MENSAGEM DE RENÚNCIA DE TODO GABINETE MINISTERIAL DO PERU FOI TRANSMITIDA PELA TELEVISÃO ESTATAL PARA TODO PAÍS

Presidente do Peru anuncia renúncia de todo gabinete

Ministros deixaram os cargos dois meses depois de assumir o poder; nova equipe pode ser divulgada nas próximas horas

INTERNACIONAL

 por AFP

Pedro Castillo se reunirá com nova equipe ministerial ainda nesta quarta-feira (6)

ERNESTO BENAVIDES / AFP – 15.6.2021

O presidente do Peru, Pedro Castillo, anunciou nesta quarta-feira (6) a renúncia do primeiro-ministro e de todo o gabinete ministerial, dois meses após ter assumido o cargo, em uma mensagem inesperada transmitida pela televisão estatal para todo o país.

“Informo ao país que no dia de hoje aceitamos a renúncia do presidente do Conselho de Ministros, Guido Bellido Ugarte, a quem agradeço pelos serviços prestados”, declarou Castillo durante o breve pronunciamento.

A renúncia do primeiro-ministro também afeta o restante do gabinete, de acordo com as normas locais. Bellido foi nomeado em 29 de julho para chefiar o primeiro gabinete do governo esquerdista de Castillo.

O presidente evitou dar detalhes sobre a renúncia e anunciou que o novo chefe de gabinete e seus membros se reunirão à noite, a partir das 20h (22h no horário de Brasília).

Mas, em sua carta de renúncia, publicada pela imprensa, Bellido indica que está se afastando do Executivo a pedido de Castillo.

“Tendo cumprido todas as funções correspondentes à instituição, apresento minha irrevogável renúncia ao cargo da Presidência do Conselho de Ministros conforme o senhor solicitou”, diz na carta Bellido, que voltará ao Congresso para exercer funções como parlamentar do partido Peru Livre.

Bellido é um membro linha-dura do governante Peru Livre, um pequeno partido marxista-leninista que, para surpresa geral, conquistou a presidência do Peru com Castillo, vencendo a candidata de direita Keiko Fujimori em votação apertada em 6 de junho, após uma campanha marcada pela polarização.

Durante o breve pronunciamento, Castillo reiterou sua invocação aos setores econômicos, políticos e sociais “à mais ampla unidade para alcançar objetivos comuns”, como a reativação econômica.

“É hora de colocar o Peru acima de todas as ideologias e posições partidárias isoladas”, enfatizou o presidente, um professor rural, que usava seu típico chapéu de palha.

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PRESIDENTE ESQUERDISTA DO PERU ENVIARÁ AO CONGRESSO PROJETO DE REFORMA DA CONSTITUIÇÃO

Pedro Castillo anuncia que tentará reforma constitucional no Peru

Novo presidente peruano quer mudar a Constituição promulgada em 1993 pelo ex-presidente Alberto Fujimori

INTERNACIONAL

 por AFP

Pedro Castillo tomou posse da presidência do Peru nesta quarta (28) Pedro Castillo tomou posse da presidência do Peru nesta quarta (28)PRESIDÊNCIA DO PERU VIA AFP – 28.7.2021

novo presidente do Peru, o esquerdista Pedro Castillo, anunciou em seu primeiro discurso que enviará ao Congresso um projeto de reforma da Constituição, após assumir o poder nesta quarta-feira (28), em meio a um clima de esperança para metade dos seus compatriotas e de medo para a outra.

Após afirmar que o Peru pode estar “condenado a continuar prisioneiro desta Constituição”, Castillo declarou: “anuncio que apresentaremos ao Congresso um projeto de lei para reformá-la que, após ser debatido pelo Parlamento, esperamos que seja aprovado e depois submetido a um referendo popular”.

A proposta de campanha de Castillo de mudar a Constituição atual, que privilegia o liberalismo econômico, foi rejeitada pela sua adversária de direita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, e por outros adversários políticos.

“Insistiremos nesta proposta, mas dentro do marco legal que a Constituição proporciona. Teremos que conciliar posições com o Congresso”, afirmou o novo presidente, cujo partido Peru Livre tem apenas 37 das 130 cadeiras no Parlamento.

“Castillo propõe o caminho chileno para a constituinte. Um pacto com o Congresso que gere uma reforma”, tuitou o analista político Juan de la Puente.

Palácio presidencial, um museu

O professor rural foi empossado como o novo presidente para o período de 2021-2026 pela chefe do Congresso, a opositora María del Carmen Alva, que colocou nele a faixa presidencial bicolor.

Vestido com um terno andino preto bordado e seu clássico chapéu Cajamarca branco de copa alta, Castillo caminhou de mãos dadas com sua esposa, Lilia Paredes, até o Parlamento desde o Palácio Torre Tagle, sede da chancelaria, a quatro quadras de distância.

Em seu primeiro discurso, Castillo anunciou também que não vai governar o país no Palácio de Pizarro — a casa do governo — porque planeja transformá-lo em um museu e que retomará seus “trabalhos docentes de sempre” no fim de seu mandato.

“Não governarei na Casa de Pizarro, porque acredito que temos que romper com os símbolos coloniais. Cederemos este Palácio ao novo ministério das Culturas para que seja usado como um museu que mostre a nossa história”, disse.

“Durante a campanha eleitoral foi dito que vamos desapropriar. É totalmente falso”, declarou em outra parte de sua mensagem, embora tenha afirmado que busca um “novo pacto com investidores privados”.

Três dias de cerimônias estão programados para a posse do novo presidente, que receberá a faixa bicolor no dia em que o Peru comemora o bicentenário da independência.

Muitas ruas do centro de Lima foram cercadas pela polícia, que mobilizou 10.000 agentes em toda a capital, enquanto dezenas de apoiadores de Castillo expressaram seu apoio.

Visita do chanceler venezuelano

Castillo assumiu em meio às esperanças de milhares de compatriotas, mas também temores do setor privado e boa parte dos peruanos que temem uma virada acentuada para o socialismo após três décadas de políticas liberais.

Três horas após a posse chegou a Lima o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, informou a agência estatal Andina. Sua visita marca uma guinada na política externa peruana, que em 2019 reconheceu o opositor Juan Guaidó como governante legítimo venezuelano, assim como outros 60 países.

A Venezuela tem sido um tema recorrente na campanha do segundo turno, pois a candidata Keiko Fujimori afirmava que Castillo queria seguir os passos de Maduro, embora o atual presidente tenha negado ser “chavista” ou querer copiar o modelo venezuelano.

Castillo recebeu na segunda-feira um telefonema do chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, que, além de parabenizá-lo, disse que Washington espera dele “um papel construtivo” em relação à Venezuela, Cuba e Nicarágua.

A posse foi assistida pelo rei da Espanha, Felipe VI, cinco presidentes (Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile e Equador) e dois vice-presidentes (Brasil e Uruguai), bem como um enviado do presidente americano Joe Biden, o secretário de Educação Miguel Cardona.

“Desejamos muita sorte ao presidente Castillo, porque se o Peru for bem, todos nós estaremos bem”, disse o presidente chileno, Sebastián Piñera, depois de se reunir com ele.

Outro presente à cerimônia foi o ex-presidente boliviano Evo Morales, a quem alguns comparam a Castillo pela origem rural dos dois.

Designações pendentes

O novo presidente, de 51 anos, é católico e contrário ao aborto e às uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ganhou notoriedade em 2017 após liderar uma greve de professores.

Castillo é “o primeiro presidente pobre do Peru”, disse o analista Hugo Otero à AFP, destacando que seu maior desafio será “não decepcionar as pessoas que precisam de respostas rápidas” diante da crise econômica e da pandemia.

Castillo deve anunciar os nomes de seu chefe de gabinete e ministros-chave a qualquer momento.

Castillo e vários dignatários vão viajar para a cidade andina de Ayacucho na quinta-feira para uma posse simbólica no Pampa de la Quinua, cenário da Batalha de Ayacucho em 9 de dezembro de 1824, que selou a independência do Peru e do resto da América espanhola. Na sexta-feira, ele comandará uma parada militar em Lima

Fonte: :R7

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PERU MANTÉM SUSPENSÃO DE VOOS COMERCIAIS COM O BRASIL E OUTROS PAÍSES ATÉ AGOSTO

Peru volta a prorrogar suspensão de voos comerciais com o Brasil

Restrição será mantida pelo menos até agosto para reduzir o risco de propagação das variantes do novo coronavírus

INTERNACIONAL 

por Agência EFE

Peru mantém suspensão de voo comerciais com Brasil, Índia e África do Sul

PAOLO AGUILAR/EFE/ARQUIVO

O Peru manterá a suspensão dos voos comerciais com Brasil, Índia e África do Sul pelo menos até agosto, após o governo ampliar a medida por mais duas semanas para reduzir no país o risco de propagação das variantes do novo coronavírus.

A prorrogação foi estabelecida pelo Ministério dos Transportes e Comunicações através de uma resolução ministerial publicada nesta segunda-feira no jornal oficial “El Peruano”.

Essa medida estende de 1º para 15 de agosto a suspensão dos voos de passageiros de Brasil, Índia e África do Sul, onde foram registrados surtos de novas variantes do coronavírus, como medida preventiva para “evitar uma possível importação em massa de casos dessas variantes que poderiam se propagar no Peru”.

Esta é a quarta vez que o governo peruano prorroga a suspensão desses voos desde 15 de março. No entanto, apesar das precauções tomadas para evitar a chegada das novas variantes, o país está atualmente ciente da presença de quatro delas.

A variante dominante no país é a C.37, também conhecida como andina, mas há também a britânico, a brasileiro e, mais recentemente, a delta, como é chamada internacionalmente a mutação indiana do coronavírus.

Para entrar no Peru por via aérea, as autoridades sanitárias têm exigido há meses um teste de PCR negativo para a covid-19 feito há até 72 horas, assim como uma declaração juramentada de saúde e a utilização permanente de uma máscara e de um escudo facial durante todo o voo.

Embora estas regras permaneçam em vigor, o governo estabeleceu em 11 de julho que os viajantes também podem entrar no território nacional com um resultado negativo de um teste de antígeno, emitido até 24 horas antes do embarque.

De acordo com o último balanço oficial, o Peru já contabilizou mais de 2,1 milhões de casos sintomáticos de covid-19, dos quais cerca de 195.900 resultaram em morte.

Fonte: R7

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CHEFE DO COMANDO CONJUNTO DAS FORÇAS ARMADAS DO PERU RENUNCIOU O CARGO TRÊS DIAS ANTES DO PRESIDENTE ESQUERDISTA ASSUMIR O CARGO

Chefe das Forças Armadas do Peru entrega o cargo

Saída de general ocorre 3 dias antes da posse do esquerdista Pedro Castillo, que derrotou Keiko Fujimori nas eleições presidenciais

INTERNACIONAL

 por AFP

Pedro Castillo (foto) assume a presidência do Peru na quarta-feira

O chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru, general do Exército César Astudillo, renunciou o cargo neste domingo (25), três dias antes do esquerdista Pedro Castillo assumir a presidência, informou uma fonte militar.

“A renúncia está confirmada, não vamos dar mais detalhes”, disse à AFP uma fonte do Comando Conjunto das Forças Armadas, que pediu anonimato.

De acordo com o jornal Perú 21, Astudillo solicitou seu passe de aposentadoria e pediu que fosse efetivado na quarta-feira (28).

Não foi confirmado se a decisão foi aceita pelo presidente interino, Francisco Sagasti, ou pela ministra da Defesa, Nuria Esparch, informou o jornal El Comercio.

