2026 de transcendência na política ambiental internacional. De maneira geral, 2026 será um ano de implementação ambiental, porque várias políticas e normas internacionais passam de anúncios a cumprimentos verificáveis. Nesse contexto, o comércio, o transporte e o uso do solo incorporarão custos e rastreabilidade obrigatória. Ao mesmo tempo, os oceanos ganharão um marco legal mais exigente, e a poluição por plásticos definirá novas restrições. Além disso, os relatórios climáticos corporativos se expandirão, conectando finanças, auditoria e gestão ambiental com consequências contratuais. Por outro lado, o financiamento multilateral ajustará prioridades, e vários projetos renováveis emblemáticos entrarão em etapas decisivas. Diante dessas mudanças, antecipa-se um 2026 de transcendência na política ambiental internacional.
Novos Tratados Internacionais: A Coluna Vertebral da Legislação Ambiental
Entre os aspectos mais importantes, podemos mencionar novos tratados internacionais como a coluna vertebral da legislação internacional. O Acordo sobre Biodiversidade em Áreas Fora de Jurisdição Nacional, conhecido como Tratado do Alto-Mar, entra em vigor. A partir de sua vigência, a proteção da biodiversidade oceânica em alto-mar terá procedimentos e obrigações para os Estados Parte. Isso inclui criar áreas marinhas protegidas, avaliar impactos ambientais, e coordenar ciência, monitoramento e cumprimento entre países. Por conseguinte, aumentará a demanda por linhas de base, dados oceanográficos e metodologias para impactos cumulativos e transfronteiriços. Da mesma forma, setores como pesca industrial e bioprospecção enfrentarão maior escrutínio, porque as decisões deverão ser justificadas tecnicamente.
O Desafio Global dos Plásticos
Quanto à poluição, o processo rumo a um tratado global sobre plásticos busca fechar um texto vinculante durante 2026. Esse instrumento poderia abranger design de produtos, redução de produção, gestão de resíduos e restrições de substâncias químicas preocupantes. Por conseguinte, a economia circular ganhará prioridade, porque a regulação apontará para a prevenção antes do que apenas a reciclagem. Além disso, a responsabilidade estendida do produtor se fortalecerá, transferindo custos e obrigações para marcas, importadores e fabricantes. Ao mesmo tempo, os mercados de materiais secundários exigirão padrões de qualidade, rastreabilidade e segurança para evitar poluição e greenwashing. Assim, 2026 pode definir uma nova normalidade industrial, em que o plástico seja medido desde sua origem até sua disposição final.
Comércio Internacional e o Mecanismo de Ajuste de Carbono
No comércio, a União Europeia ativa obrigações substantivas do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, chamado CBAM. Isso obriga a calcular emissões incorporadas em certos bens importados, com dados de fornecedores e verificações robustas. Em consequência, o custo do carbono se transfere para cadeias globais, e os contratos deverão exigir informação técnica comparável. Além disso, muitas empresas precisarão de sistemas de medição, reporte e verificação para evitar estimativas conservadoras e mais caras. De maneira complementar, a transparência da pegada de carbono abrirá oportunidades para produtos com baixas emissões e diferenciais de preço. Por isso, 2026 será um ano de rastreabilidade de dados, e não apenas de declarações gerais de sustentabilidade.
Aviação Sustentável: CORSIA e Novos Desafios
Na aviação, o Plano de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional, chamado CORSIA, encerra sua primeira fase. Esse encerramento obriga a recalibrar necessidades de compensação e critérios de elegibilidade de créditos usados por companhias aéreas. Ao mesmo tempo, aumenta o foco em combustíveis sustentáveis de aviação e em eficiência operacional para reduzir emissões diretas. Além disso, cresce a exigência de integridade ambiental, o que demanda adicionalidade, permanência e ausência de dupla contabilidade. Por isso, os projetos que oferecem créditos deverão melhorar governança, monitoramento e verificação independente para sustentar seu valor.
Financiamento Ambiental Global: GEF-9 e Novas Estratégias
No financiamento, o Fundo para o Meio Ambiente Global inicia seu nono ciclo, conhecido como GEF-9, a partir de meados de 2026. Este Fundo apoia países para cumprir convenções como biodiversidade, clima e químicos, por meio de doações e assistência técnica. Este ciclo reorienta carteiras para resultados mensuráveis, cofinanciamento e sinergias entre clima, biodiversidade, químicos e degradação. Ao mesmo tempo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente implementa sua estratégia 2026–2029 com enfoque integral. Por isso, os projetos que busquem apoio deverão demonstrar teoria de mudança, indicadores, salvaguardas e capacidade institucional desde o início. Além disso, consolida-se a tendência de financiamento combinado, em que recursos concessionais reduzem risco para atrair investimento privado.
Projetos Renováveis Emblemáticos: A Infraestrutura da Transição Energética
Finalmente, vários projetos renováveis emblemáticos alcançarão marcos em 2026, mostrando que a transição energética também é infraestrutura. Por exemplo, o parque eólico offshore Dogger Bank na Inglaterra avança com fases rumo à operação comercial, elevando expectativas sobre integração de rede. De maneira semelhante, o cluster Nordlicht na Alemanha inicia construção, impulsionando cadeias industriais e modelos de contratos de energia limpa. Em conjunto, esses marcos reforçam que 2026 exige planejamento técnico, licenças, aceitação social e resiliência de redes elétricas. Por conseguinte, o foco para governos e empresas será antecipar conformidade, investir em dados e evitar riscos reputacionais.
André Tejerina