,O que sobra da relação?
Assisti recentemente às séries Eles & Elas e All Her Fault e, como todos estão comentando, também fiquei impactada. Histórias diferentes, contextos distintos, mas um fio invisível as conecta: a confiança — e o que acontece quando a confiança se rompe.
Então, confiança é um desses acordos silenciosos, que permeiam todas as relações, pessoais, profissionais, íntimas ou até um pouco distantes.
Contudo, ela não costuma ser dita em voz alta. Não se assina um contrato emocional.
Apenas se pressupõe.
Onde mora a fragilidade
E talvez seja justamente aí que mora sua fragilidade.
Confiamos acreditando que o outro verá o mundo com os mesmos olhos, que reagirá como reagiríamos, que protegerá aquilo que para nós é sagrado. Mas o outro não é extensão de nós. O outro é outro — com suas histórias, medos, sombras, lealdades e limites.
Portanto, quando a confiança se rompe, o que dói não é apenas o fato em si.
É a queda da narrativa que construímos.
Dói perceber que aquilo que parecia seguro não era.
Que o chão emocional tinha rachaduras.
Que aquilo que chamávamos de “nós” talvez fosse sustentado por silêncios, omissões ou expectativas não nomeadas.

Quando a omissão prevalece e o diálogo desaparece
Nas séries, sem querer dar spoiler, vemos relações atravessadas por decisões mal explicadas, verdades ditas pela metade, segredos protegidos em nome de uma suposta paz. E a pergunta que fica ecoando não é “quem errou?”, mas algo mais profundo:
em que momento deixamos de conversar com verdade?
A quebra da confiança raramente acontece de forma abrupta.
Ela costuma ser antecedida por pequenos afastamentos, pelo “conforto” do deixa-prá-lá:
– conversas evitadas
– desconfortos engolidos
– limites não colocados
– sinais ignorados em nome da harmonia
Até que um dia, algo estoura.
E então surge o luto — não só pela relação, mas pela imagem que tínhamos dela.
O preço de se reconstruir a confiança
Reconstruir a confiança, quando possível, exige mais do que pedidos de desculpa. Exige presença, responsabilidade emocional e disposição para sustentar conversas difíceis. Exige abandonar a fantasia de controle e aceitar o risco inerente a qualquer vínculo verdadeiro.
Porque confiar nunca foi garantia de que nada dará errado.
Confiar é, na verdade, um ato de coragem.
Tenho aprendido que relações saudáveis não são aquelas onde nada falha, mas aquelas onde há espaço para falar antes que a ruptura aconteça. Onde a verdade não é vista como ameaça, mas como cuidado.
Talvez o grande convite seja esse: menos acordos silenciosos, mais conversas honestas.
Menos expectativa de perfeição, mais maturidade emocional.
E você?
Onde anda depositando sua confiança — e o que tem feito para cuidar dela?
Tenha uma ótima semana,
Com carinho,
Sarita Cesana
Psicóloga CRP 17-0979
@saritacesana_ @jornada_da_felicidade