CRÔNICAS: FIZERAM A GENTE ACREDITAR DE MARTHA MEDEIROS

Continuado à nossa série de 8 crônicas famosas, aqui na coluna CRÔNICAS, comentadas por Laura Aidar, temos nesta quarta-feira a 7ª crônica da série,  uma bela homenagem para a nossa grande escritora Martha Medeiros, com a crônica “Fizeram a gente acreditar”, de sua autoria.  Um dos temas que a autora aborda é amor e os relacionamentos. Na crônica Fizeram a gente acreditar ela traz uma análise certeira e contundente sobre a idealização no amor romântico. Desejo uma boa leitura!

7. Fizeram a gente acreditar – Martha Medeiros

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, nem contaram que ninguém vai contar. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.

Martha Medeiros é um dos nomes conhecidos na literatura contemporânea brasileira. A escritora produz romances, poemas e crônicas e já teve obras adaptadas para peças de teatro e audiovisual.

Um dos temas que a autora aborda é amor e os relacionamentos. Na crônica Fizeram a gente acreditar ela traz uma análise certeira e contundente sobre a idealização no amor romântico.

Martha apresenta seus pensamentos sobre o tema de maneira honesta, mostrando que a vida pode diversos caminhos, não existindo uma fórmula para vivenciar o amor. O que fica claro em suas palavras é a necessidade de auto-amor antes de mais nada.

Laura Aidar
Laura Aidar
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DICA DE LIVRO: MINDSET, A NOVA PSICOLOGIA DO SUCESSO, DE CAROL S. DWECK

O livro sensacional e revolucionário de Carol S. Dweck, ph.D., professora de psicologia na Universidade Stanford e especialista internacional em sucesso e motivação, Mindset, a psicologia do sucesso é a nosa DICA DE LIVRO desta quarta-feira. A autora desenvolveu, ao longo de décadas de pesquisa, um conceito fundamental: a atitude mental com que encaramos a vida, que ela chama de “mindset”, é crucial para o sucesso. Dweck revela de forma brilhante como o sucesso pode ser alcançado pela maneira como lidamos com nossos objetivos. O mindset não é um mero traço de personalidade, é a explicação de por que somos otimistas ou pessimistas, bem-sucedidos ou não. Ele define nossa relação com o trabalho e com as pessoas e a maneira como educamos nossos filhos. É um fator decisivo para que todo o nosso potencial seja explorado. Você que deseja melhorar a sua performance e alcançar a sua melhor versão não pode deixar de ler esta obra maravilhosa!

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: INSÔNIA INFELIZ E FELIZ DE CLARICE LISPECTOR, POR LAURA AIDAR

Nesta quarta-feira vamos seguindo com a nossa série de 8 crônicas famosas, aqui na coluna CRÔNICAS, comentadas por Laura Aidar, Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, hoje a homenagem vai para Clarice Lispector, com a crônica “Insônia infeliz e feliz”. Boa leitura!

3. Insônia infeliz e feliz – Clarice Lispector

De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Clarice Lispector teve muitas crônicas publicadas no Jornal do Brasil nos anos 60 e 70. Boa parte desses textos está no livro A descoberta do mundo, de 1984.

Um deles é essa pequena crônica que discorre sobre a insônia. Clarice consegue trazer os dois lados de uma mesma situação, em que às vezes ela se sente solitária, desamparada e angustiada; outras vezes consegue acessar toda a potência e liberdade do isolamento, vivenciando o que se costuma chamar de “solitude“.

Para ler mais textos de Clarice, acesse: Clarice Lispector: textos poéticos comentados.

Fonte: Cultura Genial

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DICA DE LIVRO: O VENDEDOR DE SONHOS DE AUGUSTO CURY

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é o romance mais vendido de Augusto Cury, que deu origem ao filme de Jayme Monjardim, com Dan Stulbach e César Troncoso nos papéis principais. Edição revista pelo autor, com passagens inéditas presentes na adaptação para o cinema. Um homem maltrapilho e desconhecido tenta impedir que um intelectual se suicide. Um desafio que nem a polícia nem um famoso psiquiatra tinham sido capazes de resolver. Depois de abalá-lo e resgatá-lo, esse homem, de quem ninguém sabe a origem, o nome ou a história, sai proclamando aos quatro ventos que as sociedades modernas se converteram em um hospício global. Com uma eloquência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos em uma sociedade que deixou de sonhar. Nada tão belo e tão estranho. Algo para uma séria e profunda reflexão, experimente!

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: CAFEZINHO DE RUBEM BRAGA, POR LAURA AIDAR

Seguindo com a nossa série de 8 crônicas famosas comentadas por Laura Aidar, Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, hoje a homenagem vai para Rubem Braga, com a crônica “Cafezinho”. Boa leitura!

2. Cafezinho – Rubem Braga

Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

– Ele foi tomar café.

A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante.

Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

– Bem cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

– Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

– Ele está?

– alguém dará o nosso recado sem endereço.

Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

– Ele disse que ia tomar um cafezinho…

Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

– Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí…

Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

A crônica Cafezinho, de Rubem Braga, integra o livro O conde e o passarinho & Morro do isolamento, publicado em 2002. No texto acompanhamos as reflexões do autor diante de uma situação em que um repórter vai falar com um delegado e precisa esperá-lo por longo tempo, pois o homem havia saído para tomar um cafezinho.

Esse é um bom exemplo de como as crônicas podem abordar assuntos do cotidiano para mergulhar em questões subjetivas e profundas da vida. Assim, é a partir de algo corriqueiro que Rubem nos fala sobre a tristeza, o cansaço, o destino e a morte.

Laura Aidar
Escrito por Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

Fonte: Cultura Genial

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DICA DE LIVRO: APRENDENDO A LIDAR COM A RAIVA DE THICH NHAT HANH

Nesta quarta-feira, aqui na coluna DICA DE LIVRO você vai conhecer “Aprendendo a lidar com a raiva” de Thich Nhat Hanh. Este livro tem como tema a raiva, mostrando como esse sentimento é uma emoção extremamente destrutiva e muito presente na nossa civilização. O autor procura ensinar como libertar-se dela, praticando o que ele chama de exercí­cio da ‘Plena Consciência’. Thich Nhat Hanh fornece instruções concretas sobre como transformar o anseio, a raiva e a confusão que existem dentro de nós, para que se torne possível cuidar do sofrimento e alcançar a paz para podermos ajudar outras pessoas.

Fonte: Acervo particular

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DICA DE LIVRO: O DIÁRIO DAS FOLHAS MORTAS DE ANTONIO MELO

Hoje quero homenagear um incrível escritor, grande talento potiguar, Antonio Melo, com o seu mais recente livro, “O diário das folhas mortas”. O mesmo autor de “A Vingança”, um dos melhores contos que já li na minha vida. Em o diário das folhas mortas o autor usou da mesma sagacidade para escrever o seguinte: Manoela ficou órfã de mãe muito criança. O pai sumiu no mundo e nunca mais deu notícias. Foi criada por um avô rigoroso, conservador e católico tradicionalista. Após o suicídio do velho patriarca, recebe, como ganho, um dele para que se torne freira e três volumes de um diário que conta bastidores da história do Brasil, da escravidão, das ditaduras latino-americanas. E o que tudo isso tem a ver com ela? Misteriosamente, algumas páginas do último volume foram arrancadas e estão desaparecidas. Num abrigo para idosos, uma das irmãs de caridade lhe entrega um misterioso envelope pardo com a palavra DOCUMENTOS. No convento onde passou a morar e pretende completar sua formação religiosa, a jovem descobre inúmeros e graves pecados acobertados pelo manto do silêncio cúmplice da Madre Superiora. Mas isso não é o pior…Quer saber do resto? Compre esse livro sensacional e divirta-se muito!

Fonte: Acervo particular

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CRÔNICAS: MANUAL DE INSTRUÇÕES, POR ANA MADALENA

O texto abaixo eu escrevi como exercício do curso Escrita Curativa, ministrado pelo escritor Fabrício Carpinejar. O objetivo era fazermos um manual de instruções sobre nós mesmos, facilitando as relações interpessoais. Convido-lhes a fazer o mesmo!

Imagem principal do produto Manual de Instruções Pessoal


MANUAL DE INSTRUÇÕES


CARO CONSUMIDOR

Nossos agradecimentos pela compra do ANA PREMIUM 5.8.
Recomendamos a leitura do manual de instruções antes de operar seu aparelho.

INFORMAÇÃO: Ana Premium 5.8

Você acaba de adquirir esse novíssimo  produto, um dos mais solicitados entre nossos  clientes. Como você já deve ter percebido, esse produto contém um componente “humano”, o que modifica totalmente a forma como você deve usá-lo. Para facilitar seu entendimento, seguem  dicas e regras para sua melhor utilização.

MANUAL DE INSTRUÇÕES 

A versão 5.8 do “Ana premium” é a mais moderna e fácil de manusear. Essa facilidade é decorrente de muito estudo no seu desenvolvimento, desde o seu lançamento, há quase seis décadas. Cada versão é melhor que a anterior; essa, no entanto, facilitará a compreensão do usuário por ser auto explicável. Tudo o que se precisa saber é só perguntar para Ana Premium 5.8, que estará sempre pronta para ajudar. Esse produto não possui botão liga/ desliga e é extremamente econômico.

PRECAUÇÃO: 

Ana Premium 5.8 não advinha pensamentos portanto, para um boa relação, o cliente não deve ter a expectativa que ela subentenda algo. O usuário também não deve fazer perguntas capciosas, nem tentar confundi-la mentindo, omitindo ou tentando reverter uma programação.

MODO DE USAR

Esse produto funciona melhor durante as noites e madrugadas. Existe um chip denominado “notívago” que, quando acionado, entra na função turbo. Ao amanhecer você deve colocá-lo no modo “desacelerar”, durante quatro horas; depois desse período ele volta a trabalhar com carga total.  No período da tarde, as baterias devem ser recarregadas.

PRECAUÇÕES 

Caso o usuário queira fazer uso em horários diferentes do que vem programado, recomendamos fazer a reprogramação indicada no topo do produto, acionando a tecla “cérebro”. O ideal é que essa mudança seja ajustada com três dias de antecedência. Não recomendamos fazer a reprogramação num espaço de tempo maior, pois o efeito será o oposto. Por conter muitas informações, a máquina humana pode simplesmente deletar a informação mas, uma vez reprogramada, passará a funcionar normalmente, sem prejuízo nas suas funções.

FUNÇÕES:
Operações básicas

Esse produto é apto a fazer todas as atividades descritas na página 2 desse manual mas, caso o usuário queira acrescentar novas funções, terá que acionar um especialista em “acrescentar dados”. Cada nova função requer um especialista diferente. O tempo de adequação dependerá única e exclusivamente da capacidade da máquina entender a nova solicitação.

AVISO:
Existem funções que são incompatíveis com o modelo Ana Premium 5.8. A melhor maneira de obter total satisfação é fazer uma consulta prévia ao fornecedor. Esse produto, por exemplo, diferentemente de outros similares, não possue dupla voltagem, mas pode ser utilizado tanto em português, inglês e espanhol.

GARANTIA 

A garantia do produto é do tipo “extendida infinito”. Em caso de mau uso, vícios e outros tipos degenerativos, a garantia pode ser extinta no modo “imediato”, sem direito a reposição.

CUIDADOS COM O PRODUTO 

Ana premium 5.8 é totalmente adaptável ao seu usuário. Da nossa linha, essa é sem dúvida a que resulta na melhor satisfação do cliente. Esse modelo tem como slogan “menos é mais”, por isso é simples e sofisticado ao mesmo tempo. O único cuidado que necessita é não expô-lo ao sol por mais de uma hora e, no restante do tempo, é necessário mantê-lo em local arejado.

VIDA ÚTIL 

Se bem cuidado, terá em torno de vinte anos de bom uso.

CUIDADOS NO MANUSEIO 

Apesar de ser extremamente fácil de manuseá-lo, esse produto é incompatível com  usuários preconceituosos. A tecla “percepção”,  é acionada cada vez que é detectada essa característica. A função dela é informar ao usuário sobre o preconceito vigente e analisar as razões para tal. Ana Premium 5.8 é excelente ouvinte e extremamente didática. Ensinar é uma das suas principais funções.

