A CRISE ECONÔMICA ESTÁ IMPACTANDO DIRETAMENTE O NATALENSE E OS IMPACTOS JÁ REFLETEM NOS NÚMEROS DE INADIPLÊNCIA NA CAPITAL

Endividamento em Natal cresce e número de famílias sem condições de pagar triplica

01 dez 2021

Endividamento em Natal cresce e número de famílias sem condições de pagar triplica

A crise econômica está impactando duramente o natalense e os impactos já refletem nos números de inadimplência na capital potiguar, que em novembro de 2021 ficaram acima da média nacional. Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 86,3% das famílias declararam possuir dívidas, o que representa o segundo maior índice para um mês de novembro da série histórica natalense. No Brasil, este número é de 75,6%.

Desde 2010, quando foi iniciada a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o índice de endividamento só atingiu número mais alto do atual em novembro de 2020, quando alcançou 88,9% em meio aos primeiros impactos da pandemia.

Possuir dívidas não é o único problema. Entre os que estão com contas em atraso esse mês também foi registrado aumento comparado a outubro e chegando 37,3% (aumento de 0,9%). Porém, quando considerado novembro do ano passado (42,7%), houve queda de 5,4 pontos percentuais. A média de atraso é 62,5 dias, sendo que 42,8% já estão com mais de 90 dias de atraso.

Das 263 mil famílias da região Metropolitana de Natal, a realidade é ainda mais crítica para os 10,7% que não conseguirão cumprir com os compromissos assumidos. O índice é mais alto tanto em relação a outubro (7,1%) quanto em relação ao mesmo período de 2020 (3,7%). Ou seja, aumento de quase três vezes.

“O número de famílias nesta condição é o maior desde junho do ano passado, quando bateu em 10,9%. Esses dados representam um ponto de preocupação para o setor de comércio e serviços, principalmente quando observamos o total da renda mensal familiar comprometido com dívidas, que chega a 36,9%. São pessoas em débito com cheque pré-datado, cartões de crédito, fiados e carnês de lojas, por exemplo. Isso tudo, junto ao aumento da inflação e taxa de juros, pode representar um preocupante círculo vicioso, que pode engessar por um longo período o crescimento”, explicou Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN.

No total, na capital do Rio Grande do Norte são 226.970 famílias endividadas, 96.128 que já estão com contas em atraso, e 28.191 que não terão como pagar estas dívidas. No cenário nacional, os dados da PEIC divulgados dia 29 de novembro mostram que 12.327 milhões de famílias que possuem alguma dívida a vencer, alta de 1 ponto percentual em relação a outubro (74,6%) e de 9,6 pontos em relação a novembro do ano passado (66%)

Fonte: Política em Foco
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SEGUNDO PORTA-VOZ DA CASA BRANCA, BIDEN TEM INTENÇÃO DE CONCORRER À PRESIDÊNCIA DOS EUA EM 2024

Biden tem intenção de concorrer novamente à Presidência em 2024

Crise do Afeganistão e gestão do coronavírus fizeram aprovação pública do presidente norte-americano cair nos últimos meses

INTERNACIONAL

por Reuters

Aos 79 anos, Joe Biden é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos

KEVIN LAMARQUE/REUTERS – 9.9.2021

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem a intenção de concorrer à reeleição em 2024, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, nesta segunda-feira (22).

Biden, de 79 anos, sofreu uma queda na aprovação pública nos últimos meses, levando alguns dos democratas a se perguntarem se ele buscaria um segundo mandato de quatro anos.

“Ele quer. É a intenção dele”, disse Psaki, enquanto Biden voava a bordo do Força Aérea Um para um evento de Ação de Graças com as tropas norte-americanas em Fort Bragg, no Estado da Carolina do Norte.

Os democratas ficaram abalados com as vitórias dos republicanos nas eleições estaduais da Virgínia neste mês, e como uma vitória democrata apertada em Nova Jersey.

Alguns têm cogitado a viabilidade de uma candidatura da vice-presidente Kamala Harris em 2024, caso Biden decida não concorrer de novo. Uma pesquisa recente do USA Today e da Universidade de Suffolk mostrou que ela tem aprovação de 28% no cargo.

Biden passou pelo primeiro exame físico na sexta-feira (19) desde que tomou posse em janeiro e médicos constataram que ele está caminhando de forma rígida e atribuíram frequentes episódios de tosse a refluxos ácidos. Os médicos afirmaram que ele está apto para trabalhar.

As perspectivas políticas de Biden pareciam estar balizadas na semana passada após a aprovação de um plano de infraestrutura de 1 trilhão de dólares. Ainda está sendo debatido um outro pacote de 2 trilhões de dólares de investimentos em segurança social.

Fonte: R7

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EM MEIO AO CENÁRIO DE CRISE CHELE BUSCA DEFINIR SEU FUTURO TRAVÉS DO VOTO

Chilenos vão às urnas para escolher novo presidente e novos rumos

Em meio a cenário de crise econômica, pandemia, nova Constituição e após protestos em massa, país busca definir seu futuro

INTERNACIONAL

Fábio Fleury, do R7

Aviso em entrada de zona eleitoral em Santiago pede que eleitores mantenham distanciamento

ERNESTO BENAVIDES / AFP – 19.11.2021

Neste domingo (21), cerca de 15 milhões de eleitores estarão aptos a votar na oitava eleição presidencial do Chile desde a redemocratização, em 1989. O pleito tem tudo para se tornar um dos mais polarizados da história, com dois favoritos em espectros políticos opostos e em um momento de transição profunda no país.

O futuro presidente do Chile não deverá lidar apenas com as consequência de uma grave crise econômica, piorada pelos quase dois anos da pandemia de Covid-19. Também irá promulgar uma nova Constituição, que busca incluir populações até então marginalizadas. As tensões após os protestos de 2019 e 2020, ainda permanecem vivas na memória.

Pela legislação eleitoral do país, as pesquisas de intenção de voto não podem ser divulgadas nos últimos 15 dias antes da votação. Os favoritos até então eram o deputado Gabriel Boric, da coligação de partidos de esquerda e centro Aprovo Dignidade, e o ex-deputado direitista José Antonio Kast, do Partido Republicano. Cada um ao seu modo, ambos representam o desgaste da política tradicional no Chile.

Além deles, corriam por fora Sebastian Sichel, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo do atual presidente Sebastian Piñera, e Yasna Provoste, ex-ministra da Educação no governo de Michelle Bachelet e ex-presidente do Senado na última legislatura. Representantes da centro-direita e da centro-esquerda, eles estavam um pouco atrás dos concorrentes.

Crise e polarização

Para a historiadora Ana López Dietz, professora da Universidade Central do Chile, a eleição deste domingo é uma das mais relevantes desde a redemocratização do Chile. Isso porque as forças que governaram o país durante esse período o fizeram com as estruturas e a Constituição deixadas por Pinochet. No entanto, mesmo após a formação da Assembleia Constituinte, os chilenos ainda não sabem ao certo para onde irão.

“A condução do Chile até hoje foi sustentada sobretudo sob a lógica dos acordos sociais e de paz para alguns dos mais ricos, e para outros. profunda desigualdade , vida precária, emprego precário, destruição de direitos. Isso explodiu nas manifestações de outubro de 2019. No entanto, mesmo após o plebiscito, estas eleições atuais se constroem com base em um acordo feito por praticamente todos os partidos políticos e figuras do regime. Muitos jovens que estavam na linha de frente dos movimentos estudantis se desiludiram e também se desmobilizaram na pandemia”, relata.

Segundo a especialista, diversos fatores ainda dificultam uma projeção para o resultado da eleição. Mesmo assim, afirma ela, é quase certo que haverá o segundo turno em 19 de dezembro. A tendência é que Boric, ex-líder estudantil que liderava as pesquisas, dispute com Kast ou Sichel.

“Sem dúvida, estamos vivendo um clima de polarização, acima de tudo”, avalia a professora. “Mas há também um fenômeno profundo aí, que é um esgotamento, um cansaço da população com o regime político, uma descrença com as eleições e com a democracia. Aqui o voto é voluntário e a participação tem caído”.

Segundo ela, os fortes protestos iniciados em outubro de 2019 ajudaram a impulsionar a votação no plebiscito que convocou a nova Assembleia Constituinte. A participação, no entanto, caiu na eleição dos delegados que estão elaborando a futura Constituição chilena.

“Temos de ver o que vai acontecer agora. Ao longo desse tempo se perdeu aquele elo mais importante com o amplo movimento que estava nas ruas. Acho que acima de tudo mostra um absoluto descontentamento com esse sistema, isso leva as pessoas a não votar, vai participar. Elas acreditam que nenhum dos candidatos atenderá suas demandas”, explica.

Para a professora, a campanha eleitoral deste ano foi bastante reveladora na questão da polarização política. De um lado, Boric buscou se aliar aos movimentos sociais, sindicais, estudantis e indígenas que mobilizaram os protestos. Do outro, Kast se colocou como defensor do legado da ditadura de Augusto Pinochet.

“Creio que há um debate ideológico que é necessário fazer, a respeito de qual projeto político queremos construir no país, um projeto não apenas para escolher um representante, mas para mostrar para onde queremos ir, se queremos manter as coisas como são ou pensar em novos caminhos para o Chile”, conclui.

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EM NATAL, MENINA DE 10 ANOS QUE FOI LEVADA À UPA DE CARROÇA APÓS CRISE DE CONVULÇÃO ESPERA HÁ QUATRO MESES POR UM EXAME

Por g1 RN e Inter TV Cabugi

 

Família aguarda há quatro meses exame de ressonância em menina que sofre convulsões, em Natal. — Foto: Inter TV CabugiFamília aguarda há quatro meses exame de ressonância em menina que sofre convulsões, em Natal. — Foto: Inter TV Cabugi

Uma menina de 10 anos aguarda há quatro meses por um exame de ressonância magnética solicitado pelos médicos para tentar diagnosticar as causas das convulsões que ela apresenta quase todos os dias em Natal.

Quando apresenta uma crise, Rafaela Ferreira Serafim é levada para a Unidade de Pronto-Atendimento mais próxima à casa da família em uma carroça. O trajeto é de cerca de 30 minutos, segundo a mãe da criança, Angélica Guimarães.

A mãe relata que o exame custa R$ 1,3 mil na rede privada e a família não tem condições de arcar com a despesa. A família mora no bairro Lagoa Azul, na Zona Norte de Natal.

“O que ganho é do Bolsa Família e dos recicláveis que a gente cata, não tenho condições de pagar. Eu queria ter o exame para saber o que está acontecendo com ela”, diz.

A menina já passou por outros exames, mas o estado não está oferecendo o procedimento de ressonância, solicitado pelos médicos, ao público infanto-juvenil.

Enquanto isso, a família segue esperando a retomada, porque não tem condições de pagar pela ressonância. Angélica conta que chegou a vender as próprias panelas de casa para comprar comida.

Decisão

A Justiça determinou bloqueio de valores para retomada de exames de tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas para crianças e adolescentes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pelos próximos seis meses.

O MPRN moveu uma ação de cumprimento de sentença judicial com o objetivo de que o Estado tome providências e complemente o pagamento das produções de exames já realizados, no valor de R$ 47.231,61, e também custeie os exames pelo próximo semestre.

A Justiça também determinou a realização de uma audiência em 24 de novembro, por videoconferência, para definir a distribuição dos exames já com o valor bloqueado.

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde informou apenas que o dinheiro estava bloqueado e que a decisão seria cumprida pelo estado.

Fonte: G1 RN
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CONSUMIDORES BRASILEIROS PODERÃO SENTIR A CRISE DOS FERTILIZANTES NO MERCADO GLOBAL

Consumidor poderá sentir efeito de falta de fertilizantes em 2022, diz economista

Restrições a Belarus fazem parte do problema, mas inflação brasileira também deve impactar cenário, diz José Roberto Mendonça de Barros

Giovanna Galvani

Juliana AlvesRenata Souza

da CNN

em São Paulo

crise de fertilizantes no mercado global poderá ser sentida pelos consumidores brasileiros em 2022 caso não haja saídas para as restrições impostas a Belarus e uma diminuição no preço do gás natural.

Esta avaliação foi feita pelo economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, em entrevista à CNN neste domingo (24). Segundo ele, a safra de verão não deve ser impactada pelos altos preços dos produtos, já que a maior parte dela já se encontra na lavoura.

“O problema maior é a safrinha e, eventualmente, a safra do ano que vem pelo custo de fertilizantes. Dá para incluir aí defensivos agrícolas, com um aumento de preços na indústria química que produz os componentes”, explica José Roberto.

Para além do aumento no preço do gás natural, que impacta a exportação de fertilizantes da China, a crise também tem motivos localizados em implicações geopolíticas do país com o chamado “último ditador da Europa” – o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko.

Belarus é responsável por 1/4 da produção mundial de cloreto de potássio. No poder desde 1994, Lukashenko tem perseguido opositores e reprimido manifestações, o que fez com que seu país fosse alvo de sanções da União Europeia e dos Estados Unidos. A falta de disponibilidade fez com que o preço disparasse.

“Há uma escassez física de material no mercado por conta das restrições comerciais a Belarus, e o potássio é indispensável. Ele é produzido em poucos lugares, como no Canadá, Rússia, Belarus e um pouco na China – que está segurando as exportações de fertilizantes para proteger seu mercado interno”, acrescentou o economista.

Entenda os motivos para a falta de fertilizantes

José Roberto Mendonça de Barros também destacou que há “escassez e encarecimento de nitrogenados, fundamentais para todas as culturas”.

As perspectivas não são das mais animadores para o futuro próximo, disse o economista. “O preço do gás natural não está com perspectiva de cair. O petróleo segue pressionado. Na questão da oferta do potássio, poderá normalizar alguma coisa, mas entra o efeito da desvalorização cambial – o dólar está cada vez mais alto”, explicou.

“A pressão nos custos de produção para a agricultura vão continuar, mesmo num cenário em que a União Europeia alivie as pressões sobre Belarus”, afirmou.

Como a falta de fertilizantes afeta os alimentos

Mesmo com soluções para a crise dos fertilizantes, as perspectivas de encolhimento da economia no próximo ano e a alta dos juros, que deve sofrer novo reajuste com a reunião do Copom nesta semana, ainda devem causar impactos na economia das famílias brasileiras.

“Do ponto de vista das famílias, mesmo que alivie o preço de alimentos em alguma coisa, o resto do custo de vida – custo do transporte, energia – continuará afetando de forma ruim a vida das pessoas”, afirmou José Roberto.

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ESCASSEZ DE COMBUSTÍVEL NO REINO UNIDO SE AGRAVOU NO FIM DE SEMANA POR CAUSA DAS “COMPRAS MOTIVADAS PELO PÂNICO”

Governo britânico aciona Exército por crise de combustível

População do Reino Unido fez longas filas nos postos de gasolina com medo de bombas desabastecidas no país

INTERNACIONAL

 por AFP

Filas se formaram em postos de combustível ao longo do final de semana no Reino Unido

ADRIAN DENNIS/AFP – 26.9.2021

A escassez de combustível no Reino Unido se agravou no fim de semana por causa das “compras motivadas pelo pânico”, o que levou o governo a acionar o Exército para amenizar a falta de caminhoneiros.

“Um número limitado de motoristas de caminhão-tanque militar deve estar pronto para intervir e se deslocar, se necessário, para estabilizar o suprimento de combustível”, declarou o Ministério da Energia em um comunicado na noite desta segunda-feira (27).

Durante o fim de semana, foram registradas longas filas em vários postos de gasolina, especialmente nas grandes cidades e na capital, Londres. Nesta segunda, quase 30% dos postos do grupo BP eram afetados pela escassez de combustível.

“Um dos nossos membros recebeu um carregamento ao meio-dia e, no fim da tarde, já havia acabado completamente”, disse à emissora BBC Brian Madderson, presidente da PRA, a associação de postos de gasolina do país.

O tabloide The Sun cita o exemplo de uma enfermeira que precisou percorrer três postos de gasolina e esperou por muito tempo.

“Agora vou me atrasar para visitar os pacientes, que precisam da minha ajuda para suas refeições e medicamentos”, declarou esta profissional da saúde ao jornal, sem conter as lágrimas.

O aumento da demanda por gasolina levou a PRA a advertir que até dois terços de seus membros, quase 5.500 postos de gasolina independentes dos 8.000 no país, tinham pouca quantidade de combustível no domingo. Os demais estavam “quase sem nada”.

Nos últimos dias, apesar das tentativas do governo de tranquilizar a população, muitos cidadãos correram para os postos de gasolina. Ao observar a escassez de alguns alimentos nos mercados, temeram pela falta de combustível.

A situação recorda a década de 1970, quando a crise energética provocou o racionamento de combustível e a redução da semana de trabalho para três dias. Há quase 10 anos, as manifestações contra o preço elevado da gasolina também provocaram um bloqueio das refinarias e paralisaram as atividades no país durante semanas.

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FALTA DE COMUNICAÇÃO NA UE CRIOU DIFICULDADES ENTRE PAÍSES DO GRUPO E OS EUA

Crise dos submarinos afetou relação com os EUA, afirma UE

Diplomata espanhol ressalta que falta de comunicação no bloco criou dificuldades entre os países envolvidos nos contratos

Falta de comunicação na UE criou dificuldade entre os países do grupo e os Estados Unidos

BRENDAN ESPOSITO / POOL / AFP

O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, admitiu nesta sexta-feira (24) que a crise dos submarinos criou dificuldades entre o grupo de países e os Estados Unidos e deveria ser outro argumento a favor do fortalecimento da defesa do bloco.

“A falta de comunicação e consulta entre parceiros próximos, como somos, sem dúvida criou dificuldades reais, e não dá uma boa imagem de coordenação entre aliados sólidos”, declarou Borrell em entrevista coletiva em Nova York.

Borrell, entretanto, expressou sua satisfação com os passos dados para resolver a crise, sobretudo com o aceno entre os presidentes Joe Biden e Emmanuel Macron nesta semana, em um momento em que “as tensões pareciam estar crescendo”.

O chefe da diplomacia da União Europeia destacou como fundamental o reconhecimento de Biden de que o processo não foi devidamente gerenciado e que teria sido bom realizar consultas prévias com os aliados antes do anúncio do pacto de defesa com o Reino Unido e Austrália. O acordo levou Canberra a cancelar um contrato com a França para a construção de 12 submarinos, avaliados em cerca de 56 bilhões de euros.

“Temos que estabelecer um sistema para evitar estes problemas no futuro”, frisou Borrell, que pediu um “diálogo estruturado” com os EUA sobre questões de segurança e defesa.

O espanhol também considerou muito importante que, seguindo o apelo, Washington expressou seu apoio para que a UE desempenhe um papel maior em assuntos de defesa, de forma complementar à Otan.

“Esta crise deve ser superada, mas há muito trabalho pela frente para reconstruir a confiança, para implementar nossa estratégia no Indo-Pacífico trabalhando com os EUA e outros, e para garantir um progresso real na aquisição das capacidades de defesa de que precisamos para assumir uma maior parcela de nossas responsabilidades”, finalizou.

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CRISE MIGRATÓRIA DIFICULTA ENTRADA DE HAITIANOS NOS EUA

Haitianos fazem fila na Cidade do México em busca de regularização

Dificuldades para entrar nos Estados Unidos fez com que migrantes buscassem autorização para seguir no território mexicano

INTERNACIONAL

por Agência EFE

Crise migratória fez com que haitianos tivessem dificuldades para entrar nos Estados Unidos

EFE/MARIO GUZMÁN

Mais de 100 haitianos fazem fila nesta quarta-feira (22) na frente do escritório da Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados (Comar), localizado na Cidade do México, em tentativa de obter autorização para seguir no país, diante das dificuldades que compatriotas têm para entrar nos Estados Unidos.

“Acabo de chegar, tenho uma semana na Cidade do México, porque vou cruzar (a fronteira com os EUA). No caminho, escutei que estão recolhendo gente para deportar e fiquei aqui para conseguir os papéis”, disse Marie Sola St. Fort, de 40 anos, à Agência Efe.

A haitiana contou que vive desde os 12 anos fora do Haiti e, desde então, viveu em vários países. Como fala espanhol, ajudou outros migrantes da preencher as fichas que o Comar solicita para que sejam iniciados os trâmites de regularização da situação no México.

Já o advogado Alexander Ovil, haitiano que vive no México faz dez anos, disse que se sentiu na obrigação de ir até o local, para conhecer a situação dos recém-chegados à capital do país, para tentar ajudar de alguma maneira.”Para a grande maioria, o sonho era chegar até o norte e poder cruzar (a fronteira com os EUA), mas situação que se vive lá, não é adequada para eles. Acredita que é melhor tentar, de alguma maneira, se regularizar aqui”, explicou.

Histórias variadas

Os haitianos que fazem fila para entregar os documentos apresentam diversas histórias, conforme explicou Ovil, que conversou com diversos deles.

“É uma mistura. Chegam de todas as partes, tanto do sul, como do norte. Realizar o sonho americano fica mais complicado a cada dia, então, a maioria dos que estão aqui, buscam um abrigo legal”, relata o advogado.

Nos últimos dias, cerca de 13 mil migrantes irregulares, a maioria provenientes do Haiti, ficaram retidos pelas autoridades dos Estados Unidos em um acampamento improvisado, sob a ponta que liga as cidades de Del Río, no estado do Texas, e Ciudad Acuña, já no território mexicano.

O grupo de cidadãos haitianos veio de Brasil e Chile, depois que, em agosto, o Departamento de Segurança Nacional dos EUA (DHS) anunciou a ampliação do programa de Status de Proteção Temporária.

Diante da dificuldade de conseguir permanecer no território americano, os migrantes decidiram partir para a Cidade do México, onde buscariam legalizar a situação.

“Eu disse a meu marido que iria para outro país que estivesse aberto para os migrantes, que é o México. Queria cruzar para os Estados Unidos, porque tenho família lá”, relatou Marie Sola St. Fort, que viveu na República Dominicana e Chile.

Depois de navegar, caminhar, viajar de ônibus e táxis, a haitiana conseguiu chegar à Guatemala, para depois alcançar a cidade de Tapachula, que fica no estado de Chiapas, no México. Em seguida, ela partiu para a capital, onde tentar conseguir autorização para residir, depois trabalhar e conseguir seguir a vida.

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CANCELAMENTO DO CONTRATO DE SUBMARINOS GERA CRISE DIPLOMÁTICA E MACRON VAI FALAR COM BIDEN

Crise diplomática: Macron vai falar com Biden, diz porta-voz francês

Governo francês afirma não ter sido consultado por seus aliados sobre o cancelamento da venda de submarinos para a Austrália

INTERNACIONAL

 por Reuters – Internacional

O presidente francês Emmanuel Macron

REUTERS – 17.09.2021

O presidente francês Emmanuel Macron irá conversar com o presidente dos EUA Joe Biden nos próximos dias, disse o porta-voz do governo francês neste domingo (19), em meio a uma crise diplomática desencadeada pelo cancelamento do contrato de submarinos que a Austrália firmou com Paris.

A França disse na sexta-feira (17) que iria convocar seus embaixadores de Washington e de Canberra para consulta sobre o acordo de segurança trilateral também envolvendo a Grã-Bretanha que afundou a demanda multibilionária por submarinos franceses.

“O presidente Biden pediu para falar com o presidente da República e haverá uma conversa entre eles nos próximos dia”, disse Gabriel Attal, porta-voz do governo francês, ao canal de notícias BFM TV. A França está buscando “esclarecimentos” sobre o cancelamento de uma demanda por submarino, disse Attal.

O sucateamento do contrato, firmado em 2016, causou a fúria do governo francês, que afirma não ter sido consultado por seus aliados. O governo australiano, no entanto, diz ter deixado suas preocupações claras durante meses.

Após o “choque” inicial do cancelamento, as discussões precisariam ocorrer sobre cláusulas contratuais, com compensação para o lado francês, acrescentou Attal.

Fonte: R7

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GOVERNO AUSTRALIANO TEME QUE PROJETO AUMENTE INFLUÊNCIA CHINESA NO PAÍS

Austrália: crise dos submarinos revela tensão crescente com China

Governo australiano, que apoia Taiwan, teme que projeto da ‘Nova Rota da Seda’ aumente influência chinesa no país

INTERNACIONAL

 Eugenio Goussinsky, do R7

Fuzileiros americanos e australianos carregam embarcação em Bowen, AustráliaFuzileiros americanos e australianos carregam embarcação em Bowen, Austrália
AMERICA’A NAVY/26-07-21

A decisão anunciada pelo governo australiano na última terça-feira (14), de abandonar seu seu acordo, selado em 2016, com o Grupo Naval da França para construir uma frota de submarinos convencionais trouxe visibilidade, para o Ocidente, a uma tensão entre China e Austrália, que tem crescido nos últimos anos.

