória, estado do Espírito Santo, onde residia – como membro extraordinário, em vista ou à vista de vaga, isto é, membro externo, ou de fora, que espera a primeira vaga para entrar. É uma espécie de acadêmico muito original que aquela academia criou e que, embora se preste à troça, lembre cousas de bebês, de cueiros, do Manequinho da Avenida, e outras muito pouco elegantes, oferece, entretanto, efeitos práticos notáveis. Atenua a cabala nas eleições e evita as sem-vergonhices e baixezas de certos candidatos.
Lá, ao menos, quando há vaga, já se sabe quem vai preenchê-la. Não é preciso mandar organizar um livro, às pressas…
A denominação, na verdade, não é lá muito parlamentar; a academia capixaba, porém, a perfilhou, depois de proposta pela boca de um dos
mais insignes beletristas goianos que nela têm assento.


O doente do doutor Gotuzzo, como já disse, era membro de fora da academia capixaba; mas, subitamente, com a leitura dos Comentários à
Constituição
, do doutor Carlos Maximiliano, enlouqueceu e foi para o hospital da Praia das Saudades.
Entregue aos cuidados do doutor Gotuzzo, melhorou um pouco; mas tiveram a imprudência de lhe dar, de novo, os tais
Comentários e a
mania voltou-lhe. Como ele gostasse do assunto, o doutor Gotuzzo mandou retirar do poder dele a profunda obra do doutor Maximiliano e
deu-lhe a do senhor João Barbalho. Melhorou a olhos vistos. Há dias, porém, teve um pequeno acesso; mas brando e passageiro. Tinha
pedido ser levado à presença do alienista, pois queria falar-lhe certa cousa particular. O chefe da enfermaria permitiu e ele lá foi ter, na hora
própria.
O doutor Gotuzzo acolheu-o com toda a gentileza e bondade, como lhe
é trivial:
– Então, o que há, doutor?
O doente era como todo o brasileiro, bacharel em direito ou em ciências veterinárias; mas pouca importância dava à carta. Gostava de ser tratado de capitão – cousa que não era nem da defunta Guarda Nacional, sepultada, como tantas outras cousas, apesar da Constituição. Apareceu calmo e sentou-se ao lado do alienista, a um aceno deste. Interrogado,
respondeu:
– Preciso que o doutor consinta que eu vá falar ao diretor.
– Para quê? Para que você quer falar ao doutor Juliano?
– É muito simples: quero arranjar um emprego. Dou-me muito com o doutor Marcílio de Lacerda, senador, que foi até quem me fez membro de fora da Academia da Vitória; e ele, naturalmente, há de se interessar por mim.

– Escreva ao doutor Marcílio que ele virá até aqui.
– Não me serve. Quero ir até lá; é muito melhor. Para isso, preciso licença do doutor Juliano.
– Mas, meu caro, não adianta nada o passo que você vai dar.
– Como?
– Você é doente, sua família já obteve a interdição de você – como é
que você pode exercer um cargo público?
– Posso, pois não. Está na Constituição: “os cargos públicos civis, ou
militares, são acessíveis a todos os brasileiros”. Eu não sou brasileiro?
Logo…
– Mas você…
– Eu sei; mas as mulheres não estão sendo nomeadas?

Olhe, doutor: mulher, menor, louco ou interdito, em direito têm grandes semelhanças. Tanto insistiu que obteve o consentimento para ir falar ao eminente psiquiatra. O doutor Juliano Moreira recebeu-o com a sua inesgotável bondade, que, mais do que o seu real talento, é a dominante na sua individualidade. Ouviu o doente com calma, interrogou-o com doçura e respondeu ao pedido dele:
– Por ora, não consinto, porquanto devo antes pedir, a esse respeito, as luzes de um qualquer notável consultor jurídico.

Fonte: Toda crônica. Apresentação e notas de Beatriz Resende; organização de Rachel Valença. Rio de Janeiro, Agir, 2004, vol. II, p.450. Publicada, originalmente, na revista Careta, de 8/10/1921 e, posteriormente, no livro Vida urbana, Brasiliense, 1956, p.266.

Fonte: Crônica Brasileira

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VALORIZANDO A LITERATURA FEIRA DE LIVROS E QUADRINHOS COMPLETA 10 ANOS EM NATAL

Feira de Livros e Quadrinhos de Natal completa 10 anos valorizando a literatura

Redação / Portal da Tropical

 Atualizado em:

Foto: Divulgação / Fliq Natal

A Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FLiQ Natal) completa10 anos em 2021. Uma década de muita cultura, promovendo e estimulando os quadrinhos, a leitura ea produção literária, e buscando sempre novas formas de potencializar a arte e a educação no Rio Grande do Norte. A edição deste ano vai acontecer de forma presencial e on-line, com foco central na literatura potiguar.

O evento será realizado de 26 a 29 de agosto no Parque das Dunas, das 8h às 17h e contará com mais de 50 horas de atividades culturais gratuitas. Serão palestras, debates, cordel, oficinas, lançamentos de livros, quadrinhos, sessões de autógrafos e apresentações artísticas. Participarão ainda como editoras locais Escribas, Cooperativa Cultural da UFRN, Artbooks, Sebo Vermelho, Sebo Cata Livros, Fundação José Augusto, Cuscuz HQ e Editora CJA.

“A pandemia impõe limites a realização de grandes eventos. Iremos fazer este ano uma Feira mais compacta que anterior, respeitando todas as normas sanitárias, porém bem atraente para o público, com uma rica e diversificada programação cultural, valorizando os artistas locais e estimulando a cultura no nosso estado ”, afirma o coordenador da FLiQ, Osni Damásio. Toda programação será aberta ao público e gratuita.

A 10ª FliQ reconhece todas as medidas e protocolos de prevenção e distanciamento, incorporando medidas de saúde e segurança em suas apresentações, com uso obrigatório de máscaras, e não há número de inscritos nas oficinas e a disponibilização de álcool em gel nas apresentações.

A Feira de Livros e Quadrinhos de Natal tem o patrocínio do Governo do Estado, através da Lei Câmara Cascudo, Prefeitura do Natal, por meio da Lei Djalma Maranhão, Unimed Natal, Arena das Dunas, Café Santa Clara e apoio do Idemarn / Parque das Dunas, Funcarte e Fundação José Augusto.

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CRÔNICAS: NOS DOIS LADOS DO BALCÃO, POR HUMBERTO WERNECK

A partir desta quarta-feira a coluna CRÔNICAS, infelizmente não terá mais os maravilhosos contos da escritora e colaboradora deste Blog, Ana Madalena. Ela agora vai alçar voos bem mais altos e ambiciosos e nós ficamos aqui torcendo para que brilhe muito mais do que brilhou nessa audiência. Mas a vida continua e a coluna CRÔNIOCAS também. Hoje você vai ler a crônica das crônicas. O autor Humberto Werneck faz uma homenagem aos maiores cronistas da literatura brasileira, como: Rubem Braga, Lima Barreto, Raquel de Queiroz e Paulo Mendes Campos. Nos dois lados do Balcão o autor conta passagens inusitadas de crônicas desses ícones da literatura brasileira. Leia e se divirta!

Nos dois lados do balcão

Humberto Werneck

Alfaiataria Americana, de João Antônio Ribeiro, Rua do Bonfim, Diamantina-MG, 1920 década. Foto de Chichico Alkmim/ Acervo Instituto Moreira Salles.


Jamais se saberá se Lima Barreto comprou alguma coisa naquela manhã de 1921 em que saiu de casa, no Méier, rumo a uma feira livre,
novidade que um burocrata do Ministério da Agricultura, Dulfe Pinheiro Machado, futuro ministro de Getúlio Vargas, implantara no Rio de
Janeiro. Cronicamente desmonetizado que era, o mais provável é que nosso escriba não tenha comprado nada – muito menos umas bruxas
de pano, recheadas de serragem, que lhe pareceu destoarem num território supostamente exclusivo de verduras e legumes.



Até então encantado com a “lindeza de moças e senhoras”, relata Lima Barreto em
Feiras livres ficou muito irritado – e bem mais que ele o
Barreto em Feiras livres, ficou muito irritado e, bem mais que ele, o vendedor das tais bruxas, deflagrando um bafafá que requereu a
presença da Lei, na pessoa de um tenente e um capitão. De repente, o que era crônica pode dar a impressão de haver-se convertido em
notícia policial, quando o Lima, brandindo linguagem figurada, conta que o comerciante, de nome Bragalhães, “foi pelos ares”. Curiosamente, também em outro escrito seu,
No “mafuá”dos padres, haverá agentes da ordem – no caso, um soldado e um alferes que, num leilão, brigam por um carneiro. Qualquer que seja o resultado, a disputa terá como ganhadora uma terceira pessoa, a Candinha, que nem está ali – e dois perdedores, adivinhe quem…



Mas voltemos às feiras livres, inspiração também de Rachel de Queiroz, moradora do Rio em visita a São Paulo em 1946 – e, ali, à
feira do
Arouche
, onde o que mais a interessou pode ter sido não exatamente algo à venda, e sim a beleza de vendedoras de origem japonesa e
italiana, tipos pouco encontradiços nas feiras cariocas. Nas quais, aliás, Paulo Mendes Campos haverá de denunciar, no início dos anos 1950, a existência de
um golpe de feira, aplicado por vendedores desonestos, dados a entregar ao comprador, dissimuladamente, algo inferior ao que ele havia escolhido. Panorama bem diverso daquele a que Paulo se acostumara em sua infância belo-horizontina, tema da bela e delicada As horas antigas: o universo de uma gente simples que, do portão da rua, batia palmas ou gritava “ô de casa” (campainha era luxo de umas poucas residências), oferecendo de tudo – de lenha para o fogão, frutas, hortaliças, leite, carne, a uma dobradinha pronta para ir à mesa. Ao time dos feirantes desonestos, o cronista poderia acrescentar o personagem de As duas faces de um caixeiro: um convincente
vendedor de aparelhos de televisão que, quando isso lhe convenha, não hesita em desqualificar, diante do mesmo possível comprador, o artigo cujas virtudes louvara, enfaticamente, apenas um minuto atrás.



Assim como seu confrade mineiro, Rachel de Queiroz, num momento ao menos teve um pé-atrás com o pessoal por detrás do
balcão das
lojas em geral. Foi no final dos anos 1940, quando lhe pareceu que algo mudara nos usos e costumes do comércio varejista. “Antigamente”
,
rememorou ela, “qualquer freguês, dentro de uma loja, tinha a sensação de que era um rei.” E eis que então, por fatores vários, como “o
aumento dos ordenados” e “as economias de pessoal por parte dos patrões”, o quadro mudou radicalmente: “Razão, quem a tem, hoje e
sempre, é o caixeiro”.



O novo figurino das relações comerciais talvez não se aplicasse ao
armarinho, a julgar pela enorme simpatia com que Rachel, na mesma
época, escreveu sobre as lojas de linhas e agulhas. Tratava-se (e se trata ainda, sete décadas depois) de território feminino, pelo menos na
Ilha do Governador, onde a cronista tinha a sua casa: “Podem os cavalheiros cantar na sua lira as delícias do botequim e da cerveja
gelada”, contrapôs a escritora cearense; “nós, as mulheres da ilha, damos preferência ao armarinho.”



Paulo Mendes Campos haveria com certeza de confirmar o que disse Rachel. Já cinquentão, na década de 1970, ele amava o sossego de
sua casa na serra de Petrópolis, onde passava os fins de semana, simples mas provida “de todos os luxos da quietude rural”. Nem por isso dispensava “um supérfluo essencial”: a alma de “uma venda de beira de estrada”, em especial aquela de que fala em
O homem que
calculava.
A criatura que dá título à crônica vem a ser o dono do estabelecimento, e o fato de que utilize ruidosa modernidade – uma
calculadora – não compromete, aos olhos do cronista e poeta, o encanto do lugar, onde tudo se harmoniza.



Em
Confissões de um jovem editor, quem está do outro lado do balcão, ainda que sem calculadora, é Rubem Braga, que registra na crônica
assim intitulada a sua perplexidade ante o fato de se ver, aos 47 anos, pela primeira vez metido na inesperada pele de empresário, pois vinha de criar a Editora do Autor, em sociedade com Fernando Sabino e o advogado Walter Acosta. “Que fazer”, suspira o Sabiá da Crônica, “se virei homem de negócios?” Por feitio e temperamento, seu lado do balcão é outro, até para que possa, na condição de consumidor,
reclamar das perebas que vê no comportamento de maus negociantes.
Em Camelôs, investe furiosamente contra os vendedores de aves que, no afã de tornar mais atraente a mercadoria que oferecem, não hesitam em cegá-las, para que assim deixem de voar e cantem mais.



O Braga não poupa, igualmente, na mesma crônica, aqueles que chama de “camelôs cívicos”: os políticos que, em tempo de eleição,
atormentam o cidadão com seus alto-falantes e maculam os muros com cartazes, anunciando-se como “produtos de primeira classe”. A dois
dias do Natal, o cronista não chega a tomar as dores do
Menino cujo nascimento será uma vez mais comemorado, mas faz saber o
desconforto que lhe causa o alarido açucarado dos anunciantes em busca de cifrões. “A publicidade faz sua grande farra de fim de ano, e
nós é que devemos pagá-la”, protesta Rubem Braga, e despeja seu justo sarcasmo: “Não é o homem da empresa que nos saúda alegremente, de cristão para cristão, é a própria sociedade anônima que se faz afetuosa, que exprime os bons sentimentos que empolgam seu espírito de estatuto ou sua alma de balancete.” Na mão oposta, em
Negócio de menino o cronista não esconde a ternura pelo garoto que, num diálogo memorável, esgota seu arsenal de convencimento, na esperança de que o adulto à sua frente lhe venda um passarinho, o coleiro, o melro ou o curió, um dos três, não lhe importa qual, e pinga no final, em desespero, o que pode ser sua melhor cartada.

24/08/2021 Nos dois lados do balcão | Rés do Chão | Portal da Crônica Brasileira
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Portal da Crônica Brasileira

Fonte: Crônica Brasileira

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DICA DE LIVRO: O DIÁRIO DAS FOLHAS MORTAS DE ANTONIO MELO

Hoje quero homenagear um incrível escritor, grande talento potiguar, Antonio Melo, com o seu mais recente livro, “O diário das folhas mortas”. O mesmo autor de “A Vingança”, um dos melhores contos que já li na minha vida. Em o diário das folhas mortas o autor usou da mesma sagacidade para escrever o seguinte: Manoela ficou órfã de mãe muito criança. O pai sumiu no mundo e nunca mais deu notícias. Foi criada por um avô rigoroso, conservador e católico tradicionalista. Após o suicídio do velho patriarca, recebe, como ganho, um dele para que se torne freira e três volumes de um diário que conta bastidores da história do Brasil, da escravidão, das ditaduras latino-americanas. E o que tudo isso tem a ver com ela? Misteriosamente, algumas páginas do último volume foram arrancadas e estão desaparecidas. Num abrigo para idosos, uma das irmãs de caridade lhe entrega um misterioso envelope pardo com a palavra DOCUMENTOS. No convento onde passou a morar e pretende completar sua formação religiosa, a jovem descobre inúmeros e graves pecados acobertados pelo manto do silêncio cúmplice da Madre Superiora. Mas isso não é o pior…Quer saber do resto? Compre esse livro sensacional e divirta-se muito!

Fonte: Acervo particular

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POESIA: O AMOR BATE NA AORTA, POR DRICA MORAES, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O amor bate na aorta é a linda poesia do incrível Carlos Drummond de Andrade, que a também incrível Drica Moraes declama na nossa coluna POESIA desta sexta-feira, no Toda Poesia. Então convido você a assistir esse performance maravilhosa dessa grande artista!

Fonte:

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CRÔNICAS: SOBRE HERÓIS, FADINHAS E FANTASMAS…POR ANA MADALENA

Nesta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS temos a penúltima das fantásticas histórias de Ana Madalena, fechando uma série de 30 incríveis contos maravilhosos que vão ficar na minha memória. Infelizmente a nossa querida colaboradora vai ter que se dedicar a uma nova empreitada. Uma experiência de vida inédita para ela e não vai mais poder escrever suas belíssimas e cativantes crônicas em nossa coluna. Então aproveite para desfrutar dessa experiência sobre Heróis, fadinhas e fantasmas. Uma singela homenagem aos nossos heróis olímpicos!

Sobre heróis, fadinhas e fantasmas…


Estava ontem no intervalo do trabalho, num daqueles cantinhos do café,  quando escutei um comentário sobre as olimpíadas, o ouro de Rebeca na ginástica olímpica e outros tantos orgulhos, como nosso garoto de Baía Formosa, Ítalo e a menina Rayssa, do skate. Meu comentário foi exatamente sobre ela, que, segundo li, recusou-se a tirar fotos com políticos, por não ter recebido apoio algum.  Rayssa, chamada de fadinha, do alto dos seus 13 anos, não quis desfile em carro de bombeiro, muito menos festa, consciente da pandemia e da carona que queriam pegar no seu nome; Ítalo também seguiu essa linha e, discretamente, desembarcou em Natal, onde seguiu direto para as águas conhecidas de sua praia, onde começou a surfar com uma tampa de isopor.

