A Conscienciologia e a Projeciologia

Ciências ou Pseudociências?

Uma crítica frequente à Conscienciologia e à Projeciologia é que lidam com fenômenos subjetivos, não mensuráveis pelos métodos científicos convencionais. Então, como estudar cientificamente experiências que ocorrem fora do corpo físico, em dimensões não captáveis por instrumentos?

Os defensores dessas disciplinas argumentam que:

Reprodutibilidade Subjetiva: Embora as experiências sejam subjetivas, elas são reproduzíveis. Portanto, qualquer pessoa que siga as técnicas projetivas com dedicação pode, eventualmente, ter suas próprias experiências, testando assim a validade das proposições.

Convergência de Relatos: Milhares de pessoas, de culturas diferentes, épocas distintas, sem contato entre si, relatam experiências fora do corpo com características muito similares. Então, essa convergência sugere que não se trata apenas de imaginação ou alucinação.

Efeitos Observáveis: Algumas experiências projetivas incluem elementos que podem ser verificados objetivamente. Por exemplo, há projetores que descrevem com precisão locais físicos distantes que o projetor nunca visitou fisicamente, ou informações específicas obtidas durante a projeção e posteriormente confirmadas.

Paradigma Consciencial: A Conscienciologia propõe que talvez o problema não seja a metodologia, mas sim o paradigma materialista. Tal paradigma insiste em que apenas o físico-mensurável é real. Então, um novo paradigma, o paradigma consciencial, reconheceria múltiplas dimensões de realidade e desenvolveria métodos apropriados para estudá-las.

Técnicas Práticas: Como Desenvolver a Projetabilidade

Para quem se interessa em explorar a projeção consciente, a Projeciologia oferece diversas técnicas práticas:

Relaxamento Profundo: A base de qualquer tentativa projetiva. O corpo físico precisa estar completamente relaxado, idealmente no limiar entre vigília e sono, mas mantendo a consciência lúcida.

Estado Vibracional: Técnica de movimentação energética que consiste em fazer as energias do corpo circularem intensamente, criando uma sensação de vibração que facilita o desacoplamento do energossoma.

Técnica da Visualização: Imaginar-se flutuando, saindo do corpo, pode programar a consciência para realizar essa ação quando as condições fisiológicas forem propícias.

Técnica do Alvo Projetivo: Definir antes de dormir um local específico que se deseja visitar durante a projeção, programando a consciência com um objetivo claro.

Manutenção de Diário Projetivo: Registrar sistematicamente todas as experiências, sonhos, sensações ao adormecer e acordar, desenvolvendo autoconsciência sobre os próprios padrões projetivos.

Desenvolvimento Energético: Praticar exercícios de percepção e movimentação de energias sutis aumenta a sensibilidade necessária para perceber e controlar o energossoma.

A Conscienciologia e a Projeciologia. Ciências ou Pseudociências?

Desafios e Cuidados

Como qualquer área que lida com estados alterados de consciência, a prática projetiva requer alguns cuidados:

Equilíbrio Psicoemocional: Pessoas com transtornos psiquiátricos graves, especialmente aqueles que envolvem dificuldade em distinguir realidade de fantasia, devem ter cautela ao explorar estados alterados de consciência.

Integração com a Vida Física: A prática projetiva deve enriquecer a vida física, não servir de escape. O equilíbrio é fundamental — estar bem na intrafisicalidade é tão importante quanto desenvolver habilidades extrafísicas.

Cosmoética: Usar as capacidades desenvolvidas de forma ética, pensando nas consequências evolutivas, evitando voyeurismo, invasão de privacidade ou manipulação.

Discernimento: Nem toda experiência extrafísica é elevada ou lúcida. Assim como no mundo físico há informações falsas e pessoas mal-intencionadas, o mesmo ocorre em dimensões extrafísicas. Então, desenvolver discernimento é essencial.

Conscienciologia, Projeciologia e Outras Tradições

É importante notar que os fenômenos estudados pela Conscienciologia e Projeciologia não são novos. Diversas tradições antigas e religiões mencionam experiências similares:

  • O xamanismo, em suas múltiplas manifestações culturais, sempre trabalhou com “viagens da alma”
  • O budismo tibetano tem práticas sofisticadas de yoga do sonho e transferência de consciência
  • Místicos cristãos relataram êxtases e visões que podem ser interpretadas como projeções
  • A tradição hermética e ocultista ocidental sempre falou de “projeção astral”
  • Relatos de experiências de quase-morte (EQM) descrevem fenômenos muito similares às projeções conscientes

A contribuição específica da Conscienciologia e da Projeciologia é a tentativa de sistematizar, estudar metodicamente e democratizar o acesso a essas experiências, tirando-as do domínio exclusivo de tradições esotéricas fechadas ou de dons especiais de poucos indivíduos.

Implicações Filosóficas e Existenciais

Se as proposições da Conscienciologia e Projeciologia estiverem corretas, as implicações são profundas:

Natureza da Identidade: Não somos nossos corpos, mas consciências temporariamente utilizando corpos. Isso transforma completamente a questão “quem sou eu?”

Propósito da Vida: Cada vida ganha sentido como etapa em uma jornada evolutiva maior. O propósito não é apenas sobreviver ou buscar prazer, mas evoluir consciencialmente.

Morte: Perde seu terror ao ser compreendida como transição, não aniquilação. O medo da morte, que paralisa tanta gente, pode ser superado através da compreensão e da experiência direta.

Ética e Responsabilidade: Se existem múltiplas vidas e continuidade da consciência, nossas ações ganham consequências de longo prazo que transcendem esta existência. A ética deixa de ser apenas convenção social e se torna necessidade evolutiva.

Relacionamentos: Compreender que nos relacionamos com as mesmas consciências ao longo de múltiplas existências dá nova profundidade e significado aos vínculos que criamos.

Conclusão: Um Convite à Experiência

A Conscienciologia e a Projeciologia não pedem fé cega. Não exigem que se acredite em suas proposições sem questionamento. Ao contrário, convidam cada pessoa a investigar, experimentar, testar por si mesma a validade dessas ideias através da experiência pessoal direta, isto é, o princípio da descrença.

Contudo, somos todos potencialmente projetores conscientes. Então, a capacidade de projetar-se é natural, universal, inerente à condição de ser uma consciência. O que varia é o grau de lucidez, controle e memória que desenvolvemos em relação a essas experiências.

Num mundo onde tanto da nossa atenção está voltada para o exterior — tecnologia, redes sociais, entretenimento, consumo — essas disciplinas nos convidam a uma jornada para dentro e para além. Para dentro, no sentido do autoconhecimento profundo. Para além, no sentido de expandir nossa percepção para dimensões da realidade habitualmente ignoradas.

Seja qual for a posição que se tome em relação à validade científica dessas proposições, é inegável que elas tocam em questões fundamentais que sempre intrigaram a humanidade: O que somos além deste corpo? O que acontece quando morremos? Existe vida além da vida física? Qual o propósito da existência?

Conscienciologia e Projeciologia são disciplinas que oferecem não apenas teorias, mas métodos práticos para que cada um busque suas próprias respostas a essas perguntas eternas. E talvez, no final, independentemente de rótulos científicos ou não, qualquer caminho que nos leve a nos conhecermos melhor, a expandir nossa consciência e a viver de forma mais ética e significativa, já justifica sua existência.

A porta está aberta. A experiência aguarda. Cabe a cada um decidir se atravessará o limiar do conhecido rumo às vastas terras inexploradas da própria consciência.

Wagner Braga

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