Pedro Castillo toma posse justamente na quarta-feira (28).

Astudillo estava no comando do Comando Conjunto das Forças Armadas desde outubro de 2018 e foi o responsável pela mobilização militar em apoio à pandemia do coronavírus.

Em meio ao segundo turno eleitoral, um grupo de militares aposentados realizou passeatas de apoio à direitista Keiko Fujimori, mas os oficiais das Forças Armadas permaneceram à margem, respeitando a Constituição.

Castillo, de 51 anos, foi proclamado presidente eleito na última segunda-feira pelo JNE, que levou seis semanas para analisar as contestações e apelações antes de declará-lo o vencedor da votação de 6 de junho.

A posse de Castillo contará com a presença de alguns dirigentes de países vizinhos e do Rei da Espanha, Felipe VI.

Fonte: R7

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CASTILLO FOI DECLARADO VENCEDOR DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NO PERU

Júri eleitoral anuncia Castillo como novo presidente do Peru

Tribunal declara esquerdista como vencedor da eleição realizada no último dia 6 de junho; posse será no dia 28 de julho

INTERNACIONAL

 por AFP

Castillo foi declarado vencedor da eleição presidencial do Peru

SEBASTIAN CASTANEDA/REUTERS – 8.6.2021

O Júri Nacional de Eleições (JNE) do Peru proclamou nesta segunda-feira (19) o professor esquerdista Pedro Castillo novo presidente do Peru, seis semanas após o segundo turno, em que ele enfrentou a candidata de direita Keiko Fujimori.

“Proclamo presidente da república don José Pedro Castillo Terrones”, anunciou em breve cerimônia virtual o titular do JNE, Jorge Luis Salas, depois que o órgão concluiu a análise das impugnações e apelações de Keiko.

Dessa forma, o JNE valida a apuração atualizada de 100% das atas do órgão eleitoral (Onpe), que deu a vitória a Castillo, com 50,12% dos votos, contra 49,87% para Keiko. Horas antes, a direitista anunciou que iria reconhecer o resultado.

O novo presidente deve tomar posse no próximo dia 28, quando termina o mandato do presidente interino, Francisco Sagasti, e dia em que o Peru irá comemorar o bicentenário da independência.

A filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori havia denunciado uma suposta fraude em favor de Castillo, sem apresentar provas, apesar de os observadores da OEA, dos Estados Unidos e da União Européia terem afirmado que a votação foi limpa.

Castillo obteve 44.263 votos a mais do que a adversária, segundo a contagem atualizada validada pelo JNE, órgão autônomo formado por quatro membros.

Fonte: R7
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PERU AINDA ESPERA SABER OFICIALMENTE QUEM SERÁ SEU NOVO PRESIDENTE, UM MÊS APÓS FIM DA VOTAÇÃO

Peru: eleitores acampam em Lima para ‘defender’ seus votos

Um mês após a votação, ainda não foi declarado um vencedor para a eleição presidencial no Peru

INTERNACIONAL

por AFP

Apoiadores dos dois candidatos acamparam em praças de Lima, capital do Peru

ERNESTO BENAVIDES / AFP – 6.7.2021

Um mês após o fim da votação, o Peru ainda espera saber oficialmente quem será seu novo presidente, enquanto eleitores dos candidatos de esquerda e direita, Pedro Castillo e Keiko Fujimori, respectivamente, acampam nas praças de Lima para “defender” seus votos.

Em meio ao frio em pleno inverno na capital, Lima, centenas de simpatizantes de Castillo, vindos da serra e da floresta, pernoitam nas cerca de 180 barracas armadas na Plaza de la Democracia, em frente ao prédio do Júri Nacional de Eleições (JNE), que está julgando impugnações de votos antes de anunciar quem venceu.

Os primeiros se instalaram na praça há mais de três semanas. Muitos vestem  trajes típicos da região andina ou amazônica enquanto esperam pacientemente que o professor da zona rural de Cajamarca (norte) seja declarado como novo presidente.

“O júri já deve anunciar Pedro Castillo para que isso tudo acabe”, afirmou à AFP Martín Quispe, de 35 anos, do distrito de Santa Teresa, região andina de Cusco.

“Morar em uma barraca significa sentir frio e não dormir bem, mas vale a pena a luta que estamos fazendo”, acrescenta Quispe, que acampa com sua esposa e filha em uma pequena barraca amarela forrada de plástico azul para se proteger da alta umidade de Lima.

“Vamos permanecer”

Merino Trigoso, líder do povo indígena amazônico Awajún, de 66 anos, que usa uma coroa de penas e um colar tradicional, também está acampando.

“Vamos permanecer até que combatam a corrupção”, disse à AFP.

“Vamos ficar até que Castillo seja proclamado, senão vamos fazer algo mais radical”, afirmou Maruja Inquilla, de 45 anos, natural de Coata, município próximo ao lago Titicaca, na fronteira com a Bolívia.

Banheiros químicos e uma tenda de serviços médicos foram instalados na praça. Os ativistas contam que se alimentam de doações.

Cerca de 200 “ronderos” — membros das rondas de vigilância rural à qual Castillo pertence — tomam conta do acampamento improvisado.

Eles carregam chicotes para manter a ordem e, se necessário, afastar adversários políticos.

“Estamos aqui para colocar ordem e disciplina. Queremos garantir que a vigília seja feita de forma ordenada”, afirma o presidente nacional das rondas camponesas, Víctor Vallejos, que usa colete preto e um sombrero, chapéu de palha.

“Vamos ajudar Keiko”

A apenas sete quarteirões de distância, a aproximadamente 700 metros, os apoiadores de Fujimori também montaram um acampamento “pela Democracia e Liberdade” neste fim de semana no Paseo de los Héroes Navales, em frente ao Palácio da Justiça.

Apesar da alta tensão, não houve confrontos após a votação de 6 de junho e todas as atividades decorrem normalmente no país.

Vestidos principalmente com camisetas da seleção de futebol peruano, esses partidários de Fujimori vêm de bairros pobres de Lima e buscam “defender” seus votos.

Fujimori denunciou que houve “fraude” na contagem, sem apresentar provas conclusivas, mas as autoridades peruanas, os Estados Unidos e a Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmam que as eleições foram limpas e sem “irregularidades graves”.

“Não queremos um país comunista, queremos um país livre para que nossos filhos não sofram terrorismo como nos anos 1980”, com a guerrilha maoísta Sendero Luminoso, declara à AFP a cabelereira Dina Amaya, de 55 anos, do distrito de La Victoria.

Fonte: CNN
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EX-CHEFE DE INTELIGÊNCIA NO PERU FOI FLAGRADO TENTANDO SUBORNAR JUÍZES ELEITORAIS

Ligações mostram tentativa suborno a juízes eleitorais no Peru

Ex-chefe da inteligência no governo de Alberto Fujimori foi flagrado tentando garantir a vitória de Keiko de dentro da prisão

INTERNACIONAL

 por AF

Vladimiro Montesinos foi braço-direito de Alberto Fujimori e está preso há 20 anos
JAIME RAZURI / AFP – ARQUIVO

O homem que foi o todo poderoso chefe da inteligência do Peru, Vladimiro Montesinos, voltou ao olho do furacão no país após mais de 20 anos em uma prisão de segurança máxima. Chamadas telefônicas o conectaram a um esquema para alterar o resultado das eleições presidenciais e favorecer a filha de seu antigo chefe, o ex-presidente Alberto Fujimori.

Montesinos, que cumpre uma pena de 25 anos, ligou para um militar aposentado para coordenar uma tentativa de subornar juízes do Tribunal Nacional de Eleições (JNE) para que eles proclamassem como vencedora do segundo turno de 6 de junho a direitista Keiko Fujimori, em prejuízo do esquerdista Pedro Castillo, que a superou na votação.

“O método Montesinos é o que resolve os problemas além da legalidade, esse é seu esquema mental, esse é o seu pensamento. O encobrimento do legal para agir ilegalmente no país”, explicou à AFP o escritor Luis Jochamowitz, autor de vários livros sobre Montesinos.

“No início eu duvidei se as gravações (dos telefonemas de Montesinos de dentro da prisão), mas o episódio é real e foi confirmado pelas autoridades”, acrescenta.

Os áudios foram divulgados há quatro dias pelo ex-deputado Fernando Olivera, o mesmo que divulgou, no ano 2000, em um canal de TV a cabo, um vídeo que mostrava o ex-chefe da inteligência, na época o braço-direito do presidente Fujimori subornando um parlamentar da oposição para que se juntasse à base governista, de modo a criar uma maioria no Congresso.

“O Conde Montesinos”

No primeiro dos 17 telefonemas, Montesinos pede ao comandante aposentado Pedro Rejas, que fale com o advogado Guillermo Sendón, para que subornasse três dos quatro membros do JNE para impedir a proclamação de Castillo.

O candidato esquerdista venceu sua rival por 44 mil votos na contagem final, mas o JNE precisa resolver milhares de impugnações de votos pedidas pelo fujimorismo antes de proclamar o vencedor.

“Isso vai te custar três paus (3 milhões de dólares, cerca de R$ 15 milhões). Um para cada um” dos magistrados, disse Sendón para Rejas, de acordo com as gravações.

Em outra ligaçãõ, Montecinos diz a Rejas: “Não tem outro jeito, já passou muito tempo (…) mas você precisa fazer com que eles entendam, o pai ou a filha (Alberto ou Keiko), não sei com quem você fala, que estamos tratando de ajudá-los em um objetivo comum”.’

Apuração termina e aponta vitória de Castillo em eleições no Peru

“O que eu ganho com isso? Nada. Simplesmente estou tentando ajudar porque, do contrário, vão se ferrar: a filha vai acabar presa”, acrescenta Montesinos, de 76 anos, de dentro do presídio de segurança máxima da Base Naval de Callao.

Se perder a presidência, Keiko Fujimori deverá ser julgada ainda este ano por lavagem de dinheiro em um escândalo de contribuições ilegais feitas pela empreeiteira brasileira Odebrecht.

Ela disse que ouviu “com indignação esses áudios, de um homem que traiu todos os peruanos”.

A filha do ex-presidente sempre afirmou que Montesinos agiu pelas costas de seu pai durante o governo, de 1990 a 2000.

Para Jochamowitz: “o mais interessante não é apenas a tentativa de comprar os juízes, mas também a volta ao imaginário e às telas deste personagem que esteve desaparecido por 20 anos”.

Condenado por espionagem

Ao chegar ao poder de 1990, Alberto Fujimori colocou Montesinos à frente dos serviços de inteligência, onde se tornou a iminência parda de um governo em luta com os grupos terroristas Sendero Luminoso e MRTA.

Ele foi ligado a espionagem telefônica contra a oposição e contra um grupo paramilitar que atuou na época, enquanto cometia diversos crimes de corrupção.

Montesinos foi expulso do exército peruano e condenado a um ano de prisão na década de 1970, quando foi envolvido em uma suposta entrega à CIA de informações confidenciais sobre armamento soviético comprado pelo Peru e por falsificar a assinatura de um presidente para poder viajar para o exterior.

Em abril de 1997, Montesinos desfilou triunfalmente junto a Fujimori após encerrar um sequestro de reféns pelo MRTA na embaixada do Japão, um plano do qual participou ativamente, segundo o presidente.

No entanto, em 14 de setembro de 2000 e com o governo acuado, Montesinos caiu em desgraça com a divulgação do vídeo que o mostrava subornando um parlamentar da oposição para que apoiasse Fujimori, que havia sido reeleito para um terceiro mandato.

Isso deu início a uma crise que fez o presidente fugir para o Japão e enviar sua renúncia por fax e, nas semanas seguintes, novos vídeos foram divulgados.

