ECONOMIA: A SAGA DE HONG KONG – COMO OCORREU O MILAGRE ECONÔMICO

Nesta edição da coluna ECONOMIA desta segunda-feira estamos postando a 2ª parte da história de como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong. Esta segunda parte narra essa história a partir da década de 1950 até os dias atuais. Então, ao ler esse artigo você vai conhecer, em detalhes, os segredos dessa civilização milenar e a resiliência para chegar onde chegou! 

Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong – da pobreza à prosperidade

A fantástica transformação

 

Artigo originalmente publicado no início de 2014. Com as recentes e violentas intervenções do governo chinês, tudo isso pode se perder

Leia a primeira parte aqui.

Com milhões de refugiados chineses, sofrendo com um embargo comercial e com sua infraestrutura estrangulada, a Hong Kong do início da década de 1950 parecia confirmar os prognósticos pessimistas feitos no século XIX.

No entanto, esta enxurrada de refugiados era composta por milhões de indivíduos que, embora completamente pobres, fugiram para Hong Kong em busca de liberdade.  E embora Hong Kong não possuísse a infraestrutura adequada para recebê-los, ela fornecia ampla liberdade para qualquer indivíduo que quisesse colocar seus talentos empreendedoriais em ação.

Não havia na ilha as mesmas restrições cambiais vigentes no Reino Unido e em grande parte da Europa — o que significava que o dólar de Hong Kong, que era ancorado à libra esterlina, era livremente conversível em outras moedas —, e a quantidade de regulamentações sobre a economia era desprezível.

A combinação entre mão-de-obra à procura de trabalho e empreendedores com conhecimento e algum capital oriundos de Xangai — até então a grande cidade capitalista chinesa — forneceu a matéria-prima para o crescimento industrial iniciado na década de 1950.  A economia começou a prosperar.

Os empreendedores de Hong Kong criaram rapidamente um número impressionante de pequenas e médias empresas durante este período, especialmente no setor têxtil.  Estes empreendimentos, os quais acabaram se diversificando e se ramificando para setores como vestuário, plásticos e eletrônicos, produziam principalmente para atender a crescente demanda da Europa e dos EUA por bens manufaturados e baratos.

Essa rápida industrialização da década de 1950 foi possível porque ocorreu em condições nas quais 1) os direitos de propriedade eram respeitados, 2) o poder judiciário era independente e os tribunais, imparciais, e 3) a interferência econômica das autoridades coloniais era mínima.

Como o último governador britânico de Hong Kong, Christopher Patten, escreveu em seu livro de memórias, East and West, os refugiados do comunismo que correram para Hong Kong chegaram à única cidade livre da China; era de fato “a única sociedade chinesa que, por um breve período de 100 anos, viveu um ideal jamais vivenciado em nenhum outro momento da história da sociedade chinesa — um ideal em que nenhum homem tinha de viver com medo de uma batida à porta da sua casa à meia-noite”.

Hong Kong tinha um governo limitado e competente, que se restringia a manter a lei e a ordem, e a permitir o funcionamento da economia de mercado.  Era um governo que honrava completamente a filosofia confuciana: “Deixe as pessoas locais serem felizes e atraia migrantes longínquos.”

Mais impressionante ainda foi o fato de que, enquanto o Reino Unido estava criando um estado altamente intervencionista e assistencialista em casa, sua colônia desfrutava uma política econômica fundamentalmente de livre mercado.

No entanto, houve um responsável pela prolongada existência desta política de livre mercado.  Houve uma pessoa que seguidamente contrariou ordens do governo britânico e, com isso, permitiu a prosperidade de Hong Kong.

Sir John Cowperthwaite, o homem que permitiu a prosperidade de Hong Kong

O nome de Sir John James Cowperthwaite (1915—2006) deveria ocupar para sempre o topo do panteão dos grandes libertários.  Enquanto vários de nós apenas escrevemos sobre ideias libertárias, este cidadão de fato as transformou em política pública para milhões de cidadãos.

Cowperthwaite foi nomeado secretário das finanças de Hong Kong para o período de 1961 a 1971.  Escocês e discípulo fiel de Adam Smith, ele era assumidamente um economista na tradição da Escola de Manchester, ardorosa defensora do livre comércio.

Na época, com a Grã-Bretanha indo a passos firmes rumo ao socialismo e ao assistencialismo, Cowperthwaite permaneceu inflexível: Hong Kong deveria se manter fiel aos princípios do laissez-faire.  Tendo praticamente controle completo sobre as finanças do governo de Hong Kong, ele se recusou a impor qualquer tipo de tarifa de importação e sempre insistiu em manter os impostos no nível mais baixo possível.

Ele era um liberal-clássico, bem ao estilo dos liberais do século XIX.  Era fiel adepto da ideia de que os países deveriam se abrir unilateralmente para o comércio, sem esperar contrapartidas.  Ele já estava em Hong Kong desde 1941, fazendo parte do Serviço Administrativo Colonial.  Com a invasão japonesa, ele foi enviado para Serra Leoa.  Ao voltar para Hong Kong, em 1946, os britânicos lhe pediram para elaborar planos e programas para que o governo pudesse estimular o crescimento econômico.  Cowperthwaite apenas respondeu dizendo que a economia já estava se recuperando sem nenhuma ordem do governo.

Mais tarde, ao ser efetivamente nomeado secretário das finanças, em 1961, ele se tornou um defensor inflexível daquilo que passou a rotular de “não-intervencionismo positivo” e passou a pessoalmente controlar a política econômica da colônia.

Cowperthwaite transformou Hong Kong na economia mais livre do mundo.  Durante o seu mandato, o livre comércio foi instituído plenamente, pois Cowperthwaite se recusava a obrigar os cidadãos a comprar bens caros produzidos localmente se eles podiam simplesmente importar produtos mais baratos de outros países.  O imposto de renda sempre teve uma alíquota única, de 15%.  A total escassez de recursos naturais em Hong Kong — havia apenas a enseada onde está o porto — e o fato de que a ilha tinha de importar até mesmo toda a sua comida tornam o sucesso de Hong Kong ainda mais fascinante.

“Para toda a nossa economia, é preferível confiarmos na ‘mão invisível’ do século XIX a aceitarmos que as canhestras mãos de burocratas manipulem os delicados mecanismos do mercado”, declarou Cowperthwaite em 1962.  “Em específico, não podemos deixar que burocratas danifiquem os principais mecanismos da economia, que são a livre iniciativa e a livre concorrência”.

Ele não aceitava protecionismo nem para as chamadas “indústrias infantes“: “Uma indústria infante, quando protegida e mimada, tende a permanecer infante, e jamais irá crescer e se tornar eficiente”.  Também acreditava firmemente que, “no longo prazo, o agregado das decisões individuais dos empreendedores, exercitando seu juízo individual em uma economia livre, mesmo cometendo erros, tende a ser bem menos danoso do que as decisões centralizadas de um governo; e certamente o eventual dano tende a ser contrabalançado mais rapidamente.”

Desde os dias de John Maynard Keynes, a ciência econômica vem sendo atormentada pela ideia de que a ação humana deve ser destilada em números, os quais se transformam em uma “pretensão ao conhecimento” para aspirantes a planejadores centrais.  Nas várias faculdades de economia atuais é difícil saber quando acaba a matemática e quando começa o real conhecimento econômico.  Para Cowperthwaite, no entanto, a compilação de estatísticas para planejamento econômico era um anátema.  Ele simplesmente se recusou a coletá-las.  Quando Milton Friedman lhe questionou, em 1963, a respeito da “escassez de estatísticas”, Cowperthwaite respondeu: “Se eu deixá-los coletar estatísticas, irão querer utilizá-las para planejar a economia”.