TECLA EXTRA 

Ana premium 5.8 possue uma tecla extra, que fica do lado esquerdo do aparelho. A tecla “emoção” está sempre ligada e, toda vez que o usuário faça ou fale algo que o produto considere emocionante, é derramado internamente um líquido transparente e salgado chamado “lágrima” que lubrifica suas fiações. Quanto mais a tecla “emoção ” é ativada, maior é a ligação do produto com seu usuário.

FUNÇÕES: 
Operações avançadas

É  normal o lay out do produto modificar com o passar dos anos. Quanto mais listrinhas aparecer na embalagem, mais inteligente ele se torna. Nesse estágio, a tecla “recordar” ficará ininterruptamente ativada. A memória do produto é acumulativa, sendo capaz de discorrer, nos mínimos detalhes o dia que foi adquirido pelo usuário. Essa é uma das funções mais admiradas pelos clientes, principalmente crianças e idosos.

ASSISTÊNCIA TÉCNICA 

Se o usuário cuidar bem do produto, ele nunca precisará de reparos. Em caso de danos fisicos, será automaticamente devolvido ao seu fornecedor.
Questões de cunho emocional, como pequenas  discussões, Ana Premium 5.8  aciona automaticamente a tecla “perdoar”. Diferentemente de alguns humanos, o produto prefere ser feliz a ter razão.

SAC
O email e telefone para tirar dúvidas sobre o produto, estão no verso da embalagem.

Aprecie seu Ana premium 5.8 sem moderação!
Bem vindo ao melhor dos mundos!

Ana Madalena
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CRÔNICAS: SOBRE HERÓIS, FADINHAS E FANTASMAS…POR ANA MADALENA

Nesta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS temos a penúltima das fantásticas histórias de Ana Madalena, fechando uma série de 30 incríveis contos maravilhosos que vão ficar na minha memória. Infelizmente a nossa querida colaboradora vai ter que se dedicar a uma nova empreitada. Uma experiência de vida inédita para ela e não vai mais poder escrever suas belíssimas e cativantes crônicas em nossa coluna. Então aproveite para desfrutar dessa experiência sobre Heróis, fadinhas e fantasmas. Uma singela homenagem aos nossos heróis olímpicos!

Sobre heróis, fadinhas e fantasmas…


Estava ontem no intervalo do trabalho, num daqueles cantinhos do café,  quando escutei um comentário sobre as olimpíadas, o ouro de Rebeca na ginástica olímpica e outros tantos orgulhos, como nosso garoto de Baía Formosa, Ítalo e a menina Rayssa, do skate. Meu comentário foi exatamente sobre ela, que, segundo li, recusou-se a tirar fotos com políticos, por não ter recebido apoio algum.  Rayssa, chamada de fadinha, do alto dos seus 13 anos, não quis desfile em carro de bombeiro, muito menos festa, consciente da pandemia e da carona que queriam pegar no seu nome; Ítalo também seguiu essa linha e, discretamente, desembarcou em Natal, onde seguiu direto para as águas conhecidas de sua praia, onde começou a surfar com uma tampa de isopor.

Já estávamos voltando para nossas salas, quando um colega soltou uma frase que me chocou; o tema era a ginasta Simone Biles, que, “do nada”, desistiu de várias competições, alegando preservar sua saúde mental. Ele sugeriu que ela tinha amarelado por ser coisa de mulher, de estar com Tpm. Alguns riram, o que estranhamente não me impressionou, assim como não me impressionou o nome da ginasta virar chacota, tipo ” não vá dar uma de Biles”! Sim, tenham pena de mim; conviver com algumas pessoas é uma luta diária! Se houve uma coisa “boa” nessa pandemia foi não ter que estar com certos tipos, principalmente Eduardo, a quem eu escrevo essas breves linhas.

“Do nada” não existe. Tire isso da sua cabeça! Basta olhar para você, para sua história; tudo que você é tem um porquê. E se você está nesse lugar, é graças a uma série de fatores. Para o bem ou para o mal ( estou sendo cínica). Dito isso vou tecer algumas considerações, mas adianto que se você não quiser ler algumas coisas, pare por aqui. Hoje não estou para brincadeira, e não é coisa de mulher, de feminista recalcada, como você adora se referir às mulheres. Minha “praia” é um bom debate e nesse esporte, sou faixa preta.

Não sei se você já viveu ou conviveu com alguém que teve depressão, ansiedade ou pânico. Se teve a sorte de passar ileso à isso, que bom pra você porém, com tanta informação, me espanta você não ter lido sobre o assunto. Talvez você não dê a mínima para o tema ou, por outro lado, o excesso de informação lhe provoque repulsa. Sei que lê apenas comentários curtos e não se aprofunda nos assuntos; detesto sua síndrome de Dunning-Kruger, mas isso  é o de menos em se tratando de você. Chego até a rir internamente do tanto de bobagem que você diz!. Qualquer dia, quando você tiver tempo, quem sabe a gente senta para ter uma conversa de homem pra homem, como você mesmo gosta de dizer! Que ridículo!

Com certeza você não faz ideia da rotina de atletas olímpicos, nem eu, mas como gosto de ler, sei que no geral, eles começam muito novinhos, saídos das fraldas. Na folha corrida, eles têm uma vida difícil, pobre, treinando em condições impensáveis, com dezenas de lesões, ossos quebrados, mas muita vontade de vencer. E não tem essa que o importante é competir; vivem a pressão de ter que ganhar mesmo, a qualquer custo.

Então vamos ligar os pontos: depois de viver anos a fio, repetindo movimentos por horas seguidas, sem sábado, domingo ou feriado, não podendo ir à festinhas, tendo que fazer dieta, distante da família e amigos, sem poder ter uma vida dita normal, é claro que uma pessoa pode ficar com muitas questões. E até onde você aguenta que a corda estique?

Simone sofreu de um tudo para se tornar o que é hoje; dê um Google que você vai entender como é a vida das meninas que você resume em “corpos estranhos, cheios de brilhinhos na roupa e fitinhas no cabelo”. O problema dela tem um nome: twisties, que seria uma falta de orientação espacial e por consequência uma inabilidade de fazer giros, o que pode ser muito perigoso, uma vez que o atleta pode cair gravemente. Isso talvez explique o porquê dela somente ter competido na trave, ganhando bronze, que você debochou, dizendo ter sido prêmio consolação.

Eu acompanho o esporte à distância; para falar a verdade, gosto muito mais das histórias de vida dos atletas do que mesmo dos seus feitos. Uma coisa que muito me espanta no atletismo é a velocidade com que a tecnologia avança para ajudá-los fisicamente e, inversamente proporcional, é o cuidado com o emocional deles. Se eu fosse atleta de ponta, andaria com um psicólogo comigo. Viver sob pressão 24 horas por dia é insuportável. Talvez por isso eles tenham que arranjar fórmulas para desestressar, e não pode ser comida e álcool. À proposito, Thomas Daley não é um esquisito fazendo tricot; cada um desestressa como pode. O seu modus operandi todos sabemos qual é. Pulemos essa parte!.

Do pouco que vi nas madrugadas olímpicas, me pareceu que esse ano a empatia chegou mais perto desse universo, com gestos dignos de medalha de ouro. Sim, há uma riqueza humana por trás de todo esse show.  Infelizmente para alguns atletas, a Internet todo dia elege um para Cristo; Simone trouxe a discussão para a saúde mental no esporte; talvez essa questão tenha sido mais importante do que se tivesse conquistado medalhas de ouro. O tempo dirá.  A mesma sorte não teve Diego Hipólito, que foi achincalhado como o atleta do solo, que caiu de cara e de bunda. Sim, meu caro Eduardo, os atletas ainda têm que lidar com a frustração de, no próprio país, ser piada recorrente. Barrichelo que o diga!

Mas enfim, era isso que eu tinha para lhe dizer e, se eu pudesse resumir em uma palavra, essa seria LEITURA, um bom começo para você deixar de falar tanta besteira. No mais, saiba que conto as horas para sua transferência!

Só para acrescentar, segue uma listinha de heróis, fadinhas e fantasmas, que como o nome diz, são fantasmas. Estão dentro da cabeça de alguns desses atletas. Com sorte, a maioria consegue conviver bem com eles!

Rebeca Andrade – ouro  e prata na ginástica artística
Italo Ferreira – ouro no surf
Laura e Luisa – bronze no tênis feminino
Rayssa Leal – prata no skate street
Kelvin Hoefler – prata no skate street
Fernando Scheffer – bronze na natação
Bruno Fratus – bronze na natação
Mayra Aguiar – bronze no judô
Daniel  Cargnin – bronze no judô
Martine e Khaena – ouro na vela
Abner Teixeira – bronze no boxe
Alison dos Santos – bronze nos 400 mts com barreiras
Thiago Braz – bronze no salto com vara

Agora, em algum lugar em Tóquio, essa lista já deve ter aumentado! Parabéns aos medalhistas e aos não medalhistas. Vocês são incriveis!

Ana Madalena
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CRÔNICAS: FECHANDO GAVETAS, POR ANA MADALENA

Aqui na coluna CRÔNICAS desta quarta-feira a nossa querida amiga e colaboradora Ana Madalena nos presenteia com mais uma de suas pérola, onde homenageia de forma lúdica e carinhosa seus “amigos”, contando uma história sobre “fechar gavetas”. As gavetas que são como páginas ou episódios da nossa vida. Então eu te convido para ler esse maravilhoso conto e se deliciar com mais essa criativa e instigantes história!  

Fechando gavetas


Detesto pessoas que preferem falar da devastação em vez da jardinagem. Tão melhor focarmos no lado positivo da vida… Meus amigos, guardadas suas peculiaridades, são bons jardineiros. E para nós, a amizade é uma coisa sagrada; se a gramática permitisse, gostaria que a palavra amigo fosse sempre adjetivo, independente do lugar na frase, afinal ser amigo é “apesar de”!

Nunca entendi porque desfilar em carro de bombeiro é sinônimo de sucesso, não desmerecendo os bombeiros, claro. Mauricio sonha com isso! Inventou até um concurso culinário para a TV local, talvez por não ter sido selecionado para um reality gastronômico, onde os três primeiros colocados farão um passeio no “vermelhinho”. Mauricio cozinha super bem e é excelente anfitrião, além de muito família!  E se tem uma coisa que admiro nele é que, de um jeito ou outro,  ele faz acontecer! Além de ser comicamente hiperbólico!

Olivia é, de longe, uma  das pessoas mais inteligentes que conheço. Tem Phd, Phe, Phi e todo o resto do alfabeto em Economia. Seu grave defeito, para outros, é ser extremamente culta e demonstrar conhecimento. Ela adora dar dicas, fazer citações e contar histórias interessantes, algumas de morrer de rir, mas ganhou a pecha de ser metida a besta e não tem argumento que faça com que sejam mais tolerantes com ela. Coitados, não sabem quanto perdem… Muito do que sei devo a ela e me sinto uma privilegiada por ter sua amizade.

Camille, com dois “L” é unanimidade em aceitação. Desde o colégio  transitava bem em todos os grupos. Realmente ela é dessas raridades  que o tempo não modificou. Casou muito jovem, com o namoradinho de escola e formou uma família linda. Seus três filhos são meninos muito bons e companheiros. Camille é a minha amiga de todas as horas, sempre pronta para uma conversa e é de longe a mais sensata das pessoas. Na régua de alguns, ela é classificada como  “boazinha”, a que está sempre procurando agradar todos.

Eu, assim como todos os meus amigos, temos em comum o fato de termos sido, em algum momento das nossas vidas, submetidos a uma classificação, um rótulo. Eu não sei de onde surgiu essa coisa de resumir uma pessoa a uma única coisa, mas acho muito desagradável e extremamente prejudicial em todos os níveis da vida, principalmente no emocional, quando você deixa de “estar” para “ser” e a fama chega antes da pessoa. Haja gaveta para tantos rótulos!

