Um testemunho de presença mesmo diante da finitude
Quando a vida muda de repente e começamos a pensar mais profundamente acerca de mudanças radicais. Nesta semana, a notícia da morte precoce de Eric Dane, em decorrência de uma doença cruel e devastadora, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) atravessou muitas pessoas.
A mim trouxe muitas reflexões. Não apenas pela perda em si, mas pela forma como ele escolheu lidar com o que estava vivendo.
Vi muitos comentários, postagens e assisti à entrevista dele falando sobre sua condição, sobre como estava enfrentando aquele momento e, principalmente, deixando mensagens para suas duas filhas — e para o mundo. Uma despedida consciente. Um gesto de coragem. Um testemunho de presença mesmo diante da finitude.
Pensando profundamente sobre mudanças drásticas
Há acontecimentos que reorganizam a vida sem pedir autorização. Uma doença inesperada. Uma perda. Um rompimento. Um diagnóstico. Eventos que dividem nossa história em “antes” e “depois”.
Mudanças assim não alteram apenas circunstâncias externas. Elas deslocam certezas internas. Nos obrigam a rever prioridades, a recalcular rotas e a enxergar o tempo com outra nitidez.
Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho, metas e crescimento contínuo. Mas há momentos em que a vida nos convida a olhar para outra métrica:
A qualidade da nossa presença.
O gesto de gravar uma mensagem para ser vista depois da própria partida carrega algo muito potente. É a consciência de que o tempo é finito — e, ainda assim, escolher falar de amor, de valores, de legado.
Mudanças drásticas nos confrontam com aquilo que evitamos pensar: nossa vulnerabilidade. E, paradoxalmente, é nesse contato com a vulnerabilidade que encontramos nossa maior força.
O que realmente importa quando o controle se desfaz?
Que palavras queremos que permaneçam?
Que memória queremos deixar nos que ficam?

Talvez amadurecer seja isso:
Compreender que não controlamos o tempo, mas podemos escolher a forma como o habitamos.
Não se trata de viver com medo. Trata-se de viver com intenção.
A notícia desta semana não é apenas sobre uma perda. É sobre coragem. Sobre consciência. Sobre legado.
E talvez seja também um convite:
que não esperemos rupturas para dizer o que precisa ser dito, para fazer o que precisa ser feito, para viver o que faz sentido.
Porque a vida pode mudar de repente.
E quando a vida muda de repente, nos pergunta quem escolhemos ser até lá.
— Sarita Cesana
Psicologia & Gente e Cultura
Psicóloga CRP 17-0979
@saritacesana_ @jornada_da_felicidade