PARA EVITAR VARIANTE DO CORONAVIRUS, MINISTRO BRITÂNICO RESTRINGE VOOS DE 14 PAÍSES, INCLUSIVE DO BRASIL

Ministro britânico diz que veto de voos do Brasil é ‘precaução’

Restrição atinge 14 países da América Latina e Portugal com o objetivo de evitar entrada de variante do coronavírus

INTERNACIONAL

 Da EFE

Ministro britânico defende restrição de voos brasileiros e de outros países

TOBY MELVILLE / REUTERS – 8.6.2020

O ministro dos Transportes do Reino Unido, Grant Shapps, defendeu nesta sexta-feira (15) a decisão de vetar voos de Portugal e da América do Sul para evitar que a variante do coronavírus detectada no Brasil impactasse o plano de vacinação do país.

A partir de hoje, voos de Portugal e de 14 países da América do Sul estão proibidos devido a receios por temor a esta nova variante, a terceira detectada no mundo, depois da localizada no sudeste da Inglaterra e na África do Sul.

O ministro esclareceu, em declaração à emissora Sky News, que os cientistas “não estão dizendo que as vacinas não serão eficazes contra a cepa”, mas que é preciso tomar precauções o mais rápido possível.

“Estamos nessa etapa avançada (da vacinação), chegamos até agora, temos vacinas nos braços de três milhões de britânicos, isso é mais do que França, Espanha, Alemanha, Itália juntas, e não queremos tropeçar neste momento”, afirmou.

“Foi por isso que tomei a decisão, como medida adicional, de proibir totalmente esses voos”, insistiu Shapps.

Desde hoje, estão suspensas pelo Ministério dos Transportes as chegadas da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, além de Portugal e Cabo Verde por causa de seus laços estreitos com o Brasil.

Shapps informou ontem que o governo tomou a “decisão urgente” de vetar essas viagens em função dos “testes de uma nova variante no Brasil”, da qual não se sabe se é mais infecciosa ou se tem resistência às vacinas atuais.

Fonte: R7
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RECUPERAÇÃO HISTÓRICA PARA 2021 É ESPERADA EM 3 PAÍSES DA AMÉRICA LATINA

Os 3 países da América Latina com a maior previsão de crescimento em 2021

Região enfrentou maior crise econômica das últimas décadas. Agora, 2021 verá recuperações econômicas sem precedentes

ECONOMIA

 por BBC NEWS BRASIL

Cepal projeta uma queda histórica de 7,7% na economia regional em 2020

GETTY IMAGES/BBC BRASIL

A queda nas economias latino-americanas em 2020 foi tão forte, em meio à pandemia de coronavírus, que recuperações históricas são esperadas para 2021.

Mas cuidado: isso não significa um grande crescimento econômico que indica um período de vacas gordas pela frente.

Na verdade, trata-se de um esperado “efeito rebote” — ou seja, um forte aumento do PIB (Produto Interno Bruto) na maioria dos países da região, que compensará parcialmente o cenário atual. É uma recuperação econômica parcial em relação a um resultado muito negativo do ano anterior.

A economia do Peru, por exemplo, fechará este ano com uma queda brutal da ordem de 13%, e em 2021 crescerá cerca de 9%, de acordo com as últimas projeções da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Isso significa que mesmo com um aparente aumento espetacular da atividade econômica, o país ainda estará longe de retornar ao nível pré-crise, uma história que se repetirá na maioria dos países da região.

“A recuperação estará sujeita a muitas incertezas, como a dinâmica da pandemia, a disponibilidade de vacinas, a capacidade dos países em manter políticas de apoio e o que acontecerá com a economia mundial”, diz Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Para este ano, a Cepal projeta uma queda histórica da economia regional de 7,7%, enquanto para 2021 espera um crescimento de 3,7%.

Se não houver grandes mudanças no horizonte, pode-se dizer que a América Latina atingiu o fundo do poço e agora inicia um lento processo de recuperação.

Durante essa recuperação, os três países que terão o maior crescimento econômico no próximo ano, segundo as projeções da Cepal, serão: Peru (9%), Panamá (5,5%) e Bolívia (5,1%).

Um ano eleitoral no Peru

Apesar do impacto econômico devastador da pandemia no Peru, o ministro de Economia e Finanças, Waldo Mendoza, disse que o país está apresentando uma recuperação “muito mais rápida” que o resto dos países da região.

Entre os motivos, ele citou a redução no avanço da pandemia e os efeitos dos pacotes de estímulo para conter a crise econômica.

“Temos uma situação um pouco mais administrável, que nos permite abrir atividades econômicas com um pouco mais de confiança e menos risco”, disse Mendoza, membro do gabinete do governo de Francisco Sagasti, que assumiu a presidência do Peru em meio a uma profunda crise política, em meados de novembro.

Se a economia do Peru crescer 9% em 2021, conforme projeta a Cepal, será o país com maior crescimento econômico na região, depois de ter ficado no topo do ranking de pior desempenho regional (atrás apenas da Venezuela) em 2020.

Um efeito rebote da economia não está condicionado exclusivamente à evolução da pandemia, mas também às condições políticas.

“Há incerteza por motivos de saúde e por motivos políticos”, explica Diego Macera, gerente do Instituto Peruano de Economia (IPE), à BBC.

“Se houver investimento privado, empregos são criados e isso impulsiona a recuperação econômica, mas se o Congresso que será eleito no próximo ano for como o que temos agora, o golpe para a confiança será grande”, diz ele.

As eleições presidenciais e parlamentares estão convocadas para 11 de abril e o segundo turno, se necessário, está previsto para junho.

No plano econômico, um dos sinais animadores para o próximo ano é que os especialistas esperam melhores resultados no setor de mineração, especialmente em produtos como o cobre.

No entanto, uma das principais preocupações é o que acontecerá com o emprego e o subemprego e como o país conseguirá obter as doses das vacinas necessárias para manter o vírus sob controle.

