ALIADOS DE GUAIDÓ SEGUEM TENTANDO CONTROLAR ALGO NO PAÍS, ENQUANTO ESQUERDA TENTA SE REESTRUTURAR

 

Na Venezuela, esquerda se distancia de Maduro e oposição busca apoio

Aliados de Juan Guaidó seguem tentando controlar algo no país, enquanto esquerda tenta se reestruturar. Eleições acontecem no domingo (6)

INTERNACIONAL

Da EFE, com R7

 

Oposição venezuelana tenta agarrar poder com referendo Oposição venezuelana tenta agarrar poder com referendo
Manaure Quintero/ Reuters – 20.8.2019

Depois de cinco anos à frente da Assembleia Nacional, o parlamento da Venezuela, a oposição ao governo de Nicolás Maduro, liderada por Juan Guaidó, que considera as eleições legislativas do domingo (4) uma fraude, dedicou seus últimos meses a uma desesperada contra-campanha que busca, sem sucesso, neutralizar o chavismo através de um referendo.

Principal arma usada pela oposição neste contra-ataque particular, a consulta popular, marcada para a semana seguinte às eleições, tem o propósito saber qual é a opinião “real” do povo sobre os aspectos políticos do país.

Essa é a última cartada daoposição depois de outras tentativas fracassadas de reconquistar o apoio popular e internacional com o qual passou a contar em janeiro de 2019, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino do país com a promessa de derrubar o sucessor de Hugo Chávez e “libertar” a Venezuela.

No entanto, 22 meses depois, nada mudou no país caribenho. As limitadas conquistas obtidas pelo opositor esgotaram a paciência e as esperaças de quem acreditava nele, e muitos de seus apoiadores se afastaram do projeto no qual antes confiavam.

Em uma tentativa desesperada de se agarrar ao impossível, Guaidó tenta legitimar sua ideia de que continua cumprindo um mandato provisório, sem ter sob sua responsabilidade instituições públicas, funcionários ou forças de segurança do Estado, e sem ter margem de manobra.

A partir de 5 de janeiro, ele também perderá o controle do parlamento para os chavistas.

O referendo

“Você exige o fim da usurpação da presidência por Nicolás Maduro e convoca eleições presidenciais e parlamentares livres, justas e verificáveis?”, é a primeira pergunta do referendo promovido pela oposição, que dá a entender que todos os venezuelanos consideram que o atual presidente é um “usurpador”, uma premissa que não corresponde à realidade.

A segunda, embora seja mais genérica, é composta por duas partes e admite apenas um resposta, “sim” ou “não”: “Você rejeita o evento de 6 de dezembro organizado pelo regime de Nicolás Maduro e solicita à comunidade internacional que não o reconheça?”.

Já a terceira pergunta é: “Você ordena o adiantamento dos procedimentos necessários perante a comunidade internacional para ativar a cooperação, o acompanhamento e a assistência que tornem possível resgatar a nossa democracia, enfrentar a crise humanitária e proteger as pessoas dos crimes contra a humanidade?”.

A priori, parece que não poderia haver outra resposta que não um retumbante “sim”, independentemente de ideologias. Sim à cooperação, sim à democracia, sim ao apoio diante da crise humanitária e sim à proteção das pessoas contra crimes tão graves.

Mas a obviedade, a simplicidade da abordagem e a limitação foram algumas das questões mais criticadas por diversas pessoas desde que as perguntas foram divulgadas.

Além disso, elas serviram, principalmente, para lembrar a Guaidó, mais uma vez, que ele continua com as mesmas abordagens de janeiro de 2019, mesmo sabendo que não é algo viável.

Guaidó rejeita qualquer opinião contrária e se nega a escutar a voz das ruas e a levar em conta as críticas da grande massa que o apoiou totalmente quando considerava que ele poderia ser a pessoa capaz de mudar radicalmente a Vene

Mudança

Enquanto Guaidó busca apoio popular e o mínimo de poder para a oposição, a esquerda venezuela se reestrutura. Para isso, o caminho é se afastar de Nicolás Maduro, que acabou deixando o país cada vez mais isolado na América do Sul e no mundo.