O governo australiano anunciou um novo pacto, com Estados Unidos e Reino Unido, para transferência de tecnologia para a construção de oito submarinos com propulsão nuclear, considerados mais potentes e modernos.

Segundo especialistas, os submarinos, mais precisos e silenciosos, têm condições de patrulhar áreas do Mar da China Meridional com menor risco de detecção.

A decisão enfureceu o governo francês, mas, em termos estratégicos. O presidente Emmanuel Macron, buscando não enfraquecer o poderio francês, convocou os embaixadores dos Estados Unidos e da Austrália, para esclarecimento, mesmo sendo os dois países aliados da França.

O governo francês, no entanto, não tem muito mais o que fazer, além desta tentativa de se impor diplomaticamente, justamente porque, neste imbróglio, tem seus interesses totalmente vinculados aos dos Estados Unidos e Otan, diante do que é visto como uma ameaça chinesa.

Uma ameaça que tem incomodado o governo australiano, justamente porque o país, na Oceania e aliado dos Estados Unidos, se situa em uma região na qual a China está ampliando sua influência, dentro do projeto “Nova rota da seda”, anunciado em 2013 pelo presidente chinês, Xi Jinping e incorporado à Constituição chinesa em 2017.

Porto de Darwin

O objetivo do projeto é fortalecer o vínculo com a Ásia, Europa, África e outras áreas, por meio de obras de infraestrutura, como a construção de portos, ferrovias, aeroportos e centros industriais.

O temor da Austrália é de uma crescente influência do poder econômico e, por conseguinte, do governo chinês dentro de seu território. Isso, aliás, já tem ocorrido.

Desde 2015, o porto de Darwin, localizado no Território do Norte e estratégico, por causa de sua proximidade com a Ásia. O porto está sob controle da estatal chinesa Landbridge, em forma de arrendamento por 99 anos.

Além disso, a Austrália se mantém aliada de Taiwan, apesar de não manterem relações formais, no objetivo da ilha de se firmar como país independente da China.

Para a Austrália, ter os submarinos com propulsão nuclear, produzidos pelos Estados Unidos e Reino Unido, daria mais segurança defensiva, em relação aos interesses chineses, dentro das disputas territoriais no mar da China Meridional.

Além de Taiwan, elas englobam disputas, entre países como Brunei, República Popular da China, Taiwan (República da China, fora da ONU desde 1971), Filipinas, Japão, Vietnã e Malásia.

Os territórios disputados são, entre outros, as Ilhas Spratly e Ilhas Paracel e regiões próximas do mar, como Golfo de Tonkin.

Tais disputas ameaçariam a Austrália, que ainda tem a China como maior parceiro econômico, do ponto de vista territorial e comercial.

A China admite ter interesses nestas regiões e afirma que, mais cedo ou mais tarde, irá recuperar o poder sobre Taiwan, considerada pelo governo chinês como parte indivisível da China.

“A China deve ser e será reunificada. Estamos prontos para fazer o nosso melhor para lutar pela perspectiva de uma reunificação pacífica, mas nunca deixaremos nenhum espaço para qualquer forma de atividades separatistas de ‘independência de Taiwan’ “, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, em abril último.

Pandemia e direitos humanos

As tensões entre China e Austrália aumentaram desde 2018. O governo australiano, do primeiro-ministro Scott Morrison, passou a questionar Pequim sobre as acusações de desrespeito aos direitos humanos contra opositores.

No ano passado, a pandemia também serviu para distanciar ambos os países. As relações entre

Canberra e Pequim congerlaram relações quando o governo de Morrison pediu investigação sobre as origens da covid-19, irritando o governo chinês e afetando os laços comerciais entre os países.

Desde então, a China tem dificultado as exportações para a Austrália, de produtos como carvão, trigo e vinho.

Pesquisa recente feita pelo Australia Institute, 42% dos entrevistados na Austrália acreditam que, em algum momento, a China irá atacar a Austrália, conforme informou artigo do The Guardian.

O jornal revelou que Allan Behm, chefe do programa de assuntos internacionais e de segurança do Australia Institute, garantiu que “não há dúvida de que as ações recentes da China e a retórica anti-China na Austrália geraram medo e insegurança na comunidade australiana”.

O acordo com os Estados Unidos e com o Reino Unido, neste sentido, também se encaixa aos objetivos do governo australiano de recuperar a popularidade, em meio a uma crise econômica potencializada pela pandemia.

No ano passado, o governo australiano elevou a proposta de déficit público no orçamento do ano fiscal seguinte, para 213,7 bilhões de dólares australianos (151,8 bilhões de dólares na ocasião), com o objetivo de expandir gastos, entre outros em programas sociais, para estimular a recuperação econômica do país.

Diante da crise, a compra de modernos submarinos também é uma forma de propaganda do governo australiano. Um discurso belicista é uma grande arma para a imagem de um governo, ao longo do tempo. Neste sentido, a insatisfação da França, acabou sendo, para a Austrália, o menor dos prejuízos.

Fonte: R7

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PRESIDENTE ARGENTINO TENTA SUPERAR GRAVE CRISE QUE DESENCADEOU RENÚNCIAS DE MINISTROS

Presidente argentino diz que não aceitará demissões de ministros

Alberto Fernández enfrenta crise política após ver derrota do governo durante as eleições primárias legislativas

INTERNACIONAL

por AFP

O presidente argentino Alberto Fernández vive crise após derrotas nas primárias legislativasO presidente argentino Alberto Fernández vive crise após derrotas nas primárias legislativas JOSÉ MÉNDEZ/EFE – 23.02.2021

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, tenta superar a grave crise que desencadeou as renúncias de cinco ministros, que ele ainda não aceitou, após a derrocada eleitoral da coalizão governista nas primárias legislativas há quatro dias.

“Venho informar oficialmente que o presidente da Nação, Alberto Fernández, não aceitou nenhuma das renúncias apresentadas e que todas elas, assim como a composição de seu gabinete, estão sob sua consideração e relatará no momento em que tiver que relatá-los”, Vilma Ibarra, secretária de Assuntos Jurídicos da presidência, disse na quinta-feira (16) em resposta a rumores sobre a saída do ministro do Interior, Wado de Pedro.

Cinco ministros e outros altos funcionários próximos a Kirchner colocaram seus cargos à disposição na quarta-feira (15), o que os analistas interpretam como uma pressão da vice-presidenta sobre Fernández para obrigá-lo a reformar o gabinete e se afastar de alguns de seus colaboradores de maior confiança, como o chefe de gabinete Santiago Cafiero.

“Eu ouvi meu povo”

Em suas primeiras declarações nesta quinta-feira, Fernández pediu o fim dos conflitos e ressaltou que é ele quem está à frente do governo.

“Nós temos que dar respostas honrando o compromisso assumido em dezembro de 2019 [quando assumiu a presidência], nos dirigindo à sociedade. Não é a hora de semear disputas que nos desviem desse caminho”, escreveu o presidente no Twitter.

“Eu ouvi meu povo. A arrogância e a prepotência não me abalam. A gestão do governo continuará se desenvolvendo do modo que eu considerar conveniente. Para isso que eu fui eleito. Farei isso sempre convocando o encontro entre os argentinos”, acrescentou.

Em recessão desde 2018, a Argentina enfrenta uma crise econômica que foi agravada pela pandemia de covid-19. Para amenizar os efeitos da paralisação da economia pelas restrições sanitárias, o governo realizou muitas emissões de dinheiro, especialmente em 2020.

Nesta quinta-feira, no centro de Buenos Aires, grupos de esquerda mobilizaram manifestantes exigindo maiores subsídios para refeitórios e alimentação, e rejeitam um eventual acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Outras organizações de tendência peronista convocaram uma manifestação em frente à Casa Rosada, a sede do governo, em apoio a Fernández. Mas, na tentativa de reduzir as tensões, o presidente pediu que se abstivessem.

“Queremos trabalhar”

Aos elevados índices de pobreza e desemprego, a Argentina soma uma das maiores taxas de inflação do mundo (32% de janeiro a agosto) e tem pendente uma dívida de 44 bilhões de dólares com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Não sou nem a favor nem contra o governo. Quero que as coisas sejam feitas. Queremos trabalhar, queremos fábricas”, disse Gisela, moradora da zona sul de Buenos Aires, na manifestação.

Em 22 de setembro, deve pagar ao FMI um vencimento de capital de 1,9 bilhão de dólares e em dezembro outro de mesma quantia.

O governo Fernández tenta chegar a um acordo de ampliação das instalações para substituir o stand-by assinado em 2018. Gerry Rice, porta-voz do FMI, ratificou nesta quinta-feira em Washington que “continua o trabalho com as autoridades argentinas para aprofundar as discussões técnicas para um programa apoiado pelo FMI”.

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NOVO MINISTRO DA JUSTIÇA NO HAITI ASSUME O CARGO EM MEIO A LUTA PELO PODER E GRAVES ACUSAÇÕES

Novo ministro da Justiça assume cargo no Haiti em meio à crise

Liszt Quitel chega ao poder em momento em que premiê é citado como um dos possíveis mentores da morte do presidente haitiano

INTERNACIONAL

por AFP

Liszt Quitel tem como missão encontrar os culpados pelo assassinato de ex-presidenteLiszt Quitel tem como missão encontrar os culpados pelo assassinato de ex-presidente RICHARD PIERRINI/AFP – 16.9.2021

O novo ministro da Justiça, Liszt Quitel, assumiu o cargo no Haiti nesta quinta-feira (16), em meio a uma luta pelo poder e graves acusações contra o primeiro-ministro como parte da investigação sobre o recente assassinato do presidente Jovenel Moise.

Já encarregado do Ministério do Interior desde julho, Quitel reconheceu a complexidade da situação que paralisa o instável país caribenho.

“Estamos vivendo um momento difícil, com necessidades urgentes de justiça e segurança”, declarou o agora ministro da Justiça, que terá que enfrentar as gangues que controlam setores de Porto Príncipe.

Quitel substituiu Rockefeller Vincent, deposto pelo primeiro-ministro Ariel Henry.

Henry também destituiu Bed-Ford Claude, o promotor-chefe de Porto Príncipe, esta semana, que pediu formalmente que o premiê fosse indiciado pelo assassinato de Moise.

Claude disse suspeitar que Henry realizou ligações telefônicas horas após o ataque com um dos principais suspeitos do assassinato do presidente, baleado em sua casa por mercenários armados. Nenhum agente responsável pela proteção de Moise ficou ferido no ataque.

Quitel é o quinto ministro da Justiça nomeado desde 2017, ano em que Jovenel Moise assumiu o poder. Afetado pela instabilidade e pela falta de meios para funcionar, o setor judiciário haitiano opera de forma extremamente lenta, resultando em superlotação nas prisões.LEIA TAMBÉ

De acordo com organizações de direitos humanos, mais de 85% dos detidos hoje nas prisões do país aguardam julgamento, alguns há vários anos.

Enquanto a classe política luta pelo poder, a insegurança cresce em todo o país, especialmente em Porto Príncipe. Gangues de criminosos fortemente armados controlam vários subúrbios da capital, onde realizam sequestros e de onde bloqueiam regularmente todo o acesso aos únicos terminais de petróleo do país.

Fonte: R7

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SEGUNDO MINISTRO, BRASIL VIVE “MAIOR CRISE HÍDRICA DE SUA HISTÓRIA”

Ministro diz que país vive ‘maior crise hídrica’ e bandeira vermelha continua

Bento Albuquerque afirmou que trabalha “com medidas para que não exista nem racionamento, nem a possibilidade de interrupção de fornecimento por pico de demanda”

Leandro Resende

Década de 2020 será crucial para conter a crise climática, dizem especialistasDécada de 2020 será crucial para conter a crise climática, dizem especialistas JOEL SILVA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou neste sábado (28) que o Brasil vive “a maior crise hídrica de sua história” e que a bandeira vermelha 2, que deixa a conta de luz mais cara, será mantida. Ele também afirmou que trabalha com medidas para que não haja racionamento de energia no país. “Estamos vivendo, essa situação excepcional, as bandeiras irão continuar porque elas refletem o custo mais elevado da energia”, afirmou o ministro após participar de um evento em Campos dos Goytacazes, cidade na região Norte do Rio de Janeiro.

A declaração de Bento Albuquerque vem um dia depois de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciar a manutenção da bandeira vermelha 2, em vigor desde junho, para o mês de setembro. A tarifa é a mais alta e representa uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos.

Questionado sobre a possibilidade de apagão ou racionamento de energia, Bento Albuquerque afirmou que a pasta de Minas e Energia trabalha “com diversas medidas para que não exista nem racionamento, nem a possibilidade de interrupção de fornecimento por pico de demanda, ou seja, por excesso de carga no sistema”.

O ministro veio ao Rio de Janeiro lançar o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos (Promar) em Campos dos Goytacazes e participou de reunião com o prefeito da cidade, Wladimir Garotinho. O programa mapeia condições para revitalização de campos maduros de petróleo e gás natural, localizados no mar.

“O Promar é um programa essencial para a revitalização dos campos maduros e que vai trazer investimentos para toda a nossa região”, afirmou o prefeito de Campos dos Goytacazes. A Bacia de Campos é a segunda maior produtora de petróleo do Brasil, atrás apenas da Bacia de Santos.

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ANEEL ANUNCIOU A MANUTENÇÃO DA BANDEIRA VERMELHA 2 EM VIGOR DESDE JUNHO PARA O MÊS DE SETEMBRO

Com crise hídrica, Aneel mantém em setembro bandeira vermelha 2, a mais cara

Agência mantém bandeira que representa uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos; valor não foi reajustado

Cleber Souza

 CNN Brasil Business*em São Paulo

Governo planeja bancar parte da conta de luz de famílias de baixa rendaGoverno planeja bancar parte da conta de luz de famílias de baixa rendaFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (27) a manutenção da bandeira vermelha 2, em vigor desde junho, para o mês de setembro. A decisão ocorre em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas.

A bandeira vermelha 2 representa uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos, e é a mais cara das tarifas extras. A agência não atualizou o valor da bandeira como esperavam economistas e até mesmo parte do governo.

Nos últimos dias, houve forte debate entre ministérios sobre o tema. Autoridades e técnicos ligados ao setor elétrico defendem aumento da bandeira vermelha 2 para cifra acima de R$ 20 — com aumento de cerca de 150% — mas por um período curto de cerca de três meses. Já a equipe econômica prefere um reajuste menor da bandeira — próximo de 50%, para valor perto de R$ 15 — por vários meses.

Esse cenário faz com que o governo federal recorra a usinas térmicas, com um custo maior de geração. O valor extra é repassado aos consumidores finais por meio da bandeira tarifária.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê que o país enfrente um déficit de energia elétrica em outubro e novembro deste ano caso não adote “recursos adicionais”, que seriam novas unidades de geração de energia que impeçam que o consumo ultrapasse a oferta.

“Sem isso ou uma forte economia de energia, há um grande risco de apagão por causa da degradação no nível de armazenamento dos reservatórios, com a estiagem”, diz a entidade.

Crise hídrica

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que conversou com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para segurar o aumento do preço da bandeira tarifária da conta de luz, em meio à crise hídrica enfrentada.

“A bandeira subiu e ia subir mais. Eu sugeri moderação: sobe um pouco mais, mas por mais tempo, porque precisamos repor os reservatórios. É melhor subir um pouco por mais tempo do que subir mais por apenas três meses”, avaliou em participação no evento da XP Investimentos, nesta quinta-feira (26).

Ainda assim, ele reconheceu os riscos da crise hídrica, mas reforçou ser apenas mais um desafio a ser enfrentado pelo governo Bolsonaro.

De acordo com o último boletim divulgado pelo ONS, os reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste operam com apenas 22,7% de sua capacidade de armazenamento. Responsáveis por cerca de 70% da geração hídrica do país, os reservatórios apresentam os níveis mais baixos dos últimos 91 anos. O volume útil de Furnas está em 18,3% e da usina de Nova Ponte em 12,2%.

Na comparação com o boletim anterior, o nível de armazenamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste recuou 0,2 ponto percentual (p.p). A maior queda no nível de armazenamento foi registrada pela Região Sul, de 1 p.p. O subsistema está operando com 30,7% de sua capacidade.

Os reservatórios do Nordeste operam com 50,4% da capacidade de armazenamento. O volume útil do reservatório da hidrelétrica de Sobradinho está em 49,14%. Já as usinas da região Norte operam com 72,8% da capacidade. E a Hidrelétrica de Tucuruí segue com 89,84%.

De acordo com o relatório do ONS, os reservatórios do Norte devem terminar o mês de agosto com 72,4%, da capacidade de armazenamento seguido do Nordeste com 49%, do Sul com 26,8% e do subsistema Sudeste/Centro-Oeste com 21,7%. Segundo o operador, as afluências continuam abaixo da média histórica.

Racionamento

Mesmo do cenário de crise, o governo federal afasta a possibilidade de um racionamento de energia. O ministro da Minas e Energia, Bento Albuquerque, voltou a reforçar que, apesar das medidas de incentivo à redução de consumo de energia elétrica, o governo não trabalha com a hipótese de racionamento.

“Não trabalhos com hipótese de racionamento e isso tem que ficar claro. […] Entendo isso (redução do consumo) como medidas de economia que devem ser aplicadas sempre, independentemente do momento como esse que vivemos agora”, argumentou em coletiva de imprensa na última quarta-feira (25).

O secretário de Energia Elétrica do MME, Christiano Vieira da Silva, esclareceu que para caracterizar um racionamento, é preciso que o programa preveja um corte do fornecimento de energia para quem não cumprir a meta estabelecida.

“Não se trata disso (racionamento), de forma alguma. […] É mostrar o que o governo federal está fazendo para contribuir. […] Alguns (prédios públicos) poderão reduzir 10%, outros 15%, outros vão conseguir abaixo de 5% e vão explicar o porque não conseguiram aderir, mas não vai ter corte”, comentou.

*Com informações de Fernando Nakagawa e Isabelle Resende

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SEGUNDO PROFESSOR, A ONU TERIA CONDIÇÕES DE ADIAR OU ELIMINAR POR COMPLETO O RISCO DE UMA GUERRA MUNDIAL PROVOCADA PELA CRISE NO AFEGANISTÃO

Há risco de a crise no Afeganistão evoluir para uma guerra mundial?

Segundo professor da Unicamp, ONU teria condições de adiar este perigo por muito tempo e possivelmente eliminá-lo por completo

INTERNACIONAL

Sofia Pilagallo, do R7*

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Vitória do Talibã poderia fortalecer outros grupos extremistas e provocar conflitos regionais

AKHTER GULFAM / EFE – EPA – 25.8.2021

Com a crise política que se instalou no Afeganistão desde quando o Talibã invadiu a capital Cabul e assumiu o controle do país, no dia 15 de agosto, um pensamento possível é que o mundo estaria caminhando rumo a um novo conflito a nível global — que, se consumado, seria o terceiro da história da humanidade e o primeiro deste século.

Para o professor de Direito da Unicamp (Universidade Estadual Paulista), Luís Vedovato, que estuda o Afeganistão pelo viés dos direitos humanos, o risco de um conflito nessas proporções acontecer é consideravelmente baixo.

Não por acaso, a entidade foi criada em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o maior e mais destrutivo conflito da história, que matou um total estimado de 70 a 85 milhões de pessoas.

“Há de se levar em conta ainda a questão econômica, que é internacionalmente conectada devido a estrutura da ONU. Conflitos são sempre prejudiciais à economia, ainda mais um conflito de proporções mundiais”, afirma o professor da Unicamp.

Um segundo fator a ser levado em consideração, de acordo com Vedovato, é a possibilidade, ainda que remota, de haver o uso de bombas nucleares em uma eventual nova guerra mundial. Esse tipo de armamento tem como característica uma grande liberaçao de energia e, por isso, tem um imenso poder de destruição.

O mundo ainda se lembra, com imenso pesar, dos dias 9 e 16 de agosto de 1945, quando os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki e provocaram, instantaneamente, a morte de 70 mil pessoas.

“O Irã, por exemplo, enriquece urânio a 20% de pureza, o que não é o suficiente para a produção de bombas nucleares e, por hora, é usado apenas e tão somente para a produção de energia. Sabe-se, no entanto, que produzir bombas nucleares não seria um grande desafio naquela região, ainda mais tendo em vista que todos os países ali são muito bem armados”, diz.

Conflitos regionais

Apesar de Vedovato não acreditar que uma terceira guerra mundial seja uma possibilidade concreta, ele defende que, eventualmente, poderiam surgir conflitos regionais entre alguns países do Oriente Médio, que, assim como o Afeganistão, também abrigam grupos que fazem uma interpretação extrema da religião islâmica.

Um exemplo disso é o Iêmen, país onde o terrorismo gera preocupação desde muito tempo e há forte presença da organização fundamentalista Al-Qaeda, responsável pelo ataque às torres do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

Para o professor, a recente vitória do Talibã sobre o governo do Afeganistão poderia fortalecer esses grupos, que cogitariam tomar o poder de seus respectivos países e provocar, assim, alguns conflitos na região do Oriente Médio. Dificilmente, no entanto, ele acredita que tais conflitos se espalhariam pelo mundo e evoluiriam para uma situação de proporções maiores.

“Ainda não há qualquer perspectiva de uma terceira guerra mundial, mas acho que o mundo deve ficar bastante atento aos próximos desdobramentos da crise no Afeganistão, sobretudo porque estamos em um momento de mudança de poder”, afirma.

“Os Estados Unidos estão agora saindo do centro das decisões políticas mundiais para compartilhar esse centro com outros países, tais como China e Rússia, que já sinalizaram apoio ao novo governo talibã”, completa.

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OPINIÃO: NINGUÉM SABE COMO ESSA CRISE ENTRE OS PODERES VAI ACABAR

A resposta de Aras: “O máximo do direito, o máximo da injustiça”

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ninguém sabe como essa crise entre os poderes vai acabar.

A luta intensificou-se nos últimos dias, acrescida de alguns transtornos dramáticos.

Um quarto poder entrou briga, a Procuradoria Geral da República (PGR), sob o comando do procurador Augusto Aras, vítima dos mais violentos ataques pessoais e profissionais contra a sua moderação.

No meio desse cataclismo, o risco de uma ruptura  constitucional é iminente, embora não se saiba com certeza qual será o seu resultado final, que pode até ser catastrófico, a depender das reações internas e externas. Considerando o acirramento dos ânimos, um grupo de moderados colocou em andamento um processo de trégua, muito embora os sinais de reconciliação sejam escassos.

Augusto Aras respondeu aos ataques dos seus detratores com um artigo intitulado “O máximo do direito, o máximo da injustiça”. Críticas não lhe faltaram, embora o alvo não seja ele, mas sim quem o indicou: o presidente Bolsonaro. Os amigos sabem que ele, como procurador-geral da República, sempre foi uma pessoa civilizada, não dada a arroubos nem a atitudes imprudentes, pois sempre agiu com parcimônia e ponderação.

Como membro do Ministério Público, não deixa de ser um agente do poder executivo e também do poder judiciário. O MP, no seu nascimento, sempre foi considerado como uma magistratura autônoma, com função de fiscalizar a execução das leis. Carvalho de Mendonça o considerava um agente do governo, enquanto Ruy Barbosa e alguns outros o consideravam como parte do judiciário.

Segundo Ruy, é “um elemento integrante e substancial da magistratura, investido nas funções de justiça”.

Ortolon classificou-o como agente do executivo “como parte integrante da ordem judiciária”. Diante de tudo isso, outra não poderia ser a atitude de Aras em não querer os holofotes de uma fama momentânea, em detrimento de sua profissionalização.

Realmente, não vai ser por intermédio da mídia e dos discursos contra o presidente da Republica que a atual crise será resolvida. Aras tem sido alvo de questionamentos por sua atuação em casos envolvendo o governo, mas sabe que tem que de agir com serenidade, justamente para não ser acusado de omissões em relação às violentas medidas judiciais que querem que ele tome contra Bolsonaro.

Segundo ele, quando a atuação jurídica se imiscui com o dia a dia da retórica política, é possível invocar a Constituição para defender absurdos. Foi nela que o vice-presidente e senador norte-americano John Caldwell Calhoun (1782-1850) se baseou para sustentar sua posição antiabolicionista em sua época.

