DESENVOLVIMENTO PESSOAL: DESCUBRA QUAL FLORAL USAR DURANTE A PANDEMIA

Na coluna DESENVOLVIMENTO PESSOAL desta quinta-feira a Terapeuta Holística, Palestrante, com vasta experiência em aconselhamento e sensitiva, Marcia Vizentini, trás ensinamentos preciosos sobre a terapia através florais, em particular sobre as essências florais de Bach. Ela explica qual floral usar em tempos de pandemia. Então, o que está esperando? Comece logo a leitura do artigo a seguir!

Qual Floral usar durante a Pandemia?

Essência de floral de bach
MAXSHOT / Getty Images / Canva

A grande pandemia de 2020 não só cria doenças do trato respiratório mas também depressão, desânimo e um humor geralmente sombrio. As essências florais de Bach certas podem iluminar a mente novamente.

Inúmeras pessoas em todo o mundo estão atualmente na solidão causada pelo vírus corona. Mas os humanos geralmente vivem em matilhas. Somente quando estamos juntos é que realmente nos sentimos bem, e onde essa união está ausente ou ocorre apenas a uma certa distância as doenças mentais se instalam em muitas pessoas. O isolamento é uma tortura frequentemente usada em ditaduras e muito bem-sucedida por um bom motivo. Poucas pessoas conseguem se ocupar consigo mesmas por um longo período de tempo de forma que possam sobreviver à ausência de seus amigos ou parentes por semanas sem prejudicar sua alma.

A essência floral de Bach da Mustard ou Mostarda do Campo ajuda a combater o desânimo!

Campo de flor de mostarda

Boggy / Canva

O problema dos transtornos de humor devido ao isolamento ou quarentena é uma circulação mental descendente. Os medos reais e irreais são intensificados porque não há contraparte que interrompa a espiral ou não permita que ela surja em primeiro lugar. Mesmo os contatos online pela internet ajudam apenas até certo ponto, porque as relações interpessoais não funcionam apenas visualmente e linguisticamente. A presença pessoal, o calor e o carisma de uma pessoa são outros componentes importantes da convivência.

Mas como a essência floral de Bach pode ajudar contra a solidão? Na Essência da Flor de Bach, as vibrações que emanam da planta são transferidas para a água da nascente na qual as flores são armazenadas durante o preparo. A mostarda do campo, nome da essência Mustard, contém diferentes minerais, proteínas, vitamina C, pró-vitamina e glicosídeos de óleo de mostarda, mas menos do que a mostarda comum.

A mostarda do campo não é uma planta cultivada, mas de acordo com as diretrizes de Edward Bach, o desenvolvedor da terapia floral de Bach, ela cresce selvagem. Bach atribuiu a essência Mustard ou mostarda do campo em sua sistemática ao clima de depressão, solidão e melancolia como um oposto a essas emoções. Mustard ou mostarda do campo garante que o clima se anime novamente e os pensamentos sombrios sejam afastados. Para indicação do uso de florais, consulte sempre um terapeuta floral.

Marcia Vizentini
Escrito por Marcia Vizentini
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AUTOCONHECIMENTO: VAMOS TOMAR CUIDADO E SABER QUANDO GENTILEZA REALMENTE GERA GENTILEZA!

Precisamos começar a observar como estamos tratando as pessoas. Se estamos sendo gentis Em resumo, ser gentil é tratar o próximo como gostaria de ser tratado. Se você não acha necessidade em tratar as outras pessoas bem, está penalizando a si mesmo, por não aceitar a si próprio. Quando as pessoas agem assim estão lutando com a lei universal da atração. Um a teimosia estúpida. Portanto corrija o rumo para que a frese a seguir mude e vire: “Gentileza sempre gera gentileza”.

Gentileza NEM SEMPRE gera gentileza

Imagem de duas pessoas dando as mãos como gesto de gentileza
Aleksandrdavydov/ 123RF

Éde conhecimento de todos os benefícios da gentileza, do quanto ela nos faz evoluir como ser humano não só psicologicamente. Mas também podemos dizer que a gentileza é fator essencial para evolução da alma.

A gentileza deveria ser um hábito comum à nossa natureza, mas, com uma rotina cada vez mais agitada, ela acaba dando lugar para a pressa e o egoísmo. Sendo assim gentileza tornou-se uma virtude que tem a ver com os costumes locais, uma obrigação dentro de uma determinada educação, algo instalado em nosso cotidiano, passando a ser inconsciente.

Ser gentil, sentir-se do bem e, principalmente, ser do bem, mas não necessariamente é um fator que altera o sentimento verdadeiro de quem o recebe e de quem o pratica.

O ser humano carrega uma gama de defeitos e qualidades e ser gentil consiste em algo que não é humano, mas sim uma grande conquista onde ser sociável é um aprendizado que visa à convivência, à vida em sociedade.

Há vários tipos de gentileza praticados por vários tipos de pessoas. Porém o que se tem visto são pessoas que praticam a gentileza por modismo ou para que sua consciência fique tranquila com relação a tal fato, ou para nos enquadrarmos aos padrões da fé que praticamos; a gentileza é algo muito mais complexo que isso, pois, quando verdadeira, envolve uma mudança interpessoal e o verdadeiro desejo de ser uma pessoa melhor.