Dentro do Partido Comunista, se nota uma divisão em relação ao atual presidente. Dois dos grupos que mais se identificavam com o chavismo – Tendências Unificadas para Alcançar o Movimento de Ação Revolucionária Organizada (Tupamaro) e Pátria para Todos (PPT) – tiveram suas siglas retiradas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que as entregou a alguns ex-militantes considerados mais dóceis com o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Chávez.

Apesar disso, sem ceder ao desânimo, eles se uniram através da coalizão Alternativa Popular Revolucionária (APR), impulsionada pelo Partido Comunista da Venezuela (PCV) para a disputa da eleições legislativas de 6 de dezembro, com a intenção de retomar a essência da revolução bolivariana.

Fonte: R7

 

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SE PERDER AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DEIXARAR A PRESIDÊNCIA, DIZ MADURO

 

Maduro diz que deixará presidência se perder eleições legislativas

População venezuelana vai às urnas no próximo domingo (6); atualmente, a oposição controla o Parlamento do país sob o comando de Guaidó

INTERNACIONAL

Da EFE

 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

EFE/EPA/Miraflores press

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta terça-feira (1°) que deixará o cargo se a oposição ganhar as eleições legislativas do próximo domingo (6), embora a ala majoritária de seus detratores, liderada por Juan Guaidó, não participe do pleito por considerá-lo fraudulento.

“Digo ao povo: deixo meu destino em suas mãos. Se a oposição voltar a ganhar, deixarei a presidência. Se a oposição ganhar as eleições, não ficarei mais aqui. Deixo meu destino nas mãos do povo da Venezuela”, disse Maduro em um ato de campanha de seus correligionários em Caracas.

A proposta, de acordo com ele, é um “desafio” proposto por alguns dos líderes da oposição que participarão da votação, como o ex-candidato presidencial Javier Bertucci e o secretário do partido Ação Democrática (AD), Bernabé Gutiérrez.

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“Dizem que no próximo domingo haverá um plebiscito (…) a toda a oposição eu digo: aceito o desafio. No próximo domingo, eu aceito o desafio, vamos ver quem ganha. Se vencermos, vamos em frente”, acrescentou o presidente venezuelano.

Embora os líderes tradicionais anti-chavistas não sejam candidatos nesta eleição, alguns dos maiores partidos da oposição participarão por terem sofrido mudanças em suas diretorias, com a entrada de militantes que haviam sido expulsos por, supostamente, terem feito acordos secretos com o governo.

Maduro não fez nenhuma menção a este aspecto, uma das razões pelas quais o processo não é visto como democrático pela União Europeia e pela Organização dos Estados Americanos (OEA), e em vez disso ressaltou que estava confiante em conseguir “uma grande vitória” no domingo.

“Me perdoem por ser rude, mas já chega, mais cinco anos com a oposição liderando a Assembleia, não, assim não (…) Se a oposição conseguir mais votos do que a gente e ganhar as eleições no domingo, então vamos tomar outro caminho, estou aceitando o desafio, estou aceitando o desafio com coragem”, reiterou.

Atualmente, a oposição venezuelana controla o Parlamento sob o comando de Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países.

 

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PARA FINS DE DEFESA, VENEZUELA FABRICARÁ DRONES MULTIUSOS

 

Maduro anuncia que Venezuela fabricará drones para fins de defesa

Aeronaves não tripuladas têm autonomia de voo de cinco horas; não foram divulgados outros detalhes técnicos ou mecânicos

INTERNACIONAL

Do R7

Anúncio foi feito na quinta-feira (19) e transmitido por rede estatal de televisão

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na quinta-feira (19) que o país “em breve” fabricará drones multiuso, incluindo para fins de defesa, por meio de uma empresa fundada neste ano e que também apresentou nesta sexta-feira (20) dois modelos para treinamentos.