Já estávamos voltando para nossas salas, quando um colega soltou uma frase que me chocou; o tema era a ginasta Simone Biles, que, “do nada”, desistiu de várias competições, alegando preservar sua saúde mental. Ele sugeriu que ela tinha amarelado por ser coisa de mulher, de estar com Tpm. Alguns riram, o que estranhamente não me impressionou, assim como não me impressionou o nome da ginasta virar chacota, tipo ” não vá dar uma de Biles”! Sim, tenham pena de mim; conviver com algumas pessoas é uma luta diária! Se houve uma coisa “boa” nessa pandemia foi não ter que estar com certos tipos, principalmente Eduardo, a quem eu escrevo essas breves linhas.

“Do nada” não existe. Tire isso da sua cabeça! Basta olhar para você, para sua história; tudo que você é tem um porquê. E se você está nesse lugar, é graças a uma série de fatores. Para o bem ou para o mal ( estou sendo cínica). Dito isso vou tecer algumas considerações, mas adianto que se você não quiser ler algumas coisas, pare por aqui. Hoje não estou para brincadeira, e não é coisa de mulher, de feminista recalcada, como você adora se referir às mulheres. Minha “praia” é um bom debate e nesse esporte, sou faixa preta.

Não sei se você já viveu ou conviveu com alguém que teve depressão, ansiedade ou pânico. Se teve a sorte de passar ileso à isso, que bom pra você porém, com tanta informação, me espanta você não ter lido sobre o assunto. Talvez você não dê a mínima para o tema ou, por outro lado, o excesso de informação lhe provoque repulsa. Sei que lê apenas comentários curtos e não se aprofunda nos assuntos; detesto sua síndrome de Dunning-Kruger, mas isso  é o de menos em se tratando de você. Chego até a rir internamente do tanto de bobagem que você diz!. Qualquer dia, quando você tiver tempo, quem sabe a gente senta para ter uma conversa de homem pra homem, como você mesmo gosta de dizer! Que ridículo!

Com certeza você não faz ideia da rotina de atletas olímpicos, nem eu, mas como gosto de ler, sei que no geral, eles começam muito novinhos, saídos das fraldas. Na folha corrida, eles têm uma vida difícil, pobre, treinando em condições impensáveis, com dezenas de lesões, ossos quebrados, mas muita vontade de vencer. E não tem essa que o importante é competir; vivem a pressão de ter que ganhar mesmo, a qualquer custo.

Então vamos ligar os pontos: depois de viver anos a fio, repetindo movimentos por horas seguidas, sem sábado, domingo ou feriado, não podendo ir à festinhas, tendo que fazer dieta, distante da família e amigos, sem poder ter uma vida dita normal, é claro que uma pessoa pode ficar com muitas questões. E até onde você aguenta que a corda estique?

Simone sofreu de um tudo para se tornar o que é hoje; dê um Google que você vai entender como é a vida das meninas que você resume em “corpos estranhos, cheios de brilhinhos na roupa e fitinhas no cabelo”. O problema dela tem um nome: twisties, que seria uma falta de orientação espacial e por consequência uma inabilidade de fazer giros, o que pode ser muito perigoso, uma vez que o atleta pode cair gravemente. Isso talvez explique o porquê dela somente ter competido na trave, ganhando bronze, que você debochou, dizendo ter sido prêmio consolação.

Eu acompanho o esporte à distância; para falar a verdade, gosto muito mais das histórias de vida dos atletas do que mesmo dos seus feitos. Uma coisa que muito me espanta no atletismo é a velocidade com que a tecnologia avança para ajudá-los fisicamente e, inversamente proporcional, é o cuidado com o emocional deles. Se eu fosse atleta de ponta, andaria com um psicólogo comigo. Viver sob pressão 24 horas por dia é insuportável. Talvez por isso eles tenham que arranjar fórmulas para desestressar, e não pode ser comida e álcool. À proposito, Thomas Daley não é um esquisito fazendo tricot; cada um desestressa como pode. O seu modus operandi todos sabemos qual é. Pulemos essa parte!.

Do pouco que vi nas madrugadas olímpicas, me pareceu que esse ano a empatia chegou mais perto desse universo, com gestos dignos de medalha de ouro. Sim, há uma riqueza humana por trás de todo esse show.  Infelizmente para alguns atletas, a Internet todo dia elege um para Cristo; Simone trouxe a discussão para a saúde mental no esporte; talvez essa questão tenha sido mais importante do que se tivesse conquistado medalhas de ouro. O tempo dirá.  A mesma sorte não teve Diego Hipólito, que foi achincalhado como o atleta do solo, que caiu de cara e de bunda. Sim, meu caro Eduardo, os atletas ainda têm que lidar com a frustração de, no próprio país, ser piada recorrente. Barrichelo que o diga!

Mas enfim, era isso que eu tinha para lhe dizer e, se eu pudesse resumir em uma palavra, essa seria LEITURA, um bom começo para você deixar de falar tanta besteira. No mais, saiba que conto as horas para sua transferência!

Só para acrescentar, segue uma listinha de heróis, fadinhas e fantasmas, que como o nome diz, são fantasmas. Estão dentro da cabeça de alguns desses atletas. Com sorte, a maioria consegue conviver bem com eles!

Rebeca Andrade – ouro  e prata na ginástica artística
Italo Ferreira – ouro no surf
Laura e Luisa – bronze no tênis feminino
Rayssa Leal – prata no skate street
Kelvin Hoefler – prata no skate street
Fernando Scheffer – bronze na natação
Bruno Fratus – bronze na natação
Mayra Aguiar – bronze no judô
Daniel  Cargnin – bronze no judô
Martine e Khaena – ouro na vela
Abner Teixeira – bronze no boxe
Alison dos Santos – bronze nos 400 mts com barreiras
Thiago Braz – bronze no salto com vara

Agora, em algum lugar em Tóquio, essa lista já deve ter aumentado! Parabéns aos medalhistas e aos não medalhistas. Vocês são incriveis!

Ana Madalena
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CRÔNICAS: FECHANDO GAVETAS, POR ANA MADALENA

Aqui na coluna CRÔNICAS desta quarta-feira a nossa querida amiga e colaboradora Ana Madalena nos presenteia com mais uma de suas pérola, onde homenageia de forma lúdica e carinhosa seus “amigos”, contando uma história sobre “fechar gavetas”. As gavetas que são como páginas ou episódios da nossa vida. Então eu te convido para ler esse maravilhoso conto e se deliciar com mais essa criativa e instigantes história!  

Fechando gavetas


Detesto pessoas que preferem falar da devastação em vez da jardinagem. Tão melhor focarmos no lado positivo da vida… Meus amigos, guardadas suas peculiaridades, são bons jardineiros. E para nós, a amizade é uma coisa sagrada; se a gramática permitisse, gostaria que a palavra amigo fosse sempre adjetivo, independente do lugar na frase, afinal ser amigo é “apesar de”!

Nunca entendi porque desfilar em carro de bombeiro é sinônimo de sucesso, não desmerecendo os bombeiros, claro. Mauricio sonha com isso! Inventou até um concurso culinário para a TV local, talvez por não ter sido selecionado para um reality gastronômico, onde os três primeiros colocados farão um passeio no “vermelhinho”. Mauricio cozinha super bem e é excelente anfitrião, além de muito família!  E se tem uma coisa que admiro nele é que, de um jeito ou outro,  ele faz acontecer! Além de ser comicamente hiperbólico!

Olivia é, de longe, uma  das pessoas mais inteligentes que conheço. Tem Phd, Phe, Phi e todo o resto do alfabeto em Economia. Seu grave defeito, para outros, é ser extremamente culta e demonstrar conhecimento. Ela adora dar dicas, fazer citações e contar histórias interessantes, algumas de morrer de rir, mas ganhou a pecha de ser metida a besta e não tem argumento que faça com que sejam mais tolerantes com ela. Coitados, não sabem quanto perdem… Muito do que sei devo a ela e me sinto uma privilegiada por ter sua amizade.

Camille, com dois “L” é unanimidade em aceitação. Desde o colégio  transitava bem em todos os grupos. Realmente ela é dessas raridades  que o tempo não modificou. Casou muito jovem, com o namoradinho de escola e formou uma família linda. Seus três filhos são meninos muito bons e companheiros. Camille é a minha amiga de todas as horas, sempre pronta para uma conversa e é de longe a mais sensata das pessoas. Na régua de alguns, ela é classificada como  “boazinha”, a que está sempre procurando agradar todos.

Eu, assim como todos os meus amigos, temos em comum o fato de termos sido, em algum momento das nossas vidas, submetidos a uma classificação, um rótulo. Eu não sei de onde surgiu essa coisa de resumir uma pessoa a uma única coisa, mas acho muito desagradável e extremamente prejudicial em todos os níveis da vida, principalmente no emocional, quando você deixa de “estar” para “ser” e a fama chega antes da pessoa. Haja gaveta para tantos rótulos!

Lembro que, há muitos anos, resolvi mudar a cor do meu cabelo, originalmente preto, para um  tom acobreado. Não quis descolorir para não enfraquecer a fibra, então passei um bom tempo pintando até chegar na cor desejada. Nunca esqueci quando virei fofoca numa mesa de restaurante, onde, coincidentemente, estavam esses três amigos reunidos, planejando a primeira comunhão do caçula de Camille. Mauricio seria o responsável pelo cardápio e Olivia organizaria um livrinho com orações e escreveria um textinho sobre o significado da data.

Eu estava em Búzios, meio que de férias, na casa de tia Lúcia, que levara uma queda e machucara gravemente o ombro. Na família, eu faço o papel de “cuidadora”;  não tenho problemas em dormir em sofás estreitos de hospitais ou em qualquer lugar,  e gosto mesmo de cuidar dos meus, principalmente se eles gostam de conversar ou que eu leia para eles.

Minha rotina em Búzios incluía desde ajuda na hora das refeições até escovar os cabelos da minha tia. Com o passar dos dias acrescentamos caminhadas na praia, onde depois sentávamos nas cadeiras que tio José prontamente trazia e ali, embaixo de um guarda sol, eu deixava os dois enquanto aproveitava para tomar banho de mar.

Após um mês, retornei para casa. O sol de Búzios me conferiu um bronze bonito, um aspecto saudável, mas a junção de sol e mar destruiu a cor do meu cabelo. Ficou quase um laranja! Minha cabeleireira, que tinha viajado para fazer um curso, só chegaria três dias depois e eu resolvi esperá-la, ao invés  de ir para outro salão.

– Vocês souberam de Ana? Parece que arranjou um namorado surfista em Búzios e agora deu até para fumar um cigarrinho batizado!
-E aquele cabelo ridículo? Deve ter passado parafina!
-É muito sonsa… Fica posando de certinha mas por trás, é só quem apronta!

Esses foram alguns dos diálogos que meus amigos ouviram antes da confusão! Sim, amigo que é amigo defende o outro até o fim. Olivia, educadamente, pediu licença àquelas pessoas e começou, do seu jeitinho, a falar que era feio inventar histórias, que calúnias podem destruir a reputação de uma pessoa, etc. Camille, muito maternal, tentou contar o que de fato tinha acontecido, o porquê da minha ida à Búzios, mas foi debalde.  Mauricio, bufando, levantou-se e sem o menor constrangimento, pegou os copos de cada um dos meus detratores e derramou o líquido sobre suas cabeças. E o tempo fechou! Todos foram expulsos do restaurante e nós rimos dessa história até hoje! Ainda bem que à época não existiam redes sociais, nem o  tribunal da Internet!

Os rótulos, ou etiquetagem de pessoas, são geralmente colocados em uma determinada época da vida que, com sorte, vai sendo esquecido com o passar do tempo. Não faz sentido continuar sendo chamado de irresponsável quando hoje você é o oposto. Se o mundo mudou tanto em vinte anos, o que dizer de nós?

Li em algum lugar que na viagem da vida, todo peso inútil atrasa a caminhada. Confesso que essa frase virou um mantra para mim e já descartei várias gavetas, sem nenhum remorso.
Convido vocês para fecharem algumas gavetas também!

Ana Madalena

 

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DICA DE LIVRO: O LIVRO NEGRO DA LOTERIA DE MATHEUS BRAGA

Minha DICA DE LIVRO desta quarta-feira é um pouco diferente dos temas que costumo publicar aqui no Blog do Saber. Nesse caso a abordagem sobre sorte e cálculos matemáticas e estatísticos. É sobre como ganhar na loteria. Em “O livro negro da loteria”, de Matheus B. você vai descobrir “Como 90% dos Vencedores da Loteria Escolhem os Números”. O que é O LIVRO NEGRO DA LOTERIA? O Livro Negro da Loteria é um guia que foi desenvolvido por Matheus B., que traz muitas dicas de como você pode estar sempre ganhando na loteria. E o melhor é que suas chances de lucrar mensalmente pode ir até ao prêmio máximo. Sem contar que tudo o que o guia traz é em passo a passo fácil, para você conseguir colocar tudo em prática e só lucrar com isso. Matheus B é um especialista em estatística. O autor analisou como vários ganhadores do prêmio total e que já conquistaram o prêmio por mais de uma vez, fazem para obter esses resultados. Com base em várias análises, ele chegou a uma forma incrível e que realmente funciona. Então se você passou a vida jogando na loteria aleatoriamente e nunca ganhou nada, agora você tem um norte e chances bem mais concretas de alcançar o seu objetivo.

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: BEM-ME-QUERO, POR ANA MADALENA

A coluna CRÔNICAS do Blog do Saber desta quarta-feira trás um dos contos mais interessantes já publicado pela nossa talentosíssima Ana Madalena. Nessa história ela relata, com muita perspicácia, bom humor e irreverência o cotidiano de uma personagem hilária e única, qu você não pode deixar de conhecer. Portanto, não perca tempo e comece logo a ler o hilariante conto “Bem-me-quero”.

Bem-me-quero

É  F.O.D.A, Fear of dating again, ou em bom português, medo de um novo relacionamento, disse-me Alice, que chegou revelando alívio por descobrir o nome do que estava sentindo. Eu estava num momento culinário, mexendo uma panela de doce de leite que requer 3 ingredientes: leite, açúcar e parcimônia, coisa que eu não tinha há dias. Entreguei a colher de pau para Alice e escutei o que tinha a dizer.

Alice é minha amiga de infância e somos vizinhas há oito anos.  Nossa convivência é diária, motivo pelo qual os amigos nunca entenderam o porquê de não dividirmos apartamento. A verdade é que gosto do meu cantinho sem interferências; Alice é muito bagunceira e eu sou o oposto.

Ela é dessas de “pegar emprestado”, desde roupas até objetos. Eu já emprestei vários itens para ela fazer “estilo”, para os outros. Muitos de seus namorados foram escolhidos através de matchs em apps, outros por pesquisas em redes sociais, embora nunca tenha emplacado um  relacionamento sério. Muito pelo contrário! Talvez, se ela fosse mais ela mesma, as coisas fluissem. De toda forma, eu nunca me preocupei com esse seu modo de viver, pois estava aparentemente feliz.

De uns tempos para cá, ela mudou totalmente; aquela pessoa solar e divertida, passou a ficar só e introspectiva. O primeiro alerta de que algo não estava bem se deu quando ela me fez a seguinte pergunta:

-Ana, como posso sentir falta de uma coisa que nunca tive? Uma saudade de viver algo, como ter familia, marido e filhos…

Em se tratando de Alice, aquilo soou estranho. Ela sempre falou que casamento era uma roubada e por isso se restringia a duas coisas: beleza e paciência. Se desse certo, beleza; se não, paciência. Também não pretendia ter filhos; dizia que era muito trabalhoso e roubava a melhor época da vida. Lembro de ter comentado que essa mudança fosse devido a virada da idade, dos trinta anos, que mexe um pouco com a cabeça. De toda forma, fiquei de orelhas em pé!

O segundo alerta foi quando ela deixou de pedir coisas emprestadas. Em um mês, inteirinho, ela não me pediu absolutamente nada…  E o terceiro, e mais grave de todos, foi deixar de vir à minha casa. Vivia trancada e passamos a nos comunicar exclusivamente por wa, pois não queria falar ao celular. Até os longos áudios de cinco minutos deixou de me enviar.

Tanto eu quanto Alice já tomamos a primeira dose da vacina. Eu postei minha foto no Instagram, assim como todo mundo faz, mas Alice sequer quis tirar a foto. Comentei que seus “fãs”, sabendo que já estaria parcialmente imune, poderiam, quem sabe, convidá-la para um café. Ela me fuzilou com o olhar e disse que a última coisa que queria era namorar novamente.

Só Freud poderia entender tal mudança de comportamento, pensei. E, muito a contragosto, consegui levá-la a uma psicóloga que diagnosticou um medo do desconfinamento, associado a depressão. Enquanto eu, que nem sou tão sociável quanto Alice, estava louca para sair por aí abraçando os amigos, e até os que não são, Alice tremia só em pensar nessa possibilidade, principalmente em voltar a ter um envolvimento emocional.

