Uma reflexão crítica sobre a moralidade e a conduta adequada
“A ética pode ser definida como o conjunto de princípios morais que orientam o comportamento humano em relação ao que é considerado bom e correto. O tema ética e caráter nas organizações é uma reflexão crítica sobre a moralidade, investigando os fundamentos e critérios que determinam a conduta adequada nas diversas situações da vida.
Contudo, no contexto organizacional, a ética se traduz na aplicação desses princípios às decisões empresariais, buscando equilibrar a busca por resultados econômicos com o respeito à dignidade humana, a justiça nas relações e a responsabilidade perante a sociedade e o meio ambiente.”
Então, vai além do simples cumprimento de leis e regulamentos, abrangendo questões morais sobre o que é certo ou errado, justo ou injusto nas práticas e decisões corporativas.
A ética empresarial manifesta-se em diferentes níveis:
- Nível individual: as decisões éticas tomadas por funcionários e gestores
- Nível organizacional: políticas, cultura e práticas da empresa
- Nível sistêmico: responsabilidades da empresa perante a sociedade e o ambiente
Relação entre Valores Pessoais e Cultura Organizacional
Portanto, os valores pessoais dos membros de uma organização, especialmente seus líderes, têm influência significativa na formação da cultura organizacional e de seus padrões éticos. Esta relação se manifesta de várias formas:
- Alinhamento de valores: Quando os valores pessoais dos colaboradores se alinham aos valores declarados da organização, há maior probabilidade de comportamentos éticos consistentes.
- Conflito de valores: Tensões podem surgir quando valores pessoais divergem dos valores organizacionais, gerando dilemas éticos para os indivíduos.
- Papel dos líderes: Os valores demonstrados pelos líderes têm efeito cascata na organização – o que é frequentemente chamado de “tone from the top”.
- Seleção e socialização: Organizações tendem a atrair e reter pessoas cujos valores pessoais se alinham com sua cultura, reforçando determinados padrões éticos ao longo do tempo.
Todavia, a cultura organizacional atua como um sistema de valores compartilhados que influencia como os membros pensam e se comportam. Uma cultura ética forte pode servir como “bússola moral” que guia decisões mesmo quando não há regras explícitas para situações específicas.
Três princípios fundamentais
Frequentemente reconhecidos como pilares da ética organizacional:
Integridade
A integridade implica consistência entre palavras e ações, aderência a princípios morais e honestidade. Nas organizações, manifesta-se por meio de:
- Coerência entre valores declarados e práticas reais
- Honestidade nas comunicações internas e externas
- Compromisso com promessas e acordos
- Reconhecimento de erros e prestação de contas
Transparência
A transparência envolve abertura, comunicação clara e disponibilidade de informações relevantes para as partes interessadas:
- Divulgação honesta de informações sobre produtos, serviços e operações
- Clareza na comunicação de decisões e suas justificativas
- Acessibilidade de informações relevantes para stakeholders
- Processos decisórios claros e documentados
Responsabilidade
A responsabilidade refere-se à disposição de prestar contas por ações e decisões, e pela consideração de seus impactos:
- Reconhecimento das consequências das ações organizacionais
- Disposição para remediar danos causados
- Consideração proativa dos impactos das decisões nos stakeholders (partes interessadas)
- Estabelecimento de sistemas de prestação de contas
Portanto, estes princípios éticos fundamentais formam a base para o desenvolvimento de códigos de conduta mais específicos e para a tomada de decisões éticas no cotidiano organizacional. Quando integrados à cultura e práticas de uma organização, contribuem para a construção de confiança, reputação positiva e relacionamentos sustentáveis com todos os públicos de interesse.

A crise ética atual
Ela pode ser atribuída a múltiplos fatores convergentes:
Individualismo exacerbado, Instantaneidade e imediatismo, Complexidade e globalização, Transformação digital, Crise de confiança institucional, entre outros…
A superação da atual crise ética não se dará por decreto ou por simples adesão formal a códigos de conduta. Isso requer uma profunda transformação cultural que reposicione valores humanos fundamentais no centro das decisões organizacionais. Em última análise, organizações verdadeiramente éticas não são apenas mais justas e responsáveis – são também mais resilientes e capazes de prosperar sustentavelmente em um mundo de crescente complexidade e escrutínio social.
Então, o desafio ético de nosso tempo convida a uma reflexão fundamental sobre ética e caráter nas organizações: além do que podemos fazer, o que devemos fazer? A resposta a esta pergunta definirá não apenas o caráter das instituições, mas também o futuro da sociedade que estamos coletivamente construindo.
Concluindo, o momento contemporâneo evidencia uma profunda crise ética que perpassa diversos setores da sociedade, incluindo o ambiente organizacional. Esta crise não é meramente episódica, mas reflete transformações estruturais nas relações sociais, econômicas e tecnológicas que caracterizam nosso tempo.
SARITA CESANA
PSICÓLOGA CPR 17/0979
@saritacesana_ @implementeconsultoria