Com Coragem

sobre ousar quando ainda não se tem todas as respostas

Ontem encerramos a IV Jornada da Felicidade e o I Fórum de Gestão de Riscos Psicossociais no Trabalho — e hoje escrevo ainda atravessada por tudo o que foi vivido. Com coragem: essa expressão chegou até mim ao final do evento, como presente de uma das palestrantes, na forma do livro “Com Coragem: como romper a barreira do medo e dar lugar à consciência plena”, de Lúcia Simões Sebben. Naquele instante, senti que aquelas palavras não eram apenas um título. Eram quase uma tradução do que tínhamos acabado de viver.

Porque, quando olho para trás, percebo que esse evento não foi construído apenas com planejamento, técnica e organização. Foi construído com coragem. E não aquela coragem bonita, que aparece pronta nos discursos. Mas a coragem real — a que caminha junto com a dúvida, com o medo de não dar certo, com a responsabilidade de sustentar algo que ainda está em construção.

Alguns acontecimentos não terminam quando acabam. Eles continuam dentro da gente — reorganizando pensamentos, emoções e, às vezes, a nossa própria forma de ver o mundo.

A coragem de dar o passo antes da certeza

A coragem de ousar fazer. A coragem de dar um passo antes de ter todas as garantias. E coragem de sustentar uma ideia quando ela ainda é só um esboço no papel — ou, às vezes, apenas uma inquietação no coração. Realizar um evento desse porte exigiu muito mais do que competência técnica. Exigiu presença. Também exigiu insistência. E exigiu enfrentar pequenos e grandes desafios ao longo do caminho, sem perder o sentido do porquê começamos.

Mas houve um outro tipo de coragem, talvez ainda mais importante: a coragem de falar sobre o que ainda é evitado. Falar de saúde mental no trabalho. Falar de riscos psicossociais. E falar de segurança psicológica em ambientes que, muitas vezes, ainda valorizam o silêncio, a produtividade a qualquer custo e a negação do sofrimento humano.

Com Coragem.

Mudar o olhar também exige coragem

Em um momento em que a NR-01 nos convoca — de forma mais explícita — a olhar para esses aspectos, fica evidente que não basta cumprir uma exigência normativa. É preciso mudar o olhar. E mudar o olhar também exige com coragem se posicionar: coragem para sair da superficialidade, coragem para reconhecer que existem riscos invisíveis que impactam profundamente as pessoas, e coragem para transformar discurso em prática.

Talvez seja por isso que esse evento não tenha sido apenas um evento, mas sim um posicionamento. Um movimento que afirma que o trabalho pode — e precisa — ser mais humano. Mais consciente. Mais responsável com aqueles que o sustentam todos os dias.

“Não basta cumprir uma exigência normativa. É preciso mudar o olhar. E mudar o olhar exige coragem para sair da superficialidade e transformar discurso em prática.”

Um exercício diário de continuar

Ao escrever isso, me dou conta de que coragem não é um ponto de chegada. É um exercício. Um exercício diário de continuar, mesmo quando o caminho não está totalmente claro. De sustentar escolhas que nem sempre são as mais fáceis e de seguir acreditando — mesmo quando ainda estamos construindo as respostas.

Seguimos. Com dúvidas, às vezes. Com cansaço, em muitos momentos. Mas, acima de tudo, com coragem — essa que não espera pela ausência do medo, mas escolhe agir mesmo com ele presente.

“Grandes movimentos começam assim:
quando alguém decide não esperar pela ausência de medo —
e escolhe agir, mesmo com ele.”

— Com coragem. Sempre.

Sarita Cesana

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