“Nós, os venezuelanos, em breve fabricaremos drones de uso civil e multiuso (…), drones para desenvolvimento nacional, para defesa nacional, feitos na Venezuela”, declarou o mandatário durante um ato público de trabalho transmitido pela rede estatal de televisão “VTV”, sem dar mais detalhes.

Segundo Maduro, os drones serão fabricados pela Empresa Nacional de Aeronáutica (EANSA), fundada em fevereiro deste ano com o objetivo de buscar a “independência tecnológica” do país.

Na quinta-feira, a fabricante apresentou duas aeronaves para treinamento e observação de pilotos, “feitas inteiramente na Venezuela, com mão de obra venezuelana e mente venezuelana”, ressaltou Maduro.

Por sua vez, o vice-ministro de Transporte Aéreo da Venezuela, Ramon Velásquez, afirmou que essas aeronaves têm autonomia de voo de cinco horas, mas não divulgou outros detalhes técnicos ou mecânicos.

A “VTV” mostrou imagens das aeronaves, identificadas como EANSA 1 e EANSA 2 e pintadas com as cores e iniciais da companhia aérea estatal Conviasa, que Velásquez também dirige.

Com uma frota de cerca de 50 aviões, a Conviasa sofre sanções desde fevereiro por parte do governo dos Estados Unidos, que alega que a empresa foi usada para “enviar funcionários corruptos do regime (de Nicolás Maduro) ao redor do mundo para aumentar o apoio a seus esforços antidemocráticos.”

As sanções impedem que cidadãos e empresas relacionadas com os Estados Unidos façam negócios com a Conviasa – como a venda de peças de reposição ou combustível -, o que dificulta as operações internacionais da companhia.

 

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COMISSÃO DA ONU ACUSA MADURO DE CRIMES CONTRA HUMANIDADE

Os crimes contra a humanidade dos quais comissão da ONU acusa Maduro

Relatório divulgado nesta quarta-feira (16/9) afirma que regime venezuelano pratica desde 2014 violência sistemática, com repressão à oposição e amedrontamento da população

INTERNACIONAL

por 

BBC NEWS BRASIL

 

Opositores fazem tributo a vítimas da violência em protestos contra Maduro, em foto de julho de 2017

Reuters

A Venezuela cometeu, nos últimos anos, “violações flagrantes” equivalentes a crimes contra a humanidade, concluiu uma missão de investigação do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), cujos resultados foram divulgados nesta quarta-feira (16/9).

Foram investigados casos de assassinatos, tortura, agressões, violência sexual e desaparecimentos. A conclusão dos investigadores foi a de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e funcionários de alto escalão do governo estiveram envolvidos em uma “violência sistemática” promovida pelo regime desde 2014, com o objetivo de reprimir a oposição política e aterrorizar a população em geral.

O embaixador da Venezuela na ONU, por sua vez, descreve a iniciativa da ONU como “hostil”. Jorge Valero afirmou no ano passado que a missão fazia parte de uma mobilização liderada pelos Estados Unidos. A equipe de investigadores da ONU foi impedida de viajar para o país latino-americano, que vive há anos uma grave crise econômica e política e levou à fuga de milhões de pessoas.

Não é incomum que países impeçam a presença de investigadores da ONU — Síria, Mianmar, China e vários outros já fizeram isso repetidas vezes. Mas, nas últimas décadas, novas tecnologias têm ajudado na coleta de evidências mesmo sem presença física dos investigadores.

O relatório sobre a Venezuela será apresentado aos membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU na próxima semana, quando Caracas terá direito a resposta.

O conselho tem a função de investigar e aconselhar sobre direitos humanos, mas não de aplicar sanções. Essa é uma função do Conselho de Segurança da ONU.

As acusações podem escalar ainda para um julgamento de crimes contra humanidade em tribunal internacional.

O que diz o relatório?

Segundo a acusação da comissão da ONU, Maduro e seus ministros do Interior e da Defesa não só estavam cientes dos crimes, como também deram ordens, coordenaram operações e forneceram recursos.

