O amor que nunca termina de nascer
A Maternidade: o amor que nunca termina de nascer — essa frase não é apenas um título bonito. É a descrição mais fiel do que tenho sentido nos últimos tempos, ao me perceber olhando para a minha própria história com olhos diferentes. Talvez porque agora eu consiga enxergar o tempo de uma forma que antes não conseguia.
E é curioso pensar nisso. Porque, quando somos jovens, imaginamos a maternidade quase sempre associada à infância dos filhos. São os cuidados, as noites sem dormir, as preocupações, a rotina intensa, o medo de errar, o desejo constante de proteger. Entretanto, ninguém nos conta que a maternidade continua existindo dentro da gente para sempre.
E Talvez este tenha sido um dos Dias das Mães mais simbólicos da minha vida: cheguei até a quarta geração, virando bisavó.
O coração que nunca se separa
Então, os filhos crescem. Criam suas próprias histórias e se afastam. Tomam decisões sem perguntar. Constroem famílias e priorizam quem está mais próximo. E, ainda assim, alguma parte nossa continua caminhando junto deles em silêncio.
Talvez ser mãe seja justamente isso: nunca conseguir separar completamente o próprio coração daqueles que vieram de nós. Hoje, olhando para as diferentes gerações da minha família, sinto algo difícil de explicar. É como assistir ao tempo acontecendo diante dos meus olhos.
O feminino e as continuidades invisíveis
Vejo traços, gestos, emoções e até formas de amar atravessando gerações inteiras. E percebo que o feminino tem muito dessa capacidade de sustentar continuidades invisíveis. Contudo, as mulheres da minha vida cuidaram umas das outras de maneiras diferentes. Algumas com palavras. Outras com presença. Outras apenas permanecendo.
E talvez eu tenha aprendido, ao longo do tempo, que o amor materno raramente é perfeito — mas quase sempre é profundo. A Maternidade é também isso — uma herança que passa de mão em mão entre mulheres, sem avisos, sem cerimônia, apenas pelo gesto de continuar.
“O amor materno raramente é perfeito — mas quase sempre é profundo. E talvez seja exatamente essa imperfeição que o torna tão humano e tão duradouro.”

A maternidade que amadurece
Hoje entendo que a maternidade também amadurece. Ela deixa de ser apenas proteção e passa a ser escuta. Deixa de ser controle e passa a ser presença. Deixa de ser apenas ensinar — e passa também a aprender.
Talvez por isso eu me emocione tanto ao perceber quantas versões de mim já existiram. Senão vejamos: a mulher jovem, a mãe insegura, a profissional tentando equilibrar tantas demandas, a avó emocionada, e agora essa bisavó que olha para a vida com mais delicadeza e consciência da impermanência.
Continuar florescendo depois de tantas travessias
Concluindo, penso que talvez exista algo muito bonito nisso tudo: a possibilidade de continuar florescendo mesmo depois de tantas travessias. Porque maternidade não é apenas sobre os filhos que geramos — é sobre quem nos tornamos ao longo do caminho de amá-los.
Porque o tempo muda nossos papéis. Mas algumas formas de amor continuam habitando a alma para sempre.
“O tempo passou — e continua passando.
Os papéis mudaram — e continuam mudando.
Mas o amor que nasce quando nos tornamos mães
não tem data de encerramento.
Ele simplesmente continua nascendo,
em cada geração que chega,
em cada olhar que reconhecemos
como parte de nós.”
Sarita Cesana
Psicóloga CRP 17-0979
@saritacesana_ @implementeconsultoria