Alice está bem melhor; faz terapia duas vezes por semana, agora presencialmente, e já parece disposta a voltar a se relacionar com os amigos e a um certo Pedro, que conheceu na sala de espera do consultório.  Ela também está cuidando de outros aspectos, principalmente da sua auto-estima que era baixíssima. Cansei de vê-la destruindo minhas margaridas, fazendo bem-me-quer, mal-me-quer, cada vez que se interessava por alguém. Hoje, ela finalmente diz bem-me-quero! Minhas plantinhas agradecem! Por falar nisso, vou pedir a Alice que compre alguns jarrinhos de margarida para repor os meus e também um potinho de doce de leite;  o que ela fez ficou pedrado. Também pudera..  Falava mais do que mexia a panela! Muito bom ter Alice de volta!

Ana Madalena
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SANCIONADA LEI QUE INCENTIVA LITERATURA DE CORDEL NAS ESCOLAS DO RN

Lei de Ezequiel que incentiva Literatura de Cordel nas escolas do RN é sancionada

20 jul 2021

Lei de Ezequiel que incentiva Literatura de Cordel nas escolas do RN é sancionada

De autoria do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), O Estado passa a contar com uma Lei de incentivo e fomento à Literatura de Cordel nas escolas públicas e privadas. A sanção da governadora Fátima Bezerra (PT) ao projeto do parlamentar aprovado no Legislativo foi publicada esta semana no Diário Oficial do Estado, e prevê diretrizes para que ocorra a expansão do cordel nos colégios.

Para o parlamentar, a medida vai contribuir para aproximar os estudantes da poesia e de uma das mais especiais formas literárias do país. “Estudar o cordel e o repente na escola significa ter contato com o mundo da poesia a partir do cotidiano, com uma carga de  significados que dificilmente outra forma literária tem no Brasil, especialmente para nós, potiguares”, justificou Ezequiel Ferreira.

A lei sancionada pela governadora prevê que as escolas deverão ter instituídas diretrizes para o incentivo e o fomento à Literatura de Cordel, contribuindo para o conhecimento da comunidade escolar acerca da cultura popular brasileira, estimular a cultura de popular, extinguir a discriminação relacionada à cultura regional nordestina, fomentar o reconhecimento identitário norte-rio-grandense, valorizar os cordelistas e ampliar o acesso a uma multiplicidade de gêneros literários como parte integrante do processo educacional.

“Com profundas origens na cultura popular, o cordel vem sendo cada vez mais estudado e venerado como gênero literário rico e de grande relevância para a constituição da identidade cultural brasileira. O cordel também é responsável por romper preconceitos, valorizar a cultura, nossa terra e incentivar os estudantes potiguares a buscarem compreender mais sobre suas origens”, disse Ezequiel Ferreira.

De acordo com a nova legislação, o Governo do RN, bem como os municípios potiguares, dentro dos seus respectivos espaços de competência legislativa, poderão criar diretrizes específicas para o fomento da Literatura de Cordel nos equipamentos públicos de educação.

Fonte: Política em Foco
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CRÔNICAS: O LADO B, POR ANA MADALENA

A nossa coluna CRÔNICAS desta quarta-feira está sensacional, com mais uma história quase verdadeira da fenomenal Ana Madalena, que conta a saga de uma amiga que passou a vida inteira enganada quanto as suas origens e finalmente, ao descobrir toda a verdade virou pelo avesso e desencavou o lado B. Vale a pena ler esse conto hilariante. Boa diversão! 

Bom demais para ser verdade? O Japão provavelmente não vai pagar por metade da sua próxima viagem - Passageiro de Primeira

O lado B


Essa é uma história quase verdadeira. Ela é baseada numa mentira, que só foi descoberta há poucos dias. O sentimento de frustração da minha amiga foi enorme e sua reação foi… Bem, não vou julgar. Não sei o que faria no seu lugar. Aliás, ultimamente tenho como meta de vida não julgar ninguém, coisa que fazia inconscientemente. Que desperdício de tempo!

Nos conhecemos há alguns anos quando fizemos um curso de ikebana. Ela era tímida, tinha uma fala suave e gestos calmos. Confesso que sempre admirei sua postura corporal, talvez por eu ser estabanada e gesticular demais. Akine também era muito disciplinada, principalmente na hora das refeições; eu até tentei incorporar seu estilo, comer mais grãos integrais,  beber chá depois do almoço, mastigar bastante, mas isso não durou nem um mês. Em todos esses aspectos estou cada dia pior; faço as refeições diante da TV  e não quero ver chá pela frente!

Ela tentou me ensinar meditação, mas não deu certo. Eu não me concentrava e abria meus olhos o tempo todo, só para checar se ela estava “zen”  mesmo. Uma vez me pegou no flagra e gentilmente disse que eu tentasse focar noutra técnica, pois sou dispersa. Eu tenho esse “problema” de foco mesmo… No colégio, eu não conseguia me concentrar nas aulas. Havia sempre alguém com um fio de cabelo solto na roupa ou um colarinho manchado na minha mira. Meu pensamento estava sempre noutro lugar. Bem, mas essa história não é sobre mim…

Akine tinha uma beleza rara; cabelos pretos e brilhantes, olhinhos puxados e uma pele maravilhosa. Filha única, ela manteve as tradições; sua descendência asiática vem dos  “ancestrais”, como se refere aos tataravós. Ela era encantada com a sabedoria milenar; o apartamento de Akine, por exemplo, tem uma sapateira na entrada, motivo de estranhamento  para quem a visitara antes da pandemia. Nunca permitiu que entrassem em sua casa com sapatos; além de serem sujos, trazem más energias. A decoração, minimalista, era totalmente temática e as únicas músicas que escutava eram aquelas que têm som de água e pássaros.  Seu sonho de vida sempre foi ir para o Japão mas, somente ano passado, conseguiu se organizar financeiramente para fazer uma viagem mais longa. Ela tinha muitos planos…

Lembro quando me ligou chorando; seu voo fora cancelado por tempo indeterminado. Pediu para eu ir até sua casa, precisava conversar com alguém; queria entender como seria o “tal” isolamento. O anúncio da quarentena inicial nos pareceu uma eternidade… Convenci-a que não tínhamos muito o que fazer; era torcer para que o tal vírus fosse abatido!  Esperançosas, resolvemos fazer um brinde para a descoberta da cura e… Ah! Tenho uma coisa para dizer sobre brinde. A primeira vez que brindamos, eu, por óbvio, disse “tim-tim; ela, envergonhada, explicou que em japonês isso significava o nome do órgão sexual masculino. Desde esse dia só digo “Kambai”, mesmo estando com outros amigos; impossível não fazer a “tradução”!

Aproveitamos o cancelamento da viagem para aprofundarmos os estudos sobre o Japão. Sim, eu também gosto de muitos aspectos daquele povo, mesmo sabendo que nunca, n-u-n-ca, irei por lá. Meus pais já foram umas três vezes, são encantados por tudo, acham lindas as cerejeiras, mas eu só registro a informação de que é muito longe, argumento infalível para eu desistir de qualquer viagem.

Akine resolveu fazer a árvore genealógica, na esperança de encontrar algum parente por lá e, à partir dessa informação, entrar em contato para combinar uma visita. Animada,  contratou uma profissional para fazer esse estudo.

Era um fim de tarde, eu estava saindo do trabalho quando Akine ligou. Falava intempestivamente e eu, sem conseguir entender, resolvi ir à sua casa. Levei um susto; uma Akine loiríssima atendeu a porta, bebendo cerveja, bebida que detestava, e me entregando um copo, disse:
-Tim-tim, Ana.  ( Eu falei kambai, juro!)

-Estamos celebrando o quê mesmo? Perguntei desconfiada.
– A grande farsa! A farsa que é a minha vida!

Akine recebera o estudo familiar e descobriu que nunca existiu descendente asiático na família. Houve, sim, um erro no cartório;  em vez de registrá-la como Aline, trocaram a letra. O fato de ter um olhinho puxado ajudou a criar uma mentira para salvá-la do bullying de ter um nome esquisito aos nossos padrões. A “japinha”, alcunha desde o ensino fundamental, foi considerada exótica por um bom tempo, principalmente no interior da Paraiba, onde nasceu.

O desenrolar dessa mentira vai mais longe. Sua mãe, venerada por ela, passou a ser vilã. Ela não morreu no parto, mas fugiu com o seu pai biológico, que soube depois ser um sujeito atarracado, de olhos puxados e cabelos pretos como o dos índios. Ao seu pai, o que lhe criou, coube inventar essa mentira para não manchar a honra materna. E, sendo funcionário de um banco, pediu transferência logo que o escândalo tomou conta da cidade. Eles moraram em vários lugares, até quando seu pai se aposentou aqui, em Natal. E foi ele quem deu os detalhes dessa história; tirou um peso dos ombros, coitado!

A nova Akine em nada se parece com a pessoa que conheci. Ultimamente escuta  pagode, funk e até sertanejo. Deixou de lado suas roupas sóbrias e destruiu, repito, destruiu, toda a decoração do apartamento. A sapateira, na entrada, permaneceu intacta, mas apenas por causa do covid. A viagem para o Japão foi trocada por Paris, Roma e Lisboa para quando a pandemia ceder.  E, na primeira oportunidade, irá para o Carnaval no Rio. Está louca para se esbaldar na avenida!

Sabe aquela pessoa de gestos contidos e fala mansa? Essa agora sou eu, na frente do que Akine se transformou. Imagine você que, enquanto lhe escrevo, estou na sala dela, esperando que termine uma aula on line de street dance. O pior é que agora eu estou com um problemão: não estou gostando desse lado B, dessa nova personalidade, cheia de novidades e zero bom senso. Como faço para dizer isso sem magoá-la? Aceito sugestões.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: ESCRAVIDÃO VOLUME II DE LAURENTINO GOMES

Na semana passada a coluna DICA DE LIVRO apresentou aqui, a obra ESCRAVIDÃO, volume I, do renomado historiador Laurentino Gomes. Nesta quarta-feira a nossa DICA é o tão esperado segundo volume da trilogia Escravidão, da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil.

No segundo volume de Escravidão – Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil, Laurentino Gomes concentra-se no século XVIII. O período representou o auge do tráfico negreiro no Atlântico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes no país e pela disseminação, em outras regiões da América, do cultivo de cana-de-açúcar, arroz, tabaco, algodão e outras lavouras marcadas pelo uso intensivo de mão de obra cativa.

Nenhum outro assunto é tão importante e tão definidor da nossa identidade nacional quanto a escravidão. Conhecê-lo ajuda a explicar o que fomos no passado, o que somos hoje e também o que seremos daqui para a frente. Em um texto impactante que inclui imagens e gráficos, Laurentino Gomes lança o segundo volume de sua obra, resultado de 6 anos de pesquisas, que incluíram viagens por 12 países e 3 continentes.

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: FAZ DE CONTA…POR ANA MADALENA

A coluna CRÔNICA desta quarta-feira tem mais um show de talento da nossa colaboradora Ana Madalena. Se normalmente já tem nos presenteado com histórias maravilhosas e inspiradoras, imagine só no dia do niver da sua netinha de dois anos, que por acaso é o dia do seu próprio aniversário. Então sai de baixo, senta ai e comece logo a ler mais um ‘Faz de conta’ da nossa cronista!

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Faz de conta…

Dois anos. Hoje uma menininha levanta dois dedinhos para dizer quantos anos está comemorando. Foi dificil convencê-la da mudança de idade; acostumou-se a responder “um” toda vez que eu fazia a pergunta. Eu também poderia  fazer essa mesma contagem para mim, uma vez que  nascemos no mesmo dia, sete de julho. Sim, poderia, mas não vou. São anos demais e ela só sabe contar, ainda, até vinte e três. Em inglês conta até “ten” e adora dizer as cores “blue” e “green”. Adoro comentar essas coisinhas da minha neta!
Maria Cecília nasceu numa madrugada de domingo, antecipando em algumas semanas a sua chegada. Eu, desde que minha filha ficara grávida e sabendo que nasceria em julho, comecei intimamente a torcer que ela nascesse no mesmo dia da “avó”, mas desisti da idéia; minha torcida iria contra a natureza, e eu não tinha  esse poder. Será?
Era um sábado, quase meia noite da virada do dia seis para o dia sete, quando cheguei à casa dos meus pais. Eles estavam sob minha “responsabilidade”, uma vez que minha irmã, o anjo da guarda deles, estava viajando e só retornaria na data provável para o nascimento da primeira sobrinha neta. Eu estava vindo de um jantar oferecido por amigas, disposta a dormir até tarde. No outro dia almoçaríamos todos juntos para comemorarmos.
À meia noite meu celular começou a tocar, eram meus filhos. Leo, que mora em São Paulo, estava reunido com amigos e, numa vídeo chamada, cantou parabéns. Mariana que chegara há pouco de uma festinha, fez também aquela folia! Aconselhei-a que tentasse descansar; há dias estava sem posição para dormir. A barriga, enorme, já pesava bastante. Nos despedimos, coloquei meu celular no silencioso, uma máscara nos olhos e dormi profundamente até umas duas da manhã quando acordei sem motivo e, por acaso, olhei o celular, que somava várias chamadas não atendidas de Mariana. Nessa hora, o telefone residencial tocou; sim, meus pais ainda têm um telefone fixo!
Meu genro ligou informando que já estavam no hospital e que minha neta estava para nascer. Como assim? A bolsa havia estourado! Por sorte, as malas estavam prontas e o hospital ficava a dois minutos de casa. Meus pais acordaram assustados, temendo algo grave, mas quando souberam da novidade ficaram com aquelas carinhas bobas de “nossa, somos bisavós”! Deixei o mais novo bisavô em casa ( os homens da família são fracos para hospitais) e segui com minha mãe; às 3:37h minha netinha nasceu, saudável, espertinha e linda, claro!
O hospital estava lotado. Sem acomodações, passamos o dia todo na sala de recuperação, com outras mães e seus bebês. Naquela madrugada nasceram seis! Alguém  comentou que a data era cabalística, que o dia sete, de todos os números, é o que mais vibra perfeição e quem nasce nesse dia tem grande espiritualidade, além de…Não escutei o restante da explicação; naquela hora, em meio às parturientes, em um ambiente gelado, foi que me dei conta que era meu aniversário e que eu ganhara de presente uma neta!
Maria Cecília, ou simplesmente Maria, como a chamamos, é uma menina maravilhosa. Como toda canceriana, é bastante emotiva. Adora ouvir música e “ler” seus livros, de longe sua diversão preferida. É vaidosa, ao ponto de, quando gosta de uma roupa, quer vestir sempre. Atualmente está encantada com seu vestido de São João! Há dois anos, quando nasceu, estava havendo um surto de sarampo na cidade e ela passou os primeiros meses em casa. Depois, quando as coisas acalmaram, ela pôde começar a ter uma “vida social”, frequentando escolinhas de natação e musicalização. Infelizmente, pouco depois chegou a pandemia e ela entrou noutro ciclo de isolamento.
Minha netinha ainda estranha o uso de máscara e, muitas vezes, ela puxa a do meu rosto, dizendo:
-Nāo, vovó! Axim não! Tira, tira!
Nossas brincadeiras exigem muitas “caras e bocas” e os olhos não dão conta de expressar tudo.
Estou encantada com a “voternidade”.  É uma delícia voltar a entrar no mundo do faz de conta!
Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: ESCRAVIDÃO, VOL. I, DE LAURENTINO RAMOS

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira aborda “as raízes do Brasil com o corpo na América e a alma na África”, ESCRAVIDÃO, Vol. I, de Laurentino Gomes. Um livro que você não pode deixar de ler se quiser entender porque somos como somos. 

Maior território escravista do hemisfério ocidental, o Brasil recebeu cerca de 5 milhões de cativos africanos, 40% do total de 12,5 milhões embarcados para a América ao longo de três séculos e meio. Como resultado, o país tem hoje a maior população negra do planeta, com exceção apenas da Nigéria. Foi também, entre os países do Novo Mundo, o que mais tempo resistiu a acabar com o tráfico de pessoas e o último a abolir o cativeiro, por meio da Lei Áurea de 1888 ― quatro anos depois de Porto Rico e dois depois de Cuba.

Nenhum outro assunto é tão importante e tão definidor da nossa identidade nacional quanto a escravidão. Conhecê-lo ajuda a explicar o que fomos no passado, o que somos hoje e também o que seremos daqui para a frente. Em um texto impactante e rigorosamente documentado, Laurentino Gomes lança o primeiro volume de sua nova trilogia, resultado de 6 anos de pesquisas, que incluíram viagens por 12 países e 3 continentes.

Fonte: Acervo particular

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POESIA: NUNCA É TARDE DEMAIS! POR BRÁULIO BESSA

Nesta sexta-feira, aqui na coluna POESIA, você vai perceber que no poema “Nunca é tarde demais, declamado no quadro Poesia com Rapadura, Bráulio Bessa utiliza uma linguagem simples e cotidiana para transmitir uma mensagem de esperança e superação para todos aqueles que estão desanimados ou desistindo. Que o tempo acabou, a oportunidade já passou, que não tem mais idade, que agora é tarde… Embora a vida seja, sim, cheia de dificuldades, e o tempo passe rápido demais, ela também guarda coisas boas para nós. Então, não perca tempo, dê o play e comece logo a assistir essa obra de arte!

Fonte:

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DICA DE LIVRO: QUANDO FALA O CORAÇÃO, TRANSFORME A SUA VIDA COM AMOR, INTUIÇÃO E GRATIDÃO DE WAGNER BRAGA

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é nada mais nada menos do que o meu novo lançamento, a obra QUANDO FALA O CORAÇÃO, transforme sua vida com amor, intuição e gratidão (Wagner Braga), que apresento aqui em pré-venda e simultaneamente no dia do lançamento nacional, que você pode adquirir nas melhores livrarias e sites de venda do Brasil.

