Ser escolhido não é o que você pensa!
A famosa frase bíblica, muitos são chamados poucos são escolhidos, atravessou séculos e ganhou interpretações diversas — algumas libertadoras, outras aprisionantes. Mas quando olhamos para ela com a lente da consciência, percebemos que o “ser escolhido” não tem nada a ver com favoritismo divino, destino pré-determinado ou um privilégio concedido a poucos. Contudo, tem a ver com algo muito mais íntimo, profundo e humano: a capacidade de escolher a si mesmo.
A distância entre o chamado e a escolha
Durante muito tempo, confundiu-se “chamado” com “vocação”. Então, chamado era aquilo que alguém dizia que você tinha: — “Ele tem vocação para ser padre.” — “Ela nasceu para ser professora.” — “Meu filho vai ser médico.”
A palavra “vocação” carregava, sobretudo, um peso quase sagrado. Era comum ouvir que a vocação vinha de Deus, como se fosse uma ordem enviada do céu, e não uma percepção interna, silenciosa, que nasce da própria consciência.
Além disso, por séculos, a escolha profissional — e muitas vezes até a escolha de vida — era feita pelos pais, pela sociedade, pela tradição. Ou seja: havia um chamado externo, imposto, e uma escolha que nem chegava a ser sua. A distância entre o chamado e a escolha era enorme, porque:
- o chamado era interpretado como algo que vinha de fora;
- a escolha já estava previamente decidida por outros.
O resultado? Muita gente vivendo vidas que não escolheu, seguindo caminhos que não sentia, carregando expectativas que não eram suas.
Hoje, com mais consciência, entendemos que o chamado é sutil, interno, quase um sussurro. E a escolha… essa sim é o ponto de virada.
Entendendo a escolha
Entenda que escolher é um ato de poder. E não qualquer poder: é o poder do Livre Arbítrio, a centelha divina que habita em cada ser humano.
Se fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, isso não significa aparência física — significa capacidade Creadora. E a forma mais pura de creação é a escolha.
Portanto, escolher é decidir o rumo da própria vida. É assumir o volante. É dizer: “Eu sou responsável pelo meu caminho.”
O Livre Arbítrio não é apenas uma permissão; é uma ferramenta. É o mecanismo pelo qual transformamos possibilidades em realidade. É o que nos diferencia, o que nos empodera e o que nos torna cocriadores da nossa própria história.

Você faz as suas escolhas e suas escolhas fazem você
A vida que você vive hoje é o resultado direto das escolhas que fez ontem. E a vida que viverá amanhã será o reflexo das escolhas que faz agora.
Portanto, não existe neutralidade. Cada decisão, grande ou pequena, molda quem você se torna:
- O que você aceita, rejeita, tolera, busca, deixa pra depois, enfrenta ou evita. Tudo isso constrói você.
Então, é comum olhar para trás e perceber que certas escolhas foram determinantes. Às vezes, uma simples decisão muda completamente o rumo da vida. E é aí que entendemos: não somos apenas autores ou cocriadores das escolhas; somos também criaturas delas.
A escolha é só sua e de mais ninguém
Existe uma fantasia antiga — quase infantil — de que Deus, sentado em um trono nas nuvens, aponta o dedo para alguém e diz: “Você será o escolhido para esta missão.”
Entretanto, isso não corresponde à realidade da consciência. Para mim isso é óbvio e ululante. E pra você?
Não existe um “senhor de barba branca” distribuindo missões. O que existe é o despertar interno, o momento em que você percebe que pode escolher. E, sobretudo quando escolhe, você se torna o escolhido — por você mesmo.
Ser escolhido não é um privilégio concedido. É uma decisão assumida e essa escolha acontece quando você:
- desperta,
- enxerga,
- compreende,
- assume responsabilidade,
- e decide agir.
Por isso eu costumo dizer e repito sem hesitar: Você é 100% responsável pela sua realidade.
Não porque controla tudo, mas porque controla como responde, como interpreta, como decide e como segue.
Ser escolhido é, no fim das contas, um ato de extrema coragem: a coragem de escolher a si mesmo.
Desta forma creio que conseguimos decifrar o enigma da frase muitos são chamados poucos são escolhidos. E você, o que acha?
Wagner Braga