Foi assim que constatamos, em 34 anos de carreira pública, que certos excessos e violações à Constituição Federal e à lei orgânica que estrutura e organiza o Ministério Público resultaram em graves lesões aos princípios constitucionais, mormente republicano e da administração pública, com reflexos nocivos nos direitos e garantias fundamentais, levando ao questionamento da amplitude da instituição..

Até Bolsonaro afirma ser preciso um “diálogo entre os Poderes”, e que está à disposição para se encontrar com o presidente do Supremo e com os presidentes do Senado e da Câmara.

“O que precisa, aproveitando a nota do ministro Fux, ele tem razão em muita coisa aqui, é um diálogo entre os Poderes. Até em guerra, os comandantes de exércitos adversários conversam, até para saber se o outro quer armistício. Da minha parte, conversar com vossa excelência, ministro Fux, está aberto o diálogo, não tem problema nenhum”, afirmou Bolsonaro.

O Diálogo demonstra que as partes têm força. O diálogo, como dizia Epicteto, prova que a justiça tem de ter um fundamento racional e que está acima da força, que, por sinal, não está acima nem pode atingir o homem internamente. O artigo de Aras é uma confissão de que ele quer o máximo de direito e o mínimo de injustiça.

E isso, entre nós, só pode ser alcançado através de um diálogo.

Foto de Luiz Holanda

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

Fonte: Jornal da Cidade Online

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CRISE POLÍTICA, SOCIAL E ECONÔMICA DEIXARAM SEQUELAS PROFUNDAS NOS HAITIANOS

Entenda os motivos históricos da crise política e econômica no Haiti

Dificuldades herdadas do período da colonização e governos autoritários acentuam problemas do país mais pobre das Américas

INTERNACIONAL

 João Melo, Do R7*

Escravização do povo haitiano deixou sequelas até hoje na população do país

EFE/ JEAN MARC HERVE ABELARD

assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, no dia 7 de julho, foi mais um acontecimento trágico da crise política, social e econômica enfrentadas pela nação caribenha há anos. Esses e outros problemas que são observados hoje têm raízes históricas profundas.

Quando ainda era conhecido como São Domingos, franceses e espanhóis levaram cerca de 450 mil pessoas escravizadas na África para o país. Essa situação a impulsionou uma série de rebeliões por parte da população de escravos, o que culminou no início da Revolução Haitiana, em 1791.

Movimentos espalhados por todo o país e liderados principalmente por Toussaint Louverture e Jean Jacques Dessalines influenciaram levantes em diversos locais do país. Até que, no ano de 1794, a força das manifestações dos caribenhos e os desdobramentos da Revolução Francesa resultaram na abolição da escravidão em todas as colônias francesas, entre elas, São Domingos. Após a prisão e morte de Dessalines em uma prisão na França, Toussaint assumiu sozinho a liderança dos movimentos contra os franceses e, após um longo período de luta, a independência do país foi declarada no dia 1° de janeiro de 1804. A partir desse momento, o nome Haiti passou a ser adotado.“O processo de independência do Haiti colocou o país numa dupla situação. Se por um lado se tornou um referencial a ser seguido pelos povos escravizados em prol da liberdade e da dignidade humana, por outro lado causou um grande temor por parte do imperialismo euro-americano de que isso poderia iluminar outras populações para acabar com os projetos neocoloniais que esses países mantinham em várias partes do planeta”, destaca Handerson Joseph, antropólogo haitiano naturalizado brasileiro e professor do Departamento de Antropologia da UFRGS.

Dificuldades econômicas

O especialista ressalta que os desdobramentos da revolução no Haiti levaram problemas financeiros para o local, como uma dívida que teve de ser inicialmente paga ao governo francês para que o país independente fosse reconhecido diplomaticamente.

Com o passar dos anos, empréstimos bancários e juros altos cobrados por bancos da França, dos EUA e da Alemanhã aumentaram ainda mais os valores a serem quitados pelo país do Caribe.

O Haiti conseguiu terminar de pagar essas dívidas relacionadas ao seu reconhecimento como república independente somente por volta de 1947, o que causou danos relevantes à economia local.

“Depois da independência até os dias atuais, o Haiti convive e enfrenta um processo de neocolonização. O país não teve nenhum descanso do imperialismo euro-americano, o que muito contribuiu para aprofundar as suas crises políticas e econômicas”, enfatiza o doutor em Antropologia Social pela pelo Museu Nacional da UFRJ.

Instabilidade política

Além das dificuldades econômicas, o Haiti precisou conviver com problemas políticos ao longo da sua história, tendo como um dos períodos mais marcantes a era dos Duvalier, família que estabeleceu um regime ditatorial muito intenso no país.

François Duvalier, também conhecido como Papa Doc, chegou à presidência do país em 1961 e logo tomou a decisão de organizar uma força armada chamada Tonton Macoute para reprimir os seus opositores.

“Papa Doc contou com o apoio norte-americano a esse regime até o ano de 1961, quando insatisfações relacionadas à política do presidente haitiano culminaram no rompimento desse suporte. Depois disso, uma nova Constituição, que entrou em vigor em 1964, autorizava a presidência vitalícia de Duvalier”, explica Joseph.

François Duvalier morreu em 1971 e o substituto automático do cargo foi o seu filho, Jean Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, por continuar aplicando as mesmas estratégias de repressão do pai.

Jean Cloude ficou no cargo executivo mais alto do país por 15 anos e autoridades haitianas estimam que, durante o seu mandato, foram desviados um equivalente a R$ 517 milhões na cotação atual. De acordo com o professor da UFRGS, Baby Doc levou o Haiti a uma decadência maior do que o governo do seu pai.

Uma revolta organizada por movimentos de oposição e também pela própria população, que estava saturada das crises causadas pela família Duvalier, derrubou Jean Cloude em 1986 e colocou fim a um período ditatorial de 25 anos.

Moise no poder

Em um panorama recente, o presidente Jovenel Moïse também contribuiu para o histórico político conturbado do país caribenho. A tentativa de, neste ano, tentar mudar a constituição para continuar no poder é um dos exemplos das atitudes questionáveis do presidente assassinado.

“O governo de Moïse também era marcado pelo autoritarismo, pelas práticas anti-democráticas e pela militarização do aparelho estatal. Em menos de cinco anos, ele contribuiu com a destruição de várias instituições estatais, principalmente o poder legislativo e o judiciário”, ressalta o antropólogo.

Handerson completa destacando que foi também durante o mandato de Jovenel que aconteceu um dos maiores escândalos de corrupção da última década, o PetroCaribe. Entre 2008 e 2018, a Venezuela criou um programa para vender derivados de petróleo para países da América Latina e do Caribe por preços vantajosos.

No entanto, Relatórios divulgados pelo Tribunal de Constas do Haiti apontaram que, desde o início do acordo, autoridades haitianas desviaram mais de R$ 10 bilhões dos valores que deveriam ter como destino a compra de petróleo.

“Esses processos antidemocráticos, de impunidade e de corrupção têm implicações drásticas para a população haitiana, uma vez que limitam a liberdade das pessoas, desestabilizam a economia do país e aumentam a repressão e a violência.”

O especialista ainda afirma que boa parte da comunidade internacional não cogitava ir contra os modelos políticos e econômicos de Moïse, o que auxiliou na sua permanência no poder.

“A Comunidade Internacional via em Moïse um chefe de Estado ideal e desejado para manter o país sob o comando imperialista, dado que seu posicionamento político-econômico estava alinhado com o liberalismo norte-americano”, enfatiza o professor da UFRGS.

Assassinato de Moise e a continuidade no Haiti

“O assassinato de Moïse pode causar ainda mais instabilidade política e insegurança na sociedade haitiana. Se as forças de segurança pública não garantiram a vida e a integridade física do presidente, imagina para a sociedade civil. Isso transmite uma sensação de impotência e uma mensagem de abandono à população”, diz Handerson Joseph.

Nos últimos anos o haiti já vem registrando altos índices de violência e pelas ruas da cidade, principalmente nas regiões que são dominadas por grupos armados que frequentemente entram em conflito entre si.

Para o antropólogo haitiano naturalizado brasileiro, o primeiro passo a ser dado pelos políticos do país caribenho deve ser em direção a um projeto nacional que tenha como objetivo principal a garantia da democracia no local, com foco em governos transparentes e que implantem projetos sociais para os povos mais carentes.

“Para isso, é importante também que a Comunidade Internacional reavalie sua atuação no país. A prioridade da população deve prevalecer em detrimento dos interesses ideológicos e políticos internacionais.”

Segundo o especialista, o Haiti precisa resgatar o sentido de igualdade, coletividade e liberdade que estão na raiz da população haitiana e ficaram bastante aflorados durante os movimentos do final do século XVIII.

“A democracia é incompatível com o autoritarismo, a oligarquia, a violência e a impunidade. Não há democracia sem justiça social e segurança alimentar e comunitária”, destaca.

Fonte: R7

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BANDEIRA VERMELHA 2 A MAIS CARA, É MANTIDA PELA ANEEL EM AGOSTO DEVIDO A CRISE HÍDRICA

Com crise hídrica, Aneel mantém em agosto bandeira vermelha 2, a mais cara

A bandeira vermelha 2 é a mais cara das tarifas extras, e representa  uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos

Ligia Tuon, do CNN Brasil Business, em São Paulo

Atualizado 30 de julho de 2021 às 21:38

GazetaWeb - Com crise hídrica, Aneel mantém em agosto bandeira vermelha 2, a mais cara

 A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30) que vai manter em agosto a bandeira vermelha 2, em vigor desde junho, em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas.

A bandeira vermelha 2 é a mais cara das tarifas extras, e representa uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos.

“Em julho, as afluências nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN) continuam entre as mais críticas do histórico. Agosto inicia-se com igual perspectiva hidrológica, com os principais reservatórios do SIN em níveis consideravelmente baixos para essa época do ano”, diz a agência.

A mudança vem num momento em que os principais reservatórios de água no país estão num nível crítico, devido à falta de chuvas. Esse cenário faz com que o governo tenha que recorrer a usinas térmicas, que têm um custo maior de geração. O custo extra é repassado aos consumidores finais por meio da mudança da bandeira tarifária.

Só na primeira semana de agosto, o custo de operação do sistema com o acionamento de termoelétricas deverá subir 105,02%, segundo cálculos divulgados nesta noite pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Racionamento

Apesar do cenário de crise, o governo federal afasta a possibilidade de um racionameno de energia. Em entrevista à CNN nesta sexta-feira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que “não haverá racionamento e trabalhamos para que não haja risco de apagão.”

Ele explicou que a pasta trabalha junto com as indústrias para evitar que “haja concentração de demanda energética em horários que levaria a apagão, estamos conversando com a indústria para que dentro das necessidades escolhermos o descolamento, ou eles mesmos, com devidas compensações para o sistema elétrico.”

Fonte: CNN

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SALTO NO PREÇO DA CONTA DE LUZ FAZ CONSUMIDOR ADERIR À ENERGIA SOLAR

Em meio a salto de preços na conta de luz, energia solar conquista consumidores

Aumentos, que devem continuar sendo constantes com a crise hídrica, estão ajudando a acelerar a adoção da energia solar por residências

André Jankavski, Estadão Conteúdo
18 de julho de 2021 às 17:26
Painéis de energia solar em Porto Feliz, no interior de SP Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O acupunturista Julyo Ganiko decidiu montar a sua casa do zero na região de Guarulhos, na Grande São Paulo. Comprou um imóvel antigo e percebeu que, para a residência ficar ao seu gosto, era melhor destruir e construir tudo de novo. Uma de suas preocupações era com a questão da eletricidade: ele queria que tudo na sua casa fosse movido por energia elétrica, até mesmo o fogão.

Com receio de ter de pagar uma conta alta lá na frente, começou a pesquisar sobre a energia solar. Decidiu instalar painéis solares na residência de 220 metros quadrados de área construída, que ficou pronta em 2019, onde mora com a mulher e os dois filhos. O investimento foi de R$ 25 mil. “Hoje, pago R$ 70 na minha conta de luz todos os meses. Conversando com pessoas que moram próximas e que têm hábitos de consumo parecidos, elas gastam mais de R$ 300”, afirma Ganiko.

custo de energia, é provável que os vizinhos do acupunturista vejam a conta subir ainda mais. No fim de junho, foi anunciado o reajuste de 52% para a taxa extra embutida nas contas de luz, a chamada bandeira vermelha 2. Por causa disso, os brasileiros deverão pagar, em média, 8,12% mais, segundo os cálculos do economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Esses aumentos, que devem continuar sendo constantes com a crise hídrica, estão ajudando a acelerar a adoção da energia solar por residências, baseada principalmente na geração distribuída.

Ela consiste na instalação de placas solares em telhados das casas, indústrias e até mesmo em pequenos e médios estabelecimentos. Para 2021, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) estima que a geração distribuída deve saltar de 4,4 gigawatts para 8,3 gigawatts. Os investimentos nessa área, tanto de consumidores, quanto de fabricantes, devem chegar a R$ 17,2 bilhões.

“Antes, falávamos que era uma energia do futuro, mas já se tornou uma energia do presente, mesmo estando instalada ainda em 0,7% do total de casas”, afirma Bárbara Rubim, vice-presidente da Absolar. Segundo projeções realizadas pela Bloomberg New Energy Finance, cerca de 21,5% de toda a matriz energética brasileira será de responsabilidade da geração distribuída em 2050.

Em alta

De olho nesse potencial, a empresa paulistana Sunenergia foi criada em 2016. Ainda que boa parte do faturamento seja originado de pequenos e médios estabelecimentos comerciais, como concessionárias de veículos, o negócio residencial tem crescido ano a ano.

Foi a Sunergia, por exemplo, que instalou as placas solares na casa de Ganiko. A companhia cresceu 51% em 2020 e pretende triplicar de tamanho neste ano. Segundo Eduardo Sibulka, diretor comercial da empresa, a instalação já faz sentido para quem paga contas a partir de R$ 250 mensais.

Obviamente, quanto mais cara a conta, mais rápido será o retorno do investimento. “É um sistema que se paga rapidamente, e o aumento exacerbado das contas de energia está trazendo um movimento de procura muito grande”, afirma Sibulka.

Segundo o executivo, o processo de instalação também está sendo bem rápido: do primeiro contato até a última fase da instalação, são 70 dias. De acordo com um levantamento realizado pela empresa de soluções em energia Comerc em capitais de todo o País, o tempo médio de retorno do investimento de empresas e de consumidores residenciais na geração distribuída varia entre quase 4 anos, em Cuiabá (MT), e 6 anos e meio, em Curitiba (PR).

Em São Paulo, que possui maior quantidade de consumidores, a conta costuma fechar em 5 anos e 10 meses. A Comerc leva em conta tanto o potencial de geração energética (que é a incidência solar na região), quanto o preço médio cobrado pelas distribuidoras em cada localidade.

De acordo com o marketplace de energia solar 77Sol, a demanda está crescendo de maneira muito acelerada. A empresa conecta 3 mil parceiros (entre empresas e instaladores) a clientes. Vendo o aumento da procura, a startup está preparando um curso para formar mais instaladores – mesmo sem esse curso, a plataforma tem visto o número de profissionais crescer de 300 a 400 por mês.

“Precisamos correr atrás da oferta, pois, se não tivermos capacidade suficiente para atender à demanda, vamos frustrar o mercado”, diz Nicola Giani, presidente da 77Sol.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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OPINIÃO: AUMENTAR FUNDO ELEITORAL EM TEMPO DE CRISE É UM ESCÁRNIO, SEGUNDO ALEXANDRE GARCIA

Alexandre Garcia: É um escárnio aumentar fundo eleitoral em momento de crise

No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (16), o jornalista avaliou a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022 no Congresso

Da CNN, em São Paulo

16 de julho de 2021 às 10:10

Alexandre Garcia: É um escárnio aumentar fundo eleitoral em momento de crise

No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (16), Alexandre Garcia avaliou a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022 no Congresso, que determina as metas e prioridades para os gastos do governo. A matéria segue agora para sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Entre os principais pontos do texto aprovado, está o aumento dos recursos destinados ao financiamento da campanha eleitoral do próximo ano. Segundo técnicos da comissão mista de orçamento, o fundo vai ser de R$ 5,7 bilhões em 2022, ano de eleições presidenciais, quase o triplo do registrado em 2018 e 2020, quando o fundo era de R$ 2 bilhões.

“Parece que somos 212 milhões patetas, se concordarmos com esse absurdo. Isso é um escândalo, um escárnio. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro está aumentando, segundo a última previsão, cerca de 5,2% [neste ano]. Mas no ano passado caiu 4,1%. Temos um saldo, portanto, de crescimento de 1,1%. A LDO que foi aprovada na Câmara e no Senado prevê um aumento de salário mínimo para R$ 1.147, ou seja, vai aumentar menos de 5%. Agora, o nosso dinheiro, do contribuinte, pagador de impostos, é parte do seu suor. Desse dinheiro eles aumentaram o fundo eleitoral em 285%. Com que cara ficamos com isso? De pateta”, disse o jornalista.

“A maioria dos deputados e senadores votou pela aprovação disso. Alguns fizeram manifestações contrárias, mas foram minoria. Agora vai para sanção presidencial, mas como é que [o presidente] vai vetar uma coisa que vai contrariar todos os partidos políticos e a maioria dos deputados e senadores?”, questionou Garcia. “É um senhor desafio para o presidente da República. Num momento de crise, aumentar fundo eleitoral para gastar nas eleições em 285% é um escárnio.”

O Liberdade de Opinião tem a participação de Sidney Rezende e Alexandre Garcia. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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CUBA RECUSA CORREDOR HUMANITÁRIO EM MEIO A CRISE AGRAVADA PELA PANDEMIA

 

Cuba reconhece crise sanitária, mas recusa corredor humanitário

Artistas, cidadãos e organizações de outros países fazem campanha nas redes para ajudar pior momento da pandemia no país

Cuba passa pela pior fase da pandemia com recorde de novos casos

YANDER ZAMORA/EFE – 9.7.2021
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba comunicou neste sábado que não é necessário abrir um corredor de ajuda humanitária em meio à crise sanitária agravada pela pior onda da covid-19 até então, mas reconheceu que a situação é “muito complexa” e pediu que as contribuições do exterior sejam feitas através de canais oficiais.

“Alguns, de maneira intencional e manipulada, mencionam a necessidade de implementar corredores humanitários, de intervenção humanitária”, disse em entrevista coletiva Ernesto Soberón, diretor-geral dos Assuntos Consulares e Cubanos Residentes no Exterior.

Soberón argumenotu que estes “são conceitos e termos relacionados a situações de conflito armado, violações graves do direito humanitário internacional, que não têm nada a ver com o que está acontecendo no país”.

Cuba vive seu pior momento na pandemia de covid-19. No sábado (10), pelo terceiro dia consecutivo, o país reportou novos recordes de casos e mortes em um só dia, com 6.750 contágios e 31 óbitos, informou o Ministério da Saúde Pública (Minsap).

Os hospitais estão sobrecarregados nas províncias mais afetadas – principalmente Matanzas, a leste de Havana – e o país convive com uma grave escassez de medicamentos e produtos básicos há meses.

Artistas, cidadãos e organizações de diversos países iniciaram uma campanha nas redes sociais para pedir a abertura de um corredor humanitário que permita combater a crise sanitária no território cubano.

Os organizadores da campanha, que usam as hashtags #SOSCuba e #SOSMatanzas, também se organizam dentro e fora de Cuba para angariar dinheiro, materiais médicos, alimentos e outros insumos para enviá-los aos locais mais afetados.

O representante do Ministério das Relações Exteriores para que os doadores do exterior façam suas contribuições através das embaixadas de Cuba ou associações oficiais de cubanos nos países onde residem, ou através de transferências para uma conta aberta pelo governo e disponível nos sites oficiais.

Soberón também denunciou que há “uma campanha para apresentar a imagem de Cuba como um caos total”, o que garantiu não corresponder com a situação sanitária real nem com os indicadores de covid-19 do país.

A resposta do governo vem após diversas celebridades se juntarem à campanha #SOSCuba, atraindo forte atenção internacional. Parte dos apoiadores da campanha criticam o governo, apontado como responsável pela situação.

No entanto, o governo de Cuba continua a afirmar que o principal motivo da crise econômica e sanitária é o embargo financeiro e comercial imposto pelos Estados Unidos.

Fonte: R7
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SEGUNDO DONALD TRUMP, BIDEN CAUSOU A PIOR CRISE MIGRATÓRIA DA HISTÓRIA DOS EUA

Trump vai à fronteira com México para criticar políticas de Biden

Ex-presidente diz que falará sobre “pior crise migratória do país” quando visitar a cidade de Weslaco, no Texas

INTERNACIONAL

 por AFP

Trump critica "pior crise migratória da história" dos EUA

BRANDON BELL / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Donald Trump comparecerá à fronteira com o México nesta quarta-feira (30) para criticar “a pior crise migratória” da história dos Estados Unidos, causada segundo ele por seu sucessor, Joe Biden, e para retomar o fio condutor de sua Presidência: a luta contra a imigração ilegal.

Uma “fronteira sul destruída”, “uma verdadeira zona de desastre”, afirma Trump diante da possibilidade de uma nova candidatura presidencial em 2024. O republicano não perdeu sua retórica desde sua “reclusão” em suas propriedades na Flórida e Nova Jersey.

Com essas palavras, o republicano anunciou seu primeiro compromisso desde que deixou a Casa Branca em 20 de janeiro. O ex-presidente estará em Weslaco, uma pequena cidade no extremo sul do Texas, perto da fronteira.

A calma reinou neste município na manhã desta quarta-feira, antes da chegada do ex-presidente. Uma caminhonete repleta de bandeiras Trump simboliza a reminiscência de sua popularidade neste estado conservador.

Mais precisamente no Texas, em 12 de janeiro, ele fez sua última visita oficial para falar sobre imigração.

Junto com o governador do Texas, Greg Abbott, e uma delegação de parlamentares republicanos, ele se encontrará com autoridades por volta das 11h30 (13h30 de Brasília) para uma reunião de “segurança da fronteira” e, em seguida, visitará, uma hora depois, uma parte do “muro” que separa os Estados Unidos do México.

“Construam o muro!”, ouvia-se com frequência em seus comícios antes de sua eleição em 2016.

Durante seus quatro anos como presidente, aproximadamente 600 quilômetros foram levantados, embora a maioria desses trechos tenha sido apenas melhorias em cercas já existentes.

Para os republicanos, o programa do bilionário funcionou, mas a chegada de Biden à Casa Branca com a promessa de uma política de imigração “mais humana” gerou um efeito de atração ao país.

A primavera foi marcada por prisões recordes na fronteira sul dos Estados Unidos, de 3.200 quilômetros.Em maio, cerca de 180.000 pessoas foram presas após entrarem ilegalmente, o maior número em 15 anos.

A oposição acusa a vice-presidente, Kamala Harris, responsável por gerenciar a migração irregular, de ignorar a “crise”.

O governador do Texas decretou em meados de junho que o estado continuará a construir o muro fronteiriço. E a governadora republicana da Dakota do Sul, Kristi Noem, acaba de anunciar que enviará dezenas de soldados da Guarda Nacional de seu estado para a fronteira, apesar de estar a mais de 2.000 quilômetros de distância.

Os democratas acusam os republicanos de manipulação política e garantem que o aumento de migrantes na fronteira se deve a vários fatores, ao mesmo tempo em que relembram a polêmica política da separação das famílias imposta por Trump.

Sob sua presidência, quase 4.000 crianças migrantes foram separadas de suas famílias. No início de junho, mais de 2.000 ainda não haviam se reunido com seus entes queridos.

“Palhaços”

“Por quatro anos, os republicanos ficaram em silêncio enquanto Trump sabotava nosso sistema migratório”, afirmou o porta-voz do Partido Democrata, Ammar Moussa, nesta quarta-feira, chamando a visita do ex-presidente de um “espetáculo de palhaços”.

Banido das redes sociais desde o ataque dos seus apoiadores ao Capitólio em 6 de janeiro, Trump mantém muita influência em seu partido.

E está determinado a continuar tendo peso na política americana.Depois de meses quase em silêncio, sua agenda se acelera. O magnata do mercado imobiliário voltou a fazer comícios no último sábado, em Ohio, como início de sua campanha para as eleições parlamentares e locais de novembro de 2022.

Diante de milhares de apoiadores, ele repetiu suas acusações infundadas a respeito do “roubo” na última eleição, ao perder para Biden. E deu a entender que vai tentar uma nova candidatura nas próximas eleições presidenciais.

Ele fará outro grande comício neste sábado em Sarasota, na Flórida.

