Autassédio

Uma análise sob os pontos de vista da Conscienciologia e do Espiritismo

O sofrimento humano nem sempre nasce apenas das circunstâncias externas. Na verdade, em muitos casos, ele é alimentado silenciosamente pela própria mente, pelos sentimentos cultivados e pelos padrões energéticos mantidos diariamente. Tanto a Conscienciologia quanto o Espiritismo abordam esse fenômeno de maneira profunda, reconhecendo que a consciência pode tornar-se vítima de si mesma através do chamado autassédio.

O autoassédio é um processo sutil, contínuo e frequentemente inconsciente. Ele corrói a lucidez, enfraquece as energias e, sobretudo, aprisiona a consciência em ciclos repetitivos de negatividade emocional e espiritual.

O que é autassédio?

Na Conscienciologia, o autassédio é definido como o assédio produzido pela própria consciência contra si mesma. Trata-se da manutenção voluntária ou involuntária de pensamentos patológicos, emoções desequilibradas e padrões energéticos nocivos.

Em outras palavras, é uma forma de autointoxicação pensênica.

A pessoa, portanto, alimenta:

  • culpa excessiva
  • medo constante
  • revolta
  • autopunição
  • ressentimento
  • ciúme
  • vitimização
  • pessimismo
  • orgulho ferido
  • autodesvalorização

No Espiritismo, embora o termo “autassédio” não seja tradicionalmente utilizado da mesma forma, o conceito aparece associado à invigilância mental, às obsessões e à sintonia espiritual inferior.

Em síntese:  a própria consciência cria o ambiente íntimo que favorece o sofrimento espiritual.

Entenda como acontece o autassédio

O autassédio começa de maneira silenciosa. Primeiro surge um pensamento recorrente; depois, ele passa a ser emocionalmente alimentado e, com o tempo, transforma-se em padrão mental dominante.

A repetição constante cria, então, verdadeiros circuitos psíquicos de sofrimento. Tais circuitos são padrões mentais e energéticos que se tornam automatizados pela repetição. Assim como circuitos elétricos conduzem correntes por caminhos fixos, os circuitos psíquicos conduzem pensamentos e emoções pelos mesmos trilhos repetidamente. Quanto mais alimentados, mais profundos e difíceis de interromper eles se tornam, funcionando quase como uma programação interna automática da consciência.

Por exemplo:

  • uma mágoa constantemente revivida
  • um medo continuamente alimentado
  • uma culpa nunca elaborada
  • uma raiva repetidamente estimulada

Na visão conscienciológica, isso produz um holopensene pessoal desequilibrado. A consciência passa, assim, a emitir energias densas compatíveis com ambientes e companhias extrafísicas igualmente desequilibradas.

Já no Espiritismo, diria-se que ocorre sintonia com espíritos inferiores através da afinidade vibratória.

Portanto, o autassédio pode evoluir para:

  • obsessão espiritual
  • vampirização energética
  • depressão
  • ansiedade intensa
  • compulsões
  • perda de lucidez
  • sabotagem existencial

Vejamos quem está sujeito ao autassédio

Absolutamente nenhum ser humano encarnado está totalmente imune ao autassédio enquanto possuir traços psicológicos imaturos.

Contudo, algumas condições favorecem mais esse processo:

  • baixa autoestima
  • orgulho excessivo
  • rigidez emocional
  • melancolia
  • dificuldade de perdoar
  • apego ao passado
  • sentimentos de culpa
  • vícios emocionais
  • pensamentos repetitivos negativos
  • ausência de autoconhecimento

Paradoxalmente, pessoas espiritualistas também podem sofrer intensamente de autassédio quando desenvolvem:

  • arrogância espiritual
  • fanatismo
  • sensação de superioridade moral
  • medo obsessivo de ataques espirituais

O medo constante do assédio pode se transformar em autassédio.

