O Halloween

Corvos X Urubus

De volta a terra do tio Sam, cheguei bem na época de um dos eventos que mais aquecem a economia norte-americana: o halloween.

Assim como os brasileiros aguardam o carnaval com ansiedade, os americanos contam os dias para o halloween. As lojas exultam com as vendas. Os americanos se esbaldam comprando fantasias, doces em formatos curiosos (caveiras, ossos, monstros, pedaços de corpo humano), abóboras de diversos tamanhos e itens de decoração. Nessa atmosfera de terror e diversão o comércio lucra bilhões de dólares.

O halloween tem um apelo cultural tão forte que se espalhou pelo mundo através das produções cinematográficas. Aos poucos, o Brasil vem importando essa cultura através escolas bilingues e cursos de inglês.

O halloween veio com os imigrantes das ilhas inglesas.

Como vocês sabem, os EUA também foi colônia e sua cultura é uma mescla de outras que chegaram ao país, com os imigrantes. O Halloween é uma festa pagã, de origem celta, trazida pelos irlandeses e escoceses, em que se comemorava o fim da colheita e a véspera do dia de todos os santos. Quem quiser se inteirar mais sobre o assunto, clique aqui: O que é o Halloween.https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/hallowee.htm

O corvo, ave sinistra?

Pois bem, um dos ícones do Halloween é o corvo, uma das aves mais comuns do continente. Não sei se por causa de sua penugem escura, tenebrosa, das historinhas de bruxas da Disney ou pelo famoso conto “O Corvo,” de um dos mais brilhantes escritores americanos, Edgar Allan Poe. Sei que elegeram o corvo como um pássaro sinistro, diabólico, que não pode faltar referências durante as festividades.

Corvos aqui na Flórida são como os pombos nas pracinhas de Natal: andam em bando e fazem uma sujeira danada. Outro dia postei a visita de dois sinistros em minha varanda e uma amiga perguntou se eu não tinha medo. Respondi que não, só não gosto porque eles fazem minha varanda de banheiro. Quando os vejo, saio tangendo para evitar a sujeira.

Como é que eu teria medo de corvos se nasci e me criei vendo os grandes urubus do sertão se alimentando de restos de animais pelas estradinhas carroçáveis em que passeava quando criança? Tampouco temo aquelas aves “agourentas.” Ao contrário, acho muito nobre o trabalho de limpeza que elas fazem nas carcaças espalhados pelo sertão afora. O compositor Zé Ramalho já os denominava como “garis” do céu.

Nojo, muito menos.  E não somos todos meio que “urubus” se alimentando de animais mortos? Dá até um título naquele polêmico jornal francês: “Je suis urubu.”

“Somos todos urubus.”

Esse papo está ficando macabro demais. Será influência do Halloween?

Pois deixemos cada país com suas aves, sua cultura e suas datas comemorativas. Bom é respeitar todas, principalmente, se você está em terras estrangeiras. Não sou fã do halloween, mas desejo uma boa diversão a quem comemora.

Por aqui, vou ler um poema de Edgar Allan Poe, não porque é halloween, mas porque comprei o box dele que estava em promoção na gigante Amazon, que já faz parte da cultura americana e também está se espalhando pelo mundo.

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