Soldado interagindo com duas crianças como gesto de gentileza
pexels/ pixabay

A gentileza não é, por exemplo, apenas falar a verdade, mas sim saber como falar a verdade. É um despertar de consciência e a conquista de um saber que eleva nosso entendimento sobre nosso papel aqui na Terra.

Em resumo, ser gentil é tratar o próximo como gostaria de ser tratado. Se você não acha necessidade em tratar as outras pessoas bem, está penalizando a si mesmo, por não aceitar a si próprio.

Quando despertamos uma consciência verdadeira sobre o que é ser gentil, tendo segurança de si mesmo e de seus valores, somos capazes de ser gentis e exercer a gentileza independente do retorno que isso nos gerará. Devemos fazer com que a gentileza seja natural e constante sem escolher pessoas, grupos ou determinados locais.

Mesmo que nossos atos não tenham retorno e sejam até recebidos com hostilidade, devemos manter nossos atos de gentileza, por tratar-se de uma constante para evolução de nosso ser.

Tudo evolui, porém cada um tem o seu tempo e maneira de evoluir; ser gentil e não esperar um retorno de gentileza é a verdadeira essência do ato. Conscientes, porém, que a não necessidade de aflição ou de tristeza pelo mesmo é o despertar da consciência de que um dia a evolução e a gentileza chegarão para todo mundo.

Que sejamos sempre gentis.

Fonte: Eu SemFronteiras

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REFLEXÃO: UM TRIBUTO AO TEMPO!

Tributo ao tempo é o texto que trago para você refletir sobre  como utilizar o tempo com inteligência prudência. Vamos ler o texto completo a seguir e entender como funciona!

Tributo ao tempo

 em 

 

Não dá pra negar que estamos passando por uma fase, no mínimo, inusitada. Quem de nós, lá atrás, poderia imaginar um futuro como o que estamos vivendo? Penso que todo movimento nos traz aprendizados. Reflita por um momento: quantas coisas você aprendeu neste ano? Suponho que várias, não é? A vida é sempre um presente e saber viver, com harmonia e paz, é abrir este presente e desfrutar. O texto, atribuído à Dalai Lama, nos chama à essência.

“Dizem que a vida é curta, mas não é verdade. A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades. E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança tranquila brincando de esconde-esconde. Infelizmente, às vezes, não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando “nãos”. A viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa à qual não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.

A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador, quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria. E como ela é feita de instantes, não pode e nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos.

Esta mensagem é um tributo ao tempo. Tanto àquele que você soube aproveitar no passado, quanto àquele que você não vai desperdiçar no futuro. Porque a vida é agora!

A vida, às vezes, é toda planejada e no final vimos que deu tudo errado; ou não se planeja nada e no final simplesmente é perfeito. A vida é cheia de surpresas e temos de estar preparados para todas.

Sempre sorria, não mostre agonia e aflição, isso só irá piorar.Já te disseram que você é belo ou bela? Não? Se olhe no espelho… você sempre verá algo encantador. Não tente ser aquilo que querem que você seja, não mude pelos outros, e se ainda der tempo de fazer tudo isso, perceberá que a vida é bela e que a única coisa que nos resta é ser feliz!”
Luz e Paz!

Fonte: Sabedoria Universal

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AUTOCONHECIMENTO: A LIBERDADE DA ALMA SE INICIA COM O DESABROCHAR DO CORPO

A liberdade é como o desabrochar de uma rosa que se abre lentamente para alcançar a sua plenitude e beleza máximas. Assim também é com a nossa alma ou self. O corpo humano é o seu casulo que, assim como a rosa desabrocha desde a posição fetal até a mais elevada posição ereta. Mas para alcançar a plenitude máxima do bípede é preciso ouvir o que o seu corpo está dizendo diariamente. Essa prática diária vai lhe conduzir, não apenas  a melhor expressão corporal, mas a uma vida plena e livre. Então lhe convido a ler o texto completo a seguir e entender como você pode acelerar esse processo!

Corpo que Fala

Silhueta de dois rostos humanos, e no meio da foto a silhueta do corpo humano.
Geralt / Pixabay / Canva

Cada pessoa tem, em seu sistema corporal, a grande fala de sua vida. O corpo realmente manifesta a integração de uma pessoa. É muito importante observar o seu sistema corporal e verificar o que ele está querendo te dizer. Há duas formas, as quais são muito importantes, para que esta comunicação aconteça. Uma delas é ouvir a linguagem corporal para saber informações sobre a saúde. Essa é uma forma de prevenção. O autoconhecimento gera esta percepção ampliada, conectando você ao seu corpo, possibilitando, assim, a grande comunicação, geradora de entendimento de tudo o que existe em seu mundo interior. Através deste conhecimento ampliado, é possível perceber quando você está alinhado, em estado de equilíbrio, ou não. A outra delas é perceber que o corpo ensina através de seus sistemas, por exemplo, a sua postura corporal mostra muito do seu mundo interior. Tudo está interligado e conectado. A voz, também, apresenta conexão com a sua forma de vida. O que existe em seu corpo fala sobre você. Então, prestar atenção e assumir uma nova consciência corporal faz com que exista uma comunicação sutil agindo em seu ser para criar a saúde plena. Existe uma união entre psique, corpo e energia. Todos eles estão interligados. Para que haja ótima conexão, você precisa trabalhar a sua percepção de vida. É o autoconhecimento que faz você entender todas as sensações corporais. Estas mostram o que está acontecendo no seu campo orgânico. Então, é possível fazer tanto a prevenção em doenças, quanto a ótima comunicação entre a sua essência e o seu corpo.

