Somos feitos de histórias

As histórias que nos formam e nos moldam

Se pararmos para refletir, percebemos que não escolhemos onde nascemos — continente, país, estado, cidade —, tampouco a família ou a sociedade (liberal, conservadora) da qual faremos parte. Já nascemos inseridos em um fluxo de vida previamente desenhado para nós.

Entretanto, isso muda. Com o tempo, esse ponto de partida torna-se apenas um fragmento da nossa história. Ao longo da vida, vamos vivenciando experiências que, aos poucos, nos formam e nos transformam.

As origens e o fluxo da vida

Nestes dias em Lajes, minha cidade natal, situada no sertão do Rio Grande do Norte e marcada por características próprias como a aridez do solo, os lajedos, a vegetação da Caatinga , fui levada a refletir ainda mais sobre a vida.

Em companhia de minha irmã Vitória e de meu amigo Neto, visitamos locais que foram importantes para o nosso município. Lugares que fizeram parte de um determinado período e ajudaram a moldar a cidade que hoje se apresenta.

Memória, tempo e paisagem

Visitamos as ruínas de uma antiga capela católica, que já não existe mais, pois a igreja matriz foi construída em outra área da cidade. Vimos também o primeiro cemitério, igualmente destruído pelo tempo e pelo antigo dono da terra. Hoje, há outro em funcionamento, situado em uma região diferente, e já se constrói um novo em um bairro em ascensão.

Visitamos ainda o lugar onde a cidade nasceu: belos lajedos que, nas épocas de chuva, transformam-se em ponto turístico. Infelizmente, o descuido humano se faz presente: o lixo deixado por ali causa tristeza e indignação.

As transformações de uma cidade

A cidade passou — e continuará passando — por transformações ao longo do tempo. Cada fase foi essencial para que se firmasse como município. É lamentável, porém, a falta de conservação dos monumentos históricos, realidade comum no Brasil, com raras exceções.

As transformações em nós

Assim também acontece conosco. Passamos por mudanças e transformações pessoais constantes. As fases da vida precisam ser vividas em sua totalidade, sabendo que são passageiras.

Além dos traços familiares, biológicos ou não, carregamos costumes que nos acompanham até a vida adulta. E, sim, adquirimos muitos outros ao longo da experiência. Ao mesmo tempo, vamos deixando para trás aquilo que já não condiz com quem nos tornamos. É como diz a velha máxima: a cada passo que avançamos, algo fica pelo caminho.

O que permanece

O tempo passa, e aquilo que um dia construímos para nós mesmos pode perder o sentido: um estilo, um curso, um relacionamento, um trabalho. Não porque tenha sido em vão, mas porque já não serve ao momento que vivemos. E assim seguimos evoluindo.

Não somos uma cidade que precisa manter monumentos físicos para contar sua história. Os verdadeiros monumentos que devem permanecer em nós são a integridade, o respeito ao outro em sua totalidade e o servir. Se, ao longo da existência, conseguimos levar alento a alguém, então já valeu a pena ter vivido. Creio que estamos neste mundo para isso.

Olhar para trás, seguir adiante

Quando olhamos para trás, percebemos que mantemos a mesma estrutura, mas já somos outros: com mais sabedoria, mais experiência, com a mente e o coração moldados pelo tempo.

Refazer os passos da minha cidade trouxe-me esse esclarecimento e, ao mesmo tempo, uma profunda paz. Ao compreender que deixei tantas coisas para trás quando parti, vejo hoje que valeu a pena.

Escrevo estas linhas como um exercício de autoanálise, sabendo que, em outro momento, terei mudado novamente. Afinal, nossa evolução só cessa quando não estamos mais aqui.

Agora me fale você, que partes da sua história você escolheu preservar e quais precisou deixar para trás para continuar evoluindo?

Vou já ler os comentários!

Um grande abraço!

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