A Hipocrisia Humana

Por que somos tão hipócritas?

A humanidade, desde sempre, aprendeu em um contexto religioso e espiritual que o ser humano é imagem e semelhança de Deus. Sendo assim, o que nos diferencia das outras espécies deste planeta é o livre-arbítrio. Neste artigo, vamos analisar A Hipocrisia Humana e questionar o seu papel na vida das pessoas.

É o livre-arbítrio que nos permite escolher entre caminhar em direção ao bem ou ao mal. Portanto, resta uma pergunta incômoda. Somos seres essencialmente hipócritas ou escolhemos ser hipócritas?

Para responder, vamos percorrer a origem da hipocrisia, as razões das nossas máscaras e o caminho de volta à autenticidade. Afinal, reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo.

A origem da hipocrisia

Do ponto de vista filosófico, a hipocrisia nasce da distância entre ser e parecer. Na República, Platão põe na boca de Glauco a imagem de um homem perfeitamente injusto que consegue passar por justo. Portanto, a dúvida é antiga: vale mais ser bom ou apenas parecer bom?

Séculos depois, Rousseau observou que, na vida em sociedade, ser e parecer se tornaram coisas distintas. Consequentemente, passamos a viver em busca da aprovação alheia.

Já a psicanálise enxerga a hipocrisia como um mecanismo de defesa. Freud mostrou que o ego se protege negando impulsos que a consciência moral condena. Assim, a pessoa passa a condenar no outro justamente aquilo que não admite em si.

A máscara na psique e na história

Jung acrescentou dois conceitos úteis: a persona, a máscara que mostramos ao mundo, e a sombra, tudo aquilo que escondemos de nós mesmos. Por isso, a hipocrisia surge quando a persona esconde a sombra em vez de dialogar com ela.

Historicamente, a própria palavra revela a origem. Hipócrita vem do grego hypokritḗs, que designava o ator de teatro, aquele que usava máscaras. Além disso, em 1664, Molière estreou Tartufo, sátira de um falso devoto que explorava a fé alheia.

A hipocrisia na ótica religiosa

Na ótica religiosa, o tema é igualmente antigo. Já no Gênesis, Adão e Eva se escondem depois do erro, e ambos transferem a culpa. Portanto, esconder-se e acusar é um reflexo humano ancestral.

No Evangelho de Mateus, Jesus chama de hipócritas os escribas e fariseus que cuidavam da aparência religiosa e negligenciavam a justiça e a misericórdia. Sobretudo, a crítica recai sobre a distância entre o discurso e a prática.

Em síntese, A Hipocrisia Humana tem raízes filosóficas, psicológicas, históricas e religiosas. Contudo, conhecer a origem não nos isenta de responsabilidade.

Surtos de hipocrisia e hipocrisia full time

Nem todo hipócrita é igual. Existem pessoas que têm surtos de hipocrisia, ou seja, episódios pontuais em que a máscara aparece. Outras são hipócritas full time, pois vivem o tempo inteiro atrás dela.

No primeiro caso, o motivo costuma ser o medo, a conveniência ou a pressão do grupo. Portanto, trata-se de uma escolha situacional. No segundo caso, a persona endureceu, e a pessoa quase já não distingue quem é de quem finge ser.

Como combater a hipocrisia

Consequentemente, o combate também varia conforme a ótica. Na filosofia, é preciso examinar a própria vida, como propunha Sócrates. Na psicanálise, é preciso trazer a sombra à consciência, com a ajuda da análise.

Já na ótica histórica, a lição é desconfiar das aparências, em nós e nos outros. Na ótica religiosa, o caminho é a confissão sincera e a coerência entre palavra e ação. Assim, A Hipocrisia Humana deixa de ser destino e passa a ser escolha.

O medo do autoconhecimento

O autoconhecimento é inversamente proporcional à hipocrisia. Quanto mais nos conhecemos, menos precisamos de máscaras. Portanto, quem se conhece tem menos o que esconder.

Todavia, muita gente teme esse mergulho. Afinal, olhar para dentro significa encontrar medos, falhas e desejos que preferimos ignorar. Por isso, é mais cômodo manter a máscara.

Contudo, o preço da fuga é alto. Quanto menos hipócritas formos, menos máscaras teremos e mais evoluídos seremos. Nesse sentido, A Hipocrisia Humana diminui na proporção em que crescemos por dentro e nos aproximamos da nossa melhor versão.

A necessária autocrítica

Entretanto, apesar de dolorosa, a autocrítica é necessária para iniciarmos o processo de “des-hipocratização”, ou seja, de deixar a hipocrisia para trás. Ela nos obriga a admitir onde dizemos uma coisa e fazemos outra.

Além disso, é pela autocrítica que desatamos o nó com o lado mau da nossa índole. Em vez de negá-lo, passamos a reconhecê-lo e a não alimentá-lo.

Sobretudo, a autocrítica nos leva a fazer escolhas acertadas, em prol do nosso próprio bem e do bem de todos. Afinal, se temos livre-arbítrio, temos também a responsabilidade de usá-lo bem.

Considerações finais

Em síntese, vimos que A Hipocrisia Humana nasce da distância entre ser e parecer, mas se sustenta em escolhas. Afinal, o livre-arbítrio que nos permite fingir também nos permite ser autênticos.

Portanto, que cada um de nós tenha a coragem de tirar a máscara. Compartilhe este texto com quem busca ser a sua melhor versão.

Mantra do EU SOU

Eu Sou autêntico em palavras, atitudes e pensamentos.

Eu Sou coragem para olhar para dentro com sinceridade.

E Eu Sou livre-arbítrio usado em favor do bem de todos.

Eu Sou a minha melhor versão, sem máscaras.

Wagner Braga

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