“A sabedoria, assim como a intuição, se desenvolve com o tempo e com as experiências vividas.”

CORAÇÃO, INTUIÇÃO E GRATIDÃO SÃO OS TRÊS PILARES QUE DEVEM NORTEAR HARMONIOSAMENTE A NOSSA VIDA, EM TODOS OS MOMENTOS, PRINCIPALMENTE NAS HORAS MAIS DIFÍCEIS E DECISIVAS.

Encontrar a paz e se reconectar com si mesmo em um mundo turbulento não é missão fácil, principalmente quando todos estão enfrentando essa mesma batalha interna. O sonho de encontrar uma vida plena, leve e feliz parece cada dia mais distante.  Será que dá para alcançar o equilíbrio emocional e espiritual em meio ao caos? A resposta é sim!

Em Quando fala o coração, Wagner Braga nos apresenta um método único que nos ensina a olhar além do que normalmente vemos e identificar no dia a dia aquilo que nos faz bem e nos eleva. Didático e com vários casos reais de sucesso, o autor nos convida para um mergulho em nós mesmos para, assim, encontrarmos a vida plena que é parte de nosso destino.

Nesse livro você vai aprender:

  • Como utilizar o amor, a intuição e a gratidão como alicerces para uma vida mais leve e equilibrada;
  • Quais são as pequenas atitudes que você pode tomar em seu cotidiano para elevar seu amor-próprio, sua felicidade e sua paz interior;
  • Como aplicar a Física Quântica e o autoconhecimento no desenvolvimento do seu sexto sentido;
  • Como identificar atitudes e sentimentos que nos fazem bem e nos elevam e descartar tudo aquilo que nos faz mal;
  • Como se reconectar com o Universo que existe dentro de você por meio da prática de gratidão, do amor e da intuição.

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: SENTIMENTOS, POR ANA MADALENA

Uma história comovente e inspiradora, que pode acontecer com qualquer um, mas que nunca achamos que seja possível  conosco e por isso mesmo nem conseguimos imaginar. Mas a nossa cronista, Ana Madalena conseguiu e transcreveu de forma brilhante no texto a seguir que você terá a oportunidade de ler, refletir e se imaginar nessa situação, onde os SENTIMENTOS afloram como nunca. Então comece logo essa viagem!

Filha Que Visita A Mãe Superior No Hospital Foto de Stock - Imagem de amor, doente: 103154072

Sentimentos


Essa história começa em preto e branco. A  ausência de cores vibrantes no início da vida de Fernanda fez parte do seu crescimento. Não tinha sido fácil superar tanta coisa, mas no fundo ela sempre soube que algo de bom aconteceria. E quando tinha problemas, ela recorria ao exemplo dos bebês, que quando nascem enxergam apenas os contrastes, e somente por uma distância de até 30cm, mais ou menos a medida entre o colo da mãe e seus olhos. Essa, para ela, era a distância do afeto, do amor. Saberia aguardar e enxergar as coisas no tempo certo.

Há muito não se viam. Preferia dizer assim quando alguém perguntava por seus pais;  de nada adiantaria revelar a verdade, dizer que sua mãe abandonou a família para viver uma paixão. O bilhete de despedida deixado em cima da mesa da cozinha fora a única coisa que restou como lembrança. Nunca  esqueceu a cena de seu pai esmurrando a parede, gritando coisas que ela não entendia. Isso foi há exatos vinte e oito anos, numa noite fria de inverno, quando ela era uma menina de pouco mais de cinco anos de idade.

A infância foi difícil; seu pai, que começou a beber logo após aquele fatídico dia, pouco tempo depois faleceu, vítima de um atropelamento. O motorista atestou que foi ele quem atropelou seu carro e algumas testemunhas confirmaram essa versão. De toda forma isso pouco importava, seu pai não estaria mais ao seu lado. Por sorte, sua tia, irmã da sua mãe, assumiu sua criação e aos poucos ela voltou a ser uma criança feliz.

Estudou em bons colégios; era inteligente e muito disciplinada. Não foi surpresa quando  foi aprovada no primeiro vestibular para medicina. A universidade lhe abriu  possibilidades e logo no início do curso fez boas amizades; gostava de estar com pessoas intelectualmente estimulantes. Estava realizada em muitos aspectos, mas a falta de notícias da mãe era um assunto sempre pendente. Por muito tempo procurou por ela, não com o objetivo de fazer cobranças, apenas entendê-la, ou até ajudá-la, se fosse o caso. A lacuna deixada por ela já tinha sido preenchida por sua tia.

Como médica, optou por fazer pediatria. Gostava de crianças, principalmente de bebês; se emocionava cada vez que assistia um parto. Lembrava que nas brincadeiras de infância, pedia sempre para ser a mãe, sonho que foi adiado, desde que surgira uma excelente oportunidade de trabalho noutra cidade. Seu noivo, médico também, estava se organizando para transferir o consultório.

Há dias vinha num pique grande de trabalho. Estava saindo do plantão quando escutou alguém falando um nome familiar, porém raro. A não ser por sua mãe, não conhecia outra pessoa que tivesse aquele nome. Voltou seu olhar e viu um casal de meia idade, ela, numa cadeira de rodas, aparentemente alheia a tudo ao seu redor.

O quadro de Alzheimer estava numa fase avançada, informou seu colega, desconhecendo o parentesco. Ela procurou saber quais as providências que seriam tomadas e, sabedora disso, resolveu ir ao quarto da mãe. Ela dormia um sono tranquilo, assim como o senhor que a acompanhava. Procurou não fazer barulho, apenas se aproximar para olhar de perto aquele rosto, agora tão marcado pelo tempo e sofrimento. Não conseguiu evitar que a saudade transbordasse dos seus olhos. Enquanto enxugava as lágrimas, sua mãe de repente acordou; Fernanda percebeu que seus olhos se encontraram por alguns segundos, quando ela esboçou um discreto sorriso. Fernanda se aproximou do rosto da sua mãe  e, na distância do afeto, disse em silêncio os sentimentos que guardara todos esses anos.

Ana Madalena
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CRÔNICAS: GERÚNDIO, POR ANA MADALENA

A imaginação da criativa Ana Madalena continua a mil no conto desta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS. Desta vez ela nos apresenta uma crônica urbana, que envolve mais uma vez, um casal, um romance das antigas que, muito por acaso, se renova nos dias atuais, mas de uma forma, como sempre, bem original. Vale a pena conferir!

Como usar balanco na decoração? - Minha Casa, Minha Cara

Gerúndio


A vida aos poucos voltará ao normal, disseram. Qual normal? Sim, porque depois de tantas mudanças de hábitos e por tanto tempo, normal para ela era continuar do jeito que se acostumara a viver. Nunca se sentiu tão em paz, trabalhando em casa sem ter que se preocupar em sair, vestir essa ou aquela roupa, arrumar cabelo ou fazer unhas. Ela se acostumou com o pouco contato social e foi um choque quando recebeu o comunicado da empresa, informando que começariam a fazer o trabalho de forma híbrida.

Só em pensar que encontraria novamente seus colegas de trabalho já lhe dava um enjoo. Trabalhava distante da cidade, ainda bem que iria sozinha no seu carro; preferia assim, mesmo que tivesse um custo maior. Não suportaria ir no ônibus da empresa e ter que jogar conversa fora durante todo o percurso. Se tivesse que pagar passagem, seria uma para ela e outra para a culpa que carregava. Não, não tinha feito nada errado, mas sentia como se tivesse feito. Todos seus amigos reclamavam da sua falta de interesse e diziam que ela não estava bem, que não era saudável passar tanto tempo isolada de tudo e de todos. Ela era consciente que tinha perdido um certo interesse em conviver com outras pessoas, mas em contrapartida percebeu que gostava do silêncio na sua vida. Desde quando isso era um problema?

Adquiriu uma mania; cada vez que se locomovia, contava mentalmente os passos; eram seis, do sofá até a televisão, e treze da cozinha até seu quarto. Ainda bem que seus amigos não sabiam disso, nem de outras coisas, como o fato de ter instalado um balanço no lugar da mesa de jantar, onde a cada duas horas se balançava, deixando no teto as marcas dos seus pés. Gostava de ver suas “impressões ” no teto branco.

Também comprou uns quadros novos, mas a pouca habilidade com o uso da furadeira deixou um buraco enorme na parede da sala. Customizou-o, descascando um pouco ao redor e, com um pincel escreveu numa seta “olhe aqui”. Aos poucos começou a dar personalidade à sua casa; gostava do cenário que estava montando. Encheu a varanda de plantas; descobriu que era bom  elas ouvirem Mozart, para crescerem, e Bach para dormirem. E foi exatamente quando estava trocando a trilha sonora que ouviu alguém colocando uma correspondência por baixo da porta.

Olhou por alguns minutos para aquele envelope pardo. Não sabia o porquê  de ter receio em abri-lo, mas respirou fundo, deu quatro passos em sua direção e abriu. Era um bilhete do vizinho do andar de cima, querendo saber que ruído era aquele na sala de jantar. Disse que tentou interfonar mas ela não atendeu. Ele finalizava pedindo seu contato para conversar com ela, pois o ruído incomodava bastante.

Sentiu o suor escorrer pela testa… O que fazer? Não queria falar por telefone, principalmente com desconhecidos. Criou coragem e resolveu falar pessoalmente, resolver logo esse assunto. Contou vinte e sete passos até o apartamento dele. Ouviu uma música suave e alguém se aproximando. Prendeu a respiração.

O vizinho era, para sua surpresa, um amigo de infância. Na verdade ele foi mais que amigo, fora um namoradinho, por assim dizer. Melhor assim, a conversa seria mais fácil. Ela explicou que o som era do balanço e ele, impressionado, achou a ideia genial. Perguntou se poderia se balançar por lá, de vez em quando. Ela observou que ele tinha muitas plantas e quando se deram conta, estavam conversando sobre orquídeas, violetas, lirios e bromélias há horas.

Algo de mágico aconteceu ali… De repente todas as suas angústias sumiram e ela percebeu que tinha deixado de fazer a contagem dos seus passos. Será que aquele sentimento do passado estava acontecendo outra vez?  Por via das dúvidas, sentou no balanço e feliz, ficou se balançando até cansar. Ela finalmente entendera que a vida é conjugada no gerúndio!

Ana Madalena
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CRÔNICAS: E FOI ASSIM…POR ANA MADALENA

Na crônica desta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS, Ana Madalena, mais uma vez, aguçou a sua imaginação e, como sempre escreveu uma história que vai prender a sua atenção do começo ao fim, pois foi assim comigo. Não consegui parar de ler, olhos grudados na tela do computador até o fim. Então lhe convido a ler e se entreter sem querer!

Sexo na pandemia: a máscara protege da Covid, mas beijar aumenta os riscos com novos parceiros | Viva você | G1

E foi assim…

Ela mergulhou seu olhar aos pouquinhos;  tinha necessidade de captar cada milímetro daquela foto, tirada em plena fila da vacina. Se reconheceram pelos olhos; os dela, cor de mel com alguns risquinhos quase amarelos; os dele, um oceano azul. É incrível como o olhar é algo que não esquecemos, pensou. Por sorte ele tomou a iniciativa de falar; ela era insegura e tinha medo que ele não lembrasse dela, afinal estavam com máscaras e já faziam mais de vinte anos desde que se viram naquela loja…

A torneira já estava pingando há dias; qualquer um que passasse meia hora ali se sentiria incomodado, mas ela não parecia perceber absolutamente nada ao seu redor. Estava  triste com os rumos da sua vida… Uma noite finalmente escutou, não só o pinga-pinga, mas também seu coração. Precisava urgente sair daquele estado de letargia. Pegou um bloquinho de notas e escreveu uma lista de coisas para fazer no dia seguinte; a primeira seria comprar uma torneira nova.

Nunca imaginou que existissem tantos modelos! Ficou parada em frente ao mostruário, totalmente indecisa, enquanto que o cliente ao lado parecia ter feito curso de torneiras. Foi até muito gentil em tirar algumas dúvidas, uma vez que o vendedor sumira. Detestava essas lojas self service, comentou. Ele, rindo, disse que para quem não era familiarizado, era realmente difícil. Foi nesse exato momento que seus olhos se encontraram pela primeira vez. Não sabia se tinha sido impressão, mas sentiu que ele teve algum interesse por ela. Será que ele olha assim para todo mundo? Imediatamente levou sua mão ao colar, procurando sua medalhinha de N. Sra. Aparecida, gesto que repetia sempre que ficava tímida ou nervosa. Ela não soube identificar qual dos dois sentimentos. Talvez ambos.

-Tem alguma pessoa para instalar a torneira?
-Não, respondeu desanimada. Você indica alguém?
-Eu mesmo posso fazer isso para você. Tenho algum tempo disponível depois daqui. Só preciso passar na obra para deixar algumas coisas.
–  Eu não tenho coragem de pedir isso, principalmente a alguém que não conheço.
– Isso não é mais problema. Prazer, Arthur.

E ali, contra todos os seus princípios, Isabella escreveu seu endereço na caixa de uma torneira de jardim que ele estava comprando. Combinaram que ela seguiria na frente; Arthur ainda tinha uma lista de compras para finalizar. Enquanto estava no caixa, ficou pensando se torcia para ele ir, ou não. Por via das dúvidas, assim que chegou em casa organizou algumas coisas que estavam pelos cantos. Resolveu fazer um café, afinal teria que servir alguma coisa. Fez também um suco, caso ele não gostasse de café. Ainda bem que tinha um bolo feito na véspera.  Colocou um cd, abriu as janelas, escolheu uma toalha de mesa, separou umas xícaras. Olhou em volta e riu sozinha! Que loucura! Fazer tudo aquilo por uma pessoa que só sabia o primeiro nome…

As horas foram passando e ela começou a se sentir boba. Claro que ele não viria! Seu ânimo foi baixando de nível com o passar do dia. Ao anoitecer teve uma crise de choro, mas não um choro de tristeza, mas de dados de realidade. Constatou que tinha organizado a casa para agradar um estranho enquanto que negligenciara a si própria. Deu um suspiro profundo e, finalmente entendeu que se havia uma pessoa importante naquela casa, com certeza era ela!

Há dias estava ansiosa para tomar a vacina. Praticamente todos seus amigos já estavam vacinados, até seu ex marido, que se gabava de ter porte atlético, mas que de repente virou hipertenso. Não estava julgando, mas achou esquisito. Chegou bem cedo ao posto de vacinação, antes do horário de abertura. Ficou um tempo no carro ouvindo música, até que outras pessoas foram chegando e resolveu interagir, mesmo a distância. Todos estavam, no mínimo, eufóricos. De repente Isabella ouviu um rapaz chamando por Arthur. Ela, de canto de olho, conferiu se era o mesmo que tinha conhecido.
Os olhos azuis e o cabelo, agora um pouco grisalhos não deixavam dúvidas. Era ele, com certeza. Segurou sua medalhinha, nervosa. Será que deveria se dirigir à ele? Enquanto pensava, ouviu ele pronunciando seu nome.

-Isabella?
– Sim… Me desculpe, mas não estou reconhecendo; essas máscaras não ajudam, não é mesmo?
– Com certeza você não lembra de mim, mas nunca lhe esqueci. Nos conhecemos comprando torneiras há muitos anos. Você até escreveu seu endereço numa caixa, mas quando cheguei na obra percebi que nenhuma delas era a que você havia escrito. Ainda voltei para a loja, mas o vendedor … Enfim, são muitos detalhes, mas quero que saiba que fiz de tudo para lhe encontrar.
– Como me reconheceu?
– Você não mudou muito. E seus olhos são muito marcantes, mas ainda bem que continua usando o mesmo colar, com essa medalhinha. Não tive dúvidas. O que vai fazer depois da vacina? Podemos tomar um café…
– Sim, podemos. Eu moro perto daqui.
– Dessa vez eu vou seguindo seu carro.

Cada um fotografou o outro na hora da vacina e depois fizeram uma foto juntos. No caminho para casa, Isabella sentiu o coração aos pulos. Conferiu pelo retrovisor se Arthur estava lhe seguindo. Estava. No sinal, olhou novamente a foto. Feliz,  notou que seus olhos sorriam.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O PODER META-HUMANO DE DEEPAK CHOPRA

Quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO, aqui no Blog do Saber. E a dica de hoje é simplesmente sensacional. O livro “O PODER META-HUMANO” do renomado Deepak Chopra é um convite para descobrir quem você realmente é. Assim o autor inicia esta nova jornada, que pretende despertar a sua autoconsciência e conduzi-lo à redescoberta de si mesmo para além de quaisquer limites. Chopra nos estimula a repensar nossa experiência neste mundo e cria dois conceitos fundamentais: o meta-humano e a meta-realidade. São ideias que vêm enriquecer a nossa jornada rumo a uma vida de abundancia, que transcenda as nossas crenças limitantes e aos nossos pares. Quantas ilusões permeiam nosso olhar para a vida? E qual o verdadeiro impacto delas na insatisfação que sentimos em relação ao nosso eu e aos sonhos que queremos realizar, mas que parecem tão distantes? Em um texto repleto de reflexões instigantes, que reúne literatura, inteligência artificial, neurociência e outras áreas, o renomado autor provoca a vontade de sermos muito mais. Com as reflexões e o novo olhar de Meta-humano, percebemos que nossos “nãos” também são escolhas. Então, para caminharmos ao encontro do “sim”, Deepak Chopra nos presenteia com questionários para o aprimoramento da autoconsciência e um guia de 31 dias para o despertar. Portanto, este é um livro que não pode faltar na sua biblioteca e muito menos na sua cabeceira!

