SAÚDE: SEGUNDO PESQUISADORES DA UFRN E UFC, A RENDA É UM FATOR DETERMINANTE PARA MORTALIDADE POR COVID-19 NA CIDADE DO NATAL

Renda é fator determinante na mortalidade por Covid-19, aponta estudo da UFRN com a UFC

Grupo de pesquisadores da UFRN e UFC analisaram os dados epidemiológicos e a letalidade da doença baseado em dados de geoprocessamento dos casos e óbitos

Por GGN – Publicado em 13/07/2020 às 10:16

A renda é fator determinante na mortalidade por Covid-19. Os dados analisados para a cidade de Natal mostram que as consequências desta epidemia são severas para todos, no entanto, seus efeitos são devastadores para a população vulneráveis de baixa renda. O grupo de pesquisadores da UFRN e UFC analisaram os dados epidemiológicos e a letalidade da doença baseado em dados de geoprocessamento dos casos e óbitos. Os mapas apresentados pelos cientistas desenham um panorama das disparidades de desfecho da doença na região metropolitana.

As taxas de mortalidade – a chance de alguém com a infecção morrer por causa do Coronavírus – na cidade de Natal depende fortemente da localidade. Da mesma forma, a transmissibilidade R(t) da doença, calculados com modelo epidemiológico MOISAIC, também depende da localidade. Os cientistas mostram que a taxa da zona Norte de Natal é de 4,49% e na zona Oeste é de 4,18%, já na zona Sul é de 1,47% e na zona Leste de 2,97%. Ou seja, se dividirmos Natal em duas grandes regiões Norte-Oeste e Sul-Leste, teremos duas populações que diferem muito em renda média, condições socioeconômicas e nas taxas de mortalidade por COVID-19. A região Norte-Oeste tem renda média de R$ 470,00 e a região Sul-Leste apresenta renda média de R$ 1603,00 com base no censo IBGE de 2019.

Ou seja, se dividirmos Natal em duas grandes regiões Norte-Oeste e Sul-Leste, teremos duas populações que diferem muito em renda média, condições socioeconômicas e nas taxas de mortalidade por COVID-19”, explicou um dos pesquisadores a frente do trabalho, professor José Dias do Nascimento, do Departamento de Física da UFRN.

O estudo aponta para a seguinte questão: Por que os residentes da zona norte e oeste de Natal apresentam uma taxa de mortalidade por Coronavírus, duas vezes maior do que as pessoas que vivem nas zonas Sul e Leste? Levando-se em conta diversos fatores, parece improvável que isso se deva somente à qualidade dos cuidados hospitalares que eles estão recebendo no momento, uma vez que os hospitais de referência são praticamente os mesmos para toda a população. Este estudo, aponta para evidências fortes na direção de uma série de vulnerabilidades subjacentes e contribuintes para à morte por infecção e com causas ligadas, principalmente à desigualdade de renda e outras formas de disparidades.

“A Covid-19 é uma lupa de aumento dos problemas socioeconômicos estabelecidos ao longo dos anos. O Brasil sofrerá particularmente se a Covid-19 não for controlada a tempo. A pandemia poderá se transformar de forma muito rápida em uma crise humanitárias com forte viés socioeconômico”, argumentou o professor da UFRN.

Uma série de fatores devem ser avaliadas para se entender melhor o que a ciência de dados e os modelos computacionais estão mostrando aqui. A suscetibilidade à morte por infecção, incluindo a prevalência em algumas regiões das metrópoles, devem fazer parte dos próximos trabalhos. O atual estudo aponta como principal resultado, a impressionante correlação estatística entre renda e taxa de mortalidade por COVID-19 na região metropolitana de Natal. Analisando os dados geoprocessados percebe-se, que em média, o isolamento social também parece ter grande correlação com as  diferentes populações. Estes mapas são peças importantes no entendimento dos próximos passos referentes a estratégia de isolamento mais restrito, gerência das soluções de mobilidade e impacto sócio econômicos das medidas.

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CIÊNCIAS: A SEROTONINA, O HORMÔNIO DA FELICIDADE PODE PROTEGER VOCÊ DE PROBLEMAS GASTROINTESTINAIS

Enfim um artigo bastante interessante sobre o hormônio da felicidade aqui na nossa coluna CIÊNCIAS deste sábado. Um estudo feito pela Universidade Southwestern (EUA) verificou que, já que 90% do neurotransmissor conhecido como serotonina é produzido no trato gastrointestinal e é responsável pelo bem estar do ser humano a serotonina produzida no intestino poderia afetar a virulência de bactérias patogênicas que infectam o trato gastrointestinal. Ao ler o artigo completo a seguir você vai entender como a serotonina, o hormônio da felicidade, pode proteger você de problemas gastrointestinais!

Felicidade pode proteger você de problemas gastrointestinais

30/06/2020

Redação do Diário da Saúde

Felicidade pode proteger você de problemas gastrointestinais

A equipe conseguiu identificar o receptor de serotonina nas superfícies das bactérias E. coli e C. rodentium: é uma proteína conhecida como CpxA.
[Imagem: Aman Kumar et al. – 10.1016/j.chom.2020.05.004]

Hormônio da felicidade

serotonina, um composto químico conhecido por seu papel na produção de sentimentos de bem-estar e felicidade no cérebro, pode também reduzir a capacidade de algumas bactérias intestinais de causar infecções mortais.

Esta descoberta pode representar uma nova maneira de combater infecções para as quais atualmente existem poucos tratamentos realmente eficazes.

Embora a grande maioria das pesquisas sobre a serotonina tenha se centrado em seus efeitos no cérebro, cerca de 90% desse neurotransmissor – um composto químico usado pelas células nervosas para se comunicar – é produzido no trato gastrointestinal, explica a professora Vanessa Sperandio, da Universidade Southwestern (EUA).

Nos seres humanos, trilhões de bactérias vivem em nosso sistema gastrointestinal. A maioria delas é benéfica, mas as bactérias patogênicas também podem colonizar o trato gastrointestinal, causando infecções graves e potencialmente fatais.

Serotonina desarma bactérias

Como as bactérias intestinais são significativamente afetadas pelo ambiente, os pesquisadores se perguntaram se a serotonina produzida no intestino poderia afetar a virulência de bactérias patogênicas que infectam o trato gastrointestinal.

