O Triângulo Amoroso Perfeito

Do sopro do Criador ao Livre Arbítrio

Um poema deveras inteligente e interessante que o nosso poeta escreveu e se chama o triângulo amoroso perfeito. É o que apresentamos nesta sexta-feira na Coluna POESIAS do Blog do Saber.

No princípio de toda grande tradição espiritual há uma pergunta que não se cala: se Deus é onipotente e onisciente, por que nos deu o poder de errar?

A resposta, paradoxalmente, está na própria grandeza do ato criador.

Criar uma criatura verdadeiramente livre é o gesto mais radical de amor que existe. Porque o amor que não pode ser recusado não é amor — é programação. E Deus, nas tradições que o concebem como amor absoluto, não quis autômatos. Quis filhos. Quis consciências capazes de escolher.

O livre-arbítrio é, portanto, o presente mais arriscado e mais precioso que a criatura recebeu. É o reflexo mais fiel da natureza divina em nós — pois escolher livremente é o que nos aproxima do próprio Criador.

Contudo, esse poder traz consigo uma responsabilidade incontornável: somos os autores das nossas escolhas — e das suas consequências. Não há destino previamente escrito que nos absolva dessa responsabilidade. Não há dedo divino que aponte quem será salvo ou condenado.

O Triângulo amoroso perfeito.

O Triângulo Amoroso Perfeito

O Criador é quem cria,
É Dele que tudo vem;
É no Criador que mora,
A santa sabedoria,
Ele cria o que lhe convém;
A criatura surge do nada,
Nem própria vontade tem;
É o Criador que decide,
O tipo, o modelo, o calibre,
O que pra natureza faz bem.

Se nós fomos escolhidos,
Foi alguém que nos escolheu;
Não estamos aqui por acaso,
Nem ele, nem tu, nem eu;
Deus permitiu este fato,
Estamos aqui para algo,
Descubra pra que missão veio;
Teus dons estão na bagagem,
Desate os nós da maleta,
Faça o serviço na viagem.

Quando fomos escolhidos,
Somos privilegiados;
Ganhamos o prêmio da vida,
Cem bilhões foram rejeitados;
Estamos aqui para um show,
Espetáculo aprovado,
Ganhamos a grande corrida,
Somos fortes iniciados;
Agora, daqui pra frente,
Sejamos determinados.

Leôncio Queiroz

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