Fonte: R7
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BANDEIRA VERMELHA 2 É MANTIDA PELA ANEEL E CONTA DE LUZ FICA MAIS CARA

Com crise hídrica, Aneel mantém em julho bandeira vermelha 2, a mais cara

A agência ajustou a bandeira tarifária para a mais alta em junho. Em maio, os consumidores ainda contavam com a bandeira vermelha 1

Ligia Tuon, do CNN Brasil Business, em São Paulo
Atualizado 25 de junho de 2021 às 19:37

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (28) que vai manter a bandeira vermelha 2 no mês de julho, em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas.

A bandeira vermelha 2 é a mais cara das tarifas extras, e representa atualmente uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos. No entanto, esse valor irá mudar, segundo a agência, que vai divulgar atualização na próxima terça-feira, dia 29, excepcionalmente.

A mudança vem num momento em que os principais reservatórios de água no país estão num nível crítico, devido à falta de chuvas. Esse cenário faz com que o governo tenha que recorrer a usinas térmicas, que têm um custo maior de geração. O custo extra é repassado aos consumidores finais por meio da mudança da bandeira tarifária.

A agência ajustou a bandeira tarifária para a mais alta em junho. Em maio, os consumidores ainda contavam com a bandeira vermelha 1.

“Em junho, as afluências nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN) estiveram entre as mais críticas do histórico. Julho inicia-se com mesma perspectiva hidrológica desfavorável, com os principais reservatórios do SIN em níveis consideravelmente baixos para essa época do ano, o que sinaliza horizonte com reduzida capacidade de produção hidrelétrica e elevada necessidade de acionamento de recursos termelétricos”, diz a agência em nota.

Tarifa deve subir mais de 20%

Embora o novo reajuste ainda não tenha sido divulgado pela Aneel, o diretor-geral da agência, André Pepitone, Aneel, adiantou na semana passada que o valor deve ser maior do que o previsto na consulta pública apresentada em março.

Na ocasião, a proposta era elevar a cobrança de 100 kWh na bandeira vermelha 2 para R$ 7,571. Ou seja, se fosse mantido esse valor, o aumento seria de 20%. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e repercutida pela comentarista de economia da CNN Thaís Herédia.

“Certamente, a gente já pode adiantar aqui nessa comissão que não tem o valor final, mas digo às vossas excelências que será um valor bem maior do que os R$ 6,24. Tivemos uma audiência pública que durou 30 dias e apresentou o valor de R$ 7 e alguns centavos, mas com certeza esse valor [final] ainda deve superar um pouco os R$ 7 [e alguns centavos], [daí os] mais de 20% [de alta]”, afirmou.

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FINLÂNDIA BUSCA MÃO DE OBRA ESTRANGEIRA PARA ALIVIAR CRISE DEMOGRÁFICA

País mais feliz do mundo busca mão de obra estrangeira

Finlândia tenta aliviar crise demográfica e solucionar déficit de mão de obra, um dos mais graves da Europa

INTERNACIONAL

por AFP

Finlândia busca trabalhadores estrangeiros para aliviar déficit

PIXABAy

Na liderança do ranking de “países mais felizes do mundo”, a Finlândia sofre para encontrar trabalhadores estrangeiros que aliviem sua crise demográfica e solucionem o déficit de mão de obra, um dos mais graves da Europa.

“Atualmente é amplamente reconhecido que precisamos de um número grade de pessoas para ajudar a cobrir os custos da geração mais velha”, declarou à AFP Saku Tihveräinen, ‘headhunter’ da agência Talented Solutions.

Muitos países ocidentais enfrentam o envelhecimento da população, mas poucos sentem o efeito como esta nação escandinava de 5,5 milhões de habitantes, que tem o maior déficit de trabalhadores qualificados dentro da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A Finlândia tem quatro cidadãos com mais de 65 anos para cada 10 pessoas em idade produtiva. Em 2030, a proporção alcançará um para cada dois, o que deixará o país atrás apenas do Japão a nível mundial.

O governo calcula que precisa de um saldo migratório positivo de 20 mil a 30 mil pessoas a cada ano – o dobro do atual – para manter os serviços públicos e os cuidados geriátricos em nível de excelência e compensar o iminente déficit no sistema previdenciário.

Depois de vários anos de inércia, as empresas e o governo “estão em um ponto de inflexão e admitem o problema”, afirma Charles Mathies.

Diretor de pesquisas para educação e migrações da Academia da Finlândia, Mathies é um dos especialistas consultados para o programa governamental “Talent Boost” (Impulso ao talento), lançado há quatro anos para aumentar a atração do mercado de trabalho do país.

Entre os profissionais procurados estão profissionais de saúde espanhóis, metalúrgicos eslovacos, técnicos de informática ou especialistas marítimos russos, indianos e filipinos.

“Problema de mentalidade”

Apesar dos bons serviços públicos e do reduzido nível de criminalidade e desigualdade, a Finlândia sofre para captar talento estrangeiro pela dificuldade de seu idioma, o clima rigoroso e também pelo que muitos estrangeiros chamam de relutância generalizada em reconhecer experiências ou qualificações no exterior, assim como preconceito contra candidatos não finlandeses.

Ahmed (nome modificado) chegou ao país por motivos familiares e, apesar de ter longa experiência no setor de desenvolvimento de produtos digitais, não encontrou emprego.

“Nunca houve falta de empregos, apenas falta de mentalidade”, disse o britânico de 42 anos que, enquanto procurava emprego na Finlândia, recebeu ofertas da Noruega, Catar, Reino Unido e Alemanha.

Finalmente, ele optou por trabalhar na cidade alemã de Düsseldorf, para onde vai e volta a cada semana a partir de Helsinque.

“Muitas empresas e organizações finlandesas são inflexíveis sobre o uso do finlandês, e um finlandês muito fluente”, indica Saku Tihveräinen.

“Mas como a falta de mão de obra se aprofunda, vemos empresas que buscam outras soluções”, explica.

Ele cita como exemplo o caso de uma fábrica de tecnologia em expansão que conseguiu contratar quase 2.000 pessoas em seis meses depois de adotar o inglês como língua de trabalho.

O prefeito de Helsinque, Jan Vapaavuori, faz campanha para que grandes empresas de comunicação ajudem a melhorar a atratividade da cidade.

Convencer os solteiros não representa um grande problema, mas recrutar casais e famílias é difícil porque “os cônjuges sempre encontram problemas para conseguir um bom emprego”, explica.

Apesar das dificuldades, o prefeito confia na imigração asiática e na mudança de prioridades provocada pela pandemia que, segundo ele, reforçou os valores da cidade: “segura, funcional, confiável e previsível”.

Fonte: R7
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GOVERNO DO AMAZONAS IGNOROU ALERTA DA WHITE MARTINS PARA ASSEGURAR OFERTA ADEQUADA DE XIGÊNIO DIANTE DO AUMENTO DA PANDEMIA

Amazonas ignorou alertas da White Martins seis meses antes da crise

Fato é demonstrado em relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS ao qual a CNN teve acesso

Caio Junqueira

Por Caio Junqueira, CNN  

Atualizado 09 de junho de 2021 às 21:17

Pazuello e Exército ignoraram pedidos do AM cinco dias antes de colapso de oxigênio

 O governo do Amazonas ignorou dois alertas para que fosse alterado o contrato com a fornecedora de oxigênio White Martins de modo a assegurar a oferta adequada diante do aumento da demanda na pandemia. É o que mostra o relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS ao qual a CNN teve acesso.

O primeiro alerta veio da própria empresa por meio de uma carta encaminhada à Secretaria de Saúde do Amazonas no dia 16 de julho. Nela, a White Martins pede que o contrato assinado em 2016 seja alterado para ampliar em 25% a oferta de oxigênio.

“Avaliando os volumes contratados por Vossas Senhorias, já pudemos constatar que os mesmos não suportarão o consumo que atualmente estão praticando. Por outro lado, preocupa-nos que, neste momento excepcional, de tão alta demanda, há possibilidade de termos que tomar a difícil decisão de atender somente os clientes em seus limites, prazos e condições comerciais contratadas, até porque, muito embora a indiscutível situação de calamidade, que indica uma maior flexibilização nas contratações, em todos os casos persiste a máxima de qualquer dispêndio público só é possível mediante formalização de contrato prévio, observadas a hipóteses e justificativas legais. Por isso é imperioso que se tomem medidas preventivas imediatas em relação ao atendimento desta secretaria, até porque são referentes a atendimento de indiscutível suporte à vida. Assim, nossa sugestão é que Vossas Senhorias possam, desde já, providenciar o acréscimo nos volumes contratados, de 25% nos termos da lei que afeta à matéria”, escreveu Petrônio Bastos, gerente-executivo da empresa.

Negociações

As negociações começaram e o governo do Amazonas concordou em alterar o percentual, mas na ordem de 21,9%. Foi aí que ocorreu o segundo alerta, dessa vez da área técnica da Secretaria de Saúde do Estado. Isso ocorreu no dia 11 de setembro, quando a área técnica afirmou que esse percentual era insuficiente.

“Considerando a referida memória de cálculo, o DELOG concluiu que o percentual de 21,9152% não atenderia as necessidades da Secretaria, em função da alta crescente nos números de casos confirmados da Covid-19 no Estado. Diante de tal situação, foi efetuado encaminhamento para superior deliberação quanto ao acréscimo não mais de 25% e, sim, de 46,9152% do contrato, amparado pelo artigo 4º-I da Medida Provisória nº 926/2020”, diz o documento.

A resposta, porém, foi a de que não havia recursos para esse acréscimo. “Decorridos diversos trâmites internos, os autos retornaram da Gerência de Execução Orçamentária-GEO/FES com a informação de indisponibilidade orçamentária para atender o acréscimo de 46,9152% do contrato, sendo autorizado o provisionamento de recursos para o acréscimo de 25% ao valor ora contratado, conforme Despacho de 05/10/2020, assinado pela Secretária Executiva do Fundo Estadual de Saúde”, diz a auditoria.

O aditivo foi assinado no dia 23 de novembro, ratificando o aumento de 21,9152% na oferta.

A auditoria ainda ponta outros problemas na relação do Amazonas com a White Martins. Cita, por exemplo, que relatórios de controle e fiscalização do consumo eram frágeis e feitos pela empresa.

A auditoria foi feita a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e anexada no inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para analisar a atuação da Secretaria Estadual da Saúde do Amazonas e da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus no período de 01/03/2020 a 31/01/2021.

Não foi avaliado o abastecimento de oxigênio medicinal nas unidades de saúde da rede privada em Manaus, nem a atuação do governo federal para socorrer a situação.

Sobre isso, ela menciona que “a articulação do Estado com o Ministério não se efetivou em período suficiente para a implementação de ações de contingência que poderiam evitar ou mitigar os problemas decorrentes da falta do medicamento no Estado”.

Confira, na íntegra, o posicionamento da Secretaria de Saúde do Amazonas:

A referida solicitação de aditivo de valor do contrato foi realizada em julho de 2020, quando a média de consumo era de 15,5 mil metros cúbicos por dia, portanto atendido no valor contratado.

Esse mesmo nível de consumo se manteve até meados de dezembro de 2020, conforme documento da própria White Martins. Mesmo assim, conforme plano de contingência da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), em novembro de 2020, foi autorizado aditivo de valor dentro das possibilidades legais.

Ressalta-se, ainda, que, na solicitação de aditivo de valor, a White Martins não menciona, em momento algum, incapacidade de produção para atender volume maior do insumo.

O aumento de consumo de oxigênio ocorreu de forma substancial no início de janeiro. De 20 de dezembro de 2020 a 4 de janeiro de 2021 houve incremento gradativo do consumo de oxigênio e a média passou a 28 mil metros cúbicos por dia.  

A partir de 5 de janeiro, esse volume apresentou tendência de crescimento e a empresa solicitou, no dia 7 de janeiro de 2021, apoio logístico para trazer o insumo de outras plantas em outros estados, não mencionando, mais uma vez, incapacidade para atender a demanda, que passou a ter picos de 60 mil ao dia, o que a empresa chamou, à época, de escalada descontrolada de consumo.

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SEGUNDO TÉCNICOS, DEVIDO A CRISE HIDROLÓGICA ENFRENTADA PELO BRASIL EVITAR RACIONAMENTO DE ENERGIA EXIGIRÁ UMA VERDADEIRA “DISPUTA PELA ÁGUA”

Crise hídrica no Brasil deve gerar “disputa pela água”, dizem especialistas

O sucesso nessas tratativas é visto como essencial para garantir o atendimento à demanda em 2021

Por Luciano Costa e Rodrigo Viga Gaier, da Reuters

28 de maio de 2021 às 19:50

Instrumento para medição do nível d'água na barragem Instrumento para medição do nível d’água na barragem da usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG)Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Uma crise hidrológica histórica enfrentada pelo Brasil nos últimos meses passou a gerar preocupações sobre a oferta de energia, e técnicos responsáveis pela operação do sistema elétrico avaliam que evitar um racionamento ou blecautes exigirá uma verdadeira “disputa pela água”.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), liderado pelo Ministério de Minas e Energia, disse após reunião extraordinária na quinta-feira que a escassez de chuvas faz com que seja importante flexibilizar restrições à operação de algumas hidrelétricas, incluindo Jupiá, Porto Primavera e Ilha Solteira, em São Paulo, e Furnas, em Minas Gerais.

Essas medidas, para permitir maior geração de energia ou mais armazenamento em determinadas regiões, precisam ser negociadas com órgãos como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Ibama, por questões ambientais, e muitas vezes com políticos, devido ao turismo na região dos lagos.

O sucesso nessas tratativas é visto como essencial para garantir o atendimento à demanda em 2021, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.

“Racionamento deenergia não está no cenário, mas se não acontecer a flexibilização da vazão, não tem jeito”, disse uma das fontes, que falou sob a condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.

“A situação é preocupante? É. Todos temos que estar preocupados e atentos. Mas é desesperadora? Não, não é, ainda temos a carta na manga que é essa flexibilização da vazão.”

Uma segunda fonte foi na mesma linha. “Existe alerta, mas não pânico. Temos recursos desde que sejam flexibilizadas as restrições hidráulicas e as térmicas compareçam. É cedo para falar disso, mas a situação é de total atenção.”

A fonte disse que “ANA e Ibama serão fundamentais”, e que também é preciso alguma torcida por chuvas na região Sul.

“Estamos ‘na mão’ do Sul e de vencermos as flexibilizações hidráulicas”, afirmou, também sob condição de sigilo.

Um racionamento de energia vivenciado pelo Brasil em 2001, que esfriou a economia e atrapalhou planos eleitorais de aliados do então presidente Fernando Henrique Cardoso, tornou discussões sobre o tema praticamente um tabu no Brasil desde então.

Mas o assunto volta ao radar de tempos em tempos, agora depois de o período entre setembro e maio ter registrado os piores níveis de chuvas em 91 anos de histórico no reservatório das hidrelétricas, principal fonte de geração do Brasil.

As flexibilizações na operação de usinas que o CMSE busca, no entanto, podem enfrentar alguma resistência por preocupações ambientais ou mesmo políticas, disse à Reuters um importante técnico do setor.

Medidas sobre vazões também poderiam ter efeitos danosos para setores como o de café, importante na área de Furnas.

“Sendo franco, essa questão vai ser muito difícil, é uma pauta antipática. Acho que vai dar briga, sempre deu”, afirmou, ao lembrar que no passado o governo do presidente Jair Bolsonaro costurou acordos com políticos de Minas Gerais para manter um nível mínimo em lagos como Furnas, que fomentam o turismo.

Nesta sexta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), criticou duramente o ONS, após a divulgação de informações sobre o pedido do CMSE para flexibilizar a operação de usinas incluindo Furnas.

“O ONS, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, apoderou-se das águas brasileiras para o seu propósito único de geração de energia… a previsão de secar os reservatórios do sistema de Furnas, em Minas Gerais, é inaceitável, ainda mais depois dos acordos feitos com a bancada federal do Estado”, escreveu ele no Twitter.

“Essa política energética sem ideias, que não planeja e não pensa em médio e longo prazo, reduz os níveis de água e sacrifica o abastecimento, o turismo, a navegação, a agropecuária, a piscicultura e o meio ambiente”, atacou.

Procurado, o ONS não respondeu especificamente às afirmações do senador, mas disse que decisões sobre flexibilizações operativas serão tomadas pela ANA e encaminhadas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), “por se tratarem de importantes iniciativas para manterem a segurança no abastecimento”.

O ONS também disse que “o cenário merece atenção”, mas não vê risco de falta momentânea de oferta, ou déficit de potência, “considerando as medidas necessárias para a segurança e a continuidade do suprimento de energia que foram tomadas pelo CMSE”.

O órgão do setor de energia também destacou que “vem reforçando a gestão de todos os reservatórios” e que trabalha junto ao Ibama e à ANA para “assegurar a governabilidade da operação hidráulica das principais bacias da região Sudeste”.

Na quinta-feira, o CMSE alertou que medidas de flexibilização são necessárias para “mitigar o risco da perda do controle hídrico na bacia do rio Paraná”.

A ANA disse em nota que “está realizando a análise da solicitação do ONS”, sem detalhar.

Já o Ministério de Minas e Energia afirmou que “a situação atual é desafiadora” e que trabalha com foco em “manter o máximo possível de água nos reservatórios” das hidrelétricas.

“O objetivo é garantir que, mesmo com poucas chuvas, seja mantido um volume de água suficiente tanto para geração de energia elétrica quanto para os demais usos da água. Sem um controle adequado das vazões, podem ocorrer impactos a todos os usuários”, afirmou a pasta em nota à Reuters.

As preocupações com o suprimento vêm 20 anos depois do racionamento histórico de 2001, e assim como naquela ocasião também um ano antes de uma eleição, quando geralmente há incentivos à economia em qualquer governo, pontuou a especialista Leontina Pinto, da Engenho Consultoria.

Ela ainda disse que esforços para evitar a qualquer preço uma crise de energia, que incluem o uso em massa de térmicas, mais caras, podem gerar uma pesada conta quando os custos forem repassados à tarifa, o que ocorreu em 2015, após o país ter enfrentado riscos de oferta no ano anterior.

“Meu nível de preocupação é muito alto. A gente consegue uma retomada econômica sem energia? Ou com energia a preços estratosféricos?”, questionou ela.

“Eu tenho um programa aqui de simulações, eu chamo de racionômetro. Brinco que já está no momento de ‘ligar’ ele de novo.”

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PROPOSTA DE REFORMA TRIBUTÁRIA NA COLÔMBIA FOI O STOPIM PARA AS MANIFESTAÇÕES NO PAÍS

Colômbia: entenda o que está por trás das manifestações no país

Reforma tributária cancelada pelo governo e desigualdades sociais históricas estão entre os fatores que estão levando pessoas às ruas

INTERNACIONAL

 João Melo, Do R7*

A reforma tributária foi estopim para as manifestações na Colômbia

GABRIEL BOUYS / AFP

No último dia 15 de abril, o governo da Colômbia apresentou uma proposta de reforma tributária. Sob o pretexto de ‘salvar’ a economia do país dos efeitos de uma crise histórica, intensificados pela pandemia do coronavírus, o projeto colocava boa parte do sacrifício nas costas dos mais pobres. A população se revoltou e há manifestações nas ruas há 3 semanas, pioradas pela repressão policial que já deixou pelo menos 50 mortos.

A reforma, chamada de Lei de Solidariedade Sustentável, visava aumentar a arrecadação de impostos através do aumento do número de contribuintes. Para que isso fosse possível, o governo de Ivan Duque propôs abaixar o teto do imposto de renda e aumentar os impostos referentes a serviços básicos e ao IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado).

De acordo com Renata Peixoto de Oliveira, doutora em Ciência Política pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e docente da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), a reforma propunha que o IVA incidisse sobre serviços básicos da sociedade colombiana, como energia elétrica e gás, o que afetaria bastante a vida das classes mais populares do país.

“A população mais carente seria afetada porque haveria a taxação de produtos que para elas são essenciais. Logo, taxar esses serviços e aumentar a proporção de contribuintes com ainda mais tributos afeta diretamente quem já não tem dinheiro para suas necessidades básicas”, destacou a especialista.

Outras razões dos protestos

Após a população ir às ruas e protestar incisivamente contra a reforma tributária, o governo do país decidiu, no dia 2 de maio, retirá-la da pauta do Congresso colombiano. Mas essa decisão não foi o suficiente para fazer com que os manifestantes deixassem de protestar.

Isso porque, segundo a professora da Unila, a proposição de uma reforma tributária no momento em que a população mais precisa de auxílio por conta da crise econômica causada pela pandemia foi o estopim, mas trouxe à tona um longo cenário de desigualdades que assolam a Colômbia há décadas.

“Como as pessoas já estavam nas ruas protestando e se mobilizando, foram reacendidas outras insatisfações. Por conta disso, não podemos ver essas manifestações como reações momentâneas e pontuais, mas sim como um desgaste de um modelo econômico neoliberal em vigor desde a década de 80”, afirmou Renata.

A cientista política completa ressaltando que os processos de privatização oriundos deste sistema econômico fazem com que, até hoje, a população colombiana tenha dificuldades para acessar serviços públicos de saúde e educação, por exemplo.

As manifestações de grande magnitude que tomaram conta de países sul-americanos como Venezuela, Chile, Bolívia e Equador ao longo de 2019 também aconteceram na Colômbia, destaca a especialista, se estendendo até o primeiro semestre de 2020 e tendo como um dos principais atores os ex-guerrilheiros que participaram do processo de paz assinado em 2016 no país.

“Alguns ex-guerrilheiros que assinaram o tratado de paz estavam tentando se reintegrar à sociedade e tiveram de enfrentar os impactos econômicos da pandemia nos bairros mais carentes. Essas pessoas fizeram manifestações silenciosas colocando lenços vermelhos na janela, que sinalizavam que as pessoas daquela casa estavam pedindo ajuda por estarem passando fome. Como não foram atendidas pelo governo, as pessoas tiraram os lenços da janela e foram às ruas se manifestar e foram duramente reprimidas”, ressalta.

O acordo de paz também tem uma influência no aumento das tensões na Colômbia porque, de acordo com a professora, apenas as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) exerceram seus deveres e obrigações diante do que foi instituído nos documentos, fazendo a deposição de suas armas.

“O acordo não foi cumprido em sua totalidade pelo Estado colombiano. Por isso há um cenário alarmante em termos de violência política na Colômbia desde então, com centenas de líderes comunitários e políticos sendo assassinados no país, assim como ex-guerrilheiros, que além disso não conseguiram se reinserir na sociedade”, afirma.

Outro motivo que faz com que os protestos sigam acontecendo nas ruas colombianas diz respeito à população indígena do país que, para além das reivindicações pontuais que estão sendo feitas nas manifestações, também levam consigo insatisfações relacionadas a um histórico de desigualdades que assola essa parcela da população há muitos anos.

Segundo Renata Peixoto, a cultura extrativista na Colômbia afeta não somente a fauna e a flora do país, como também as pessoas que vivem nas regiões rurais. Logo, ela destaca que é natural que os indígenas pautem as suas questões anteriores junto com as demandas momentâneas que estão sendo colocadas nos protestos. “Se essa crise afeta as populações urbanas pobres e de classe média, então imagina o que os povos originários estão passando?”

Militarização das ruas e próximos passos

A hostilidade policial em relação às pessoas que estão reivindicando as suas pautas sociais e econômicas também vem chamando a atenção nas manifestações. Entidades colombianas afirmam que esta repressão é reflexo da militarização das ruas do país.

De acordo com o Comitê Nacional do Desemprego, que une diversas entidades que apoiam o movimento, além das pelo menos 50 pessoas que já morreram em meio às mobilizações, outras 578 ficaram feridas (37 devido a lesões oculares), 524 desapareceram e 21 mulheres sofreram violência sexual. O Ministério da Defesa registrou a morte de um militar.

“Essa militarização das ruas, com forças policiais agindo de forma violenta contra cidadãos e cidadãs que estão se manifestando foi um elemento propulsor para que os protestos continuassem, para que mais pessoas aderissem, e também para chamar a atenção da comunidade internacional com pessoas mortas, desaparecidas e até denúncias de abusos sexuais”, ressalta a especialista.

Ela acrescenta que as pessoas às vezes levam outras pautas a serem reivindicadas durante as passeatas, mas que, a partir do momento que acontece a violência policial, este assunto também passa a ser levantado por quem está presente nas manifestações.

Em relação aos próximos passos a serem dados pelo governo de Ivan Duque, Renata afirma que o caminho mais indicado a ser seguido é o de recuar. “Como passar uma reforma tributária como essa neste momento de crise? O caminho seria perceber que não existe campo para isso e atender as reivindicações.”