A expressão corporal precisa ser entendida para poder auxiliar no caminho da evolução humana. Todas as dificuldades de vida se manifestam no corpo físico. Elas podem afetar a postura, o posicionamento muscular, a voz, a percepção auditiva, o tato, o paladar, a mastigação, a formação de couraças e tensões, os bloqueios energéticos nos meridianos, indicando problemas ou alterações de saúde em alguns órgãos específicos, dentre outros.

O corpo expressa o seu ser e o seu viver. É muito importante que você consiga entender o que está acontecendo consigo mesmo em cada momento e situação de sua vida. Isso facilita que a vida tenha um percurso mais acessível, pois vai tornar você apto a aprender de uma forma mais rápida, eficaz e eficiente. Assim, antecipando aprendizados, você consegue corrigir, transformar e ampliar o que precisa para vencer os desafios da vida. Só existe um ser capaz de realizar o maior bem em sua vida, e este ser é você.

O corpo pode sentir a liberdade ou ser prisioneiro dos bloqueios existentes. Quando a pessoa entende a sua linguagem corporal, assume novas atitudes de vida e cria uma relação positivada consigo mesmo, gerando todo bem-estar e integralidade da essência. Não há nada melhor do que entender profundamente as suas falas interiores. O seu corpo quer falar, então, você precisa se disponibilizar para ouvi-lo. Esta atenção interna precisa acontecer diariamente, tornando esta comunicação uma rotina comum e sábia para toda a sua vida. Comece a se ouvir internamente e vai aprender tudo em sua jornada terrena.

Escute seu corpo para ser completamente livre e feliz!

A plenitude existe em um corpo que fala!

Amor & Luz!

Gratidão!

Abraço Fraterno!

Karina Schuler
Escrito por Karina Schuler
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AUTOCONHECIMENTO: O DISCERNIMENTO COMO FERRAMENTA PARA A JORNADA ESPIRITUAL

O tema da coluna AUTOCONHECIMENTO desta quarta-feira é sobre discernimento, habilidade super importante que todo ser humano irá desenvolver em sua jornada espiritual para o AUTOCONHECIMENTO, já que conectar-se com sua verdadeira essência divina é a chave para ser capaz de conhecer sua verdade. Então convido você a ler o texto completo a seguir e entender como funciona esse processo todo!

EXERCITANDO O ESPÍRITO - Luciano Subirá - ORVALHO.COM - LUCIANO SUBIRÁ

Discernimento é uma das habilidades mais importantes

Mensagem canalizada em 1 de Novembro de 2020 – Arcanjo Gabriel

Discernimento é um das habilidades mais importantes que você irá desenvolver em sua jornada espiritual e ele é um importante tema energético de 2020.

Queridos, há uma parte de vocês que sempre, sempre sabe a verdade. Se você é presenteado com informação, sinta-a no seu corpo. Ela parece empoderada ou não? Ela está honrando seu livre arbítrio e sua sabedoria interior? Ela é projetada para separar ou unir? Sua energia é expansiva ou de contração? Ela é projetada para alimentar medo ou amor?

Para poder dizer se algo combina com você ou não, é essencial que você tire um tempo para se conhecer. Conectar-se com sua verdadeira essência divina é a chave para ser capaz de conhecer sua verdade e se algo honra aquela verdade ou não. Sua autoconsciência é o que o permite sentir se algo é solidário ou discordante com seu sistema de energia.

Nós os encorajamos a considerar a verdade de qualquer informação com a qual vocês sejam presenteados, mas pedimos que se lembrem que vocês são os especialistas em empoderamento de sua própria expressão de vida. Conectem-se com sua autenticidade, sua bondade e permitam a esta energia mostrar o caminho. Daquele lugar de alinhamento vocês sempre irão reconhecer o que melhor honra vocês e seus propósitos.

Shelley Young – Fonte: https:/www.goldenageofgaia.com/
Roseli Giusti Zahm e Marco Iorio Júnior — Tradutora e Editor exclusivos do Trabalhadores da Luz

Fonte: Trabalhadores da Luz

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AUTOCONHECIMENTO: A ESSÊNCIA DA MENTE ABRANGE TODAS AS COISAS

A intuição é uma percepção sensorial que todo ser humano possui, mas que a maioria das pessoas, geralmente, não a desenvolve. Costuma-se falar que é o sexto sentido e que só a mulher possui. Isso não é verdade. Qualquer pessoa possui esse dom, mas não desenvolve essa percepção ao longo da sua vida e perde a valiosa oportunidade de evoluir espiritualmente mais rápido. A intuição cresce com a experiência de vida de cada um e é essência para nos orientar, principalmente nas tomadas de decisão na nossa trajetória. Por isso devemos desenvolvê-la, ouvindo-a junto com o coração. Então lhe convido a ler o texto completo a seguir e descobrir o verdadeiro valor e importância dessa percepção sensorial na nossa vida! 