Eles trabalharam com a Escherichia coli O157, uma espécie de bactéria que causa surtos periódicos de infecções transmitidas por alimentos, frequentemente com casos fatais.

As bactérias patogênicas foram cultivadas em placas de Petri no laboratório, e então expostas à serotonina. Testes de expressão gênica mostraram que a serotonina reduziu significativamente a expressão de um grupo de genes que essas bactérias usam para causar infecções.

Experimentos adicionais, usando cobaias e células humanas, mostraram que a bactéria não consegue mais causar lesões associadas à infecção nas células depois que elas são expostas à serotonina.

Indo adiante na pesquisa, a equipe conseguiu identificar o receptor de serotonina nas superfícies das bactérias E. coli e C. rodentium: é uma proteína conhecida como CpxA. Como muitas espécies de bactérias intestinais também têm CpxA, é possível que a serotonina possa ter efeitos abrangentes na saúde bacteriana do intestino.

O objetivo agora é verificar se medicamentos voltados para atuar no sistema de serotonina poderiam ser usados contra as infecções bacterianas.

“O tratamento de infecções bacterianas, especialmente no intestino, pode ser muito difícil,” comenta a professora Sperandio. “Se pudéssemos redirecionar o Prozac ou outras drogas da mesma classe, isso poderia nos dar uma nova arma para combater essas infecções desafiadoras”.

Checagem com artigo científico:

Artigo: The Serotonin Neurotransmitter Modulates Virulence of Enteric Pathogens
Autores: Aman Kumar, Regan M. Russell, Reed Pifer, Zelia Menezes-Garcia, Santiago Cuesta, Sanjeev Narayanan, John B. MacMillan, Vanessa Sperandio
Publicação: Cell Host and Microbe
DOI: 10.1016/j.chom.2020.05.004

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BOAS NOTÍCIAS: UMA GARI DAS FILIPINAS, MÃE DE 7 FILHOS, CONSEGUE SE FORMAR NA FACULDADE EM PLENA QUARENTENA

Ofelia Mondaya, uma gari residente em Batangas, nas Filipinas é o destaque da nossa coluna BOAS NOTÍCIAS desta quarta-feira. Ofelia, além de gari é mãe de 7 filhos. Apesar da vida difícil ela conseguiu aproveitando a quarentena para rachar de estudar, acelerar as matérias e se formar na faculdade. Uma linda história que você vai conhecer lendo o artigo completo a seguir!

Gari, mãe de 7, aproveita quarentena e se forma na faculdade

Uma gari aproveitou a quarentena para rachar de estudar, acelerar as matérias e conseguiu se formar na faculdade.

Ofelia Mondaya tem 55 anos e sete filhos. Ela limpa as ruas de Batangas, nas Filipinas e concluiu o curso de Administração de Empresas em uma universidade local.

Ofélia disse que nunca perdeu o foco de conseguir um diploma universitário, por mais cansada que estivesse após um árduo turno de trabalho, ou depois de ajudar seus 7 filhos com as tarefas todos os dias.

Inspiração

Ofelia Monday virou inspiração na cidade e ganhou manchetes nos jornais locais pela bela história de superação.

Em uma entrevista à Brigada News , Ofelia falou do sacrifício, da autoconfiança para realizar seu sonho e estimulou todos que duvidam de si mesmos a sair e encontrar o que querem: Se ela pode, todos poderem, afirmou.

“Para aqueles que sonham na vida, não lhes dê uma razão para fracassar. A oportunidade está sobre nós, devemos nos sacrificar para alcançar nossos sonhos “, lembrou.

História

Ofelia estudou pela primeira vez no sistema de aprendizado alternativo do Departamento de Educação em 2014, antes da faculdade.

Os bons resultados acadêmicos fizeram a gari conseguir uma bolsa do governo local, o que ajudou bastante para que ela terminasse os estudos.

Com seu diploma de administradora de empresas, agora Ofelia espera sair das ruas.

Ela sonha em ter um emprego estável, para ter mais tempo para descansar e ficar com a família.

Ofélia Mondaya formada - Foto: Notícias Brigada
Ofélia Mondaya formada – Foto: Notícias Brigada

Com informações do BrigadaNews e UpSocl

Fonte: Só Notícia Boa

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BOAS NOTÍCIAS: ESTUDO CONCLUI QUE O HORMÔNIO DO AMOR E DO HUMOR PREVINE OSTEOPOROSE

Um estudo sobre a prevenção da osteoporose é o destaque da coluna BOAS NOTÍCIAS desta segunda-feira. Pesquisadores da Unesp, Universidade Estadual Paulista de Araçatuba, no interior de São Paulo descobriram que a ocitocina O hormônio do amor e do humor pode ser usado no controle e prevenção da osteoporose. Leia o artigo completo a seguir e saiba dos detalhes!

Hormônio do humor e do amor previne osteoporose, diz estudo

O hormônio do amor e do humor, que faz a gente ficar mais animado e feliz, também pode ser usado no controle e prevenção da osteoporose.

Foi o que descobriu um estudo da Unesp, Universidade Estadual Paulista de Araçatuba, no interior de São Paulo. Os cientistas descobriram que a ocitocina, hormônio produzido pelo hipotálamo, conseguiu reverter fatores que reduzem a densidade e resistência ósseas.

“Nosso estudo tem como enfoque a prevenção da osteoporose primária; por isso investigamos mecanismos fisiológicos que ocorrem no período pré-menopausa. Nessa etapa da vida da mulher, medidas de prevenção podem evitar que os ossos se tornem frágeis e que ocorram fraturas, o que poderia reduzir a qualidade e a expectativa de vida,” explica a professora Rita Menegati Dornelles, da Unesp de Araçatuba.

Renovação do osso

Os pesquisadores aplicaram em cobaias duas doses do hormônio ocitocina – com 12 horas de diferença entre uma injeção e outra.

Na comparação com o grupo controle, os animais que receberam as doses de ocitocina não apresentaram sinais de perda de densidade óssea.

“A ocitocina ajuda a modular o ciclo de remodelação óssea das ratas senescentes. Os animais que receberam o hormônio tiveram aumento dos marcadores bioquímicos associados à renovação do osso, como a expressão de proteínas que favorecem a formação e a mineralização óssea,” disse Rita.