“O mais acertado seria entender que não existe apoio e nem campo para fazer uma manobra que avance que aprofunde-se no modelo neoliberal cobrando isso da população mais pobre do país”, completa.

Fonte: R7

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EM DEPOIMENTO À PF, EX-MINISTRO DA SAÚDE EDUARDO PAZUELLO CULPA SERVIDORES E GOVERNADOR DO AMAZONAS PELA CRISE DE OXIGÊNIO NO ESTADO

Depoimento de Pazuello à PF culpa servidores e governo do Amazonas por erros

Depoimento foi prestado dentro do inquérito que investiga a responsabilidade de sua gestão na crise do oxigênio de Manaus no início do ano e foi obtido pela CNN

Caio Junqueira

Por Caio Junqueira, CNN  

 Atualizado 27 de abril de 2021 às 20:27

Depoimento de Pazuello à PF culpa servidores e governo do Amazonas por erros

Principal alvo da CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello traçou em um depoimento à Polícia Federal no dia 4 de fevereiro parte de sua estratégia de defesa que levará à comissão.

O depoimento foi prestado dentro do inquérito que investiga a responsabilidade de sua gestão na crise do oxigênio de Manaus no início do ano e foi obtido pela CNN. Em oito páginas, destacam-se basicamente dois pontos:

  • a atribuição de responsabilidade pelo caos no Amazonas ao governo do estado;
  • a atribuição de responsabilidade a servidores da pasta pelo que o ex-ministro classificou como dois erros que geraram grande polêmica.

Um dos erros seria o TrateCov, aplicativo desenvolvido pelo ministério para ajudar médicos a identificar diagnósticos de Covid-19 que saiu do ar dias depois por sugerir a indicação de remédios sem comprovação científica.

O aplicativo é alvo também da CPI e já entrou na primeira lista de assuntos de requerimentos apresentada pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).

No depoimento, Pazuello disse “que o aplicativo foi disponibilizado cerca de dois dias depois, tendo sido imediatamente tirado do ar ao ser identificado uma falha; que a falha consistia em indicação no uso da hidroxicloroquina, diante de sintomas que não tinham relação com a Covid; que o objetivo do aplicativo não era a recomendação do medicamento, mas auxiliar o médico no diagnóstico; que, quando o médico optasse pelo medicamento, o aplicativo sugeriria a posologia ideal; que o desenvolvedor do aplicativo, servidor do Ministério da Saúde, responsável pela falha, seja pessoal ou por invasão, foi ouvido e imediatamente afastado; que o declarante não sabe dizer o nome do servidor; que o aplicativo foi projetado para uso exclusivo de médicos, sem acesso da população em geral; que entre as razões para a retirada do ar do aplicativo estava o acesso aberto a qualquer pessoa da população”.

Pazuello também disse que o ministério não recomenda a hidroxicloroquina e que segue as recomendações do Conselho Federal da Saúde. Disse também que só enviou o medicamento para estados e municípios que pediram.

“Que o Ministério da Saúde não tem protocolo para uso de qualquer medicamento, estando aí incluída a hidroxicloroquina; que o Ministério da Saúde publica estudos científicos com caráter informativo para profissionais da saúde a respeito da eficácia de diversos medicamentos. Inclusive da hidroxicloroquina para tratamento de doenças, inclusive do Covid; que as orientações do Ministério da Saúde são baseadas nas orientações do Conselho Federal de Medicina; que o Ministério da Saúde apenas disponibiliza os medicamentos tais como hidroxicloroquina e outros, em razão de demandas dos estados e municípios, ficando a cargo de médicos locais receitarem para os pacientes; que, para que haja o envio de qualquer medicamento por parte do Ministério da Saúde, é necessário que haja uma pactuação prévia com Conass e Conasems, que não existe o envio de medicamentos por parte do Ministério da Saúde sem a demanda prévia do estado”.

Pazuello também atribui a outro erro de um servidor do Ministério da Saúde o fato de ter subsidiado a Advocacia-Geral da União (AGU) com uma informação que, da forma como acabou sendo apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal), compromete o ex-ministro.

A AGU, tendo por base informação do ministério, informou ao STF que o então ministro soube do colapso do oxigênio no dia 8 de janeiro depois que a White Martins, principal fornecedora de oxigênio para o Amazonas, encaminhou um e-mail à pasta. Pazuello disse à PF que esse documento nunca foi entregue diretamente ao ministério, mas sim à Secretaria de Saúde do Amazonas.

“Que questionado acerca do recebimento de documento da White Martins notificando a respeito de possível insuficiência no fornecimento de oxigênio para a demanda existente no estado do Amazonas, explicou que: o documento mencionado nunca foi entregue oficialmente ao Ministério da Saúde, bem como a empresa nunca realizou contatos informais com representantes do ministério; que, questionado sobre a existência de relatório do Ministério da Saúde que cita o referido documento, explicou que houve equívoco por parte de um servidor do Ministério da Saúde ao subsidiar a AGU com informações que foram apresentadas na ADPF 756; que o equívoco se deu em virtude do prazo exíguo de 48 horas para a apresentação da resposta junto ao STF; que o documento chegou ao conhecimento do Ministério da Saúde via secretário da Saúde do estado do Amazonas quando da busca de elementos para apresentação de resposta ao Supremo Tribunal Federal por intermédio da AGU na ADPF 756”.

A menção ao estado do Amazonas também é feita quando a PF questiona quando de fato Pazuello soube da crise de oxigênio no estado. Em uma primeira reunião com o governador no dia 4 nada foi informado, segundo o então ministro da Saúde.

“Que no dia 4 o declarante convocou uma reunião com o governador do Estado e sua equipe, oportunidade na qual foi discutida a apresentação das demandas e necessidades do Estado e conhecimento da organização hospitalar do Estado;(…) que não foi identificada nem apresentada nenhuma demanda pela falta de oxigênio”.

Em outra reunião, no dia 6, o mesmo teria ocorrido e a situação ficou assim até o dia 7 à noite.

“Que no dia 06, aproveitando a estada do governador em Brasília, o declarante convocou uma reunião com todos os secretários e com a equipe que retornou de Manaus para a apresentação da situação verificada em Manaus; que nessa reunião não houve qualquer menção sobre a falta de oxigênio na cidade de Manaus, por parte do governador do Estado; que no dia 7 foram desenvolvidas várias ações por parte do ministério para atender às demandas que foram verificadas; que até o dia 7 à noite o Ministério da Saúde não havia recebido qualquer tipo de informação, seja por e-mail, telefone, WhatsApp, oficio, ou qualquer conversa informal acerca da possível falta de oxigênio em Manaus-AM”.

Pazuello diz que o assunto oxigênio só foi tratado pela primeira vez com ele no dia 8 pela manhã, mas ainda sem referência a um eventual colapso.

“Que no dia 8 pela manhã o declarante recebeu uma ligação do secretário de Saúde do Estado do Amazonas, o qual solicitou tão somente o transporte de 150 cilindros de oxigênio de Belém – PA para Manaus – AM, sem qualquer referência ao colapso no fornecimento de oxigênio.”

O colapso só foi informado, segundo o ex-ministro, no dia 10 de janeiro. “Que no dia 10, domingo, às 21 horas, o declarante realizou uma reunião com o governador do Estado do Amazonas, oportunidade na qual foi relatado um problema de abastecimento de oxigênio no Estado do Amazonas.”

Outro lado

Confira o posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas:

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) esclarece que todas as informações sobre a atuação do Governo do Estado e do Governo Federal na crise de oxigênio já foram prestadas à Polícia Federal pelo secretário de Saúde, Marcellus Campêlo.

Ressalte-se que a primeira vez que a empresa White Martins levou ao conhecimento da secretaria que estava com dificuldade no abastecimento de oxigênio foi em 7 de janeiro de 2021. Ainda assim, a reunião foi para informar sobre aumento no consumo e para pedir apoio logístico do governo para suprir a necessidade  naquele momento.

Na noite do mesmo dia, o secretário de Saúde ligou para o ministro Eduardo Pazzuelo, que o orientou a acionar o Comando Conjunto das Forças Armadas no Estado a fim de solicitar apoio no transporte de oxigênio até Manaus, o que foi providenciado no dia seguinte.

As  informações com detalhe cronológico dos fatos constam no depoimento do secretário ao qual essa emissora também já teve acesso.

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SECRETÁRIO DE SAÚDE DO AMAZONAS ISENTA O EX-MINISTRO DA SAÚDE EDUARDO PAZUELLO DE CULPA NA CRISE DO OXIGÊNIO NO ESTADO

À PF, secretário de Saúde do Amazonas isenta Pazuello e culpa White Martins

Marcellus Campelo jogou toda a culpa na empresa White Martins, principal fornecedora de oxigênio no estado, e isentou o ex-ministro pela crise

Caio Junqueira

Por Caio Junqueira, CNN  

 Atualizado 20 de abril de 2021 às 21:13

O ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 10 de fevereiro, o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, isentou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello de qualquer responsabilidade pela crise de oxigênio no estado no início deste ano.

No documento de 10 páginas que integra o inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar o episódio, Campelo jogou toda a culpa na empresa White Martins, principal fornecedora de oxigênio no estado.

O tratamento dado a White Martins no depoimento é completamente distinto do dado a Pazuello. Segundo o secretário, representantes da empresa chegaram a solicitar “que o depoente não abrisse mais leitos sem que houvesse um retorno da empresa” após ele informar que abriria mais 150 leitos de UTIs e 50 leitos clínicos.

No dia17 de janeiro, Campelo diz que recebeu representantes da empresa, “os quais relataram o aumento atípico do consumo de oxigênio e disseram que estavam trabalhando para suprir a demanda de oxigênio”.

Mais tarde, disseram que “devido ao aumento do consumo de oxigênio dos últimos dias, o planejamento inicialmente estabelecido não seria capaz de suprir a tempo a demanda existente até a chegada da balsa no dia 9 às 18h”.

“Que não obstante a informação inicialmente passada pela White Martins quanto a existência de 1.500 cilindros disponíveis quando a operacionalização do transporte no dia 8, a empresa informou que somente teriam disponíveis para o transporte imediato cerca de 300 cilindros de oxigênio.”

Contato com o Ministério da Saúdenio. “Que o depoente decidiu adotar as duas estratégias ao mesmo tempo: requisitar administrativamente os estoques, bem como realizar o contato com o Ministério da Saúde a fim de obter apoio logístico para o transporte de oxigênio de Manaus”.

Pazuello, segundo Campello, foi acionado ainda no dia 7. “Que também no período da noite do dia 7 o depoente fez contato telefônico com o ministro da Saúde tendo relatado o conteúdo da reunião com representantes da White Martins e solicitado o apoio logístico para a realização do transporte de oxigênio de Belém para Manaus; que o ministro da Saúde disse ao depoente que esse tipo de apoio já estava pré-autorizado e que bastava acionar o comando conjunto por meio de contato do comando militar da Amazônia”.

O ex-ministro por mais de uma vez é apontado como alguém que se prontificou de imediato a auxiliar quando informado da crise.

“Que no dia 10 no período da noite o depoente participou de um jantar na casa do assessor especial do ministro da Saúde na cidade de Manaus, no qual participou boa parte da equipe dos secretários nacionais do ministro Eduardo Pazuello; que na ocasião o depoente relatou a sua preocupação com as informações prestadas pela White Martins a respeito do fornecimento de oxigênio; que no mesmo momento o ministro Pazuello solicitou que o depoente fizesse contato com representantes da White Martins para agendar um café da manhã na residência que o ministro possui em Manaus; que no dia 11 às 8 da manhã o depoente se reuniu com o ministro e representantes da empresa, oportunidade na qual voltaram a relatar a necessidade de apoio na logística para o transporte dos cilindros do oxigênio e sugeriram que fosse realizado o transporte diário de oxigênio de Guarulhos para Manaus.”

Em outros momentos, relata a falta de confiança do governo do Amazonas na empresa e que a própria empresa disse não haver problemas de oxigênio no estado. “Que no dia 13 o coronel Francisco Máximo convocou os representantes da White Martins tendo em vista que ainda não sentia confiança nas informações que eram apresentadas pelas empresas; que os representantes da White Martins explicaram que o problema não era a produção de oxigênio, mas a logística de transporte de oxigênio até Manaus; que essa foi a primeira vez que a White Martins indicou um dia e horário de um possível desabastecimento.”

Disse também que uma fiscalização na empresa demonstrou a existência de uma usina de oxigênio desativada havia 11 anos. “Que no dia 12 pela manhã o comitê, juntamente com CREA, realizou uma fiscalização na sede da empresa White Martins a fim de verificar se as informações que haviam sido prestadas eram verdadeiras; que foi verificado no dia a existência de uma usina que estava inativa por 11 anos e teria capacidade de produção de cerca de 5 ou 6 mil metros cúbicos de oxigênio por dia”.

A White Martins afirmou que não tem como se manifestar sobre o assunto, porque não teve acesso ao depoimento do secretário de Saúde do Amazonas e o tema está sob investigação.

Procurado pela CNN, Marcellus Campelo se manifestou por meio de nota:

“O secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, informa que seu depoimento expressa apenas a verdade, com base em fatos e documentos que comprovam todas as medidas tomadas, de forma integrada, entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e o Ministério da Saúde no enfrentamento de uma crise de saúde sem precedentes na história do Amazonas. Conforme o secretário, todas as suas ações à frente da secretaria têm sido pautadas pela legalidade, com o objetivo único de salvar vidas, e sempre que for convocado estará à disposição para colaborar com a Justiça.”

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PODCAST: A CRISE NA DEFESA COM A TROCA DOS COMANDANTES DAS FORÇAS ARMADAS

 

É muito difícil acreditar que haverá pacificação no Exército com a ida de Braga Netto à Defesa

SEXTA, 02/04/2021, 08:05

Andréia Sadi fala sobre a crise na Defesa, com a troca dos comandantes das Forças Armadas e do ministro da Defesa e avalia o que virá pela frente. Comentarista destaca que a ida de Braga Netto para o ministério da Defesa, foi vista pelas próprias Forças com desconfiança. O ministro será cobrado por Bolsonaro e a dúvida dos militares é se ele vai estender essa pressão à cúpula do Exército.

Fonte: CBN

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SAÚDE: AMAZONAS EMVIA 70 CONCENTRADORES DE OXIGÊNIO PARA O RN

Por Ayrton Freire e Igor Jácome, Inter TV Cabugi e G1 RN

 

Avião da Força Aérea Brasileira com carregamento de concentradores de oxigênio enviados pelo Amazonas ao Rio Grande do Norte. — Foto: Ayrton Freire/Inter TV CabugiAvião da Força Aérea Brasileira com carregamento de concentradores de oxigênio enviados pelo Amazonas ao Rio Grande do Norte. — Foto: Ayrton Freire/Inter TV Cabugi

O Rio Grande do Norte recebeu, nesta segunda-feira (22), 70 concentradores de oxigênio enviados pelo estado do Amazonas para auxiliar na demanda das unidades de saúde, que enfrentam alta taxa de internados e dificuldade para abastecimento do insumo.

A ação foi nomeada “Gratidão”, após o Rio Grande do Norte ter recebido pacientes de Manaus no auge da crise do sistema de saúde na região Norte, em janeiro. Agora é o sistema potiguar que enfrenta dificuldade no abastecimento de oxigênio.

No último sábado (20), pacientes chegaram a ser transferidos às pressas de uma unidade na Grande Natal porque o oxigênio disponível na unidade não era suficiente para todos os internados.

Os equipamentos que chegaram nesta segunda (22) fornecem oxigênio a partir do próprio ambiente, concentrando a substância até que fique com o nível de pureza ideal para os pacientes.

O avião C-105, da Força Aérea Brasileira, que fez o transporte do material, posou em solo potiguar por volta das 21h20. Os equipamentos estavam embalados em caixas e passaram a noite em local não divulgado, para serem distribuídos a 12 municípios nesta terça-feira (23).

No Rio Grande do Norte, mais de 60 municípios informaram para a Secretaria Estadual de Saúde que estão com dificuldades para comprar oxigênio, que é usado no tratamento de pacientes com Covid-19 e também outras doenças.

O estado vivencia uma pressão sobre os leitos de UTI Covid. Na noite de segunda (22), 139 pacientes estavam na fila por uma vaga de UTI.

Ainda são aguardados pelo estado 160 cilindros de oxigênio que o Ministério da Saúde prometeu enviar até esta quarta-feira (24).

Também no fim de semana, o estado ingressou com uma ação na Justiça para que a empresa White Martins, que entrega oxigênio ao estado, ampliasse o fornecimento em 25% para atender aos municípios. O Tribunal de Justiça determinou a medida.

Em nota, a empresa informou que vai comunicar formalmente à Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte sobre a ampliação do fornecimento de oxigênio gasoso em 25% do volume previsto em contrato. “A empresa destaca que tem cumprido rigorosamente todas as suas obrigações junto ao governo estadual”, disse.

Fonte: G1 RN
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PERGUNTADO SOBRE MEDIDAS PARA CONTER A CRISE ECONÔMICA, PAULO GUEDES RESPONDEU QUE ‘TEM MAIS COISA VINDO AÍ’

Auxílio, 13º, BEM: medidas que o governo promete para conter a crise econômica

Questionado se as mesmas medidas adotadas em 2020 serão repetidas diante de um cenário agravado pela Covid-19, Guedes disse que “tem mais coisa vindo aí”

Maria Carolina Abe, do CNN Brasil Business

12 de março de 2021 às 05:00

O governo vem prometendo uma série de ações para ajudar trabalhadores e empresas que enfrentam os impactos da pandemia e para tentar fazer com que a atividade econômica mantenha um ritmo mínimo. Questionado pela CNN se as mesmas medidas adotadas em 2020 serão repetidas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “tem mais coisa vindo aí”.

Auxílio emergencial

O benefício deve voltar a ser pago em 2021, mas os detalhes ainda não estão 100% definidos.

Congresso aprovou a Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC Emergencial, que permite o pagamento de novas parcelas do auxílio emergencial, além de prever o acionamento de gatilhos para tentar reequilibrar as contas públicas quando as despesas obrigatórias estiverem altas demais.

Após a proposta ser promulgada pelo Congresso, o governo federal precisa editar uma Medida Provisória elencando as regras do benefício, como os valores e número de parcelas.

Guedes confirmou o valor médio de R$ 250 para a nova rodada do auxílio, mas disse que o benefício pode variar de acordo com o perfil da família. Por exemplo, um homem sozinho pode receber R$ 175 e uma mãe solo, R$ 375.

Anteriormente, o presidente Jair Bolsonaro havia falado em pagar quatro parcelas, de março a junho.

Antecipação do 13º salário do INSS

Membros da equipe econômica já afirmaram que o governo pagará a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS tão logo o Orçamento de 2021 seja aprovado, o que está previsto para acontecer no fim deste mês.

Se aprovada, a antecipação de benefícios do INSS, junto ao abono salarial, pode injetar pelo menos R$ 56,6 bilhões na economia.

A estratégia é a mesma que a utilizada pela equipe econômica em março e maio do ano passado, no início da pandemia de Covid-19.

Adiamento do depósito do FGTS pelo empregador

Também está em estudo permitir que empresas adiem o depósito do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na conta de seus funcionários. Em 2020, a Medida Provisória (MP) 927 permitiu que empresários suspendessem o depósito do FGTS por três meses. Ainda não está definido se este ano o adiamento será de três ou quatro meses.

Ao final do período, o empregador precisa depositar o valor, podendo ser de forma parcelada, sem incidência de atualização, multa e demais encargos previstos na legislação. Ou seja, o trabalhador não será prejudicado.

Antecipação de férias e feriados

Outra ação que deve ser renovada pelo governo é a que permite a antecipação de férias individuais e decretação de férias coletivas. Assim como no ano passado, os prazos para aviso, gozo e pagamento dos períodos de férias devem ser flexibilizados. A ideia é que a medida sirva como alternativa aos setores ou atividades nos quais não se aplica o trabalho a distância.

Também deve ser permitida a antecipação de feriados para permitir a liberação dos trabalhadores ou a compensação do saldo em banco de horas. Nesse caso, a notificação aos beneficiados deverá ocorrer com antecedência de, no mínimo, 48 horas.

BEM (Benefício Emergencial)

O governo também deve anunciar a retomada do programa que autoriza empresas a cortar a jornada de trabalho e o salário de seus funcionários. Batizado de BEM, o “Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda” foi pensado para ajudar a segurar empregos com carteira assinada. O programa valeu durante boa parte do ano passado e foi considerado bem-sucedido pela equipe econômica.

Assim como em 2020, o BEM também deve reduzir, de forma proporcional, o salário dos empregados que celebrarem acordos com seus empregadores para redução da jornada. Para complementar a renda desses trabalhadores, o programa liberou o chamado Benefício Emergencial (BEM).

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, disse nesta quinta-feira (11) que o novo programa será lançado “nos próximos dias”.

Pronampe

Guedes também disse que o governo renovará o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), programa destinado a socorrer micro e pequenas empresas afetadas pela crise da Covid-19. “O Pronampe teve sucesso extraordinário e manteve a economia girando”, disse.

O secretário Especial de Produtividade, Carlos da Costa, disse que o governo trabalha com o Congresso para que o Pronampe seja permanente, mas sem impacto fiscal “desmedido”. “Trabalhamos com recursos que sobraram no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para que haja mais R$ 2 bilhões para micro e pequenas empresas”, completou.

Seguro-emprego

O ministro da Economia afirmou que o governo federal trabalha em novas medidas para a manutenção do emprego no país e que as novidades serão anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro “um pouco mais para frente”. Entre as ações, o ministro citou um ‘seguro-emprego’ de R$ 500, com o objetivo de evitar demissões.

“Temos o seguro desemprego: a pessoa é mandada embora e o governo dá R$ 1.000. Por que não dar R$ 500 como seguro-emprego?!”, disse, sem dar mais detalhes.

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ALEGAÇÕES DEVASTADORAS DE HARRY E MEGHAN EM ENTREVISTA CAUSA CRISE NA FAMILIA BRITÂNICA

Família real britânica mergulha em crise após acusações de Harry e Meghan

Em entrevista à Oprah Winfrey, o casal real fez acusações de racismo e negligência por parte da realeza do Reino Unido

Rob Picheta, da CNN, em Londres

Atualizado 10 de março de 2021 às 00:28

Príncipe Harry e Meghan Markle participam de compromisso oficial em WestminsterPríncipe Harry e Meghan Markle participam de compromisso oficial na Abadia de WestminsterFoto: Henry Nicholls – 09.mar.2020/ Reuters

A família real britânica enfrenta uma crise que há tempos não acontecia, depois que o príncipe Harry e Meghan, a duquesa de Sussex, abalaram a instituição com alegações devastadoras na aguardada entrevista à Oprah Winfrey.

Ao longo do especial de duas horas, o casal — que apesar da separação da família real, ainda se senta a cinco parentes de distância do trono — pintou o quadro de uma família tão obstinadamente focada em seus caminhos que deixou um jovem casal, birracial, sozinho para lidar com o abuso racista e sua própria saúde mental, forçando os dois ao silêncio e, finalmente, deixando-os sem opção a não ser fugir das garras do palácio.

Meghan disse que estava tão isolada e solitária quando trabalhava como realeza que pensou em suicídio, dizendo à Winfrey que “simplesmente não queria mais estar viva”. O casal criticou intensamente a forma como a instituição os tratou, e Meghan revelou uma surpreendente alegação de racismo de um membro da família real, que ameaça colocar em crise a sua reputação.

Harry, entretanto, admitiu que seus relacionamentos com o seu pai e herdeiro do trono, o príncipe Charles, e com seu irmão, o príncipe William, sofreram forte tensão nos últimos anos e sugeriu que a instituição pode ter plantado histórias na mídia que tiraram a credibilidade dele e de Meghan.

‘Eu só não queria mais estar viva’

O palácio enfrentou tempestades em várias frentes ao nascer do sol da segunda-feira (8) em Londres.

Trechos da entrevista foram implacavelmente reprisados pela mídia nos últimos dias, trazendo comparações com um relato feito pela mãe de Harry, a princesa Diana, em 1995, que lançou luz sobre o colapso de seu casamento com Charles.

Mas as revelações na transmissão de domingo podem ter ofuscado até mesmo as de Diana em magnitude, já que as confissões arrasadoras de Harry e Meghan representaram problema após problema para funcionários do palácio e membros da realeza.

Talvez, o mais pertinente tenha sido a alegação de Meghan de que um membro não identificado da família perguntou sobre a cor da pele de Archie e “o que isso significaria ou iria parecer”. Meghan disse que essas conversas chegaram até ela através de Harry.

