O Lado Oculto da Lua

O belo lado da lua que não víamos

Abril iniciou com encantamento: o mundo inteiro viveu a expectativa dos avanços e sucesso das missões do programa Artemis II e com a possibilidade de explorarmos regiões da Lua que permanecem fora do nosso campo de visão.

O chamado “lado oculto” sempre despertou curiosidade: crateras profundas, relevos irregulares e nuances que lembram, poeticamente, uma paleta de cores digna de Claude Monet.

Não o vemos da Terra porque a Lua gira em perfeita sintonia com o nosso planeta, revelando sempre a mesma face. A outra não desaparece, apenas permanece fora do nosso olhar.

E talvez seja justamente aí que a metáfora começa a nos tocar.

O que não mostramos ao mundo

Assim como a Lua, também temos nosso lado oculto.

Existe em nós uma parte silenciosa, feita de sentimentos que nem sempre sabemos nomear. São nossas fragilidades, inseguranças, pequenos incômodos e até pensamentos que preferimos guardar.

Não é apenas o que há de “ruim”. É tudo aquilo que, por algum motivo, deixamos de mostrar aos outros e, às vezes, escondemos de nós mesmos.

De forma mais leve, podemos lembrar de uma ideia de Carl Gustav Jung: dentro de cada pessoa existe um território pouco explorado, que também faz parte de quem somos.

A beleza de olhar para dentro

Conhecer esse lado não exige pressa, nem coragem heroica, apenas disponibilidade. Por exemplo, um olhar mais gentil para si mesmo já é um começo.

Assim como não podemos reduzir a Lua a apenas uma de suas faces, pois ela é o todo, o mesmo ocorre conosco: somos feitos de muitas camadas – algumas claras, outras nem tanto, mas todas igualmente humanas.

Aquilo que escondemos nem sempre precisa ser combatido. Às vezes, precisa apenas ser compreendido, trabalhado.

Imagine que alguns de nós têm muito medo, uma característica “negativa.” Sabe-se que o medo é um mecanismo de sobrevivência e sinaliza ameaças. Do contrário, se vivêssemos de forma imprudente, nem estaríamos mais aqui. Logo, o medo tem seu lado “bom” que é a proteção.
A insegurança, por exemplo, pode nos tornar mais atentos.
Se observarmos, até as partes mais duras podem carregar algum aprendizado silencioso.

Lado oculto para poucos

Como acontecia com a lua, nem todos podiam ver seu lado oculto (bem, agora, todos puderam ver as imagens, algo de interesse mundial), mas em se tratando de nós, são raríssimas as pessoas que podem nos ver e conviver com a parte que ocultamos. E, mesmo quando há decepções, ainda assim vale a tentativa de se mostrar um pouco mais, de viver relações verdadeiras.

Em síntese, nem todos têm acesso ao nosso lado oculto e talvez nem devam.

Assim como todos, eu também tenho meu lado escondido, que é reservado a poucos. Talvez seja justamente nesse espaço de confiança que encontro equilíbrio entre o que mostro e o que sinto.

Uma missão interior

No fim, talvez o verdadeiro encanto não esteja apenas em descobrir o que estava oculto, mas em perceber que aquilo que não víamos também faz parte da beleza.

Vejam, a Lua continua sendo a mesma. Apenas ampliamos nosso olhar sobre ela.

E nós?

Talvez possamos iniciar, aos poucos, nossa própria missão “Artemis” interior: olhar com mais carinho para dentro, sem julgamentos apressados. Porque, no fundo, tornar-se inteiro não é eliminar as sombras e sim, aprender a caminhar com elas.

Mas e você? Como tem sido o seu encontro com aquilo que você não mostra ao mundo?
Existe algo em seu “lado oculto” que pode, de alguma forma, te ensinar? Conte-me que já volto para responder os comentários.

Beijos da cronista.

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5 comentários em “O Lado Oculto da Lua”

  1. Meu lado oculto também é feito de medos. Medo de não dar conta, medo de decepcionar, medo do que ainda nem aconteceu.
    Acho que a gente aprende que não precisa mostrar tudo pra ser inteiro. Mas de vez em quando, deixar um raio de sol entrar ali faz a gente lembrar que até a lua tem fases. E tudo bem ser escura às vezes.

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  2. Ótimo e inspiradora reflexão. Parabéns!!!

    No oráculo, a noite sopra
    O ar sutil do meu destino,
    Entre o divino e o ferino
    A escuridão que se encorpa
    No coração a luz desdobra.
    De um brilho que vem seguro
    Traz dor no verso mais puro
    Que guardo em minha memória,
    *A lua não tem luz própria,*
    *Porém tem um lado oculto.*

    (Pablo Henrique)

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  3. A lua e seus mistérios… Os humanos e seus mistérios…
    É uma metáfora que nos atravessa.
    O que escondemos e o que, de fato desconhecemos em nós mesmos?
    O que escondemos temos lá nossas razões, seja por medo, segredos, etc.
    Agora nosso “ponto cego”, aquele que os outros vêem e nós não, só é desvendado com “feedback”. É preciso estarmos prontos para este momento que é tão importante para o autoconhecimento, mas nem sempre é fácil.
    Muitas vezes é preciso ajuda profissional para chegar lá.
    Isso fora nosso lado oculto do outro e de nós mesmos. Traumas inconscientes ou até talentos que ainda não vieram à tona.
    O ser humano é rico em mistérios. Somos mesmo fascinantes, assim como a lua. Assim como suas crônicas. <3

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  4. Sim, todos nós temos nosso lado oculto. Lado que muitas vezes nos faz questionar. Compartilhar esse universo desconhecido precisa de muito auto conhecimento e auto confiança. E muitas vezes nem conseguimos nos compreender. É o mistério da vida!

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