A recuperação do Panamá

“A recuperação depende de dissipar a névoa da pandemia”, disse Samuel Moreno, presidente do Colégio de Economistas do Panamá, à BBC.

Se for gerada mais confiança na população, diz ele, o consumo interno vai aumentar e a expectativa de fazer negócios no país vai melhorar.

O Panamá é o segundo país, depois do Peru, com a maior taxa de crescimento do PIB projetada para 2021, segundo a Cepal.

A atividade econômica deve crescer 5,5% em 2021, após experimentar uma das maiores desacelerações econômicas regionais neste ano, com queda próxima a 11%, segundo a Cepal.

“Tenho uma visão positiva”, diz Moreno, argumentando que no último trimestre deste ano houve indícios de uma reativação, como, por exemplo, a retomada das operações da companhia aérea Copay e de atividades comerciais e financeiras.

Apesar dos problemas causados ​​pela pandemia, o Panamá mantém uma boa classificação de risco nas agências internacionais, acrescenta o economista, o que contribui para a velocidade da recuperação.

Peça essencial da economia, o Canal do Panamá também começa a dar bons sinais.

“Esperamos que o comércio mundial se recupere em 2021 e que isso continue influenciando positivamente a reativação dos fluxos comerciais nas atividades do canal”, explica Titelman, da Cepal.

“Esperamos também aumento do comércio interno, principalmente de construção e serviços financeiros”, acrescenta.

Um dos maiores desafios para o próximo ano, concordam os especialistas, é a geração de empregos em um país com altos níveis de desigualdade, onde o acesso aos serviços básicos não é garantido nas áreas rurais habitadas principalmente por populações indígenas e comunidades de descendência africana.

O Banco Mundial afirmou que uma de suas preocupações é que os níveis profundos de desigualdade que existem no país aumentem como consequência da pandemia, causando alta da insegurança alimentar e da desnutrição infantil.

A preocupação é compartilhada por Gersán Joseph Garzón, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Panamá.

“Essa pandemia revelou a grande desigualdade que existe no país”, afirma.

Um dos motores essenciais para a reativação, defende o economista, é que o gasto público aumente para gerar novas fontes de trabalho.

“Grande parte do emprego depende de projetos de infraestrutura promovidos pelo governo. Isso ajudaria muito.”

Os desafios da Bolívia

A Bolívia ocupa o terceiro lugar entre os países latino-americanos que podem apresentar maior crescimento, com uma projeção de alta de 5,1% em 2021, após uma queda profunda de 8% em 2020, segundo a Cepal.

O governo de Luís Arce, que iniciou seu mandato em 8 de novembro após um longo período de instabilidade política no país, está promovendo uma série de medidas que incluem aumento do investimento público, crédito a juros baixos aos produtores. e a criação de um imposto permanente sobre grandes fortunas.

E o orçamento do país para o próximo ano reflete um forte aumento do endividamento e dos gastos públicos para sustentar o crescimento econômico.

“Esperamos que as políticas de transferência de renda que estão sendo realizadas na Bolívia possibilitem o acionamento da demanda interna”, disse Titelman, acrescentando que o programa de recuperação produtiva que o governo está implementando também pode gerar mais dinamismo econômico.

No que diz respeito às exportações, uma fonte essencial de recursos para a Bolívia é a venda de gás natural para os países do Cone Sul. É por isso que “a evolução do Brasil e da Argentina influenciará significativamente a recuperação da Bolívia no próximo ano”, diz Titelman.

Os planos de recuperação da economia boliviana, como ocorre com o restante dos países, estão sujeitos à grande incógnita sobre o controle do vírus.

“Não sabemos o que acontecerá com a pandemia. A recuperação dependerá se serão necessárias medidas que restrinjam a atividade econômica e a mobilidade das pessoas”, afirmou Juan Antonio Morales, ex-presidente do Banco Central e professor da Universidade Católica Boliviana.

Outros fatores como a evolução do contexto econômico internacional e os preços dos recursos naturais também vão influenciar, segundo ele. Nessa frente, existem alguns sinais de esperança.

“Os preços das commodities tiveram uma recuperação considerável”, o que favorece a mineração local, afirma o economista.

Ele também destaca que houve aumento no preço de alguns alimentos, fenômeno que pode ser “uma boa notícia para os exportadores desses alimentos, mas uma má notícia para os preços internos”.

São tantos os elementos que entram em jogo na análise das perspectivas econômicas para a América Latina em 2021 que qualquer mudança no cenário pode transformar as projeções.

Se há algo em que há um pouco mais de certeza, é que faltam vários anos para a região recuperar o crescimento econômico que tinha antes da pandemia, e mais ainda para melhorar os indicadores sociais.

E o Brasil?

Apesar de não estar entre as economias na América Latina que mais vão cair em 2020, o Brasil deve apresentar contração de 5,3% em seu PIB neste ano, de acordo com a Cepal. Para 2021, a previsão é de crescimento de 3,2%.

“Em 2020, a pandemia da doença coronavírus (covid-19) marcou negativamente a evolução da economia brasileira e um elevado número de vidas”, disse a entidade.

Fonte: R7

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NA ARGENTINA O SENADO APROVOU A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO ATÉ A 14ª SEMANA DE GESTAÇÃO

Argentina legaliza o aborto e se põe na vanguarda dos direitos sociais na América Latina

Legisladores debateram projeto de lei de interrupção voluntária da gravidez que permite o aborto livre até a 14ª semana de gestação e deram vantagem da pauta apoiada pelo Governo Fernández

MAR CENTENERA

Manifestantes a favor do aborto legal marcham diante do Congresso em Buenos Aires, em 29 de dezembro.Manifestantes a favor do aborto legal marcham diante do Congresso em Buenos Aires,

É lei. Na Argentina, as mulheres que decidem interromper a gravidez podem fazê-lo de forma legal, segura e gratuita no sistema de saúde. O Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira a legalização do aborto até a semana 14 da gestação por 39 votos a favor, 29 cotra e uma abstenção. Enterrou assim a lei em vigor desde 1921, que considerava a prática crime, exceto em caso de estupro ou risco de vida da mãe. Nas ruas, a maré verde, a cor símbolo do feminista no país, explodiu de alegria.