Perguntado qual era a coisa mais premente que os países pobres deveriam fazer, Cowperthwaite respondeu: “Eles deveriam abolir seus institutos de estatísticas econômicas”.  Ele acreditava que, se estatísticas fossem coletadas em Hong Kong, elas estimulariam o governo britânico a implantar políticas supostamente corretivas, o que inevitavelmente afetaria a capacidade da economia de mercado funcionar corretamente.  Isso gerou consternação no governo britânico.  Uma delegação de burocratas foi enviada a Hong Kong para descobrir por que as estatísticas não estavam sendo coletadas.  Cowperthwaite literalmente mandou-os de volta a Londres no primeiro avião.

O desprezo de Cowperthwaite pela teoria econômica em voga (keynesianismo) e sua abordagem não-intervencionista eram garantia de conflitos diários tanto com o governo britânico quanto com empresários.  Os britânicos haviam elevado a alíquota do imposto de renda em Cingapura; quando ordenaram a Hong Kong que fizesse o mesmo, Cowperthwaite recusou.  Ele era contrário a dar subsídios e a conceder benefícios especiais para empresas.  Quando um grupo de empresários pediu a ele que providenciasse fundos para a construção de um túnel através da enseada de Hong Kong, ele respondeu dizendo que, se o túnel fosse economicamente sensato, o setor privado iria construí-lo.  O túnel foi construído privadamente.

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O legado de Cowperthwaite

Não obstante sua postura contrária, há estatísticas sobre a Hong Kong daquela época.  Durante sua década como secretário das finanças, os salários reais subiram 50%, e a fatia da população vivenda na pobreza extrema caiu de 50 para 15%.  O mais impressionante é que Hong Kong fez tudo isso sem contar com nenhum outro recurso que não fosse sua população.  A colônia não possuía nenhuma terra agrícola e nenhum recurso natural.  E até mesmo o único recurso que ela possuía — as pessoas — não era exatamente muito culto.  Com efeito, a maior parte da massa de refugiados que chegou a Hong Kong na década de 1950 seria vista apenas como um fardo para o estado.

Também digno de menção é todo o contexto mundial vigente à época.  A transformação de Hong Kong ocorreu exatamente quando os social-democratas controlavam a Europa e quando o democrata Lyndon Johnson e seu programa da Grande Sociedade dominava a política americana, o que refletia o consenso entre as elites políticas da Europa e dos EUA de que assistencialismo e políticas econômicas intervencionistas eram a única direção sensata para as sociedades avançadas.  Mesmo nos países em desenvolvimento, políticas econômicas intervencionistas, como a industrialização por meio da substituição de importações — que se baseava na imposição de altas tarifas de importação para proteger as indústrias domésticas — eram a norma.

A pequena Hong Kong, portanto, conseguiu adotar e manter políticas de livre mercado e de livre comércio que iam totalmente contra as políticas dos governos britânico, europeus e americanos, e contra o consenso de economistas desenvolvimentistas em todo o mundo.  E fez tudo isso enquanto ainda era pobre e estava perigosamente ao lado de uma poderosa e imperialista ditadura comunista.

É difícil argumentar contra o sucesso.  Após a aposentadoria de Cowperthwaite, em 1971, sucessores menos adeptos aos seus princípios se mostraram mais propensos a aumentar os gastos assistencialistas, mas todos os aumentos foram financiados por meio da venda de terras, e não de aumento de impostos.  As alíquotas tributárias estão hoje exatamente no mesmo valor em que Sir John James Cowperthwaite as deixou.

O avanço

As políticas de livre comércio, de não-intervenção do estado na economia, de orçamentos governamentais rigidamente equilibrados, de imposto de renda de pessoa física com alíquota única (15%), de mercado de trabalho bastante flexível, de livre fluxo de capitais, de não-restrição a investimentos estrangeiros (estrangeiros podem investir livremente em empresas locais e também deterem 100% do capital) se mantiveram inalteradas após a saída de Cowperthwaite.

Esta política econômica, a qual promoveu a concorrência e o espírito empreendedorial, criou as condições para o acelerado crescimento econômico vivenciado por Hong Kong nas décadas seguintes.  Entre 1961 e 2012, o PIB real per capita de Hong Kong foi multiplicado por um fator 9.  Hoje, o PIB per capita de Hong Kong, em termos de paridade do poder de compra, é o 7º maior do mundo.

Ou seja, em apenas algumas décadas, Hong Kong, sem recursos naturais, sofrendo dos mesmos problemas enfrentados por todos os outros países em desenvolvimento, e cuja renda média per capita era de apenas 28% da dos residentes do Reino Unido, deixou de ser uma favela a céu aberto e se tornou uma das economias mais ricas do mundo, superando em muito a renda média per capita de sua metrópole.

De economia industrial a uma economia de serviços

O primeiro estágio do desenvolvimento de Hong Kong baseou-se na indústria manufatureira.  No entanto, as reformas econômicas feitas na China e a política de abertura ao investimento estrangeiro adotada por Deng Xiaoping a partir de 1978 alteraram profundamente a natureza da economia de Hong Kong nas décadas seguintes.

O setor manufatureiro começou a declinar e a perder peso na economia no final de década de 1970 em decorrência de aumentos nos preços da terra — uma inevitabilidade para um local tão pequeno e povoado — e nos salários.  No entanto, a crescente integração econômica entre Hong Kong e China permitiu à ilha realocar sua produção para as zonas econômicas especiais na província adjacente de Guangdong, na China.

Estas zonas, que foram criadas no início de 1980, ofereceram aos investidores de Hong Kong a oportunidade de aumentar sua competitividade ao recorrerem a uma mão-de-obra barata e abundante (chinesa) ao mesmo tempo em que ainda usufruíam as mesmas condições não-intervencionistas do governo chinês quanto recebiam em Hong Kong.  De 1978 a 1997, o comércio entre Hong Kong e China cresceu a uma taxa média anual de 28%.  Ao final de 1997, o investimento direto feito por Hong Kong representava 80% de todo o investimento estrangeiro direto em Guangdong.

Estes novos desenvolvimentos alteraram significativamente a economia de Hong Kong.  A participação da indústria na economia declinou de 31% em 1980 para 14% em 1997 e 8% em 2008; o setor de serviços, por outro lado, aumentou sua participação consideravelmente, de 68% em 1980 para 86% em 1997 e 92% em 2008.

Desde 1997, a economia de Hong Kong se tornou um pólo para serviços de alto valor agregado (finanças, administração, logística, consultoria empresarial, comércio etc.).  Atualmente ela atrai tanto empresas chinesas que querem entrar no mercado internacional quanto empresas de todo o mundo que querem ter acesso aos mercados da China e do resto da Ásia.

A manutenção das instituições de livre mercado

Já no início da década de 1980, a perspectiva de uma iminente devolução de Hong Kong à soberania chinesa produziu grande incerteza com relação à manutenção das instituições que tornaram o território uma região rica e próspera.  Esta preocupação, no entanto, foi rapidamente abrandada.

Na Declaração Conjunta Sino-Britânica, assinada no dia 9 de dezembro de 1984, foi estabelecido que Hong Kong deixaria de ser um território sob controle britânico no dia 1º de julho de 1997.  O princípio do “um país, dois sistemas” também foi acordado nesta data.  Com a exceção das relações exteriores e da defesa nacional, o acordo concedeu ampla autonomia ao território e permitiu a Hong Kong manter seu sistema capitalista e seu estilo de vida por um período de 50 anos, até 2047.