Menopausa

“Estuda-se muito a pós-menopausa, quando a mulher deixa de menstruar. No entanto, as oscilações hormonais que ocorrem antes, na perimenopausa, já são bastante fortes e estão relacionadas com a diminuição gradual da densidade óssea. É preciso haver estudos visando a prevenção da osteoporose nessa fase, pois o período após a menopausa representa cerca de um terço da vida e deve ser vivido com qualidade,” reforçou Rita.

Ocitocina

Estudos mais recentes mostraram que um número grande de células (além das hipotalâmicas) também secretam o hormônio.

“A ocitocina é secretada por células ósseas e nossos estudos estão evidenciando sua associação com o metabolismo ósseo de fêmeas durante o processo de envelhecimento. Geralmente, mulheres no período pós-menopausa, com maior índice de osteoporose, apresentam concentrações mais baixas de ocitocina no plasma sanguíneo,” disse Rita.

As fraturas de quadril, por exemplo, têm ocorrência três vezes maior no organismo feminino.

Até 24% das pacientes morrem no primeiro ano após a fratura de quadril e o risco aumentado de morte pode persistir por pelo menos cinco anos.

Agora os cientista querem fazer novos estudos clínicos para saber o efeito da ocitocina na prevenção de osteoporose em humanos.

“O hormônio é produzido naturalmente no nosso organismo e já foi sintetizado em laboratório. Mesmo assim será necessário um longo estudo para avaliar a eficácia, a segurança e também para saber a dosagem mais indicada do hormônio,” finalizou Rita.

Com informações do Diário da Saúde

Fonte: Só Notícia Boa

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ESTUDO FEITO EM 11 PAÍSES EUROPEUS CONCLUI QUE MEDIDAS DE ISOLAMENTO SALVARAM AO MENOS 3 MILHÕES DE VIDAS NA EUROPA

Medidas de isolamento salvaram ao menos três milhões de vidas na Europa

Um estudo de 11 países europeus estima que o confinamento evitou milhões de mortes, entre elas 450.000 só na Espanha

NUÑO DOMÍNGUEZ

08 JUN 2020 – 20:53 BRT

Funcionária toma a temperatura de uma cliente em um shopping center de Madri.Funcionária toma a temperatura de uma cliente em um shopping center de Madri.

Mais de um século atrás, cidades da Europa e dos Estados Unidos viram a pior pandemia da história recente bater às suas portas. Com o aparecimento dos primeiros casos da gripe em 1918 (chamada em muitos países de gripe espanhola), os governantes de Saint Louis ordenaram o fechamento de escolas e igrejas, proibiram manifestações e desfiles e recomendaram que as pessoas ficassem em casa em quarentena. Na Filadélfia, por sua vez, só tomaram medidas várias semanas após a detecção dos primeiros casos. A mortalidade por gripe foi oito vezes maior nesta cidade ou, melhor dizendo, os governantes de Saint Louis conseguiram salvar milhares de vidas graças a uma ação rápida e vigorosa.

Um estudo divulgado nesta segunda-feira calcula quantas vidas foram salvas em 11 países europeus, graças a medidas de isolamento social contra a covid-19, que são essencialmente as mesmas de 1918. O trabalho calcula que o distanciamento social em diferentes intensidades imposto primeiro na Itália, depois na Espanha e, finalmente, nos demais países analisados, conseguiu salvar as vidas de mais de três milhões de pessoas. Somente na Espanha, cerca de 450.000 mortes Covid teriam sido evitadas, estima o trabalho, publicado na revista Nature.

O estudo foi realizado pela equipe de modelagem de dados liderada pelo Imperial College London, que colabora com a Organização Mundial de Saúde no estudo de epidemias. Além da Espanha, foram estudados Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Noruega, Suécia, Suíça e Reino Unido. O trabalho usa a cifra de mortes em cada país para estimar o número de infecções ocorridas cerca de duas semanas antes e segue a trajetória delas desde o início da epidemia até 4 de maio, quando alguns países já começaram a relaxar as medidas de prevenção.

O trabalho mostra que as medidas tiveram efeito e que em todos os países analisados ​​o número reprodutivo (quantos novos casos existem para cada pessoa infectada já registrada) caiu abaixo de um, considerado um nível que já impede a propagação do vírus. Se nenhuma ação tivesse sido adotada, os especialistas estimam que esses países teriam registrado mais 3,1 milhões de mortes.

“A taxa de transmissão do vírus caiu até estar sob controle em todos os países estudados”, constata Shamir Batt, estatístico da Universidade Oxford e coautor do estudo. “Agora, o importante é avaliar quais medidas devem ser mantidas para que a transmissão permaneça sob controle”, destaca. A queda média no número de reprodução foi de 81% nos países analisados.

Esse tipo de modelo é polêmico porque não consegue reproduzir a complexidade da evolução de uma epidemia em cada país, com as diferenças inerentes a cada um deles. Por exemplo, no final de março, essa mesma equipe previu que 15% da população havia sido infectada na Espanha, sete milhões de infectados. Os números oficiais mostravam apenas 79.000 casos.

Nesta ocasião, os autores recalcularam e concluíram que 5,5% da população foi infectada na Espanha, número próximo dos 5% indicados pela primeira etapa do levantamento sorológico realizado com 60.000 pessoas. Segundo os dados do estudo, a Espanha é um dos países mais contagiados, só superado pela Bélgica, onde se estima que 8% da população tenha sido infectada. Os países com menor prevalência seriam Noruega (0,46%) e Alemanha (0,85%).

Os próprios autores do trabalho reconhecem que uma de suas principais limitações é que se baseiam em número de mortes confirmadas por covid-19 em cada país, um dado que possivelmente não é de todo confiável. Neste trabalho, eles coletaram dados de mortes de uma única fonte: a contagem realizada pelo Centro Europeu de Controle de Doenças. Como a maioria dos países adotou muitas medidas quase simultaneamente, por exemplo, fechamento de escolas, a limitação dos deslocamentos ou o teletrabalho, os autores não observam o efeito de cada uma delas, mas do conjunto.