Com a nova legislação, a Argentina está mais uma vez na vanguarda dos direitos sociais na América Latina. A partir desta quarta-feira é o primeiro grande país da região a permitir que as mulheres decidam sobre seus corpos e se querem ou não ser mães, como já fizeram Uruguai, Cuba, Guiana e Guiana Francesa (e regiões como a Cidade do México). Nas demais, há restrições totais ou parciais, como no Brasil. A iniciativa, aprovada na Câmara dos Deputados há duas semanas, prevê que as gestantes tenham acesso ao aborto legal até a 14ª semana após a assinatura do consentimento por escrito. Também estipula um prazo máximo de dez dias entre a solicitação de interrupção da gravidez e sua realização, a fim de evitar manobras que retardem o aborto.

Fonte: El País

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ARGENTINA, O SEGUNDO PAÍS MAIS AFETADO DA AMÉRICA LATINA DECRETA O FIM DA QUARENTENA

 

Após 8 meses, Argentina decreta fim da quarentena

País é o segundo mais afetado pela covid-19 na América Latina, atrás apenas do Brasil. Apenas duas cidades continuarão confinadas até dezembro

INTERNACIONAL

Do R7

Argentina decreta fim da quarentena Argentina decreta fim da quarentena
Uma das quarentenas mais longas do mundo, a Argentina anunciou que, depois de oito meses, o confinamento será encerrado. Apesar do fim do isolamento, o presidente Alberto Fernández pediu que a população continue se cuidando e respeitando as medidas de proteção contra o novo coronavírus. O país havia decretado quarentena no dia 20 de março.Apenas as cidades de Bariloche e Puerto Deseado, na Patagônia, seguirão confinadas até o dia 20 de dezembro. A capital, Buenos Aires, começou o processo de saída do confinamento no começo de novembro.A Argentina, que tem mais de 1 milhão de casos de covid-19 e é o segundo país da América Latina mais afetado pela pandemia, atrás apenas do Brasil, é o quarto em número de casos por milhão de habitantes. Apesar da alta taxa de transmissão, autoridades afirmaram que os casos caíram 30% na última semana.

A decisão pelo fim do confinamento também está ligada a queda na popularidade de Fernández, que foi eleito em 2019.

Nesta semana também, o país desrepeitou as medidas de proteção durante o velório de Diego Maradona, craque e ídolo do futebol argentino morto na quarta-feira (25). Mais de um milhão de pessoas compareceram à cerimônia, que não teve distanciamento social ou uso de máscaras.

 

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DEPOIS DE UMA DÉCADA EM CONSTRUÇÃO, LÍDERES ASIÁTICOS ASSINARAM O MAIOR ACORDO COMERCIAL DO MUNDO

 

Como o RCEP, o maior tratado de livre-comércio do mundo, afeta o Brasil e a América Latina

O acordo que foi fechado neste domingo (15/11) estava em andamento havia quase uma década e cobre quase um terço da economia global,com a China na liderança

INTERNACIONAL

por BBC NEWS BRASIL

O novo acordo abrange 29% do Produtor Interno Bruto (PIB) do mundo

Getty Images

Depois de uma década em construção, o maior acordo comercial do mundo aconteceu. Líderes asiáticos assinaram no domingo (15/11), em Hanói, o mega-tratado que inclui os dez membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático, além de China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

O acordo, Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês), será maior que a União Europeia e o Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Os membros somam quase um terço da população mundial e 29% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.

A Índia também fez parte das negociações, mas desistiu em 2019 por temer que a redução das tarifas prejudicasse seus produtores.

O acordo

O RCEP eliminará tarifas de importação pelos próximos 20 anos. O acordo também inclui dispositivos sobre propriedade intelectual, telecomunicações, serviços financeiros, comércio eletrônico e serviços profissionais.

Muitos dos países-membros já têm acordos de livre-comércio entre si, mas com limitações que podem ser superadas com o atual acordo.

“Os acordos de livre-comércio existentes costumam ser muito complexos em comparação com o RCEP”, disse Deborah Elms, da organização Asian Trade Centre, à BBC em Cingapura.

Até agora, as empresas que dependem de cadeias de suprimentos globais podiam ser afetadas por tarifas, apesar de um acordo de livre-comércio, porque seus produtos tinham componentes fabricados em outro lugar. Um produto fabricado na Indonésia que contém peças fabricadas na Austrália, por exemplo, pode estar sujeito a tarifas.

No âmbito do RCEP, entretanto, os componentes de qualquer país membro serão tratados da mesma forma, o que poderia dar às empresas nos países do RCEP um incentivo para fazer parceria com fornecedores da nova aliança regional.

Qual é a sua importância geopolítica?

A ideia do RCEP nasceu em 2012 e foi vista como uma forma de a China, maior importadora e exportadora da região, se opor à influência que os Estados Unidos vinham exercendo ali durante o governo de Barack Obama.

Obama havia promovido a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), da qual faziam parte México, Chile e Peru, mas não a China.

O interesse pelo RCEP cresceu quando Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífico – o país era o arquiteto do acordo e cuja economia correspondia a dois terços do total do bloco.

Na verdade, a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a política nacionalista de Trump (“America first”) acabaram com a ideia de Obama de olhar mais para a Ásia e serviram para dar força ao RCEP, que é visto como uma oportunidade de Pequim para definir a agenda comercial regional na ausência de Washington.

Como principal fonte de importações e principal destino das exportações da maioria dos membros do RCEP, a China parece ser o principal beneficiário e está bem posicionada para influenciar as regras comerciais e expandir sua influência na Ásia-Pacífico, algo que Obama queria evitar.

A Presidência de Biden mudará alguma coisa?

