VARIEDADES: COMO FAZEM AS MULHERES PROFISSIONAIS EM DIFERENTES ÁREAS PARA LIDAR COM TRABALHO, FAMÍLIA E MANTER O EQUILÍBRIO

Servir vale a pena’: conheça cinco mulheres na linha de frente da pandemia

A trincheira é feminina. Profissionais de diferentes áreas contam o que fazem para lidar com seus trabalhos, suas famílias e manter o equilíbrio

Fernanda Colavitti, da CNN, em São Paulo

08 de março de 2021 às 05:00

Marisa Ferreira de Mello Pádua, 55 anos, psicólogaMarisa Ferreira de Mello Pádua, 55 anos, psicólogaFoto: Acervo pessoal

Um ano de pandemia e, em alguma medida, todos tiveram suas vidas transformadas pelo novo coronavírus — no trabalho, na vida pessoal, ou nos dois. A prevalência entre os afetados nas duas pontas é feminina.

Segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres representam 70% dos profissionais nos setores social e de saúde e são três vezes mais responsáveis pelos cuidados não-remunerados em casa do que os homens.

São mulheres como Vera, Fabiana, Fernanda, Clara e Marisa, que saíram para trabalhar ao longo desse ano, enfrentando o medo de serem contaminadas, bagunçando e reorganizando suas vidas domésticas e, ainda assim, encontrando maneiras de prosseguir. Aqui, elas compartilham como foi encarar a pandemia na linha de frente da batalha e suas estratégias para manter algum nível de positividade e saúde mental.

Marisa Ferreira de Mello Pádua, 55 anos, psicóloga

“Quem teve perdas de pessoas queridas ou precisou implorar por uma vaga de hospital para um familiar vai entender a importância de valorizar a vida”

“Coordeno o setor de psicologia do Hospital Saboya, no Jabaquara (SP), e atuo numa enfermaria psiquiátrica. Estando na linha de frente, ainda mais na área de saúde mental, foi impossível me isolar. Enquanto todos estavam reclamando de ficar em casa, isso era tudo o que eu mais queria.

Por mais cuidados que eu tenha tomado, acabei pegando Covid, em junho. Foi leve, tive apenas dor de cabeça e cansaço – sintomas que, mesmo agora, curada e tendo tomado as duas doses da vacina, continuo sentindo. Meu marido e minha sogra de 97 anos, que mora com a gente, também pegaram. Ela ficou assintomática. Ele teve sintomas mais fortes, que já passaram.

Houve aumento da carga de trabalho, com férias e feriados suspensos para darmos conta dos atendimentos a pessoas que tentavam o suicídio, pacientes com transtorno bipolar, esquizofrenia crônica. Eram casos muito graves que aumentaram demais durante a pandemia.

Foi (e está sendo) tudo muito pesado. E ainda vieram as perdas de colegas de trabalho, que foram muitas e significativas. E era inevitável não imaginar que eu poderia ser a próxima.

Tenho cinco irmãs e uma delas eu não vejo há um ano. Tenho dois filhos que moram no exterior, que também não sei quando vou poder encontrar. Já comprei a passagem para ver a minha filha, que está grávida, em julho, mas não sei se vai ser possível. Meu escape são a ioga e a meditação. É isso que me dá um suporte mental para poder confortar os pacientes e outras psicólogas com quem trabalho.”

Vera Aparecida dos Santos, 51, assistente social

“Aprendi que servir vale a pena, e quero sempre estar disponível para servir ao outro no combate à violêncVera Aparecida dos Santos, 51, assistente socialVera Aparecida dos Santos, 51, assistente socialFoto: Acervo pessoal

“Eu atuo na prevenção contra a violência sexual, dando orientação e apoio às vítimas de todos os gêneros e idades. Mesmo não sendo uma profissional da área de saúde, acabei ficando imersa nesse universo. A pandemia trouxe um aumento nos casos de violência sexual contra mulheres e crianças. Fui deslocada para uma unidade de saúde para atender urgências.