Montesinos fugiu para a Venezuela, onde foi preso em 24 de junho de 2001 e extraditado para o Peru. O ex-presidente foi extraditado do Chile em 2007 e também foi condenado a 25 anos de prisão.

Fonte: R7
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ALIADOS DE KEIKO SOLICITARAM REUNIÃO COM A OEA PARA APRESENTAR IRREGULARIDADES OCORRIDAS NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 6 DE JUNHO NO PERU

Aliados de Keiko buscam OEA para provar fraude nas eleições no Peru

Grupo político de direita contesta apuração que terminou com a vitória de Pedro Castillo por mais de 40 mil votos

INTERNACIONAL

 Da Efe

Um grupo de políticos de direita peruanos aliados a Keiko Fujimori solicitou neste sábado (27) uma reunião com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, para apresentar irregularidades que teriam ocorrido durante as eleições presidenciais de 6 de junho.

Em uma nota assinada pelo ex-primeiro-ministro Jorge del Castillo, a assessora jurídica de Keiko, Lourdes Flores, e a deputada eleita Adriana Tudela, filha de Francisco Tudela, vice-presidente de Alberto Fujimori, entre outros, o grupo solicita “uma reunião informativa” para apresentar “as últimas conclusões” sobre a suposta fraude no pleito.

Nenhum órgão internacional de observação eleitoral, incluindo a própria OEA, encontrou vestígios de irregularidades nas eleições. A apuração terminou há mais de uma semana com derrota de Keiko, da Força Popular, para Pedro Castillo, do partido Peru Livre, por mais de 40 mil votos.

Além disso, a OEA afirmou na última quinta-feira que verificou que os desafios aos resultados da votação que o grupo pró-Keiko está pressionando para anular cerca de 200 mil votos em áreas rurais e camponesas que apoiaram Castillo esmagadoramente estão sendo realizados “de acordo com a lei e os regulamentos em vigor”.

O grupo de políticos já realizou uma coletiva de imprensa na última quinta-feira na qual pediu para a OEA fazer uma auditoria das eleições e pressionou o presidente interino Francisco Sagasti a solicitar esta análise.

A Missão de Observação Eleitoral da OEA, liderada pelo ex-Ministro das Relações Exteriores do Paraguai Rúben Ramírez, continua monitorando ininterruptamente a crise eleitoral peruana desde que chegou ao país, antes do dia das eleições.

Fonte: R7
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CANDIDATO DA ESQUERDA PEDRO CASTILLO VENCE ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO PERU

Apuração termina e aponta vitória de Castillo em eleições no Peru

Candidato da esquerda teve 50,12% dos votos, contra 49,87% da direitista Keiko Fujimori, que pede anulação de milhares de cédulas

INTERNACIONAL |

Da EFE

Pedro Castillo foi o mais votado no segundo turno, mas Fujimori contesta
PAOLO AGUILAR / EFE – 15.6.2021

O candidato de esquerda Pedro Castillo foi o mais votado no segundo turno das eleições presidenciais realizadas no Peru no último dia 6, com 50,12% dos votos, contra 49,87% da direitista Keiko Fujimori, de acordo com a apuração final, divulgada nesta terça-feira (15).

Embora o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) tenha concluído a contagem dos votos, o vencedor ainda não pode ser proclamado, porque o partido de Keiko, o Força Popular, pediu a anulação de aproximadamente 200 mil votos devido a supostas irregularidades em seções eleitorais.

Considerando todos os votos contabilizados, Castillo obteve 8.835.579, e Keiko, 8.791.521.

Mais de 25 milhões de peruanos estavam aptos a ir às urnas no último dia 6, e 18,8 milhões (74,5%) o fizeram no país e no exterior, sendo que 17,6 milhões de votos foram considerados válidos.

O Júri Nacional de Eleições (JNE), o mais alto órgão eleitoral peruano, está atualmente analisando os casos de contestação de urnas, sendo que a maioria dos pedidos foi descartada por eles terem sido apresentados foram do prazo regulamentar ou sem provas contundentes de irregularidades.

A Constituição peruana não permite a anulação das eleições em nenhuma circunstância, exceto “quando os votos inválidos ou em branco, somados ou separadamente, excederem dois terços do número de votos válidos”, de acordo com o artigo 184.

Fonte: R7
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CIÊNCIAS: HISTÓRIA REMOTA DA AMÉRICA DO SUL É REVELADA EM FLORESTA PETRIFICADA NO PERU

Muitas e novas revelações da paleontologia são o destaque da nossa coluna CIÊNCIAS desta segunda-feira. Paleontólogos descobrem que o Bosque Petrificado Piedra Chamana, no norte do Peru, era uma exuberante floresta tropical há 39 milhões de anos, antes dos andes se erguerem. Convido você a ler este impressionante artigo e conhecer as fantásticas descobertas!

Floresta petrificada no Peru revela história remota da América do Sul

O Bosque Petrificado Piedra Chamana, no norte do país, era uma exuberante floresta tropical há 39 milhões de anos, quando os Andes ainda não existiam

Com as evidências descobertas por paleontólogos, uma artista esboçou El Bosque Petrificado Piedra Chamana como poderia ter sido muito antes dos humanos. Crédito: Mariah Slovacek/NPS-GIP

Nas colinas fora da pequena aldeia de Sexi, Peru, uma floresta fóssil guarda segredos sobre os últimos milhões de anos da América do Sul.

Quando visitamos essas árvores petrificadas pela primeira vez, há mais de 20 anos, não se sabia muito sobre sua idade ou como foram preservadas. Começamos datando as rochas e estudando os processos vulcânicos que preservaram os fósseis. A partir daí, começamos a reconstituir a história da floresta, a partir do dia, 39 milhões de anos atrás, em que um vulcão entrou em erupção no norte do Peru.

Choveram cinzas na floresta naquele dia, arrancando as folhas das árvores. Em seguida, fluxos de material cinza passaram, quebrando as árvores e carregando-as como troncos em um rio para a área onde foram enterrados e preservados. Milhões de anos depois, após os Andes modernos se erguerem e carregarem os fósseis com eles, as rochas foram expostas às forças da erosão, e as madeiras e folhas fósseis novamente viram a luz do dia.

Estudo pioneiro

Essa floresta petrificada, El Bosque Petrificado Piedra Chamana, é a primeira floresta tropical fóssil da América do Sul a ser estudada em detalhes. Está ajudando paleontólogos como nós a compreender a história das florestas megadiversas dos trópicos do Novo Mundo e os climas e ambientes anteriores da América do Sul.

Examinando finas fatias de madeira petrificada sob microscópio, conseguimos mapear a mistura de árvores que floresciam aqui muito antes da existência dos humanos.

Relação de árvores de Sexi, Peru, com seções transversais da madeira. Crédito: Mariah Slovacek/NPS-GIP, CC BY-ND

Madeira petrificada sob um microscópio

Para descobrir os tipos de árvores que cresciam na floresta antes da erupção, precisávamos de amostras finas da madeira petrificada que pudessem ser estudadas ao microscópio. Isso não foi tão fácil por causa do volume e da diversidade de madeira fóssil no local.

Tentamos amostrar a diversidade da floresta contando com características que poderiam ser observadas a olho nu ou com pequenos microscópios de mão, coisas como a disposição e largura dos vasos que carregam água para cima dentro da árvore ou a presença de anéis em árvores. Em seguida, cortamos pequenos blocos dos espécimes e, a partir deles, pudemos preparar finas seções petrográficas em três planos. Cada plano nos dá uma visão diferente da anatomia da árvore. Eles nos permitem ver muitas características detalhadas relacionadas aos vasos, às fibras de madeira e ao componente de tecido vivo da madeira.

Com base nessas características, pudemos consultar estudos anteriores e usar informações em bancos de dados de madeira para descobrir quais tipos de árvores estavam presentes.

Seções finas de madeira identificada como Cynometra, uma árvore da família das leguminosas. Os vasos na seção transversal têm cerca de um décimo de milímetro de largura. As duas seções à direita mostram detalhes da estrutura de madeira em uma ampliação maior. Crédito: Woodcock et al. 2017, CC BY-ND

Pistas na floresta e nas folhas

Muitas das árvores fósseis têm parentes próximos nas atuais florestas tropicais da América do Sul.

Uma tem traços típicos de cipós, que são trepadeiras lenhosas. Outras parecem ter sido grandes árvores com copa, incluindo parentes da moderna ceiba. Também encontramos árvores bem conhecidas nas florestas da América do Sul, como hura, ou árvore de caixa de areia; Anacardium, um tipo de cajueiro; e Ochroma ou balsa. O maior espécime no sítio de Sexi – um tronco fóssil com cerca de 75 cm de diâmetro – tem características como as de Cynometra, uma árvore da família das leguminosas.

A descoberta de uma planta de mangue, Avicennia, foi mais uma evidência de que a floresta estava crescendo em uma altitude baixa perto do mar antes que os Andes se erguessem.

Condições bem quentes

As folhas fósseis que encontramos forneceram outra pista para o passado. Todas tinham bordas lisas, em vez das bordas dentadas ou lóbulos que são mais comuns nos climas mais frios das latitudes médias a altas. Isso indica que a floresta experimentou condições bastante quentes. Sabemos que a floresta estava crescendo em uma época do passado geológico em que a Terra era muito mais quente do que hoje.

Embora existam muitas semelhanças entre a floresta petrificada e as florestas amazônicas atuais, algumas das árvores fósseis têm características anatômicas incomuns nos trópicos sul-americanos. Uma delas é uma espécie de Dipterocarpaceae, um grupo que tem apenas outro representante na América do Sul, mas que é comum hoje nas florestas tropicais do sul da Ásia.

Esses fósseis de folhas pertenciam a um tipo de planta de mangue, indicando que a floresta estava originariamente perto do mar. Crédito: NPS, CC BY-ND

Uma artista dá vida à floresta

Nosso conceito de como era essa floresta antiga se expandiu quando tivemos a oportunidade de colaborar com uma artista no Monumento Nacional Florissant Fossil Beds, no Colorado (EUA), para reconstruir a floresta e a paisagem. Outros locais com árvores fósseis incluem Florissant, que tem tocos de sequoia gigantes petrificados, e o Parque Nacional da Floresta Petrificada, no Arizona (EUA).

Trabalhar com a artista Mariah Slovacek, que também é paleontóloga, nos fez pensar criticamente sobre muitas coisas. Como seria a floresta? As árvores eram perenes ou decíduas? Quais eram altas e quais eram mais baixas? Qual seria a aparência delas em flores ou frutos?

Sabíamos, por nossa investigação, que muitas das árvores fósseis provavelmente cresceram em um riacho ou local de floresta inundada. Mas e quanto à vegetação crescendo de volta aos cursos d’água em áreas mais altas? As colinas teriam sido arborizadas ou suportariam vegetação adaptada à seca? Mariah pesquisou os parentes atuais das árvores que identificamos em busca de pistas de sua aparência, como o formato e a cor de suas flores ou frutos.

Nenhum fóssil de mamíferos, pássaros ou répteis do mesmo período foi encontrado no sítio de Sexi, mas a antiga floresta certamente teria sustentado uma diversidade de vida selvagem. Os pássaros já haviam se diversificado nessa época, e os répteis da família dos crocodilos há muito nadavam nos mares tropicais.

Um grande tronco petrificado perto de Sexi, Peru. Crédito: NPS, CC BY-ND

Exuberância à beira-mar

Recentes descobertas paleontológicas descobriram que dois grupos importantes de animais – macacos e roedores caviomorfos, que incluem porquinhos-da-índia – chegaram ao continente na época em que a floresta fóssil estava crescendo.