O comércio internacional esteve muito menos presente na agenda nesta campanha presidencial, e Biden disse relativamente pouco sobre se sua política comercial mudará significativamente ou se vai reconsiderar o retorno à Parceria Transpacífico.

Biden defende retomar uma política de multilateralismo, como durante o governo Obama, mas é prematuro falar em acordos comerciais, dados os enormes desafios que o democrata enfrentará internamente. Além disso, eventuais medidas nesse sentido correm o risco de serem vistas como prejudiciais aos sindicatos que o ajudaram a vencer nos Estados do chamado cinturão da ferrugem (região tradicionalmente industrial dos EUA).

É esperado que suas prioridades comerciais se concentrem em trabalhar com os aliados para pressionar a China e forçar mudanças na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Voltar ao que era à Parceria Transpacífico pode não acontecer no curto prazo.

Os sindicatos e os progressistas que apoiaram a eleição de Biden têm sido céticos em relação aos acordos de livre-comércio, e representantes desses grupos estão presentes em sua equipe de transição. Eles podem defender certas medidas de proteção a indústrias vulneráveis, como aço e alumínio.

Se Biden decidir se reconectar com a Ásia-Pacífico, isso pode funcionar como um contrapeso em relação à China.

Como afeta a América Latina?

O comércio bilateral entre a Ásia e a América Latina tem crescido continuamente nas últimas décadas, mas a integração entre as duas regiões tem muito espaço para avanços e pode sofrer o impacto do novo acordo, afirmam analistas.

“No curto prazo, o RCEP pode causar algum desvio comercial, limitar o crescimento do comércio entre a América Latina e a Ásia”, diz Jack Caporal, especialista em comércio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.

“No entanto, as regras comuns tornarão mais fácil para as empresas latino-americanas com presença na Ásia fazerem negócios lá”, agrega Caporal. “Uma questão importante para os países latino-americanos é se eles buscarão uma integração com a Ásia individualmente ou em conjunto, como por meio da Parceria Transpacífico ou do Mercosul.”

“Desde que o comércio entre a América Latina e a China explodiu, nos anos 2000, liderado quase exclusivamente pelo rápido crescimento da China e sua necessidade de matérias-primas, os países da região buscaram uma maior integração com a Ásia em geral, não apenas com a China, mas em particular com Japão, Coreia do Sul e Índia”, diz à BBC News Mundo Cynthia Arnson, especialista do Wilson Center nas relações entre as duas regiões.

Arnson afirma que esse era o espírito da Parceria Transpacífico, agora dizimada na ausência dos Estados Unidos.

“A menos que o governo Biden retorne à Parceria Transpacífico, os países latino-americanos serão atraídos por uma maior participação de mercado na Ásia, que agora está representada pelo RCEP”, acrescenta.

Nicolás Albertoni, professor da Universidade Católica do Uruguai e pesquisador associado do Laboratório de Política e Segurança Internacional da Universidade do Sul da Califórnia, acredita que há uma “desvantagem” para os países que não fazem parte desse tipo de mega-acordos.

“É fundamental que os países da América Latina (principalmente do Cone Sul) que não fazem parte batam à porta e peçam para fazer parte desses acordos”, opina à BBC News Mundo.

E os efeitos para o Brasil?

O novo acordo deve afetar pouco a exportação de commodities brasileiras para a região, segundo especialistas em relações internacionais e comércio exterior ouvidos pela BBC News Brasil.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Bruno Hendler destaca que o acordo “faz parte de uma disputa maior, entre EUA e China, por processos de integração regional que vão muito além da redução de tarifas comerciais”.

Especialista em relações da China com o Sudeste Asiático e com a América Latina, Hendler pondera que os efeitos desse tipo de acordo levam anos para serem sentidos, principalmente porque muitos países tendem a usar salvaguardas para proteger setores econômicos mais frágeis.

“O reflexo mais imediato desse acordo é a tendência de elevação de competitividade dos países asiáticos pela integração nas cadeias globais de valor, que é um processo que vem acontecendo há décadas”, diz Hendler.

Para o Brasil, ele diz, o impacto não deve ser tão significativo.

“O grande mercado asiático, que é o chinês, já tem acordo de livre-comércio com países que são concorrentes do agronegócio brasileiro. O novo acordo tende a oficializar uma série de acordos que já existiam – que alguns autores chamam de prato de espaguete, em referência a essas conexões. Vejo esse acordo como um ‘upgrade’ de uma série de acordos bilaterais e multilaterais que já existiam entre esses países. Então, no curto prazo, acho que o agronegócio brasileiro não será tão impactado porque já tem sido impactado há anos pelo acesso privilegiado que o Sudeste Asiático tem ao mercado chinês.”

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, espera um “impacto menor” para a exportação de commodities brasileiras.

“Tínhamos preocupação com o acordo anterior (TPP ou Parceria Transpacífico), em que os EUA, nosso grande concorrente na exportação de commodities, participavam e teriam muita vantagem. No acordo atual, o impacto para o Brasil em termos de commodities muda pouco, e em relação a produtos manufaturados já temos participação muito pequena, que continuará pequena enquanto Brasil não fizer reformas estruturais internas”, diz Castro.

Especialista em geografia das relações internacionais, Gustavo Glodes Blum também diz que as correntes de comércio do Brasil com a região Ásia-Pacífico, baseada nas commodities, não serão alteradas. Ele destaca, no entanto, que o Brasil pode sentir efeitos de uma possível perda de mercado dos EUA por lá.

“O efeito mais relevante para nós talvez seja um aprofundamento da disputa por mercado, com os EUA aumentando esforços de penetrar no nosso mercado. A China cria, na prática, um mercado comum na região e isso vai prejudicar circulação de produtos americanos ali dentro”, diz Blum.

O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral, que classifica o acordo como uma vitória da China, avalia que “pode haver algumas concessões tarifárias para países da região, que não vão abranger o Mercosul, e isso faz o Brasil perder vantagens tarifárias na região”.