“Estes dados devem ser tomados com ceticismo; provavelmente são superestimados”, alerta Miguel Ángel Martínez-Beneito, bioestatístico da Universidade de Valência e promotor do atlas de mortalidade da Espanha. “Se em nosso país a taxa de mortalidade está em torno de 1%, isso significa que o modelo do Imperial College calcularia quase 47 milhões de infectados, que é toda a população espanhola. Isso é impossível, pois a imunidade do grupo seria alcançada se 60% fossem infectado”, destaca.

“Os próprios autores destacam no estudo que seu cálculo de vidas salvas assume que apenas as medidas oficiais contribuíram para reduzir o número reprodutivo”, explica Saúl Ares, pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia do CSIC. “Obviamente não é esse o caso. Mesmo que não tivessem sido tomadas medidas oficiais, em algum momento as pessoas teriam se trancado em casa sozinhas. De fato, isso já estava acontecendo. Em nossa análise dos dados, pudemos ver desde o início que a epidemia se espalhava cada vez mais lentamente antes mesmo de as medidas serem tomadas, e isso porque as próprias pessoas começaram a ser cada vez mais cautelosas”, acrescenta.

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ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE: VÍDEOS INCRÍVEIS FLEGRAM UMA BALEI JUBARTE AMAMENTANDO SEU FILHOTE NA COSTA DO HAVAI

Um fato belíssimo e muito raro é o nosso destaque da coluna ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE deste domingo, que só foi possível por causa de alta tecnologia em vídeo e grande habilidade dos pesquisadores para conseguir instalar câmeras nos corpos das baleias e proporcionar imagens raríssimas de um bebê baleia jubarte mamando na baleia mãe. Leia a reportagem completa a seguir, assista aos vídeos a seguir e saia do tédio nesse domingo de quarentena!  

Biólogos flagram baleia amamentando filhote no Havaí. Vídeo

Os pesquisadores queriam entender  como as fêmeas lidavam com os filhotes e acabaram gravando a mais linda das imagens: uma jubarte amamentando o filhote.

O momento íntimo foi feito com câmeras especiais colocadas nos próprios filhotes, o que permitiu que os pesquisadores medissem a velocidade do nado e momentos únicos desses mamíferos subaquáticos.

“Podemos realmente ver o que esses animais estão vendo, encontrando e experimentando. São imagens raras e únicas, o que nos permite quantificar esses eventos de amamentação que são tão importantes”, disse Lars Bejder, diretor do Programa de Pesquisa em Mamíferos Marinhos dos EUA.

O programa é da Universidade do Havaí, em colaboração com o Goldbogen Lab da Universidade de Stanford e o Friedlander Lab da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

Como

A equipe usou um drone no projeto e gravou um clipe.

As câmeras colocadas nos mamíferos foram recuperadas via acompanhamento por satélite.

As imagens foram captadas em fevereiro e publicadas agora em abril.

As imagens extraordinárias fornecem aos pesquisadores novas informações sobre o comportamento de repouso de baleias e filhotes.

Cerca de 120 baleias foram estudadas, no total.

Migração

As baleias-jubarte migram para Maui, no Havaí, durante os meses de inverno no hemisfério norte, ou seja, entre dezembro e abril.

A cada ano, mais de dez mil desses animais se deslocam para aproveitar as águas mais rasas e quentes da região.

As jubartes podem chegar a 14 a 16 metros de comprimento e pesar até 45 toneladas.

Elas são encontradas em todo o mundo e algumas populações viajam até oito mil quilômetros de ambientes tropicais, onde se reproduzem, a ambientes mais frios, onde se alimentam. É por isso que é tão difícil estimar o tamanho dessas populações.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional americana (NOAA), de 14 populações conhecidas distintas, 12 possuem mais de dois mil animais cada, e duas tem menos do que isso.

Algumas podem ter até vinte mil animais, como as da Austrália. Essa é uma recuperação inacreditável após as mesmas populações quase serem erradicadas devido à caça, seis anos atrás.

Assista:


Veja o clipe feito com drone:

Com informações do Daily Mail

Fonte: Só Notícia Boa

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IBGE AFIRMA QUE 40% DA POPULAÇÃO ACIMA DE 18 ANOS DO RN É DO GRUPO DE RISCO PARA COVID-19

 SAÚDE

40% da população adulta no Rio Grande do Norte é do grupo de risco para Covid-19. Obesidade é o mais grave

Hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardíacas: para as pessoas que já possuem alguma dessas condições, assim como outras doenças crônicas, os cuidados com o Coronavírus devem ser redobrados pelo elevado risco de desenvolvimento de um quadro grave da doença. De acordo com as autoridades de saúde, 82,4% das mortes já registradas no Rio Grande do Norte foram em indivíduos idosos ou com comorbidades pré-existentes. A incidência desse tipo de doença deve deixar, pelo menos, um terço da população do RN em alerta: de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, feita em 2013, 21,1% das pessoas acima de 18 anos no Estado apresentavam um quadro de obesidade, enquanto outros 18,9% têm diagnóstico para hipertensão.

Os estudos clínicos existentes até o momento apontam que tanto idosos como pessoas com alguma comorbidade têm maior risco de apresentar um quadro grave de Covid-19, com chances de evoluírem para óbito. O elevado número de pessoas com comorbidades no Estado preocupa as autoridades de saúde, que calculam que são principalmente esses grupos que podem necessitar de aparatos como respiradores e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para receber o tratamento.

O infectologista Luís Alberto Marinho explica que, em muitos casos, as comorbidades já fragilizam o sistema imunológico dos indivíduos, e também podem facilitar inflamações, característica da Covid-19. “Há uma série de justificativas para isso, que varia de acordo com a comorbidade pré-existente do paciente. Os estudos e os dados existentes até então apontam que elas podem sim atingir pessoas jovens e ser um fator de risco também para essa faixa-etária”, diz o médico.

Para continiar lendo é só clicar aqui: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/doena-as-cra-nicas-atingem-40-da-populaa-a-o-adulta-no-rn/478252

TRIBUNA DO NORTE

Fonte: Blog do BG

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UTILIDADE PÚBLICA: ESTUDO DA FIOCRUZ APONTA QUE NÚMERO DE INTERNAÇÕES POR SRAG EM 2020 É O MAIOR DESDE 2010

 

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra um aumento expressivo nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano no Brasil em comparação com a média dos últimos dez anos.