Harry se recusou a dizer o nome do membro da família, mas falou que estava “um pouco chocado” com a conversa. Winfrey disse na CBS, na manhã de segunda-feira, que “não eram a avó nem o avô dele que faziam parte dessas conversas”. No Reino Unido, a secretária de educação e membro do parlamento, Kate Green, disse que o Palácio de Buckingham deveria iniciar uma investigação.

Os funcionários do palácio também estão lutando para responder às alegações do duque e da duquesa de que seus pedidos de ajuda em relação ao bem-estar mental e segurança deles foram ignorados pela instituição.

Em um ponto da entrevista, Meghan, lutando contra as lágrimas, disse que seus pensamentos suicidas eram incrivelmente difíceis de suportar e ela estava reticente em compartilhá-los com seu marido. “Mas eu sabia que, se não dissesse, eu faria aquilo – e eu simplesmente não queria mais estar viva”, disse ela.

Harry, cuja mãe Diana foi morta quando ele era menino, disse que ficou “apavorado” com a confissão de sua esposa. O príncipe, que é o sexto na linha de sucessão do trono, contou que existe uma cultura de sofrer em silêncio na família real. Mas a raça de Meghan e o abuso que ela sofreu tornaram a situação ainda mais difícil para o casal, e a falta de apoio dos membros levou, acima de todos os outros fatores, à decisão dramática de deixarem de ser membros ativos da realeza em janeiro de 2020.

Eles descreveram em detalhes os momentos mais difíceis – Meghan revelando seus pensamentos a Harry horas antes de saírem para um evento; o príncipe chegando em casa do trabalho todos os dias para encontrar sua esposa chorando enquanto amamentava seu filho recém-nascido – e disse ainda que a “falta de apoio e de compreensão” foram os motivos pelos quais eles optaram por se afastar.

Meghan disse que a situação foi exacerbada em racismo e “conotações coloniais desatualizadas” que apareceram repetidamente na cobertura do casal feita pelos tabloides notoriamente ferinos do Reino Unido. Ambos descreveram uma mistura tóxica de intrusão da imprensa, amargor nas redes sociais e isolamento para uma estrutura de suporte.

Harry acrescentou que levou o assunto à família real. Ele disse a Winfrey que acredita que houve muitas oportunidades para o palácio “mostrar algum apoio público” em face do contínuo abuso racial da imprensa, “mas ninguém da minha família jamais disse nada. Isso dói”.

“Eu me arrependo de ter acreditado neles quando disseram que eu seria protegida”, disse Meghan para Winfrey.

CNN entrou em contato com a família real para comentar o assunto.

Harry revela sérias desavenças na família

Se houvesse a mais leve probabilidade de que Harry e Meghan poderiam um dia voltar à missão da família real, a transmissão do domingo provavelmente a extinguiu para sempre. A entrevista revelou a profundidade da divisão entre o casal e o resto da família, um abismo que teria sido inimaginável quando eles se casaram em Windsor, apenas três anos atrás.

Eles disseram a Winfrey que a família tinha sido receptiva à Meghan no início, e que quando eles se casaram, estavam comprometidos com seus papéis.

Mas as coisas mudaram rapidamente. Harry contou a Winfrey que o relacionamento com seu pai, Charles, chegou a tal ponto que o herdeiro do trono parou de receber as suas ligações, de tão irritado com a decisão do casal em deixar o trabalho na realeza em 2020. “Há muito para se trabalhar ali”, disse Harry. “Eu me sinto muito decepcionado, porque ele passou por algo semelhante – ele sabe como é a dor”.

Sobre seu irmão, William – com quem Harry cresceu, e cuja infância compartilhada foi meticulosamente seguida pela mídia – o príncipe deu a entender que a comunicação é inexistente. “Nós estamos em caminhos diferentes”, disse ele, acrescentando que “a relação é o aqui, agora” e que “o tempo cura todas as coisas – espero”.

Talvez, o único ponto positivo para a família real é que a sua líder sobreviveu à entrevista relativamente ilesa. Harry e Meghan falaram efusivamente da rainha, descrevendo-a como atenciosa e gentil desde o início.

“Minha avó e eu temos um relacionamento muito bom e nos entendemos, eu tenho um profundo respeito por ela”, disse Harry. Meghan contou que tem falado com a rainha com frequência no último ano, inclusive no dia em que o príncipe Philip foi internado no hospital, no mês passado.

Meghan acrescentou que, apesar da provação, era importante diferenciar a família real “das pessoas que dirigem a instituição”.

Ela comentou sobre os rumores de uma disputa com Catherine, a duquesa de Cambridge. Meghan disse que relatos de que ela teria feito Kate chorar por causa dos vestidos das daminhas de honra em seu casamento eram falsos, e que foi, de fato, a duquesa de Sussex quem chorou. Mas “não houve confronto”, disse Meghan, descrevendo sua cunhada como uma “boa pessoa”.

Mas a dinâmica familiar evidentemente tensa vai ofuscar os próximos eventos da realeza. Nenhuma declaração foi emitida por suas equipes de comunicação após a entrevista.

Reação de tirar o fôlego no Reino Unido

Conforme as horas passavam e a poeira da transmissão baixava na segunda-feira (8), o Palácio de Buckingham permaneceu em silêncio. Mas a mídia britânica correu para cobrir as consequências, com alguns jornais publicando edições extras antecipadas durante a noite para mostrar a entrevista em suas primeiras páginas.

Como tantas vezes tem acontecido com o casal, a cobertura variava de moderada a histérica. O Daily Mail publicou uma manchete dizendo “Kate Me Fez Chorar ” em sua edição das 2 da manhã, antes de publicar a acusação de racismo de Meghan, no final da manhã. O site do tabloide também incluía uma manchete proeminente que dizia: “EU QUERIA ME MATAR”.

O The Sun deu um novo apelido para Meghan, em meio à sua rixa com a família real: “Megxile”, e o Daily Express classificou a transmissão como “um chat de TV com Oprah”.

Na tarde de segunda-feira, vários jornalistas usaram a coletiva de imprensa sobre a Covid-19 feita pelo primeiro-ministro Boris Johnson para perguntar sua opinião sobre a entrevista da Oprah. Johnson se recusou a opinar, além de dizer que sempre teve “a maior admiração pela rainha e pelo papel unificador que ela desempenha em nosso país”.

O tratamento dado pela mídia ao casal real constituiu uma parte significativa da entrevista, com os dois apontando o dedo para imprensa.

Harry disse que o palácio está com “medo” da cobertura da mídia, o que significa que eles tiveram pouca liberdade enquanto parte da família.

“Para simplificar, é o caso de se você, como um membro da família, estiver disposto a beber vinho, jantar e dar acesso total a esses repórteres, então você terá uma melhor cobertura de imprensa”, disse Harry. “Existe um nível de controle pelo medo que existe há gerações.”

A entrevista foi transmitida no Reino Unido às 21h de segunda-feira, pela a emissora ITV, que venceu a corrida para adquirir os direitos. Mas seus principais pontos de discussão já haviam sido dissecados em detalhes pelos britânicos e na mídia muito antes de ir ao ar no Reino Unido.

Charles Anson, ex-secretário de imprensa da rainha, disse na segunda-feira que o casal levantou “questões que precisam ser examinadas com atenção”, mas afirmou à BBC que “não havia nenhum pouco de racismo” na família real.

Mas Julie Montagu, viscondessa de Hinchingbrooke, disse à BBC que as revelações deles foram “surpreendentes” e que, como uma mulher americana que se casou com um membro da aristocracia britânica, ela se identificava com as falas de Meghan. “Você realmente não sabe até que esteja dentro disso, e eu acho que ela tornou isso muito conhecido na noite passada em sua entrevista”, disse ela.

Fonte: CNN

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O MINISTRO DA SAÚDE DO PARAGUAI ANUNCIOU QUE DEIXARÁ O CARGO EM MEIO A CRISE NA SAÚDE

Ministro da Saúde paraguaio deixa cargo em meio à crise e críticas

Anúncio da saída de Julio Mazzoleni sai um dia depois dele garantir que não renunciaria ao comando do Ministério

INTERNACIONAL

 Da EFE

Ministro deixa o cargo após crise e críticas sobre condução da pandemia

EFE/ NATHALIA AGUILAR

O ministro da Saúde Pública do Paraguai, Julio Mazzoleni, anunciou nesta sexta-feira (5), após encontro com o presidente, Mario Abdo Benítez, que deixará o cargo em meio a uma crise provocada pela falta de medicamentos nos hospitais públicos do país e às críticas pela gestão da pandemia da covid-19.

“Decidimos em conjunto que eu deixo o cargo do Ministério da Saúde Pública para que possamos gerar a paz necessária para enfrentar este desafio. Tomara que essa decisão sirva para a união do país”, disse o agora ex-titular da pasta, em declaração exibida pela televisão estatal paraguaia.

O anúncio ocorreu após Mazzoleni, ontem, ter garantido durante entrevista coletiva que não renunciaria, após pedido formal aprovado no Senado.

O ministro foi muito criticado durante a semana por grupos de médicos e outros funcionários do setor da Saúde, que denunciaram a falta de medicamentos e insumos, especialmente, os voltados para pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Além disso, o trabalho do Ministério foi contestado diante da demora da chegada das vacinas no Paraguai, que até agora se limitam a 4 mil doses da Sputnik V, que já foram aplicadas em profissionais da Saúde.

Mazzoleni admitiu ontem que não poderia dar as datas exatas para a chegada de mais meio milhão de doses do agente imunizante produzido na Rússia, além de 4,3 milhões de doses que chegarão através do consórcio Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O ministro deixa o cargo no quando o Paraguai contabiliza 164.310 casos de infecção pelo novo coronavírus desde o início da pandemia e 3.256 vítimas da covid-19.

De acordo com informações divulgadas pelo Gabinete da Presidência do Paraguai, o vice-ministro Julio Borba seguirá como ministro interino da Saúde, até a escolha de um sucessor a Mazzoleni.

Fonte: R7

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ESPECIALISTAS APONTAM SITUAÇÕES EM QUE O BRASIL VIVEU COLAPSO NA SAÚDE E COMPARAM COM A ATUAL

Entenda quando um sistema de saúde entra em colapso e como sair da crise

Especialistas apontam situações em que Brasil viveu colapso na saúde e comparam com situação atual causada pelo coronavírus

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

03 de março de 2021 às 05:00

Hospital na capital de Santa Catarina, com leitos de UTI de Covid-19 ocupadosHospital Florianópolis, na capital de Santa Catarina, com todos os leitos de UTI de Covid-19 ocupados

Um ano após a pandemia do novo coronavírus chegar ao Brasil, o país vive no início deste mês de março o momento mais crítico no sistema de saúde, com ocupação máxima de leitos e recordes diários no número de novas mortes.

Muito se diz que vivemos uma situação de “colapso” na saúde em diversas localidades do país em razão da Covid-19, mas o que torna uma crise grave a ponto de merecer esse título?

Especialistas ouvidos pela CNN afirmam que um dos principais fatores é a proporção dos leitos ocupados, pela dificuldade de se ocorrer atrás da ampliação dessa estrutura, que demanda recursos e mão de obra. Também entra na conta o ritmo de agravamento da crise, o quanto o agente causador do colapso está avançando frente à capacidade de contê-lo.

“Um dos alertas importantes é a capacidade instalada de leitos, porque é muito difícil você ampliar rapidamente leitos de UTI, é uma área altamente especializada, que depende de pessoal muito qualificado e que não está disponível de maneira imediata no mercado”, afirma José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

“O grau de circulação do vírus, a capacidade do vírus de se transmitir. Aumentando a circulação de vírus mais pessoas adoecem, mais pessoas vão procurar assistência médica e mais pessoas vão ser internadas”, completa Temporão à CNN.

O médico Felipe Duarte Silva, gerente de práticas médicas do Hospital Sírio Libanês, afirma que o sistema de saúde não é preparado para o surgimento de uma doença como a Covid-19, com características muito diferentes das doenças tradicionais.

“Os sistemas de saúde usam a experiência prévia de atendimento à múltiplas doenças para montar suas estruturas. Num cenário desconhecido, fica muito difícil se preparar. A distribuição de leitos atuais foi feita para atender as doenças mais tradicionais da população, tivemos que nos adaptar rapidamente a essa nova realidade, pois além da Covid-19, temos que continuar a atender todas as outras doenças”, afirma o médico.

Covid-19

Para Edison Luiz Durigon, professor titular de virologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), a atual situação do colapso na saúde está sendo determinada pelo tipo de doença que o novo coronavírus causa, por ser uma doença que gera muitas internações.

“É um vírus silencioso, as pessoas pegam e passam bastante tempo sem recorrer ao serviço médico. Quando recorrem, já chegam em uma situação mais delicada e precisam ser internadas”, explica Durigon.

O professor prossegue, argumentando que a situação se agrava pela complexidade dos recursos hospitalares necessários e o tempo de internação longo a que os pacientes são submetidos.

“As pessoas acabam ficando internadas muito tempo, isso colabora para piorar a situação, isso é o que determina o colapso da saúde, o número excessivo de casos de uma doença que interna muito e leva muita gente para a UTI”, acrescenta o virologista.

Há como prever o colapso?

É preciso haver um acompanhamento da evolução da ocupação hospitalar de forma contínua, assim como da demanda e da evolução do cenário nacional e regional. Isso permite fazer previsões, porém elas só são eficientes no curtíssimo prazo, segundo explica o gerente de práticas médicas do Hospital Sírio-Libanês, Felipe Duarte Silva.

“Quando tentamos fazer previsões de longo prazo, vimos que elas foram muito impactadas pelo cenário nacional. Tentamos fazer modelo preditivo, mas isso acabou não se concretizando. A logística de planejamento de divisão e ocupação de leitos é fundamental para garantir que não chegue a um colapso”, acrescenta.

O médico diz que o preparo para o colapso é feito quando os profissionais se reúnem diariamente para analisar os números de pessoas acometidas, as taxas de ocupação de UTI, os espaços, equipes e equipamentos.

“Avaliamos o cenário e criamos planos de ação para quando o hospital alcançar determinados indicadores. Daí, aciona-se aberturas de novos leitos, mudança de espaços, e aquilo que foi planejado para atender os pacientes. Tem como prever o colapso, mas não tem como garantir isso 100%. A melhor forma de prevenir o colapso é ter planos de ação mapeados a partir da análise de dados”.

O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão enxerga a previsão como um planejamento que deve partir do governo federal. Para Temporão, teria sido necessária uma articulação nacional ao longo de 2020 a fim de prevenir a situação atual — o que, avalia o ex-ministro, não ocorreu.

O virologista Edison Durigon também avalia que o colapso poderia ter sido antecipado e critica “falta absoluta de planejamento”.

“Quando começou o colapso de saúde em março, o Brasil estava em uma situação delicadíssima, Manaus foi uma catástrofe total, uma tragédia anunciada. O que acontece agora é que todos os hospitais de campanha foram desmontados e não fizeram nada. Começamos a ver a segunda onda acontecer na Alemanha, Itália, EUA e novamente ficamos olhando o vírus chegar”, argumenta.

Como sair da crise?

A visão do gerente do Sírio-Libanês, em uma das regiões do Brasil mais afetadas pelo vírus, é de que o colapso pode ser solucionado com a distribuição de leitos a partir de análise de dados e com o comportamento colaborativo de todos.

“Essa colaboração se traduz dentro do hospital, onde todos trabalham incansavelmente para atender os pacientes que procuram nossa instituição, e fora do hospital, com o uso de máscaras, distanciamento social e higiene frequente das mãos”, sintetiza Felipe Duarte Silva.

Os especialistas concordam que a imunização é a solução mais urgente para desafogar o sistema de saúde em situações de crise.

“A saída dessa situação dependeria de um lado de nós conseguirmos o acesso rápido à um número muito grande de doses, o que é difícil hoje, o bem mais escasso no mundo no mercado mundial são as vacinas, e uma revisão crítica por parte do governo federal por sua postura alienada e anticiência”, afirma o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão.

Temporão acrescenta ainda outras medidas que devem ser adotadas e defende que o Ministério da Saúde lide o esforço de combate, listando medidas como distanciamento social, lockdown, uso de máscaras, medidas de higiene e a imunização.

“A única saída é vacinar, de maneira que a gente consiga diminuir o número de casos, diminuir o número de internações e diminuir o índice de mortalidade. Com isso, a gente sai fora do colapso do sistema de saúde”, afirma o virologista e chefe do departamento de Microbiologia na USP.

Brasil já viveu colapsos outras vezes

Zika, Sarampo e H1N1 são doenças mais recentes que já causaram colapso na saúde do Brasil conforme apontam os especialistas. No passado, a gripe espanhola. No entanto, argumentam, nenhuma situação tão alarmante como a que vivemos atualmente.

“O Brasil já viveu vários colapsos na saúde, um exemplo recente é a epidemia do Sarampo, em Manaus, em 2018, crianças foram à óbito por falta de internação, em 2009 tivemos a pandemia da gripe, da H1N1 e o Brasil viveu um colapso de saúde novamente, com essa doença bastante séria, mas foi mais rápido, a pandemia levou de 3 a 4 meses, então o sistema de saúde conseguiu respirar logo”, afirma Durigon.

Para o médico do Sírio-Libanês, há comparações do cenário atual com a gripe espanhol, “mas aquele era outro mundo, com menos conhecimento e tecnologia”.

“O Brasil já viveu outros momentos críticos sim, em 2009, eu era ministro, e tivemos a pandemia do H1N1, mas nós vacinamos 100 milhões de brasileiros em 2010, mobilizamos, usamos a ciência como aliada, seguimos a recomendação das organizações internacionais. Tivemos surto de febre amarela, surto de dengue, em nenhum momento nós vimos o que estamos assistindo estarrecidos hoje”, afirma José Gomes Temporão.

“Chegou a hora de o Brasil olhar para o que está acontecendo e começar a investir dinheiro em saúde pública, a criar mais hospitais, mais leitos de UTI, a criar uma infraestrutura mínima para que a gente possa combater essas novas pandemias, endemias e epidemias. O coronavírus não será nossa última pandemia”, finaliza o virologista da USP.

Fonte: CNN
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CRISE POLÍTICA NO HAITI VEM GANHANDO NOVOS CONTORNOS APÓS O PRESIDENTE SE RECUSAR A DEIXAR O PODER

Haiti: entenda a crise política que o país está enfrentando

Presidente Moïse alega que seu mandato vai até 2022, enquanto Judiciário e Legislativo afirmam que acaba neste ano

INTERNACIONAL

João Melo, Do R7*

Protestos no país tiveram início no dia 7 de fevereiro

REUTERS/JEANTY JUNIOR
O Haiti vive uma crise política que vem ganhando novos contornos nas últimas semanas, quando o presidente Jovenel Moïse se recusou a deixar o poder no dia 7 de fevereiro.

Moïse alega que o seu mandato deve terminar somente em fevereiro de 2022, afirmando que o primeiro ano, dos cinco que devem ser cumpridos, teve o cargo ocupado por um presidente interino. Ele usa como base o artigo 134-1 da Constituição haitiana, que afirma que o tempo de mandato deve ser contado a partir do momento que o político assume o cargo, que no seu caso foi em 2017.

Contudo, a sociedade civil e a oposição política afirmam que durante o mandato do presidente interino, em 2016, os cinco anos de Moïse no poder já estavam sendo contabilizados. Pois, de acordo com a emenda constitucional 134-2, de 2011, o mandato de um presidente começa a valer após anunciado o resultado das eleições, o que aconteceu em 2016.

De acordo com Fernando Romero Wimer, professor do curso de Relações Internacionais e Integração da UNILA (Universidade Federrelacionado a uma situação atual, à continuidade, ou não, de Moïse no poder. E o outro se relaciona a uma situação conjuntural, que tem a ver com acusações de golpes e fraude eleitoral das eleições realizadas no final de 2016”, afirma Fernando Romero.

Manifestações e prisões

No dia 6 de fevereiro, o Conselho Superior do Poder Judiciário do Haiti confirmou que o mandato de Moïse deveria acabar no dia 7 de fevereiro deste ano, afirmando que a soberania da lei deve ser aplicada a todos os atores políticos, inclusive ao presidente.

No dia seguinte, manifestações lideradas pela população, igrejas locais e organizações de direitos humanos tomaram conta das ruas do país pedindo a renúncia de Moïse. Isso gerou uma onda de violência e de repressão aos manifestantes liderada por militares que apoiam o atual presidente.Leia mais: Idosa de 90 anos caminha 10 km na neve para receber vacina nos EUA

No mesmo dia, o presidente alegou que sofreu uma tentativa de golpe de Estado e também de assassinato, e prendeu cerca de 20 pessoas sob a acusação de complô. Entre os presos estava o juiz Yvickel Dabrésil, que faz parte da Suprema Corte do Haiti, e está entre os representantes do poder Judiciário que poderia assumir como presidente provisório caso Moïse deixe a presidência.

Yvickel foi liberado no dia 11 de fevereiro após muita pressão da sociedade civil e da comunidade de juízes do Haiti. Porém, ele foi aposentado pelo presidente da República, mesmo sem ter concluído seu mandato de 10 anos na Suprema Corte.

No último domingo (14), novos protestos foram realizados em Porto Príncipe, capital do país, e novamente os manifestantes e jornalistas presentes para cobrir as passeatas foram reprimidos pelas forças armadas comandadas por Moïse.

“Há uma forte ameaça à liberdade de expressão e ao direito à informação no país”, afirma Handerson Joseph, professor de antropologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Segundo Joseph, haitiano naturalizado brasileiro, as mobilizações populares no país caribenho vêm acontecendo há algum tempo.

“Em 2019, ocorreram manifestações de grupos políticos, sociais e religiosos haitianos. Eles lutaram contra diversos fatores: corrupção, inflação de aproximadamente 20%, aumento desenfreado do preço da gasolina e dos alimentos, desvalorização da moeda haitiana (gourdes) em relação ao dólar americano e desvalorização do salário mínimo”, destaca Joseph.

O professor de Relações Internacionais da UNILA entende que a crise no Haiti vai além dos impasses políticos. “Economicamente, o país é o mais pobre da América Latina com queda do PIB de quase 4% em 2020. Socialmente, 14% da população economicamente ativa está desempregada e a insuficiência alimentar pune quase um terço dos 11 milhões de habitantes”, afirma.

Diante destes problemas e incertezas relacionadas à continuidade do poder, Moïse governa através de decretos desde janeiro de 2020, uma vez que o parlamento foi dissolvido por ele com o intuito de que não fossem realizadas eleições em outubro do ano passado.

O presidente também está engajado em fazer uma reforma constitucional no país. Ele marcou um referendo para o dia 25 de abril para realizar alterações na Carta Magna haitiana, com o objetivo de legalizar a reeleição presidencial e convocar eleições para setembro deste ano.

Interferência Internacional

Em comunicado divulgado no dia 9 de fevereiro, a OEA (Organização dos Estados Americanos), declarou apoio à continuidade de Moïse no poder até fevereiro do ano que vem.

“A Secretaria-Geral da OEA renova seu apoio ao processo eleitoral como a única opção consistente com a Carta Democrática para substituir o atual Presidente constitucional em 7 de fevereiro de 2022”, afirmou a entidade.

Durante entrevista coletiva realizada em 5 de fevereiro, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA,  Ned Price, também apoiou ao atual presidente haitiano. “De acordo com a posição da OEA sobre a necessidade de prosseguir com a transferência democrática do poder executivo, um novo presidente eleito deve suceder ao Moïse quando seu mandato terminar em 7 de fevereiro de 2022”.

Joseph, entretanto, questiona a interferência de órgãos internacionais na política do Haiti. De acordo com o antropólogo, a opinião da população haitiana perde cada vez mais força por conta da influência de autoridades estrangeiras no país.

Fonte: R7
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SECRETARIA PARA ASSUNTOS RELACIONADOS AO ESPAÇO SIDERAL É CRIADA NA NICARÁGUA

Nicarágua cria secretaria para assuntos relacionados ao espaço

País é o terceiro mais pobre da América e enfrenta uma grave crise sociopolítica e de direitos humanos desde abril de 2018

INTERNACIONAL

 Da EFE

Nicarágua cria secretária para "espaço sideral, Lua e outros corpos celestes"

A Assembleia Nacional da Nicarágua aprovou nesta quarta-feira (17) a criação de uma secretaria nacional para administrar assuntos relacionados ao espaço sideral, à Lua e a outros corpos celestes.

A criação desta entidade governamental foi proposta pelo presidente do país, Daniel Ortega, e aprovada com 76 votos a favor de um total de 92 deputados.