“A missão descobriu que o governo, agentes do Estado e grupos associados a eles cometeram violações flagrantes”, afirma o relatório, que pediu que os envolvidos sejam responsabilizados e que a Venezuela trabalhe para que novas violações não ocorram.

“A missão encontrou motivos razoáveis ​​para acreditar que as autoridades venezuelanas e as forças de segurança planejaram e executaram desde 2014 graves violações dos direitos humanos, algumas das quais — incluindo assassinatos arbitrários e o uso sistemático de tortura — constituem crimes contra a humanidade”, afirmou a presidente da missão, Marta Valiñas, em nota.

“Longe de serem atos isolados, esses crimes foram coordenados e cometidos de acordo com as políticas do Estado, com o conhecimento ou apoio direto de comandantes e altos funcionários do governo”.

Uma operação típica do regime envolve sitiar uma área considerada leal à oposição, que depois é invadida por serviços de segurança atirando à queima-roupa, prendendo, torturando e matando as pessoas.

O relatório também analisou a resposta violenta aos protestos da oposição, e a posterior tortura de pessoas detidas.

As conclusões da missão são baseadas em 223 ocorrências, mas segundo a equipe, quase 3 mil outras corroboraram “padrões de violações e crimes”.

Fonte: R7

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MADURO CONTA COM A AJUDA DO IRÃ PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS NA PETROLÍFERA ESTATAL

Maduro diz que Venezuela e Irã estão se ajudando

Em maio, a Venezuela recebeu pela primeira vez combustível iraniano, com o qual conseguiu amenizar uma grave escassez de gasolina

INTERNACIONAL

por 

Reuters

Maduro, disse que conta com a ajuda do Irã para enfrentar os desafios na petrolífera estatal

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse neste domingo (23) que conta com a ajuda do Irã para enfrentar os desafios na indústria petrolífera estatal, que ele disse ter sido atacada por sanções americanas e também por funcionários infiltrados.

“Estamos nos ajudando”, disse Maduro em uma entrevista transmitida pela televisão estatal, na qual celebrou como o Irã conseguiu estabelecer uma poderosa indústria de energia.

O bombeamento de petróleo da Venezuela está no pior nível dos últimos 70 anos.

“Acredito que a experiência iraniana nos ajudará a poder reforçar toda a capacidade gerencial e os projetos de desenvolvimento”, acrescentou Maduro. No entanto, ele evitou se aprofundar nos detalhes do acordo, dizendo que a atuação deve ser em “silêncio quando em uma guerra”.

Em maio, a Venezuela recebeu pela primeira vez combustível iraniano, com o qual conseguiu amenizar uma grave escassez de gasolina, em petroleiros que chegaram sem obstáculos ao país caribenho e foram escoltados por unidades das Forças Armadas ao entrarem em águas territoriais.

Sanções do governo Trump

No entanto, neste mês os Estados Unidos apreenderam mais quatro carregamentos iranianos a caminho do país sul-americano, deixando poucas opções para o governo enfrentar novamente falhas no fornecimento de gasolina devido à baixa produção das refinarias após anos de desinvestimentos e problemas de gestão da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela).

Maduro disse que nenhuma petroleira no mundo sofreu perseguições como a que sofre a PDVSA e alertou seus trabalhadores para que lutem contra a burocracia, a corrupção e os funcionários infiltrado, afirmando que eles foram contatados pelos Estados Unidos há anos.

A relação entre Irã e Venezuela também preocupa governos da região. Nesta semana, o presidente colombiano, Iván Duque, disse que a Venezuela está em negociações para adquirir armas por meio de Teerã.

“Pareceu-me uma boa ideia”, comentou Maduro sobre a declaração de Duque, após apontar que até então não tinha pensado nisso. “Se for possível e conveniente, compraremos esses mísseis”, disse ele.