O caminho da intuição

“A essência da mente é grande porque abrange todas
as coisas; todas as coisas são da nossa natureza.
Não existe uma questão de “limpar” a mente, mas sim
de ter consciência da sua universalidade”

Lama Anagarika Govinda*

A meditação sempre foi o principal requisito da doutrina budista de liberação. Entretanto, quanto mais as diferentes técnicas de meditação, suas definições psicológicas e seus princípios metafísicos e filosóficos eram explicados, classificados e fixados em comentários, mais as práticas de meditação eram negligenciadas e sufocadas por discussões teóricas, regras, regulamentos morais e infindáveis recitações de textos sagrados.

A reação foi uma revolta contra as escrituras e a erudição e um retorno a uma experiência mais direta e espontânea. Ao pedantismo de um pensamento escolástico e de lógica intelectual opôs-se a ferramenta do paradoxo, que, como uma espada afiada, cortou os nós dos problemas criados artificialmente e nos deu um relance da verdadeira natureza das coisas. O paradoxo, entretanto, é uma espada de dois gumes. Quando ele se torna rotineiro, destrói aquilo que ajudou a revelar. A força de um paradoxo, como a de uma espada, está no inesperado e na velocidade com que ela é manejada.

Um bom exemplo é a história de dois monges chineses que discutiam sobre uma bandeira ao vento. Um dizia que a bandeira se movia; o outro, que ela era movida pelo vento. Hui- -Neng, o Sexto Patriarca da China, disse: “Nem o vento nem a bandeira estão se movendo; é a mente de vocês que se move.” Mummon, um Patriarca Japonês do século XIII, foi além: “Nem o vento, nem a bandeira, nem a mente estão se movendo.”
Ele se referiu ao princípio essencial de sunyata: não há ir nem vir, mas os dois aspectos subjetivos e objetivos da realidade estão incluídos.

Essa realidade além dos opostos, contudo, não deve ser separada de seus expoentes; a transitoriedade não deve ser separada da eternidade. A mais perfeita autoexpressão individual é a descrição mais objetiva do mundo. O maior artista é o que expressa o que é sentido por todos.
Como ele faz isso? Sendo mais subjetivo que os outros. Quanto mais ele expressa a si mesmo, o seu ser mais íntimo, mais próximo ele se mostra aos outros. A nossa natureza real não é o nosso ego limitado e imaginário; é o vasto e oniabrangente espaço, tão intangível quanto vazio. É sunyata em seu sentido mais profundo. O segredo da arte é que ela revela o supraindividual através da individualidade, o “não ser” através do ser, o objeto através do sujeito. A arte em si é uma espécie de paradoxo, e é por isso que todas as escolas de meditação do Budismo no Extremo Oriente dão a ele essa importância tão grande.

O Sutra do Sexto Patriarca é um exemplo do uso ideal do paradoxo. Ele expressa a atitude espiritual do Zen de uma maneira que não ofende o bom senso nem tente fazer do bom senso a medida de todas as coisas. O leitor se situa numa atmosfera que o coloca acima do plano da consciência diária, e participa da realidade num nível mais alto de consciência.

O Sexto Patriarca impressiona pela sua espontaneidade, que deveria ser
inerente a cada ser humano, e com a qual o leitor facilmente se identifica. Assim ele é capaz de participar das experiências e dos ensinamentos do Patriarca, cuja vida tornou-se o símbolo máximo do Budismo Zen.

O noviço de Kwang-tung, cujamente não estava ainda sobrecarregada por qualquer problema filosófico, penetrou espontaneamente no centro da vida espiritual: a experiência do Budado. Essa experiência não depende de regras monásticas e erudição, de ascetismo e virtuosidade, de conhecimento livresco e de textos sagrados, mas somente da realização do espírito vivo dentro de nós.

O Sexto Patriarca atingiu um estado de espontânea iluminação sem ter tido qualquer educação formal, embora, por outro lado, tenha sido ao GERD ALTMANN/PIXABAY ouvir o Sutra Diamante que seu interesse despertou e sua visão espiritual se abriu. A experiência espontânea, portanto, pode muito bem ser o produto de uma antiga tradição consagrada, se essa tradição contém símbolos de uma realidade supramental (que a psicologia moderna chamaria de símbolos arquetípicos), ou seja, formulações que levem a mente além do círculo estreito do raciocínio mundano. No choque inesperado entre uma mente sensitiva e esses símbolos e formulações, as portas da percepção interna são subitamente abertas, e o indivíduo se identifica com a realidade supramental.

O Patriarca veio de uma família pobre de Kwang-tung. Um dia, quando vendia lenha no mercado, ouviu o Sutra Diamante, e isso despertou uma resposta tão profunda que ele decidiu entrar no monastério da Escola Zen, onde o abade era o Quinto Patriarca. Ele se tornou um noviço e recebeu o trabalho mais humilde, no estábulo e na cozinha.

Um dia o abade convocou todos os discípulos a fim de escolher um sucessor. Ele queria escolher alguém que tivesse não apenas compreendido, mas realizado a mensagem do Zen; assim, pediu aos monges que escrevessem sobre a natureza mais íntima da mente. Ninguém ousou se apresentar, exceto o erudito Shin- -shau, já considerado um sucessor.
Shin-shau escreveu seu verso na parede do corredor, para anunciar a sua autoria apenas se o Patriarca ficasse satisfeito. O Patriarca, embora apreciasse as palavras, pediu a Shin-shau que meditasse sobre elas durante alguns dias e escrevesse outra estrofe que mostrasse que o autor tinha passado pelo portal da iluminação – que tivesse experienciado o escrito.