Ortega solicitou a criação da “Secretaria Nacional para Assuntos do Espaço Sideral, da Lua e de outros Corpos Celestes” com o objetivo de defender “os interesses nacionais supremos e a busca por oportunidades” às quais o país deve aspirar, segundo detalha o texto da proposta presidencial.

Com a nova secretaria, o presidente pretende também “promover o desenvolvimento efetivo de atividades para expandir as capacidades do país nos ramos educacional, industrial, científico e tecnológico”.

A documento também destaca a intenção de “desenvolver a capacidade científica e tecnológica da Nicarágua através da articulação dos setores envolvidos em todos os campos de atividade espacial” e de “promover a criação de sistemas espaciais, meios, tecnologia e infraestruturas necessários para a consolidação e obtenção de autonomia” do país nesta área.

A proposta de Ortega causou surpresa na Nicarágua, que enfrenta uma grave crise sociopolítica e de direitos humanos desde abril de 2018. O país é o terceiro mais pobre da América e sua economia é majoritariamente informal, o que se traduz na susência de seguridade social e em baixos salários.

No entanto, os parlamentares explicaram que a Nicarágua, como membro das Nações Unidas, tem compromissos internacionais relacionados ao espaço sideral, particularmente conforme regulamentado pelo Tratado de Princípios que regem as Atividades dos Estados na Exploração e Utilização do Espaço Sideral, da Lua e de Outros Corpos Celestes.

Em janeiro de 2020, 110 países já haviam ratificado este tratado, assinado em 27 de janeiro de 1967 nas cidades de Londres, Moscou e Washington, data em que a Nicarágua se somou à iniciativa.

Os deputados também argumentaram que a ONU, desde 1959, criou o Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Sideral, que é composto por 61 Estados-membros e cuja competência é a cooperação internacional, divulgação de informação, incentivo a pesquisas, e a criação de programas de cooperação técnica, além do desenvolvimento do direito espacial internacional.

Segundo o governo da Nicarágua, a criação da nova secretaria nacional busca acompanhar o cumprimento do compromisso dos tratados, convenções, acordos e declarações nesta área.

Fonte: R7

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EM AUDIÊNCIA NO SENADO PAZUELLO SE MOSTROU PRESSIONADO E COM DIFICULDADES DE RESPOSTAS SOBRE CONDUÇÃO DA CRISE DO CORONAVIRUS NO BRASIL

Pazuello se mostrou pressionado, com dificuldade para responder, diz senadora

Produzido por Rudá Moreira e Vinícus Tadeu, da CNN em Brasília e São Paulo

 Atualizado 12 de fevereiro de 2021 às 05:29

Resultado de imagem para Pazuello se mostrou pressionado, com dificuldade para responder, diz senadora

O ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, participou de uma audiência no Senado para responder questões sobre a condução da crise do novo coronavírus no Brasil. O convite foi feito pela senadora Rose de Freitas (MDB-ES), que em entrevista à CNN falou sobre o encontro.

“Cobraram do ministro um cronograma de vacinação e de vacinas, perguntaram sobre a compra dos imunizantes e quando vai acabar o gargalo de vacinas no Brasil e muitas vezes ele se sentiu pressionado, com dificuldade de responder. Foi um encontro necessário, mas que não teve os resultados esperados.”

Rose questionou a fala de Pazuello de que vai conseguir vacinar toda a população brasileira até o final de 2021 e disse que as respostas do ministro “suscitaram dúvidas”.

“Para dizer que até julho vai conseguir vacinar toda a população é preciso que haja vacina. Onde estão? Quando chegarão no Brasil? Vão chegar de onde? As respostas do ministro suscitaram mais dúvidas.”

Fonte: CNN

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PRIMEIRO MINISTRO DA ITÁLIA RENUNCIOU AO CARGO EM MEIO À PANDEMIA

Entenda a crise política na Itália que levou à renúncia do premiê

Giuseppe Conte perdeu maioria no Senado e tenta formar coalisão para 3º governo. Enquanto isso, outros partidos almejam cargo

INTERNACIONAL

Giovanna Orlando, do R7

Giuseppe Conte renunciou ao cargo de primeiro-ministro em meio à pandemia de covid-19 na Itália
YARA NARDI/REUTERS – 19.1.2020

No meio de uma pandemia e um entrave para conseguir vacinas, a Itália entrou também em uma crise política. Na última terça-feira (26), o primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou que renunciava ao cargo e agora atua como premiê interino do país, enquanto busca uma nova base de apoio no Parlamento para voltar a governar.

“O premiê só é premiê pelo apoio que ele tem no Parlamento e no Senado”, resume o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Enno Lehmann.

Conte perdeu na semana passada o apoio do Senado italiano depois que o ex-premiê, Matteo Renzi, deixou a coalizão, que garantia maioria absoluta ao primeiro-ministro, por não concordar com a forma como o governo italiano está gerenciando a pandemia e a recessão econômica.

A covid-19 afetou governos, economias e a popularidade de líderes antes queridos pelo mundo, mas Conte havia conseguido se manter estável durante a primeira onda no país. Segundo o professor, a aprovação do premiê chegava a 70%, com discursos sobre a importância do isolamento e distanciamento social e fechamento de comércio não essencial, mas “é difícil sustentar esse discurso por meses”, analisa.

Com uma pandemia que volta ainda pior em novas ondas, a população passou a exigir mais do governo. Atualmente, o país enfrenta imbróglios para conseguir vacinas e pretende processar a farmacêutica AstraZeneca por não entregar as doses prometidas.

Sem maioria, sem governo

Sem a maioria no Senado, Conte perdeu a governabilidade e as chances de aprovar projetos de lei.

Na Itália, não é incomum ouvir que primeiros-ministros renunciaram e tentaram reorganizar a base de apoio. E essa, inclusive, é a segunda vez que Conte faz isso. Em 2019, o premiê perdeu o apoio dos partidos de direita, com quem tinha uma coalizão, e renunciou. Ele voltou ao poder depois de conseguir formar uma maioria com partidos de centro e esquerda. Agora, ele precisa encontrar um caminho para voltar ao poder.

Autoridades na Itália alertam para possível ‘situação descontrolada

“O país tem um histórico de instabilidade entre primeiros-ministros, e apenas Silvio Berlusconi conseguiu terminar o mandato sem renunciar alguma vez desde a Segunda Guerra Mundial”, elucida o professor. Em todos os outros mandatos houve algum tipo de instabilidade que forçou os mandatários a renunciarem.

Até 1994, a Itália tinha um partido comunista muito popular, mas nenhuma sigla queria entrar em coalizão com eles. Com isso, para encontrar uma maioria eram formadas alianças com partidos menores ou o partido cristão democrata em troca de favores, cargos e privilégios, o que criou um sistema instável no país.

Mesmo com reformas políticas, institucionais e no sistema eleitoral, esse sistema continua vigente e a instabilidade nunca foi vencida. “Você pode mudar o sistema, mas quem já está dentro continua sendo quem já era”, diz o professor.

Como fica a Itália?

Conte continua trabalhando como premiê interino, mas não tem poder para tomar decisões que precisem ser votadas. Ele continua buscando apoio para conseguir uma maioria no Senado, o que não deve ser uma tarefa tão difícil, aponta o especialista.

“Ele tem os argumentos, é só usar”, diz. E, de fato, Conte pode tentar argumentar de vários lados para conseguir formar uma base.

De um lado, a pandemia não permite que o poder fique vacante tanto tempo, já que decisões precisam ser tomadas o tempo inteiro para garantir a estabilidade do poder, e a necessidade de negociar com empresas fabricantes de vacinas torna urgente a resolução da crise.

De outro lado, está a possibilidade de o presidente Sergio Mattarella convocar novas eleições caso uma solução interna não seja apresentada, e ninguém, nem os políticos e nem a população, querem uma eleição no momento.

Caso Conte falhe na tarefa de formar um novo governo com maioria no parlamento, “o presidente decide se dá outra chance ou se encarrega essa tarefa a outro político, ou se convoca novas eleições”, explica o especialista.

Até agora, Conte enfrenta dificuldades em organizar o terceiro governo, e Matteo Renzi, do Itália Viva, já está de olho no cargo, além de partidos como o antissemita Movimento 5 Estrelas e o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), segundo a Ansa.

Fonte: R7
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QUARTA FEIRA BIDEN TOMARÁ POSSE COMO PRESIDENTE DE UM PAÍS MERGULHADO EM UMA CRISE ECONÔMICA E TAMBÉM O MAIS ATINGIDO PELA PANDEMIA

Biden planeja início de governo com medidas agressivas

Logo no primeiro dia, novo presidente pretende retornar ao Acordo de Paris e apresentar uma reforma imigratória, entre outros

INTERNACIONAL

 Do R7

Joe Biden tomará posse como presidente dos EUA na quarta-feira

KEVIN LAMARQUE / REUTERS – 16.1.2021

Na próxima quarta-feira (20), o democrata Joe Biden tomará posse oficialmente como presidente eleito dos EUA e, segundo a imprensa norte-americana, não vai perder tempo para se distanciar das políticas adotadas por seu antecessor, Donald Trump.

Biden vai assumir o comando de um país mergulhado em uma profunda crise econômica, além de o mais atingido no mundo pela pandemia do novo coronavírus. Com isso, de acordo com o New York Times, o novo presidente vai baixar de dezenas de decretos nos primeiros dez dias, para colocar a administração para andar sem depender do Congresso.

Apenas no primeiro dia de mandato, o democrata pretende assinar decretos que incluem o fim de um veto de entrada de cidadãos de países islâmicos, a volta ao Acordo Climático de Paris, ampliar limites das moratórias de despejos e débitos estudantis, tornar obrigatório o uso de máscaras em prédios federais e em viagens interestaduais, além de ordenar que agências busquem meios de reunir famílias de imigrantes separadas na fronteira.

Tudo isso está em um memorando que circulou entre os membros da futura administração, assinado por Ron Klain, o futuro chefe de gabinete da Casa Branca. Além de todos os decretos, o governo pretende aprovar rapidamente o pacote de estímulo econômico de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10 trilhões) anunciado por Biden na semana passada.

Reforma imigratória

Outra medida de impacto, mas que ainda não tem um caminho bem definido é uma proposta de reforma imigratória, que poderá ajudar até 11 milhões de imigrantes ilegais a terem a possibilidade de obter a cidadania. Sem falar na promessa de campanha de vacinar até 100 milhões de pessoas contra a covid-19 nos primeiros 100 dias de governo.

Segundo o Times, a legislação imigratória vai incluir os cerca de 450 mil jovens que fazem parte do programa DACA, criado no governo Barack Obama, que inclui pessoas que entraram nos EUA durante a infância e adolescência e cresceram como ilegais no país. Esse público foi um dos alvos preferidos de Trump durante seu governo, mas ele não conseguiu na Justiça encerrar as políticas do seu antecessor.

A projeto vai incluir uma ampliação de ajuda econômica a países da América Central, como Honduras, Guatemala e El Salvador, onde a violência e a falta de perspectivas levou milhares de pessoas a tentarem entrar nos EUA ilegalmente.

Fonte: R7
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PEQUENA EMPRESA DE CHINELO NA ANGOLA DRIBLA A CRISE DA PANDEMIA E JÁ EXPORTA PRODUTO

 

Angola: Empreendedorismo dribla a crise da pandemia de covid-19

Pequena empresa de chinelos decolou e está até exportando graças a abertura de novos canais de venda e uma melhor publicidade

INTERNACIONAL

Mariana Ghirello, do R7

Empreendedora angolana Marisol NgunzaEmpreendedora angolana Marisol Ngunza

Quando a covid-19 chegou em Angola, na África, Marisol Ngunza quase entrou em desespero. A crise econômica gerada pelo novo coronavírus também afetou a família dela. Com o marido abatido pela queda na renda, ela precisou sustentar a família. Ela e a filha tinham apenas um negócio caseiro de chinelos.

Assim como em muitas partes do mundo, a Angola, um país com 30 milhões de habitantes, viu o número de desempregados crescer após a chegada da pandemia. Um golpe muito duro contra um país que vinha se reestruturando e se desenvolvendo após anos de conflito armado.

Atualmente, devido a baixa industrialização do país, tudo precisa ser importado, conforme conta Marisol. “É um país que não fabrica quase nada, importamos até uma agulha”, explica. Além disso, também é dependente da importação do petróleo.”

De acordo com o Banco Mundial, o país tem feito progressos econômicos e políticos desde o fim da guerra em 2002. Mas, segundo dados do Inquérito às Despesas e Rendimentos de 2018/2019 do Instituto Nacional de Estatística, o índice de pobreza é alto, 40,6%. Assim, um dos desafios é a redução da desigualdade.

Para fugir da crise, sem a opção de empregos formais, os angolanos vão trabalhar como ambulantes ou montar um pequeno negócio.

Continuidade nos negócios

Para Camila Silveira, diretora da Câmara de Comércio Brasil-Angola, a população do país africano possui um espírito muito empreendedor. “O angolano é muito empreendedor, é difícil ele trabalhar em apenas um local, eles sempre têm um trabalho fixo e um negócio. E as mulheres são mais ousadas neste quesito do que os homens”, explica.

“Há 15 anos trabalho na Angola, fui convidada para montar uma feira multisetorial que era a primeira feira que ia ocorrer no país, tinha acabado a guerra e estavam todos muito focados em estruturar o país”, relata Camila.

Foi quando percebeu que muitos negócios não ia adiante por falta de conhecimento em gestão de negócios e passou, então, a prestar consultoria para empreendedores angolanos. O início foi despretencioso, conforme ela relata, mas a ideia foi ganhando corpo, e hoje ela é convidada do governo para dar palestras.

“Em Luanda, a capital, as pessoas têm acesso à internet e formação, mas nas províncias eram mais carentes, com extremas necessidades. Eles queriam fazer coisas, mas não tinham formação alguma, por mais que conseguissem um negócio não tinham estrutura para continuar”, destaca Camila.

Segundo Camila, como a produção industrial no país é pequena, tudo o que é fabricado vende bem e com menor preço. “A partir do momento que tenho uma fabricação local, os valores caem”, ressalta.

“Dava para aguentar”

O que era difícil antes com a pandemia se tornou ainda mais complicado. “Atendia cerca de 500 pessoas por mês, e quando começou a pandemia passei a atender 200 pessoas por dia”, reforça Camila. Uma delas, era Marisol.

“Eu fazia os chinelos e vendia, mas a minha empresa não tinha expressão”, conta Marisol. Foi então que ela foi orientada a abrir a empresa formalmente, bem como páginas oficiais na internet e começar a vender também por aplicativos.

Além de melhorar a publicidade de seu produto, Camila orientou ela a expandir seu negócio para revendedores, e hoje ela ela tem representantes do seu produto em mais seis cidades da Angola e nos vizinhos Namíbia e África do Sul. Ela exporta ainda para Portugal, França, Itália, Egito, Líbano e Maurítania.

Este crescimento da empresa de Marisol só foi possível graças a digitalização da empresa. Já adiantado por entidades internacionais, é a digitalização dos negócios que poderia ajudar na recuperação da crise da covid. Camila leva a recomendação a sério e ajuda a outros empreenderores angolanos a ampliarem seus canais de vendas.

Para dar mais base para novos empreendedores, Camila Silveira montou também uma plataforma angolana de cursos sobre gestão, finanças, e outros temas relacionados para impulsionar os negócios. “A Angola foi um dos países que mais se estruturou nos últimos anos”, completa.

“Antes eu trabalhava só com a minha filha, dava para aguentar, mas hoje já tem mais seis pessoas trabalhando comigo fixo, e quando tenho uma demanda maior, contrato mais pessoas por hora, fora os revendedores”, comemora Marisol.

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RESUMO DA SEMANA: BOLSONARO VOLTA A CRITICAR ISOLAMENTO, TESTES DA CORONAVAC E SEGUNDA ONDA NO BRASIL?

Domingo é dia de atualização na política. Por isso a nossa coluna RESUMO DA SEMANA está recheada de fatos que ocorreram ao longo desta semana que termina. Portanto, é hora de se atualizar. Então sente na sua poltrona e assista, sob o comando de Vitor Brown o SEMANA DA PAN e fique por dentro!

Fonte:

Jovem Pan News

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MERGULHADOS EM SUA ENÉSIMA CRISE ECONÔMICA, ARGENTINOS OLHAM PARA O FUTURO QUASE SEM ESPERANÇAS

Argentinos olham para o futuro com poucas esperanças, mergulhados em sua enésima crise econômica

A pobreza passou de 35,5% para 40,9% desde o início da pandemia e o PIB teve um colapso trimestral recorde de 19,1%

MAR CENTENERA
FEDERICO RIVAS MOLINA

Buenos Aires – 04 NOV 2020 – 10:53 BRT

Homem caminha em frente a uma casa de câmbio de Buenos Aires.Homem caminha em frente a uma casa de câmbio de Buenos Aires.JUAN IGNACIO RONCORONI / EFE

A situação econômica é catastrófica, as pessoas estão muito tristes”, diz Luis, atrás do balcão de sua loja de comida para animais de estimação em um bairro de classe média de Buenos Aires. A Argentina está acostumada a crises econômicas recorrentes, mas a pandemia de covid-19 agravou a enésima recessão que o país sofre, desta vez desde meados de 2018. O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina caiu 19,1% no segundo trimestre do ano, o maior colapso trimestral desde o início da série estatística em 1981. Entre janeiro e março de 2002, no pior momento da crise do corralito, que eclodiu no final de 2001, a economia havia retrocedido 16,3%.

A recessão atual teve um impacto severo sobre a parte inferior da classe média e, é claro, sobre os pobres. O Governo de Alberto Fernández protegeu o emprego formal com leis e subsídios, mas o golpe para quem não tinha contrato foi duro. Numerosos pedreiros, empregadas domésticas, garçons e trabalhadores do comércio, entre outras profissões com elevada proporção de trabalho informal, perderam os seus rendimentos ou os viram reduzidos a um valor abaixo do limiar da pobreza. O número de pobres cresceu mais de cinco pontos percentuais na primeira metade do ano: de 35,5% para 40,9%. Em 2017, último ano de crescimento da economia argentina, a pobreza era de 25,7%.

A pandemia também acabou com muitas empresas. Restaurantes, bares, salões de festas e academias baixaram as portas após meses de fechamento obrigatório para evitar a propagação da covid-19. Outros se transformaram em quitandas, lojas de ferragens ou de brinquedos. É o caso do negócio administrado por Federico Cillarroca. As piscinas de bolinhas e escorregadores que recebiam as crianças nesse salão de festas infantis de aniversário desapareceram e ele passou a colocar à venda brinquedos de todos os tipos. “Estamos fazendo o possível para superar o choque. Continuamos pagando os empregados, o que não é pouco. Há muitas famílias que dependem disso, animadores, garçons, maquiadores, mágicos, a moça que faz os bolos, os fornecedores de salgadinhos … São 20 ou 30 famílias, por aí”, diz. Cillarroca.

“Estar na Argentina significa ter muitas crises, com quedas e altas no consumo, quedas e altas na lucratividade, e é preciso ir lidando com tudo isso, temos alma de empreendedores. Mas isto agora é diferente, todo fechou. Receita zero e as despesas se mantiveram”, lamenta Cillarroca. É a mesma opinião da gerente de uma academia próxima, Carolina Vielman. Reabriram as portas nesta semana, após 222 dias de fechamento obrigatório, e estão de volta à atividade com menos de um terço dos clientes que tinham em março: passaram de 1.400 para 400.

O subsídio que o Governo deu a milhares de empresas contribuiu para que pagassem parte dos salários aos empregados, mas muitos negócios acumulam grandes dívidas com a Receita ou com as empresas que fornecem luz, água e luz, e não sabem como vão saldá-las. “Está tudo muito tranquilo, não se vende quase nada”, lamenta Miriam, dona de uma papelaria que não se lembra de um momento mais difícil nos cinco anos em que está com a loja aberta.

Julio Cabrera escolheu o caminho oposto de muitos: crescer para sobreviver. “Cresci porque este item não caiu com a pandemia. Além disso, tinha que deixar as instalações anteriores e baixar as portas seria fechar definitivamente e parar de vender”, diz este vendedor de brinquedos de 44 anos, pai de três filhos.

Sem acesso aos mercados de crédito até que o Governo renegocie a dívida com o FMI, a Argentina financia a paralisação econômica da pandemia com a emissão de moeda. Somente no primeiro semestre, o Banco Central emitiu mais de 1,35 trilhão de pesos (98,3 milhões de reais) para cobrir o déficit fiscal e financiar subsídios como a Renda Familiar de Emergência, distribuída a nove milhões de pessoas. O nível de emissão é tão alto que a Argentina teve que importar 400 milhões de notas do Brasil.

À espera de uma desvalorização

A emissão aumenta a pressão inflacionária —em setembro houve alta de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior—, mesmo neste contexto de crise e com severos controles do mercado de câmbio. O dólar é vendido a 83,50 pesos no mercado oficial, no qual há cada vez mais obstáculos para acesso, e a mais do que o dobro —169 pesos por dólar, mas chegou a 200 pesos há uma semana— no mercado paralelo. Ninguém acredita que a defasagem cambial possa permanecer tão elevada, por isso há o temor de uma desvalorização que acelere ainda mais os preços.

“Não posso comprar dólares, então, estoco mercadorias”, diz Luis, mostrando um lugar por onde mal consegue se mover tantos são os sacos enormes de comida para cães e gatos. “No ano passado já vimos isso, o peso desvalorizou-se em 20% e de um dia para o outro essa perda foi transferida para os preços”, argumenta para justificar a compra antecipada.

“Há muita gente querendo trabalhar, mas tudo está parado por vários motivos. Um, porque as prefeituras não estão funcionando e não emitem alvarás de construção. Quando trabalharem, vai haver uma grande quantidade de licenças e um funil aí também. Depois, acontece que há obras que estão sendo feitas, mas não há nem ferro nem concreto porque as cimenteiras e as siderúrgicas não estão entregando, estão açambarcando, esperando a desvalorização. Mesmo se você quiser construir, não pode”, afirma Roberto Barcala, arquiteto autônomo.

Além da transformação de muitos negócios, este arquiteto acredita que a pandemia também trará mudanças urbanísticas importantes, como se vê no súbito interesse pelos countries, que é como chamam na Argentina os condomínios privados na periferia das cidades. Muitos escritórios do centro da cidade ficaram desertos e, pelo contrário, o teletrabalho obrigou a reorganizar o interior das casas.

O futuro imediato preocupa os argentinos. O aumento do preço das matérias-primas ajudou a Argentina a sair da crise de 2001-2002, mas o contexto internacional agora é muito diferente, com uma recessão mundial. “Ano que vem será pior, estou com muito medo. Acho que se não tivesse família iria morar no exterior “, prevê Luis, pai de dois filhos adolescentes. Outros, como Cabrera, o vendedor de brinquedos, confiam na recuperação do país: “Sempre penso para cima, senão, fecho e começo a vender sanduíches. A situação é muito complicada, mas sou muito otimista. No ano que vem estaremos melhor. O que mais podemos pensar? É preciso seguir de alguma maneira”.

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ECONOMIA: A CRUEL DESIGUALDADE ENTRE FUNCIONALISMO PÚBLICO E DESEMPREGADOS NO SETOR PRIVADO

O artigo que ora publicamos aqui na coluna ECONOMIA nesta terça-feira é de uma profundidade singular. Poucas vezes pude me deparar com tanta informação junta sobre um determinado assunto. Uma verdadeira enciclopédia sobre emprego, renda, legislação, geopolítica, sociologia, desigualdade, justiça, injustiça e claro, economia. Portanto se você quiser entender como chegamos a situação econômico-financeira e social atual e o porquê países como Portugal e Grécia que passaram por crises profundas há 10 anos hoje gozam de uma situação econômica tranquila, leia o artigo completo a seguir! 

O oásis do funcionalismo público brasileiro na crise

Milhões de desempregados no setor privado; emprego garantido e zero centavo a menos no setor público

 

No deserto, convivendo com a escassez de água e comida, o oásis é um refúgio temporário para viajantes em travessias difíceis. Não sendo propriedade de alguém, oferece algum conforto para todos que passam pelo mesmo difícil caminho.

Não é o caso do sentido aqui empregado, já que no mesmo território, e no mesmo caminho, o abrigo só serve para poucos.

No Brasil, antes da pandemia, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada em março, tínhamos no setor privado aproximadamente 33,6 milhões de pessoas com carteira assinada e 38 milhões de trabalhadores informais. Estes incluem desde os trabalhadores sem carteira assinada (11,6 milhões) até trabalhadores por conta própria (24,5 milhões).