No começo, faltavam equipamentos de proteção e tínhamos de atender vítimas que chegavam com sintomas de Covid. Convivi com a agonia de ver crianças com sangramento vaginal sem atendimento – todos os esforços estavam focados na pandemia. Tentava dialogar com as unidades e pedir atendimento médico a vítimas com sinais de violência sexual.

Isso me causava muita angústia. Tive dor de cabeça constante por conta da tensão. O caminho que encontrei para lidar com todo esse stress foi a descontração e o apoio dos colegas. Elegemos o horário de almoço como nosso momento de conforto, a hora de conversar sobre qualquer assunto que não fosse Covid, de brincar, dar risada, e de comer muito doce.

Sou solteira e moro sozinha. Tenho um irmão que mora do lado do meu apartamento, e desde março do ano passado eu não vou lá. A meditação, que já era importante na minha vida, ficou ainda mais. Eu segui fazendo acompanhamento psicológico online. Fui convidada a participar de lives sobre prevenção à violência e fiquei feliz em contribuir de uma forma nova para salvar a vida de mais mulheres.”

Fabiana Cristina de Oliveira, 30, diarista

“Aprendizado e empatia são as palavras que definem 2020 para mim. Em nenhum momento deixe de sentir e de transmitir amor”

Fabiana Cristina Almeida de Oliveira, 30, diaristaFabiana Cristina Almeida de Oliveira, 30, diarista Foto: Acervo pessoal

“Sou de Recife, mas vivo em São Paulo há 9 anos. Trabalho em diferentes casas, de segunda a sábado. Continuei indo para algumas famílias até o fim de março do ano passado. Em abril, parei de ir em todas as casas. Algumas pessoas se prontificaram, de uma maneira linda, a continuar me pagando. Mas nem todas puderam.

Eu ganhava 2 mil reais por mês, e passei a ganhar metade. Por sorte, meu marido trabalha em um mercado e não parou. Mesmo assim, temos três filhos. Foi uma geração de dívida enorme. Tive de reduzir as despesas, as compras de mercado. Era armário ficando vazio e nada de dinheiro entrando.

Esse período sem trabalhar foi o que eu senti mais medo de pegar Covid. Meus filhos não estavam indo para a escola e eu não deixava ninguém sair para nada, nem para colocar o lixo na rua. Imagina três crianças ansiosas para sair e brincar…

Apesar de todos os cuidados, acabei pegando Covid em setembro, quando voltei a trabalhar. Foi apavorante. A evolução foi muito rápida. Eu estava trabalhando e, de repente, senti uma falta de ar imensa, uma sensação de desmaio, e fiquei com febre. Passei cinco dias sem conseguir sair da cama.

Tivemos de fazer um esquema de guerra em casa para eu não contaminar meus filhos e meu marido. Fiquei trancada no quarto. Meu marido tirou uma licença do trabalho para cuidar de mim e das crianças, que choravam o tempo todo. Ninguém em casa pegou.

Minha fé me ajudou a manter a saúde mental. Em nenhum momento me senti sozinha. Voltei a trabalhar em todas as casas, estou com a semana fechada. Hoje, somos uma família mais feliz e meus filhos reconhecem meu esforço para trazer dinheiro para casa”.

Fernanda Justo Descio Bozola, 36, médica infectologista

“A pandemia me fez valorizar ainda mais as coisas simples, como um abraço de familiares e amigos”

Fernanda Justo Descio Bozola, 36, médica infectologista
Fernanda Justo Descio Bozola, 36, médica infectologista
Foto: Acervo pessoal

“Trabalho no controle de infecção do Hospital Sírio-Libanês. Em 2019, fiquei grávida e, no final da gestação, chegou a pandemia. Naquele momento, eu enfrentei o medo do vírus e o desconhecimento da maternidade. Por conta do isolamento, não tive ajuda de ninguém, além do meu marido. Me senti um pouco culpada, porque tive de ser afastada do hospital em abril, por causa da gravidez.

