Repensar quem somos, como vivemos e para onde vamos
Ego e essência são conceitos centrais no autoconhecimento e no Eneagrama. Especialmente no início de um novo ano, reflexões de início de ano são imprescindíveis quando tantas pessoas repensam quem são, como vivem e para onde estão indo.
Então, todo início de ano carrega uma espécie de convite silencioso.
Como se o calendário dissesse: “agora vai”.
Agora você muda.
Agora acerta.
E agora faz diferente.
Se organizar por dentro é preciso
Há listas, planos, resoluções, expectativas renovadas — próprias e alheias.
E, junto com elas, uma pressão sutil para recomeçar sem pausa, como se o simples virar do ano fosse suficiente para nos reorganizar por dentro.
Mas o tempo externo não garante transformação interna.
Contudo, é justamente nesses momentos de transição que o ego costuma assumir o controle.
Ele se agita diante da ideia de “novo ciclo”, querendo dar respostas rápidas, definir versões melhores de quem devemos ser, ocupar espaços antes mesmo de escutarmos o que realmente precisa emergir.
Quão grande é o ego?
O ego é eficiente.
Aprende cedo a performar, a se adaptar, a sobreviver.
Constrói personagens socialmente aceitáveis, versões aprimoradas de nós mesmos, respostas prontas para perguntas que nunca cessam:
“Quem você é?”
“O que você faz?”
“O que você conquistou?”
Então, o problema não é ter um ego.
O problema é quando ele assume o governo da nossa vida.
O diferencial do Eneagrama
No Eneagrama, aprendemos que o ego nasce como uma estratégia de proteção. Ele tenta garantir amor, reconhecimento, segurança, valor.
Mas, quando perde o contato com a essência, ele deixa de proteger — e passa a aprisionar.
Portanto, vivemos para sustentar uma imagem, não uma verdade.
Para cumprir expectativas, não para escutar o que pulsa por dentro.
Para manter o personagem em cena, mesmo quando o corpo e a alma já pedem descanso.
O papel da Essência
A essência, ao contrário, não grita.
Ela sussurra.
Ela não precisa provar nada.
Não compete, não se compara, não se justifica.
A essência apenas é — e talvez por isso seja tão fácil ignorá-la num mundo que recompensa desempenho, visibilidade e excesso.
Quando estamos desconectados da essência, algo curioso acontece:
podemos até parecer alinhados com o “novo ano”, mas internamente seguimos repetindo velhos padrões.
O cansaço deixa de ser físico e passa a ser existencial.
E então surge uma pergunta inevitável — especialmente neste começo de ciclo:
quem está vivendo a sua vida hoje: o seu ego ou a sua essência?
Não se trata de eliminar o ego. Isso seria ingênuo.
Trata-se de recolocá-lo no lugar certo: como instrumento, não como condutor.

Eis que surge a maturidade emocional
A maturidade emocional começa quando percebemos que não precisamos mais nos defender o tempo todo.
Que não precisamos convencer ninguém sobre quem somos.
Que podemos falhar sem nos perder.
Silenciar sem desaparecer.
Parar sem nos sentirmos inúteis.
Talvez o verdadeiro recomeço não esteja em fazer mais, mas em voltar para si.
Um gesto mais honesto.
Uma escolha menos performática.
Uma escuta mais profunda do que realmente importa agora.
Tenho aprendido que viver com mais verdade não nos livra das dores,
mas nos torna inteiros o suficiente para atravessá-las.
E talvez isso seja o início mais importante que podemos escolher.
Sarita Cesana