Hong Kong hoje é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China.  Ela preservou o grosso do seu sistema político, judicial, econômico e financeiro que caracterizou a colônia quando estava sob controle britânico.  O poder judiciário é independente do poder político e continua a operar sob o sistema do direito consuetudinário herdado dos britânicos.  Os direitos de propriedade são garantidos na Constituição da Região Administrativa Especial de Hong Kong.  Seus cidadãos desfrutam amplas e fundamentais liberdades individuais.

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Conclusão

Em 1960, a renda média per capita de Hong Kong era de apenas 28% da renda média per capita da Grã-Bretanha.  Atualmente, é de 140%.  Ou seja, de 1960 a 2012, a renda per capita de Hong Kong deixou de ser de aproximadamente um quarto da da Grã-Bretanha e passou a ser mais de um terço maior.  É fácil falar destes números.  Muito mais difícil é se dar conta de sua significância.

Compare a Grã-Bretanha — o berço da Revolução Industrial, a potência econômica do século XIX em cujo império o sol jamais se punha — a Hong Kong, uma mera restinga de terra, superpovoada, sem nenhum recurso natural, exceto uma enseada.  No entanto, em menos de quatro décadas, os residentes desta restinga de terra alcançaram um nível de renda um terço maior do que aquele desfrutado pelos residentes de sua metrópole.

O retorno de Hong Kong à China era inevitável, assim como era inevitável a determinação do governo chinês em preservar o capitalismo de Hong Kong.  O interesse da China em preservar sua galinha dos ovos de ouro era claro: a China sempre utilizou Hong Kong — a qual ela podia atacar e tomar à força a qualquer momento — como um meio de acesso aos mercados estrangeiros e também como fonte de capital.  Houve épocas em que 80% das receitas externas da China entrava através de Hong Kong.  A China também queria demonstrar a Taiwan que uma reunificação pacífica era possível.

O perigo sempre foi o de a liderança chinesa não entender a relação entre o hardware de Hong Kong (a economia capitalista) e o seu software (uma sociedade pluralista).  É o seu software que permite que seu hardware funcione tão bem.  Até o momento, os novos governantes de Hong Kong vêm se comprovando notavelmente aptos a dar continuidade ao funcionamento harmônico entre o hardware e o software.  A grande questão é se isso permanecerá assim no futuro.

Não foram apenas os britânicos que fizeram de Hong Kong um sucesso.  Foi principalmente a população de Hong Kong, de operários de fábricas a empreendedores, quem transformou uma ilha estéril em potência econômica.  Essas pessoas foram capazes de fazer isso porque o governo de Hong Kong, na maior parte do tempo, as deixou em paz.  Hong Kong está longe de ser perfeita, e longe de ser um paraíso libertário.  Mas permanece sendo um dramático exemplo de como a genialidade humana e o talento empreendedorial podem trazer prosperidade a uma sociedade originalmente pobre.

Por que Hong Kong sempre foi tão livre?  Em parte, Hong Kong teve a sorte de ser governada por homens que entendiam que sua função era bastante limitada.  Não era exatamente o ideal liberal-clássico, mesmo sob Cowperthwaite, mas ainda assim foi a sociedade que mais significativamente se aproximou deste ideal no século XX.  E a combinação entre a incapacidade do governo britânico em fornecer instituições democráticas e sua falta de interesse em Hong Kong permitiu àqueles homens manter suas políticas econômicas, mesmo enquanto sua própria Grã-Bretanha natal experimentava o desastre econômico do socialismo light dos anos 1950-70.  Hong Kong também se beneficiou do exemplo das desastrosas políticas econômicas da China na década de 1960.  Com tantos residentes chineses fugindo do comunismo e se refugiando em Hong Kong, a demanda por liberdade era alta.

Hong Kong é um dos mais formidáveis e conclusivos exemplos de uma sociedade que teve grande êxito em fugir do subdesenvolvimento e enriquecer recorrendo à liberdade econômica.  Hong Kong teve sorte em ter tido essa liberdade.  E a sua população provou que a liberdade funciona.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A SAGA DE HONG KONG – COMO OCORREU O MILAGRE ECONÔMICO

Nesta edição da coluna ECONOMIA desta terça-feira estamos postando em duas partes a história de como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong. Esta primeira parte narra essa saga desde os primórdios, quando a mega cidade de hoje ainda era uma favela a céu aberto. Então, ao ler esse artigo você vai conhecer, em detalhes, os segredos dessa civilização milenar e a resiliência para chegar onde chegou! 

Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong – os primórdios

Uma favela a céu aberto

Foto de Hong Kong, em 1962

Artigo originalmente publicado no início de 2014

Por vinte anos consecutivos, o Índice de Liberdade Econômica, compilado pelo The Wall Street Journal e pela Heritage Foundation, classifica Hong Kong como a economia mais livre do mundo.  Este último ranking da Heritage confirma o que o Fraser Institute, do Canadá, também afirmou em seu último Índice, o qual também classificou a economia de Hong Kong como a mais livre do mundo.  O Banco Mundial, por sua vez, classifica a “facilidade de se fazer negócios” em Hong Kong como a melhor do planeta.

Embora faça parte da China desde que a Grã-Bretanha cedeu seu controle em 1997, Hong Kong é governado em termos estritamente locais.  Até o momento, o governo chinês tem se mantido razoavelmente fiel à sua promessa de deixar a economia de Hong Kong em paz.

O que torna a economia de Hong Kong tão livre são aqueles detalhes que soam como música aos ouvidos de qualquer indivíduo que ama a liberdade: corrupção relativamente baixa; um judiciário eficiente e independente; respeito pleno aos direitos de propriedade; império das leis; um sistema tributário extremamente simples e com baixas alíquotas tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas, e uma carga tributária total de apenas 14% do PIB; ausência de impostos sobre ganhos de capital, de renda de juros e até mesmo de renda obtida no exterior; ausência de impostos sobre vendas e sobre valor agregado; um aparato regulatório quase invisível; um orçamento governamental equilibrado, sem déficits, e com uma dívida pública praticamente inexistente.  Ah, e tarifas de importação em praticamente zero.  Isso mesmo, zero!

Dizer que uma economia é a “mais livre” é o mesmo que dizer que ela é “a mais capitalista”.  Capitalismo é o que ocorre naturalmente quando você permite que pessoas pacíficas cuidem de suas próprias vidas.  Não é necessário elaborar nenhum mecanismo artificial comandado por burocratas de carreira confortavelmente instalados em suas torres de marfim.  Não é necessário inventar nenhum esquema mirabolante e aparentemente sofisticado.  Basta apenas deixar as pessoas em paz.

Se formos acreditar naquilo que dizem os críticos do capitalismo, então Hong Kong tem necessariamente de ser um inferno repleto de pobreza, exploração e desespero.

Mas não.  Muito pelo contrário, aliás.

Talvez seja por isso que os socialistas não gostam de falar sobre Hong Kong: não apenas é a economia mais livre do mundo, como também é uma das mais ricas.  Sua renda per capita, 2,64 vezes maior do que a média mundial, mais do que duplicou nos últimos 15 anos.  As pessoas não fogem de Hong Kong; elas correm para Hong Kong.  Ao final da Segunda Guerra Mundial, a população de Hong Kong era de 750.000.  Hoje é quase dez vezes maior: 7,1 milhões.