Lembro que, há muitos anos, resolvi mudar a cor do meu cabelo, originalmente preto, para um  tom acobreado. Não quis descolorir para não enfraquecer a fibra, então passei um bom tempo pintando até chegar na cor desejada. Nunca esqueci quando virei fofoca numa mesa de restaurante, onde, coincidentemente, estavam esses três amigos reunidos, planejando a primeira comunhão do caçula de Camille. Mauricio seria o responsável pelo cardápio e Olivia organizaria um livrinho com orações e escreveria um textinho sobre o significado da data.

Eu estava em Búzios, meio que de férias, na casa de tia Lúcia, que levara uma queda e machucara gravemente o ombro. Na família, eu faço o papel de “cuidadora”;  não tenho problemas em dormir em sofás estreitos de hospitais ou em qualquer lugar,  e gosto mesmo de cuidar dos meus, principalmente se eles gostam de conversar ou que eu leia para eles.

Minha rotina em Búzios incluía desde ajuda na hora das refeições até escovar os cabelos da minha tia. Com o passar dos dias acrescentamos caminhadas na praia, onde depois sentávamos nas cadeiras que tio José prontamente trazia e ali, embaixo de um guarda sol, eu deixava os dois enquanto aproveitava para tomar banho de mar.

Após um mês, retornei para casa. O sol de Búzios me conferiu um bronze bonito, um aspecto saudável, mas a junção de sol e mar destruiu a cor do meu cabelo. Ficou quase um laranja! Minha cabeleireira, que tinha viajado para fazer um curso, só chegaria três dias depois e eu resolvi esperá-la, ao invés  de ir para outro salão.

– Vocês souberam de Ana? Parece que arranjou um namorado surfista em Búzios e agora deu até para fumar um cigarrinho batizado!
-E aquele cabelo ridículo? Deve ter passado parafina!
-É muito sonsa… Fica posando de certinha mas por trás, é só quem apronta!

Esses foram alguns dos diálogos que meus amigos ouviram antes da confusão! Sim, amigo que é amigo defende o outro até o fim. Olivia, educadamente, pediu licença àquelas pessoas e começou, do seu jeitinho, a falar que era feio inventar histórias, que calúnias podem destruir a reputação de uma pessoa, etc. Camille, muito maternal, tentou contar o que de fato tinha acontecido, o porquê da minha ida à Búzios, mas foi debalde.  Mauricio, bufando, levantou-se e sem o menor constrangimento, pegou os copos de cada um dos meus detratores e derramou o líquido sobre suas cabeças. E o tempo fechou! Todos foram expulsos do restaurante e nós rimos dessa história até hoje! Ainda bem que à época não existiam redes sociais, nem o  tribunal da Internet!

Os rótulos, ou etiquetagem de pessoas, são geralmente colocados em uma determinada época da vida que, com sorte, vai sendo esquecido com o passar do tempo. Não faz sentido continuar sendo chamado de irresponsável quando hoje você é o oposto. Se o mundo mudou tanto em vinte anos, o que dizer de nós?

Li em algum lugar que na viagem da vida, todo peso inútil atrasa a caminhada. Confesso que essa frase virou um mantra para mim e já descartei várias gavetas, sem nenhum remorso.
Convido vocês para fecharem algumas gavetas também!

Ana Madalena

 

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CRÔNICAS: O LADO B, POR ANA MADALENA

A nossa coluna CRÔNICAS desta quarta-feira está sensacional, com mais uma história quase verdadeira da fenomenal Ana Madalena, que conta a saga de uma amiga que passou a vida inteira enganada quanto as suas origens e finalmente, ao descobrir toda a verdade virou pelo avesso e desencavou o lado B. Vale a pena ler esse conto hilariante. Boa diversão! 

Bom demais para ser verdade? O Japão provavelmente não vai pagar por metade da sua próxima viagem - Passageiro de Primeira

O lado B


Essa é uma história quase verdadeira. Ela é baseada numa mentira, que só foi descoberta há poucos dias. O sentimento de frustração da minha amiga foi enorme e sua reação foi… Bem, não vou julgar. Não sei o que faria no seu lugar. Aliás, ultimamente tenho como meta de vida não julgar ninguém, coisa que fazia inconscientemente. Que desperdício de tempo!

Nos conhecemos há alguns anos quando fizemos um curso de ikebana. Ela era tímida, tinha uma fala suave e gestos calmos. Confesso que sempre admirei sua postura corporal, talvez por eu ser estabanada e gesticular demais. Akine também era muito disciplinada, principalmente na hora das refeições; eu até tentei incorporar seu estilo, comer mais grãos integrais,  beber chá depois do almoço, mastigar bastante, mas isso não durou nem um mês. Em todos esses aspectos estou cada dia pior; faço as refeições diante da TV  e não quero ver chá pela frente!

Ela tentou me ensinar meditação, mas não deu certo. Eu não me concentrava e abria meus olhos o tempo todo, só para checar se ela estava “zen”  mesmo. Uma vez me pegou no flagra e gentilmente disse que eu tentasse focar noutra técnica, pois sou dispersa. Eu tenho esse “problema” de foco mesmo… No colégio, eu não conseguia me concentrar nas aulas. Havia sempre alguém com um fio de cabelo solto na roupa ou um colarinho manchado na minha mira. Meu pensamento estava sempre noutro lugar. Bem, mas essa história não é sobre mim…

Akine tinha uma beleza rara; cabelos pretos e brilhantes, olhinhos puxados e uma pele maravilhosa. Filha única, ela manteve as tradições; sua descendência asiática vem dos  “ancestrais”, como se refere aos tataravós. Ela era encantada com a sabedoria milenar; o apartamento de Akine, por exemplo, tem uma sapateira na entrada, motivo de estranhamento  para quem a visitara antes da pandemia. Nunca permitiu que entrassem em sua casa com sapatos; além de serem sujos, trazem más energias. A decoração, minimalista, era totalmente temática e as únicas músicas que escutava eram aquelas que têm som de água e pássaros.  Seu sonho de vida sempre foi ir para o Japão mas, somente ano passado, conseguiu se organizar financeiramente para fazer uma viagem mais longa. Ela tinha muitos planos…

Lembro quando me ligou chorando; seu voo fora cancelado por tempo indeterminado. Pediu para eu ir até sua casa, precisava conversar com alguém; queria entender como seria o “tal” isolamento. O anúncio da quarentena inicial nos pareceu uma eternidade… Convenci-a que não tínhamos muito o que fazer; era torcer para que o tal vírus fosse abatido!  Esperançosas, resolvemos fazer um brinde para a descoberta da cura e… Ah! Tenho uma coisa para dizer sobre brinde. A primeira vez que brindamos, eu, por óbvio, disse “tim-tim; ela, envergonhada, explicou que em japonês isso significava o nome do órgão sexual masculino. Desde esse dia só digo “Kambai”, mesmo estando com outros amigos; impossível não fazer a “tradução”!

Aproveitamos o cancelamento da viagem para aprofundarmos os estudos sobre o Japão. Sim, eu também gosto de muitos aspectos daquele povo, mesmo sabendo que nunca, n-u-n-ca, irei por lá. Meus pais já foram umas três vezes, são encantados por tudo, acham lindas as cerejeiras, mas eu só registro a informação de que é muito longe, argumento infalível para eu desistir de qualquer viagem.

Akine resolveu fazer a árvore genealógica, na esperança de encontrar algum parente por lá e, à partir dessa informação, entrar em contato para combinar uma visita. Animada,  contratou uma profissional para fazer esse estudo.

Era um fim de tarde, eu estava saindo do trabalho quando Akine ligou. Falava intempestivamente e eu, sem conseguir entender, resolvi ir à sua casa. Levei um susto; uma Akine loiríssima atendeu a porta, bebendo cerveja, bebida que detestava, e me entregando um copo, disse:
-Tim-tim, Ana.  ( Eu falei kambai, juro!)

-Estamos celebrando o quê mesmo? Perguntei desconfiada.
– A grande farsa! A farsa que é a minha vida!

Akine recebera o estudo familiar e descobriu que nunca existiu descendente asiático na família. Houve, sim, um erro no cartório;  em vez de registrá-la como Aline, trocaram a letra. O fato de ter um olhinho puxado ajudou a criar uma mentira para salvá-la do bullying de ter um nome esquisito aos nossos padrões. A “japinha”, alcunha desde o ensino fundamental, foi considerada exótica por um bom tempo, principalmente no interior da Paraiba, onde nasceu.

O desenrolar dessa mentira vai mais longe. Sua mãe, venerada por ela, passou a ser vilã. Ela não morreu no parto, mas fugiu com o seu pai biológico, que soube depois ser um sujeito atarracado, de olhos puxados e cabelos pretos como o dos índios. Ao seu pai, o que lhe criou, coube inventar essa mentira para não manchar a honra materna. E, sendo funcionário de um banco, pediu transferência logo que o escândalo tomou conta da cidade. Eles moraram em vários lugares, até quando seu pai se aposentou aqui, em Natal. E foi ele quem deu os detalhes dessa história; tirou um peso dos ombros, coitado!

A nova Akine em nada se parece com a pessoa que conheci. Ultimamente escuta  pagode, funk e até sertanejo. Deixou de lado suas roupas sóbrias e destruiu, repito, destruiu, toda a decoração do apartamento. A sapateira, na entrada, permaneceu intacta, mas apenas por causa do covid. A viagem para o Japão foi trocada por Paris, Roma e Lisboa para quando a pandemia ceder.  E, na primeira oportunidade, irá para o Carnaval no Rio. Está louca para se esbaldar na avenida!

Sabe aquela pessoa de gestos contidos e fala mansa? Essa agora sou eu, na frente do que Akine se transformou. Imagine você que, enquanto lhe escrevo, estou na sala dela, esperando que termine uma aula on line de street dance. O pior é que agora eu estou com um problemão: não estou gostando desse lado B, dessa nova personalidade, cheia de novidades e zero bom senso. Como faço para dizer isso sem magoá-la? Aceito sugestões.

Ana Madalena
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CRÔNICAS: SOBRE NASCIMENTO, INFÂNCIA E OUTRAS COISINHAS…POR ANA MADALENA

Nesta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS temos uma história verídica travestida de conto que a imaginativa Ana Madalena com muita inspiração criou, tirando do fundo do baú da sua rica e feliz experiência de vida. Foi buscar na sua infância lembranças imemoriais, lúdicas de relacionamentos com pais, irmãos e coleguinhas da escola. Então convido você a ler essa crônica atraente que mistura ficção com realidade! 

Sobre nascimento, infância e outras coisinhas…


Dizem que muito do que somos é explicado pela posição dos astros na hora do nosso nascimento. Eu discordo; acho que depende muito mais da hora da concepção, que, no meu caso, quase não aconteceu. Explico: sou fruto de uma camisinha furada; posso encher o peito e dizer que, na corrida de obstáculos, cheguei em primeiro lugar ao pódio. Isso não é para qualquer um. Até hoje tenho na memória aquele milésimo de segundo quando rompi a borracha de látex e nadei rumo ao útero. Na hora pensei: -Enfim só! Livrei-me daquela aglomeração! Nada como reinar absoluta durante nove meses, vivendo de sombra e água fresca.

Era madrugada chuvosa. Dentro e fora da barriga da minha mãe. Escutei sua voz abafada e, pelos movimentos estranhos, percebi que algo não ia bem. Senti um empurrão.
-Como assim, estou sendo expulsa do meu úterozinho? Ainda falta um mês para terminar o contrato!
Por mais que eu não quisesse fazer a mudança, não teve jeito e cheguei ao mundo, antes do tempo. Eu, que já estava toda trabalhada para nascer leonina, do nada, me transformei num caranguejo. Os astros devem ter se enganado, tamanha a confusão que causaram. Minha mãe, coitada, que engravidara quando meu irmão estava com cinco meses, ainda teve que correr contra o tempo para organizar minha chegada inesperada. Diferentemente dele, que era péssimo para comer, já nasci faminta e com o dedo atolado na boca. Não foi de estranhar, quando, aos onze anos, tive que fazer uso de aparelhos dentários, de tão dentuça que era. À época não era comum, mas minha mãe sempre atenta, correu para resolver esse probleminha. Claro que rapidinho virei motivo de chacota e fui chamada de “boca de ferro”, um dos apelidos carinhosos que recebi na vida.