Minha filha nasceu em maio. Meu marido tirou férias e depois ficou trabalhando em home office. Éramos só ele e eu cuidando da Cecília. Sentia falta de ter a minha mãe perto de mim, ou uma amiga que pudesse ir em casa. Trocava mensagens, ligava, mas não é a mesma coisa. Por outro lado, isso fortaleceu o vínculo entre nós três em casa.

Quando tive de voltar a trabalhar presencialmente, veio o stress de encontrar alguém para ficar com a minha filha. Hoje uma profissional maravilhosa trabalha com a gente. Nesse momento, já tínhamos 6 meses de pandemia no Brasil. Eu sabia as medidas de prevenção e sempre tive equipamentos de proteção individual no hospital. Vou trabalhar com tranquilidade, porque sei que estou protegida.

Me senti realizada em poder participar do enfrentamento da pandemia como médica infectologista, colocar em prática tudo o que eu estudei. Mas o trabalho é muito intenso e preciso chegar em casa bem para cuidar da minha bebê. É ela que me mantém forte. A minha estratégia para lidar com a situação é separar minha vida profissional da minha vida doméstica. Quando saio para trabalhar, respiro fundo e entro na sintonia 100% trabalho. Na volta para casa, faço o inverso. Tomo um banho e digo: ‘pronto, mamãe chegou’.”

Clara Esther Maciel dos Santos, 35, enfermeira

“A pandemia me trouxe autoconhecimento, porque fui obrigada a me cuidar”

Clara Esther Maciel dos Santos, 35, enfermeira
Clara Esther Maciel dos Santos, 35, enfermeira
Foto: Acervo pessoal

“Quando a pandemia chegou, eu estava em período de experiência como enfermeira-líder no Hospital Sírio-Libanês. Hoje, sou coordenadora da UTI. Apesar dos ganhos profissionais, foi um período muito difícil, especialmente na minha vida pessoal.

Meu marido trabalha em uma indústria metalúrgica e o serviço caiu bastante. Ele ficou trabalhando em casa, com redução salarial, e cuidando dos nossos dois filhos. Tive de assumir praticamente todas as contas. Saía de casa às 5h e não tinha hora para voltar.

Eu tinha muito medo dessa doença, que era totalmente desconhecida. A gente não sabia como tratar, que tipo de paramentação utilizar. Eu tinha pavor de levar o vírus para casa. Passei quatro meses usando máscara dentro de casa, dormindo separada do meu marido. E sem abraçar meus filhos.

Sentia que eu não estava conseguindo dar conta de ser profissional, mãe e companheira. Em agosto, tive uma crise de ansiedade séria e precisei me afastar. Pensei em desistir de tudo. Conversei com a minha coordenadora e ela sugeriu que eu tirasse 15 dias de férias com o compromisso de me cuidar. Desde então, faço terapia toda semana.

O medo ainda existe, mas hoje me sinto mais protegida no hospital do que fora, porque temos todos os protocolos. A terapia tem sido fundamental para enfrentar esse período e entender que eu tenho vários papéis, como profissional, mãe, companheira, e ainda tem que sobrar um tempo para mim.”

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PODCAST: A DECISÃO UNÂNIME DO STF EM REFERENDAR A PRISÃO DE DANIEL SILVEIRA E O SILÊNCIO DO PALÁCIO DO PLANALTO SOBRE O CASO

A tendência é manter a prisão do deputado Daniel Silveira no plenário da Câmara’

SEXTA, 19/02/2021, 08:19

Andréia Sadi disse que essa tendência foi costurada e foi mudando ao longo dos últimos dois dias. A decisão unânime do STF de referendar a prisão e a pressão dos partidos do centrão influenciaram na mudança de postura. Ela falou sobre ‘o espírito de corpo’. Mas, ela explica que Daniel Silveira para os políticos é ‘um corpo estranho’ dentro da Casa, mas não no bolsonarismo. Andréia Sadi conta o que ouviu dos parlamentares para justificar o voto desta sexta-feira. Ela também cita o silêncio do Palácio do Planalto sobre o caso.