A colônia

Hong Kong é um ótimo exemplo do que acontece com a economia de um local que não é explorado por políticos.  Hong Kong é produto do abandono político.  Isso mesmo: Hong Kong jamais teria se tornado a potência econômica que é hoje caso os políticos britânicos ou chineses tivessem demonstrado algum interesse pelo local no século XIX.

A Grã-Bretanha adquiriu a ilha de Hong Kong em 1842 (territórios adicionais viriam depois) por meio de um acordo entre um representante britânico — o capitão Charles Elliot — e um negociador chinês — o marques Ch’i-ying — como forma de solucionar um pequeno conflito que havia se iniciado em decorrência de contendas comerciais.  (Uma das contendas envolvia uma compensação por causa de um confisco chinês do ópio britânico, mas a pendenga era mais ampla do que essa questão do ópio, e pesquisas recentes questionam a acurácia de se rotular toda essa questão como sendo uma mera “guerra do ópio”).

O acordo resultante foi impopular tanto para a Corte Imperial chinesa quanto para o governo britânico.  As autoridades chinesas não gostaram de ter de ceder um pedaço de terra para os britânicos e se preocuparam com o impacto sobre suas receitas tarifárias em decorrência da criação de um porto controlado pelos britânicos.  Adicionalmente, os chineses tinham desprezo pela obsessão dos britânicos com o comércio.  Já o governo britânico enxergava Hong Kong como uma localização ruim e pouco promissora em relação às possíveis alternativas, como a ilha de Formosa.

No entanto, a precária comunicação vigente no século XIX acabou forçando os dois governos a delegar a autoridade da resolução da contenda aos seus representantes locais.  O resultado foi aquilo que o excelente livro de Frank Welsh, A History of Hong Kong, rotulou de “uma fonte de constrangimento e aborrecimento para seus progenitores desde seu surgimento no cenário internacional”.  (Doravante, todas as citações serão do livro de Welsh).

Os primórdios

As primeiras avaliações do potencial de Hong Kong foram pessimistas.  O então futuro primeiro-ministro britânico Lord Palmerston, naquela que talvez seja a pior previsão já feita por um diplomata britânico, concluiu que se tratava de “uma ilha estéril e inaproveitável, a qual jamais será um pólo para o comércio”.  O então tesoureiro lotado em Hong Kong, Robert Montgomery Martin, que também escrevia prolificamente sobre as possessões estrangeiras britânicas, fez eco à análise de Palmerston em 1844, afirmando que “não há nenhum comércio visível em Hong Kong. . . . É difícil encontrar uma empresa na ilha.  As poucas pessoas aqui se aventuraram estariam felizes se conseguissem recuperar metade do dinheiro que gastaram na ilha e fossem embora. . . .  Não parece haver a mais mínima probabilidade de que, algum dia, sob quaisquer circunstâncias, Hong Kong venha a se tornar um local propício ao comércio”.

No entanto, algum comércio começou a surgir em decorrência do estabelecimento de armazéns de mercadores britânicos.  Mas as políticas adotadas inicialmente pela Grã-Bretanha em relação ao seu novo território quase nada fizeram para promover o crescimento econômico.  Com efeito, uma investigação parlamentar de 1847 sobre a situação econômica de Hong Kong descobriu que o domínio britânico havia inicialmente levado consigo um governo empenhado em usar a ilha para coletar o “máximo possível de receitas”, o que afetou severamente o comércio.  E concluiu que “pode se datar desta época os reveses sofridos por Hong Kong”.

Após isso, a Grã-Bretanha fez relativamente muito pouco com sua nova colônia, se concentrando apenas em manter a ordem pública e ampliar o império das leis.  O resultado foi essencialmente um Porto de Tratado, muito semelhante àqueles que as potências europeias estabeleceram na China sob o Tratado de Nanquim em 1842-43.  Um dos motivos para esta política relativamente sem interferências da Grã-Bretanha foi a persistência da visão adquirida pelos primeiros oficiais coloniais britânicos de que os chineses residentes em Hong Kong não queriam ou não apreciavam as legislações britânicas.  Esta atitude foi ilustrada de maneira bem clara no depoimento prestado pelo Coronel John Malcolm, que estava lotado em Hong Kong, para um comitê do Parlamento britânico em meados do século XIX.  Malcolm relatou que “os chineses são um povo peculiar e não gostam de sofrer interferências.  Eles não nos entendem; eles não conseguem entender nossos métodos; e quando são recomendados a fazer primeiro uma coisa e só depois outra, eles se assustam e não mais nos procuram”.

Se era ou não uma característica “peculiar” dos chineses não gostar de governos arbitrários, o fato é que a Grã-Bretanha parou de expedir ordens conflitantes e incompatíveis, e a tendência geral passou a ser a de deixar as pessoas em paz.  Ambas estas políticas foram adotadas com o intuito de estimular.  Como consequência, deram à colônia o benefício de regras claras e simples desde seus primórdios.

Um centro comercial natural?

O que a Grã-Bretanha criou em Hong Kong?  A combinação entre o excelente porto e o primado das leis fez de Hong Kong um centro comercial natural.  Mas Hong Kong não era o melhor local para se comercializar na China.  Já no início do século XX, Xangai vinha crescendo em importância e, consequentemente, abocanhando uma fatia do comércio que até então passava por Hong Kong.  Xangai possuía uma população mais educada e mais preparada, estava em uma localização mais conveniente, desfrutava uma proteção europeia por causa de tratados de concessões feitos pelo governo chinês, e sofria relativamente pouca interferência do governo chinês devido ao declínio do poder imperial.

Por volta de 1910, Xangai já havia se tornado um centro comercial significativamente mais importante do que Hong Kong.  Com os britânicos optando por Cingapura — que era mais fácil de ser defendida — como centro do poder naval britânico na região, Hong Kong acabou perdendo o que restava de sua já pequena importância para o governo britânico.  Como resultado, a colônia definhou e foi para o esquecimento, tornando-se mais conhecida como um centro de prostituição e de jogatina.

Mas houve algo que a Grã-Bretanha não criou em Hong Kong: um governo democrático.  Ao contrário do que ocorreu na maioria das outras colônias britânicas, em Hong Kong não se permitiu que nenhuma instituição democrática local se desenvolvesse, pois os britânicos não estavam dispostos a dar à maioria chinesa uma voz na administração.  Como resultado, concluiu Welsh, “Hong Kong continuaria tendo uma administração tão antidemocrática quanto qualquer governo chinês, mas com a importante diferença de que a autoridade final seria a lei, e não os caprichos de algum ditador”.

O governo central imperial chinês nunca defendeu a liberdade econômica ao longo de sua história, e o período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX não foi nenhuma exceção.  À medida que o poder do governo central foi se esvanecendo, déspotas e chefes militares regionais começaram a estabelecer centros de poder rivais, mas igualmente predatórios.  Os poderios europeu, americano e japonês também se expandiram na China, tentando ampliar o acesso de suas respectivas empresas ao mercado chinês.  Mas tais poderios não criaram nenhuma liberdade econômica para a população chinesa dentro de suas esferas de influência.

Neste cenário, a estabilidade política de Hong Kong começou a atrair cada vez mais emigrantes que saíam da China.  A população da colônia cresceu de 600.000 em 1920 para mais de um milhão em 1938.  À medida que as condições foram se deteriorando na China com a invasão japonesa e com os conflitos entre os déspotas regionais, o Kuomitang (nacionalistas) e os comunistas, uma média de 5.000 migrantes por dia passou a aportar em Hong Kong.