Dois dias depois, um jovem que passava pelo quarto onde o noviço de Kwang-tung descascava arroz recitou a estrofe do Shin-shau. O noviço foi para o corredor e pediu a um visitante para ler o verso, já que ele não sabia ler nem escrever. Depois que o visitante leu em voz alta, o noviço disse que também tinha composto uma estrofe, e pediu ao visitante que a escrevesse abaixo do verso de Shin-shau.

             Espelho interno

Quando os outros monges viram a nova estrofe e souberam quem a tinha composto, disseram: “Como foi possível que uma pessoa tão iluminada trabalhasse para nós?” O Patriarca, entretanto, temendo a inveja dos monges, apagou a estrofe e pediu ao jovem que se encontrasse com ele à noite. Quando todos no monastério estavam em profundo sono, ele deu ao noviço a insígnia de seu futuro cargo e tornou-o Sexto Patriarca. Ordenou então que o noviço saísse de imediato do monastério e retornasse somente quando ele, o Quinto Patriarca, tivesse falecido. O noviço fez como lhe foi dito, e, quando retornou com os mantos do cargo, ele foi reconhecido com o nome de Wei-lang.

As estrofes de Shin-shau e do Sexto Patriarca oferecem uma percepção valiosa da atitude mental da Escola Zen. A de Shin-shau diz: “Nosso corpo é como uma árvore de iluminação,/nossa mente é como um espelho limpo;/de hora a hora precisa ser limpo,/de modo que nenhuma poeira se ajunte nele.” Este verso mostra uma preocupação pedante com a preservação da pureza do espelho interno,   a mente original (que, de qualquer modo, está além da pureza e da impureza); além disso, mostra que o autor não fala a partir de sua própria experiência, mas apenas como um erudito, porque o verso se baseia em uma expressão do Svetasvatara Upanishad: “Assim como um espelho,/ que foi coberto com poeira,/brilha como fogo, se for limpo,/da mesma maneira, aquele que compreendeu a natureza da alma/atinge o alvo e liberta-se da aflição.

Shin-shau apenas repetiu o Upanishad sem ter experenciado a realidade da mente original, enquanto que o jovem noviço captou a essência do Sutra Diamante em um ato de percepção direta; ele experenciou a verdadeira natureza da mente. Isso se revela na sua estrofe, que refuta a de Shin-shau e mostra o ponto de vista budista como é compreendido pelos Mestres do Zen: “Nosso corpo não é uma árvore de modo algum,/nem é a mente um estojo de espelhos;/quando tudo está vazio,/onde poderia a poeira se acumular?”

A mente original, conhecida como a mente de Buda ou o princípio de bodhi, o anseio por iluminação, é uma propriedade latente de cada
consciência, não apenas um reflexo do universo, mas a própria realidade universal. Isso pode parecer uma espécie de vacuidade metafísica, a ausência de qualidades e de possibilidades de definição. Bodhi, portanto, não é algo que cresceu como uma árvore, assim como a mente não é um espelho que reflete a realidade numa capacidade secundária. A mente em si mesma é a vacuidade que a tudo abrange (sunyata); assim, onde a poeira poderia se acumular?

“A essência da mente é grande, porque abrange todas as coisas; todas as coisas são da nossa natureza.” Não existe uma questão de “limpar” a mente, mas sim de ter consciência da sua universalidade. O que podemos melhorar é o intelecto, a limitada consciência individual. Isso, porém não nos leva além de seus próprios limites, porque permanecemos no círculo de suas leis inerentes de tempo e espaço, lógica e causalidade. Só o ato de ultrapassar nossas limitações e abandonar os conteúdos que nos aprisionam a essas leis pode nos dar a experiência da totalidade do espírito e a realização de sua verdadeira natureza– o que chamamos de iluminação.

A verdadeira natureza da mente abrange tudo que vive. O voto do Bodhisattva de libertar todos os seres vivos não é, portanto, tão presunçoso quanto parece. Esse voto não nasceu da ilusão de que um homem mortal pode se estabelecer como um salvador; é resultado da percepção de que somente no estado de iluminação seremos capazes de nos tornar um com tudo o que vive. Nesse ato de unificação, libertamos a nós mesmos e a todos os seres que estão potencialmente presentes e participam da natureza da nossa mente – que são parte de nossa mente.

É por isso que, de acordo com os ensinamentos do Mahayana, a liberação dos sofrimentos, a extinção da vontade de viver e de todos os desejos, é considerada insuficiente. É por isso que se empenhar na busca da perfeita iluminação (samyak-sambodhi) é considerado o único objetivo digno de um seguidor de Buda. Enquanto desprezarmos o mundo e dele tentarmos escapar, nós nem o superamos nem ganhamos maestria nele; estamos longe da libertação. “Este mundo é o mundo de Buda, dentro do qual a iluminação pode ser achada. Buscar a iluminação nos separando do mundo é tão tolo como buscar chifre numa lebre.” Porque “aquele que trilha sinceramente o caminho do mundo não verá as faltas do mundo.”