Barral destaca que o Mercosul terá que procurar avançar nos acordos com a Ásia. E também aponta que empresas brasileiras que eventualmente decidam se instalar em algum dos países abrangidos pelo acordo podem se beneficiar de uma plataforma de expansão na Ásia.

‘Pouco ambicioso’

Embora o RCEP tenha sido uma iniciativa dos dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, ele é visto por muitos como uma alternativa apoiada pela China à Parceria Transpacífico, um acordo que exclui Pequim, mas inclui muitos países asiáticos.

Doze nações, incluindo Chile, México e Peru, assinaram a Parceria Transpacífico em 2016, antes de Trump retirar seu país do acordo em 2017.

Sem os Estados Unidos, os demais países assinaram o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP, na sigla em inglês). Embora inclua menos países, o CPTPP reduz as tarifas ainda mais do que o RCEP e inclui disposições sobre emprego e meio ambiente.

O ex-primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull criticou o novo acordo ao dizer que é desatualizado.

“Haverá alarde sobre a assinatura e entrada em vigor do RCEP, mas é um acordo comercial pouco ambicioso, não devemos nos enganar”, disse Turnbull, que assinou a Parceria Transpacífico em nome de seu país.

Ativistas temem a falta de medidas para proteger os trabalhadores e o meio ambiente e que isso prejudique os agricultores e pequenos negócios em um momento em que eles já estão sofrendo devido à pandemia.

Diferenças à parte

Do lado positivo, o RCEP reúne países que costumam ter relações espinhosas, como China e Japão. Além disso, tanto Austrália quanto China estão aderindo ao acordo, apesar de relatos de que a China pode boicotar algumas importações australianas por causa de diferenças políticas.

“Você pode cooperar com alguém ou simplesmente odiá-lo, assim como as pessoas. O RCEP fez um trabalho impressionante ao se separar de outras disputas”, diz Elms.

Fonte: R7

 

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COM MAIS DE DEZ ELEIÇÕES MARCADAS PELA PANDEMIA, AMÉRICA LATINA ENCARA PROCESSO ELEITORAL INÉDITO

América Latina encara processo eleitoral inédito com mais de dez eleições marcadas pela pandemia

Nos próximos 15 meses, diversos países vão às urnas em um contexto social e econômico incerto

ISABELLA COTA

México – 04 OCT 2020 – 21:13 BRT

Eleições gerais durante o surto de coronavírus em Santo Domingo, República Dominicana, em 5 de julho de 2020.Eleições gerais durante o surto de coronavírus em Santo Domingo, República Dominicana, em 5 de julho de 2020.RICARDO ROJAS / REUTERS

Quando um país passa fomedesemprego e medo, em quem vota? Outubro marca o início de um ciclo eleitoral, um ano decisivo à América Latina, em que presidentes e partidos políticos serão testados em um contexto inédito. A região enfrenta a ameaça do coronavírus, mas também sofre o golpe econômico trazido pela covid-19. O impacto que terá a crise econômica e sanitária leva a América Latina a um cenário incerto. Os especialistas concordam que neste lado do mundo a pandemia abrirá o caminho a novas lideranças.

Quarenta e cinco milhões de pessoas estão em risco de pobreza como consequência da pior crise econômica vivenciada pela América Latina em 100 anos, derivada de uma pandemia que já custou mais de um milhão de vidas. Antes da covid-19, a região já era a mais desigual do mundo. O vírus não só voltou a colocar essas desigualdades em primeiro plano; organizações multilaterais e especialistas concordam que a situação irá piorar. Além disso, a riqueza, medida como o Produto Interno Bruto (PIB), cairá 9,4% neste ano, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, e para 2021 o crescimento será de somente 3,7%. De fato, todos os prognósticos econômicos são preliminares e não seria estranho que piorassem. A cada dia que passa em que trabalhadores permanecem em casa para evitar o contágio, é um dia de salário e sustento perdido.

Em 18 de outubro, a Bolívia será o primeiro país a votar ―em primeiro turno― por um novo presidente e um novo Congresso, em eleições já duas vezes adiadas pela contingência do coronavírus. Uma semana depois, o Chile realizará um plebiscito nacional em que a população decidirá sobre uma nova Constituição. Em 15 de novembro, os brasileiros vão às urnas para o primeiro turno das eleições municipais. O Brasil, assim como Chile, Equador, Peru e Honduras, realizará eleições para presidente em 2022. Também é esperado o mesmo na Nicarágua, onde o regime de Daniel Ortega parece eterno. Ainda ocorrerão eleições de meio de mandato no México, Argentina e El Salvador, onde o poder central será colocados à prova em pleitos parlamentares e locais. A incerteza do que acontecerá nas eleições legislativas da Venezuela, previstas para 6 de dezembro, nas quais a maior parte da oposição se recusa a participar argumentando que não existem as garantias necessárias, soma ainda mais insegurança ao cenário nacional.

Os partidos políticos já estavam enfraquecidos antes da chegada do coronavírus por escândalos de corrupção, processos judiciais e até a prisão de ex-mandatários. O crescimento econômico, com algumas exceções, havia parado e os governos já tinham menos dinheiro em seus cofres. Uma onda de descontentamento social já havia se apoderado de alguns países e movimentos sociais, como o feminismo, ganharam força diante da ameaça da violência.

Mais alternância e rostos novos

“Eu vaticino ciclos mais curtos no poder, com mais alternância, com mais caras novas, em grande medida provocado pelo contexto socioeconômico. Ao contrário dos primeiros 12 a 14 anos dessa década, quando ainda existia o boom das matérias-primas e os Governos tinham muito dinheiro, os atuais estão administrando uma crise”, afirma Daniel Zovatto, diretor regional para a América Latina e Caribe da IDEA Internacional, organização independente que estuda a democracia. Na maioria dos casos, diz Zovatto, os atuais presidentes estão em minoria nos congressos, o que torna a governabilidade mais complexa. “Há mais polarização e há mais fragmentação política, o que torna mais difícil articular consensos, que é o que a região precisa para avançar em reformas profundas. Essa é a reconfiguração política que temos na América Latina à luz do que vemos agora”.