Fonte: CBN

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PREFEITURA DE NATAL ANUNCIOU QUE VAI MANTER PONTO FACULTATIVO NO CARNAVAL

Por G1 RN

 

Prefeitura de Natal — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV CabugiPrefeitura de Natal — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

A prefeitura de Natal anunciou nesta quarta-feira (10) que vai manter os pontos facultativos dos dias 15 e 16 de fevereiro, referentes ao carnaval, seguindo o calendário que havia sido definido, por decreto, em 30 de dezembro do ano passado. O ponto facultativo segue até às 14h do dia 17, a Quarta-feira de Cinzas.

Segundo a prefeitura, a decisão atende “aos interesses maiores da cidade”. O município cita que o ponto facultativo não vai comprometer a estratégia de enfrentamento à Covid-19 na capital potiguar, já que o município proibiu a realização de eventos públicos e privados desde o fim do ano passado.

De acordo com o município, haverá fiscalização das secretarias municipais “em esforço redobrado” para que as normas de prevenção e segurança previamente estipuladas sejam rigorosamente obedecidas durante essas datas.

A intenção é coibir eventuais abusos que sejam cometidos no período do carnaval e garantir as boas condutas sanitárias em favor da população.

A prefeitura de Natal cita também que a decisão de manter o ponto facultativo leva em consideração “pleitos legitimamente apresentados por representantes do setor produtivo da cidade, de maneira a minimizar os impactos negativos que a suspensão do curto recesso carnavalesco poderia provocar sobre a economia local, sobretudo ao turismo”.

Programação virtual

Com o cancelamento dos grandes shows, blocos de ruas e desfiles de escolas de samba por causa da pandemia da Covid-19, em 2021 a Secretaria Municipal de Cultura de Natal (Secult) divulgou uma programação de eventos online que serão realizados durante o período de Carnaval, de 11 a 16 de fevereiro. As atrações serão exibidos através das redes sociais da Prefeitura de Natal.

A programação do carnaval online terá início na quinta-feira (11) e segue até a terça-feira (16). Durante os seis dias, estão previstos shows, desfiles de blocos tradicionais, rodas de samba, além da apresentação das escolas de samba de Natal. De acordo com a Secult, todos os eventos programados serão gravados em um espaço adaptado com palco e decoração carnavalesca respeitando o protocolo de segurança contra a Covid-19. Ainda de acordo com o município, todos os artistas envolvidos são locais.

A Secult informou que a intenção de realizar a programação online tem o objetivo de manter a tradição do carnaval, contemplar os artistas locais e movimentar a economia, sem promover aglomerações. Veja a programação no fim desta matéria.

Governo suspende pontos facultativos no RN

O governo também vedou financiamento ou apoio do Estado a eventos e determinou reforço da fiscalização estadual aos municípios quanto à proibição da realização de festas e eventos, aglomerações e uso obrigatório de máscara.

De acordo com o texto, as medidas levaram em consideração “o aumento nos números dos casos de infecção e reinfecção pela COVID-19 no Brasil e no Estado do Rio Grande do Norte”, as informações divulgadas por meio do indicador composto para monitoramento da pandemia no estado e a necessidade de manutenção e estabilização dos dados epidemiológicos.

Também foi levada em consideração a recomendação emitida pelo Comitê de Especialistas da Secretária de Estado da Saúde Pública para o Enfrentamento da Pandemia pela Covid-19, do último dia 29 de janeiro, que orientou a suspensão imediata de todas as atividades relacionadas ao carnaval, seja em ambientes fechados ou abertos, incluindo carnaval de rua, clubes, shoppings e afins, no Rio Grande do Norte, bem como a suspensão do ponto facultativo do período no Estado.

Fonte: G1 RN
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NECESSIDADE DE MANTER A DESONERAÇÃO É CONSENSO NO CONGRESSO

 

Congresso trata como consenso necessidade de manter desoneração

Manutenção do benefício tributário a 17 setores é apoiada por deputados de situação e oposição, mas votação marcada para quarta (4) não está garantida.