Também não deveríamos imaginar que, pela supressão das faculdades intelectuais, podemos atingir a iluminação. “É um grande engano suprimir o pensamento”, diz o Sexto Patriarca. Zen é o caminho para superar as limitações da nossa atitude intelectual. Mas antes de apreciar o Zen, temos que desenvolver o intelecto, a capacidade de pensar e discernir. Se nós não alcançarmos maestria sobre o intelecto, não poderemos superá-lo. O intelecto é tão necessário para superar a emocionalidade e a confusão quanto a intuição é necessária para superar as limitações do intelecto e seus julgamentos.

A razão, a mais alta propriedade do intelecto, é o que guia o pensamento intencional. Suas finalidades, contudo, são limitadas; a razão só pode operar naquilo que é limitado. Somente a sabedoria (prajna) pode aceitar e intuitivamente compreender o ilimitado, o atemporal e o infinito, ao renunciar às explicações e reconhecer o mistério que pode apenas ser sentido, experenciado e finalmente realizado em vida. A sabedoria tem raízes na experiência e na realização do nosso ser mais íntimo. A razão tem raízes no pensamento. Entretanto, a sabedoria não despreza nem o pensamento nem a razão; ela os usa em seu próprio âmbito, o âmbito da ação intencional, a busca da ciência e a coordenação das nossas impressões sensoriais, percepções, sensações, e emoções, tudo em um conjunto.

Aqui o lado criativo do pensamento exerce sua ação, convertendo a matéria-prima da experiência na percepção de um mundo razoável.
O tamanho desse mundo depende da faculdade criativa do indivíduo. A mente pequena vive no mundo dos efêmeros desejos; a grande mente vive na infinidade do universo e na constante percepção do mistério que dá profundidade e amplitude à vida, e assim impede que o mundo sensorial se confunda com a realidade última. Aquele que penetrou até os limites do pensamento ousa saltar na grande vacuidade, o campo primordial do seu ser ilimitado.

Fonte: Revista Sophia- ano 18 – Edição 85

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DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL: A CONSCIÊNCIA DA UNIVERSALIDADE DA MENTE E O CAMINHO DA INTUIÇÃO

No texto primorosamente escrito por Lama Anagarika Govinda a seguir sobre “O Caminho da intuição”, o guru mostra como se dá o desenvolvimento do processo de amadurecimento da intuição na nossa mente, que é ferramenta fundamental no despertar e expansão da consciência. Sem ela não há expansão da consciência. Por isso eu lhe convido a ler o artigo completo a seguir para entender como ocorre o desenrolar da caminhada!

 

O caminho da intuição

“A essência da mente é grande porque abrange todas
as coisas; todas as coisas são da nossa natureza.
Não existe uma questão de ‘limpar’ a mente, mas sim
de ter consciência da sua universalidade”

A meditação sempre foi o principal requisito da doutrina budista deliberação. Entretanto, quanto mais as diferentes técnicas de meditação,
suas definições psicológicas e seus princípios metafísicos e filosóficos eram explicados, classificados e fixados em comentários, mais as práticas de meditação eram negligenciadas e sufocadas por discussões teóricas, regras, regulamentos morais e infindáveis recitações de textos sagrados.

A reação foi uma revolta contra as escrituras e a erudição e um retorno a uma experiência mais direta e espontânea. Ao pedantismo de um
pensamento escolástico e de lógica intelectual opôs-se a ferramenta do paradoxo, que, como uma espada afiada, cortou os nós dos problemas criados artificialmente e nos deu um relance da verdadeira natureza das coisas. O paradoxo, entretanto, é uma espada de dois gumes. Quando ele se torna rotineiro, destrói aquilo que ajudou a revelar. A força de um paradoxo, como a de uma espada, está no inesperado e na velocidade com que ela é manejada.

Um bom exemplo é a história de dois monges chineses que discutiam sobre uma bandeira ao vento. Um dizia que a bandeira se movia; o outro, que ela era movida pelo vento. Hui-Neng, o Sexto Patriarca da China, disse: “Nem o vento nem a bandeira estão se movendo; é a mente de vocês que se move.” Mummon, um Patriarca Japonês do século XIII, foi além: “Nem o vento, nem a bandeira, nem a mente estão se movendo.” Ele se referiu ao princípio essencial de sunyata: não há ir nem vir, mas os dois aspectos subjetivos e objetivos da realidade estão incluídos.

Essa realidade além dos opostos, contudo, não deve ser separada de seus expoentes; a transitoriedade não deve ser separada da eternidade. A mais perfeita autoexpressão individual é a descrição mais objetiva do mundo. O maior artista é o que expressa o que é sentido por todos.
Como ele faz isso? Sendo mais subjetivo que os outros. Quanto mais ele expressa a si mesmo, o seu ser mais íntimo, mais próximo ele se mostra aos outros. A nossa natureza real não é o nosso ego limitado e imaginário; é o vasto e oniabrangente espaço, tão intangível quanto vazio. É sunyata em seu sentido mais profundo. O segredo da arte é que ela revela o supraindividual através da individualidade, o “não ser” através do ser, o objeto através do sujeito. A arte em si é uma espécie de paradoxo, e é por isso que todas as escolas de meditação do Budismo no Extremo Oriente dão a ele essa importância tão grande.