Esses dados, de acordo com a Fiocruz, infectologistas, epidemiologistas e outros especialistas ouvidos pelo G1, indicam uma subnotificação dos casos da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2.

SRAG, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, é uma doença respiratória grave que exige internação e é causada por um vírus, seja ele o novo coronavírus, o influenza ou outro. Os casos são relatados pelos hospitais ao Ministério da Saúde, e a Fiocruz consolida e divulga esses dados pela plataforma Infogripe.

Na contagem da Fiocruz até 4 de abril deste ano, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG, muito acima da média desde 2010, de 3,9 mil casos. Mesmo em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano.

“O número de casos está muito alto. Completamente fora do padrão”, afirma Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe, da Fiocruz.

Os motivos, segundo ele, são:

  • Há mais hospitalizações em decorrência da Covid-19
  • E a velocidade com que o vírus se espalha é maior que em anos anteriores (há uma “maior rapidez de disseminação”)

Um terceiro fator, diz, é que o sistema da Fiocruz passou a receber um número maior de notificações de hospitais privados. Por isso, a comparação deste ano com os anteriores não é perfeita. Mas, segundo Gomes, mesmo descontando os dados de hospitais privados, a alta seria expressiva.

“Outro fator, cuja contribuição não é tão grande, é o fato de que nos últimos anos quem reportava fundamentalmente era praticamente só a rede pública. E, neste ano, a rede privada também passou a reportar. Mas a contribuição não é tão grande quanto os outros [fatores].”

Os cientistas da Fiocruz listam três motivos que apontam o Sars-Cov-2 como o responsável pelo expressivo crescimento dos casos:

  1. aumento das internações fora da época
  2. idosos como os mais afetados
  3. percentual de testes negativos para outras gripes mais alto

“Não tem nada que justifique o aumento do número de casos de idosos. A gente teve até vacinação antecipada dessas pessoas neste ano. Pode ter certeza que é Covid-19. É provavelmente quase tudo Covid-19. Não tem outra explicação pra isso”, afirma o epidemiologista, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Antonio Bandeira.

Número de internações por síndromes respiratórias é muito maior neste ano, o que indica uma subnotificação de casos de Covid-19 — Foto: Guilherme Gomes/G1

Número de internações por síndromes respiratórias é muito maior neste ano, o que indica uma subnotificação de casos de Covid-19 — Foto: Guilherme Gomes/G1

Além disso, o último boletim do Ministério da Saúde mostra que há mais de 20 mil casos de SRAG ainda em investigação, aguardando o diagnóstico.

Fora de época

O rápido aumento das internações por problemas respiratórios aconteceu neste ano em uma época em que normalmente não há muitos casos. O normal é que os casos comecem a aumentar junto com o frio, no fim do outono e início do inverno. Não foi o que aconteceu em 2020.

“A chegada da Covid-19 ocorreu durante a estação do ano em que a atividade dos vírus respiratórios é, em geral, baixa”, afirmam os pesquisadores da Fiocruz. “Apenas em 2010 e 2016 a sazonalidade da SRAG ocorreu mais precocemente (no final do verão e outono) na maioria dos estados brasileiros, com predominância do vírus da Influenza A.”

A preocupação dos especialistas é que a situação se agrave no inverno, quando os outros vírus começam a causar internações por SRAG, o que pode causar uma sobrecarga ainda maior ao sistema de saúde.

“O aumento da hospitalização por SRAG tão precocemente em 2020 chama a atenção, uma vez que existe a tendência de aumento de casos entre o outono e o inverno, sobretudo nos estados de maior latitude (mais ao sul)”.

Idosos x crianças

O estudo da Fiocruz foi motivado pelo rápido aumento dos casos sem identificação da doença. Ao analisar os números, os pesquisadores viram que havia uma mudança no perfil dos pacientes. As gripes comuns, registradas nos anos anteriores, afetavam principalmente crianças, com menos de 2 anos.

Já os casos novos são predominantemente de idosos e pessoas com comorbidades, como diabetes, uma característica da Covid-19.

Das internações por SRAG em 2020, 36% foram de idosos, com mais de 60 anos. Já os pacientes com menos de 2 anos responderam por apenas 10% dos casos

Idosos integram principal grupo de risco para Covid-19 e compõem o maior percentual de internados por síndromes respiratórias neste ano — Foto: Helene Santos/SVM

Testes negativos e aguardando resultado

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores da Fiocruz foi o grande número de testes negativos para outras gripes, como Influenza A, o tipo mais comum. O índice chegou a 91%. Segundo os especialistas, isso indica que o motivo da SRAG é outra doença, nova.

“Chama a atenção a alta negativação dos testes laboratoriais de SRAG na vigilância, tanto historicamente, como em 2020”, afirmam os pesquisadores. “A negativação dos testes alcançou 91%, um nível antes não encontrado.”

Além disso, não há testes disponíveis de Covid-19 para todos os pacientes. E mesmo entre os que foram testados, muitos ainda aguardam o resultado.

Professor mostra ano ‘fora da curva’

O professor de estatística da UFRN Marcus Nunes analisou os dados do Infogripe, da Fiocruz, e fez dois gráficos, mostrando como o número de casos em 2020 está em um patamar muito acima do restante, inclusive 2016, quando houve o surto de H1N1.

Todos os meses, ele escolhe um tema para fazer uma análise estatística e mostrar para seus alunos na faculdade, que também é publicada em seu blog.

O professor diz que viu que não havia testes suficientes no Brasil e resolveu buscar os dados de problemas respiratórios para conferir se havia subnotificação da Covid-19. Depois de analisar os dados do Infogripe, concluiu que essa probabilidade é muito alta. “O gráfico mostra claramente que 2020 é um outlier (fora da curva)”, diz.

Nunes publicou também um site com as curvas para cada estado, mostrando a diferença de número de casos entre cada ano. Em estados como RJ, MG e CE, a discrepância é ainda maior.

Especialistas apontam subnotificação

Antonio Bandeira, epidemiologista, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que o alto número de internações deixa clara a subnotificação, assim como o perfil das vítimas. “[O fato de ter mais idosos] é por causa do Covid-19. Não tenho nem dúvida.”

