Impossível Não Trazer o Tema da Depressão, em Jovens


As notícias andam assustadoras: a depressão em adolescentes é hoje mais frequente, e tem
maior risco de suicídio.


Os casos de depressão entre jovens já vinham aumentando, mesmo antes da pandemia. Os
impactos da pandemia de Covid-19, do isolamento, aumento de horas nas mídias sociais,
crises familiares, econômicas, entre outras mudanças, gerou maior ansiedade entre todos, e
trouxe consequências danosas para os jovens.


A saúde mental pode ter se tornado a maior crise sanitária, iniciada em 2020, incluindo no
dia a dia das famílias, elementos desafiadores, nunca antes vividos.


A adolescência já é uma fase marcada por inseguranças e mudanças hormonais e corporais,
portanto muitas inquietações acontecem, e podem gerar conflitos internos e externos.


Não vou falar de dados: eles estão disponíveis em qualquer pesquisa, via internet. A notícia
mais triste desta situação é o suicídio: mais de 10 adolescentes tiram sua vida, diariamente,
segundo a UNICEF, na América Latina, sendo a principal causa de mortes na faixa etária de
15 a19 anos.


Ouvir notícias e conviver com a impotência que todos, pais, professores, amigos, sociedade,
sentem, afeta direta ou indiretamente este momento, já tão conturbado.
Podemos pensar que a fase da adolescência está sendo “alongada” – se inicia antes, e pode
se prolongar até depois do tempo previsto. Nossa sociedade vem sofrendo mudanças, e
essa definição da adolescência também.


Embora a depressão possa acontecer em qualquer momento da vida, os sintomas nessa
fase é um grave problema de saúde mental, causando a sensação de inadequação, tristeza,
isolamento, pressão e cobranças. A autoestima é questionada e, normalmente, rebaixada a
patamares complexos e inadequados.


Por mais atentos que os familiares estejam, a vida contemporânea sobrecarrega a todos, e
as crenças sobre o comportamento dos adolescentes, podem fazer com que os cuidadores
confundam as mudanças emocionais, características deste momento, com algo passageiro,
dificultando a identificação de algo mais grave.


Estar atento a comportamentos como: falta de objetivos, tristeza, dificuldade na
comunicação, choro, irritabilidade, perda de interesse, raiva, isolamento, dificuldade de
concentração, sociabilidade ou resposta, extrema sensibilidade, autocrítica, mudanças de
comportamento, insônia ou cansaço em demasia, alterações no apetite, agitação, queixas
ou aceitação de tudo (sem questionamento), mau desempenho escolar, desleixo com a
própria imagem ou cuidado…são sinais de alerta!


Diferenciar o que faz parte do momento, e o que já começa a indicar algum adoecimento, é
um limite tênue, porém o diálogo aberto, o vínculo de confiança, paciência e amor, são os
grandes diferenciais entre vida/morte.


Muitas podem ser as causas, mas existe uma dor verdadeira, que é sentida com grande
intensidade por esses jovens, que precisam de ajuda. Nunca ignore sua intuição: se
perceber algo “estranho”, se aproxime, se informe e aja!

Algumas dicas, que podem ajudar, mas que não resolvem completamente:

  1. Levar e demonstrar apoio durante o tratamento;
  2. Se dispor a ouvir o adolescente, sem julgamento;
  3. Não tente impor padrões de comportamento;
  4. Convide-o para saídas ou programas em família;
  5. Relembre o quanto ele é importante para a família, os amigos e o mundo;
  6. Trabalhe sua autoestima com elogios;
  7. Acolha, acolha, acolha.
    Sarita Cesana
    Psicóloga CRP/RN 0979
    Saritacesana_
    Contato: (84)98169-1884
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