O Sutra do Sexto Patriarca é um exemplo do uso ideal do paradoxo. Ele expressa a atitude espiritual do Zen de uma maneira que não ofenda
o bom senso nem tente fazer do bom senso a medida de todas as coisas. O leitor se situa numa atmosfera que o coloca acima do plano da consciência diária, e participa da realidade num nível mais alto de consciência. O Sexto Patriarca impressiona pela sua espontaneidade, que deveria ser inerente a cada ser humano, e com a qual o leitor facilmente se identifica. Assim ele é capaz de participar das experiências e dos ensinamentos do Patriarca, cuja vida tornou-se o símbolo máximo do Budismo Zen.

O noviço de Kwang-tung, cuja mente não estava ainda sobrecarregada por qualquer problema filosófico, penetrou espontaneamente no centro da vida espiritual: a experiência do Budado. Essa experiência não depende de regras monásticas e erudição, de ascetismo e virtuosidade, de conhecimento livresco e de textos sagrados, mas somente da realização do espírito vivo dentro de nós.

O Sexto Patriarca atingiu um estado de espontânea iluminação sem ter tido qualquer educação formal, embora, por outro lado, tenha sido ao ouvir o Sutra Diamante que seu interesse despertou e sua visão espiritual se abriu. A experiência espontânea, portanto, pode muito bem ser o produto de uma antiga tradição consagrada, se essa tradição contém símbolos de uma realidade supramental (que a psicologia moderna chamaria de símbolos arquetípicos), ou seja, formulações que levem a mente além do círculo estreito do raciocínio mundano. No choque inesperado entre uma mente sensitiva e esses símbolos e formulações, as portas da percepção interna são subitamente abertas, e o
indivíduo se identifica com a realidade supramental.

O Patriarca veio de uma família pobre de Kwang-tung. Um dia, quando vendia lenha no mercado, ouviu o Sutra Diamante, e isso despertou uma resposta tão profunda que ele decidiu entrar no monastério da Escola Zen, onde o abade era o Quinto Patriarca. Ele se tornou um noviço e recebeu o trabalho mais humilde, no estábulo e na cozinha. Um dia o abade convocou todos os discípulos a fim de escolher um
sucessor. Ele queria escolher alguém que tivesse não apenas compreendido, mas realizado a mensagem do Zen; assim, pediu aos monges que escrevessem sobre a natureza mais íntima da mente. Ninguém ousou se apresentar, exceto o erudito Shin-shau, já considerado um sucessor. Shin-shau escreveu seu verso na parede do corredor, para anunciar a sua autoria apenas se o Patriarca ficasse satisfeito. O Patriarca, embora apreciasse as palavras, pediu a Shin-shau que meditasse sobre elas durante alguns dias e escrevesse outra estrofe que mostrasse que o autor tinha passado pelo portal da iluminação – que tivesse experienciado o escrito. Dois dias depois, um jovem que passava pelo quarto onde o noviço de Kwang-tung descascava arroz recitou a estrofe do Shin-shau. O noviço foi para o corredor e pediu a um visitante para ler o verso, já que ele não sabia ler nem escrever. Depois que o visitante leu em voz alta, o noviço disse que também tinha composto uma estrofe, e pediu ao visitante que a escrevesse abaixo do verso de Shin-shau.

Espelho interno

Quando os outros monges viram a nova estrofe e souberam quem a tinha composto, disseram: “Como foi possível que uma pessoa tão iluminada trabalhasse para nós?” O Patriarca, entretanto, temendo a inveja dos monges, apagou a estrofe e pediu ao jovem que se encontrasse com ele à noite. Quando todos no monastério estavam em profundo sono, ele deu ao noviço a insígnia de seu futuro
cargo e tornou-o Sexto Patriarca. Ordenou então que o noviço saísse de imediato do monastério e retornasse somente quando ele, o Quinto Patriarca, tivesse falecido. O noviço fez como lhe foi dito, e, quando retornou com os mantos do cargo, ele foi reconhecido com o nome de Wei-lang.

As estrofes de Shin-shau e do Sexto Patriarca oferecem uma percepção valiosa da atitude mental da Escola Zen. A de Shin-shau diz: “Nosso corpo é como uma árvore de iluminação,/nossa mente é como um espelho limpo;/de hora a hora precisa ser limpo,/de modo que nenhuma poeira se ajunte nele.” Este verso mostra uma preocupação pedante com a preservação da pureza do espelho interno, a mente original (que, de qualquer modo, está além da pureza e da impureza); além disso, mostra que o autor não fala a partir de sua própria experiência, mas apenas como um erudito, porque o verso se baseia em uma expressão do Svetasvatara Upanishad: “Assim como um espelho,/ que foi coberto com poeira,/brilha como fogo, se for limpo,/da mesma maneira, aquele que compreendeu a natureza da alma/atinge o alvo e liberta-se da aflição.

Shin-shau apenas repetiu o Upanishad sem ter experienciado a realidade da mente original, enquanto que o jovem noviço captou a essência do Sutra Diamante em um ato de percepção direta; ele experienciou a verdadeira natureza da mente. Isso se revela na sua estrofe, que refuta a de Shin-shau e mostra o ponto de vista budista como é compreendido pelos Mestres do Zen: “Nosso corpo não é uma árvore de modo algum,/nem é a mente um estojo de espelhos;/quando tudo está vazio,/onde poderia a poeira se acumular?”