Quando a ocupação japonesa terminou, em 1945, a economia de Hong Kong estava devastada.  O golpe comunista na China, em 1949, acelerou a fuga de migrantes para Hong Kong.  Em março de 1950, a cidade já tinha 2,3 milhões de pessoas.

Para piorar, embargos ao comércio com a China em 1951, durante a Guerra da Coréia, afetaram severamente a condição de entreposto comercial de Hong Kong, justamente a atividade sobre a qual se baseava uma grande fatia da economia local.

No entanto, havia um aspecto positivo: o golpe comunista na China e a consequente fuga de chineses para Hong Kong forneceu à colônia não apenas um número significativo de mão-de-obra, como também um grande capital humano, formado por empreendedores que conseguiram fugir do exército de Mao.  Adicionalmente, a vitória dos comunistas na China fez com que Xangai deixasse de ser um concorrente para Hong Kong.

Superpovoada, refém de embargos comerciais, e com um contínuo influxo de refugiados, o que praticamente estrangulou a infraestrutura da colônia, Hong Kong teve de se reinventar.

A ilha passaria por uma transformação radical no início da década de 1960, com a adoção de políticas econômicas que criaram a potência econômica que Hong Kong hoje.  Os detalhes desta transformação serão abordados no próximo artigo.

Fonte: Mises Brasil

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OPINIÃO: ENTENDA PORQUE SÓ O CAPITALISMO PODE SALVAR O MEIO AMBIENTE

Na nossa coluna OPINIÃO desta quinta-feira trago mais artigo exclusivo do publicado no Boletim Coppolla desta quarta-feira do jornalista Leandro Narloch, comentarista da CNN Brasil onde ele demonstra categoricamente que só o capitalismo moderno pode salvar a natureza. A seguir a nota do editor, Caio Coppolla sobre este brilhante artigo e depois leia o artigo completo e tire suas conclusões!

O estereótipo do “capitalista malvadão”, arqui-inimigo da natureza, é uma das maiores vitórias narrativas da esquerda e não condiz com a realidade dos fatos econômicos contemporâneos. O ecossocialismo capturou a agenda da preservação da natureza e deu à causa seu viés anticapitalista, divisionista e sectário. Exemplos desse discurso panfletário são abundantes:

Nas imensas plantações que alimentam o mundo, defensivos agrícolas, utilizados para manter cultivos saudáveis e viabilizar a agricultura em larga escala, são vilanizados como agrotóxicos cancerígenos – estranhamente, a qualidade e expectativa de vida aumentaram no mundo conforme a população incauta foi se envenenando. Já na Amazônia, queimadas sazonais ou para agricultura de subsistência são atribuídas ao agronegócio, tão demonizado pela elite intelectual urbana que ignora os rigorosos padrões de qualidade e sustentabilidade desse mercado exportador e competitivo. Climatologistas, incapazes de acertar com precisão a previsão do tempo da semana seguinte, tem certeza absoluta que mudanças climáticas (ou seria “aquecimento global”?) são essencialmente antropogênicas, causadas por atividade humana predatória – provavelmente fruto da ganância capitalista.

Neste Boletim especial, o artigo exclusivo do jornalista politicamente incorreto, Leandro Narloch, vai na contramão dessa narrativa ao pegar carona nos fatos. O autor, que é fundador da iniciativa www.instagram.com.br/ArvoreDoFuturo (plataforma que compila dados e informações sobre avanços ambientais no mundo desenvolvido), é categórico ao afirmar que só o capitalismo moderno pode salvar a natureza. Convido nossos Assinantes a desfrutarem dessa leitura incomum, que serve tanto como vacina pra cantilena ecossocialista, quanto como antídoto pra eco-chatice alienada.

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

SÓ O CAPITALISMO PODE SALVAR O MEIO AMBIENTE

Leandro Narloch, Jornalista, autor best seller, comentarista da CNN Brasil e fundador da @ArvoreDoFuturo 

O título acima pode soar absurdo – afinal, toda hora vemos pequenos garimpos ou grandes mineradoras causando tragédias ambientais, carros poluindo cidades, florestas sendo derrubadas para garantir lucros e consumo. Mas é isso mesmo: só o capitalismo pode garantir a preservação do meio ambiente.

Primeiro é preciso esclarecer: ao contrário do que ecossocialistas costumam dizer, não é exatamente o capitalismo que destrói a natureza. É a própria ação humana. Alteramos o meio ambiente muito antes de Adam Smith, James Watt ou David Ricardo existirem. Como qualquer outra espécie, dependemos de outras para sobreviver. Hoje ou na Idade da Pedra, o homem mata grandes animais para obter proteína, corta plantas para obter madeira e carboidratos.

Há milhares de anos, quando a revolução cognitiva do Neolítico nos levou para o topo da pirâmide alimentar, nos espalhamos como uma praga por ambientes que não estavam preparados para nos receber. A Austrália e a Nova Zelândia tinham centenas de espécies de megafauna que sobreviveram por milhões de anos. Quando os primeiros humanos chegaram ali, todas essas espécies desapareceram em poucos séculos.

É culpa do capitalismo? Só se o leitor considerar que já havia capitalismo entre os índios brasileiros ou quando os maoris chegaram à Nova Zelândia.

É verdade que a tecnologia e a produtividade criadas pelo capitalismo aumentaram esse potencial destrutivo. Mas também é verdade que o capitalismo criou o fenômeno contrário: a preocupação com a preservação da natureza. Só depois de um certo nível de prosperidade nos demos ao luxo de nos preocupar as florestas, a extinção dos animais, a qualidade da água e do ar.

Imagine, por exemplo, uma mãe perdida numa floresta com seus filhos, todos há dias sem comer. Se de repente ela tiver a oportunidade de caçar um macaco em extinção para evitar morrer de fome, eu aposto que não pensará duas vezes. Abaterá o bicho.  Mas, numa outra situação, se a família estiver de barriga cheia, com comida de sobra em casa e um bom dinheiro na conta bancária, poderá se dar ao luxo de poupar o pobre animal. E até gastar algum dinheiro apoiado um programa de preservação do mico-leão dourado ou do peixe-boi. A prosperidade não é só compatível: é necessária à preservação do meio ambiente.

Não à toa, a pauta ambiental é mais forte justamente nos países mais capitalistas e mais ricos. Nessas nações, grandes animais ameaçados estão se recuperando – é o caso de lobos, ursos e veados da Europa e da América do Norte. Já elefantes, rinocerontes e hipopótamos (quase todos de países pobres) ainda sofrem risco de extinção.

A inovação e a tecnologia têm ainda outra vantagem: nos tornam capazes de produzir mais utilizando menos recursos e causando menos impacto. Há 150 anos, quem quisesse desfrutar o luxo de ter uma fonte de luz artificial em casa precisaria abater um animal, cozinhar sua gordura e então montar velas. Outra opção era caçar uma baleia cachalote – cujo espermacete foi usado para velas com fumaça clara e sem cheiro. Hoje uma simples usina nuclear, sem emitir carbono na atmosfera, fornece energia para um país inteiro. E as baleias, que deixaram de ser fonte de energia, estão se recuperando em todo o mundo. Uma lata de refrigerante de 1994 utilizava seis vezes mais alumínio que as atuais. Em 1980, a produção de um quilo de milho exigia 18 metros quadrados de área: hoje, apenas 3 metros quadrados.