POLÍTICA

Do R7

 

Sessão do Congresso para promulgação do Fundeb. Parlamentares se reunirão novamente

Deputados federais e senadores se preparam e pressionam para tentar derrubar na quarta-feira (4) o veto do presidente Jair Bolsonaro à prorrogação da desoneração da folha de pagamento. O entendimento entre os parlamentares de situação e oposição, o empresariado e o próprio governo é que o regime tributário especial que hoje vale para 17 setores da economia precisa ser mantido pelo menos enquanto não há uma solução alternativa para aliviar os custos das empresas.

A desoneração foi criada em 2011 e consiste em um sistema diferenciado de recolhimento da contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que permite economia a empresas de áreas como call center, transportes e telecomunicações. Elas empregam juntas 6 milhões de trabalhadores. Em julho, o presidente Jair Bolsonaro vetou artigo de uma lei para prorrogar a desoneração até o final de 2021 afirmando não haver previsão para essa renuncia de receita no Orçamento do próximo ano, entre outros argumentos.

Entenda o que está em jogo na votação sobre veto à desoneração

Segundo o líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), há um consenso para a manutenção da desoneração e, caso a votação ocorra, o veto será derrubado. O governo no entanto, ainda tenta encontrar uma saída para bancar a renúncia de receita que ocorrerá em 2021 com a manutenção da desoneração.

Uma das apostas é mudar o formato da desoneração, alterando o cálculo e incluindo todos os setores da economia. O governo já tentou com essa proposta na mesa alcançar outro de seus objetivos, que é a criação do imposto sobre transações digitais. Com alíquota de 0,2%, o tributo que vem sendo chamado de “nova CPMF”, permitiria uma arrecadação de R$ 120 bilhões por ano, dos quais R$ 70 bilhões seriam usados para cobrir a desoneração, segundo o governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, no entanto, vem afirmando que a ideia do imposto digital, alvo de críticas, está “morta”.

Essa não é a única alternativa, porém. O governo trabalha com a possibilidade de que a manutenção da desoneração seja incluída na PEC Emergencial pelo relator do texto, o senador Márcio Bittar (MDB-AC).

Outra liderança do Congresso que vem defendendo o veto à desoneração é o líder do PSL no Senado, o senador Major Olímpio (SP). Ele afirma que o fim da desoneração aumentará o custo das empresas e causará de 500 mil a 1,2 milhão de demissões.

Olímpio, no entanto, revela um temor compartilhado também por outros parlamentares, o de que não haja quórum para a votação de quarta-feira. Isso porque a votação do veto já foi incluída na pauta do Congresso quatro vezes e, segundo o parlamentar, o governo, apesar de nas negociações comprometer-se com a derrubada do veto, “orientou a sua base a esvaziar e não dar quórum”. A última sessão que tinha a o veto à desoneração na pauta foi em setembro, cancelada justamente por falta de quórum.

Para a rejeição do veto é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores, computados separadamente.

Major Olímpio, que já participou de manifestação pela derrubada do veto em Brasília e irá a um novo ato na terça-feira (3), afirma que “se desoneração para esses 17 setores não for mantida” será ruim para o país. “E eu duvido muito que haja tempo e ânimo político para a votação de uma nova CPMF”, afirmou.

A intenção de derrubar o veto à prorrogação da desoneração é compartilhada pelos partidos de oposição. Segundo o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso, trata-se de um veto que prejudica os trabalhadores. Na hora que volta a cobrar pelo sistema antigo, muitas empresas vão acabar cortando trabalhador, vai aumentar o desemprego”.

Zarattini, porém, aponta outro risco à votação do veto, que é a falta de quórum simplesmente porque os partidos políticos estão com as atenções voltadas às eleições municipais que ocorrem neste mês de novembro. “No dia 4 não sei se haverá quórum, acho difícil porque estamos no meio do período eleitoral. Acho que vai acabar ficando para dezembro, diz.