O eleitorado responderá com seu voto a algumas perguntas fundamentais, afirma Cynthia Arnson, diretora do programa da América Latina do Wilson Center, uma organização independente que estuda políticas públicas. Primeiro, quão limpo foi o Governo durante a crise? “Um tema muito importante tem a ver com as percepções de corrupção na resposta à pandemia e houve exemplos vergonhosos em praticamente todos os países da região”, diz Arnson. No México, Equador, Bolívia e Brasil, diversas investigações revelaram um abuso por parte das autoridades para enriquecer aliados com o gasto de emergência em saúde. “Já vimos, a partir do episódio da Lava Jato, a forma em que a raiva popular contra a corrupção desempenha um papel importante nas eleições,” acrescenta a especialista.

A segunda pergunta fundamental, afirma Arnson, é o que propõem os candidatos para abordar as disparidades econômicas? “O coronavírus expôs, talvez como nunca, o que havia sido feito no passado, as profundas desigualdades econômicas na região e, portanto, isso abre as portas para que a desigualdade se transforme em um estandarte eleitoral”, diz a especialista, “permite que a condenação à desigualdade e a promessa de fazer algo a respeito caia em chamamentos populistas, seja de esquerda e de direita, para fazer algo contra as elites que se beneficiaram”.

Um relatório recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta a desigualdade como um catalisador da compra de votos. O BID cita uma pesquisa de 2017 que sugere que a compra de votos é “um fenômeno predominante em muitas democracias da América Latina” e acrescenta: “A compra de votos como estratégia eleitoral é mais comum em países onde as promessas das campanhas têm credibilidade baixa, como no caso das democracias da América Latina onde os partidos políticos são frágeis”. Dado que os eleitores mais pobres são mais suscetíveis à compra de votos, diz o BID, esse tipo de distribuição de recursos pode se transformar em um substituto do estado de bem-estar.

Populismo autoritário

Zovatto concorda com o diagnóstico de Arnson e alerta que pode até surgir um maior populismo autoritário. “Diante dessa situação de muita irritação, de muita fragilidade econômica, talvez as pessoas digam: ‘Eu quero um salvador, não quero um presidente. Não quero um Churchill que me diga sangue, suor e lágrimas. O que quero é alguém que me diga venha comigo que eu te protejo e cuido de tudo”, diz Zovatto.

Os países costumam, geralmente, votar pelo fim da continuidade e a favor da alternância quando a economia vai mal, em uma espécie de voto “castigo”, opina Diego Von Vacano, professor de Ciências Políticas e Estudos Latino-americanos da Universidade Texas A&M. Mas esses são tempos sem precedentes e há muito que ainda não se sabe sobre como será e a velocidade da retomada econômica. O Fundo Monetário Internacional estima que o PIB regional crescerá de maneira moderada em 2021, em 3,7%. “Essas eleições serão bem diferentes”, diz o acadêmico, “e minha opinião é talvez um pouco controversa, mas eu diria que, mesmo sendo verdade que a situação do coronavírus é extremamente crítica, é ainda mais importante a da democracia. Então, é preciso ir votar”.

No Chile e na Bolívia as eleições já foram postergadas duas vezes pela contingência. A República Dominicana é, até agora, o único país que teve eleições durante a pandemia, em um processo em que o candidato de oposição, Luis Abinader, ganhou a eleição com 52,5% dos votos, após se infectar pelo vírus três semanas antes da votação. Para Von Vacano, um risco é que, por um lado, as eleições sigam sendo adiadas e, por outro, que os Governos eclipsem os resultados da eleição fazendo uso da força e justificando-o como necessária para manter a distância saudável e a ordem. “No caso da Bolívia, há um grande temor de que exista fraude porque o Governo está pedindo que o Exército e a polícia, por exemplo, participem e colaborem com o Tribunal Eleitoral com o pretexto de garantir as eleições”, diz Von Vacano. “Isso não ocorria antes e pode ser um problema, pode acontecer o contrário, pode afetar o resultado, pode eclipsar. Acho que isso também pode se repetir em outros países com o pretexto da segurança das eleições de envolver o Exército e fazê-las de alguma maneira que não sejam tão transparentes”, disse o especialista.

Descontentamento social

Como no restante do mundo, a América Latina sofre o risco do crescimento da polarização e a fragmentação, diz Zovatto. Essas eleições podem trazer mais populismo se não existirem boas opções e se as demandas das populações não se direcionarem adequadamente pela via institucional. “Pode acontecer que ocorra um ressurgimento de todas as ondas de protestos sociais marcados pela violência porque já vimos que a pandemia atingiu a região em um momento de marcada fragilidade”, acrescenta Zovatto.

Nos últimos dois anos, do Chile e Argentina à Colômbia e México foram vistas grandes mobilizações nacionais e protestos contra a desigualdade, a corrupção e a pobreza. Além disso, os protestos feministas contra a discriminação e a violência de gênero aumentaram em toda a região desde 2017. Ainda que o confinamento pelo vírus os tenha colocado em pausa temporariamente, na Argentina, Colômbia e no México o descontentamento voltou às ruas.

“O fato de que se terá mais alternância ―de que pode existir um voto de castigo aos partidos no poder, de que poucos mandatários têm a opção de reeleição, de que surgirão novos rostos e de que o feminismo vem ganhando importância ―, não irá abrir a possibilidade de irrupção de novas candidatas e líderes mulheres, que, por sua vez, podem aproveitar o que a pandemia demonstrou, que em 7 dos 10 países onde a pandemia teve melhor gestão são mulheres no comando?”, se pergunta Zovatto. “Essa é uma pergunta importante nas próximas eleições. A questão de uma liderança feminina que tenha características diferentes, em um momento em que é necessária uma liderança diferente”.