Quando uma pessoa se torna excessivamente preocupada com a possibilidade de sofrer ataques ou assédios espirituais, ela passa a cultivar internamente um estado permanente de alerta, tensão e medo. Esse estado, todavia, acaba produzindo exatamente o efeito que ela tanto teme: um holopensene (ou ambiente vibracional íntimo) denso e desequilibrado. A consciência, ao repetir obsessivamente pensamentos de ameaça e vulnerabilidade, emite energias compatíveis com entidades e situações de baixa frequência. Desta forma ela acaba atraindo aquilo que tanto busca evitar. Em suma, o próprio medo do assédio torna-se o agente do desequilíbrio interior, caracterizando o autassédio.

Autoassédio

Saiba como se blindar ao autassédio

A blindagem começa pela vigilância íntima. Jesus já ensinava:

“Orai e vigiai.”

A vigilância mental é, sobretudo, essencial porque a consciência se torna semelhante àquilo que cultiva internamente.

Algumas práticas importantes:

  • autocrítica equilibrada
  • higiene mental
  • oração
  • meditação
  • estado vibracional
  • leitura edificante
  • disciplina emocional
  • cosmoética
  • mudança de hábitos
  • convivência saudável
  • assistência ao próximo

Na Conscienciologia, o Estado Vibracional é considerado uma ferramenta importante de autodefesa energética. No Espiritismo, todavia, a reforma íntima ocupa papel central, pois modifica gradualmente a frequência moral e espiritual da consciência.

Cabe ressaltar que a blindagem energética sem transformação íntima tende a ser apenas paliativa.

Se libertando do autoassédio

A libertação começa quando a consciência assume responsabilidade pelo próprio mundo íntimo. Enquanto a pessoa acredita que todo sofrimento vem apenas do exterior, ela permanece sem poder real de transformação.

Libertar-se do autoassédio exige, portanto:

  • autorresponsabilidade
  • auto-observação
  • humildade
  • autoconsciência
  • mudança pensênica
  • reeducação emocional

O processo não ocorre instantaneamente. Pensamentos cultivados durante anos criam raízes profundas. Contudo, toda mudança íntima sustentada altera gradualmente:

  • a energia pessoal
  • as companhias espirituais
  • as emoções predominantes
  • a percepção da realidade

A consciência começa, então, a sair do padrão de prisão íntima para um estado de maior lucidez e equilíbrio. Isso faz parte da escala evolutiva da consciência, a caminho da desperticidade.

O autassédio tem a ver com frequência vibracional

Sim. Tanto a Conscienciologia quanto o Espiritismo sustentam, cada uma com sua terminologia, que semelhantes atraem semelhantes.

Pensamentos e emoções não seriam apenas fenômenos psicológicos abstratos; ao contrário, seriam emissões energéticas reais.

Ódio, inveja, culpa, medo e ressentimento tenderiam a densificar o campo energético da consciência. Já gratidão, serenidade, fraternidade, lucidez e equilíbrio tenderiam a elevar o padrão vibracional.

Isso não significa negar os problemas da vida ou viver em positividade artificial. Significa, sobretudo, compreender que a maneira como a consciência reage aos acontecimentos influencia diretamente:

  • sua saúde emocional
  • sua lucidez
  • sua energia
  • suas companhias espirituais

A frequência vibracional não seria apenas “o que acontece conosco”, mas principalmente “o que sustentamos dentro de nós”.

Considerações finais

O autassédio talvez seja uma das formas mais silenciosas de aprisionamento da consciência. Ele não depende necessariamente de inimigos externos, pois nasce da manutenção contínua de padrões íntimos desequilibrados.

A boa notícia, contudo, é que aquilo que foi criado pela própria consciência também pode ser transformado por ela.

Toda mudança real começa, portanto, no mundo íntimo. E toda libertação espiritual profunda começa pela vigilância sobre os próprios pensamentos, sentimentos e energias.

Tudo isso só mostra e prova que o poder da nossa mente ou consciência é infinito. Podemos mesmo dizer que, se Deus existe, somos deuses em evolução e, sendo assim, somos imbuídos do seu mesmo poder.

Wagner Braga

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