A mente original, conhecida como a mente de Buda ou o princípio de bodhi, o anseio por iluminação, é uma propriedade latente de cada
consciência, não apenas um reflexo do universo, mas a própria realidade universal. Isso pode parecer uma espécie de vacuidade metafísica, a ausência de qualidades e de possibilidades de definição. Bodhi, portanto, não é algo que cresceu como uma árvore, assim como a mente não é um espelho que reflete a realidade numa capacidade secundária. A mente em si mesma é a vacuidade que a tudo abrange (sunyata); assim, onde a poeira poderia se acumular?

“A essência da mente é grande, porque abrange todas as coisas; todas as coisas são da nossa natureza.” Não existe uma questão de “limpar”
a mente, mas sim de ter consciência da sua universalidade. O que podemos melhorar é o intelecto, a limitada consciência individual. Isso, porém, não nos leva além de seus próprios limites, porque permanecemos no círculo de suas leis inerentes de tempo e espaço, lógica e causalidade. Só o ato de ultrapassar nossas limitações e abandonar os conteúdos que nos aprisionam a essas leis pode nos dar a experiência da totalidade do espírito e a realização de sua verdadeira natureza – o que chamamos de iluminação.

A verdadeira natureza da mente abrange tudo que vive. O voto do Bodhisattva de libertar todos os seres vivos não é, portanto, tão presunçoso quanto parece. Esse voto não nasceu da ilusão de que um homem mortal pode se estabelecer como um salvador; é resultado da percepção de que somente no estado de iluminação seremos capazes de nos tornar um com tudo o que vive. Nesse ato de unificação, libertamos a nós mesmos e a todos os seres que estão potencialmente presentes e participam da natureza da nossa mente – que são parte de nossa mente.

É por isso que, de acordo com os ensinamentos do Mahayana, a liberação dos sofrimentos, a extinção da vontade de viver e de todos os desejos, é considerada insuficiente. É por isso que se empenhar na busca da perfeita iluminação (samyak-sambodhi) é considerado o único objetivo digno de um seguidor de Buda. Enquanto desprezarmos o mundo e dele tentarmos escapar, nós nem o superamos nem ganhamos maestria nele; estamos longe da libertação. “Este mundo é o mundo de Buda, dentro do qual a iluminação pode ser achada. Buscar a
iluminação nos separando do mundo é tão tolo como buscar chifre numa lebre.” Porque “aquele que trilha sinceramente o caminho do mundo não verá as faltas do mundo.”

Também não deveríamos imaginar que, pela supressão das faculdades intelectuais, podemos atingir a iluminação. “É um grande engano suprimir o pensamento”, diz o Sexto Patriarca. Zen é o caminho para superar as limitações da nossa atitude intelectual. Mas antes de apreciar o Zen, temos que desenvolver o intelecto, a capacidade de pensar e discernir. Se nós não alcançarmos maestria sobre o intelecto, não poderemos superá-lo. O intelecto é tão necessário para superar a emocionalidade e a confusão quanto a intuição é necessária para
superar as limitações do intelecto e seus julgamentos.

A razão, a mais alta propriedade do intelecto, é o que guia o pensamento intencional. Suas finalidades, contudo, são limitadas; a razão só pode operar naquilo que é limitado. Somente a sabedoria (prajna) pode aceitar e intuitivamente compreender o ilimitado, o atemporal e o infinito, ao renunciar às explicações e reconhecer o mistério que pode apenas ser sentido, experienciado e finalmente realizado em vida. A sabedoria tem raízes na experiência e na realização do nosso ser mais íntimo. A razão tem raízes no pensamento. Entretanto, a
sabedoria não despreza nem o pensamento nem a razão; ela os usa em seu próprio âmbito, o âmbito da ação intencional, a busca da ciência e a coordenação das nossas impressões sensoriais, percepções, sensações, e emoções, tudo em um conjunto. Aqui o lado criativo do pensamento exerce sua ação, convertendo a matéria-prima da experiência na percepção de um mundo razoável. O tamanho desse mundo depende da faculdade criativa do indivíduo. A mente pequena vive no mundo dos efêmeros desejos; a grande mente vive na infinidade do universo e na constante percepção do mistério que dá profundidade e amplitude à vida, e assim impede que o mundo sensorial se confunda com a realidade última. Aquele que penetrou até os limites do pensamento ousa saltar na grande vacuidade, o campo primordial do
seu ser ilimitado.

Lama Anagarika Govinda foi fundador da Ordem
Arya Maytreia Govinda, expositor do Budismo
Tibetano, pintor e poeta.

Fonte: Revista Sophia, edição 85

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FILOSOFIA: QUAL A ESSÊNCIA DA SABEDORIA? POR MONJA COEN

A Monja Coen em sua Jornada da Quarentena ep 33 é o nosso destaque desta sexta-feira com a palestra sobre: “Qual a essência da sabedoria?” Aquilo que você faz, fala e pensa mexe com a trama da existência. Nada fixo e permanente dá libertação, tudo está em constante transformação e movimento. O sofrimento não é fixo nem permanente, nem cada parte do seu corpo, você é uma processo em transformação. Estes são os assuntos do conteúdo desta palestra. Portanto, convido você a assistir, curtir, refletir e fazer o seu juízo de valor!

Fonte:

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