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ÚLTIMAS NOTÍCIAS SOBRE O CORNAVÍRUS NO BRASIL E NO MUNDO

Ministério da Saúde confirmou mais 166 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas e, com isso, subiu para 2.741 o total de óbitos por covid-19 no Brasil, até esta terça-feira. Número de infectados chega a 43.079, e o índice de letalidade da doença no país é de 6,4%, segundo o mais novo balanço da pasta. Em meio ao avanço do nos EUA, o presidente Donald Trump anunciou que quer proibir a imigração no país para, segundo ele, “proteger empregos” dos norte-americanos durante a crise econômica provocada pela pandemia de covid-19. Até esta terça-feira, os Estados Unidos registrava mais de 42.000 mortes causadas pelo vírus Sars-Cov-2, que também infectou mais de 787.000 pessoas no país nesta segunda-feira. Na Espanha, após mais de um mês de quarentena, o Governo anunciou que vai autorizar que crianças façam caminhadas curtas, desde que acompanhadas por um adulto. Parques ainda não serão liberados.

Os destaques sobre a crise do coronavírus:

  • Brasil tem 2.741 mortos por covid-19 e 43.079 casos confirmados.
  • STF autoriza investigação de protestos que pediam fechamento do Congresso e do STF em plena crise da covid-19.
  • Pandemia levará mais de 28 milhões de pessoas para a situação de pobreza na América Latina.
  • Brasil ainda está em fase inicial da epidemia, diz Ministério da Saúde.
  • Trump ameaça proibir imigração nos EUA para “proteger” empregos de norte-americanos.
  • Espanha vai autorizar que crianças façam “caminhadas curtas” acompanhadas, após mais de um mês de quarentena.
  • ONU alerta para aumento da fome no mundo, especialmente na África onde mais de 70 milhões de pessoas não têm o que comer.

Siga ao vivo as últimas notícias sobre a pandemia da covid-19:

Fonte: El País

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AMERICA LATINA DEIXA IDEOLOGIAS DE LADO PARA PRIORIZAR A ECONOMIA

América Latina tenta deixar ideologias de lado para priorizar os planos econômicos

Pandemia não atingiu todos os países nas mesmas condições, e é aqui onde a margem de manobra dos Governos começa a variar

ISABELLA COTA – Cidade Do México
Militar desinfeta residência oficial do presidente da Colômbia, em Bogotá.

Militar desinfeta residência oficial do presidente da Colômbia, em Bogotá.RAÚL ARBOLEDA / AFP

Para os Governos da América Latina muita coisa está em jogo e cada medida econômica que impõem para conter a crise do coronavírus é uma aposta. Os resultados serão rápidos e as implicações, profundas. Uma região dividida nas últimas décadas entre esquerda e direita e sacudida no ano passado, em grande parte, pelas revoltas populares que clamavam contra a desigualdade se definirá, por enquanto, mais por estilos de liderança do que por ideologias.

A região que compreende a América Latina e o Caribe, no total mais de 600 milhões de pessoas, teve, em média, um crescimento econômico decepcionante em 2019 e se espera que este ano encolha entre 4% e 5%, ou seja, experimentará sua pior recessão em 50 anos. Em geral, e com algumas exceções, os países latino-americanos compartilham os mesmos obstáculos, entre eles uma alta informalidade e desigualdade, assim como uma dependência da exportação de matérias-primas ou de petróleo. Além disso, nos últimos anos, os preços de mercado não estiveram do seu lado.

A pandemia não atingiu todos os países nas mesmas condições e é aqui onde a margem de manobra dos Governos começa a variar. O México, a economia que mais sofrerá, segundo o FMI, estava em recessão e o Brasil estava crescendo pouco quando o vírus se instalou. A Argentina deve o equivalente a 90% do seu produto interno bruto (PIB). O Equador já havia sido atingido por uma grande queda no preço do petróleo, uma de suas principais fontes de renda. A Colômbia e o Peru, por outro lado, vinham crescendo a taxas muito superiores às dos países desenvolvidos e suas finanças são tão saudáveis que ainda podem se endividar se assim o quiserem. O Chile tem um nível de dívida muito baixo e o Panamá desfruta de ambas as coisas: alto crescimento e um bom nível de dívida.

Isso explica por que Peru, Chile e Brasil são os países que mais gastarão em medidas para conter o choque econômico: seus pacotes de estímulo econômico são, inclusive, comparáveis aos das economias desenvolvidas. O Brasil, apesar do baixo crescimento no ano passado, será o país que mais gastará para conter o choque, com medidas anunciadas que somam entre 6% e 7% do PIB, segundo as estimativas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, que até então defendia uma política neoliberal já foi obrigado a abrir o caixa, com o pagamento de um auxílio emergencial para trabalhadores informais e outros afetados pela quarentena.

Novas medidas são anunciadas todos os dias, portanto o panorama certamente será muito diferente em alguns meses. Estas vão da restrição a reproduções em vídeo de alta definição para não saturar a conexão à Internet até descontos ou a suspensão de pagamentos de serviços básicos, como a eletricidade, como fizeram Argentina, Colômbia e El Salvador. Programas de assistência social no setor informal, através de depósitos, carteiras eletrônicas ou até distribuição de alimentos, são vistos em quase toda a região.

Uma das medidas mais amplamente implementadas pelos Governos da América Latina é o diferimento ou redução dos impostos, com exceção do México, Venezuela, Equador, Nicarágua e Paraguai. Créditos ou suporte de crédito para pequenas e médias empresas também foram anunciados na maioria dos países. Em alguns casos, como na Costa Rica, a taxa de juros para empréstimos a esse tipo de empresas foi reduzida para evitar que sejam forçadas a fechar por falta de liquidez.

Já que os investidores de todo o mundo venderam seus ativos em mercados emergentes para se refugiar na segurança do dólar, os bancos centrais do Brasil, Chile, México, Peru e República Dominicana intervieram na taxa de câmbio para reduzir as fortes flutuações, fazendo uso de suas reservas internacionais. Além disso, o Brasil e o México aproveitaram uma linha de swap do Federal Reserve dos Estados Unidos para garantir liquidez em dólares por até seis meses.