Apesar desse meu nascimento micareta, não fui uma bebê frágil. Muito pelo contrário. Me sentia poderosa, tanto por ter vencido a corrida e, mais ainda por ser a princesinha do lar. A verdade, confesso, é que eu queria mesmo ser filha única, mas na impossibilidade, curti ser única filha. Só fiquei desconfiada mesmo quando vi a barriga da minha mãe crescer…. Aí tem coisa, pensei!. E não deu outra! Nunca esqueci da noite que me colocaram na cama e disseram que eu ia ganhar um irmãozinho.
 – Você prefere chamá-lo Gustavo ou Alexandre?
Quem se importa, pensei! Mas avaliei bem e percebi que estaria no lucro. Ainda reinaria como a menininha da casa…

Eu só não contava com o fator surpresa! Ver minha mãe chegar em casa com um bebê de laço rosa no cabelo estava fora dos meus planos. Corri para o meu quarto e chorei. Chorei mais ainda quando disseram que escolheram um nome para ficar rimando com o meu. Naquela época era comum nomes compostos, então éramos Ana Madalena e Suzana Helena. Eu nunca tive direito ao diminutivo; não faço ideia por que nunca fui Aninha, enquanto minha irmã já veio ao mundo como Suzie.

Percebi uma remodelação de móveis na casa. Meu bercinho passou para o quarto dos meus pais e eu ganhei uma cama, de onde eu caía praticamente todas as noites, algumas de propósito. Cansaram de me encontrar dormindo no chão. Eu, que lutava para dividir atenção com meu irmão, de repente me vi tendo que fazer contorcionismo para ser notada. A caçulinha era o xodó da família; o mais velho, primogênito, era o orgulho. Eu era apenas a filha do meio.

Daí em diante minha vida só piorou, fiquei rebelde mas, por sorte,  já estava em tempo de ir para a escola. Reza a lenda que nos bancos escolares eu era um doce de candura,  participava de todas as atividades recreativas, e por isso mesmo, fui até escolhida para ser a noiva da quadrilha da minha turma, posição almejada por todas as meninas. Eu fiquei empolgadissima, mas, apesar da minha alegria, pude constatar que era alvo de inveja, de uma inveja que tinha requintes de crueldade.

E aconteceu o que temia. No recreio, quando estávamos no parquinho, fui desafiada a subir no escorrego. Todos sabiam que eu tinha medo de altura.  E lá em cima eu congelei; hoje sei que foi um ataque de pânico. A menina que estava atrás de mim deu um empurrão e, como eu ainda estava em pé,  me desequilibrei e cai de cara no chão. Ouvi muitas risadas. Lembro até  que estava vestindo um shortinho azul e uma blusa imaculadamente branca, que nessa hora, virou uma mistura de barro e sangue. O meu dente da frente, que ainda teria alguns anos na minha boca, caiu com o impacto. Ninguém da minha turma tinha perdido dente de leite até então.  Desde esse dia  passei a ser identificada como” a banguela do preliminar”.

Comecei a me ausentar do recreio. Algumas amiguinhas foram solidárias e por vezes permaneceram na sala comigo. Ir para o colégio tinha se tornado um fardo e, da menina falante, não restara nada. Virei introspectiva, passei a ler revistinhas, hábito que me dava prazer e que, no futuro próximo me impulsionaria para ser uma leitora voraz. O mundo dos livros era uma realidade à parte e que me preenchia totalmente. Só para constar,  rapidinho voltei a ser tagarela, foi só uma fase.

Muito se passou desde então. Adoro  relembrar algumas dessas histórias, mas não com saudosismo melancólico, até porque o passado deve ser um lugar de referência e não de residência. A minha menina “do meio” sobreviveu ilesa a infância e adolescência e, adulta, está tirando de letra esse mundo de fakes, filtros e outras coisinhas mais…

Ana Madalena
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POESIA: O QUE VOCÊ VAI GANHARCOM ISSO? POR ALLAN DIAS CASTRO

POESIA: O QUE VOCÊ VAI GANHARCOM ISSO? POR ALLAN DIAS CASTRO
Allan Dias Castro, como nasce um poema

Nesta sexta-feira, aqui na coluna POESIA, o talentoso Allan Dias Castro está revisitando o texto “A Mudança” para lembrarmos da pergunta que muda tudo: O que você ganha com isso? Assista ao vídeo, curta, aprecie, reflita e tire suas conclusões!

Fonte:

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CRÔNICAS: O SILÊNCIO DAS PALAVRAS, POR ANA MADALENA

Hoje temos, aqui na coluna CRÔNICAS, mais uma pérola da nossa preciosa colaboradora Ana Madalena. Desta vez ela nos remete a uma viagem no tempo, através das páginas da Bíblia Sagrada, até os idos da famosa Torre de Babel para nos lembrar que o que estamos vivendo atualmente, em muito se parece com a “confusão de vozes, algazarras e mistura de línguas”, daquele tempo. Mas prefere o Silêncio das Palavras a todo esse barulho. O silêncio, a leitura, o conhecimento, a reflexão…Um texto para nos fazer refletir até que ponto evoluímos ou retroagimos nessa longa caminhada experiencial! Portanto convido você a ler, refletir e fazer o seu juízo de valor!

O que era a torre de Babel? - Respostas Bíblicas

O Silêncio das palavras

Ah o tempo… A impressão que tenho é que estamos retroagindo, e sob um aspecto muito sombrio. Uma história que sempre me vem à mente, está no capítulo 11 do Gênesis, a construção da Torre de Babel: Os descendentes de Noé construíram um altíssimo monumento com o objetivo de alcançar o céu. Chateado com a blasfêmia, Deus teria feito com que os trabalhadores falassem línguas diferentes, o que inviabilizou a conclusão da obra. Por causa desse episódio, a palavra Babel adquiriu nos dicionários, significados como “confusão de vozes, algazarra e mistura de linguas”.

Estamos vivendo em um mundo onde as pessoas, apesar de suas semelhanças, mal se entendem; a nossa Babel agora são as redes sociais. Várias vezes, quando leio alguma coisa, me questiono porque as pessoas ficaram tão intolerantes, ou pior,  porque perderam o bom senso e a capacidade de ouvir. Sinto saudades de um tempo em que éramos mais humanos e menos críticos. Por sinal,  lembro que, quando adolescente, a maior critica que eu recebi foi ser chamada de “esquisita”, por ter um passatempo diferente. Diferente para os outros, claro.

Sobre esse tema, sou solidária aos gostos alheios. Acho incrível quem gosta de escalar montanhas, mesmo sabendo do risco de uma avalanche, ou quem decide ser bombeiro e enfrentar a “ferro e a fogo” o perigo de um incêndio de grandes proporções. Não nasci com esses rompantes de aventura, sou muito medrosa e o máximo de risco que corri até hoje foi escrever um diário que displicentemente deixo aqui e acolá. No geral eu sou muito simples e metódica.

Estava organizando meus armários e encontrei uma caixa que há muito não via. Eu tenho um hábito que está se tornando cada vez mais raro, até por vivermos num mundo digital; eu coleciono matérias de revistas. Eu adorava quando precisava ir para alguma consulta médica e me deparava com uma mesa lotada de revistas, algumas já fazendo aniversário. Eu torcia para que o médico atrasasse só para poder folheá-las com tranquilidade e, quando encontrava algum artigo interessante, eu pedia para destacar a página. Foi assim que comecei a minha coleção, motivo de risos entre meus irmãos, que se gabavam de possuir uma coleção de selos e moedas, e não páginas de revistas velhas.

Minha coleção cresceu bastante quando, ainda na Universidade, estagiei num escritório, sempre bem abastecido. Meus colegas de sala  soltavam piadinhas do bem, com exceção de Núbia, uma secretária muito esquisita. Ela me olhava com curiosidade e sempre perguntava qual a finalidade daqueles papéis; eu, pacientemente, explicava que os artigos eram como cápsulas de conhecimento, que uma hora ou outra, poderiam explodir, dependendo da minha necessidade. Ela franzia o cenho, em aparente desaprovação.

Depois de dez meses, meu estágio chegou ao fim. A última semana foi bem melancólica, mas combinei de rever os colegas. Umas duas semanas depois retornei e, para minha surpresa, lá estava Núbia, ocupando a “minha mesa” e, curiosamente, vestindo roupas semelhantes às minhas, até a armação de óculos era igual. Em cima da mesa, algumas revistas, uma tesoura e algumas pastas, exatamente das cores que eu tinha. Com um sorriso, olhou pra mim e disse:
– Ana, eu sou a nova você!

No mundo sempre existirão pessoas que vão gostar de você pelo que você é, e outras que vão lhe odiar pelo mesmo motivo, mas só nós sabemos de fato quem somos. Dito isso, informo que Núbia desistiu de mim; classificou-me como um caso clássico de excentricidade! Talvez eu seja mesmo. No ruído dessa Babel, sou mais o silencio das minhas palavras.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O LADO BOM DAS BACTÉRIAS DE ALESSANDRO SILVEIRA

Nesta quarta-feira a nossa DICA DE LIVRO continua na linha da saúde integral apresentando um livro que desmistifica as bactérias como agente danoso para o organismo humano. O lado Bom das Bactérias de Alessandro Silveira que vai lhe ensinar a criar um exército de bactérias que serão acionadas para trazer tudo aquilo de que você precisa. Especialista em microbiologia, Alessandro Silveira reúne nesta obra informações valiosas sobre esses seres microscópicos que habitam o corpo humano e que são de extrema importância. Vivendo em diversas partes do corpo, como intestino, pele e vagina, as bactérias formam um poderoso exército de defesa e proteção do organismo. O lado bom das bactérias é para todos aqueles que desejam saber mais sobre essa poderosa microbiota que vive dentro de cada pessoa. São aproximadamente cem trilhões de bactérias, responsáveis por inúmeras funções, dentre as quais criar condições de bem-estar e, inclusive, produzir felicidade. Alessandro mostrará como, por meio de medidas descomplicadas, você pode decifrar seu organismo e alcançar uma vida com plena saúde física, mental e emocional. Neste livro, você vai aprender: Como as bactérias são uma importante defesa natural do corpo humano; Sobre o funcionamento de antibióticos e a necessidade do uso adequado e sob orientação médica; Sobre a conexão entre intestino e cérebro e sua importância na manutenção do sistema nervoso central; Como o tipo de parto e amamentação influenciam toda a sua vida; Sobre o formato das fezes e como isso pode indicar possíveis alterações em sua saúde. Então o que está esperando?

Fonte: Acervo próprio

 

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CRÔNICAS: TINHA TUDO PRA DAR ERRADO…POR ANA MADALENA

Quarta-feira é dia de CRÔNICAS com a nossa querida Ana Madalena que não para de surpreender com seus contos super imaginativos, alegres, divertidos e bem humorados. A história de hoje aborda uma linda história de amor que atravessou várias décadas e gerações e promete ser infinito enquanto dure. Portanto, convido você a ler mais essa crônica maravilhosa e emocionante!