Com essa informação, Mariah conseguiu povoar a antiga floresta. O resultado é uma exuberante floresta à beira-mar com altas árvores floridas e trepadeiras lenhosas. Os pássaros voam pelo ar e um crocodilo salta na costa. Você quase pode imaginar que estava lá no mundo de 39 milhões de anos atrás.

* Deborah Woodcock é cientista pesquisadora na Universidade Clark (EUA); Herb Meyer é paleontólogo do Serviço Nacional de Parques dos EUA.

** Este artigo foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original aqui.

Fonte: Revista Planeta

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CANDIDATO ESQUERDISTA PEDRO CASTILLO VENCEU ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NO PERU

Pedro Castillo vence Fujimori e é eleito presidente do Peru

Professor de escola rural era praticamente desconhecido no país até quatro anos atrás e levou a esquerda ao poder

INTERNACIONAL

 Do R7, com AFP

ATUALIZADO EM 10/06/2021 – 18H00

Castillo saúda apoiadores no seu comitê central de campanha em Lima, capital do Peru

LUKA GONZÁLEZ / AFP – 7.6.2021

O candidato do partido Perú Libre, o esquerdista Pedro Castillo, de 51 anos, venceu o segundo turno da eleição presidencial peruana contra a direitista Keiko Fujimori, por uma vantagem muito pequena.

Segundo a apuração divulgada pela ONPE, órgão eleitoral do país, Castillo teve 50,199% dos votos válidos (8.800.486 no total), contra 49,801% (8.730.712) da adversária. A votação teve uma enorme participação popular, com mais de 74,7% do eleitorado indo às urnas.

Fujimori ainda tenta, na justiça, a anulação de algumas das atas em uma tentativa de reverter o resultado, mas observadores independentes não viram indício de fraude sistêmica alegadas pelo partido dela.

Castillo deu aulas em uma escola rural durante 24 anos e saiu do anonimato em 2017, quando liderou uma greve nacional de professores e despontou com o discurso de “não haver mais pobres em um país rico”.

O novo presidente peruano é casado e tem três filhos. Sua mistura de moral conservadora e reivindicações sociais por mudança se adaptou bem a um país onde a religião costuma ser um fator eleitoral decisivo. Ele costuma citar passagens bíblicas para justificar sua rejeição ao aborto, ao casamento homossexual e à eutanásia.

Com um chapéu branco típico de Cajamarca, percorreu o país até a cavalo para obter votos. “O povo se identifica com quem nasceu no mesmo meio”, afirmou o candidato durante a campanha.

Do anonimato para a presidência

A greve nacional de 2017 durou quase 80 dias, exigindo um aumento salarial e a eliminação de um sistema polêmico de avaliação de professores.

A mobilização dos professores deixou 3,5 milhões de alunos de escolas públicas do país sem aulas e encurralou o então presidente Pedro Pablo Kuczynski, o PPK, que inicialmente se recusou a dialogar com os grevistas até ceder e aceitar a maioria das demandas.

Numa tentativa de deslegitimar a greve, o então ministro do Interior, Carlos Basombrío, disse que os líderes do movimento estavam ligados ao Movadef, o braço político da derrotada guerrilha maoísta do Sendero Luminoso, um grupo ilegal considerado terrorista no Peru.

“Rejeito categoricamente as denúncias”, respondeu Castillo, que integrou em Cajamarca as “rondas camponesas”, as armadas que resistiram às incursões de Sendero nos dias difíceis do conflito interno (1980-2000).

“Planejamos mudanças, não remendos ou reformas como outros candidatos de esquerda”, disse Castillo durante a campanha.

As propostas de Castillo

A esquerda peruana chegou às eleições dividida com quatro candidatos, entre eles Verónika Mendoza e o ex-padre católico Marco Arana, além de Castillo.

A proposta eleitoral do Perú Libre se baseia em três pilares: saúde, educação e agricultura. Segundo Castillo, esses são os setores prioritários para promover o desenvolvimento do Peru.

Uma de suas principais promessas de campanha é criar um milhão de empregos no primeiro ano de governo.

Além disso, planeja também convocar uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição em seis meses para substituir a atual, que favorece a economia de livre mercado.

A Constituição de 1993 é um legado do governo populista de direita de Alberto Fujimori (1990-2000), pai de Keiko. A rival de Castillo se opõe a mudar a Carta Magna.

O candidato também promete expulsar os estrangeiros que cometem crimes, em alusão tácita aos imigrantes venezuelanos que chegaram desde 2017.

Perú Libre é um dos poucos partidos peruanos de esquerda que defende o regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o candidato anunciou que se chegar ao poder o país recuperaria o controle de sua energia e riquezas minerais, como gás, lítio e ouro, agora sob controle de multinacionais. No entanto, não especificou como o fará.

Fonte: R7
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NO PERU, JÚRIS ELEITORAIS INICIARAM O PROCESSO DE REVISÃO DOS VOTOS CONTESTADOS

Com Castillo na frente, júris iniciam revisão de votos no Peru

Candidato de esquerda tem 79 mil votos a mais que Keiko Fujimori, que insiste em denúncias de ‘fraude sistemática’

Apoiadores de Castillo esperam pelo resultado no centro de Lima, capital do Peru

ERNESTO BENAVIDES / AFP – 9.6.2021

Os júris eleitorais do Peru iniciaram o processo de revisão dos votos contestados nesta quarta-feira (9), a última esperança da candidata de direita Keiko Fujimori para reverter a estreita vantagem de seu adversário de esquerda, Pedro Castillo, na apuração do segundo turno presidencial.

Esse procedimento, que pode durar cerca de 10 dias, é comum em todas as eleições no Peru, mas agora assume especial importância devido ao acirrado resultado eleitoral de domingo.

Sessenta Júris Eleitorais Especiais (JEE) devem decidir, em primeira instância, a validade de milhares de votos contestados pelos delegados dos partidos de cada candidato, Força Popular (Fujimori) e Peru Livre (Castillo). Cada voto é decidido individualmente.

A última palavra será do Júri Nacional Eleitoral (JNE), que analisa as decisões dos JEE e proclama o vencedor.

O JEE Lima 2, presidido pela juíza Alicia Margarita Gómez, começou a analisar as contestações em audiência pública, enquanto o órgão eleitoral do ONPE segue com a reta final da contagem de votos.

Um voto a favor de Castillo havia sido contestado porque a marcação foi feita na foto do candidato e não no quadrado com o símbolo de seu partido (um lápis). Além disso, foi utilizada uma caneta preta em vez de azul.

Gómez propôs declará-lo “válido”, o que foi apoiado por seus dois colegas, Clever Chávez e Violeta Sánchez. Às vezes não havia consenso e a decisão era tomada por maioria.

“No Força Popular estão em fase de negação das coisas, os fatos vão confirmar que o presidente eleito é Pedro Castillo, não tenho a menor dúvida”, disse à AFP o analista Augusto Álvarez Rodrich.

“Convém para Keiko Fujimori construir a candidatura para as próximas eleições, de 2026, o pior é [buscar] desafiar todo o processo eleitoral”, acrescentou.

Castillo tem uma vantagem de 79 mil votos, com 98,82% das urnas apuradas, incluindo 100% dos votos depositados no exterior, com os quais Fujimori esperava se recuperar.

Fonte: R7

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GOVERNO DO PERU DESCARTOU A EXISTÊNCIA DE UM MERCADO ILEGAL DE VACINAS CONTRA COVID-19 NO PAÍS

Peru descarta existência de mercado ilegal de vacinas

Investigação começou após vídeos circularem nas redes sociais mostrando seringas que seriam usadas em idosos vazias

INTERNACIONAL

Peru descarta existência de mercado ilegal de vacinas contra covid

PIXABAY

O governo do Peru descartou nesta sexta-feira (14) a existência de um mercado ilegal de vacinas contra a covid-19 no país e descreveu os casos de idosos cuja imunização foi simulada com seringas vazias como acontecimentos “isolados”.

“Não há sinal de mercado negro, as vacinas estão sob proteção policial”, disse o vice-ministro de Saúde Pública, Gustavo Rosell, ao anunciar as conclusões de uma rápida investigação de seu ministério.

Durante uma coletiva de imprensa, ele ressaltou: “É muito, muito difícil as nossas vacinas chegarem ao mercado negro, não temos nenhuma perda até ao momento”.

“Não há vínculo entre as pessoas envolvidas nas três denúncias [investigadas], são casos isolados”, afirmou Rosell.

A investigação começou em 11 de maio, após a divulgação de vídeos nas redes sociais que mostravam que seringas que seriam usadas para aplicar o imunizante a idosos estavam vazias.

Os três enfermeiros investigadas alegaram às autoridades que o ocorrido se deve a “erro humano, por distração”, segundo o relatório. Os casos aconteceram nos dias 1º e 30 de abril e 9 de maio, em diferentes postos de vacinação da capital.

“Esta foi uma clara violação do protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde com um rigor que vimos em todos os lugares”, disse o presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, ao comentar o caso na terça-feira.

As denúncias desencadearam versões sobre um possível mercado clandestino de vacinas com a participação de profissionais de saúde.

Segundo dados oficiais, o Peru já vacinou 2,2 milhões de pessoas com a primeira dose e 732 mil já receberam as duas necessárias, o que corresponde a 2,3% da população.

A campanha, que usa as vacinas dos laboratórios Sinopharm, Pfizer e AstraZeneca, começou em 9 de fevereiro com profissionais da linha de frente e, em 8 de março, teve início a vacinação dos idosos.

Mas o processo avança lentamente devido à escassez de doses e centros de vacinação. Atualmente os maiores de 70 anos estão sendo imunizados.

O Peru tem 33 milhões de habitantes e acumula mais de 65 mil mortes e 1,8 milhão de infecções por covid-19 nos 14 meses da pandemia.

Fonte: R7
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O GOVERNO DO PERU ANUNCIOU PRORROGAÇÃO NA SUSPENSÃO DE VOOS DO BRASIL ATÉ 14 DE MARÇO

Peru prorroga suspensão de voos do Brasil até o dia 14 de março

Restrição terminava neste domingo (28), mas governo tenta evitar no país a disseminação da variante brasileira do coronavírus

BRASIL

 Do R7

Aeroporto de Cumbica vazio em maio do ano passado em razão de restrições

FERNANDO BIZERRA / EFE – 25.5.2020

O governo do Peru anunciou neste domingo (28) a prorrogação até o dia 14 de março da suspensão de voos originários do Brasil. A medida é uma forma de prevenção contra a disseminação da variante brasileira do novo coronavírus.

A decisão foi publicada em decreto no Diário Oficial do governo peruano.  “Resolve-se prorrogar, de 1º a 14 de março, a suspensão dos voos de passageiros procedentes do Brasil”, afirma a publicação. Antes, a suspensão estava marcada para terminar neste domingo.

O Peru é apenas um dos países com suspensão de voos do Brasil. A lista inclui ainda Portugal, Reino Unido, Itália, Colômbia, Turquia, Israel e África do Sul.

Fonte: R7
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ACUSADO DE TRÊS CRIMES O EX-PRESIDENTE DO PERU ALEGA QUE SERIA VOLUNTÁRIO EM TESTE CLÍNICO

Escândalo da vacina no Peru: Ex-presidente é acusado de 3 crimes

Martín Vizcarra pode responder por extorsão, crime contra administração pública e receber vantagem indevida

INTERNACIONAL

 Da EFE

Vizcarra alega que seria voluntário em teste clínico, mas universidade nega

ERNESTO ARIAS / EFE – ARQUIVO

O Ministério Público do Peru iniciou uma investigação preliminar contra o ex-presidente Martin Vizcarra sob a acusação de três crimes, depois de ter sido revelado que ele recebeu a vacina contra o novo coronavírus do laboratório chinês Sinopharm que foi submetida a ensaios clínicos no país.