“A SRAG é um quadro com maior gravidade respiratória associada a manifestações virais. Ela não vai diferenciar que tipo de vírus é de acordo com os sintomas, não. Ela pode ser causada por qualquer um desses vírus, Influenza, Covid, H1N1. Em tempos normais, sem pandemia, ela geralmente reflete casos de Influenza, porque dentro desses vírus é o mais comum ano a ano. Mas a Covid-19 reproduz um quadro respiratório. Então esse número deve refletir as duas coisa juntas.”

“Não tem como saber sem testes o que é cada um. No início do ano, na Bahia, tinha muito mais Influenza dando nos testes. Agora não. Tem muito mais Covid do que Influenza. Só que como a demanda de Covid ficou muito grande, a gente tem que esperar para mostrar os resultados de tudo isso” , afirma.

Paulo Inácio Prado, que trabalha com biologia quantitativa e é integrante Observatório Covid-19, grupo voluntário de pesquisadores, diz que o estudo da Fiocruz tem uma importância muito grande. “Eles foram os primeiros a perceber que estavam detectando provavelmente os casos de Covid”, diz. “Esses dados confirmam a hipótese da equipe da Fiocruz de que a gente estava tendo um aumento muito importante dos casos de SRAG e que isso se deve muito possivelmente à Covid-19”

“A grande pergunta é por que a gente tem tantos casos ainda não testados, se entre os testados a gente uma taxa de 70% para o Covid?”, questiona. “Acho importante distinguir duas coisas diferentes que afetam esses dados. Uma é o atraso de notificação. Uma parte já aconteceu e vai ser registrado. A segunda é a subnotificação mesmo. Significa que o sistema não está conseguindo notificar todos os casos.”

Tulio Batista Franco, sanitarista da Universidade Federal Fluminense, diz que esse fenômeno da subnotificação é visível no país todo.

“Está muito acima. Como não tem testagem, tem a síndrome respiratória aguda grave, mas a verdade é que a maioria está morrendo de Covid-19”, afirma.

O especialista diz que, como não há a testagem adequada, “cada um fala o que quer”. “Não se está conseguindo dar o diagnóstico correto para as pessoas. Você não tem o teste para se contrapor ao número do governo.”

Sérgio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, também diz que o número “não é normal”.

“É por causa da circulação da Covid-19. Porque o coronavírus é mais transmissível e mais contagioso. A gente achava que o H1N1 era muito mais agressivo, e muito pelo contrário.”

Para Patrícia Canto, pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública, com uma notificação baixa, a estimativa da mortalidade da doença também não é real. “Você só está testando os casos graves. Se você tivesse o total, alteraria. Então, com certeza, a taxa de mortalidade cairia se você tivesse uma testagem maior, porque você aumenta o número de pessoas infectadas.”

“Outra coisa é que a gente tem um impacto mais sentido nos profissionais de saúde. Então o profissional de saúde que está acometido da doença, ele precisa do exame para poder retornar ou para manter a sua quarentena. A questão dos testes é fundamental”, diz. “O fato de a gente não testar a população traz pra gente um subdimensionamento dos números. Então se a gente pensa que, cada um desses casos contaminou pelo menos 2, 3 [pessoas], se não forem mais, a gente tem que multiplicar por pelo menos 3 o número de infectados na população.”

Sem saber o número real de infectados, o planejamento dos sistemas de saúde fica prejudicado, segundo ela. “Se a gente consegue avaliar que, em determinados locais, você está com um número maior de casos, você drena melhor os seus sistemas de vigilância e de ações de serviços de saúde e até de equipagem dos dispositivos hospitalares. Você pode enviar médicos. Você acaba sabendo isso pela gravidade dos casos. Se você tivesse uma dosagem mais ampla, uma testagem mais ampla, você talvez pudesse se antecipar à gravidade dos casos e aí você consegue manejar melhor a questão de leitos, de respiradores ou mesmo de profissionais de saúde.”

O que preocupa, segundo a especialista, é o impacto desse quadro. “O problema é, em pouco tempo, os sistemas ficarem sobrecarregados e não termos leitos de UTI e respiradores/ventiladores mecânicos para o grande número de pacientes que se avolumam ao mesmo tempo. Os serviços são estruturados para a população em situações normais, não para situações de pandemia, como estamos vivendo agora. E a gente não pode esquecer que as outras situações continuam acontecendo. As pessoas ainda infartam, as pessoas ainda têm apendicite, as pessoas ainda têm infecções bacterianas. E agora estamos começando a época do ano em que a gente tem as doenças respiratórias sendo mais prevalentes também. Então a gente vai ter uma sobreposição da pandemia, que, por si só, já esgota o nosso sistema de saúde, sobreposta às outras doenças que a gente espera encontrar na população, em especial nessa época do ano.”

“As pessoas ficando mais em casa, a gente tende a protegê-las de exposições a esses vírus respiratórios de um modo geral, tanto que essa é uma das principais estratégias no combate a essa pandemia. Com isso, você reduz, por exemplo, essa transmissão para crianças. As crianças não estão indo às escolas, não estão indo às creches. Com isso, você tende a diminuir essas infecções respiratórias”, afirma.

“Uma outra coisa que a gente espera, seguindo o perfil dos outros países que nos antecederam à pandemia, é que as condições mais graves da doença da Covid 19 aconteçam nas pessoas com comorbidades e com idades mais elevadas, com pacientes acima de 60 anos, aumentando essa internação, então, nessas faixas etárias. Isso tem a ver com o perfil da doença, e a redução de infecção nas crianças muito provavelmente tem relação com o fato de elas estarem mais em casa”, diz Patrícia.

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GRUPO INDEPENDENTE DOS EUA RECRUTA COBAIAS PARA SE INFECTAREM COM COVID-19 PARA TESTAR VACINA

 SAÚDE

Grupo recruta voluntários para se infectarem de propósito com Covid-19 em estudo de vacina

Um grupo independente baseado nos EUA está angariando voluntários que aceitem ser infectados deliberadamente com o novo coronavírus para acelerar o teste de uma vacina contra a doença. Batizada de 1 Day Sooner, a iniciativa angariou mais de 1.700 voluntários em mais de 40 países, em menos de um mês, mesmo antes de existir uma vacina pronta para teste de eficácia.