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Tinha tudo para dar errado…

O ano era 1961. Logo cedo, os noivos decolaram num teco-teco, do campo de aviação de Capim Macio, em Natal, rumo a Santana do Matos, cidade da noiva e onde seria o casamento, marcado para as dez horas daquela manhã. O piloto, amigo do casal, também era fotógrafo e, além de levá-los, faria as fotos da cerimônia. Diferentemente do que diziam, que noivos não podem se ver antes do casamento pois dá azar, os dois viajaram lado a lado, indiferentes aos ditados populares.  Ela, compenetrada, carregando no colo o bolo de casamento. Ele, nervoso, contando os minutos para estar em terra firme.
A chegada foi no horário previsto. Antes de irem para a igreja, deram uma passadinha na casa dos pais da noiva para se recompor e vestirem  seus trajes para a cerimonia. A viagem, embora curta, foi desconfortável para o noivo, que enjoou todo o percurso, coitado…  Ainda bem que naquele dia não choveu, muito pelo contrário. O céu estava limpo, sem nuvens; não houve turbulência, a não ser umas rajadas de vento que balançaram a aeronave. Por sorte, o piloto era experiente e fez um excelente voo. O bolo e a noiva chegaram intactos, já o noivo estava bastante pálido e, quando saiu do avião, beijou o solo, gesto copiado pelo Papa João Paulo II anos depois.
Minutos antes de seguirem para a igreja, um rapaz veio avisar que o padre chegaria atrasado. Todos falaram ao mesmo tempo:
– Quanto tempo?
O jeep, que o padre estava dirigindo para celebrar uma missa  no município vizinho tinha quebrado e ele voltaria de jegue, o que levaria o dobro de tempo. O pai da noiva saiu numa carreira só; precisava  avisar os convidados, que já estavam na igreja. Alguns voltaram para seus afazeres e outros, mais fervorosos, resolveram permanecer e rezar para que tudo desse certo.
Ao meio dia o sol estava a pino. A mãe da noiva se abanava, tentando em vão afastar o calor. A paisagem, árida, mostrava que aquele era mais um ano de seca; o açude da cidade estava praticamente vazio. Enquanto resmungavam sobre o tempo, imaginavam a situação do padre, conhecido por seu mau-humor e nervosismo. O noivo, que desde criança  tinha problemas de hipoglicemia, começou a dar sinais de que iria desmaiar. O corre-corre para acudi-lo foi grande. A noiva, aperreada, foi esquentar um pouco de leite, enquanto checava se a cobertura do bolo estava derretendo. Estava; o bolo praticamente desmoronou.
Finalmente anunciaram que o padre já estava na Igreja. Os noivos, ansiosos, deram os últimos retoques no visual e seguiram para finalmente selar a união. À entrada da igreja, o piloto, muito nervoso, pediu desculpas ao casal;  informou que esquecera de trazer a máquina fotográfica. A noiva ameaçou chorar! O pai, desolado, perguntou aos convidados se alguém tinha “aquele artefato”, já sabendo de antemão a resposta. O jeito foi acalmar sua filha e levá-la ao altar. O padre, faminto, fez o casamento numa ligeireza nunca vista  naquelas paragens.
O tempo passou e aquele longínquo 28 de maio pôde ser renovado mais duas vezes. A familia, composta por três filhos, logo deu netos. A  primeira netinha, que nasceu  próximo a data do casamento, teve sua primeira festinha de aniversário  junto com a comemoração das Bodas de Prata dos avós. Eles, empolgados e finalmente posando para as fotos, desejaram que pudessem viver juntos mais vinte e cinco anos. As Bodas de Ouro foram celebradas com tudo que tinham direito.
A vida desse casal, os meus pais, foi motivo de escrevermos dois livros de família com o objetivo de deixar um pouco de nós para gerações futuras. As conversas, que ouvi durante todos esses anos de convivência, estão guardadas como um tesouro naquelas páginas. Estamos partindo para o terceiro livro, com mais novidades, até porque a familia cresceu. Agora,  já  bisavós, completarão Bodas de Diamante essa semana, saudáveis e felizes. Eles nunca imaginaram chegar tão longe…
Parecia que tinha tudo para dar errado, mas graças a Deus deu tudo certo!
Ana Madalena
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CRÔNICAS: ESPORTE RADICAL, POR ANA MADALENA

O criativo, imaginativo e quase lúdico conto desta quarta-feira, aqui na coluna CRÔNICAS, de Ana Madalena fala de amizade e compara com esporte radical, no sentido de que uma verdadeira amizade é “para o que der e vier”. Mais uma incrível creação desta incrível escritora. Por isso convido você a fazer essa viagem e expandir a sua imaginação! 

Montanhismo | ACP

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos… Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.
                 Amigos, Vinicius de Morais

Esporte radical


Tudo começou com um dia de chuva, como há muito não acontecia. De repente toda a paisagem se modificou; a vegetação ficou mais verde e o sorriso voltou ao rosto daqueles que reclamavam do calor. Por algumas horas as pessoas  tiveram outro assunto, não só a política e pandemia. O clima é sempre motivo para iniciarmos uma conversa, desde que haja disposição das pessoas para tal. Laura devia achar coisa de “papinho” de elevador.

Somos vizinhas de porta e nos conhecemos exatamente dentro do elevador. Eu, que sou uma pessoa extrovertida, comentei da chuva que me pegou desprevenida, durante a caminhada. Qualquer pessoa que olhasse para mim teria feito essa leitura; a roupa encharcada deixava rastros. Laura fingiu que não tinha ouvido e ainda bem que só estávamos nós duas; ficaria envergonhada se outros vissem sua falta de educação e a minha tentativa inútil de fazer amizade. No geral, sou bem sucedida e não desisto facilmente.

Laura mora com a irmã, informação que escutei de Jorge, o rapaz da limpeza, um dia que veio recolher o lixo. Ele fala de todo mundo, é a radio corredor, como dizem aqui.  Eu fico só imaginando o que diz de mim, apesar da minha vida não ter nada de extraordinário. Talvez comente que faço  compras pela internet ou sobre as refeições que peço com entrega, principalmente pizza, às quartas e domingos. Certa vez, quando lhe pedi para trocar o garrafão de água, ele “soltou” que sou a única que faz pedido de pizza duas vezes por semana. Desde esse dia fiquei de orelhas em pé.

Sempre gostei de quebrar a rotina no meio da semana, ou com a turma da caminhada ou amigos da época da faculdade. Nunca consegui adesão dos meus colegas de trabalho; a desculpa deles é que no outro dia têm que acordar cedo, como se duas horinhas depois do expediente fosse atrapalhar o sono. Infelizmente, durante essa pandemia sem fim, não pude mais sair com meus amigos, mas meu ritual permanece o mesmo. Passo muitas horas do meu dia, sentada sobre meus ísquios, trabalhando feito louca, e mereço um pouquinho de alegria, nem que seja com sabor de queijo, tomate cereja e manjericão.

E foi numa quarta-feira que finalmente Laura conversou comigo. No início não foi bem uma conversa, mas uma constatação. Eu tinha descido para pegar a pizza e quando voltei percebi que ela estava sentada no hall. Olhou para mim e disse que sua irmã ainda não tinha chegado e ela esquecera a chave. Eu, que gosto de manter boas relações com vizinhos, sugeri que esperasse na minha casa. Ela, meio sem graça, aceitou.

Nossa primeira conversa foi quase um desabafo; disse que se sentia angustiada e não conseguia dormir há um bom tempo. O trabalho remoto também estava sendo muito cansativo e não via hora de trabalhar presencialmente, diferentemente da irmã que é da área médica e está na linha de frente nos hospitais, também motivo de muita preocupação. De repente, ela caiu no choro e eu, que sou uma canceriana dramática, não deixei que ela chorasse sozinha. Desde cedo aprendi que a dor do outro não é brincadeira, não é mimimi. Esse foi o começo da nossa amizade, em meio a fatias de pizza e lágrimas, há pouco mais de um ano.

E foi exatamente sobre isso que estava pensando; dificilmente lembramos o exato momento quando nasce uma amizade; ainda bem que tenho boa memória e “feeling” para escolher amigos. Para mim, a amizade está no mesmo patamar dos esportes radicais; é para o que der e vier!  E sim, estou contando essa história também para dizer que estou com saudades de vocês! Até a próxima quarta!

Ana Madalena
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CRÔNICAS: SE ESCREVE MÃE…POR ANA MADALENA

Na coluna CRÔNICAS desta quarta-feira a nossa colaboradora Ana Madalena faz uma bela e singela homenagem, não apenas as mães biológicas, mas também as madrastas e as mães adotivas e coloca todas no mesmo patamar, pois exceções a parte o que impera nos relacionamentos mãe e filho, madrasta e enteado, mãe adotiva e filho adotivo, na verdade é o amor. E o amor não tem marca registrada, não tem DNA, nem sinal de nascença. O amor incondicional é universal e é justamente o que viemos aprender nessa trajetória evolutiva. Então fique com a leitura de mais uma crônica maravilhosa da nossa escritora favorita!

“Amor igual ao teu, eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual, eu nunca mais verei
Amor que não se pede, amor que não se mede,
Que nao se repete”.
                 Onde você mora, Nando Reis 

Se escreve mãe…


Li certa vez que a literatura poderia ser um ramo da biologia e que as palavras deveriam ser tratadas como seres vivos pois, de uma hora para outra, podem decolar do papel e sair por aí, sem destino. Eu concordo e por isso tenho muito cuidado; certas palavras reverberam tão alto que a gente nunca sabe como pode ser recebida, e, por conseguinte, afetar os outros.

Domingo foi comemorado o dia das mães. A palavra “mãe” por si só já vem com dose extra de carga emocional. Mãe se traduz com praticamente todas as categorias gramaticais; é realmente um fenômeno. Inversamente proporcional é a sua prima injustiçada, a madrasta. A mulher que exerce esse papel geralmente é vista com lente de aumento. Ela é uma malabarista, vive eternamente equilibrando pratinhos: não gerou a criança mas ainda assim tem certas responsabilidades. Ela já entra em desvantagem, em família construída, com  hábitos arraigados. Raramente a madrasta sai do papel de coadjuvante; há sempre um dedo a lhe apontar lembrando que ela não é “a mãe”.

Existem inúmeras histórias bem sucedidas de convivência entre enteados e madrastas mas houve um tempo que “madrasta” era quase um palavrão, talvez amparado pela madrasta má da Cinderela. Essa sim, tinha muito do que se queixar. Ali, não sei quem era pior, a madrasta ou as meia irmãs invejosas. Por falar em meia(o) irmã(o), a impressão que tenho quando alguém enfatiza isso, é porque não quer a pessoa por inteiro. Quando existe afeto, ninguém fraciona parentesco, nem sentimento.

Eu não sabia que existia o dia da madrasta,  primeiro domingo de setembro. Confesso que só me interessei pelo assunto por um post que minha cunhada enviou parabenizando-me pelo dia das mães. Ela é uma excelente madrasta para meus sobrinhos. Aliás, eu nem a chamo de boadrasta; na minha cabeça o prefixo é o que realmente significa, maternal, mater, madre. Ela está sempre de braços e coração acolhedores e, diferentemente da insegurança de algumas mulheres, nunca quis tomar o lugar da mãe. Ainda bem que o amor não tem quantidade estabelecida, sempre transborda. E não importa de onde venha, porque a maternidade não é sobre gerar, mas sobre sentir. Feliz do filho que sente esse amor.

E sobre sentir, que o digam as mães que adotam crianças. Sem a explosão hormonal, elas recebem nos braços uma criança que, na maioria das vezes, lhes chega de repente.  Como reconhecer naquela criança uma parte de você? Por sorte, essas mulheres geralmente decidem ser mães quando já se esgotou a possibilidade de gerar um filho. Aí,  acontece um milagre: todo aquele amor acumulado nas várias tentativas da maternidade, recai na criança. A maternidade adotiva também produz um hormônio, a ocitocina, que “nasce” por meio de afetos positivos. Apesar da não existência da parte biológica, gestação e amamentação, o cérebro da mãe adotiva com o passar do tempo se comporta semelhante ao da mãe que deu à luz. Só para constar, não diferencio filho, nem mãe adotiva. São filhos e mães. E ponto.

O dia das mães é uma data bastante comercial e que movimenta, além da economia, o coração. Confesso que me emociono sempre com as mensagens publicitárias e seus textos belíssimos. Infelizmente, essa data não foi celebrada em muitas famílias; a pandemia tirou a vida de mães e filhos no mundo todo. Ainda bem que a maternidade se traduz também em colo e, tomara Deus, alguém, da rede de proteção dessas famílias, cuidará de preencher um pouco esse vazio.

Espero que no próximo ano possamos celebrar esse dia juntos, sem distanciamento, nem máscaras. O mundo está carente de tudo, principalmente de afeto. E por falar em afeto, vamos lembrar que se escreve “mãe”, mas significa “amor”.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O SENTIMENTO É O SEGREDO DE DEVILLE GODDARD

Quarta-feira é dia da coluna DICA DE LIVRO e como não poderia deixar de ser estamos dando mais uma de primeira linha. O Sentimento é o Segredo, de Neville Goddard. Este livro é a essência destilada de anos e anos de estudos bíblicos e metafísicos e das muitas palestras que o autor ministrou. Segundo Neville, seria muito mais fácil se ele tivesse  dez vezes mais o seu tamanho, mas o objetivo dele é dar a você leitor um guia prático e direto para que você reconheça e desenvolva o divino poder da consciência que você possui. Por isso o autor procurou condensar ao máximo esse assunto, pois como estudante, você sabe que para se lembrar de todo o seu conhecimento na hora da prova, você precisa estudar a matéria várias vezes. Portanto este é um livro que você não só poderá, mas deverá lê-lo várias vezes, se tornando seu livro de cabeceira!