Por que isso aconteceu? Porque empresários, com o objetivo de lucrar o máximo possível, têm incentivos para reduzir a necessidade de matérias-primas, o custo do frete e extrair o máximo de suas áreas de cultivo.

Por causa desse aumento de eficiência, o mundo rico está, pela primeira vez na história, consumindo cada vez menos commodities e recursos naturais. Em 2015, os americanos consumiram 32% menos alumínio, 40% menos cobre e 15% menos aço que em 2000.

Certamente o sistema tem falhas – e as leis e a Justiça estão aí para punir quem polui. Mas isso não desmerece nem apaga as enormes vantagens ambientais que o capitalismo nos proporciona.

Autor:

Leandro Narloch(@lnarloch)
Jornalista, autor do Guia Politicamente Incorreto da História Brasileira e fundador da @ArvoreDoFuturo, plataforma que reúne dados e informações sobre os benefícios do capitalismo contemporâneo ao meio ambiente.

Fonte: Boletim Coppolla

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ECONOMIA: OS RICOS E PODEROSOS NUNCA PRECISARAM DO CAPITALISMO, MAS O CIDADÃO COMUM SIM

O destaque da coluna ECONOMIA desta quarta-feira é um artigo escrito com muita maestria pelo economista Donald Bourdreaux sobre uma velha questão: quem é mais beneficiado pelo capitalismo? Na opinião do autor o cidadão comum é o mais beneficiado em detrimento dos ricos e poderosos que nunca precisaram do capitalismo. Leia o artigo completo a seguir e tire suas conclusões!

O grande beneficiado pelo capitalismo foi o cidadão comum, e não os ricos e poderosos

Os ricos e poderosos nunca precisaram do capitalismo

Responda rápido: quem realmente foi o grande beneficiado pelo capitalismo?

Se você respondeu “os ricos”, você nunca estudou história.

A história nos mostra que todo o progresso industrial, todos os aperfeiçoamentos mecânicos e elétricos, todas as grandes maravilhas tecnológicas da era moderna, e todas as grandes conveniências e facilidades que hoje nos são disponíveis teriam significado relativamente pouco para os ricos e poderosos em qualquer época da história.

Por exemplo: um sistema moderno de saneamento básico, com rede de esgoto e água encanada, teria trazido benefícios adicionais para os ricos da Grécia Antiga? Dificilmente, pois eles tinham servos para lhes garantir todas essas comodidades. Os servos faziam o papel da água corrente.

Os nobres da Roma Antiga teriam maior qualidade de vida caso houvesse televisão e rádio? Improvável, pois eles podiam ter os principais músicos e atores da época fazendo apresentações exclusivas em suas mansões, como se fossem seus serventes.

Roupas manufaturadas, máquinas de lavar, microondas e supermercados? Os ricos e poderosos nunca precisaram se preocupar com essas coisas. Roupas e alimentos eram feitos e mantidos por seus serventes, que lhes entregavam tudo em mãos.

Que tal coisas mais modernas, como máquinas fotográficas ou mesmo smartphones para fazer selfies? Isso teria trazido pouquíssimos benefícios adicionais para os aristocratas da antiga, pois eles podiam simplesmente ordenar que os melhores e mais talentosos artistas do reino pintassem quadros com seus retratos e os retratos de outros membros da realeza.

Avancemos as comparações agora para o mundo moderno. Hoje, no smartphone de cada cidadão comum há inúmeros aplicativos que trazem grandes comodidades. Irei destacar dois: o GPS e os serviços de transporte, como Uber, Cabify e Lyft.

Pergunta: como exatamente os ricos e poderosos são beneficiados por um GPS e pelo Uber? Eles dificilmente precisam dessas duas comodidades, pois raramente dirigem por conta própria e ainda mais raramente pegam um taxi. Além de terem motoristas particulares, eles andam de limusines próprias e viajam de jatinhos, e possuem toda uma equipe de funcionários para esquematizar e cuidar de todos os detalhes de suas viagens.

Por outro lado, pense nos enormes benefícios que o GPS, a Uber e o Cabify trouxeram para o cidadão comum, que agora não apenas pode ir a qualquer lugar com seu próprio carro como também pode se deslocar de forma barata e luxuosa em sua própria cidade. E sem precisar de toda uma equipe de funcionários para fazer os preparativos e arranjos.

Os exemplos são inúmeros e podem ser expandidos infinitamente: desde toda a enciclopédia de informações trazidas pela internet ao cidadão comum (os ricos e poderosos nunca tiveram dificuldade de acesso à informação), passando pelas facilidades de lazer, entretenimento e cultura (hoje, você lê todos os livros em seu smartphone e assiste a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda; acesso a livros e filmes nunca foi problema para os ricos e poderosos), e culminando na fartura e na facilidade de acesso à alimentação e moradia.

Nada disso nunca foi problema para os ricos e poderosos. Já o capitalismo disponibilizou tudo para o cidadão comum.

Por isso, Ludwig von Mises sempre dizia que o capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. No capitalismo, os grandes inovadores não produzem artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produzem bens baratos, que podem satisfazer as necessidades de todos.

Ao passo que, séculos atrás, toda a produção funcionava a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, o surgimento e a expansão do capitalismo geraram a produção de artigos acessíveis a toda a população. Produção em massa para satisfazer às necessidades das massas.

Por isso, todas as grandes conquistas do capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que, antes, eram prerrogativa exclusiva dos ricos e poderosos.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vai para o cidadão comum, e não para os ricos e poderosos.

Eis o que disse Joseph Schumpeter sobre o poder do capitalismo em aprimorar o padrão de vida dos comuns:

O motor do capitalismo é, acima de tudo, um motor de produção em massa, o que inevitavelmente também significa produção para as massas. […]

Verificar isso é fácil. Sem dúvidas, há bens e serviços disponíveis hoje ao cidadão comum atual que o próprio Luis XIV adoraria ter: por exemplo, a odontologia moderna. […] Por outro lado, a luz elétrica não representaria um grande conforto ou dádiva para uma pessoa poderosa o suficiente para comprar um grande número de velas e ter servos para mantê-las constantemente acesas. Até mesmo a velocidade com que se viajava à época não deve ter sido objeto de grande consideração para um cavalheiro tão distinto.

Roupas fartas e baratas, fábricas de seda e algodão, sapatos, automóveis e vários outros bens são as típicas façanhas da produção capitalista. Por si sós, elas não representam aprimoramentos que mudariam enormemente a vida do homem rico e poderoso.

A Rainha Elizabeth sempre teve meias de seda. A façanha do capitalismo não consiste em fornecer mais meias de seda para as rainhas, mas sim em disponibilizá-las para as mulheres trabalhadoras em troca de quantidades de esforço continuamente decrescentes.

Apenas leia esse último parágrafo de novo. Deveríamos estar ensinando isso para as nossas crianças. No entanto, o que elas estão sendo ensinadas neste exato momento é que, sob o capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. O exato oposto da realidade.

Conclusão

Progressistas que dizem que todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos são ignorantes da realidade que os cerca. Apenas pense no tanto que essas pessoas estão erradas da próxima vez que você usar seu laptop, tablet, smartphone, GPS, Spotify, ou se deslocar utilizando Uber, Lyft ou Cabify.

A única entidade que pode afetar, atrasar e atrapalhar todo esse progresso incrível, dificultando o acesso do cidadão comum a essas comodidades que melhoram seu padrão de vida, é o governo e suas políticas que destroçam a economia e o poder de compra das pessoas.

