
Casa e Pessoas: sobre quem nos acolhe como um lar
Depois de mais de um mês viajando, chegamos em casa.
Minha casa tem cheiro. Um cheiro que não sei exatamente descrever, mas que reconheço sem esforço: cheiro de lar, de pertencimento, de descanso.
Quando vou sair, costumo dizer para ela se cuidar. E, quando volto, eu a saúdo. Toco suas paredes, esboço um meio sorriso e já vou largando os calçados no tapetinho da entrada, colocado ali justamente para isso. Deixo as malas, abro as cortinas, entreabro as grandes portas de vidro para que ela respire.
É que eu não vejo a casa como algo inanimado.
A casa como abrigo da alma
Vejo a casa como um centro silencioso de cura e energia, uma espécie de carregador de baterias — da minha bateria e, acredito, da do meu marido também.
Talvez por isso eu cuide tanto dela: encho-a de flores, velas aromáticas, pequenos mimos, beleza. Sempre que possível, trago um pedacinho do mundo para dentro dela. Desta vez, trouxe um jogo americano estampado com pinturas de Monet.
Pode parecer exagero ter uma ligação tão profunda com uma casa, mas não é.
A casa representa abrigo, acolhimento, segurança. É o lugar onde baixamos as armas invisíveis que carregamos durante o dia. Onde a postura se desfaz, a alma desaperta e podemos, enfim, ser.
É onde usamos aquela camiseta velha e confortável (aquela com furinhos), é onde caminhamos descalços, nos jogamos no sofá e deixamos as exigências do mundo do lado de fora.
Viajar é maravilhoso. O mundo é vasto, belo, cheio de lugares que ainda não conhecemos.
Mas talvez o grande ápice de uma viagem não seja partir.
Talvez seja voltar.
Porque existe um privilégio imenso em ter para onde voltar.
As pessoas que parecem casa
Foi pensando nisso que comecei a enxergar uma analogia curiosa entre as casas e as pessoas.
Ao longo da vida, somos cercados por amigos, conhecidos, familiares, colegas de trabalho. Naturalmente, algumas pessoas se tornam mais próximas do que outras.
Há pessoas com quem nos sentimos imediatamente à vontade, com ou sem motivo aparente. Pessoas com quem dividimos conversas profundas, banalidades, memes, confidências e silêncios.
Pessoas diante das quais não precisamos medir cada palavra nem editar constantemente quem somos.
São pessoas-casa.
Mas existem também aquelas diante das quais escolhemos cuidadosamente as palavras, ajustamos o tom, mantemos certa formalidade — como quem entra num ambiente bonito, porém estranho, onde ainda não sabe exatamente onde sentar.
Há relações estritamente funcionais, quase contratuais.
E existem aquelas pessoas cuja presença não acolhe, não transmite confiança, não gera repouso.
Isso faz parte da experiência humana.
Somos seres sociais; não escolhemos conviver apenas com quem nos conforta.
Que tipo de casa somos para os outros?
Há pessoas que lembram casarões sombrios e abandonados, cheios de ecos, portas fechadas e janelas emperradas.
Há outras que parecem depósitos emocionais de caos, peso e acúmulos.
Mas há aquelas raras pessoas que se parecem com uma cabana iluminada numa noite fria: simples, seguras, acolhedoras.
Pessoas que são casa.
E talvez a reflexão mais importante não seja apenas sobre quem representa casa para nós, mas sobre aquilo que nós representamos para os outros.
Somos abrigo ou tempestade? Acolhimento ou tensão?
Somos um lugar onde alguém pode repousar sem medo de julgamentos?
Porque, da mesma forma que buscamos pessoas que nos deem a sensação de lar, também podemos — ou não — ser lar para alguém.
Casa sempre será o lugar para onde desejamos voltar
Casa, no fundo, é isso: estar à vontade. É segurança. É pertencimento.
Se você tem o privilégio de possuir alguém que desperte em você essa sensação de casa, agradeça. Dedique mais tempo a essas pessoas. Cuide delas.
Porque, quando o mundo lá fora nos esmaga um pouco, casa continuará sendo o melhor lugar para onde desejamos voltar.
Agora me fale, em sua vida existe alguém que lhe transmite a sensação de lar, de acolhimento, de “estar em casa”?
E você… que tipo de casa acredita ser para as pessoas que ama?
Em síntese quem é casa para mim ou que tipo de casa eu sou?
Comente que já volto para responder.
Beijos da cronista.