Foto: Amazon

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CRÔNICAS: DIA DESSES…POR ANA MADALENA

Quarta-feira é dia da coluna CRÔNICAS aqui no Blog do Saber e sempre com a maravilhosa participação da nossa colaboradora Ana Madalena, com os seus contos muito criativos. Hoje o destaque vai para um romance inacabado, que num encontro casual trouxe lembranças do passado para ambos, um momento de nostalgia e um tanto de melancolia. Um dentre tantas histórias de relacionamento com começo, meio e fim tão semelhantes, mas com certeza únicas!

Como encontrar o amor depois da separação

“As vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois…
Eu fico aqui sonhando acordada,
juntando o antes, o agora e o depois.. .”
           Sozinho, Peninha

Dia desses…


Alguns pontos finais não são simples opções,  e ela sabia disso como ninguém. Foi preciso coragem para abrir mão de uma história, sem saber, previamente, se era o rumo certo a tomar. A sensação que tinha era de completo abandono, mesmo tendo sido ela a responsável pelo seu destino. Desde a separação carregava trovões dentro do seu peito. Nunca mais conseguiu dormir bem.

Há muito não se viam. Foi quase um susto quando seus olhares se cruzaram naquela escada rolante do shopping. Estavam em sentidos opostos, como sempre. Um esperou que o outro falasse algo. Ela sabia que se não tomasse a iniciativa…. Criou coragem e disse que estava feliz em vê-lo. Sugeriu que se encontrassem no piso inferior, para onde ele parecia estar seguindo. Balançando a cabeça, ele concordou. Ela acelerou o passo, sem saber se ele realmente estaria esperando. Estava.

 Deram um longo abraço. Em princípio conversaram amenidades, como velhos amigos. Depois, como não poderia deixar de ser, vieram as perguntas dificeis. Ele perguntou se a mudança de país e o doutorado tinham sido boas escolhas e se ela estava realizada. Sim, respondeu sorrindo, embora seu olhar fosse triste. Seu pensamento era um só: como pude deixar meu grande amor? Ela comentou sobre o casamento dele e dos filhos lindos. Vira a foto no Instagram. Ele disse que os filhos eram seu maior tesouro.

Quis voltar no tempo, para um dia qualquer, desde que fosse com ele. Acordariam juntos, pegariam uma praia, talvez até fizessem uma caminhada, depois comeriam um peixe ao molho de manga, seu prato preferido. No fim da tarde poderiam assistir um filme, com um balde de pipocas, que eles devorariam nos primeiros minutos. Se fosse noite de lua, poderiam dançar no jardim, onde, quem sabe, fariam lindas declarações de amor e ele pediria sua mão em casamento, outra vez…

– Você é feliz? Ambos perguntaram ao mesmo tempo. Nenhum dos dois respondeu. Mudos, seguiram até o final do corredor, onde cada um tomou uma direção. Enquanto caminhavam, não resistiram e olharam para trás . Foi a última vez  que seus olhos se viram; os dela, inundados de amor… Tentou lembrar o começo daquela historia, a magia do encontro. Depois as dificuldades do meio, as diferenças irreconciliáveis. E por fim, o fim. Sua partida, o casamento cancelado, o adeus.

Deu um longo suspiro e se perguntou: será que um dia serei feliz outra vez?

Ana Madalena
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POESIA: O PEQUENO PRÍNCIPE DE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY, POR JÚLIA DREBTCHINSKY

Nesta sexta-feira vamos de TODA POESIA, aqui na coluna POESIA, com Júlia Drebtchinsky apresentando um trecho de “O Pequeno Príncipe”, livro de Antoine de Saint-Exupéry. Júlia Drebtchinsky é Diretora, Diretora de Câmera, 2ª assistente de câmera e Logger. Assista, curta e aprecie!

Fonte:

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DICA DE LIVRO: DESTINO AUSTRÁLIA, COMO ME TORNEI RESIDENTE NA AUSTRÁLIA SEM SAIR DO BRASIL, POR NATHÁLIA BRAGA

É com prazer e orgulho que dou a DICA DE LIVRO desta quarta-feira, pois é o primeiro livro de autoria da minha filha mais velha, Nathália Braga, cujo título é, “DESTINO AUSTRÁLIA: como me tornei residente na Austrália sem sair do Brasil”. Um livro maravilhoso que conta a trajetória da autora para alcançar um objetivo tido como quase impossível, que é sair do Brasil para morar na Austrália com um visto de permanência, equivalente ao Green Card nos Estados Unidos, sem nunca ter posto os pés no seu destino antes, a Austrália. A seguir um artigo publicado no site saibamais.jor.br, cujo conteúdo foi extraído de uma entrevista feita com a autora. Convido você, que sonha com isso a ler o artigo e depois adquirir o livro numa das fontes citadas no final desta publicação.

Potiguar conta como se tornou residente na Austrália para ajudar quem deseja morar fora

 

Na Austrália há três anos, a potiguar Nathalia Braga resolveu compartilhar sua experiência para ajudar aqueles que se interessam em fazer esse tipo de mudança. No livro “Destino Austrália: como me tornei residente australiana sem sair do Brasil”, ela explica detalhes dessa jornada.

Nathalia é natalense, arquiteta e urbanista, mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e explica que resolveu escrever para mostrar o caminho e as dificuldades que encontrou:

“A gente encontra várias barreiras, mesmo em ambientes corporativos, não é fácil a adaptação. A gente tem que ser muito resiliente, resistente e se adaptar à cultura, à forma de trabalhar e ver o mundo, que é totalmente diferente da nossa no Brasil”.

Nathalia já migrou como residente, ao contrário da maioria que costuma viajar com visto de estudante e após encerrado o período tenta a residência. “Às vezes demora muitos anos ou não consegue e volta. Eu não passei pelo processo de ser estudante. Fui com o visto 189 Skilled Independent para profissionais”, disse Nathalia.

O governo australiano possui uma lista de demanda de profissionais para imigração de estrangeiros com permissão de trabalho sem limitações e sem prazo para a estadia acabar, algo parecido com o “green card” nos EUA. Esses vistos também dão direito aos benefícios do governo, como acesso ao sistema de saúde pública.

“É um visto permanente. Não expira, posso ficar aqui o quanto eu quiser, só preciso ficar renovando, acho que de cinco em cinco anos, e me dá a oportunidade de aplicar para cidadania depois de quatro anos, que é o que vou fazer no final desse ano. Eu sou quase cidadã, só não tenho passaporte e não posso votar ainda, mas depois vou poder”, contou Nathalia.

A migração é condicionada ao conhecimento da língua inglesa, mas Nathalia adverte que o inglês australiano é bem diferente do americano, o que os brasileiros estão mais habituados a ouvir e estudar.

Ela conta ainda que a ideia inicial do livro surgiu como uma forma de autoterapia, um diário sobre sua adaptação à nova morada. E inclui aspectos e informações sobre cultura australiana, busca por emprego, ambiente corporativo, relacionamentos e regras de comportamento.

“Lógico que foi na minha experiência, mas acho interessante. Dou dicas para procurar emprego, lugares para morar, falo um pouco da cultura, gírias, várias coisinhas que pode ser interessante pra quem tá pensando em vir”, resume.

“Destino Austrália: Como me tornei residente australiana sem sair do Brasil” está à venda em livrarias do Brasil e disponível na Amazon. Acesse também o site do projeto: destinoautralia.com.br.

Fonte: Saibamais.jor.br

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CRÔNICAS: O ABC DO AMOR, POR ANA MADALENA

Quando a gente lê uma crônica da talentosa escritora Ana Madalena acha tão maravilhosa que já fica imaginando o que ela vai inventar na próxima. Dona de uma imaginação pra lá de fértil Ana tem envolvido e conquistado muitos leitores e fãs com as suas criativas CRÔNICAS às quartas-feiras, aqui no Blog do Saber. A cônica de hoje superou todas as minhas expectativas imaginativas. Um show de criatividade, bom gosto e competência no ato de escrever. Então convido você a ler O ABC do amor e depois deixe aqui o seu comentário sobre a leitura!

O ABC do amor

Querida vogal.

Aconteceu no meio da manhã , acho que de uma quinta feira. Naquele dia eu acordei toda feliz. Tinha sonhado com vogais e semivogais a noite toda! Parecia que estava advinhando…

Nosso primeiro encontro foi hilário! Eu descendo aquela escada, degrau por degrau, ele pulando dois ou três… De repente, parou e disse “oi”. Eu apenas acenei e  fui logo dizendo que estava com pressa, precisava escrever a minha parte de um livro. Ele, para introduzir um dígrafo falou: – Está de carro? Não, respondi, mas estou com meu pai.  Falei isso para ele saber que estava protegida. Não podemos confiar em qualquer letrinha! Nem nas maiúsculas! Ironicamente ele perguntou: – Você é a letra dos olhos do seu pai? Sim, claro, até porque ele foi meu primeiro ditongo crescente, respondi antipatiquinha. Mas, mesmo apesar do meu tom, ele pediu meu abecedário e eu, pasme, dei. Sou louca, pensei. Como alguém diz onde mora à uma letra estranha?

Contei tudo à minha mãe! Para minha surpresa ela disse que foi uma boa intuição.
-Às vezes conhecemos um alfabeto inteiro mas casamos com um sinal gráfico. Suas irmãs não tiveram sorte… Terminaram várias vezes com um ponto de interrogação, enquanto essa letra veio para você acompanhada de exclamação. Que sorte a sua!

Sim, concordo com minha mãe. Foi sorte, destino, encontro gramatical, tudo isso junto.
Nossa convivência sempre foi maravilhosa. Claro que, como todo casal, temos medo de uma reforma ortográfica, mas não pelos motivos que a maioria pensa. Nunca tivemos problemas em ser vogal crescente ou decrescente, até porque dependendo de onde estamos, desempenhamos os dois papéis. Sabemos dividir bem as tarefas.

Agora confesso que estou um pouco preocupada. Por causa dessa pandemia, minha vogal tem ficado muito apática.  Diz que  se sente sufocada, como apagada por uma borracha , ficando só um borrão. Eu conheço bem essa sensação. Já tentaram me apagar um dia, mas juntei todas as minhas forças e fiquei mais evidente do que nunca!

A pandemia tem sido um grande problema para todos nós do alfabeto, do A ao Z. Muitas letrinhas têm se queixado da vida. Eu tenho procurado fazer minha parte. Evito aglomeração, principalmente com alguns verbos. Minha sorte é que nossa casa está cheia de nossas minúsculas, lindas vogais e semivogais, que nos trazem muitas alegrias. Sei que um dia serão adultas e iniciarão  seus parágrafos. É o curso natural da vida. Não, não quero falar nisso agora. Vou deixar para sofrer de alfabeto vazio quando chegar a hora. Como diz  minha vogal caçula, meu eu do futuro resolverá  esse problema.

Espero não ter gerado preocupação em você.  Estamos bem. Falei para meu amor que estava escrevendo para você. Ficou feliz. Não expressou com palavras, mas seu olhar disse tudo. Sim, eu entendi. Depois de tantos anos, muitos substantivos e principalmente adjetivos, os olhares falam por nós…

Fique bem. Em casa! E não esqueça de colocar o acento circunflexo quando sair!
Sua amiga,

Ana Madalena

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CRÔNICAS: O RECADO, POR ANA MADALENA

Já está se tornando bastante redundante os inúmeros elogios que faço, aqui na coluna CRÔNICAS a nossa colaboradora Ana Madalena. Acontece que ela não para de surpreender, de se superar e de crear, crear e crear. Então, não tem como não elogiar, né? A crônica desta quarta-feira é sobre relacionamento, união e separação. Vale a pena conferir!