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MINISTRO DA DEFESA DE CHAVES FAZ ALERTA A OPOSITORES, ENQUANTO ESTIMULA A PARTICIPAÇÃO NA ELEIÇÃO PARLAMENTAR EM DEZEMBRO

Ministro da Defesa de Maduro alerta opositores de que “nunca poderão exercer o poder político”

Vladimir Padrino ataca Juan Guaidó, enquanto o chavismo estimula a participação na eleição parlamentar de dezembro

FRANCESCO MANETTO

México – 06 JUL 2020 – 12:25 BRT

O ministro da Defesa da Veneuela, Vladimir Padrino, em uma imagem de arquivo.O ministro da Defesa da Veneuela, Vladimir Padrino 

A Venezuela tem um encontro com as urnas no horizonte, as eleições legislativas marcadas para 6 de dezembro, cuja participação o Governo de Nicolás Maduro está estimulando para legitimar uma nova Assembleia Nacional, hoje dominada pela oposição. Essa votação, convocada por uma autoridade eleitoral designada pelo Tribunal Supremo de Justiça, alinhado ao regime, já foi rejeitada por Juan Guaidó e pelos partidos que o apoiam, por entenderem que carece das garantias suficientes. Neste domingo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, veio lhes dar razão. Durante um ato militar pelo 209º aniversário da assinatura da independência nacional, o general advertiu que esses opositores “nunca poderão exercer o poder político”.

“Enquanto existir uma força armada como a que temos hoje, anti-imperialista, revolucionária, bolivariana, nunca poderão exercer o poder político na Venezuela”, clamou Padrino López. “Acredito que seja bom que isso seja entendido por essa facção de meliantes, politiqueiros, que se atreveram a pôr em um comunicado, um despropósito de comunicado, exigir de nós um maior compromisso, quando a Força Armada Nacional Bolivariana já deu demonstrações concretas, à vista de todo o povo da Venezuela, de seu interesse patriótico de defender a integridade de nosso espaço geográfico, que não é uma opção para nós, é um mandato constitucional”, acrescentou.

As palavras do titular da Defesa se emolduram num clima de máxima tensão política e demonstram o que a oposição sempre reprovou em Maduro, e também em seu antecessor, Hugo Chávez. Ou seja, que o chavismo não está disposto a ceder o poder. Por esta razão, a oposição se recusou a participar das últimas convocatórias ― em 2017, quando foi eleita a Assembleia Nacional Constituinte, que, na prática, atua como um braço legislativo às ordens do Executivo. E também em maio de 2018, quando se recusou a disputar uma eleição presidencial que transcorreu sem observação internacional plural e que, portanto, foi considerada fraudulenta pelos opositores de Maduro.

A equipe de Guaidó condenou essas declarações e as qualificou de “insolentes, ditatoriais e contrárias a toda a ordem constitucional”. “O general demonstrou novamente que em nosso país a soberania popular está sequestrada […]. Nicolás Maduro e Vladimir Padrino perverteram ao máximo a nossa instituição militar […]. Declarações deste tipo não podem ser ignoradas e exigem uma expressão de condenação por parte da institucionalidade da Força Armada Nacional e da comunidade internacional”, diz um comunicado divulgado pelo Gabinete de Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 Governos estrangeiros.

A ameaça de Padrino afasta também um hipotético cenário de diálogo. Justamente nesta semana, a União Europeia voltou a apelar a uma solução política negociada à gravíssima crise que o país atravessa. E as eleições parlamentares de dezembro, se as condições permitirem, poderiam ser o primeiro teste para uma aproximação. Guaidó, enquanto isso, busca solucionar também a crise política particular da oposição e suas bases, frustradas por uma confrontação que se eternizou. “Faço um apelo a uma grande aliança por nosso país. Uma aliança sem mesquinharias. A luta definitiva pela liberdade deve encontrar todos nós juntos. Estarmos juntos é a chave neste momento”, manifestou o chefe do Parlamento.

Em termos parecidos se pronunciou Leopoldo López, que reapareceu por videoconferência da residência da Embaixada da Espanha em Caracas em um ato on-line batizado como Congresso da Unidade Nacional. “Saberemos conquistar esta segunda independência”, afirmou. “Hoje, irmãs e irmãos, o desafio é imenso, e só podemos alcançar esse desafio com unidade”, afirmou o dirigente opositor.