Fonte: Amazon

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DICA DE LIVRO: A MATRIZ DIVINA DE GREGG BRADEN

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é mais um instigante livro de Gregg Braden: “A Matriz Divina”. Nessa incubadora quântica da realidade, todas as coisas são possíveis. Em 1944, Max Planck, o pai da teoria quântica, chocou o mundo quando disse que essa “matriz” é a origem das estrelas, do DNA da vida e de tudo o que existe.

Nesse livro capaz de abalar paradigmas, Gregg compartilha conosco suas descobertas. Aprendemos a converter em realidade os milagres da imaginação por meio dos vinte princípios da criação consciente.

Tornando fácil o entendimento de conceitos científicos e por meio de histórias verídicas, o autor evidencia que a extensão das nossas crenças é o nosso único limite e aquilo que tínhamos como certo está a um passo de ser mudado. Então aguce a sua curiosidade, seja buscador, leia essa obra reveladora e expanda a sua mente! 

Fonte: Amazon

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CRÔNICAS: O SILÊNCIO DAS PALAVRAS, POR ANA MADALENA

Hoje temos, aqui na coluna CRÔNICAS, mais uma pérola da nossa preciosa colaboradora Ana Madalena. Desta vez ela nos remete a uma viagem no tempo, através das páginas da Bíblia Sagrada, até os idos da famosa Torre de Babel para nos lembrar que o que estamos vivendo atualmente, em muito se parece com a “confusão de vozes, algazarras e mistura de línguas”, daquele tempo. Mas prefere o Silêncio das Palavras a todo esse barulho. O silêncio, a leitura, o conhecimento, a reflexão…Um texto para nos fazer refletir até que ponto evoluímos ou retroagimos nessa longa caminhada experiencial! Portanto convido você a ler, refletir e fazer o seu juízo de valor!

O que era a torre de Babel? - Respostas Bíblicas

O Silêncio das palavras

Ah o tempo… A impressão que tenho é que estamos retroagindo, e sob um aspecto muito sombrio. Uma história que sempre me vem à mente, está no capítulo 11 do Gênesis, a construção da Torre de Babel: Os descendentes de Noé construíram um altíssimo monumento com o objetivo de alcançar o céu. Chateado com a blasfêmia, Deus teria feito com que os trabalhadores falassem línguas diferentes, o que inviabilizou a conclusão da obra. Por causa desse episódio, a palavra Babel adquiriu nos dicionários, significados como “confusão de vozes, algazarra e mistura de linguas”.

Estamos vivendo em um mundo onde as pessoas, apesar de suas semelhanças, mal se entendem; a nossa Babel agora são as redes sociais. Várias vezes, quando leio alguma coisa, me questiono porque as pessoas ficaram tão intolerantes, ou pior,  porque perderam o bom senso e a capacidade de ouvir. Sinto saudades de um tempo em que éramos mais humanos e menos críticos. Por sinal,  lembro que, quando adolescente, a maior critica que eu recebi foi ser chamada de “esquisita”, por ter um passatempo diferente. Diferente para os outros, claro.

Sobre esse tema, sou solidária aos gostos alheios. Acho incrível quem gosta de escalar montanhas, mesmo sabendo do risco de uma avalanche, ou quem decide ser bombeiro e enfrentar a “ferro e a fogo” o perigo de um incêndio de grandes proporções. Não nasci com esses rompantes de aventura, sou muito medrosa e o máximo de risco que corri até hoje foi escrever um diário que displicentemente deixo aqui e acolá. No geral eu sou muito simples e metódica.

Estava organizando meus armários e encontrei uma caixa que há muito não via. Eu tenho um hábito que está se tornando cada vez mais raro, até por vivermos num mundo digital; eu coleciono matérias de revistas. Eu adorava quando precisava ir para alguma consulta médica e me deparava com uma mesa lotada de revistas, algumas já fazendo aniversário. Eu torcia para que o médico atrasasse só para poder folheá-las com tranquilidade e, quando encontrava algum artigo interessante, eu pedia para destacar a página. Foi assim que comecei a minha coleção, motivo de risos entre meus irmãos, que se gabavam de possuir uma coleção de selos e moedas, e não páginas de revistas velhas.

Minha coleção cresceu bastante quando, ainda na Universidade, estagiei num escritório, sempre bem abastecido. Meus colegas de sala  soltavam piadinhas do bem, com exceção de Núbia, uma secretária muito esquisita. Ela me olhava com curiosidade e sempre perguntava qual a finalidade daqueles papéis; eu, pacientemente, explicava que os artigos eram como cápsulas de conhecimento, que uma hora ou outra, poderiam explodir, dependendo da minha necessidade. Ela franzia o cenho, em aparente desaprovação.

Depois de dez meses, meu estágio chegou ao fim. A última semana foi bem melancólica, mas combinei de rever os colegas. Umas duas semanas depois retornei e, para minha surpresa, lá estava Núbia, ocupando a “minha mesa” e, curiosamente, vestindo roupas semelhantes às minhas, até a armação de óculos era igual. Em cima da mesa, algumas revistas, uma tesoura e algumas pastas, exatamente das cores que eu tinha. Com um sorriso, olhou pra mim e disse:
– Ana, eu sou a nova você!

No mundo sempre existirão pessoas que vão gostar de você pelo que você é, e outras que vão lhe odiar pelo mesmo motivo, mas só nós sabemos de fato quem somos. Dito isso, informo que Núbia desistiu de mim; classificou-me como um caso clássico de excentricidade! Talvez eu seja mesmo. No ruído dessa Babel, sou mais o silencio das minhas palavras.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O LADO BOM DAS BACTÉRIAS DE ALESSANDRO SILVEIRA

Nesta quarta-feira a nossa DICA DE LIVRO continua na linha da saúde integral apresentando um livro que desmistifica as bactérias como agente danoso para o organismo humano. O lado Bom das Bactérias de Alessandro Silveira que vai lhe ensinar a criar um exército de bactérias que serão acionadas para trazer tudo aquilo de que você precisa. Especialista em microbiologia, Alessandro Silveira reúne nesta obra informações valiosas sobre esses seres microscópicos que habitam o corpo humano e que são de extrema importância. Vivendo em diversas partes do corpo, como intestino, pele e vagina, as bactérias formam um poderoso exército de defesa e proteção do organismo. O lado bom das bactérias é para todos aqueles que desejam saber mais sobre essa poderosa microbiota que vive dentro de cada pessoa. São aproximadamente cem trilhões de bactérias, responsáveis por inúmeras funções, dentre as quais criar condições de bem-estar e, inclusive, produzir felicidade. Alessandro mostrará como, por meio de medidas descomplicadas, você pode decifrar seu organismo e alcançar uma vida com plena saúde física, mental e emocional. Neste livro, você vai aprender: Como as bactérias são uma importante defesa natural do corpo humano; Sobre o funcionamento de antibióticos e a necessidade do uso adequado e sob orientação médica; Sobre a conexão entre intestino e cérebro e sua importância na manutenção do sistema nervoso central; Como o tipo de parto e amamentação influenciam toda a sua vida; Sobre o formato das fezes e como isso pode indicar possíveis alterações em sua saúde. Então o que está esperando?

Fonte: Acervo próprio

 

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DICA DE LIVRO: ANTITARJA PRETA DE PABLO VINÍCIUS

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é uma das melhores obras literárias que já tive a oportunidade de ler. Antitarjapreta, por incrível que pareça foi escrito por um psiquiatra. Não é preciso ser muito inteligente e nem mesmo ler a sinopse deste livro para entender que o seu conteúdo reprova o uso de remédios controlados, em especial os tarjas pretas, já que o próprio título já o denuncia. Obras com esta trás um novo alento para uma sociedade doente, totalmente dependente de remédios, pois mostra que uma nova geração de médicos e pesquisadores está mudando essa mentalidade.

Se você ainda não entendeu ou está curioso para conhecer um pouco do conteúdo deste livro, aqui vai a sinopse:

A vida real, com seus altos e baixos, tem levado muitas pessoas a se medicarem sem que os critérios terapêuticos estejam claros.

No entanto, ao contrário do que muitos podem pensar, os relacionamentos não mudam porque tomamos um remédio para suportá-los. O trabalho não muda só porque nos anestesiamos para aguentar a pressão, o excesso de demandas e o assédio moral. E o mundo à nossa volta não muda porque estamos vivendo à base de medicamentos.

Foi do consultório do dr. Pablo Vinícius que saíram os instigantes casos que você conhecerá neste livro: médico e pacientes iniciam uma jornada sem contraindicações rumo ao resgate do controle não apenas de suas emoções, mas de sua própria vida.

A verdadeira mudança precisa vir de dentro para fora, e o tratamento é passo a passo, não comprimido a comprimido.

Você prefere se enganar ou encarar essa questão cara a cara?

Pablo Vinicius é formado em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia e especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, em Saúde Mental pela Fiocruz e em Medicina do Sono pelo Instituto do Sono de São Paulo e pela Associação Brasileira do Sono. Fez mestrado em Ciências da Saúde na Universidade de Brasília, com atuação em neurociências e participou de um fellowship em Estimulação Magnética Transcranial na Universidade de Columbia, em Nova York. Atualmente é professor do curso de Medicina das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central, em Brasília, onde também é coordenador do Internato em Saúde Mental.

Fonte: Acervo próprio

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CRÔNICAS: TINHA TUDO PRA DAR ERRADO…POR ANA MADALENA

Quarta-feira é dia de CRÔNICAS com a nossa querida Ana Madalena que não para de surpreender com seus contos super imaginativos, alegres, divertidos e bem humorados. A história de hoje aborda uma linda história de amor que atravessou várias décadas e gerações e promete ser infinito enquanto dure. Portanto, convido você a ler mais essa crônica maravilhosa e emocionante!

Casamento casado feliz casal de mãos dadas, noiva e noivo, alianças | Foto Premium

Tinha tudo para dar errado…

O ano era 1961. Logo cedo, os noivos decolaram num teco-teco, do campo de aviação de Capim Macio, em Natal, rumo a Santana do Matos, cidade da noiva e onde seria o casamento, marcado para as dez horas daquela manhã. O piloto, amigo do casal, também era fotógrafo e, além de levá-los, faria as fotos da cerimônia. Diferentemente do que diziam, que noivos não podem se ver antes do casamento pois dá azar, os dois viajaram lado a lado, indiferentes aos ditados populares.  Ela, compenetrada, carregando no colo o bolo de casamento. Ele, nervoso, contando os minutos para estar em terra firme.
A chegada foi no horário previsto. Antes de irem para a igreja, deram uma passadinha na casa dos pais da noiva para se recompor e vestirem  seus trajes para a cerimonia. A viagem, embora curta, foi desconfortável para o noivo, que enjoou todo o percurso, coitado…  Ainda bem que naquele dia não choveu, muito pelo contrário. O céu estava limpo, sem nuvens; não houve turbulência, a não ser umas rajadas de vento que balançaram a aeronave. Por sorte, o piloto era experiente e fez um excelente voo. O bolo e a noiva chegaram intactos, já o noivo estava bastante pálido e, quando saiu do avião, beijou o solo, gesto copiado pelo Papa João Paulo II anos depois.
Minutos antes de seguirem para a igreja, um rapaz veio avisar que o padre chegaria atrasado. Todos falaram ao mesmo tempo:
– Quanto tempo?
O jeep, que o padre estava dirigindo para celebrar uma missa  no município vizinho tinha quebrado e ele voltaria de jegue, o que levaria o dobro de tempo. O pai da noiva saiu numa carreira só; precisava  avisar os convidados, que já estavam na igreja. Alguns voltaram para seus afazeres e outros, mais fervorosos, resolveram permanecer e rezar para que tudo desse certo.
Ao meio dia o sol estava a pino. A mãe da noiva se abanava, tentando em vão afastar o calor. A paisagem, árida, mostrava que aquele era mais um ano de seca; o açude da cidade estava praticamente vazio. Enquanto resmungavam sobre o tempo, imaginavam a situação do padre, conhecido por seu mau-humor e nervosismo. O noivo, que desde criança  tinha problemas de hipoglicemia, começou a dar sinais de que iria desmaiar. O corre-corre para acudi-lo foi grande. A noiva, aperreada, foi esquentar um pouco de leite, enquanto checava se a cobertura do bolo estava derretendo. Estava; o bolo praticamente desmoronou.
Finalmente anunciaram que o padre já estava na Igreja. Os noivos, ansiosos, deram os últimos retoques no visual e seguiram para finalmente selar a união. À entrada da igreja, o piloto, muito nervoso, pediu desculpas ao casal;  informou que esquecera de trazer a máquina fotográfica. A noiva ameaçou chorar! O pai, desolado, perguntou aos convidados se alguém tinha “aquele artefato”, já sabendo de antemão a resposta. O jeito foi acalmar sua filha e levá-la ao altar. O padre, faminto, fez o casamento numa ligeireza nunca vista  naquelas paragens.
O tempo passou e aquele longínquo 28 de maio pôde ser renovado mais duas vezes. A familia, composta por três filhos, logo deu netos. A  primeira netinha, que nasceu  próximo a data do casamento, teve sua primeira festinha de aniversário  junto com a comemoração das Bodas de Prata dos avós. Eles, empolgados e finalmente posando para as fotos, desejaram que pudessem viver juntos mais vinte e cinco anos. As Bodas de Ouro foram celebradas com tudo que tinham direito.
A vida desse casal, os meus pais, foi motivo de escrevermos dois livros de família com o objetivo de deixar um pouco de nós para gerações futuras. As conversas, que ouvi durante todos esses anos de convivência, estão guardadas como um tesouro naquelas páginas. Estamos partindo para o terceiro livro, com mais novidades, até porque a familia cresceu. Agora,  já  bisavós, completarão Bodas de Diamante essa semana, saudáveis e felizes. Eles nunca imaginaram chegar tão longe…
Parecia que tinha tudo para dar errado, mas graças a Deus deu tudo certo!
Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: MEDICINA DO AMANHÃ DE PEDRO SCHESTATSKY

Quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO e a nossa dica de hoje vai para a obra da Editora Gente “MEDICINA DO AMANHÔ, de Pedro Schestatsky.  A SAÚDE DO FUTURO COMEÇA MUDANDO HÁBITOS DE HOJE. Em um mundo mutante é necessário se reinventar todos os dias. Essa verdade vale para a nossa vida profissional e pessoal, mas e quando falamos sobre a nossa saúde? Estamos nos adaptando ou apenas vivendo as regras da Medicina tradicional ditadas há séculos por uma realidade distante da situação atual e na qual as mudanças aconteciam lentamente? Somos reféns de remédios que geram efeitos colaterais que exigem outros remédios e nos prendem nesse ciclo vicioso? Terceirizamos nossa saúde nas mãos de médicos e planos de saúde? Todas essas perguntas nos levam a uma resposta inquestionável: no momento atual, nossa relação com a saúde e com os medicamentos deveria ser diferente. A Medicina do amanhã é, portanto, o caminho para o autoconhecimento integral e para colocar na prática todas as informações e tecnologias disponíveis para melhorar nossa qualidade de vida e longevidade. Neste Best-Seller o autor mostra como é possível assumir o protagonismo da sua saúde em direção a uma vida mais saudável e longeva, utilizando a tecnologia a seu favor quando o assunto é saúde; Entender como uma relação diferente com seus médicos o ajudará a conquistar maior autonomia sobre sua vida; Descobrir que a criação da saúde é tão ou mais importante do que o tratamento da doença, e que a ausência de doenças é um “efeito colateral” desse novo foco; Resignificar o conceito “Medicina” e entender que ele não precisa ser sinônimo de algo reativo, que serve apenas àqueles que enfrentam problemas de saúde.

Fonte: Acervo pessoal

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CRÔNICAS: ESPORTE RADICAL, POR ANA MADALENA

O criativo, imaginativo e quase lúdico conto desta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS, de Ana Madalena fala de amizade e compara com esporte radical, no sentido de que uma verdadeira amizade é “para o que der e vier”. Mais uma incrível creação desta incrível escritora. Por isso convido você a fazer essa viagem e expandir a sua imaginação! 

Montanhismo | ACP

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos… Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.
                 Amigos, Vinicius de Morais

Esporte radical


Tudo começou com um dia de chuva, como há muito não acontecia. De repente toda a paisagem se modificou; a vegetação ficou mais verde e o sorriso voltou ao rosto daqueles que reclamavam do calor. Por algumas horas as pessoas  tiveram outro assunto, não só a política e pandemia. O clima é sempre motivo para iniciarmos uma conversa, desde que haja disposição das pessoas para tal. Laura devia achar coisa de “papinho” de elevador.

