A Consciência na Perspectiva Psicanalítica

É apenas a ponta do iceberg

A psicanálise, desde sua origem com Freud, revolucionou a compreensão da consciência humana, apresentando-a não como um estado unificado e transparente, mas como uma pequena parte de um complexo aparelho psíquico dominado por forças inconscientes. Por isso a Consciência na perspectiva psicanalítica é tão importante para podermos compreendê-la em toda a sua dimensão.

O que é a consciência na visão psicanalítica

Na teoria psicanalítica, a consciência representa apenas a “ponta do iceberg” da mente humana. Freud propôs uma topografia da mente dividida em três níveis: consciente, pré-consciente e inconsciente. Posteriormente, desenvolveu o modelo estrutural que divide o aparelho psíquico em Id, Ego e Superego. Então, nessa contexto o pré-consciente deve ser subentendido como o subconsciente, ou seja, a maior e mais importante parte de todo o complexo da consciência.

Todavia, a consciência na perspectiva psicanalítica, é o estado de percepção imediata da realidade interna e externa, representando uma parte limitada da vida mental. É o espaço onde ocorrem os pensamentos, sentimentos e percepções e/ou emoções dos quais estamos cientes no momento presente.

A Consciência na Perspectiva Psicanalítica. É apenas um iceberg.

Onde começa a consciência

Segundo a psicanálise, a consciência não é inata em sua forma plena, mas desenvolve-se gradualmente. Contudo, começa com as primeiras experiências sensório motoras do bebê e se estrutura através das relações objetais primárias, particularmente com a figura materna. Ela se expande o tempo todo, initerruptamente ao longo de toda a trajetória da consciência.

Para Freud, o Ego (instância psíquica responsável pela mediação entre os impulsos internos e a realidade externa) é a sede da consciência. Portanto, o desenvolvimento do Ego marca o início da capacidade de consciência reflexiva e pode ser mais lento ou mais rápido, de acordo com a capacidade evolutiva de cada alma. Este processo envolve:

  1. A diferenciação gradual entre o self e o mundo externo;
  2. A internalização das proibições e exigências parentais;
  3. O desenvolvimento da capacidade de representação simbólica;
  4. A formação de uma identidade coesa.

Onde termina a consciência

Desta forma, os limites da consciência são definidos por mecanismos de defesa, especialmente o recalque. Então, a repressão de conteúdos inaceitáveis para o Ego marca a fronteira entre o consciente e o inconsciente. É neste ponto que a consciência “termina” e começa o domínio do inconsciente. E isso determina o nível consciencial em que essa alma se encontra no que tange a repressão de conteúdos inaceitáveis para o Ego. Em outras palavras, o quão desperta essa consciência se encontra no seu movimento de expansão.

Então, Lacan expandiu esta compreensão, enfatizando o papel da linguagem na estruturação da consciência. Para ele, o inconsciente é estruturado como uma linguagem, e o que está fora do simbólico constitui o limite da consciência. Entretanto, podemos dizer que, de certa forma, a consciência não tem limites, pois está sempre expandindo e sendo assim a linguagem e o simbolismo que fazem parte dessa tridimensionalidade limitada, são superadas nesse processo de expansão ao alcançar a 5 dimensão.

O que determina um ser consciente

Na visão psicanalítica, um ser consciente é determinado por:

  • A capacidade de perceber e integrar estímulos internos e externos
  • A habilidade de autorreflexão e reconhecimento de si mesmo
  • O desenvolvimento de funções egóicas como memória, atenção, pensamento
  • A capacidade de simbolização e elaboração psíquica
  • A possibilidade de mediação entre os impulsos internos (Id) e as exigências da realidade e da moral (Superego).

Conceitos corretos e compreensíveis no universo tridimensional.

Os limites da consciência

A psicanálise identifica diversos limites para a consciência:

Limites estruturais

  • O recalque primário: conteúdos que nunca estiveram na consciência
  • A resistência: força que se opõe ao retorno do material recalcado
  • A compulsão à repetição: padrões inconscientes que se repetem sem consciência

Limites dinâmicos

  • Conflitos psíquicos que geram angústia
  • Mecanismos de defesa que distorcem a percepção da realidade
  • Transferência: projeção inconsciente de relações passadas em figuras do presente

Limites desenvolvimentais

  • Traumas precoces que afetam a capacidade de simbolização
  • Falhas na integração do self

Como saber se alguém é consciente sobre algo?

Determinar se alguém é consciente sobre algo é um desafio na prática psicanalítica. Os principais indicadores incluem:

  1. Capacidade de verbalização: A pessoa consegue articular em palavras a experiência ou o conteúdo em questão.
  2. Coerência narrativa: O discurso sobre o tema apresenta consistência lógica e temporal.
  3. Integração afetiva: Há congruência entre o conteúdo verbal e as manifestações emocionais.
  4. Ausência de sintomas: Quando conteúdos são verdadeiramente conscientes, tendem a não produzir sintomas neuróticos.
  5. Capacidade de insight: A pessoa consegue estabelecer conexões entre diferentes aspectos de sua experiência.
  6. Comportamento adaptativo: As ações demonstram consideração consciente do conteúdo em questão.
  7. Ausência de contradições significativas: O discurso e comportamento não apresentam incongruências importantes.

No entanto, a psicanálise reconhece que a linha entre consciência e inconsciência é fluida. Então, um conteúdo pode ser parcialmente consciente, ou consciente em determinados contextos e inconsciente em outros. O próprio processo analítico visa expandir o campo da consciência, tornando conscientes conteúdos previamente inconscientes, seguindo o famoso aforismo freudiano: “Onde estava o Id, ali estará o Ego”.

Além da psicanálise freudiana e junguiana

Se seguirmos adiante de onde a psicanálise freudiana e junguiana parou podemos encontra outras respostas mais contundentes e promissoras que nos levam a uma ruptura entre o Id e o Ego. Algo nunca antes imaginável, dentro da linha da psicanálise e do cientificismo. Porém, nada que já não tenha sido estudado ou experienciado antes pela humanidade ou uma fração dela. Contudo, a filosofia milenar oriental baseada na meditação, no esoterismo e na espiritualidade trás ensinamentos extraordinários que se perderam ao longo da nossa trajetória e não foram devidamente aproveitados. E se somarmos essa experiência oriental com a mais recente experiência ocidental do espiritismo um cabedal inesgotável de conhecimento, sabedoria e informação então fica muito fácil de entender a expressão: “não foram devidamente aproveitados”.

Infelizmente, há apenas 13 milhões de espíritas no mundo e apesar de uma variedade de religiões como o Hinduísmo, Budismo, Jainismo e Sikhismo, que acreditam em reencarnação e constituem uma massa crítica bem maior, mas apenas uma minoria é realmente consciente na verdadeira acepção da palavra. Dai a enorme dificuldade de se entender a Consciência na Perspectiva Psicanalítica, quiçá na perspectiva penta dimensional.

Wagner Braga

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