O Ministério Público afirmou em comunicado que os procedimentos preliminares estão feitos porque o ex-chefe de governo é acusado de crime contra a administração pública, extorsão e negociação incompatível ou proveito do cargo que ocupava.

O Ministério Público acrescentou que interrogará o próprio político, a sua esposa, Maribel Díaz, e o chefe da equipe de investigação dos julgamentos Sinopharm no país, Germán Málaga. Também são alvos o ex-primeiro-ministro Walter Martos, a ex-ministra da Saúde Pilar Mazzetti e o ex-ministro das Relações Exteriores Mário López.

A Procuradoria também solicitou informações sobre o processo de testes da vacina à Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH) e ao Instituto Nacional de Saúde (INS).

A defesa de Vizcarra

Vizcarra publicou um vídeo em suas redes sociais no qual se defendeu das acusações de ter recebido diretamente as doses do Sinopharm e reiterou sua versão de que era um dos voluntários nos ensaios clínicos no país, algo que a UPCH negou.

Apesar de ter pedido desculpas à população por não ter relatado sua participação nos testes, o ex-chefe de governo fez uma nova revelação, observando que ele não só participou com sua esposa, como já havia informado, mas também com seu irmão mais velho.

Contágios de covid-19 caíram pela metade em 5 semanas, diz OMS

O ex-presidente argumentou que foi uma decisão pessoal de assumir o risco sanitário envolvido na aplicação de uma vacina experimental e negou que tenha mentido.

“Assumo minha responsabilidade nesse sentido e, por respeito aos cidadãos de meu país, peço sinceramente desculpas aos peruanos por não ter relatado esse fato naquele momento”, declarou Vizcrra, que prometeu colaborar com as investigações. “Não cometi crime algum, e não houve aqui dano contra ninguém, muito menos contra o Estado”, finalizou.

Fonte: R7
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APÓS ONDA DE REPRESSÃO E PROTESTOS, PRESIDENTE DO PERU TROCA CÚPULA DA POLÍCIA

Presidente do Peru troca cúpula da polícia após onda de repressão de protestos

Francisco Sagasti anuncia um sistema de proteção às vítimas de ação policial durantes os atos iniciados após queda do ex-mandatário Martín Vizcarra

JACQUELINE FOWKS

O presidente do Peru, Francisco Sagasti, durante cerimônia no dia 17 de novembro.O presidente do Peru, Francisco Sagasti, durante cerimônia no dia 17 de novembro.SERVICIO ILUSTRADO (AUTOM�TICO) / EUROPA PRESS

presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, substituiu o comando da Polícia Nacional após a onda de repressão policial durante os recentes protestos pacíficos em Lima contra a classe política. Os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes deixaram 63 hospitalizados e dois jovens mortos. Um adolescente de 13 anos foi baleado por agentes no domingo à noite, antes do início do toque de recolher imposto pela pandemia da covid-19

A queda da cúpula policial ocorre depois que os familiares de Inti Sotelo e Bryan Pintado —as duas vítimas—, manifestantes feridos e voluntários que participaram em brigadas de primeiros socorros nos protestos denunciaram intimidação e vigilância por parte de policiais ao longo de vários dias.

As forças de segurança reprimiram os protestos —que começaram no dia 9 e continuaram até o dia 14— disparando munição real e de ar comprimido e fazendo uso indevido de gás lacrimogêneo apesar de os manifestantes, desarmados, não representarem um risco à segurança de outras pessoas.

Os protestos de dezenas de milhares de jovens no centro de Lima começaram em repúdio ao Governo interino de Manuel Merino, no cargo após o Parlamento destituir Martín Vizcarra, acusado de participar de esquema de propina de construtoras. A população e as principais organizações da sociedade civil consideraram que a derrubada de Vizcarra foi uma ruptura da independência de poderes, causada por grupos políticos vinculados à corrupção e com conflito de interesses. Nenhum Governo vizinho cumprimentou a chegada de Merino ao poder, com exceção do Paraguai —o Brasil saudou o anúncio do então interino de manter o cronograma eleitoral.

Jan Jarab, o chefe de uma missão ad hoc das Nações Unidas que na semana passada avaliou em Lima o impacto da crise política nos direitos humanos, expressou sua preocupação sobre a negativa da polícia de ter cometido violações aos direitos humanos durante sua ação contra os protestos e chamou a situação de “repressiva e preocupante”. Em uma entrevista ao EL PAÍS, disse que o uso excessivo do gás lacrimogêneo ia contra as normas internacionais sobre direitos humanos pois os jovens manifestantes não colocaram a vida de outras pessoas em perigo.

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DE EXEMPLO NA ECONOMIA AO CAOS POLÍTICO, A NOVA REALIDADE DO PERU

Três presidentes em uma semana: como o Peru foi da estabilidade econômica ao caos político

O país que até o ano passado vinha sendo apontado como exemplo na área econômica, refratária às frequentes turbulências políticas, enfrenta agora uma combinação de várias crises

INTERNACIONAL

por BBC NEWS BRASIL

 

Deposição de Vizcarra da presidência e nomeação de Merino para o cargo — do qual já saiu — foram acompanhadas de protestos e mortes de manifestantes

Na última semana, os peruanos tiveram dois presidentes da República e amanheceram na segunda-feira (16) com a cadeira presidencial vazia.

Após um dia sem presidente, o congressista Francisco Sagasti, do Partido Morado, foi eleito por 97 votos a favor e 26 contrários. Antes da eleição de Sagasti, alguns parlamentares disseram que o impeachment de Martín Vizcarra, na semana passada tinha sido “um erro”.

A expectativa é que Sagasti, de 76 anos, seja empossado ainda nesta segunda-feira ou na terça-feira. Ele é o quinto na linha sucessória que expôs as dificuldades peruanas.

O país, que até o ano passado vinha sendo apontado como exemplo na área econômica, refratário às frequentes turbulências políticas, enfrenta agora uma combinação de várias crises – política, econômica e social.

Além da incerteza de como chegará a julho de 2021, quando deverá ser a nova posse após as eleições presidenciais de abril, de acordo com o calendário oficial.

O que aconteceu?

Por que o país passou de exemplo a motivo de preocupação regional?

Até a segunda-feira da semana passada (09), o Peru era presidido por Martín Vizcarra, que, após denúncias de corrupção, dos tempos em que era governador, foi alvo de impeachment com apoio da maioria dos congressistas.

Sua saída provocou críticas, como a do escritor e prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que disse que o Parlamento tinha “violado a constituição”, por falta de provas concretas de que ele tinha cometido corrupção.

Vizcarra foi substituído na Presidência pelo então presidente do Congresso, Manuel Merino, que renunciou no domingo (15), após fortes protestos e a morte de dois estudantes. As mortes e os vários feridos por balas de metal, como informou a imprensa local, levaram 13 dos 18 ministros de Merino a deixarem seus cargos, na noite de sábado, acelerando sua saída no dia seguinte.

Desde 2018, quando o então presidente Pedro Pablo Kuczynski, conhecido como PPK, renunciou ao cargo, após denúncias de irregularidades sobre compra de votos e suposto favorecimento por parte da Odebrecht, o país era governado por Vizcarra. Por ser então segundo vice-presidente, ele era o terceiro na linha de sucessão. A primeira vice-presidente não teve apoio parlamentar para assumir a Presidência.

Os jovens foram os principais protagonistas dos protestos da última semana, após a queda de Vizcarra.

“Diante de manifestações imensas, descentralizadas, lideradas pelos jovens e, principalmente, pelas mulheres, e sem líderes, ficou clara a rejeição diante da política tradicional peruana, baseada nos interesses pessoais, na corrupção, no clientelismo e no abuso de poder. O Congresso não mediu as consequências da sua decisão (de impeachment de Vizcarra e falta de apoio ao sucessor) e o governo de Merino não soube como reagir”, disse a professora de ciências políticas da Universidade del Pacifico, Paula Muñoz, à agência EFE, antes de Francisco Sagasti ser eleito por seus colegas congressistas para a Presidência – o terceiro presidente do país em uma semana.

Para ela, o “motor dos protestos” da semana passada foram os jovens, que se organizam rápido pelas redes sociais, enquanto que “os políticos tradicionais não entenderam que o mundo mudou”.

Até recentemente, Vizcarra tinha respaldo popular, mas “suas críticas abertas ao Congresso, que não tem boa imagem junto à opinião pública, e as comprovações de corrupção, que incluíram áudios e supostos subornos de quando era governador de Moquegua”, no sul do país, o levaram a perder o cargo, contou de Lima o professor da Universidade de San Marco, Carlos Aquino.

“Para completar, Vizcarra não tinha quem o defendesse no Congresso, porque não tem partido e na última eleição legislativa, convocada por ele mesmo, não apresentou candidatos”, disse Aquino.

Vizcarra tinha dissolvido o Congresso e convocado eleições, que foram realizadas no início deste ano. As medidas, que tinham gerado dúvidas no âmbito internacional, tiveram, porém, forte respaldo popular, como disse o analista Alfredo Torres, do instituto Ipsos, da capital peruana.

País com cerca de 32 milhões de habitantes, o Peru tinha sido notícia nos últimos tempos pelo envolvimento de três ex-presidentes nas investigações sobre os tentáculos da Lava Jato, de acordo com investigadores peruanos. Mas as sacudidas políticas que também envolveram candidatos presidenciais não tinham afetado a economia, como ocorre agora, neste ano de pandemia do novo coronavírus.

O ex-presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, foi preso nos Estados Unidos, e após pagar fiança foi para casa com tornozeleira eletrônica, já que tem idade de risco para covid-19.

Outro ex-presidente, Ollanta Humala (2011-2016), esteve preso no próprio país, enquanto Alan García se matou em abril do ano passado, em meio às investigações. Ele tinha governado o Peru entre 1985 e 1990 e entre 2006 e 2011.

Mas neste ano, pela primeira vez em quase vinte anos, a crise política não está sozinha, ou não caminha sem afetar a economia.

“Com o vazio de poder que tivemos agora, com o país sem presidente, durante mais de um dia, a recessão e o aumento da pobreza poderiam ser maior ao esperado. Na pandemia, o Estado é o único que está realizando investimentos. Como em outros países, o setor privado sente os efeitos da pandemia. Mas com essa crise política, as crises econômica e social podem piorar”, disse Aquino.

Na América do Sul, o desempenho da economia peruana, neste ano, só não será pior que o da Venezuela, com queda de 25%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Entre 2002 e 2013, o país andino registrou um dos crescimentos mais altos da América Latina, com média anual de 6,1% do PIB, de acordo com o Banco Mundial. A pobreza caiu quase à metade, passando de 52% para 26%. A pobreza extrema encolheu de 30,9% para 11,4%, ainda de acordo com o a instituição.

Entre 2014 e o ano passado, o crescimento foi de cerca de 3,1% ao ano, refletindo o impacto da queda nos preços das commodities, e ainda assim com expansão mais alta que a dos seus vizinhos. O Brasil registrou 1,1% positivo, a Argentina queda de 2,2% e a Bolívia, que também viu sua economia crescer nos últimos anos, anotou crescimento de 2,2%, segundo o Banco Mundial.

No Peru, estima-se que quase 70% da população ativa esteja na informalidade. Muitos não puderam respeitar o isolamento social para evitar o coronavírus, contribuindo para o alastramento da covid-19. Com os hospitais lotados e sem infraestrutura, muitos familiares das vítimas da doença fizeram filas para comprar balões de oxigênio, nem sempre com procedência segura.