Somos vizinhas de porta e nos conhecemos exatamente dentro do elevador. Eu, que sou uma pessoa extrovertida, comentei da chuva que me pegou desprevenida, durante a caminhada. Qualquer pessoa que olhasse para mim teria feito essa leitura; a roupa encharcada deixava rastros. Laura fingiu que não tinha ouvido e ainda bem que só estávamos nós duas; ficaria envergonhada se outros vissem sua falta de educação e a minha tentativa inútil de fazer amizade. No geral, sou bem sucedida e não desisto facilmente.

Laura mora com a irmã, informação que escutei de Jorge, o rapaz da limpeza, um dia que veio recolher o lixo. Ele fala de todo mundo, é a radio corredor, como dizem aqui.  Eu fico só imaginando o que diz de mim, apesar da minha vida não ter nada de extraordinário. Talvez comente que faço  compras pela internet ou sobre as refeições que peço com entrega, principalmente pizza, às quartas e domingos. Certa vez, quando lhe pedi para trocar o garrafão de água, ele “soltou” que sou a única que faz pedido de pizza duas vezes por semana. Desde esse dia fiquei de orelhas em pé.

Sempre gostei de quebrar a rotina no meio da semana, ou com a turma da caminhada ou amigos da época da faculdade. Nunca consegui adesão dos meus colegas de trabalho; a desculpa deles é que no outro dia têm que acordar cedo, como se duas horinhas depois do expediente fosse atrapalhar o sono. Infelizmente, durante essa pandemia sem fim, não pude mais sair com meus amigos, mas meu ritual permanece o mesmo. Passo muitas horas do meu dia, sentada sobre meus ísquios, trabalhando feito louca, e mereço um pouquinho de alegria, nem que seja com sabor de queijo, tomate cereja e manjericão.

E foi numa quarta-feira que finalmente Laura conversou comigo. No início não foi bem uma conversa, mas uma constatação. Eu tinha descido para pegar a pizza e quando voltei percebi que ela estava sentada no hall. Olhou para mim e disse que sua irmã ainda não tinha chegado e ela esquecera a chave. Eu, que gosto de manter boas relações com vizinhos, sugeri que esperasse na minha casa. Ela, meio sem graça, aceitou.

Nossa primeira conversa foi quase um desabafo; disse que se sentia angustiada e não conseguia dormir há um bom tempo. O trabalho remoto também estava sendo muito cansativo e não via hora de trabalhar presencialmente, diferentemente da irmã que é da área médica e está na linha de frente nos hospitais, também motivo de muita preocupação. De repente, ela caiu no choro e eu, que sou uma canceriana dramática, não deixei que ela chorasse sozinha. Desde cedo aprendi que a dor do outro não é brincadeira, não é mimimi. Esse foi o começo da nossa amizade, em meio a fatias de pizza e lágrimas, há pouco mais de um ano.

E foi exatamente sobre isso que estava pensando; dificilmente lembramos o exato momento quando nasce uma amizade; ainda bem que tenho boa memória e “feeling” para escolher amigos. Para mim, a amizade está no mesmo patamar dos esportes radicais; é para o que der e vier!  E sim, estou contando essa história também para dizer que estou com saudades de vocês! Até a próxima quarta!

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: A INCRÍVELCONEXÃO INTESTINO CÉREBRO DE CAMILA ROWLANDS

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é “A incrível conexão INTESTINO CÉREBRO” de Camila Rowlands, onde você vai descobrir a relação entre as emoções e o equilíbrio intestinal. Nunca antes tinha sido revelado com tal claridade a enorme verdade que encerra o aforismo “somos o que comemos”. Porque nunca antes tinha visto tão claramente que o medo, a ira, o amor, a felicidade, a paz do espírito, o equilíbrio emocional. (em definitivo, o que somos e o que vivemos) são assuntos das vísceras e que talvez, nelas habite e se expresse o esquivo subconsciente. Até há pouco tempo acreditava-se que o comando absoluto sobre o resto dos órgãos era exercido pelo cérebro, que desde o alto dirigia, por exemplo, a atividade intestinal. Assim, o intestino era considerado pela ciência tal qual mero subordinado que acatava as ordens desse chefe todo poderoso que habita a zona nobre da torre. Contudo, hoje se sabe que o intestino tem o mesmo grau de importância que o cérebro cranial. Isso é assim, a ponto de que se fala de um segundo cérebro e não em sentido metafórico. O intestino é, literalmente, nosso segundo cérebro. Você precisa ler este livro incrível e conhecer quem realmente comanda o nosso corpo!

Fonte: Acervo próprio

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CRÔNICAS: SE ESCREVE MÃE…POR ANA MADALENA

Na coluna CRÔNICAS desta quarta-feira a nossa colaboradora Ana Madalena faz uma bela e singela homenagem, não apenas as mães biológicas, mas também as madrastas e as mães adotivas e coloca todas no mesmo patamar, pois exceções a parte o que impera nos relacionamentos mãe e filho, madrasta e enteado, mãe adotiva e filho adotivo, na verdade é o amor. E o amor não tem marca registrada, não tem DNA, nem sinal de nascença. O amor incondicional é universal e é justamente o que viemos aprender nessa trajetória evolutiva. Então fique com a leitura de mais uma crônica maravilhosa da nossa escritora favorita!

“Amor igual ao teu, eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual, eu nunca mais verei
Amor que não se pede, amor que não se mede,
Que nao se repete”.
                 Onde você mora, Nando Reis 

Se escreve mãe…


Li certa vez que a literatura poderia ser um ramo da biologia e que as palavras deveriam ser tratadas como seres vivos pois, de uma hora para outra, podem decolar do papel e sair por aí, sem destino. Eu concordo e por isso tenho muito cuidado; certas palavras reverberam tão alto que a gente nunca sabe como pode ser recebida, e, por conseguinte, afetar os outros.

Domingo foi comemorado o dia das mães. A palavra “mãe” por si só já vem com dose extra de carga emocional. Mãe se traduz com praticamente todas as categorias gramaticais; é realmente um fenômeno. Inversamente proporcional é a sua prima injustiçada, a madrasta. A mulher que exerce esse papel geralmente é vista com lente de aumento. Ela é uma malabarista, vive eternamente equilibrando pratinhos: não gerou a criança mas ainda assim tem certas responsabilidades. Ela já entra em desvantagem, em família construída, com  hábitos arraigados. Raramente a madrasta sai do papel de coadjuvante; há sempre um dedo a lhe apontar lembrando que ela não é “a mãe”.

Existem inúmeras histórias bem sucedidas de convivência entre enteados e madrastas mas houve um tempo que “madrasta” era quase um palavrão, talvez amparado pela madrasta má da Cinderela. Essa sim, tinha muito do que se queixar. Ali, não sei quem era pior, a madrasta ou as meia irmãs invejosas. Por falar em meia(o) irmã(o), a impressão que tenho quando alguém enfatiza isso, é porque não quer a pessoa por inteiro. Quando existe afeto, ninguém fraciona parentesco, nem sentimento.

Eu não sabia que existia o dia da madrasta,  primeiro domingo de setembro. Confesso que só me interessei pelo assunto por um post que minha cunhada enviou parabenizando-me pelo dia das mães. Ela é uma excelente madrasta para meus sobrinhos. Aliás, eu nem a chamo de boadrasta; na minha cabeça o prefixo é o que realmente significa, maternal, mater, madre. Ela está sempre de braços e coração acolhedores e, diferentemente da insegurança de algumas mulheres, nunca quis tomar o lugar da mãe. Ainda bem que o amor não tem quantidade estabelecida, sempre transborda. E não importa de onde venha, porque a maternidade não é sobre gerar, mas sobre sentir. Feliz do filho que sente esse amor.

E sobre sentir, que o digam as mães que adotam crianças. Sem a explosão hormonal, elas recebem nos braços uma criança que, na maioria das vezes, lhes chega de repente.  Como reconhecer naquela criança uma parte de você? Por sorte, essas mulheres geralmente decidem ser mães quando já se esgotou a possibilidade de gerar um filho. Aí,  acontece um milagre: todo aquele amor acumulado nas várias tentativas da maternidade, recai na criança. A maternidade adotiva também produz um hormônio, a ocitocina, que “nasce” por meio de afetos positivos. Apesar da não existência da parte biológica, gestação e amamentação, o cérebro da mãe adotiva com o passar do tempo se comporta semelhante ao da mãe que deu à luz. Só para constar, não diferencio filho, nem mãe adotiva. São filhos e mães. E ponto.

O dia das mães é uma data bastante comercial e que movimenta, além da economia, o coração. Confesso que me emociono sempre com as mensagens publicitárias e seus textos belíssimos. Infelizmente, essa data não foi celebrada em muitas famílias; a pandemia tirou a vida de mães e filhos no mundo todo. Ainda bem que a maternidade se traduz também em colo e, tomara Deus, alguém, da rede de proteção dessas famílias, cuidará de preencher um pouco esse vazio.

Espero que no próximo ano possamos celebrar esse dia juntos, sem distanciamento, nem máscaras. O mundo está carente de tudo, principalmente de afeto. E por falar em afeto, vamos lembrar que se escreve “mãe”, mas significa “amor”.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: COMO SE TORNAR SOBRENATURAL, POR JOE DISPENZA

Como todos sabem quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO aqui no Blog do Saber e hoje tenho o prazer e a honra de indicar um livro que vai abrir a sua cabeça e mudar a sua vida completamente: Como se tornar sobrenatural, pessoas comuns realizando o extraordinário. Neste livro, Dr. Joe Dispenza baseia-se em pesquisas realizadas em seus workshops avançados desde 2012 para explorar como as pessoas comuns estão realizando o extraordinário para transformarem a si mesmos e suas vidas.

Depois dos fantásticos best-sellers Quebrando o hábito de ser você mesmo e Você é o Placebo, Sobrenatural une as informações científicas mais profundas e avançadas com a sabedoria antiga para mostrar como pessoas como você e eu podemos experimentar uma vida mais mística. Os leitores aprenderão que somos literalmente sobrenaturais por natureza, se recebermos o conhecimento e as instruções apropriados. Quando aprendermos a aplicar essas informações por meio de várias meditações, seremos capazes de experimentar uma expressão maior de nossas habilidades criativas; teremos a capacidade de sintonizar frequências além do nosso mundo material e receber fluxos de consciência e energia mais ordenados e coerentes; poderemos intencionalmente mudar a química do cérebro para iniciar experiências transcendentais profundamente místicas; e ainda, em um nível mais avançado, poderemos desenvolver a habilidade de criar um corpo mais eficiente, equilibrado e saudável, uma mente mais ilimitada e maior acesso aos reinos da verdade espiritual.

Fonte: Amazon

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CRÔNICAS: ONDE AS ESTRELAS BRILHAM, POR ANA MADALENA

Quarta-feira é dia de Ana Madalena aqui na coluna CRÔNICAS com suas criativas e exuberantes histórias. Quero confessar algo: também sou escritor, mas não tenho tanta criatividade assim. Isso é um dom extraordinário, uma benção de Deus que veio brilhar, ilustrar e enriquecer o Blog do Saber. Então lhe convido a ler “onde as estrelas brilham” e surfar na imaginação dessa autora fantástica!

Onde as estrelas brilham

Chovia muito. Estava vindo com meus pais de Angra dos Reis, onde havíamos passado o carnaval. A casa que alugamos era bem localizada e logo fiz amizades. Todos pareciam gostar de mim, principalmente uma senhora muito elegante, que estava sempre fumando. Naquela época era charmoso ser fumante, talvez porque as pessoas não soubessem o que fazer com as mãos, principalmente nos momentos de solidão. Hoje todos têm um celular.

A casa de D. Clarice era cheia de livros. Ela tanto gostava de ler quanto escrever; passava  muito tempo datilografando. Às vezes sentava numa poltrona, onde apenas pensava… Aliás essa  poltrona era perto de uma janela que dava vista para a janela do meu quarto, onde, à noite, eu também sentava para escrever meu diário. De longe podia vê-la e lhe acenava.

Fiquei assustada na primeira vez que ela falou comigo. Tinha um jeito esquisito, um sotaque estranho, mas depois me confidenciou que tinha a língua presa, embora  todos pensassem que era porque ela era da Ucrânia. Perguntou se podia ler o que eu escrevia no meu caderninho, se eram histórias. Comentou que as crianças que conhecia não gostavam de ler, muito menos escrever.

 – D. Clarice, é só um diário. Não sei contar histórias. Na verdade estou escrevendo porque sei que quando voltar para o colégio, a professora de português vai pedir uma redação sobre as férias. Eu já estou deixando quase pronta; terminarei amanhã, quando voltarmos para o Rio.

Ela disse que também voltaria no dia seguinte.   Na despedida perguntou se eu gostava de escrever cartas. Imediatamente trocamos endereços; ela, saudosa, comentou que gostava muito do Nordeste, principalmente das praias de águas mornas. Disse-me que na infância tinha morado em Recife e que o pai a levava bem cedinho para tomar banho de mar. Convidei para vir a Natal.

Depois do café eu e meus pais arrumamos toda a bagagem e também o que sobrou da feira. Iríamos passar mais uns dias no Rio, no apartamento da minha tia. Meu pai, muito precavido, foi cedo ao posto de gasolina para encher o tanque do carro. Ele nunca deixou chegar nem a meio. Partimos pouco depois das dez, mas no meio do percurso caiu um temporal daqueles. Era cada pingo de encher um balde. Na entrada da Avenida Brasil a água acumulada já estava cobrindo o capô dos carros e, do nada, apareceram pivetes querendo nos assaltar. Foi dramático! Conseguimos desviar do nosso caminho por horas; ficamos totalmente perdidos. Ainda bem que tínhamos combustível.

Por sorte, nos abrigamos em frente a uma escola, num elevado, onde haviam outros carros, todos esperando baixar as águas. De repente ouvi choro de crianças, que reclamavam de fome e sede. Lembrei da feira que tínhamos trazido e comecei a distribuir biscoitos, pão e chocolate. Meus pais estavam muito preocupados mas eu, inocente dos perigos, me espalhava entre os ilhados, conversando com  todos. E foi passando pelos carros que escutei alguém me chamando. Era D. Clarice.

-Ana, querida, que bom lhe ver. Um rosto familiar na multidão. Fique um pouco comigo.

Entrei no carro e conversamos bastante. Ela falava pausado, profundo. Eu, ao contrário, falava sem parar. Teve até um momento que eu mesma me toquei e disse:

– Desculpe, D. Clarice. Eu tenho esse defeito. Prometo me controlar. Minha mãe diz que sou tagarela demais!
– Minha querida, não mude em nada. Às vezes nosso maior defeito é o que sustenta nosso edifício Inteiro.

A chuva parou. Os carros começaram a se dissipar e nos despedimos com um abraço, daqueles “para nunca mais”.

Tempos depois, perto do Natal, estava montando a árvore com minha mãe quando noticiaram no telejornal o falecimento de uma grande escritora. Na hora não dei muita atenção, até que disseram o nome. Corri para a frente da tela e reconheci minha amiga. Era D. Clarice Lispector.

Bem, essa história poderia ter acontecido comigo mas foi apenas um sonho. E eu escrevi simplesmente para não esquecer.
Saudades Clarice…

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O SENTIMENTO É O SEGREDO DE DEVILLE GODDARD

Quarta-feira é dia da coluna DICA DE LIVRO e como não poderia deixar de ser estamos dando mais uma de primeira linha. O Sentimento é o Segredo, de Neville Goddard. Este livro é a essência destilada de anos e anos de estudos bíblicos e metafísicos e das muitas palestras que o autor ministrou. Segundo Neville, seria muito mais fácil se ele tivesse  dez vezes mais o seu tamanho, mas o objetivo dele é dar a você leitor um guia prático e direto para que você reconheça e desenvolva o divino poder da consciência que você possui. Por isso o autor procurou condensar ao máximo esse assunto, pois como estudante, você sabe que para se lembrar de todo o seu conhecimento na hora da prova, você precisa estudar a matéria várias vezes. Portanto este é um livro que você não só poderá, mas deverá lê-lo várias vezes, se tornando seu livro de cabeceira!

Foto: Amazon

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CRÔNICAS: DIA DESSES…POR ANA MADALENA

Quarta-feira é dia da coluna CRÔNICAS aqui no Blog do Saber e sempre com a maravilhosa participação da nossa colaboradora Ana Madalena, com os seus contos muito criativos. Hoje o destaque vai para um romance inacabado, que num encontro casual trouxe lembranças do passado para ambos, um momento de nostalgia e um tanto de melancolia. Um dentre tantas histórias de relacionamento com começo, meio e fim tão semelhantes, mas com certeza únicas!

Como encontrar o amor depois da separação

“As vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois…
Eu fico aqui sonhando acordada,
juntando o antes, o agora e o depois.. .”
           Sozinho, Peninha

Dia desses…


Alguns pontos finais não são simples opções,  e ela sabia disso como ninguém. Foi preciso coragem para abrir mão de uma história, sem saber, previamente, se era o rumo certo a tomar. A sensação que tinha era de completo abandono, mesmo tendo sido ela a responsável pelo seu destino. Desde a separação carregava trovões dentro do seu peito. Nunca mais conseguiu dormir bem.

