
Como estão lidando com 2026?
Meus amores, como vocês estão lidando com 2026?
Para mim, parece que estou num redemoinho de poeira, daqueles que atravessam o sertão nordestino. Nem adianta dizer “credo em cruz”, pois o danado não para. Tudo está acontecendo depressa demais, como se o mundo tivesse esquecido de combinar o ritmo com a gente. Não temos tempo sequer para assimilar os acontecimentos.
Sem perceber, já estou no Brasil, apenas de passagem para a Argentina, e um vendaval de coisas se empilha diante de mim, como um filme em que as cenas saltam sem transição.
A vida corre, mas também sussurra
Entretanto, sei que essa sensação nos engana, ou talvez a gente escolha enxergar assim. Em outras camadas da vida, as coisas estão acontecendo devagar, silenciosamente, seguindo um tempo só delas.
Hoje mesmo, fui para Ponta Negra, um dos cartões-postais mais belos do RN, resolver um problema, com a cabeça a mil. Dirigindo atenta ao trânsito, quase não notei a orla. Corrigi-me imediatamente: “não posso perder uma paisagem que me pertence e ainda assim me escapa.”
Desviei o olhar para o mar à direita: ondas indo e vindo, sem pedir licença a ninguém, existindo com ou sem plateia. Uma paisagem fez parte de minha vida, dançava à minha frente.

Dunas que se movem, pessoas que mudam
À esquerda, deixei os olhos repousarem sobre as dunas. Elas se movem empurradas pelo vento. Quem passa ali todos os dias talvez não perceba, mas quem retorna seis meses depois sabe: algo mudou.
Lentas, silenciosas, redesenham a paisagem. Assim como o mar nunca é o mesmo, as dunas também não são.
Ao meu lado, minha irmã envelhece comigo: fios prateados surgindo, novas linhas, marcas do tempo.
No banco de trás, Lulu, nossa sobrinha, já exibe trejeitos de pré-adolescente mostrando unhas crescendo, orgulhosamente, prontas para ganharem cor.
Ela já não é a mesma de seis meses atrás, e não será a mesma quando eu voltar.
O fluxo invisível da vida
São essas mudanças silenciosas que acontecem sem pedir permissão. A cidade muda, nós mudamos, nossos pensamentos e circunstâncias também.
A pressa em que nos afogamos — muitas vezes para evitar sentir — não impedirá a transformação.
O segredo é deixá-la acontecer com maturidade: reconhecer os defeitos, celebrar as virtudes e caminhar em paz.
O essencial que permanece
Quando aceitamos que não podemos mudar tudo, a vida se ilumina com leveza.
Deixamos de correr para salvar o mundo e passamos a cuidar do essencial:
- quem amamos,
- o que nos move,
- nossa missão e nosso chão,
- as amizades que sustentam,
- e a certeza da impermanência.
E, por fim, nunca esquecer de que estamos e não somos. Então, não vamos deixar 2026 tirar nosso juízo ou a pressa nos engolir vivos. Que cada dia tenha sua importância e possamos, ao final, agradecer e contemplar as boas mudanças que chegam de forma silenciosa, em seu tempo.
Agora me fale, “o que na sua vida tem se transformado aos poucos, mesmo sem você pedir?
Comente abaixo que volto já para ler e responder.
Beijos de sua cronista!
Uma bela crônica que nos faz refletir sobre as passagens silenciosas. Parabéns! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Obrigada, minha irmã. são sim silenciosas e não podemos fugir delas.
Um beijo.
O tempo, tá passando, e esquecemos de viver, se cuidar, pra cuidar dos outros.
É verdade, minha querida. Precisamos olhar um pouco mais para nós mesmas.
Um abraço enorme!
Querida, amei a poesia de sua crônica.
De fato, precisamos estar atentas para apreciar as belezas rotineiras que existem e persistem independente da passagem (nem sempre fácil) dos ciclos da vida.
O nascer e o pôr do sol, as fases da lua, as marés e tantas outras rotinas da natureza que não canso de admirar.
Estamos em constante mudança, que possamos ter tempo e sabedoria para aproveitar o melhor da cada passagem até o derradeiro fim.
Boa tarde, querida amiga. Obrigada pela leitura e comentário.
Sim. Precisamos estar atentas às coisas da vida, de preferências, à essas silenciosas que nos surpreendem pela beleza do momento.
Sabedoria sempre. Um grande beijo.