O desafio da coesão das forças opositoras ― o chamado G-4, formado pelos partidos Primeiro Justiça, Ação Democrática, Vontade Popular e Um Novo Tempo ― sempre foi árduo por causa de diferenças estratégicas e inclusive ideológicas. Todos cerraram fileiras com Guaidó quando este se pronunciou contra Maduro, em janeiro de 2019, mas com o passar do tempo essa unidade voltou a rachar. O fato de as atividades da oposição se reduzirem a um conjunto de gestos e ações simbólicas, enquanto a rua continua desmobilizada e a pandemia impede a convocação de novas mobilizações, é o que mais mal-estar provocou em alguns setores.

Nesta semana, Henrique Capriles, ganhador das eleições parlamentes de 2015 e ex-adversário eleitoral de Maduro, lançou críticas a Guaidó e a López. “O verdadeiro debate é se lutaremos ou não lutaremos, se faremos algo ou não faremos nada. Não vamos acompanhar ficções e fantasias que só servem para dar mais frustrações aos venezuelanos e destruir mais a oposição, se é que não acabam de destruí-la”, opinou. Capriles, que também rechaça ao menos neste momento a realização de eleições legislativas por causa da crise sanitária da covid-19, defende que em médio prazo será preciso rever a estratégia. “É preciso reconstruir a oposição como é preciso reconstruir a Venezuela.”

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UNIÃO EUROPEIA APLICA SANÇÕES À PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA NACIONAL DA VENEZUELA E MADURO DÁ 72 HORAS PARA EMBAIXADORA DA UE DEIXAR O PAÍS

Maduro dá 72 horas para que embaixadora da UE deixe o país

A decisão, segundo o chanceler venezuelano, ocorre após a União Europeia aplicar sanções e bloqueios contra presidente da Assembleia Nacional

INTERNACIONAL

Do R7

Embaixadora da UE na Venezuela, Isabel Brilhante Pedrosa precisará deixar o paísEmbaixadora da UE na Venezuela, Isabel Brilhante Pedrosa precisará deixar o país

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deu 72 horas para que a embaixadora da União Europeia em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa deixe o país. A decisão do governo se dá após o bloco sancionar o presidente da Assembleia Constitucional, Luis Parra.

De acordo com o chanceler Jorge Arreaza, a decisão da União Européia representa uma “política intervencionista contra o diálogo e a paz na Venezuela. Sua herança colonial e reminiscências os conduzem ao abismo da ilegalidade, agressão e perseguição de nossos povos. Venezuela reserva resposta devida e vigorosa”.

“Sancionaram a junta diretiva da Assembleia Nacional opositora, porque essa junta se negou a cumprir ordem da embaixada da UE em Caracas, sancionaram um grupo de generais, um grupo de constituintes, quem são eles para sancionar?, quem são eles para se impor com ameaças?”, disse Nicolás Maduro discurso, em cadeia nacional.

“Já basta, já basta, por isso eu decidi dar 72 horas da embaixadora UE em Caracas para que abandone o nosso país e exigir respeito a União Europeia. Já basta de colonialismo europeu, de perseguição contra Venezuela, de intervencionismo colonialista, de supremacismo e de racismo, já basta”, finalizou o presidente.

Sanções e bloqueios

A União Europeia sancionou Luis Parra e mais dez políticos nesta segunda-feira (29). Conforme relatado em uma declaração, as ações que motivam essas sanções incluem iniciar processos por razões políticas e criar obstáculos para uma solução política e democrática para a crise na Venezuela, além de graves violações dos direitos humanos e restrições às liberdades fundamentais, como liberdade de imprensa e expressão.

“A UE continuará trabalhando para promover uma solução democrática pacífica na Venezuela, através de eleições legislativas credíveis e inclusivas”, afirmou o órgão diplomático.

Fonte: R7

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