Temos que aprender a deixar ir aqueles que não estão prontos para ficar em nossa vida

” Deixa, deixa mesmo de ser importante
  Vai deixando a gente pra outra hora 
  E quando se der conta já passou
  Quando olhar para trás, já fui embora”.
          Eu sei de cor, Marília Mendonça 

O recado

Estamos carregando pesos desnecessários; vamos fazer uma triagem, levar apenas o que  for preciso. Essa frase foi dita por meu instrutor de trilhas. Cada um olhou sua bagagem, eliminando itens; eu fiquei com a mochila quase vazia e, pela primeira vez na vida, me permiti simplesmente aproveitar o momento.

Meu casamento vinha num desgaste grande. A impressão que eu tinha era que tudo o que nos uniu, depois nos separou. Eu, por exemplo, achava engraçado o fato dele ter um jeito meio selvagem quando cozinhava, tipo Rodrigo Hilbert, com a gritante diferença que ele não se parece com o ator, nem a comida era saborosa. Eu gostava desse seu jeito porque via o empenho em querer me agradar.

Em contrapartida, eu adorava fazer surpresinhas, principalmente no meio da semana. Eu organizava uns jantares a luz de velas, sempre ao som de clássicos, como Mozart ou Bach, seus preferidos. Ele dizia que contava os minutos para chegar em casa, que eu era maravilhosa, a melhor mulher do mundo. Bem, segundo ele, eu era, do verbo não sou mais. Nos últimos tempos ele começou a chegar cada vez mais tarde, pouco importando se eu tinha feito um jantar bacana, ou comprado seu vinho favorito.

Os finais de semana eram os piores dias; ou ele dormia o dia inteiro ou enchia a casa de amigos para ver algum jogo, deixando um rastro de bagunça na cozinha de dar arrepios. Eu vivia ansiosa, soprando saquinhos. Alguém me disse que ele estava querendo pular fora e estava aprontando todas para deixar a decisão nas minhas costas. Até que um dia, minha filha de seis anos comentou que tinha uma amiguinha de colégio cujos pais estavam separados e que tinha sido melhor assim.

Entendi o recado. A caçula, de um ano e meio, nem sentiria a ausência. Ela nasceu num período conturbadíssimo e ele praticamente a rejeitou. Daquele dia em diante, a ideia da separação não saiu da minha cabeça… Resolvi fazer um jantarzinho surpresa, no meio da semana, exatamente como tantos que fiz, para abordar o tema. Claro que ele chegou quase duas horas depois do combinado, mas aí eu já estava tirando tudo de letra. Virei a pessoa mais zen do mundo! Coloquei, de propósito, Requiem, em Ré menor, de Mozart, e aguardei.

Ficou nervosíssimo! Depois de debochar, dizendo que eu estava com frescura, que devia ser culpa da TPM, que eu estava louca… Ri, até porque nunca sofri com tensão pré-menstrual; a única tensão que vivi até hoje foi pré-divórcio. Ele engasgou, se fez de desentendido, mas fui firme. Se há uma coisa que aprendi na vida é que contra fatos não há argumentos. Listei todas as coisas que ele deixou de participar na vida das meninas, passei na cara a vida de solteiro que ele estava vivendo, e…

Observei que depois de um tempo ele deixou de argumentar, percebi até um sorriso nos lábios, quase aliviado por eu ter tomado a decisão. Apresentei um esboço de guarda compartilhada, onde as crianças não saem de casa; elas permaneceriam comigo e, nos dias dele, eu me mudaria para casa dos meus pais. Não queria que minhas filhas ficassem para lá e para cá. A novinha precisa do seu cantinho, é um bebê. Claro que essa fórmula será interessante até o dia que um de nós dois quisermos ter outro relacionamento. Até lá faríamos assim. Para meu espanto, ele concordou com tudo.

Aprendi que precisamos colocar pontos finais na nossa vida. Não é fácil, é preciso coragem;  adiei decisões pensando unicamente nos outros. Não posso dizer que não sofri, que não fiquei triste. Claro que sim! Mas, como diz uma amiga, tristeza mesmo são duas aulas de matemática seguidas. Estou bem. Sei que o amor “para sempre” é raro; feliz de quem o possui. Agora vou viver mais leve, aproveitar a vida com as crianças; não vou mais carregar pesos desnecessários.

Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O CÓDIGO DE DEUS, DE GREGG BRADEN

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira vai para “O Código de Deus, o segredo do nosso passado, a promessa do nosso futuro”, de Gregg Braden, autor do best-seller “O Efeito Isaias”, que já indiquei aqui na coluna. Uma mensagem codificada foi descoberta nas moléculas da vida, no interior do DNA em cada célula do nosso corpo. Graças a um achado notável que liga o alfabeto bíblico ao nosso código genético, a “linguagem da vida” agora pode ser lida como as letras antigas de uma mensagem eterna. Neste trabalho fascinante, Gregg Braden compartilha a descoberta que mudou sua vida e que o levou a se dedicar durante doze anos a um estudo profundo sobre as mais sagradas e respeitadas tradições da humanidade. A extensa pesquisa global do autor e suas descobertas controversas possibilitarão ao leitor decifrar a mensagem codificada nas nossas células desde o dia da nossa origem e aprender como a mensagem no nosso DNA pode se tornar uma base para a resolução de conflitos. Um livro que você precisa ler para entender o sentido da vida!

Fonte: Amazon

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DICA DE LIVRO: O EFEITO ISAIAS DE GREGG BRADEN

Quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO e a de hoje é O Efeito Isaias de Gregg Braden. Esta obra trata dos Manuscritos de Isaías, provavelmente o mais importante dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1946. Nela o autor combina pesquisas no campo da física quântica com as palavras do profeta Isaías e dos antigos essênios, demonstrando que as profecias que se referem a uma catástrofe global e a sofrimentos podem representar apenas possibilidades futuras, e não previsão de um fim iminente, e afirma que temos o poder de alterar essas possibilidades. Então não perca tempo! Adquira logo este livro maravilhoso e comece a leitura!

Fonte: Acervo próprio

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POESIA: ELEGIA 1938, POR CAETANO VELOSO EM TODA POESIA

Nesta sexta-feira voltamos a apresentar a série TODA POESIA, aqui na coluna POESIA, com o ícone da MPB Caetano Veloso recitando magistralmente o poema “Elegia 1938” do imortal Carlos Drumond de Andrade. Por isso, convido você a assistir a mais esse show desse espetacular artista brasileiro!

Fonte:

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DICA DE LIVRO: DO MIL AO MILHÃO, SEM CORTAR O CAFEZINHO DE THIAGO NIGRO

Quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO aqui no Blog do Saber e o destaque de hoje é o Best Seller Thiago Nigro,  criador da plataforma O Primo Rico, que em seu primeiro livro ensina aos leitores os três pilares para atingir a independência financeira: gastar bem, investir melhor e ganhar mais. Por meio de dados e de sua própria experiência como investidor e assessor, Nigro mostra que a riqueza é possível para todos – basta estar disposto a aprender e se dedicar. Portanto, se você tem dificuldades com o dinheiro e como ganhá-lo precisa ler este livro para mudar a sua vida!

Fonte: Acervo próprio

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CRÔNICAS: O SEGREDO, POR ANA MADALENA

A nossa coluna CRÔNICAS continua bombando com as incríveis e originais histórias da nossa colaboradora Ana Madalena, que faz qualquer um prender a respiração ao ler os seus criativos e intrigantes contos bem contados. Então, lhe convido a ler O Segredo, a mais nova crônica dessa talentosa escritora!

Sonhar com bebê, o que significa ? | Significado dos Sonhos
“Ando por aí, querendo te encontrar, em cada esquina paro em cada olhar; deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar …
Palavras apenas, palavras pequenas, palavras…”
       Palavras ao vento, Cássia Eller

O segredo

Da minha janela posso ver todo o movimento. Houve dias que contei até os pássaros que voaram por aqui. Nem sei dizer como essa mania começou, acho que foi quando anotava a hora que o poste acendia e apagava. Hoje não vivo sem fazer uma contagem do meu entorno; sei cada mínimo detalhe. E antes que pergunte se não tenho mais o que fazer, adianto que não tenho um trabalho formal. Eu vivo de rendas, resultado de anos de esforço dos meus pais, que faleceram muito jovens, mas deixaram um patrimônio considerável. Eu até evito comentar sobre isso; as pessoas acham que tenho a melhor vida do mundo, como se dinheiro fosse tudo… Quem não vê minhas lutas sempre achará que é fácil.
Moro num bairro arborizado e minha rua é como um condomínio fechado. Temos uma guarita, com segurança 24 horas, sete casas, todas sem muros. A minha, fica na parte mais alta e é de três andares. O último, onde fica a biblioteca dos meus pais, hoje é meu “observatório” e por conseguinte, onde passo a maior parte dos meus dias. Consigo ver muita coisa daqui, mas também ouço bastante. Talvez porque esteja a favor do vento e, como diz Cecília Meireles, “ao redor de nós as palavras voam e às vezes pousam”. Acredito que a minha casa seja o lugar favorito para elas pousarem!
Na Casa Amarela com “bay window”, uma das mais bonitas daqui, mora um casal sem filhos. Eles são a única exceção. No geral a criançada se multiplica por aqui. Não existe metro quadrado mais fértil! Confesso que ter filhos não está nos meus planos; é muito trabalhoso e ainda não encontrei alguém que queira dividir essa tarefa. Eu sei disso porque vejo como é na Casa Branca, a que tem uma rede na varanda. Lá vivem dois pestinhas que brigam o tempo todo. A pobre da mãe não tem descanso. Único momento de paz é quando, à noite, deita por uns vinte minutos e se balança lentamente. Acho que ela fica rezando, pois vejo fazer o sinal da cruz.
O Sobrado das icsórias vermelhas é uma loucura! Tem quatro crianças, de todas as idades. Vivem na bicicleta, para lá e para cá. Por sorte foram passar as férias com os avós, como a maioria das crianças dessa rua. Acho que os pais terminaram o ano exauridos com as aulas remotas. O mês de janeiro foi uma tranquilidade, o maior silêncio. E talvez por isso ..
Era bem cedo. O sol nem tinha nascido. Do outro lado da rua vi um rapaz conversando com o segurança do turno da manhã, o que vem render o vigia. Eles apontavam para nossas casas e eu fiquei muito desconfiada. Redobrei minha vigilância. Desde aquele dia o rapaz sempre vinha na mesma hora. Foi numa dessas manhãs que ouvi ele dizendo que a criança estava prestes a nascer. Que criança? Será que era um código?
A luz do poste apagou por volta das três da madrugada, quando ouvi barulho de vidro quebrado. Rapidamente, olhei pela janela e vi um vulto correndo. Nessa hora, um homem entrou na nossa rua carregando um cesto, que deixou embaixo de uma das janelas da Casa Amarela. Ouvi também quando ele bateu no vidro algumas vezes, só parando quando as luzes da casa acenderam e um bebê começou a chorar. O casal abriu a porta e o homem, que estava escondido, só saiu depois de ver que a criança tinha sido retirada do cestinho. Ato contínuo, ele falou com o vigia e saiu correndo, mas antes de dobrar a esquina, reconheci que era o segurança do turno do dia.
A movimentação do casal naquele dia foi intensa. Um dos quartos, antes vazio, agora tem cortinas brancas de voil e bercinho com detalhes cor de rosa. A alegria é tanta que ninguém questiona como aquela garotinha chegou ali. Certas coisas melhor mesmo não saber… Ainda bem que a alegria é contagiante!
Ana Madalena
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CRÔNICAS: A MADRINHA, POR ANA MADALENA

A nossa colaboradora e cronista Ana Madalena está fazendo muito sucesso, aqui na coluna CRÔNICAS com suas histórias originais e pitorescas, de leitura fácil e gostosa. Mas tenho a impressão que a crônica desta quarta-feira será imbatível, pois “A Madrinha” é uma história que prende o leitor até o fim, uma história criativa e fascinante. Então, lhe convido a fazer esta gostosa leitura.