A crise expôs que os Governos não estão agindo necessariamente de acordo com sua autoproclamada ideologia de esquerda ou de direita. Os exemplos mais notáveis, talvez, são o México e a Nicarágua. Apesar de se proclamarem da esquerda, tanto o Executivo de Andrés Manuel López Obrador quanto o de Daniel Ortega resistiram a aumentar os gastos públicos para corrigir os danos causados pela crise global detonada pela pandemia do coronavírus. Na Colômbia, por outro lado, Iván Duque, que preside um governo de centro-direita, não hesitou em aumentar os gastos do Governo em assistência social e fará depósitos diretos de mais de 100 dólares (cerca de 523 reais) para as famílias mais vulneráveis.

“Todos se tornaram keynesianos!”, afirma na capital do Chile Daniel Zovatto, diretor regional para a América Latina e o Caribe da IDEA Internacional, órgão intergovernamental que estuda e promove a democracia, referindo-se ao economista John Maynard Keynes, principal teórico a favor do aumento dos gastos do Governo e da dívida pública. “A ideologia foi deixada de lado, ao menos por enquanto. Aqui o que está prevalecendo são os estilos de liderança”, acrescenta em uma conversa por telefone.

As medidas adotadas por cada Governo terão necessariamente um impacto direto nas eleições –presidenciais ou regionais– previstas para este ano –no Brasil, Bolívia e República Dominicana– e no próximo ano, na Argentina, Equador, Peru, Nicarágua, Chile e Honduras. O que está em jogo não é apenas a vida dos habitantes, mas o seu sustento. A comissão da ONU para o desenvolvimento da América Latina estima que o número de pobres na região possa subir de 185 para 220 milhões como resultado dessa crise.

Nessa conjuntura, os desafios para os mandatários serão grandes em um momento no qual, geralmente, e com exceção do mexicano López Obrador, todos os líderes têm baixíssima popularidade, que tende a subir diante de uma boa gestão da crise. O caso mais evidente é o de Sebastián Piñera, presidente do Chile. Seis meses atrás, o presidente enfrentava o descontentamento social mais intenso na região, com violenta repressão a protestos diretos contra seu Governo. Quando a pandemia ocorreu, o país estava se preparando para realizar um referendo para uma nova Constituição, que foi adiado. A taxa de aprovação de Piñera atingiu o nível mínimo recorde de 12% em novembro e hoje, pela forma com está lidando com a crise do coronavírus, é nove pontos mais alta. No extremo oposto está o Brasil. Os cidadãos julgarão, por exemplo, a atuação de Jair Bolsonaro, que preferiu demitir seu ministro da Saúde a aceitar as medidas de isolamento social que este preconizava por medo da paralisia econômica.

Equador e Colômbia foram os outros dois países que sentiram fortemente as revoltas populares. No Equador, o presidente Lenín Moreno anunciou que, depois de chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), eliminaria os subsídios aos combustíveis e reduziria a folha de pagamento dos servidores públicos. Isso levou milhares de pessoas a protestar nas ruas. Na Colômbia, e apesar das ações do Governo de Iván Duque em relação à pandemia, as demandas permanecem, desde um avanço na implementação dos acordos de paz e a exigência de mais recursos para a educação pública até a necessidade de reduzir a desigualdade e o cuidado do meio ambiente.

“A ideologia reaparecerá em seu devido tempo, e veremos isso nas próximas eleições, mas o que estará em pauta, com muito pragmatismo, será: o capitão de tempestade que temos é suficientemente bom para renovarmos a confiança nele ou não?”, sugere Zovatto.

Um caso a parte é a Venezuela. O colapso da economia, da segurança pública e do sistema de saúde, entre outros, sacudiu o país nos últimos anos. Seus indicadores econômicos, como inflação, taxa de câmbio e PIB, foram desqualificados por sua opacidade. O banco central inclusive parou de publicar estatísticas em 2015 até que no ano passado admitiu que a economia encolheu 52%.

No mês passado, uma semana depois de o FMI ter negado a Nicolás Maduro um empréstimo de 5 bilhões de dólares que o Governo pedia para enfrentar essa crise econômica (argumentando que “o Fundo não está em condições de considerar” a solicitação), o Governo da Venezuela anunciou um pacote de proibições para fazer frente à crise econômica desencadeada pelo coronavírus. Proibiu as empresas de telefonia de suspender os serviços por falta de pagamento, estendeu uma prorrogação que proíbe as empresas de demitir funcionários e suspendeu as cobranças de créditos.

“Vínhamos de um ano passado em que houve muito descontentamento social na América Latina e como essas medidas serão adotadas na próxima fase é algo que, por via das dúvidas, é melhor pensar desde já”, diz em Washington Martin Rama, economista-chefe para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, referindo-se aos líderes da região.

É muito provável que a onda de ajudas governamentais que vemos agora seja apenas a primeira, acrescenta o analista. Ao longo dos meses, prossegue, haverá setores e empresas que não se recuperarão com o restante da economia, como pode acontecer com setores como o petrolífero, a aviação e o turismo, por exemplo, que levarão mais tempo para que sua demanda se recupere completamente. “Isso vai colocar sobre o Governo uma nova onda de pressão de demandas de apoio ao emprego, a empresas, a setores estratégicos. Se esta segunda fase da crise se concretizar, haverá muitos países que podem não ter recursos para enfrentar tudo o que está por vir.”

Para Rama, “isso colocará um problema diferente, mais institucional, que é: onde está a prioridade? Manter a estabilidade do setor financeiro é prioridade? É prioridade manter em funcionamento empresas importantes para o país porque têm grande competência ou bons empregos? É importante se concentrar na parte social?”.

“Será preciso tomar decisões difíceis”, conclui Rama, “e tomar essas decisões de uma maneira que seja percebida como transparente, justificada economicamente.”

Fonte: El País

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