Ensaios clínicos com infecção deliberada de voluntários, chamadas no meio de pesquisa de “estudos de desafio humano”, já foram usados em pesquisas de doenças de baixa letalidade, e não são muito comuns. A ideia de viabilizá-los agora ganhou força após um artigo do epidemiologista Marc Lipsitch, da Universidade Harvard, defender que pesquisas nesse molde sejam feitas com imunizantes candidatos que surgirem contra a Covid-19.

A ideia do 1 Day Sooner é ajudar cientistas a acelerarem a fase 3 de um eventual teste clínico, a etapa mais demorada, responsável por provar a eficácia da vacina. As fases 1 e 2 têm como função avaliar segurança e produção de imunidade, e não se beneficiariam de uma eventual infecção.

O problema de esperar por uma vacina desenvolvida com um teste de fase 3 normal é que o produto precisa ser aplicado em milhares de pessoas, e a eficácia só pode ser avaliada no caso daqueles que se infectarem inadvertidamente.

“Isso pode ser tanto complexo quanto lento”, afirma o manifesto divulgado pelo 1 Day Sooner, liderado por Josh Morrison, diretor da ONG Waitlist Zero, que promove doação de órgãos. “Muitas pessoas tentarão ser cuidadosas durante o surto — praticando autoisolamento, por exemplo — e pode passar muito tempo e ser preciso um grande número de voluntários até que um teste de fase 3 produza resultados significativos.”

A ideia do estudo de desafio é tomar um atalho, explica o manifesto: “Se todos os participantes de um estudo forem expostos ao patógeno em condições extremamente controladas, poderíamos necessitar de um número muito menor de voluntários e, com sorte, desenvolver uma vacina segura, efetiva e amplamente disponível num período de tempo muito mais curto.”

No site que o projeto 1 Day Sooner colocou no ar (1daysooner.org), quem estiver disposto a se listar como voluntário pode preencher um formulário e deixar seus contatos. O cadastro pode vir a ser usado, no futuro, por pesquisadores que buscam participantes para um estudo de desafio.

Ensaios clínicos desse tipo são difíceis de articular porque a avaliação de comitês de ética em pesquisa e as salvaguardas jurídicas são complicadas de negociar. No início do século 20, vacinas de varíola e gripe chegaram a ser testadas em esquema de desafio, mas a abordagem acabou caindo em desuso à medida que as padrões éticos para pesquisa foram ficando mais rigorosos.

Direito ao risco

Na base da discussão sobre um eventual teste de desafio com Covid-19 estão duas questões: a avaliação de risco e o direito de indivíduos de se submeterem a esse risco. Lipsitch, de Harvard, defende que a emergência e a dimensão da epidemia de Covid abrem espaço para essa abordagem.

“Obviamente, desafiar voluntários com esse vírus vivo arrisca induzir doença severa e, possivelmente, até a morte”, ponderam o epidemiologista e seus coautores no artigo em que defenderam a estratégia, no “The Journal of Infectious Diseases”. O texto também é subscrito pelo imunologista Peter Smith, de Harvard, e pelo bioeticista Nir Eyal, da Universidade Rutgers.

O GLOBO

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CIÊNCIAS: ESTUDO APONTA QUE FECHAMENTO DE ESCOLAS E CRECHES AMPLIA A DESIGUALDADE DE GÊNERO

Um estudo elaborado por economistas de universidades americanas é o destaque da nossa coluna CIÊNCIAS desta terça-feira. O estudo avalia as consequências do fechamento das escolas durante o isolamento social da pandemia nos postos de trabalhos entre homens e mulheres e concluiu que as mulheres saem bem mais prejudicadas do que os homens. Leia o artigo completo a seguir e entenda como na complexidade do estudo se chegou a essa conclusão!

Fechamento de escolas e creches por coronavírus amplia desigualdade de gênero, diz estudo

Estudo aponta sobrecarga de tarefas domésticas e perdas de vagas em áreas que empregam mais mulheres

Giovanni Coletti/Divulgação

Participantes do ato Calcinhaço da Democracia, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Mulheres protestaram em março contra falas de deputados. Assembleia é a única do país que não tem deputada mulher

O debate econômico tem sido dominado por análises sobre os sinais de forte contração da economia na esteira da Covid-19, os efeitos das diferentes estratégias de contenção do vírus e a urgência de medidas de proteção a setores mais vulneráveis.Mas a essa lista começam a ser adicionados outros prováveis efeitos colaterais da crise. Pesquisadores de duas universidades americanas e uma alemã escreveram um artigo que debate o impacto da pandemia sobre a equidade entre mulheres e homens no mercado de trabalho.

Eles concluíram que os efeitos imediatos deverão ser negativos para mulheres, ainda que, no longo prazo, mudanças culturais possam favorecer um maior equilíbrio.

O estudo, intitulado “The Impact of Covid-19 on Gender Equality”, foi publicado para discussão pelo NBER (National Bureau of Economic Research), centro de pesquisa responsável por datar recessões nos Estados Unidos.

Os economistas — dois deles da Universidade Northwestern, um da Universidade da Califórnia e outra da Universidade de Mannheim — ressaltam que o fechamento de escolas e creches é um dos principais aspectos desta crise que ampliará as desigualdades de gênero.

O aumento da participação laboral feminina, nas últimas décadas, não eliminou o desequilíbrio na distribuição de tarefas domésticas entre homens e mulheres, o que inclui o cuidado com os filhos.

Segundo os pesquisadores, isso se deve ao fato de os homens estarem em profissões que pagam maiores salários e ainda exercerem um poder de barganha relativamente maior do que o das mulheres.

Normas sociais e culturais também são causas importantes da desigualdade. “Os fatores que levam a esses arranjos continuarão a existir [durante esta crise]”, diz um trecho do estudo.

O problema é que isso se dará em um cenário em que 1,5 bilhão de crianças está sem aulas presenciais, segundo a Unesco (braço das Nações Unidas dedicado à educação).

Nos Estados Unidos, as mulheres casadas empregadas em tempo integral são responsáveis por 60% das horas destinadas pela família ao cuidado com os filhos.