Há muito não se viam. Foi quase um susto quando seus olhares se cruzaram naquela escada rolante do shopping. Estavam em sentidos opostos, como sempre. Um esperou que o outro falasse algo. Ela sabia que se não tomasse a iniciativa…. Criou coragem e disse que estava feliz em vê-lo. Sugeriu que se encontrassem no piso inferior, para onde ele parecia estar seguindo. Balançando a cabeça, ele concordou. Ela acelerou o passo, sem saber se ele realmente estaria esperando. Estava.

 Deram um longo abraço. Em princípio conversaram amenidades, como velhos amigos. Depois, como não poderia deixar de ser, vieram as perguntas dificeis. Ele perguntou se a mudança de país e o doutorado tinham sido boas escolhas e se ela estava realizada. Sim, respondeu sorrindo, embora seu olhar fosse triste. Seu pensamento era um só: como pude deixar meu grande amor? Ela comentou sobre o casamento dele e dos filhos lindos. Vira a foto no Instagram. Ele disse que os filhos eram seu maior tesouro.

Quis voltar no tempo, para um dia qualquer, desde que fosse com ele. Acordariam juntos, pegariam uma praia, talvez até fizessem uma caminhada, depois comeriam um peixe ao molho de manga, seu prato preferido. No fim da tarde poderiam assistir um filme, com um balde de pipocas, que eles devorariam nos primeiros minutos. Se fosse noite de lua, poderiam dançar no jardim, onde, quem sabe, fariam lindas declarações de amor e ele pediria sua mão em casamento, outra vez…

– Você é feliz? Ambos perguntaram ao mesmo tempo. Nenhum dos dois respondeu. Mudos, seguiram até o final do corredor, onde cada um tomou uma direção. Enquanto caminhavam, não resistiram e olharam para trás . Foi a última vez  que seus olhos se viram; os dela, inundados de amor… Tentou lembrar o começo daquela historia, a magia do encontro. Depois as dificuldades do meio, as diferenças irreconciliáveis. E por fim, o fim. Sua partida, o casamento cancelado, o adeus.

Deu um longo suspiro e se perguntou: será que um dia serei feliz outra vez?

Ana Madalena
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POESIA: O PEQUENO PRÍNCIPE DE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY, POR JÚLIA DREBTCHINSKY

Nesta sexta-feira vamos de TODA POESIA, aqui na coluna POESIA, com Júlia Drebtchinsky apresentando um trecho de “O Pequeno Príncipe”, livro de Antoine de Saint-Exupéry. Júlia Drebtchinsky é Diretora, Diretora de Câmera, 2ª assistente de câmera e Logger. Assista, curta e aprecie!

Fonte:

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DICA DE LIVRO: O SENTIMENTO É O SEGREDO DE NEVILLE GODDARD

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é O Sentimento é o Segredo, de Neville Goddard. Este livro é a arte de realizar o seu desejo. Ele dá conta do mecanismo utilizado no mundo visível. É um livro pequeno, mas não superficial. Há um tesouro nele. Um caminho claro e definitivo para fazer seus sonhos virar realidade. Se fosse possível levar convencimento a outrem por meio de argumentos fundamentados e exemplos detalhados, este livro seria muitas vezes o seu tamanho. Portanto é um livro que você não pode deixar de ler depois que toma conhecimento da sua existência, sob pena de perder a oportunidade de dar um salto quântico na sua evolução!

Imagem: Amazon

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CRÔNICAS: ROTINA, POR ANA MADALENA

Hoje é quarta-feira, feriado de Tiradentes! Como todas as redações dos maiores jornais e meios de comunicação do país param em feriados nacionais este modesto e humilde blog também poderia dar um tempo, mas quando se tem mentes talentosas, acima da média, trabalhando em tempo integral, não podemos nos dar ao luxo de omitir, postergar ou ignorar uma produção literária da mais alta categoria e criatividade. Por isso temos que honrar a criatividade, o talento e a produtividade dos nossos colaboradores. Principalmente, quando esses colaboradores é quem nos proporciona essa maravilhosa audiência. Portanto vamos ficar agora com a leitura da CRÔNICA Rotina da talentosa Ana Madalena! 

Rotina no home office: como equilibrar com a vida pessoal - G&A Comunicação Corporativa
Talvez você tenha um amanhã
Talvez você tenha amigos
Talvez você até tenha tempo para dar e vender
Mas algumas pessoas só têm o hoje, igual a todos os hojes…

Rotina 

Dormia com a janela aberta, mesmo sabendo que o sol entraria muito cedo. Não era de acordar tarde, mas também não queria saudar o astro rei. Usava máscara nos olhos para evitar a claridade; tinha fotofobia. Todos os dias ela acordava “na marra”, quando sentava na beira da cama, fazia suas orações e finalmente se levantava.

Era reservada, mas não perdia oportunidade de saber da vida alheia. Ao lado da sua casa havia uma obra. Logo cedo os pedreiros se reuniam para o café, ao mesmo tempo em que ela preparava o seu. E enquanto aguardava as  torradas ficarem prontas, apurava os ouvidos para saber das fofocas dos trabalhadores. Há alguns dias acompanhava o romance de um deles com uma mocinha da sua rua. Estava indignada. Ela era de menor e ele era casado. Qualquer dia contaria tudo! Onde já se viu?

Outro pedreiro, José, um sujeito calmo, cheio de predicados, comprara um carrinho usado para presentear a esposa. Há alguns meses estava apertado para pagar as prestações. Não fez as contas do custo de manutenção e a gasolina tinha aumentado bastante. A esposa não queria mais andar de ônibus; dizia que era coisa de pobre. Ele, muito apaixonado, arranjara outro emprego, dessa vez como vigia. Passava os dias cansado e cochilando pelos cantos. Na única folga, dormia o dia todo enquanto a esposa reclamava que queria passear. Ele pensou que com a pandemia ela fosse se aquietar, afinal era obesa e tinha pressão alta…

Fátima adorava escutar essas histórias mas tinha que sair para caminhar; dava voltas e mais voltas no quarteirão. Na pracinha, fazia musculação numa dessas academias ao ar livre. Não gostava de se exercitar, mas era importante para sua saúde. Felizmente as pessoas da sua rua eram tão disciplinadas quanto ela. E entre um exercício e outro, procurava saber da artrite de D. Celeste, o machucado de S. Luís e a saúde da filha de D. Arlete, uma história triste, sem solução. Sabia que ela precisava desabafar suas dores e a ouvia com atenção. Vez por outra aconselhava, conselhos ótimos, por sinal. Ela própria se sentia a melhor psicóloga do mundo quando alguém lhe dizia que suas palavras surtiam efeito. E no íntimo ela pensava porque ela própria não se ouvia…

Voltava pra casa louca por um banho. Sempre reclamava do calor! Daí até o horário de almoço era em home office, sem chance de levantar para nada. Odiava aquele emprego mas diante da situação do país, melhor continuar. Pelo menos tinha um fixo, carteira assinada, férias e décimo. Ao meio dia fazia seu almoço, mas quando não estava inspirada, comia macarrão instantâneo mesmo. Às vezes nem isso; apenas um suco para ter tempo de dar um cochilo.

À tarde digitava o relatório das cobranças que tinha feito pela manhã. Ela negociava as dívidas dos clientes de uma corretora de imóveis. Algumas vezes fechava ótimos acordos, mas no geral ouvia xingamento de todo tipo. Estava tão acostumada com a gritaria no “pé do ouvido” que até abstraía; geralmente ficava escolhendo uma nova série, enquanto vez por outra dizia um “compreendo, senhor”.

Às 18.00h se ajoelhava diante da imagem de N. S. de Fátima, de quem sua mãe era devota,  e agradecia por outro dia de trabalho. Depois se vestia com apuro e ia para a parada de ônibus. Ali, puxava conversa com alguém disposto a uma prosa e inventava histórias sobre uma vida completamente diferente da sua, talvez sonhando em voz alta. Se a conversa estivesse boa, pegaria o mesmo ônibus do ouvinte, fingindo fazer o mesmo percurso. Ou, do contrário, voltaria para o silêncio da sua casa, onde jantaria qualquer coisa. Depois, assistiria tv e pegaria no sono por volta da meia noite, com a janela aberta, até que o sol entrasse novamente no seu quarto, às cinco e quinze, dezesseis, dezessete…

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: DESTINO AUSTRÁLIA, COMO ME TORNEI RESIDENTE NA AUSTRÁLIA SEM SAIR DO BRASIL, POR NATHÁLIA BRAGA

É com prazer e orgulho que dou a DICA DE LIVRO desta quarta-feira, pois é o primeiro livro de autoria da minha filha mais velha, Nathália Braga, cujo título é, “DESTINO AUSTRÁLIA: como me tornei residente na Austrália sem sair do Brasil”. Um livro maravilhoso que conta a trajetória da autora para alcançar um objetivo tido como quase impossível, que é sair do Brasil para morar na Austrália com um visto de permanência, equivalente ao Green Card nos Estados Unidos, sem nunca ter posto os pés no seu destino antes, a Austrália. A seguir um artigo publicado no site saibamais.jor.br, cujo conteúdo foi extraído de uma entrevista feita com a autora. Convido você, que sonha com isso a ler o artigo e depois adquirir o livro numa das fontes citadas no final desta publicação.

Potiguar conta como se tornou residente na Austrália para ajudar quem deseja morar fora

 

Na Austrália há três anos, a potiguar Nathalia Braga resolveu compartilhar sua experiência para ajudar aqueles que se interessam em fazer esse tipo de mudança. No livro “Destino Austrália: como me tornei residente australiana sem sair do Brasil”, ela explica detalhes dessa jornada.

Nathalia é natalense, arquiteta e urbanista, mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e explica que resolveu escrever para mostrar o caminho e as dificuldades que encontrou:

“A gente encontra várias barreiras, mesmo em ambientes corporativos, não é fácil a adaptação. A gente tem que ser muito resiliente, resistente e se adaptar à cultura, à forma de trabalhar e ver o mundo, que é totalmente diferente da nossa no Brasil”.

Nathalia já migrou como residente, ao contrário da maioria que costuma viajar com visto de estudante e após encerrado o período tenta a residência. “Às vezes demora muitos anos ou não consegue e volta. Eu não passei pelo processo de ser estudante. Fui com o visto 189 Skilled Independent para profissionais”, disse Nathalia.

O governo australiano possui uma lista de demanda de profissionais para imigração de estrangeiros com permissão de trabalho sem limitações e sem prazo para a estadia acabar, algo parecido com o “green card” nos EUA. Esses vistos também dão direito aos benefícios do governo, como acesso ao sistema de saúde pública.

“É um visto permanente. Não expira, posso ficar aqui o quanto eu quiser, só preciso ficar renovando, acho que de cinco em cinco anos, e me dá a oportunidade de aplicar para cidadania depois de quatro anos, que é o que vou fazer no final desse ano. Eu sou quase cidadã, só não tenho passaporte e não posso votar ainda, mas depois vou poder”, contou Nathalia.

A migração é condicionada ao conhecimento da língua inglesa, mas Nathalia adverte que o inglês australiano é bem diferente do americano, o que os brasileiros estão mais habituados a ouvir e estudar.

Ela conta ainda que a ideia inicial do livro surgiu como uma forma de autoterapia, um diário sobre sua adaptação à nova morada. E inclui aspectos e informações sobre cultura australiana, busca por emprego, ambiente corporativo, relacionamentos e regras de comportamento.

“Lógico que foi na minha experiência, mas acho interessante. Dou dicas para procurar emprego, lugares para morar, falo um pouco da cultura, gírias, várias coisinhas que pode ser interessante pra quem tá pensando em vir”, resume.

“Destino Austrália: Como me tornei residente australiana sem sair do Brasil” está à venda em livrarias do Brasil e disponível na Amazon. Acesse também o site do projeto: destinoautralia.com.br.

Fonte: Saibamais.jor.br

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CRÔNICAS: O ABC DO AMOR, POR ANA MADALENA

Quando a gente lê uma crônica da talentosa escritora Ana Madalena acha tão maravilhosa que já fica imaginando o que ela vai inventar na próxima. Dona de uma imaginação pra lá de fértil Ana tem envolvido e conquistado muitos leitores e fãs com as suas criativas CRÔNICAS às quartas-feiras, aqui no Blog do Saber. A cônica de hoje superou todas as minhas expectativas imaginativas. Um show de criatividade, bom gosto e competência no ato de escrever. Então convido você a ler O ABC do amor e depois deixe aqui o seu comentário sobre a leitura!

O ABC do amor

Querida vogal.

Aconteceu no meio da manhã , acho que de uma quinta feira. Naquele dia eu acordei toda feliz. Tinha sonhado com vogais e semivogais a noite toda! Parecia que estava advinhando…

Nosso primeiro encontro foi hilário! Eu descendo aquela escada, degrau por degrau, ele pulando dois ou três… De repente, parou e disse “oi”. Eu apenas acenei e  fui logo dizendo que estava com pressa, precisava escrever a minha parte de um livro. Ele, para introduzir um dígrafo falou: – Está de carro? Não, respondi, mas estou com meu pai.  Falei isso para ele saber que estava protegida. Não podemos confiar em qualquer letrinha! Nem nas maiúsculas! Ironicamente ele perguntou: – Você é a letra dos olhos do seu pai? Sim, claro, até porque ele foi meu primeiro ditongo crescente, respondi antipatiquinha. Mas, mesmo apesar do meu tom, ele pediu meu abecedário e eu, pasme, dei. Sou louca, pensei. Como alguém diz onde mora à uma letra estranha?

Contei tudo à minha mãe! Para minha surpresa ela disse que foi uma boa intuição.
-Às vezes conhecemos um alfabeto inteiro mas casamos com um sinal gráfico. Suas irmãs não tiveram sorte… Terminaram várias vezes com um ponto de interrogação, enquanto essa letra veio para você acompanhada de exclamação. Que sorte a sua!

Sim, concordo com minha mãe. Foi sorte, destino, encontro gramatical, tudo isso junto.
Nossa convivência sempre foi maravilhosa. Claro que, como todo casal, temos medo de uma reforma ortográfica, mas não pelos motivos que a maioria pensa. Nunca tivemos problemas em ser vogal crescente ou decrescente, até porque dependendo de onde estamos, desempenhamos os dois papéis. Sabemos dividir bem as tarefas.

Agora confesso que estou um pouco preocupada. Por causa dessa pandemia, minha vogal tem ficado muito apática.  Diz que  se sente sufocada, como apagada por uma borracha , ficando só um borrão. Eu conheço bem essa sensação. Já tentaram me apagar um dia, mas juntei todas as minhas forças e fiquei mais evidente do que nunca!

A pandemia tem sido um grande problema para todos nós do alfabeto, do A ao Z. Muitas letrinhas têm se queixado da vida. Eu tenho procurado fazer minha parte. Evito aglomeração, principalmente com alguns verbos. Minha sorte é que nossa casa está cheia de nossas minúsculas, lindas vogais e semivogais, que nos trazem muitas alegrias. Sei que um dia serão adultas e iniciarão  seus parágrafos. É o curso natural da vida. Não, não quero falar nisso agora. Vou deixar para sofrer de alfabeto vazio quando chegar a hora. Como diz  minha vogal caçula, meu eu do futuro resolverá  esse problema.

Espero não ter gerado preocupação em você.  Estamos bem. Falei para meu amor que estava escrevendo para você. Ficou feliz. Não expressou com palavras, mas seu olhar disse tudo. Sim, eu entendi. Depois de tantos anos, muitos substantivos e principalmente adjetivos, os olhares falam por nós…

Fique bem. Em casa! E não esqueça de colocar o acento circunflexo quando sair!
Sua amiga,

Ana Madalena

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DICA DE LIVRO: O PODER DA CONSCIÊNCIA DE NEVILLE GODDARD

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é o livro do místico Neville Goddard, O Poder da Consciência. Um excelente livro que irá aumentar o seu nível de consciência sobre a vida e sobre a si mesmo. O poder da Consciência mostra através de argumentos lógicos que os nossos pensamentos formam a nossa realidade. Principalmente, quando focamos a nossa atenção, em nossa imaginação, afim de sermos melhores do que já somos.

“Se você não se imaginar sendo diferente do que você é, então você continuará a ser como você é”.

Este livro vai mudar a sua vida, tenha certeza!

Fonte: imagem da Amazon

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CRÔNICAS: O RECADO, POR ANA MADALENA

Já está se tornando bastante redundante os inúmeros elogios que faço, aqui na coluna CRÔNICAS a nossa colaboradora Ana Madalena. Acontece que ela não para de surpreender, de se superar e de crear, crear e crear. Então, não tem como não elogiar, né? A crônica desta quarta-feira é sobre relacionamento, união e separação. Vale a pena conferir!

Temos que aprender a deixar ir aqueles que não estão prontos para ficar em nossa vida

” Deixa, deixa mesmo de ser importante
  Vai deixando a gente pra outra hora 
  E quando se der conta já passou
  Quando olhar para trás, já fui embora”.
          Eu sei de cor, Marília Mendonça 

O recado

Estamos carregando pesos desnecessários; vamos fazer uma triagem, levar apenas o que  for preciso. Essa frase foi dita por meu instrutor de trilhas. Cada um olhou sua bagagem, eliminando itens; eu fiquei com a mochila quase vazia e, pela primeira vez na vida, me permiti simplesmente aproveitar o momento.