Em muitos casos, os balões eram levados para as casas dos doentes porque os hospitais não tinham cama. A situação estaria menos grave nestes dias, segundo analistas. Mas o drama evidenciou que apesar de ter organizado seus números e registrado forte crescimento, o país não tinha investido na rede hospitalar.

A pandemia mostrou ainda a vulnerabilidade não só dos mais idosos, mas dos mais jovens que, com a queda no orçamento familiar, provocada pelo desemprego ou pouca arrecadação dos pais, trabalhadores informais, devem, por exemplo, deixar universidades privadas. Ou enfrentam dificuldades para encontrar trabalho.

Fonte: R7

 

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NO PERU,VIZCARRA ÉAFASTADO DA PRESIDÊNCIA E PRESIDENTE DO CONGRESSO ASSUME ATÉ 2021

 

Manuel Merino toma posse como presidente do Peru

Após saída de Martín Vizcarra, afastado na noite de segunda-feira, o presidente do Congresso assumiu como presidente até 2021

INTERNACIONAL

Da EFE

Manuel Merino toma posse como presidente interino do Peru

Congresso do Peru / Divulgação via EFE – EPA – 10.11.2020

O presidente do Congresso peruano, Manuel Merino, tomou posse nesta terça-feira (10) como novo presidente do Peru, um dia após os congressistas aprovarem o impeachment de Martín Vizcarra por “incapacidade moral”.

 

Merino, de 59 anos, assume a presidência até 28 de julho de 2021, quando entregará o poder a quem vencer as eleições gerais convocadas para o dia 11 de abril de 2021.Em cerimônia realizada na câmara parlamentar, o primeiro vice-presidente do Congresso, Luis Valdez, tomou juramento de Merino, que até ontem era o chefe do Poder Legislativo, e lhe vestiu a faixa. O novo presidente será o responsável por completar o mandato 2016-2021, para o qual Pedro Pablo Kuczynski foi originalmente eleito.Kuczynski, que renunciou ao cargo após ser denunciado por corrupção em caso envolvendo a Odebrecht, foi sucedido em 2018 por seu vice-presidente Martin Vizcarra, afastado pelo Congresso ontem por “incapacidade moral permanente”. A retirada é consequência de uma denúncia de recebimento de propina há seis anos, quando era governador regional.

Eleições em 2021

Em seu discurso ao Congresso, o novo chefe de governo disse que seu primeiro compromisso é ratificar a convicção democrática e respeitar o processo eleitoral que está em andamento.

“O calendário eleitoral deve ser respeitado, ninguém pode mudar a data convocada para 11 de abril de 2021”, destacou Merino, em resposta aos temores de que os partidos políticos na atual legislatura pretendam prorrogar seu mandato.

O Congresso atual foi eleito em janeiro deste ano, após o encerramento constitucional do Parlamento anterior que Vizcarra decretou em setembro de 2019. O novo também será eleito em abril do ano que vem

O novo governante também afirmou que os órgãos eleitorais devem ter a confiança de que seu trabalho será independente e de que receberão todos os recursos necessários para as eleições. Ele prometeu também garantir a imparcialidade do processo eleitoral.

Pandemia e economia

Merino se referiu à crise sanitária no país devido à pandemia da covid-19 e aos efeitos na economia que a doença vem causando desde março.

O presidente disse que manterá, “na medida do possível”, as equipes que têm a responsabilidade de enfrentar a pandemia na linha de frente e que é essencial corrigir os erros para deixar de ser “o país com a pior gestão da crise sanitária”.

Da mesma forma, Merino declarou que durante o seu governo a recuperação econômica acontecerá através do fortalecendo grandes e pequenas empresas, e criando empregos perdidos para a pandemia.

Posse gera protestos

Merino prometeu convocar um “gabinete de consenso e unidade nacional”, composto por profissionais das mais altas qualificações e sem cores políticas. Ele também pediu o fim do confronto entre os poderes Executivo e Legislativo e quer calma e tranquilidade por parte da sua população, depois de protestos realizados durante a sua posse.

O novo chefe de Estado salientou que os votos que aprovaram o impeachment de Vizcarra não foram comprados e que além do debate político, que gera paixões, foi cumprido o devido processo. “Não há nada para celebrar, é um momento muito difícil para o país”, refletiu.

Os integrantes do partido Morado, o único a ter se oposto à destituição presidencial em bloco, não compareceram à posse de Merino. “Não queríamos participar de uma tomada de poder ilegítima”, justificou o presidente da legenda, Julio Guzmán.

Nas ruas, centenas de manifestantes protestavam nos arredores do Parlamento pela queda de Vizcarra, o que também aconteceu em outras cidades do país vizinho.

No final de seu discurso, Merino foi ao Palácio do Governo, onde dedicará as próximas horas a preparar o gabinete que o acompanhará durante o mandato.

 

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PELA SEGUNDA VEZ PRESIDENTE DO PERU É ALVO DE PEDIDO DE IMPEACHMENT

Presidente do Peru é alvo de novo pedido de impeachment

Em sessão virtual do Congresso, parlamentares aprovaram a abertura do processo de impeachment com 60 votos favoráveis, 40 contra e 18 abstenções

INTERNACIONAL

Da EFE

Pela segunda vez, Vizcarra é alvo de pedido de impeachment

Pela segunda vez desde que assumiu o posto, o presidente do Peru, Martin Vizcarra, tornou-se alvo de um pedido de impeachment no Congresso, desta vez sob a acusação de “incapacidade moral permanente” devido a supostos atos de corrupção.

Em sessão virtual do Congresso, os parlamentares peruanos aprovaram na segunda-feira (2) a abertura do processo de impeachment por um placar de 60 votos favoráveis, 40 contrários e 18 abstenções. Eles também decidiram que o julgamento político acontecerá em 9 de novembro, quando o presidente terá que apresentar sua defesa pessoalmente em plenário ou ser representado por um advogado

O pedido se deve a um suposto caso de corrupção quando Vizcarra foi governador reginal de Moquegua entre 2011 e 2016. Ele teria recebido propinas em troca da concessão de obras públicas neste departamento (estado), segundo depoimentos de pessoas ligadas ao caso e que negociam com a Justiça para se tornarem delatores premiados.

A eventual cassação de Vizcarra requer 87 votos de um total de 130 membros de um Parlamento onde ele não conta com uma bancada de apoio, que está diluído entre vários grupos políticos minoritários.

Primeiro pedido de impeachment

O primeiro pedido de impeachment foi feito em setembro, após uma série de gravações clandestinas vazadas pela assistente pessoal de Vizcarra, Karem Roca, na qual o presidente parece querer esconder várias reuniões com Richard Swing, um músico desconhecido que conseguiu contratos públicos, supostamente, por ser amigo do governante.

No entanto, a maioria dos congressistas negou a cassação de Vizcarra para manter a estabilidade e depois que o presidente do Congresso, Manuel Merino, a força motriz por trás do processo e que assumiria o governo, entrou em contato com as Forças Armadas e procurou criar um “governo sombra” mesmo antes das alegações contra o presidente se tornarem conhecidas.

Fonte: R7

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IMPEACHMENT DE MARTÍN VIZCARRA É REJEITADO PELO CONGRESSO DO PERU

Congresso do Peru rejeita impeachment de Martín Vizcarra

Embora o presidente tenha se livrado da destituição, ele tem pela frente mais dez meses de governo afetado pelo descrédito, e não conta com uma base ampla no Parlamento

JACQUELINE FOWKS

Lima – 19 SEP 2020 – 11:34 BRT

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, ao discursar na sexta-feira, 18 de setembro perante o Congresso. Parlamento arquivou processo de impeachment.O presidente do Peru, Martín Vizcarra, ao discursar na sexta-feira, 18 de setembro perante o Congresso. Parlamento arquivou processo de impeachment. ANDRES VALLE / AFP

O Congresso do Peru rejeitou na noite de sexta-feira a destituição do presidente do país, Martín Vizcarra, que derrotou assim uma moção para incapacitá-lo após ser acusado de concessão irregular de contratos. O processo, forçado por seis dos nove grupos do Parlamento há uma semana, dependia basicamente da decisão das duas forças majoritárias. Em sua defesa no Congresso, Vizcarra pediu desculpas pelos áudios de conversas que geraram a crise política no país. Alguns líderes políticos que dias atrás estavam a favor de tornar vago o cargo de presidente acabaram mudando de posição. Depois de um dia inteiro de debates, 78 congressistas votaram contra o impeachment, 32 votaram a favor e 15 se abstiveram. Eram necessários 87 votos para aprovar a destituição.

Os partidos Ação Popular (exceto dois de seus congressistas), Aliança pelo Progresso, Força Popular (exceto uma congressista) e Morado votaram em bloco no “não”, enquanto o grupo político de Antauro Humala, União pelo Peru, e o partido Frente Popular Agrícola do Peru votaram pela destituição.

O Podemos Peru, liderado por dois políticos investigados, Luna Gálvez e Luna Morales, optou pela abstenção, e na esquerdista Frente Ampla houve dois votos contra e cinco abstenções. Nove membros do Somos Peru foram contra e um, a favor. Vários dos que votaram contra a destituição disseram ter feito isso contra sua posição pessoal, por seguir a indicação do chefe do partido (como no caso da Ação Popular e da Aliança para o Progresso), ou por colocar os interesses do país em primeiro lugar. Outros afirmaram que a rejeição do impeachment não eximia o presidente de responsabilidade.

 

Na semana passada, a bancada da Aliança pelo Progresso foi a que contribuiu com mais votos para que o Congresso abrisse o processo para destituir o chefe de Estado. O líder desse partido, o ex-candidato à presidência César Acuña, no entanto, divulgou um pronunciamento considerando “desnecessário e impertinente forçar uma vacância presidencial”. Seu irmão, o congressista Humberto Acuña, foi condenado no início de setembro à inabilitação para exercer cargos públicos por ter oferecido suborno a um policial ligado a uma rede criminosa, mas ainda ocupa a cadeira no Congresso.

Em prisão domiciliar, a líder da Força Popular, a ex-candidata à presidência presidencial Keiko Fujimori, também se manifestou contra a destituição. Ela é investigada por lavagem de dinheiro após ter recebido fundos ilegais da construtora brasileira Odebrecht para suas campanhas eleitorais em 2011 e 2016. Essas opiniões pesaram na decisão tomada quinta-feira pelo Tribunal Constitucional, ao qual o Governo recorreu para pedir uma medida cautelar que suspendesse o processo de impeachment. O pedido foi rejeitado. “Percebemos, pelas declarações dos porta-vozes e dos que têm representação partidária, que não estão inclinados a apoiar a vacância presidencial”, comentou na manhã de sexta-feira a presidenta do tribunal, Marianella Ledesma, à Radioprogramas.

Vizcarra foi colocado contra a parede depois que o congressista Edgar Alarcón, em coordenação com o presidente do Congresso, Manuel Merino, da Ação Popular, divulgou em 10 de setembro três áudios gravados pela secretária pessoal do presidente. Em um deles, Vizcarra, seu assistente e a secretária-geral de presidência combinam a versão que deveriam dar à Procuradoria e à Comissão de Fiscalização do Congresso sobre as visitas de Richard Cisneros −um cantor que ganhou contratos estatais em um valor equivalente a quase 270.000 reais durante os mandatos do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski e de Vizcarra− ao Palácio do Governo.