Fonte: Mises Brasil

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GEOPOLÍTICA: MOVIMENTO ANTICAPITALISMO NA ALEMANHA PREOCUPA

Neste domingo estou postando na coluna GEOPOLÍTICA um artigo muito importante para todos nós do respeitado jornalista J. R. Guzzo, publicado em sua coluna na Gazeta do Povo, sobre o avanço da esquerda na Alemanha. Devemos ler esse artigo e ficar bastante alerta, pois a Alemanha é um dos países mais prósperos do mundo, mas nos últimos anos vem sutilmente voltando as costas para o capitalismo. Apesar J. R. Guzzo não fazer menção em seu artigo eu alerto para uma possível influência do neonazismo nesse movimento anti-capitalismo. Portanto leia o artigo completo a seguir e tire suas conclusões! 

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Por que a Alemanha dá as costas ao capitalismo

J.R Guzzo analisa o modo como a maior parte do mundo político, o aparelho estatal e as “classes intelectuais” da Alemanha, um país que cresceu às custas da liberdade econômica, se voltam contra o capitalismo e demonstra que ser um sucesso pode ser tão ruim para um país quando fracassar. Confira trechos:

O que está acontecendo com a Alemanha? Ninguém no Brasil, e numa porção de outros lugares, costuma se preocupar com a Alemanha. Por que, na verdade, alguém deveria se preocupar? A Alemanha é um dos países mais ordeiros do mundo. Os serviços públicos são de primeira categoria, levando-se em conta que estamos aqui diante de um país de verdade, com mais de 80 milhões de habitantes.

O centro da questão, mais do que tudo, está na hostilidade inédita, crescente e, para resumir as coisas, cada vez mais incompreensível, contra a liberdade econômica, contra a atividade produtiva em geral e, no fim das contas, contra o capitalismo. É como se a maior parte do mundo político, o aparelho do Estado e as “classes intelectuais” da Alemanha estivessem achando mais ou menos o seguinte: o país que nós temos, esse mesmo que foi descrito no primeiro parágrafo deste artigo, é um fracasso e tem de ser radicalmente mudado. Soa estranho. A Alemanha, vista da posição ocupada hoje pela maioria dos países, é exatamente o contrário – é um sucesso. Mas não. O esforço do governo, dos partidos de esquerda e de boa parte da sociedade é tentar construir uma Alemanha oposta à que teve o êxito espetacular dos últimos 60 anos.

O resumo mais preciso do que está hoje na cabeça dessa gente toda foi dado por uma outra líder política de peso na esquerda alemã, Amira Mohamed Ali. “É assustador que os ricos e poderosos continuem lucrando sem serem perturbados por um sistema econômico prejudicial ao clima”, disse ela. “Acham que o lucro importa mais que um planeta intacto”.

É isso, em suma. Para salvar a Terra da destruição, é preciso bater no lucro – e, necessariamente, na liberdade econômica, no direito de empreender, na iniciativa privada, na propriedade e no sistema capitalista em geral […] dar certo, às vezes, é tão ruim para os países quanto dar errado.

J.R. Guzzo
Jornalista e colunista, para a Gazeta do Povo

Fonte:

Boletim Coppolla <contato@boletimcoppolla.com.br>
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ECONOMIA: A REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA ATRAVÉS DO CAPITALISMO ESTÁ ACONTECENDO, MAS NINGUÉM RECONHECE

O belo artigo a seguir, magistralmente escrito por Joakim Book, esclarece com desenvoltura como o capitalismo atual está provocando uma incrível redistribuição de renda, a olhos vistos, com a criação de startups e pequenas empresas que são vistas como tendo um grande potencial de crescimento e sucesso (unicórnios), através de Venture Capital. Leia a reportagem completa a seguir e entenda como está acontecendo o que os progressistas convencionais se recusam a enxergar.

Como o atual capitalismo já está provocando uma grande redistribuição de renda

Todo mundo vê e sente, mas ninguém reconhece

Você já conhece o clichê. Converse com qualquer progressista convencional e você ouvirá sempre os mesmos vaticínios, com quase nenhuma variação: o capitalismo é “cruel”, “brutal”, “impiedoso”, e se baseia inteiramente na especulação. Capitalistas são uma máquina desumana de buscar lucros e se preocupam apenas com os resultados trimestrais.

Obviamente, não é o objetivo aqui comentar cada um destes clichês. Tampouco é o objetivo elencar todos os benefícios que o capitalismo concorrencial e as culturas amigáveis ao capitalismo nos fornecem (crescimento e enriquecimento econômico, redução da pobrezamaior expectativa de vida). Vamos aqui nos concentrar nas maneiras um tanto mais opacas pelas quais o capitalismo redistribui a riqueza — dos mais ricos para os mais pobres.

Os Unicórnios

Embora muitos economistas compreensivelmente demonstrem grande preocupação com os impactos econômicos e financeiros das extremamente baixas taxas de juros mundiais, o fato é que esta última década de financiamento barato reduziu os custos de oportunidade de se investir em novas ideias.

Os fundos que investem em atividades de risco — popularmente conhecidos como venture capital — são fundos de investimento que utilizam o dinheiro de seus investidores para investir em empresas ainda em fase de estruturação, que precisam de um salto de crescimento. Ou seja, empresas com ideias ousadas, mas que ainda não conseguem financiamento bancário tradicional (exatamente por serem arriscadas).

Esse tipo de atividade se expandiu enormemente na última década. Com os juros em níveis historicamente baixos, os fundos de venture capital foram capazes de investir maiores volumes por tempos mais longos em modelos de negócios inovadores que raramente dão lucro. O site Investopedia explica:

Venture capital é um financiamento concedido a startups e pequenas empresas que são vistas como tendo um grande potencial de crescimento e sucesso. Os recursos para este financiamento normalmente vêm de investidores ricos, de bancos de investimento, e de quaisquer outras instituições financeiras. …. A maioria dos fundos de venture capital prefere difundir seu risco investindo em várias empresas diferentes ao mesmo tempo, em vez de se concentrar em apenas uma empresa. Assim, se uma startup fracassa, os recursos do fundo de venture capital não são afetados substantivamente.

O modelo de negócios é simples e claro: levante fundos junto a financiadores ricos, invista o dinheiro em uma dezena ou mais de ideias novas e promissoras, e tenha a esperança de que os retornos de algumas poucas Ubers, Spotify ou WhatsApps compensem os inevitáveis prejuízos que haverá com todas as outras startups.

E mesmo as empresas extremamente bem-sucedidas não terão lucros por muito tempo, pois elas estão mais preocupadas com crescimento em vez de lucratividade. Essas startups são popularmente conhecidas como unicórnios.

E elas possuem uma característica única: são valiosas mas quse não têm lucros (na maioria das vezes, operam com prejuízos) e, ainda assim, seguem obtendo seguidas rodadas de financiamento para se expandirem em busca de maiores fatias de mercado.

Agora, reflita um pouco sobre o que tudo isso significa. Quando empresas, em sua busca desesperada por crescimento, expansão e aumento da fatia de mercado, aceitam operar com grandes prejuízos, isso significa, na prática, que elas estão vendendo produtos e serviços por menos do que os custos de se produzi-los. Afinal, é isso o que contadores tentam capturar ao mensurarem os lucros e os prejuízos. Como consumidor, você obtém acesso a bens e serviços a preços abaixo do custo, com a diferença sendo compensada por seguidas rodadas de novos financiamentos que são jubilosamente concedidas por investidores ricos a estes unicórnios queimadores de dinheiro.