Se esse percentual se mantiver no tempo em que as escolas permanecerem fechadas, redundará em 12 horas semanais adicionais de atenção às crianças para as mães contra 8 para os pais.

“Na ausência de arranjos flexíveis de trabalho, uma outra consequência é que um dos cônjuges terá de parar, temporariamente, de trabalhar”, afirma trecho da pesquisa.

Com base na atual divisão de trabalho, esse ônus deverá recair sobre a mulher.

No Brasil, o desequilíbrio na divisão dos afazeres domésticos e cuidados com filhos também é grande.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, em 2018, as mulheres que tinham uma ocupação profissional dedicavam 18,5 horas semanais às tarefas da casa e da família, contra 10,3 horas destinadas pelos homens.

Segundo Lorena Hakak, professora da USP (Universidade de São Paulo) que estuda a economia da família, essa disparidade tende a se reproduzir nesta crise.

“Como a divisão do trabalho no domicílio é desbalanceada, isso deve se manter durante a quarentena”, diz.

Ela destaca que há disparidade nas divisões de tarefas domésticas mesmo entre profissionais com a mesma ocupação.

Dados do IBGE, de 2014, levantados pela pesquisadora mostra que o número de horas semanais dedicadas por médicas e médicos a afazeres domésticos era, respectivamente, 12,3 e 7, por exemplo.

“Como os médicos desempenham um papel profissional crucial nesta crise, essa área é um bom protótipo do desequilíbrio que pode ocorrer”, diz.

O grupo de estudiosos estrangeiros que escreveu sobre esse tema ressalta que as dificuldades de mulheres que já criam seus filhos sozinhas serão ainda mais agudas.

Outro alerta da pesquisa sobre o coronavírus se refere à maior vulnerabilidade de profissões mais tipicamente femininas às consequências do tipo de recessão que viveremos.

Crises anteriores, como a que se seguiu ao colapso financeiro de 2008, afetaram mais setores com grande fatia de emprego masculino, como a construção civil e a indústria.

Por que agora seria diferente? Segundo os estudiosos, devido aos canais econômicos que afetarão a demanda e a oferta. O isolamento social beneficiará profissões que consigam se adaptar melhor ao trabalho remoto.

Estatísticas dos EUA mostram que 28% dos homens ocupados atuam em segmentos em que mais de 50% dos trabalhadores já afirmavam, antes da pandemia, ser possível o teletrabalho.

Já a parcela de mulheres na mesma situação equivale a 22% da mão de obra feminina.

Ao mesmo tempo, a contração deverá ser maior para serviços como educação e atenção pessoal, nos quais prevalece a mão de obra feminina.

Os riscos desse cenário vão além de uma redução momentânea —e reversível— da participação laboral feminina. Estudos mostram que pausas na carreira das mulheres são associadas a efeitos negativos duradouros, como queda de seus salários no longo prazo.

Apesar da persistência desses aspectos negativos, nos últimos anos, pesquisadores também vinham analisando mudanças positivas relacionadas a gênero e trabalho.

Um estudo de Lorena, da USP, e Sergio Firpo, do (Insper), investigou o impacto de mudanças na escolaridade e na participação laboral de mulheres casadas sobre a desigualdade de renda no país.

Eles concluíram que o aumento na fatia de esposas trabalhando assim como seu avanço salarial relativo ao de seus maridos contribuíram para uma queda na disparidade de rendimentos, medida pelo índice de Gini.

O indicador varia de 0 a 1 e, quanto mais alto for, aponta maior desigualdade.

Firpo e Lorena mostram que, se a participação das mulheres casadas no mercado de trabalho não tivesse aumentado desde 1992, o índice de Gini teria chegado a 2014 em 0,507 e não nos 0,499 registrados de fato.

Embora ainda ganhem, em média, bem menos do que os homens, as esposas tiveram um aumento salarial relativo aos maridos. Sem esse efeito, o índice de Gini, em 2014, seria 0,511.

“Tanto o aumento da participação das mulheres casadas no mercado como a queda de sua distância salarial em relação aos homens casados elevaram a renda do casal para um maior número de famílias, diminuindo as diferenças entre elas”, diz Lorena.

Outro fator analisado foi o impacto da queda nos prêmios educacionais, que são a fatia da renda associada aos anos de escolaridade a mais de um trabalhador.

No Brasil, ao contrário do que ocorre em vários países ricos, essa parcela salarial extra explicada pela conclusão do ensino médio ou superior vem caindo. Isso se deve ao aumento da oferta de mão de obra com maior escolaridade.

Lorena e Firpo descobriram que a queda dos prêmios salariais dos casais mais escolarizados também teve impacto significativo sobre a queda da desigualdade de renda no país. Sem esse movimento, o índice de Gini em 2014 seria 0,534.

Esses três fatores atuaram na direção contrária à de outros movimentos que frearam a queda da desigualdade no período estudado. Uma delas foi o aumento na fatia de casamentos entre mulheres e homens com muitos anos de estudo.

Com salários maiores – mesmo no contexto de queda dos prêmios educacionais-, a renda desses casais muito escolarizados é bem maior do que a de outros com menor qualificação.

“As pessoas parecem estar se selecionando mais. Há mais mulheres ricas casando com homens ricos e mais mulheres pobres casando com homens pobres. Isso não ocorre apenas no Brasil”, diz o economista Cézar Santos, da FGV/EPGE, que também estuda esse tema.

“Sem esse comportamento, sobre o qual a política pública, obviamente, não vai atuar, a desigualdade teria caído mais”, afirma o pesquisador.

Lorena ressalta que, no entanto, há canais – tanto de políticas públicas quanto empresariais – para estimular a continuação das outras tendências que contribuem para a queda da disparidade de renda.

“Como a maioria das mulheres casadas têm filhos, sua maior participação no mercado pode ser incentivada com mais creches de qualidade e com a adoção de licença parental”, diz ela.

No curto prazo, porém, a economista concorda com os pesquisadores estrangeiros que a pandemia pode causar reversões no avanço laboral das mulheres.

Apesar desses riscos de curto prazo, o estudo publicado pelo NBER também indica mudanças que, após a crise, podem ser favoráveis a elas, como a possibilidade de aumento do trabalho remoto.

Fonte: Agora RN

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