Alarcón, que preside a Comissão de Fiscalização, enfrenta, por sua vez, duas acusações constitucionais que o Parlamento ainda não debateu. A procuradora-geral Zoraida Ávalos o denunciou por corrupção e enriquecimento ilícito, crimes que teria cometido quando chefiava a Controladoria da República, cargo do qual foi destituído pelo Congresso em 2017. No dia 11, além de Aliança pelo Progresso, votaram em bloco a favor de debater a destituição de Vizcarra a União pelo Peru e o Podemos Peru, cujos líderes têm problemas com a Justiça: um está preso pelo assassinato de quatro policiais e o outro é investigado por lavagem de dinheiro no caso Odebrecht.

Durante a sessão de debate do impeachment, o advogado do presidente Vizcarra, Roberto Pereira, apontou as falhas que o Congresso teria cometido ao divulgar os chamados “áudios do escândalo”. “Não se pode pedir a vacância sobre uma base embrionária, presumida, duvidosa”, afirmou. “É uma prova ilegal porque não foram seguidos os caminhos normais [na investigação parlamentar sobre os contratos com Cisneros] e não foi convalidada a veracidade dos áudios”, acrescentou. Em seu discurso, Vizcarra afirmou que “a única coisa comprovada até agora foi a gravação clandestina”, e pediu que o Congresso deixe o Ministério Público investigar o que for necessário. Em outro dos áudios divulgados, o chefe de Estado comenta com sua secretária pessoal que era um problema que parentes dela tivessem sido beneficiados com contratos quando ele era governador de Moquegua, no sul do país, e que familiares da secretária-geral da presidência −que renunciou no sábado− tivessem obtido cargos públicos.

Embora o presidente tenha se livrado da destituição, ele tem pela frente mais dez meses de governo afetado pelo descrédito, e não conta com uma bancada no Parlamento. Em um dos áudios divulgados, Vizcarra combina com seu entorno como eliminar os vestígios de algumas visitas de Cisneros à sede do Executivo. Em maio, quando respondeu à imprensa sobre sua ligação com o cantor, disse que era apenas um conhecido da campanha eleitoral de Kuczynski, mas as revelações não apoiam essa versão. Na sexta-feira, a ex-assistente pessoal do atual chefe de Estado e a ex-secretária-geral da presidência passaram à condição de investigadas no caso dos contratos: a primeira, por ocultação de provas em detrimento do Estado; a segunda, por conluio com agravante.

Vizcarra terá de enfrentar, ao mesmo tempo, uma agenda complicada: conter a pandemia de covid-19− o Peru é o país com a maior taxa de mortalidade por 100.000 habitantes− e concluir a reforma política para as eleições gerais de abril. Tanto o Congresso anterior como o atual rejeitaram constantemente modificações nas regras eleitorais que punam o financiamento ilegal de partidos políticos. Além disso, falta aprovar o fim do voto preferencial para permitir a paridade e alternância nas listas de candidatos. Por isso, a tensão entre o Executivo e o Legislativo vai continuar, como ocorre desde março, quando foi empossado o Congresso atual.

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IMPEACHMENT DE PRESIDENTE DO PERU PERDE FORÇA APÓS DIVISÃO DE OPOSIÇÃO

Oposição se divide e impeachment de presidente do Peru perde força

Votação na próxima sexta vai definir se processo pode seguir adiante, mas membros importantes da oposição temem uma crise política no país

INTERNACIONAL

por Reuters

Vizcarra é acusado de envolvimento com cantor investigado por corrupção

Uma tentativa liderada pela oposição no Congresso de remover o presidente do Peru, Martín Vizcarra, perdeu força neste domingo (13), depois que líderes políticos rejeitaram o impeachment por temerem que a revolta mergulhe o país em uma crise política.

César Acuña, chefe do segundo maior partido no Congresso e possível candidato nas eleições presidenciais de 2021, disse que uma derrubada “só poderia agravar” a situação atual do país, já frágil pelo impacto da crise do novo coronavírus.

O partido de Acuña deu votos importantes na sexta-feira passada para iniciar o processo de impeachment contra Vizcarra devido ao vazamento de áudios que, segundo legisladores, mostram o presidente tentando minimizar a relação que tem com um cantor que está sendo investigado por conta de contratos governamentais.

Votação decisiva na 6ª

Vizcarra, que acusa o Congresso de um complô, vai encarar os legisladores na sexta-feira, ocasião em que o impeachment exigirá 87 votos dos 130 legisladores. A votação para lançar o processo de derrubada do mandatário foi aprovada por 65 votos na sexta-feira passada, 21 dos quais vieram do grupo populista de direita, Alianza para el Progreso, de Cesar Acuña.

Vizcarra, um centrista que assumiu a presidência em 2018 após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, não tem representação no Congresso e não pode concorrer nas eleições do próximo ano devido aos limites constitucionais.

O país andino, segundo maior produtor mundial de cobre, há muito tempo é atormentado por turbulências políticas, com a maioria dos ex-presidentes recentes sendo investigados por corrupção. O próprio Vizcarra tem buscado uma agenda agressiva anticorrupção.

“Seria absolutamente desnecessário e impertinente forçar uma vacância presidencial por parte do Congresso”, tuitou Acuña, empresário que possui várias universidades privadas. “Isso só poderia agravar a crise política e de saúde em curso.”

Rivais de campanha

Outros nomes da política peruana, incluindo Keiko Fujimori, líder da terceira força no Congresso, e Julio Guzmán, do centrista Partido Roxo, se distanciaram da tentativa de impeachment e sugeriram que Vizcarra deveria ser investigado quando seu mandato terminar.

“Até hoje, não há elementos ou procedimentos necessários para derrubar o presidente”, disse Fujimori — ela mesma investigada por ter recebido contribuições da Odebrecht do Brasil na eleição anterior — no Twitter neste domingo.

O governo anunciou no sábado que usaria de todas as vias legais para defender Vizcarra e que apresentará uma ação de concorrência sobre o caso ao Tribunal Constitucional na segunda-feira para interromper o processo de impeachment.

Fonte: R7

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CONGRESSO DO PERU APROVA, COM VOTAÇÃO APERTADA, PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA O PRESIDENTE

Em votação apertada, Congresso do Peru aprova abertura de processo de impeachment contra presidente

Martín Vizcarra é acusado de obstruir investigação de suborno envolvendo funcionários do governo: ele teria beneficiado um amigo com nove contratos que totalizam cerca de 50.000 dólares

JACQUELINE FOWKS

Lima – 11 SEP 2020 – 18:43 BRt

O presidente do Peru, Martín Vizcarra.O presidente do Peru, Martín Vizcarra.PAOLO AGUILAR / EFE

tensão entre o Congresso e o Executivo no Peru atingiu seu ponto mais alto na noite desta quinta-feira com uma moção para destituir o presidente Martín Vizcarra. Eram necessários 52 votos para que o pedido de impeachment fosse aprovado e, após uma sessão de três horas, 65 parlamentares votaram a favor, 36 contra e 24 se abstiveram. Agora, o Congresso deve convocar uma nova sessão plenária, na próxima sexta-feira, 18 de setembro, para debater a destituição e dar ao presidente 60 minutos para fazer sua defesa. A instabilidade política no país sul-americano ocorre quando faltam seis meses para as eleições, já convocadas, e em meio à grave crise econômica e sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus.

O processo de impeachment de Vizcarra tem por base a denúncia de um congressista que apresentou três áudios de conversas —gravadas sem a autorização dos interlocutores— sobre um amigo do chefe de Estado que foi beneficiado com nove contratos estatais por quase 50.000 dólares (270.000 reais), classificados como serviços de palestras e consultorias.

O parlamentar Edgar Alarcón, que apresentou os áudios nesta quinta-feira, foi denunciado em julho pela procuradora-geral pelos crimes de enriquecimento ilícito e peculato doloso durante o seu mandato como encarregado da Controladoria da República entre 2016 e 2017. As denúncias constitucionais apresentadas pela titular do Ministério Público terão que ser debatidas pelo Congresso, que também deve decidir sobre a retirada da imunidade parlamentar para que ele possa ser processado. Alarcón é do partido União pelo Peru, liderado por Antauro Humala, político e ex-militar preso por liderar uma revolta que terminou com o assassinato de quatro policiais em 2005 e que cumpre pena de 19 anos de prisão por esses crimes. Antauro Humala —irmão do ex-presidente Ollanta Humala— é um político populista e nacionalista que propõe a pena de morte e pretende ser candidato presidencial.

A transmissão dos áudios desta quinta-feira teve a aprovação do presidente do Congresso, Manuel Merino, da Ação Popular, o partido majoritário no Legislativo, embora dividido em três facções que correspondem aos três políticos que pretendem ser candidatos à presidência por essa legenda nas eleições de abril de 2021. A Comissão de Supervisão do Congresso, presidida por Alarcón, investiga desde junho a contratação pelo Estado do produtor musical Ricardo Cisneros, que no mundo do entretenimento se autodenomina Richard Swing, personagem pouco visível antes dessas denúncias.

Quando a imprensa consultou o presidente Vizcarra sobre sua ligação com Cisneros, ele respondeu que o conhecia desde a campanha eleitoral de Pedro Pablo Kuczynski, em 2016, mas que não influenciou em sua contratação e não era próximo a ele. Um dos áudios transmitidos por Alarcón é uma conversa entre o presidente, seu assistente pessoal, a secretária-geral da presidência e um assessor de comunicação, na qual concordam sobre a versão a ser dada sobre as visitas de Cisneros à sede do Executivo, no âmbito das investigações fiscais e parlamentares dos contratos do Ministério da Cultura concedidos a ele. Cisneros prestou serviços durante o Governo Kuczynski, mas ganhou mais dinheiro na gestão de Vizcarra.

O segundo áudio é uma conversa tensa entre o presidente e sua secretária sobre possíveis demissões de pessoal em decorrência das investigações, e o terceiro é um diálogo entre a mesma funcionária, Karem Roca, e Cisneros. Após a divulgação das conversas, parlamentares de várias bancadas —entre as quais Podemos Peru, cujos dois principais dirigentes estão sob investigação fiscal por lavagem de dinheiro e fazer parte de de uma organização criminosa— exigiram a vacância presidencial.

Na noite desta quinta-feira, em mensagem transmitida ao vivo, Vizcarra rejeitou as manobras do Congresso. “Não vou negar a conversa, mas foram coordenações internas que acontecem em qualquer instituição, uma forma de esclarecer o que estava acontecendo no âmbito das investigações. Naquela reunião, devo ressaltar, afirmei ‘digamos a verdade’”, disse Vizcarra. “Tudo isto é uma farsa que busca desestabilizar a democracia para assumir o controle do Governo, permitir a reeleição de parlamentares, adiar as eleições e garantir sua vitória eleitoral”, acrescentou o presidente.

Desde o ano passado, o Congresso anterior e o atual boicotam a reforma política que tenta evitar as candidaturas de pessoas que usam a política para se blindar de investigações e processos judiciais ou para defender os interesses da corrupção e das máfias. Por exemplo, um parlamentar do Podemos Peru, Daniel Urresti, enfrenta desde a semana passada um novo julgamento pelo assassinato do jornalista Hugo Bustíos, cometido quando o político era oficial de inteligência do Exército, em 1988. Desde que em março se instalou o Parlamento que substituiu o dissolvido em setembro do ano passado, o confronto entre poderes do Estado no Peru é permanente.

Em sua mensagem, o presidente peruano destacou que na quinta-feira estava prevista na pauta do plenário do Congresso a segunda votação de uma norma que impede a candidatura de pessoas com sentença em primeira instância. Depois de escutarem os áudios, os parlamentares deixaram de lado a pauta e não debateram nem essa lei nem outras.