Eis o ponto: enquanto investidores ricos e fundos de venture capital continuarem se mostrando dispostos a arcar com as contas e a financiar seguidamente essas empresas em busca de crescimento, eles estão transferindo riqueza. O dinheiro está fluindo diretamente dos ricos capitalistas para os menos ricos empregados, fornecedores, e, mais importante, consumidores. Com este arranjo nós conseguimos aplicativos de transporte rápido e barato por meio de alguns cliques em nosso smartphone, aplicativos de entrega sob demanda, acesso a patinetes elétricas que são quase que gratuitas (embora, reconheço, bastante irritantes em algumas cidades), e serviços muito baratos de entrega a domicílio da comida que queremos, dos produtos que desejamos, e dos livros que queremos ler.

Sim, há quem se preocupe com o quão economicamente sustentável seja todo esse arranjo. É uma bolha? Pode ser. Mas o fato indelével é que, enquanto a situação se mantiver, toda essa Grande Redistribuição irá continuar.

O caso da Norwegian Air Shuttle

Essa empresa aérea norueguesa de baixo custo chamou atenção há alguns anos quando começou a ofertar voos transatlânticos por menos de 100 dólares [ela já opera no Brasil]. Por meio de aquisições extremamente alavancadas, a empresa adquiriu uma maciça frota de aeronaves limpas, modernas e de baixo consumo da Boeing, e colocou-os para voar ao redor do globo, lotados de ávidos passageiros que, por causa dos preços bem menores, tinham agora muito mais dinheiro para gastar em seus destinos.

Mantendo um crescimento de dois dígitos na receita ao longo dos últimos cinco anos, ao mesmo tempo em que alternava entre saudáveis lucros e devastadores prejuízos, a saga quase chegou ao fim após os seguidos acidentes com o modelo 737 MAX da Boeing no início deste ano.

Após um verão (no hemisfério norte) tumultuado para a Norwegian, com uma desesperada busca por mais financiamento, a revista Forbes relatou o seguinte:

A contribuição da companhia aérea em termos de competição de preços para voos transatlânticos foi fantasticamente positiva para os consumidores. No entanto, a agressiva expansão da Norwegian veio a um grande custo para ela própria, o qual agora está começando a ficar mais explícito.

Este custo, até o momento, recaiu inteiramente sobre os acionistas da empresa, cujas ações já desabaram 80% em menos de um ano, ao passo que a moeda da Noruega (a coroa norueguesa) se depreciou 10% em relação ao dólar no mesmo período.

Ao vender sua participação majoritária no banco digital Norwegian Bank (outra startup de baixo custo que continua criando disrupção no pouco competitivo setor bancário norueguês), a companhia aérea conseguiu fundos suficientes para mais alguns meses de operação. Números recentes divulgados em seu balanço do terceiro trimestre sugerem que a empresa ainda pode sobreviver por mais algum tempo.

Embora não seja de propriedade de um fundo de venture capital, o agressivo crescimento de baixo custo da Norwegian enriqueceu os consumidores com todo o custo sendo arcado pelos proprietários e credores da empresa. Um maravilhoso exemplo de redistribuição de riqueza.

A corretora que está revolucionando o mercado 

No dia 1de outubro, a corretora online Charles Schwab, a maior dos EUA e uma das maiores do mundo, ganhou o noticiário ao zerar a taxa de corretagem para a compra de ações, ETFs e opções. Após anos de pressões da concorrência, que vinham reduzindo suas taxas, a Charles Schwab cedeu — e seus principais concorrentes rapidamente foram atrás.

Embora esta pioneira corretora não seja de propriedade de um fundo de venture capital e nem possa ser considerada uma especuladora sem sucesso, este seu recente “comportamento predatório” pode ser encaixado naquela típica objeção que fazem ao capitalismo: concorrência selvagem. Essa medida estratégica e sagaz prejudicou suas próprias receitas no curto prazo, além de ter derrubado violentamente as próprias ações da corretora. Mas também afetou os concorrentes ainda mais: chegou a derrubar em até 30% os preços das ações da corretora Ameritrade, que a Charles Schwab queria comprar e que, com efeito, acabou comprando.

Para o ingênuo anti-capitalista, isso seria apenas mais um exemplo típico do poder das grandes corporações: comprar concorrentes para tentar monopolizar o mercado, supostamente em detrimento da sociedade. No entanto, se olharmos o que realmente aconteceu, o verdadeiro beneficiado se torna evidente: o consumidor.

Embora os donos de ações de corretoras tenham inicialmente visto o valor de mercado de suas ações cair e a Charles Schwab tenha intencionalmente afetado suas próprias receitas, os usuários dos serviços online de corretoras viram os custos de suas operações cairem 100%. Agora podem comprar e vender ações e opções sem pagar nenhuma taxa.

E vale reconhecer que a Schwab e outras corretos já vinham concorrendo vigorosamente entre si e já haviam derrubado para níveis já historicamente baixos as taxas de corretagem, mas esta última medida ainda enriqueceu ainda mais os consumidores de seus produtos.

Para concluir

A redistribuição feita por estes agressivos modelos de crescimento e de expansões corporativas, exemplificados pelos unicórnios, pela Norwegian e pela Charles Schwab, são de extrema importância educativa.

Enquanto políticos e populistas progressistas vivem vociferando contra as desigualdades de riqueza — geradas por grandes valorizações da bolsa ou mesmo pela globalização —, os modelos de negócios surgidos na últimas décadas, que aceitam prejuízos iniciais em troca de grandes expansões de mercado, significaram uma maciça transferência de riqueza: de investidores relativamente ricos para consumidores relativamente pobres.

Podemos dizer que tudo isso nada mais é do que uma consequência não-premeditada das políticas de juros baixos. Ou então um “problema de se ter muito dinheiro em busca de algum retorno”. Ou, para quem quiser, um exemplo de capitalismo implacável em ação.

Já eu prefiro chamar de “A Grande Redistribuição”: investidores repletos de dinheiro, mas sem onde colocá-lo, acabam financiando empresas que operam no prejuízo, e neste processo enviam os lucros para milhões — se não bilhões — de consumidores.

Ao financiarem e gerirem inúmeras empresas abaixo do custo (e até mesmo dispostas a incorrer em prejuízos) com o objetivo de ganhar escala e preciosa feita de mercado, empresas de venture capital efetivamente canalizam o abundante dinheiro dos ricos para nós consumidores.

O que dizer? Muito obrigado pelas barganhas! Muito obrigado por oferecer promoções e até mesmo serviços gratuitos! Muito obrigado pelos seus serviços tecnológicos totalmente sub-precificados! Muito obrigado por concorrem tão vigorosamente ao ponto de abrirem mão dos lucros! Muito obrigado por pagarem mais a seus fornecedores e produtores do que recebem de nós consumidores via receitas!

De novo: isso é sustentável? Para mim, como consumidor, não importa. Não é problema meu. O capitalismo não é um arranjo feito para privilegiar produtores, mas sim para beneficiar os consumidores. Quem souber aproveitar irá se beneficiar.

No mais, tudo isso mostra como os progressistas que hoje vivem agitando em prol de redistribuição de renda e riqueza estão completamente perdidos. A redistribuição que eles exigem já está acontecendo. O capitalismo, a tecnologia, a globalização, e os fundos de venture capital já estão fazendo o serviço. Cabe a nós apenas curtirmos a carona.

Joakim Book

, nascido na Suécia, possui mestrado pela Universidade de Oxford e é visiting scholar do American Institute for Economic Research

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