Um psicólogo no campo de concentração
A nossa DICA DE LIVRO desta primeira quarta-feira de agosto é a célebre obra de Viktor Frankl – Em Busca de Sentido. Este despretensioso texto em linguagem em linguagem narrativa constitui a porta de entrada para a logoterapia.
Sobre o autor
Viktor Emil Frankl (26 de março de 1905 – 2 de setembro de 1997) nasceu em Viena, Áustria, e formou-se em Medicina, especializando-se em Neurologia e Psiquiatria. Ainda jovem, desenvolveu interesse pela psicanálise, chegando a corresponder-se com Sigmund Freud, embora tenha seguido depois caminho teórico próprio.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Frankl e sua família foram deportados para campos de concentração nazistas, incluindo Auschwitz e Theresienstadt. Ele sobreviveu, mas perdeu seus pais, seu irmão e sua primeira esposa nesse período. Foi a partir dessa experiência devastadora que desenvolveu sua principal contribuição à psicologia. A logoterapia, abordagem centrada na busca de sentido como motor essencial da existência humana.
Sua obra mais conhecida, Em Busca de Sentido (originalmente “…trotzdem Ja zum Leben sagen”, ou “Mesmo assim, dizer sim à vida”), narra sua experiência nos campos de concentração e apresenta os fundamentos da logoterapia. O livro tornou-se um clássico mundial, vendendo milhões de exemplares e influenciando profundamente a psicologia, a filosofia existencial e os estudos sobre resiliência humana. Frankl faleceu em Viena, aos 92 anos.

Sobre a obra
Em Busca de Sentido é dividido em duas partes principais. Na primeira, Viktor Frankl narra sua própria experiência como prisioneiro nos campos de concentração nazistas, incluindo Auschwitz. Ele relata o sofrimento extremo, a perda da dignidade e a luta diária pela sobrevivência física e psicológica. Contudo, o relato não se detém apenas no horror; ele observa, com olhar clínico e humano, como diferentes prisioneiros reagiam de formas distintas às mesmas condições brutais.
A partir dessas observações, Frankl percebe um padrão essencial: aqueles que conseguiam vislumbrar algum sentido em sua existência — mesmo em meio ao sofrimento extremo — tinham maiores chances de sobreviver e preservar sua dignidade interior. Na segunda parte do livro, ele desenvolve os fundamentos teóricos da logoterapia, sua abordagem psicológica centrada na ideia de que a busca de sentido, e não apenas o prazer ou o poder, é a principal força motivadora do ser humano.
A obra defende que o sofrimento, embora indesejável, pode se tornar suportável — e até transformador — quando encontramos um propósito por trás dele. Tornou-se um dos livros mais influentes do século XX sobre resiliência, sentido existencial e a capacidade humana de encontrar significado mesmo nas circunstâncias mais desumanas.
Wagner Braga