Convocação

A esperada convocação da seleção brasileira: quando o Brasil inteiro para

Meus amores, mesmo longe do Brasil, procuro sempre me inteirar do que acontece por aí. E percebi que, nesta semana, todos os holofotes estavam voltados para o mundo do futebol — não apenas pelos escândalos de traições que movimentaram as redes sociais, mas, sobretudo, pela tão aguardada convocação dos jogadores que disputarão a Copa do Mundo de 2026.

As expectativas eram enormes. Havia ansiedade por todos os lados. Pessoas debatendo nas redes sobre a possibilidade de Neymar, um dos maiores atacantes do país, não ser convocado. Os memes surgiram, as opiniões se multiplicaram e, como sempre acontece quando o assunto é futebol no Brasil, o país inteiro parecia parar por alguns instantes.

Ademais, outra turma já queria organizar um churrasco para assistir à divulgação da desejada lista do técnico italiano Carlo Ancelotti, como uma espécie de aquecimento emocional para os dias de Copa que estão por vir.

A paixão pelo futebol vai além do esporte

Como brasileira, acompanho boa parte do que acontece no nosso país e sei que muitos andam decepcionados com a performance da seleção. Quando olhamos para trás e lembramos das grandes vitórias, dos nomes históricos, da magia que já encantou o mundo, bate aquela dúvida silenciosa: será que o Brasil ainda consegue vencer?

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: por que isso tudo ainda mexe tanto conosco?

Num país marcado por tantos problemas — a violência, a corrupção, a desigualdade, a baixa qualidade na educação e tantas dores que nos entristecem como brasileiros —, talvez seja essa, então, a razão: é na Copa do Mundo que a maioria do país se une.

É um dos raros momentos em que o país inteiro parece respirar junto: os bons e os maus, os ricos e os pobres, os que usam Prada e os pés descalços. Pessoas de todas as cores, crenças, ideologias e histórias se unem, portanto, por um mesmo desejo: ver o Brasil vencer outra vez.

O brasileiro nunca deixa de acreditar

E talvez seja justamente aí que mora a beleza de tudo isso.

Porque, no fundo, o brasileiro nunca torce apenas por futebol. O brasileiro torce pela esperança. Pela sensação de que algo ainda pode dar certo e pela alegria coletiva capaz de atravessar um país tão cansado emocionalmente.

Enquanto escrevo esta crônica, já estou a par da lista oficial dos convocados. E sim, Neymar foi chamado. Para muitos, ele representa uma das maiores esperanças da seleção. Sua convocação trouxe alívio, reacendeu debates e, ademais, renovou expectativas que muitos já julgavam perdidas.

Entretanto, sabemos de uma coisa importante: ninguém vence sozinho. Nem no futebol. Nem na vida.

Convocação, Copa do Mundo FIFA 2026.

Todos nós queremos ser convocados pela vida

E foi justamente dessa euforia em torno da convocação que tirei uma reflexão simples, mas necessária:

Estamos sempre esperando algo ou desejando pertencer. Queremos sempre ser chamados para alguma missão, algum sonho, algum lugar. No fundo, todos nós queremos ser convocados pela vida.

Mas será que estamos preparados quando chega a nossa vez? Ou será que é o próprio caminho que nos prepara?

E quando não somos escolhidos? Quando somos esquecidos, deixados de lado, preteridos?

É o fim?

Não, meus leitores. É apenas a vida acontecendo.

A nossa Copa do Mundo diária

Todos os dias disputamos nossas próprias Copas do Mundo. Tentamos vencer nossas metas, nossos medos, nossas agendas, nossos desafios pessoais. Às vezes conseguimos. Outras vezes não — e bola para frente. A vida não para, afinal, porque perdemos uma partida.

Na Copa passada, saímos tristes. Criticamos jogadores, xingamos o técnico, desacreditamos de tudo. Contudo, bastou uma nova convocação para que a chama reacendesse novamente dentro de nós.

E talvez isso diga muito sobre o brasileiro: podemos até cair no desânimo, mas dificilmente deixamos de acreditar. Todavia, acreditar não basta — é preciso, sobretudo, continuar jogando.

Hoje somos mais de 212 milhões de corações pulsando juntos, carregando problemas, dores e esperanças, mas ainda torcendo para que o amanhã seja melhor.

E isso, por si só, já é uma vitória.

A boa notícia é que, quando a Copa chegar, estarei no Brasil para unir meu coração ainda mais de perto ao de todos vocês.

Beijos da cronista, daqui do mar Mediterrâneo, já perto de Marrocos.

E você: acredita que o futebol ainda consegue unir o Brasil ou hoje estamos perdendo essa capacidade de sonhar juntos?

Veridiana Avelino

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