Como nosso cérebro constrói nossas crenças e as transforma em verdades
Um livro instigante, Cérebro & Crença desafia o leitor a expandir a consciência através da teoria abrangente e provocativa de Michael Shermer. Ele fala sobre a maneira como as crenças nascem, se formam, se reforçam, são contestadas, mudam e se extinguem. Então, você que é buscador não pode deixar de ler essa obra inusitada e curiosa.
Sobre o autor
Michael Shermer (Michael Brant Shermer) nasceu em 8 de setembro de 1954, na Califórnia, nos Estados Unidos. É escritor de ciência, historiador da ciência, diretor executivo da The Skeptics Society e editor fundador da revista Skeptic, voltada à investigação de alegações pseudocientíficas e sobrenaturais.
Formou-se em Psicologia pela Pepperdine University em 1976 e fez mestrado na California State University, em Fullerton, e doutorado em história da ciência na Claremont Graduate University. Contudo, na juventude foi cristão fundamentalista, mas deixou de acreditar em Deus durante a pós-graduação. Ele conta que o ceticismo científico surgiu na época em que era ciclista competitivo. Para ele, a data foi 6 de agosto de 1983. Isso, depois de anos de práticas de saúde não convencionais que não curaram seus problemas de ciclista.
Fundou a Skeptics Society e passou a publicar a revista Skeptic em 1992. A sociedade tem hoje mais de 55 mil membros. De abril de 2001 a janeiro de 2019, escreveu uma coluna mensal de ceticismo na Scientific American. Entre seus livros mais conhecidos estão Why People Believe Weird Things, The Science of Good and Evil, The Believing Brain e The Moral Arc.

Sobre a obra
Cérebro e Crença (título original: The Believing Brain: From Ghosts and Gods to Politics and Conspiracies, 2011) investiga como o cérebro humano constrói crenças e depois as reforça como se fossem verdades.
Por isso a tese central é que as crenças vêm primeiro e as razões vêm depois: não acreditamos naquilo que vemos, mas vemos aquilo em que já acreditamos. Para explicar isso, Shermer propõe dois processos. O primeiro é a padronicidade, a tendência a encontrar padrões significativos tanto em dados significativos quanto em dados sem sentido. O segundo é a agenticidade, a tendência a atribuir a esses padrões significado, intenção e agência. Um exemplo clássico é ouvir um ruído na mata e supor que há um predador, mesmo que não exista nenhum. Essas tendências teriam sido úteis à sobrevivência, e é delas que nascem as crenças religiosas, sobrenaturais e políticas.
A obra começa com três histórias pessoais de crença, depois trata da biologia da crença (padronicidade, agenticidade e os neurônios) e chega a temas como Deus, vida após a morte, extraterrestres e teorias da conspiração. O livro termina com uma história da astronomia, para mostrar que o método científico seria a única forma confiável de descobrir padrões e agentes reais. Uma resenha brasileira destaca ainda os riscos sociais das crenças infundadas, como o negacionismo científico, e a linguagem acessível da obra.
Wagner Braga
