Tirania cibernética: da certeza à utopia

Líderes cibernéticos

As benesses de tudo que nos oferecem devem ser sempre questionadas. Afinal, como dizia um ex-namorado meu, não existe almoço grátis. Quando se trata de internet, algo a que absolutamente todas as pessoas do mundo têm acesso, sem qualquer tipo de restrição, seleção ou filtro de conteúdos, nem se fala! A internet é, assim, o nosso maior benefício, fonte de informações e comunicação, e, ao mesmo tempo, a mais perigosa de todas as coisas que já foram inventadas.

Um líder tirano sem internet já pode fazer grandes estragos, como foi com Hitler ou Lenin. Mas um líder tirano com acesso à internet multiplica catastroficamente a sua capacidade de atingir pessoas em tempo real. Em vez de centenas ou milhares, a exposição pode subir para os seis ou sete dígitos. ‘Não confie em ninguém: a caça ao rei da criptomoeda’, ‘O golpista do Tinder’, ‘O homem mais odiado da internet’ e ‘Fugindo do Twin Flames’ são exemplos de filmes e documentários do Netflix que contam histórias reais de pessoas enganadas através das redes. 

Tendo como fundadores e incentivadores líderes natos e mal intencionados, as “seitas” por trás de religiões, filosofias de vida ou o que você preferir chamar, compelem-nos como manchetes de jornal: sabemos apenas das letras graúdas e assumimos dominar o conteúdo. No entanto, o fato é que não fazemos ideia nem se o texto é uma crítica ou uma reafirmação do título.  

A crítica da certeza pura!

Ah, a crítica! Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve, certo? Não necessariamente. Muitas vezes, temos certeza do que queremos e acabamos aceitando qualquer caminho. Outras, nem tantas assim, não estamos bem certos, mas sabemos, pelo menos, o que não queremos. No fim das contas, a certeza há de ser uma grande ilusão. O absoluto está sempre à espreita da queda, como a maçã de Newton. Afinal, como é possível estar certo de algo em meio a tantas incertezas? O fruto nunca cai longe do pé!

As seitas e o tirano na utopia

As seitas se caracterizam por grupos de pessoas que seguem uma mesma crença religiosa ou filosófica, mas que difere dos grupos hegemônicos, ocupando uma posição inferior na sociedade. Com o tempo, as seitas passaram a ter um sentido pejorativo, representando grupos que praticam atividades suspeitas ou irregulares. Tanto que Jeffrey Ayan, líder do Twin Flames Universe, tenta se desviar da “acusação” de liderar uma seita, como pode ser visto no documentário ‘Fugindo do Twin Flames’.

Jeffrey Ayan se encaixa como tirano, pois tenta usurpar o poder do que as pessoas entendem como divino e sacro, incluindo família e amigos. Ele se vende como detentor da verdade e a impõe aos seus discípulos, tratando-os com desrespeito. Portanto, um também ditador. É claro que ninguém é obrigado a permanecer ali. Mas as vítimas, uma vez fragilizadas pela certeza da incerteza e, em seguida, seduzidas pela promessa de um caminho qualquer, que é utopicamente seguro, estão vulneráveis às mais absurdas e descreditadas propostas. Especialmente, quando vêm de pessoas adoradas, incluindo pai e mãe. Freud já explica em ‘Psicologia das Massas’.

Então, se você tem tanta certeza de algo, comece a se questionar. Minha mãe sempre dizia “tudo demais é muito”. Era fácil aplicar a sua sabedoria naquilo que evidentemente é prejudicial. Mas e quanto àquilo que fala de amor, fé, satisfação? E quanto à certeza? Seria pura utopia?

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