Meu casamento vinha num desgaste grande. A impressão que eu tinha era que tudo o que nos uniu, depois nos separou. Eu, por exemplo, achava engraçado o fato dele ter um jeito meio selvagem quando cozinhava, tipo Rodrigo Hilbert, com a gritante diferença que ele não se parece com o ator, nem a comida era saborosa. Eu gostava desse seu jeito porque via o empenho em querer me agradar.

Em contrapartida, eu adorava fazer surpresinhas, principalmente no meio da semana. Eu organizava uns jantares a luz de velas, sempre ao som de clássicos, como Mozart ou Bach, seus preferidos. Ele dizia que contava os minutos para chegar em casa, que eu era maravilhosa, a melhor mulher do mundo. Bem, segundo ele, eu era, do verbo não sou mais. Nos últimos tempos ele começou a chegar cada vez mais tarde, pouco importando se eu tinha feito um jantar bacana, ou comprado seu vinho favorito.

Os finais de semana eram os piores dias; ou ele dormia o dia inteiro ou enchia a casa de amigos para ver algum jogo, deixando um rastro de bagunça na cozinha de dar arrepios. Eu vivia ansiosa, soprando saquinhos. Alguém me disse que ele estava querendo pular fora e estava aprontando todas para deixar a decisão nas minhas costas. Até que um dia, minha filha de seis anos comentou que tinha uma amiguinha de colégio cujos pais estavam separados e que tinha sido melhor assim.

Entendi o recado. A caçula, de um ano e meio, nem sentiria a ausência. Ela nasceu num período conturbadíssimo e ele praticamente a rejeitou. Daquele dia em diante, a ideia da separação não saiu da minha cabeça… Resolvi fazer um jantarzinho surpresa, no meio da semana, exatamente como tantos que fiz, para abordar o tema. Claro que ele chegou quase duas horas depois do combinado, mas aí eu já estava tirando tudo de letra. Virei a pessoa mais zen do mundo! Coloquei, de propósito, Requiem, em Ré menor, de Mozart, e aguardei.

Ficou nervosíssimo! Depois de debochar, dizendo que eu estava com frescura, que devia ser culpa da TPM, que eu estava louca… Ri, até porque nunca sofri com tensão pré-menstrual; a única tensão que vivi até hoje foi pré-divórcio. Ele engasgou, se fez de desentendido, mas fui firme. Se há uma coisa que aprendi na vida é que contra fatos não há argumentos. Listei todas as coisas que ele deixou de participar na vida das meninas, passei na cara a vida de solteiro que ele estava vivendo, e…

Observei que depois de um tempo ele deixou de argumentar, percebi até um sorriso nos lábios, quase aliviado por eu ter tomado a decisão. Apresentei um esboço de guarda compartilhada, onde as crianças não saem de casa; elas permaneceriam comigo e, nos dias dele, eu me mudaria para casa dos meus pais. Não queria que minhas filhas ficassem para lá e para cá. A novinha precisa do seu cantinho, é um bebê. Claro que essa fórmula será interessante até o dia que um de nós dois quisermos ter outro relacionamento. Até lá faríamos assim. Para meu espanto, ele concordou com tudo.

Aprendi que precisamos colocar pontos finais na nossa vida. Não é fácil, é preciso coragem;  adiei decisões pensando unicamente nos outros. Não posso dizer que não sofri, que não fiquei triste. Claro que sim! Mas, como diz uma amiga, tristeza mesmo são duas aulas de matemática seguidas. Estou bem. Sei que o amor “para sempre” é raro; feliz de quem o possui. Agora vou viver mais leve, aproveitar a vida com as crianças; não vou mais carregar pesos desnecessários.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: WINSTON CHURCHILL, UMA VIDA, DE MARTIN GILBERT

Nesta quarta-feira, aqui na coluna DICA DE LIVRO você vai saber COMO FOI A VIDA DE UM DOS POLÍTICOS MAIS EMBLEMÁTICOS DA HISTÓRIA MODERNA, ao ler o livro Winston Churchill, uma vida, escrito pelo seu biógrafo oficial, o historiador mundialmente consagrado Martin Gilbert. Este livro é a mais completa biografia já escrita sobre um dos estadistas mais importantes de todos os tempos um homem de inteligência sublime e personalidade explosiva que esteve no centro de acontecimentos fundamentais do século XX. Elaborado a partir de anos de pesquisa meticulosa e documentação exclusiva, e repleto de material apenas recentemente descoberto, Churchill uma vida é o casamento perfeito entre a dureza dos fatos da vida pública e os detalhes íntimos de um homem que exerceu papel preponderante para a divisão do mundo como o conhecemos hoje. Impresso em dois volumes é uma obra prima da literatura mundial. 

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: QUARENTENA, POR ANA MADALENA

É com muito orgulho e prazer que publico semanalmente as CRÔNICAS da nossa querida Ana Madalena. Ela consegue se superar a cada crônica escrita. O conto desta quarta-feira, aqui na coluna tem como título “40TENA”, uma criativa forma de se referir a Quarentena vivida por todos nós em meio a essa fatídica pandemia do coronavírus, onde ela relata o cotidiano de uma mulher, mãe, profissional, esposa, amante e filha e consegue transformar algo que parece ser tão banal numa empolgante e cativante leitura. Convido você a ler mais essa obra prima dessa escritora super talentosa!

Profissionais, mães, esposas, educadoras, faxineiras! O que mais o confinamento exigirá das mulheres? | Revista Bula

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”
          Mary Cholmondeley

40tena

Eu, como quase toda mulher, tenho tripla jornada de trabalho. Estou muito cansada, resultado de noites sem dormir. Não vou a um salão há quase um ano, quando cortei meu cabelo “joãozinho” e achei libertador! Desde que estou em home office subtraí muita coisa para dar praticidade a minha vida; meu guarda roupa se resumiu a duas camisetas brancas, uma preta e duas estampadas. Para multiplicar o look, deixo ao lado do computador uma caixinha de bijuterias.
Eu não desgosto trabalhar remotamente, inclusive pretendo até sugerir que quando as coisas voltarem à normalidade, que tenhamos a opção de intercalar, fazer um trabalho híbrido. Ruim mesmo é ter que competir em situação de desigualdade; trabalho no mesmo setor com três homens, sendo dois solteiros, duas mães solo e eu, casada com três filhos, de seis, quatro e dois anos. Eu sou praticamente um ET na empresa: onde já se viu ter tantos filhos nos dias de hoje? Tenho certeza que ainda não fui demitida porque eu sou muito eficiente, apesar dos perrengues que tenho que enfrentar para todo mês cumprir as metas absurdas que nos são impostas.
Estou tentando manter a minha sanidade mental e emocional. Já não era fácil a rotina, agora então… As crianças, coitadas, não aguentam mais esse puxa-encolhe, um dia pode ir para escola, noutro não. E sobra para quem? Por sorte tenho um marido que divide as tarefas sem achar que está fazendo favor, até por que não está mesmo. Não fiz filhos sozinha. Nós dois estamos trabalhando em casa e nos dividimos por turnos. A cada três horas um assume a casa e outro trabalha;  seguimos nessa exaustão até Deus sabe quando…
Mês passado saiu o ranking da nossa produtividade referente a média  do ano passado. Vale ressaltar que antes da pandemia eu estava sempre em primeiro lugar. Agora recebi um alerta vermelho; fiquei em quinto, num setor de seis. Passei noites sem dormir, tentando entender, não como eu caí,  porque era até previsível com tantas demandas que tenho que lidar, mas, como os outros que têm responsabilidades parecidas conseguiram subir…
Eu tenho uma relação cordial com meus colegas. Não nos frequentamos, mas somos super parceiros. Estamos sempre trocando ideais sobre filhos e uma ou outra receita. Resolvi enviar-lhes mensagens, meio que tentando descobrir a fórmula mágica que conseguiram para dar conta do trabalho. Pedi fotos das crianças; eles sempre falam dos seus bebês, mas estranhamente somente eu que mostro fotos dos meus…
O resumo da minha investigação:
1- As minhas colegas que se dizem mãe solo, são na verdade mães de pet e de planta. Não,  não estou brincando. Isso deve ser moda e eu, que sou mãe, dessas que amamentou, que rachou o peito, que ainda passo noites em claro, que me enchi de estrias, não tive tempo para saber que existe outra “maternidade”.
2- O colega casado que tem um filho, disse que a esposa é quem ensina as tarefas da escola e cuida da casa. Ele faz o mais pesado, que é trabalhar para o sustento da família. Sei… Mesmo assim ficou em último lugar no ranking.
3- Os solteiros voltaram a morar com os pais e são muito paparicados, com lanchinho nos intervalos das refeições, bem no estilo casa, comida e roupa lavada. Ficaram no primeiro e segundo lugares. Entendi…
4- Eu sou a que trabalho, cuido da casa, lavo mas não passo, conto histórias, faço pipoca, brinco no jardim, coloco pra dormir e ainda namoro meu amor de toda vida. Adoro minha família e tudo o que vem junto no kit.
Imprimi o ranking num quadro em frente ao meu computador; quero lembrar que esse período eu escolhi ser feliz. Sim, estou cansada, às vezes berro em lá menor, mas como disse  Nietzsche, ” quem tem um porquê, enfrenta qualquer como”.
Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O CÓDIGO DE DEUS, DE GREGG BRADEN

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira vai para “O Código de Deus, o segredo do nosso passado, a promessa do nosso futuro”, de Gregg Braden, autor do best-seller “O Efeito Isaias”, que já indiquei aqui na coluna. Uma mensagem codificada foi descoberta nas moléculas da vida, no interior do DNA em cada célula do nosso corpo. Graças a um achado notável que liga o alfabeto bíblico ao nosso código genético, a “linguagem da vida” agora pode ser lida como as letras antigas de uma mensagem eterna. Neste trabalho fascinante, Gregg Braden compartilha a descoberta que mudou sua vida e que o levou a se dedicar durante doze anos a um estudo profundo sobre as mais sagradas e respeitadas tradições da humanidade. A extensa pesquisa global do autor e suas descobertas controversas possibilitarão ao leitor decifrar a mensagem codificada nas nossas células desde o dia da nossa origem e aprender como a mensagem no nosso DNA pode se tornar uma base para a resolução de conflitos. Um livro que você precisa ler para entender o sentido da vida!

Fonte: Amazon

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DICA DE LIVRO: VOCÊ É O PLACEBO DO DR. JOE DISPENZA

Nesta quarta-feira a nossa DICA DE LIVRO é “Você é o placebo” do Dr. Joe Dispenza. Neste curioso e intrigante livro o autor mostra que é possível curar apenas pelo pensamento, sem drogas ou cirurgia. Algo que acredito e divulgo no meu livro “Coração, Intuição e Gratidão, um atalho para a vida plena. A verdade é que isso acontece mais do que você imagina. Em Você é o placebo, Dr. Joe Dispenza compartilha diversos casos documentados de pessoas que reverteram doença cardíaca, depressão, artrite incapacitante e até mesmo os tremores da doença de Parkinson por acreditar em um placebo. Também relata casos de pessoas que ficaram doentes e até mesmo morreram vítimas de feitiço e praga vodu ou após o diagnóstico errado de uma doença fatal.

Dr. Joe lança uma pergunta: “É possível ensinar os princípios do placebo e, sem depender de qualquer substância externa, produzir as mesmas alterações internas na saúde de uma pessoa e, em última instância, em sua vida?”. A seguir, compartilha evidências científicas (incluindo varreduras cerebrais em imagem colorida) de curas espantosas ocorridas em seus workshops, nos quais os participantes aprendem a utilizar seu modelo de transformação pessoal, baseado na aplicação prática do chamado efeito placebo. O livro termina com uma meditação para a mudança das crenças e percepções que nos detêm – o primeiro passo para a cura.

Você é o placebo combina as mais recentes pesquisas em neurociência, biologia, psicologia, hipnose, condicionamento comportamental e física quântica para desmistificar o funcionamento do efeito placebo e mostrar como o aparentemente impossível pode se tornar possível.

Fonte: Amazon

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CRÔNICAS: AS GAVETAS, POR ANA MADALENA

A nossa colaboradora, Ana Madalena está sempre surpreendendo. É por isso que ela e a nossa titular, aqui na coluna CRÔNICAS. Não para de produzir belas e criativas histórias que prendem a nossa atenção e nos fazem viajar pelos mundos e reinos criados pela sua imaginação. O conto desta quarta-feira é incrivelmente atraente, pois ela conta uma história dentro de outra e nós nem percebemos essa sutileza, ou quando percebemos já estamos viajando nessa segunda história. Portanto, convido você a ler essa bela e criativa história e viajar como eu viajei!

Penteadeiras Modernas

” Vamos beijar com as palavras 
  Abraçar com os olhos e
  Tocar com o coração “
          Rossandro Klinjey

As gavetas

A porta do quarto ficava apenas entreaberta, o suficiente para circular o ar. Não gostava de expor sua intimidade; o quarto era seu refúgio. Tia Letícia era muito discreta; nos víamos todos os anos nas longas férias de verão, quando minha família ia para a Fazenda. A casa, de teto muito alto e varandas largas, abrigava fotos por todos os lados; meus irmãos nem imaginavam que ela um dia fora jovem; para eles, ela sempre teve o rosto enrugado, mãos de veias saltadas e um certo mau humor. Para mim, ela sempre foi amorosa e me convidava para ir ao seu quarto, um lugar cheio de mistérios…
A penteadeira de madeira escura, um móvel com vasta biografia, ficava perto da janela. Ali repousavam apenas duas escovas de cabelo e um perfume. Não usava maquiagem; dizia que ficava com cara de palhaço, mas tinha sempre cheiro de banho tomado. A parte inferior do móvel tinha duas gavetinhas que viviam eternamente trancadas. Lembro que ela me colocava em frente a tal penteadeira e fazia tranças no meu cabelo, enquanto inventava histórias. Eu gostava particularmente de uma…
Era uma vez uma linda menina que morava num castelo no meio do nada; nada de flores, nada de frutas e nada de lagos. Tudo era de pedra, até as pessoas. A menina vivia com os pais, duas rochas enormes, que rolavam pelo palácio procurando uma solução para voltar a ser gente. Eles viviam essa maldição desde o dia que o rei negou um cavalo ao camponês que perdera seu filho na mata. O camponês explicou que procurava por esse filho há muito tempo, mas que não podia ir longe, a não ser que tivesse um cavalo… O rei explicou que só tinha um cavalo para todo o Reino e que não podia abrir mão do animal. O camponês revoltado, procurou uma bruxa e pediu que tudo que tivesse vida no palácio virasse pedra. Menos a filha do rei. Ele queria ver o sofrimento dos pais com a garotinha crescendo sem o abraço deles, do mesmo jeito que seu filho estaria crescendo sem o seu amparo.
A menina virou uma mocinha e um dia resolveu sair do Reino à procura do Feiticeiro da floresta. Selou o cavalo e partiu, mas cansada de tanto procurar, dormiu exausta sob uma arvore. Uma voz masculina perguntou se estava tudo bem. Ela, surpresa, respondeu que sim, mas que precisava encontrar o Feiticeiro do Bem. O jovem disse- lhe que  indicaria o caminho e explicou que morava ali desde criança, quando caiu num barranco e passou a viver com os animais. Ela ficou impressionada e seguiram juntos até a caverna do Feiticeiro, onde ela pediu que ele desfizesse o feitiço. O feiticeiro falou que, nesse caso, a magia se voltaria para ela.
A princesa ficou muito triste e pediu uns dias para pensar. Queria muito livrar o Reino da maldição mas não lhe agradava virar uma pedra. Resolveu voltar para casa e o jovem  decidiu acompanhá-la. Foram muitos dias de viagem e eles acabaram se apaixonando. Ela, lembrando das palavras do Feiticeiro, resolveu priorizar o seu amor e os dois sumiram pela mata, onde foram felizes para sempre.
Tia Letícia faleceu bem velhinha. Sofri muito na nossa despedida… Herdei a penteadeira e o conteúdo das gavetas: algumas jóias e cartas de amor que nunca foram enviadas. Também havia um recorte de jornal; era sobre o falecimento de um rapaz, José, o seu grande amor, que ela manteve vivo no seu coração.
Existe uma lenda mexicana que fala sobre a importância da imortalidade da vida. Ela diz que temos três mortes: a primeira, quando somos crianças e descobrimos a morte e, consequentemente, temos medo de perder alguém próximo. A segunda, quando nosso coração para de bater e nossa existência passa a depender unicamente da memória dos nossos afetos. A terceira e definitiva, quando a última pessoa que guarda nossa memória também morre.
Que deixemos doces lembranças…
Ana Madalena
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REFLEXÃO: UMA HISTÓRIA REAL SOBRE SUPERAR DESAFIOS, POR CAMILA ZEN

Hoje convido você a assistir ao vídeo de Camila Zen, aqui na coluna REFLEXÃO, sobre superar desafios, através de uma história real, de uma mulher que passou por muitas agruras e desafios, recebeu muitos nãos, mas não desistiu, não sucumbiu , foi em frente e hoje é uma das mulheres mais ricas do mundo, J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter. Então, convido você a assistir o vídeo a seguir, onde Camila Zen conta essa história de transformação e vitórias. Eu espero que esse vídeo possa te ajudar ou ajudar alguém que você ama e que você nunca deixe de acreditar em você 🧡 Amor e luz, namastê!

Fonte:

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