Resultado de imagem para a madrinha que assume a educação do afilhado

” A nossa vida é um carnaval, a gente brinca escondendo a dor, e a fantasia do meu ideal, é você, meu amor…
Sopraram cinzas no meu coração, tocou o silêncio em todos os clarins, caiu a máscara da ilusão, dos pierrots e Arlequins”.
             Turbilhão, Moacir Franco

A madrinha

Tem sempre alguém no mundo tendo o melhor dia de sua vida. Essa frase pipocou na cabeça de Larissa; queria saber se todos teriam esse dia ou se essa alegria era reservada apenas para alguns. Dizia que não fazia sentido viver toda uma vida esperando por essa possibilidade. Pense numa pessoa complicada! A minha vontade era dizer algumas verdades, mas não gosto de passar na cara. É cruel.
Tudo começou há alguns anos. Estávamos no primeiro ano da faculdade e fomos fazer uma pesquisa, num bairro afastado. Sem muito senso de direção, nos perdemos e demos muitas voltas até que o motor do carro começou a fumaçar. Nossa reação imediata foi desligá-lo e sair correndo, imaginando que fosse explodir. Depois de uns minutos percebemos que a fumaça diminuía e finalmente paramos para olhar onde estávamos. A rua, enlameada, tinha poucas casas e as pessoas à porta não pareciam cordiais. Senti que éramos intrusas, mas por sorte vimos uma borracharia e seguimos em busca de ajuda.
O proprietário nos olhou com desprezo; com um palito no canto da boca, apontou a placa e depois os pneus ao redor. Ali não era oficina, respondeu grosseiramente. Nessa hora apareceu um rapaz muito bonito e disse que poderia nos ajudar. Percebi uma troca de olhares entre ele e o borracheiro, mas também entre ele e Lari.
O problema do carro tinha sido a falta de alguma coisa, que esquentara o motor. Aguardamos um pouco enquanto esfriava e pedimos orientação para sairmos dali, local que abrigava uma boca de fumo, como soubemos depois. Ele se ofereceu para deixar-nos no posto de gasolina da “principal”, e enquanto eu dizia que não precisava, Lari toda “derretida” agradecia pela ajuda. Ele sentou no banco do carona, o meu lugar, e eu intrigada, pensei: quem é esse sujeito folgado na fila do pão?
Era Firestônio! Cai na risada pensando ser um chiste. Não era. O pai, o borracheiro, achava esse nome bonito e forte! Que excêntrico, comentei. Para os íntimos era Tônio e pelo que entendi, Lari já era dessa turma. Finalmente chegamos ao posto, quando
vi que trocaram o número de celular.
O namoro deles foi instantâneo. Naquela mesma noite ele foi à casa de Larissa. Estava na cara que ele era um sedutor oportunista e a minha amiga, que sofria de carência crônica, caiu feito um patinho. A resistência da família em relação ao namoro foi enorme, mas ela bateu o pé e os pais resolveram não implicar. Assim como eu, aguardariam  o dia que caísse a ficha, coisa que aconteceu uns quatro meses depois, com a notícia da gravidez.
Larissa é dessas pessoas inconstantes; precisa de novidades e adora ir contra a maré. Durante seu namoro com o “nome de pneu” nos afastamos. Ele, assim que soube que ia ser pai, foi logo exigindo casa, comida e roupa lavada, além de uma mesada. A coisa toda foi tão absurda que até Larissa percebeu a situação e terminou o namoro. Aí foi outra confusão, com ele ameaçando tomar o filho e mais uma série de coisas. Muito antes do bebê nascer foi preso por venda de drogas.
Pedrinho nasceu numa quarta feira de cinzas, com pouco mais de sete meses. O parto, prematuro, foi uma loucura. Estávamos caminhando na orla da praia quando a bolsa estourou. Nossa sorte foi ter uma ambulância por perto que nos levou para a maternidade mais próxima. Lari chorou todo o percurso num misto de medo e sabendo que a partir daquele momento sua vida mudaria por completo. Desde esse dia, nunca mais colocou seu “bloco na rua”. E como é amarga, ficou feliz por esse ano não ter carnaval. Ainda bem que essa não é uma história triste, pelo menos para Pedrinho, que é uma criança pra cima, feliz e tem um amor de madrinha, que faz jus ao “cargo”.  Eu, claro!
Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: LUGAR DE MÉDICO É NA COZINHA DO DR. ALBERTO PERIBANEZ GONZALES

Quarta-feira é dia de DICA DE LIVRO aqui no Blog do Saber e a nossa dica de hoje é “Lugar de médico é na cozinha, do Dr. Alberto Peribanez Gonzales, cuja sinopse nos conta que: nos dias de hoje, convivemos com o avanço de inúmeras doenças crônicas e degenerativas, como câncer, problemas cardiovasculares, obesidade e dezenas de outras. Parece que nunca ficamos tão doentes quanto agora. A medicina convencional e os laboratórios farmacêuticos ocupam-se muito mais em investir recursos para produzir e utilizar medicamentos no combate das doenças do que propriamente prevenir enfermidades e promover a manutenção da saúde. Em Lugar de médico é na cozinha, o doutor Alberto Peribanez Gonzalez (www.doutoralberto.com) mostra que a chave para a saúde está bem à mão, nos alimentos da horta e do pomar, dentro da sua própria cozinha. Com base em extensa pesquisa científica, o autor lança a alternativa da alimentação viva, que, empregada já por povos sadios da Antiguidade, propõe a transformação de hábitos nocivos arraigados em atitudes conscientes de saúde. Probiótica, nutracêutica, sinergismo e medicina integrativa são alguns dos termos dessa revolução médica, que renova a abordagem do tratamento de doenças e amplia a dimensão da saúde para além do corpo humano, abrangendo também a harmonia com a natureza e com o planeta que habitamos.

Fonte: Acervo próprio

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CRÔNICAS: ENTRE NÓS, POR ANA MADALENA

O texto de hoje, aqui na coluna CRÔNICAS mostra todo o talento e versatilidade da escritora Ana Madalena num conto que mistura história real com ficção. Uma história como muitas que já assistimos, um dia, nas novelas televisivas, mas que também já aconteceu bem parecido na vida real e no final ficamos sem saber ou ter certeza se a história foi real ou apenas fruto da fértil imaginação dessa incrível autora. Então, convido você a experimentar essa aventura e tentar decifrar nas entrelinhas deste conto até que ponto é real!

” E quando o dia não passar de um retrato, colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia,
São os laços invisíveis que havia”.
                  Fotografia, Leoni 

Entre nós

O ódio também é vínculo. Li essa frase em  algum lugar e me fez lembrar uma cerimônia de casamento. Antes que você imagine coisas, adianto que não tem nada a ver diretamente com os noivos, nem tão pouco comigo. Deixo aqui apenas a reflexão que muitas vezes transformamos laços em nós, criando prisões que poderiam ser evitadas.
Eram dois irmãos unidos também por uma empresa familiar. O comércio, iniciado pelo pai, obteve muito êxito na administração dos filhos. Um, pragmático e bastante tímido, outro sonhador e falante. O primeiro cuidava da parte administrativa e o segundo cuidava  das vendas. Eles eram inseparáveis e tocaram os negócios por muitos anos.
O tímido casou bem jovem com a namorada de adolescência. O falante levou a sério a vida de solteiro e de tio dos três sobrinhos, uma menina e dois meninos. Adorava as crianças e sempre as levava para passear. Difícil era não vê-lo com algum deles. A sobrinha mais velha era o seu xodó; uma menina alegre e carismática!
O casamento acabou depois de 16 anos;  havia um zum zum zum na cidade que a esposa o traía há tempos. Os filhos, já em idade de escolher, optaram por ficar com o pai, pois apesar de ser muito introvertido, sempre foi pai presente, daqueles que coloca as crianças para dormir, leva para escola e está em todos os momentos importantes. A ex-esposa era, digamos assim, uma mulher fútil que vivia para ela mesma. Só o marido não enxergava.
A noite de micareta estava animada. O tio, que era um carnavalesco nato, se esbaldou. Gostava de sair em blocos com os amigos, mas não era de beber. Era animado por natureza. Estranhamente naquele dia, parecia ter tomado todas; os amigos desconfiaram que tivessem posto um ” boa noite cinderela” no seu copo. Por sorte quem estava no mesmo camarote era sua ex- cunhada, que cuidou de levá-lo pra casa.
No outro dia pipocou nas redes sociais várias fotos íntimas deles dois, que ela mesma postou. Foi um escândalo! Mas, na verdade, tudo que a foto mostrava era um homem “apagado”, com uma mulher sensualizando. Todos diziam que ela tinha feito isso para se vingar; a partilha de bens não saíra ao seu gosto, mas até provar que “babado não era bico”… Foi rompida a sociedade na empresa e os laços familiares.
Julia estava linda no dia do seu casamento.
Os padrinhos já estavam perfilados quando ela viu seu tio chegando. Ficou feliz, afinal era um segundo pai e ela sempre o apoiou no episódio das fotos, tanto que nem convidou sua mãe, que sumira do mapa havia muito tempo, mas essa é outra longa história que não cabe aqui.
O fotógrafo, que estava fazendo fotos da chegada da noiva, percebeu a mudança de ares e presenciou uma discussão entre pai e filha. Percebendo a tristeza no olhar de Julia, criou coragem para conversar com o pai, que transpirava exaltado. Calmamente, entregou-lhe um copo de água e um lencinho de papel, avisando que já estava na hora deles entrarem. Depois, usando de psicologia, disse-lhe que esperava um dia ter a mesma alegria que ele estava tendo em casar uma filha e que daria o melhor de si para que todo amor entre eles transparecesse nas fotos. Essas palavras surtiram um efeito mágico.
O pai de Julia apontou para o irmão e pediu ao fotógrafo que o chamasse.  Na porta da igreja os irmãos tiveram uma longa conversa. E eu… Bem, estava em casa quando meu pai ligou pedindo que levasse a caixinha de remédios da minha mãe, que esquecera em cima do mesa. Sim, meus pais foram convidados desse casamento pelos avós de Julia. Enquanto eu aguardava a cerimonialista vir pegar a caixinha,  assisti o choro e o abraço dos irmãos. Os nós foram finalmente desatados.
Ana Madalena
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CRÔNICAS: AUTOESTIMA, POR ANA MADALENA

O texto a seguir, aqui na coluna CRÕNICAS, desta quarta-feira retrata uma cena urbana do cotidiano de muita gente, atualmente, que mora só e divide sua solidão com livros, bichos, plantas e mensagens no celular. A solidão que faz parte da vida de boa parte dos jovens. Então, convido você a ler essa inspiradíssima crônica da talentosa Ana Madalena!

Bela jovem sentada perto do livro de leitura de janela de vidro | Foto Premium

Autoestima

Chovia. Ela não se dava conta porque estava concentrada, lendo um  livro. Usava um fone de ouvido, talvez escutando alguma música relaxante. Sua mesa, adaptada para home office, era uma bagunça. Muitas canetas coloridas espalhadas, uma luminária cheia de adesivos, vários livros empilhados e um jarro com uma plantinha seca. De repente ela desvia o olhar para a janela e percebe as gotas de chuva escorrendo pelo vidro. Levanta -se, abre a janela e coloca o jarrinho no parapeito. Lembra do gato. Onde está mesmo o pratinho da ração? Completa com leite. Segura o celular, como que esperando uma ligação. Nada. Nem uma mensagem. Senta novamente diante do livro, dá um longo suspiro, olha para a janela, sorri e resolve virar a página!!!
Ana Madalena
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DICA DE LIVRO: O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE DE AMIT GOSWAMI

A nossa DICA DE LIVRO desta quarta-feira é do Best Seller Amit Goswami: O Universo Autoconsciente. Neste livro você vai comprovar como a consciência, através do subconsciente materializa a sua realidade. Lançado originalmente em 1993, este livro abalou a comunidade ao apresentar uma teoria revolucionária. A partir dos princípios da física quântica, o autor demonstra que é a consciência, e não a matéria, a base de tudo que existe, resgatando a herança filosófica das grandes tradições religiosas e unindo mente e corpo num novo paradigma científico. Não deixe de ler esse livro se quer aprender como transformar a sua realidade!

Foto: Amazon

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