Os grupos acima, quando somados à força de trabalho desocupada no mesmo período, equivalente a 12,3 milhões de desempregados, significam 84 milhões de brasileiros que lutam no dia a dia para procurar ou manter seus empregos e sua renda (veja todos os números aqui).

Nesse sentido, enfrentar a crise é uma batalha que os torna semelhantes como brasileiros.

No universo de trabalhadores brasileiros ainda faltam os trabalhadores do setor público, também chamados de servidores públicos pela sua natureza universal de servir ao público (compreendida, corretamente, como uma nobre atividade desde o Império Romano). Somadas as diferentes esferas de governo, civis e militares, os servidores públicos no Brasil são aproximadamente 11,4 milhões.

A crise econômica é global. E, como em vários outros países, no Brasil milhões de trabalhadores já perderam seus empregos e salários. Atualmente, mais da metade dos brasileiros não tem trabalho.

Governos, incluindo o brasileiro, adotam programas bilionários (que serão pagos com os impostos de todos contribuintes) para tentar mitigar o sofrimento dos que perdem sua renda, integralmente ou parcialmente, da noite para o dia.

Brasileiros, todos, navegam na mesma crise econômica, correto? Não. Nem todos da mesma forma. Para uma minoria, os trabalhadores do setor público, os empregos são garantidos por lei. E os salários, obviamente, são garantidos pelos impostos pagos pelos trabalhadores do setor privado.

Austeridade portuguesa e grega

Além do estatuto da estabilidade no emprego, sequer é possível admitir algum pequeno ajuste temporário de salários no serviço público.

No fim de junho, o STF negou a possibilidade de reduções temporárias de salários condicionadas à redução de jornadas de trabalho (no julgamento de matéria relativa à Lei de Responsabilidade Fiscal), algo já feito em larga escala pelos trabalhadores do setor privado – e, ainda assim, só para aqueles que tiverem a sorte de manter seus empregos em meio à crise.

Muitos países procuram reforçar sua identidade e propósito de união em momentos mais difíceis, como guerras, epidemias, desastres naturais ou crises econômicas. Em todas essas situações, a estabilidade da sociedade, em meio à exigência de maior sacrifício pessoal, passa também pela percepção da maioria de que o sacrifício temporário é distribuído de maneira justa e solidária.

Tratamento igual entre iguais, sacrifícios maiores para aqueles que podem contribuir mais em períodos excepcionais. Tudo em nome de uma união necessária para a travessia de um caminho difícil. Um teste, que pode sinalizar o quão próspero pode ser o futuro de uma nação.

Para não voltarmos muito longe no tempo, como nos períodos das grandes guerras mundiais – que moldaram o sentimento de união de países como o Japão, Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos e tantos outros —, fiquemos com algumas crises econômicas mais recentes.

Em Portugal, depois da crise de 2008/2009, o déficit nominal do setor público atingiu o recorde de 11% do PIB em 2010, com um crescimento negativo do PIB de 3% no mesmo ano. Vale lembrar que as atuais projeções para o déficit nominal do Brasil em 2020 já estão em 16% do PIB.

O programa de ajuste português, que anos mais a frente permitiu aquele país ser saudado como um exemplo de recuperação econômica (e com participação conjunta de partidos de direita, centro e esquerda), procurou distribuir esforços entre o setor privado e o setor público.

Na aprovação da primeira fase do programa, em 2010, ao incluir a redução e congelamento futuro dos salários no serviço público, o primeiro-ministro de Portugal da época, José Sócrates, ressaltou a importância de um algum esforço solidário do setor público, em meio a uma grande onda de demissões e reduções salariais no setor privado.

Em 2011, em mais uma onda de ajustes, o governo português extinguiu o 13º e o 14º salários para o funcionalismo público e aposentados portugueses que recebiam mais de mil euros. (Leia tudo sobre o ajuste de Portugal aqui).

Na Grécia, a crise de 2008/2009 levou o déficit nominal a patamares ainda mais altos: acima de 13% em 2013, com uma queda do PIB que havia chegado a 10% no ano anterior.

O ajuste grego também envolveu partidos de diferentes orientações ideológicas, incluindo o Syriza, partido radical de esquerda e antigo crítico de medidas de ajuste fiscal.

O processo de ajuste grego foi ainda mais longo e sofrido do que o de Portugal, mas o país voltou a ter superávit nominal entre 2016 e 2019, a dívida pública voltou a ficar estável — ainda que em patamar extremamente elevado — e o crescimento econômico também retornou (antes da Covid-19), ainda que a taxas modestas.

Na Grécia, até pelo peso maior do setor público na economia local, os cortes de salários e benefícios foram ainda maiores do que em Portugal. Entre 2010 e 2012 foram cinco rodadas de ajustes, que na soma significaram mais de 30% de reduções salariais no funcionalismo público, além da revisão de outros benefícios.

Em cada uma das rodadas de ajuste na Grécia, mesmo com diferentes coalizações políticas, a justificativa de reduções salariais no setor público foi a mesma de Portugal: o esforço precisava ser de todos, num país onde a taxa de desemprego havia saído de 7,5% em 2008 para quase 30% no início da década passada.

Salários no setor público brasileiro

Segundo estudo do Banco Mundial divulgado em conjunto com o Ministério da Economia no ano passado, intitulado “Gestão de pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro – o que dizem os dados?“, servidores federais no Brasil ganham 96% a mais do que recebem trabalhadores da iniciativa privada que exercem funções semelhantes.

O número acima, chamado de “prêmio salarial”, é o mais alto na amostra de 53 países pesquisados pelo Banco Mundial, como mostra o gráfico abaixo.

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Prêmio Salarial do Setor Público em Relação ao Setor Privado por País

No caso dos estados, aquele número é de 36% mais elevado do que a média do setor privado. Nos municípios o prêmio salarial é equivalente ao do setor privado.

O mesmo estudo mostrou que, em 2019, 44% dos servidores do executivo federal, o poder federal com a menor média salarial, recebiam mais de R$ 10 mil reais por mês. Essa remuneração coloca esses servidores nos 5% superiores da distribuição de rendimentos domiciliares per capita dos brasileiros calculada pelo IBGE para o ano de 2019.

Como essa distribuição foi verificada antes da atual crise econômica, a tendência é piorar a performance relativa dos rendimentos do setor privado.

teto salarial do setor público brasileiro foi reajustado no ano passado em 16,3%, aproximadamente quatro vezes a inflação de 2019, de 4,31%. O valor, R$ 39,2 mil, coloca esse teto entre o 0,5% superior do rendimento domiciliar per capita.

Dado que em 2019 a metade mais pobre da população viveu com uma renda média de R$ 850 por mês, R$ 39,2 mil equivalem a 46 vezes mais do que ganharam em média a metade dos brasileiros.

O teto salarial já seria uma belíssima remuneração, mas há milhares de servidores no Executivo, Legislativo e Judiciário, na União e nos estados que recebem muito além desse valor. Perde-se a conta de remunerações acima de 60-70-80 mil reais por mês infladas por todos os tipos de adicionais e auxílios — os famosos “penduricalhos” — que fogem de uma definição legal mais rigorosa para o conceito de teto remuneratório. Outra pendência esquecida nas gavetas do governo e do Congresso Nacional.

As distorções dentro da própria máquina garantem privilégios ainda mais imorais

É preciso ser dito também que, na outra ponta da distribuição salarial do setor público, há milhões de funcionários públicos em estados e, principalmente municípios, com rendimentos baixos ou comparáveis aos praticados no mercado.

Há enormes desigualdades no tratamento dentro do próprio setor público. E são tratamentos desiguais no sentido de privilegiar exatamente quem ganha mais.

Alguns estados atrasam suas folhas de pagamento pelas suas crises financeiras, agora agravadas com a pandemia da Covid-19. No entanto, há um agravante: quando a receita de todo o setor público estadual cai de forma inesperada, como em 2020, os poderes executivos estaduais são proibidos de pedir que o legislativo, o judiciário e o Ministério Público estaduais compartilhem o “sacrifício”.

Os executivos estaduais acabam tendo de resolver sozinhos a crise, sem dividi-la com os outros poderes e órgãos independentes (como o Ministério Público), onde exatamente se encontram os salários mais altos.

Os poderes executivos estaduais estão proibidos de tentar reduzir os repasses da execução orçamentária (os chamados duodécimos) para os outros poderes quando há frustração de receitas. Mais uma decisão recente do STF, junto com a que proibiu a redução salarial no setor público associada à redução de jornada de trabalho.

Vejamos apenas um exemplo das muitas distorções que se acumulam no setor público brasileiro, seja pela legislação vigente ou por decisões do STF já mencionadas.

No Rio Grande do Sul, hoje, uma professora do ensino fundamental com doutorado que receba uma remuneração pouco superior a R$ 3.000 receberá a totalidade do seu salário com mais de 30 dias de atraso. No mesmo estado, no mesmo setor público, um desembargador que tenha uma remuneração total mensal de R$ 60.000  (20 vezes maior) receberá a integralidade de seus vencimentos rigorosamente em dia.

A constatação é de que a atual estrutura de remunerações no setor público brasileiro, comparativamente ao setor privado, não é só desconectada em relação ao que acontece em outros países, mas é também parte agravante da descomunal desigualdade de renda que vigora no País.

Voltando à crise atual no Brasil

No momento em que o mundo volta a discutir o compartilhamento de esforços entre setor privado e público no enfrentamento de uma crise, isso ainda parece ser uma barreira intransponível no Brasil. E temos exemplos recentes muito próximos do país indo em outra direção.

A Colômbia aprovou em abril deste ano um imposto adicional transitório para servidores públicos que ganham acima de 10 milhões de pesos (o equivalente a 10 mil reais no Brasil).

No Chile, o parlamento discute de maneira avançada a extensão de reduções salariais temporárias no serviço público, depois do salário de parlamentares e outras autoridades públicas terem sido reduzidos em até 50% ao final de 2019.

No Uruguai, depois de cortar 20% do seu próprio salário e de outros dirigentes públicos, o presidente Lacalle Pou avançou na aprovação de um desconto temporário entre 5% e 20% para servidores com remuneração mensal superior a 80.000 pesos (o equivalente a R$ 9.000).

No Brasil, qualquer iniciativa recente de propor alguma redução temporária de salários, seja pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia ou alguns outros poucos parlamentares, não passa de uma primeira manifestação de intenções.

Além da enorme força das corporações do setor público, aparentemente o próprio presidente da República não enxerga prioridade neste esforço. O máximo que se fez até agora, após forte trabalho de convencimento do ministro Paulo Guedes, foi congelar os atuais salários do serviço público de apenas alguns categorias até o final de 2021.

Mesmo nesse esforço louvável, há muitas dúvidas sobre como será possível controlar aumentos disfarçados, como promoções de carreiras e concessões de auxílios diversos.

Para concluir

Toda essa bonança é bancado pelos impostos pagos por quem trabalha e produz riqueza — e que, consequentemente, ganha bem menos.

E que agora está desempregado.

Enquanto a alta casta do funcionalismo ganha entre R$ 10.000 e R$ 60.000 por mês (em alguns casos, ganham mais de R$ 100 mil), o trabalhador do setor privado, que é quem produz e é tributado para sustentar toda essa farra — não houvesse trabalhador do setor privado, não haveria salário para funcionalismo público —, está com uma renda média de R$ 2.300 por mês.

A injustiça causada pelo estado não poderia ser mais fragorosa.

Quando terminarmos o ano de 2020, deveremos ter a maior queda da história do PIB brasileiro (algo entre menos 7% e menos 9% pelas últimas estimativas), alguns novos milhões de desempregados e muitos outros milhões de empregados do setor privado com salários muito abaixo do início da atual crise.

Será uma travessia muito difícil até o Brasil voltar a crescer e começar a recuperar os empregos perdidos nessa crise. Para aqueles que têm a felicidade de mantê-los por lei, um verdadeiro oásis no deserto, seria no mínimo um gesto de solidariedade e união compartilhar uma pequena parte do sacrifício. Uma demonstração de que a crise, assim como o país, é de todos.

Fonte: Mises Brasil

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Em carta aberta ao presidente, delegados afirmam que próximo diretor geral da PF terá de “demonstrar que não foi nomeado para cumprir missão política”. Brasil registra 61.888 casos e 4.205 mortes mortes pela covid-19 neste domingo. Foram 189 novas mortes em relação ao dia anterior

Após 42 dias, as mais de seis milhões de crianças espanholas com menos de 14 anos que foram trancadas em casa para evitar a disseminação do coronavírus conseguiram sair às ruas neste domingo. Na imagem, menino brinca em uma poça de lama em Madri.Após 42 dias, as mais de seis milhões de crianças espanholas com menos de 14 anos que foram trancadas em casa para evitar a disseminação do coronavírus conseguiram sair às ruas neste domingo. Na imagem, menino brinca em uma poça de lama em Madri.SANTI BURGOS

Após a saída do ex-juiz Sergio Moro piorar a instabilidade política em meio a crise do coronavírus no país, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) publicou uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro afirmando que “há uma crise de confiança instalada, tanto por parte de parcela considerável da sociedade, quanto por parte dos delegados de Polícia Federal”. No documento, alertam que o próximo diretor geral da PF terá de “demonstrar que não foi nomeado para cumprir missão política”. Neste domingo, o Brasil chegou a 4.205 óbitos pela covid-19 e 61.888 contágios, de acordo com o Ministério da Saúde. Houve um incremento de 5,8% em relação ao dia anterior: 3.379 novos casos foram notificados em 24 horas, assim como 189 mortes (+4,7%). A taxa de letalidade está em 6,8%. O Estado de São Paulo registrou 20.715 casos e 1.700 óbitos. Enquanto isso, Itália e Israel começam a traçar planos para reduzir o confinamento. E a Espanha autorizou, pela primeira vez em seis semanas, que as crianças voltassem a brincar na rua.

Fonte: El País

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ENQUANTO BOLSONARO REBATE SERGIO MORO MAIA SE CALA E CENTRÃO TAMBÉM

Bolsonaro rebate Sergio Moro e cerra fileiras com aliados enquanto Congresso observa escalada da crise com cautela

Procurador-geral pede ao STF para investigar acusações de interferência na PF feitas por ex-ministro. Responsável por abrir processo de impeachment, Maia cala. Deputados do “centro” também

Bolsonaro chega ao local de pronunciamento.Bolsonaro chega ao local de pronunciamento.EVARISTO SA / AFP

O Brasil confirmou 3.670 mortes por coronavírus nesta sexta-feira, mas a crise sanitária sem precedentes não dominou a agenda política. Neste 24 de abril, o país foi sacudido por um ruidoso divórcio entre os dois principais neotitãs da política nacional: o presidente ultradireitista Jair Bolsonaro e Sergio Moro, um campeão de popularidade do Governo que fez fama como juiz da Operação da Lava Jato. Pela manhã, Moro caiu atirando. Deixou o cargo de ministro da Justiça acusando Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal. À tarde, Bolsonaro rebateu o ex-aliado, a quem acusou de mentir. Contra a percepção de isolamento do Planalto que cresceu nas últimas semanas, o presidente tentou passar uma mensagem de unidade e fileiras cerradas: ao seu lado no pronunciamento estavam 19 de seus 21 ministros, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, além de deputados e senadores de seu antigo partido, o PSL.

Bolsonaro nega interferência na PF, mas diz querer nome com quem possa “interagir”“O presidente queria alguém [na PF] a quem pudesse ligar, colher informações”: as principais frases de Moro

A imagem de fortaleza tinha como um dos destinos o Congresso, que acompanha lance a lance a crise e faz cálculos e perguntas: quantas provas Moro tem na manga contra o Planalto? Quanto a saída do ex-juiz danifica o cabedal de apoio do bolsonarismo, em torno de 30% segundo as pesquisas? Não há respostas imediatas, mas elas tampouco demorarão mais que algumas semanas para aparecer. Enquanto o presidente criticava Moro e insinuava que ele deixou o cargo por ter intenções políticas (“O Governo não pode perder sua autoridade por questões pessoais de alguém se antecipa a projetos outros”), o procurador-geral da República, Augusto Aras, protocolava um pedido de abertura de inquérito pra apurar eventuais crimes delatados pelo ex-ministro em sua fala de despedida.

No documento enviado ao STF, que será analisado pelo decano da Corte Celso de Mello, Aras diz que o presidente pode estar cometendo os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada. Mas o pedido do procurador-geral, indicado em setembro por Bolsonaro, é uma espécie de bumerangue que pode se voltar contra Moro. Caso ele não apresente provas, ele pode acabar sendo acusado de denunciação caluniosa e crime contra a honra. O ex-juiz da Lava Jato diz tê-las e e até agora apresentou ao Jornal Nacional, da TV Globo, um par de mensagens que diz ter trocado com o presidente. Numa delas, Bolsonaro pede para trocar o diretor-geral da PF, Marcelo Valeixo, estopim da crise, por causa de um inquérito que tem como alvo “deputados bolsonaristas”.

No próprio discurso Bolsonaro deixou pistas que já estão sendo exploradas pelos adversários e apontadas por constitucionalistas. O presidente se contradisse e admitiu que pediu um favor para a PF que apurava uma suposta relação que um de seus filhos, Jair Renan, teria tido com a filha do ex-sargento Ronnie Lessa, um vizinho do presidente que é acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista dela, Anderson Gomes. “Eu fiz um pedido para a Polícia Federal. Quase com um por favor: ‘Chegue em Mossoró e interrogue o ex-sargento’. Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório. Onde ele diz simplesmente o seguinte: ‘A minha filha nunca namorou a filha do presidente Jair Bolsonaro, porque a minha filha sempre morou nos Estados Unidos’”.

Para que qualquer eventual iniciativa contra o Planalto ande há toda uma série de condicionantes. A principal delas é a Câmara. Se Mello autorizar o inquérito, Aras pretende convocar Moro a depor. E, caso o PGR decida oferecer uma denúncia contra o presidente, quem decide se ele pode ser processado por crime comum é a Câmara, que precisa autorizar com dois terços dos votos dos deputados que Bolsonaro vire réu.

Pressões pelo impeachment

A margem de votos necessários é, aliás, a mesma do impeachment, ideia que anima como nunca oposicionistas e neoantibolsonaristas do Congresso. Há na Câmara ao menos 19 pedidos que o acusam de crime de responsabilidade, sendo oito deles protocolados neste ano. Mais um se somou nesta sexta, feito por três parlamentares da REDE. O 20º pedido deverá ser entregue nos próximos dias pelo partido que elegeu Bolsonaro, PSL. “Moro fez acusações muito graves contra Bolsonaro. Já há motivos de sobra para um impeachment”, afirmou a líder do PSOL, Fernanda Melchiona.

A questão é que quem detém o poder de começar ou não um processo de destituição contra Bolsonaro é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O deputado, em conflito aberto com Bolsonaro, preferiu calar nesta sexta-feira —ele vinha dizendo que ainda não via motivos para tal. Analistas políticos também miram o comportamento do Centrão, o grupo de parlamentares de direita e centro-direita capaz de formar maiorias no Congresso. Cortejado pelo Planalto nos últimos dias justamente para pressionar Maia, o grupo tampouco fez questão de sair a público. Investigação preliminar da consultoria Bites, de análise de redes sociais, mostrou que foram cerca de 1.500 posts de deputados, a maioria sobre Moro, e escritos por deputados de esquerda. “O centro por enquanto está calado”, afirma Manoel Fernandes, da Bites.

É fato que Sergio Moro nunca foi uma unanimidade entre os deputados e senadores, especialmente entre os integrantes do Centrão alvos da própria Lava Jato. Por outro lado, o ex-ministro era uma peça importante para os chamados “lavajatistas”, uma ala direitista que chegou ao poder com forte discurso anticorrupção e anti-PT. Parlamentares independentes, por sua vez, chamaram a queda de Moro de uma perda para todo o país enquanto os ainda bolsonaristas ainda tentavam afinar o novo discurso. “Sergio Moro foi um verdadeiro titã. É a derrota da ética”, disse o líder do Podemos, Leo Moraes. “Moro saiu, fomos pegos de surpresa. Ontem mesmo ele nos garantiu que não sairia. Para nós, base do Governo, uma informação; para a extrema-imprensa, outra. Lamentável. E mais lamentável ainda a maneira como saiu. Enfim, o destino se encarregará de tudo. Vamos em frente”, afirmou o vice-líder do Governo, Carlos Jordy, citado pela Agência Câmara.

“O debate sobre impeachment já está real. Vários setores já estão discutindo. É um caminho sem volta. Se vai ser bem sucedido é outra historia”, pondera o cientista político Carlos Pereira, da FGV. Para ele, não só os bolsonaristas do Congresso como o próprio presidente terão que ajustar o discurso, agora que não terão mais ao lado o trunfo anti-corrupção que Moro ainda representa e em meio à crise de saúde que também é econômica. Para Pereira, ao ver que perdia parte do eleitorado conservador por causa de sua conduta em meio à pandemia, Bolsonaro entrou “em desespero”. “Ele deu um cavalo de pau, e decidiu mesmo que tardiamente se reconectar com o Congresso e por isso ele vai perder ainda mais desse núcleo conservador. Ele vai precisar agora redirecionar a política para outros níveis eleitorais”, segue o cientista político, citando os mais pobres e informais que receberão auxílio emergencial pela covid-19.

Todas as sinalizações é de que não haverá jogo fácil para Bolsonaro. Antes mesmo que o presidente agisse para indicar um novo ministro da Justiça e um novo número 1 da PF, na própria noite de sexta-feira o Planalto soube do primeiro movimento para blindagem da Polícia Federal. Como uma tentativa de impedir interferência do presidente em inquéritos que tramitam no STF, o ministro Alexandre de Moraes, decidiu que deveriam ser mantidos em seus postos os delegados da Polícia Federal que trabalham em inquéritos da Corte —são dois e ambos de alta voltagem para Bolsonaro, um que investiga “fake news”, controverso por ter sido aberto por iniciativa do próprio Supremo, e um que investiga atos pró-intervenção militar no país —o mandatário participou de uma delas no último domingo. “Comunique-se ao Diretor Executivo da Polícia Federal, em exercício, que, no âmbito da Polícia Federal, as investigações neste inquérito deverão continuar a ser conduzidas pelo Delegado Federal Alberto Ferreira Neto, em São Paulo e da equipe de Brasília, composta pelos Delegados Federais Igor Romário de Paula, Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher”, decidiu Moraes.

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GEOPOLÍTICA: A CONFIRMAÇÃO DA OEA SOBRE A CRISE NA AMÉRICA DO SUL PÕE ABAIXO A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO DOS PETISTAS

Tudo que está dito no artigo a seguir é fato e não narrativa e é diante dos fatos que se constrói a história dos países e da humanidade. Portanto é fato que a OEA se pronunciou na pessoa do seu Secretário-Geral, Luis Almagro, afirmando que crise na América do Sul é fomentada por ditadores do Foro de São Paulo e que está à disposição dos estados atingidos para “fazer frente aos fatores de desestabilização organizados pela ditadura venezuelana e cubana”. Isso põe abaixo a teoria da conspiração que tanto alardearam os esquerdistas de plantão!

OEA garante que crise na América do Sul é fomentada por ditadores do Foro de São Paulo

“As brisas do regime bolivariano, impulsionadas pelo ‘madurismo’ e pelo regime cubano, trazem violência, saques, destruição e um objetivo político de atacar diretamente o sistema democrático e forçar interrupções nos mandatos constitucionais”, afirmou Almagro

A organização condenou “firmemente a ameaça de exportar más práticas e desestabilização à Colômbia, realizada pela ditadura bolivariana” e informou que:

“As atuais correntes de desestabilização dos sistemas políticos do continente têm origem na estratégia das ditaduras bolivariana e cubana, que buscam novamente se reposicionar, não através de um processo de reinstitucionalização e redemocratização, e sim através da velha metodologia de exportar polarização e más práticas, mas essencialmente financiar, apoiar e promover o conflito político e social”

Por fim, a OEA se colocou à disposição dos estados atingidos para “fazer frente aos fatores de desestabilização organizados pela ditadura venezuelana e cubana”.

As declarações são mais um banho de água fria para os que enchiam a boca para alardear que o Foro de São Paulo não “passava de uma teoria da conspiração da extrema-direita”.

Houve até mesmo quem ironizasse a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que o Foro de São Paulo está mais vivo do que nunca. Como fica a situação agora que organizações internacionais garantem que ditadores ligados ao grupelho é que estão por trás na anarquia por boa parte do continente?

da Redação

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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