Vizcarra declarou que está pendente o pedido da Procuradoria-Geral para a retirada da imunidade de Alarcón “para dar continuidade às investigações pendentes por supostos crimes de enriquecimento ilícito, peculato doloso, omissão de funções e falsificação de documentos”. Uma hora depois da mensagem de Vizcarra, 31 congressistas da Ação Popular, Podemos Peru, Aliança para o Progresso, União pelo Peru, Força Popular e Somos Peru assinaram uma moção para declarar a vacância da presidência pela “incapacidade moral permanente” de Vizcarra. Um deles retirou a assinatura minutos depois.

O presidente do Congresso convocou uma sessão plenária na manhã desta sexta-feira para debater a questão. O congressista Gino Costa, do Partido Morado, um dos que não assinaram o pedido de vacância, disse a EL PAÍS que o caso pode ir à Procuradoria-Geral da Nação para que a partir de 29 de julho, quando termina o mandato de Vizcarra, ele seja investigado, conforme manda a Constituição. “Isso não é causa de vacância”, disse ele. Se o Parlamento obtiver 104 votos, o debate sobre o impeachment pode ocorrer no mesmo dia. E a aprovação da vacância requer 87 votos. O Congresso peruano tem 130 membros que representam nove agrupamentos políticos, mas nem todos votam de acordo com a linha partidária.

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EM MEIO À PANDEMIA MÉDICOS NO PERU CONVOCAM GREVE POR 48 HORAS

 

Médicos convocam greve de 48 horas no Peru em meio à pandemia

Entre as principais reivindicações estão a necessidade de equipamentos de proteção individual adequados. Paralização ocorrerá nos dias 26 e 27 de agosto

INTERNACIONAL

Da EFE

Esta homenagem foi feita aos médicos peruanos que morreram de covid-19

A Federação Médica do Peru convocou uma greve de 48 horas para os dias 26 e 27 de agosto, enquanto o país reporta um aumento no número de casos ativos de covid-19, mas garantiu que os pacientes serão atendidos normalmente.

Inicialmente, a greve havia sido convocada para os dias 15 e 16 de julho, mas acabou não sendo realizada porque a entidade começou a negociar com o ministro da Saúde anterior, Víctor Zamora.

Os médicos retomaram a convocatória após não verem avanços nas conversas com a nova minsitra, Pilar Mazzetti, que substituiu Zamora como parte da reformulação do governo peruano feita pelo presidente, Martín Vizcarra, em meados de julho.

“Estamos dispostos a falar, mas, se não tivermos propostas concretas, não podemos falar. Já suspendemos a greve de 15 e 16 de julho para conversar, mas acreditamos que fomos enganados por Vizcarra. Fomos chamados para o dia 16 e, no dia 15, o ministro da Saúde e o primeiro-ministro mudaram”, disse o presidente da Federação Médica do Peru, Godofredo Talavera.

Prioridade aos pacientes

O presidente do sindicato garantiu que nenhum paciente ficará sem atendimento por causa da greve porque apenas os médicos que estiverem de licença ou tiverem terminado as atividades sairão para protestar.

Entre as principais reivindicações estão a necessidade de equipamentos de proteção individual adequados para tratar casos de covid-19 e assegurar que os médicos autônomos contratados pelo Ministério da Saúde para lidar com a pandemia sejam pagos durante os três meses combinados, dinheiro que não chega devido à lentidão dos procedimentos administrativos.

Talavera também garantiu aos meios de comunicação locais que os médicos receberam apenas uma pequena parte do bônus especial que o governo anunciou para os profissionais que tratam de casos de covid-19.

Segundo ele, ainda são necessários 16 mil médicos no sistema de saúde pública peruano, além de mais medicamentos, camas e oxigênio. A principal reivindicação é aumentar o orçamento da saúde para 5% do produto interno bruto (PIB).

Na opinião de Talavera, o orçamento de 20 bilhões de sóis anunciado por Vizcarra para 2021 não vale para os médicos peruanos, pois mal representa 2,44% do PIB, 0,18% a mais do que o orçamento inicial para este ano.

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DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA CENTENAS DE MULHERES DESAPARECERAM NO PERU

Centenas de mulheres desaparecem durante a pandemia no Peru

Um total de 915 pessoas, sendo 606 meninas e 309 mulheres,  desapareceram desde o início do bloqueio de 16 de março a 30 de junho

INTERNACIONAL

Do R7, com Reuters

Mulher vítima de violência doméstica durante a pandemia do coronavírus no PeruMulher vítima de violência doméstica durante a pandemia do coronavírus no Peru

Mais de 900 mulheres e meninas desapareceram no Peru durante o isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus. A informação é do Ombudsman Nacional, que pediu a criação de um registro nacional de pessoas desaparecidas para tratar do número “alarmante” de desaparecimentos.

Os registros devem ser mantidos para rastrear aqueles que desaparecem, sejam encontrados vivos ou mortos e vítimas de tráfico sexual, violência doméstica ou feminicídio, disse Isabel Ortiz, uma comissária de direitos das mulheres no escritório do Ombudsman Nacional, um órgão independente que monitora os direitos humanos do Peru.

Um total de 915 pessoas, sendo 606 meninas e 309 mulheres, desapareceram desde o início do toque de recolher de 16 de março a 30 de junho, disse Ortiz.

“Os números são realmente bastante alarmantes”, disse Ortiz à Thomson Reuters Foundation em uma entrevista por telefone.

“Conhecemos o número de mulheres e meninas que desapareceram, mas não temos informações detalhadas sobre quantas foram encontradas”, disse ela. “Não temos registros adequados e atualizados.”

Sem o tipo de dados que um registro nacional de pessoas desaparecidas poderia coletar, muitas vezes permanece desconhecido o que aconteceu com os que foram desaparecidos e se foram encontrados mortos ou vivos, disse ela.

Alguns podem ser vítimas de crimes violentos como violência doméstica ou feminicídio, o assassinato de uma mulher por um homem, segundo Ortiz.

“Em alguns casos, é o autor do crime que denunciou uma mulher como desaparecida”, disse ela.

Ações do estado

Um registro nacional de pessoas desaparecidas permitiria o cruzamento de informações com outros crimes contra mulheres para ajudar a encontrar pessoas desaparecidas e identificar possíveis suspeitos, disse ela.

“Precisamos ter um registro adequado que nos permita vincular o desaparecimento de mulheres a outros crimes, como tráfico de seres humanos e violência sexual”, disse Ortiz.

Na semana passada, o ministério das mulheres do Peru disse que 1.200 mulheres e meninas haviam desaparecido durante a pandemia – um número mais alto que incluiu o mês de julho.

O ministério das mulheres disse que o governo está trabalhando para erradicar a violência contra as mulheres e aumentou o financiamento este ano para programas de prevenção à violência baseados em gênero.

Violência de gênero

Países em todo o mundo relataram aumento da violência doméstica devido a bloqueios por coronavírus, levando as Nações Unidas a pedirem ações urgentes do governo.

A América Latina e o Caribe são conhecidos por altos índices de feminicídio e violência contra as mulheres, impulsionados por uma cultura machista e normas sociais que ditam o papel das mulheres, disse Ortiz.

“A violência contra as mulheres existe por causa dos muitos padrões patriarcais que existem em nossa sociedade”, disse ela.

“Existem muitos estereótipos sobre o papel das mulheres que definem como deve ser seu comportamento e, quando não são respeitadas, a violência é usada contra as mulheres”, disse ela.

Antes da pandemia, centenas de milhares de mulheres em toda a América Latina, incluindo o Peru, estavam realizando manifestações de rua em massa, exigindo ações do governo contra a violência de gênero.

 

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EM MEIO A PANDEMIA, PRESIDENTE DO PERU SUBSTITUI 11 DOS 18 MINISTROS

 

Presidente do Peru troca 11 dos 18 ministro de seu governo

Um dos ministérios afetados pela troca foi o da saúde. Esta é a segunda vez que Martín Vizcarra troca o chefe da pasta em plena pandemia

INTERNACIONAL

Do R7

Presidente Martín Vizcarra posa ao lado dos 11 novos ministrosPresidente Martín Vizcarra posa ao lado dos 11 novos ministros

O presidente do Peru, Martín Vizcarra trocou, nesta quarta-feira (15), 11 dos 18 ministros existentes no governo. Uma das substituições foi a do ministro da saúde, Victor Zamora criticado por sua gestão durante a pandemia do novo coronavírus. O país é o segundo em número de mortos na América do Sul, com mais de 12 mil vítimas fatais.

A nova ministra da saúde, Pilar Mazzetti é médica especialista em neurologia e assumirá a pasta em meio a uma crise sanitária sem precedentes no país.

Com a promessa de “suor, honestidade e conduta democrática”, Pedro Cateriano assume o cargo de primeiro ministro como chefe central de uma renovação do Gobierno de Perú.

Também foram empossados novos ministros nas pastas de Relações Exteriores, Defesa, Economia, Justiça, Educação, Minas e Energia, Cultura, Transportes, Turismo, entre outros.

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BOAS NOTÍCIAS: PERU ADQUIRI E FORNECE 840 MIL TABLETS COM INTERNET MÓVEL A ALUNOS CARENTE

Uma atitude responsável e providencial é o destaque da nossa coluna BOAS NOTÍCIAS desta sexta-feira. O governo do Peru teve uma iniciativa de tirar o chapéu. Resolveu adquirir e doar 840 mil tablets com internet móvel a alunos carentes do interior do país para não perderem o ano letivo. Leia a reportagem completa a seguir e saiba como funciona essa bela política pública!

País adia aulas e compra 840 mil tablets para alunos carentes: covid

Educação em primeiro lugar. O governo do Peru anunciou a compra de 840 mil tablets para que alunos de famílias carentes possam estudar em casa durante o isolamento social provocado pela covid-19.

Dos 840 mil equipamentos, 719 mil serão destinados a estudantes de áreas rurais.

Outros 123 mil vão para estudantes que residem em áreas urbanas.

O Ministério da Educação do Peru vai doar os tablets já com internet móvel, para “fechar uma lacuna histórica em questões digitais e educacionais”.

Os beneficiados serão alunos do 4º, 5º e 6º ano do ensino fundamental e médio.

“Com esses equipamentos, estudantes dos lugares mais remotos do nosso país terão acesso ao mesmo conteúdo que os alunos da cidade acessam. Quem tem acesso à internet, tem maior capacidade de acessar informações”, disse o presidente Martín Vizcarra, que fez o anúncio da aquisição dos aparelhos por meio de nota.

Covid

O Peru é o segundo país mais afetado pela pandemia de Covid-19, na América do Sul, atrás apenas do Brasil.

Com o aumento de casos por lá, a volta às aulas prevista para esta semana foi adiada.

Por isso o Peru recorreu na modalidade à distância.

“O que está absolutamente claro é que, a curto e médio prazo, as aulas não serão presenciais, elas ainda acontecerão à distância”, disse o presidente, depois de revelar que o número de infecções no país passa de 51.100, e o número de mortes chega a 1.500.

“Os estudantes técnicos, universitários, nos níveis iniciais, primários e secundários, terão que fazer aulas à distância”, acrescentou ele durante uma coletiva de imprensa virtual.

O Peru está em uma situação de emergência de saúde desde 15 de março, e a população ficará em confinamento obrigatório até 10 de maio.

O comércio do país está fechado, funcionando apenas parte do setor de serviços considerados essenciais.

A suspensão das aulas foi uma das primeiras medidas adotadas pelo Peru em 12 de março, uma semana após o primeiro caso do vírus.

Com informações da AFP e OPovo

Fonte: Só Notícia Boa

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