 

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SINTONIA POLÍTICA ENTRE GOVERNO E OPOSIÇÃO E MEDIDAS EM CONJUNTAS AJUDARAM ARGENTINA A MANTER NÚMERO DE MORTES POR CORONAVIRUS SOB CONTROLE

Como a Argentina conseguiu manter o número de mortes por covid-19 sob controle

Para especialistas, sintonia política entre governantes da situação e da oposição permitiu que fossem adotadas medidas comuns e conjuntas em todo o país

INTERNACIONAL

por 

BBC NEWS BRASIL

Argentina tem um dos menores índices de mortalidade por covid-19 do continenteArgentina tem um dos menores índices de mortalidade por covid-19

Apesar do incremento de casos do novo coronavírus, nos últimos dias, a Argentina mantém um dos mais baixos números de mortes por covid-19 nas Américas, segundo levantamentos internacionais.

Nos últimos dias, porém, o país passou a veicular um anúncio oficial que surpreendeu a população e que faz parte da estratégia do governo para evitar a propagação do vírus.

Num apelo dramático à “responsabilidade social” dos argentinos diante dos riscos da covid-19, a propaganda mostra imagens do interior de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Nelas, os supostos pacientes estão deitados, imóveis e respirando graças a aparelhos. Enquanto as imagens são exibidas, para alertar para sobre o que o coronavírus é capaz de fazer, são ouvidos áudios de pessoas planejando encontros com amigos e familiares, num sinal de que não estão preocupadas.

“Temos que comemorar. É o aniversário de 70 anos do meu pai. É impossível que a gente seja infectado. Vamos interromper a quarentena”, diz uma voz, no vídeo assinado pela Presidência.Outra voz sugere uma reunião de amigos da empresa, driblando as normas atuais de controle de circulação veicular. “Cortamos caminho e ninguém vai nos perguntar se temos autorização ou não para circular.”A mensagem é direcionada aos que duvidam da virulência do coronavírus ou que já se cansaram da quarentena, iniciada há mais de quatro meses, no dia 20 de março, flexibilizada e retomada várias vezes desde então.

Na Argentina, segundo especialistas, a média de idade dos infectados é de 36 anos, porém, como em outros países, são os idosos as maiores vítimas.

‘Todos sentimos saudades’

Na sexta-feira, ao anunciar que a etapa atual da quarentena será prolongada até o dia 16 de agosto, o presidente Alberto Fernández fez novo apelo para que as pessoas não relaxem diante das ameaças do vírus.

“Estamos atuando de forma adequada, mas temos que ser responsáveis. Aos jovens, que tanto adoro e que têm menos possibilidades de ficarem doentes, mas podem contagiar os mais idosos, eu digo que também sinto saudades dos espetáculos, dos encontros com meus amigos e de tocar meu violão num grupo. Todos sentimos saudades dos churrascos com os amigos. Mas cada encontro desse é um risco. Peço que nos ajudem”, disse Fernández.

A estratégia de comunicação inclui cartazes nas ruas, com mensagens atualizadas de acordo com o desenrolar da pandemia. No fim de semana, surgiu mais um deles. “Não faça reuniões sociais e familiares. Continue se cuidando”, diz um deles, assinado pela Presidência. “Para continuar avançando, vamos nos cuidar”, diz outro, assinado pela Prefeitura de Buenos Aires.

Pesquisas recentes revelaram que a maioria dos argentinos participou pelo menos uma vez de um “asado” (churrasco) ou outra reunião familiar ou com amigos desde o início da quarentena, nas áreas onde os encontros com até dez pessoas ainda não foram autorizados. O fato gerou preocupação no governo porque a curva de casos tem subido nos últimos vinte dias.

Dez pilares

A comunicação oficial é apontada pelos médicos e infectologistas como um dos dez pilares que explicam a baixa taxa de mortalidade, até o momento, na Argentina, na comparação com outros países.

Na América do Sul, segundo levantamentos internacionais, a Argentina supera apenas o Paraguai e o Uruguai, com populações menores.

País com cerca de 44 milhões de habitantes, a Argentina registrava, até domingo, 196.543 casos do novo coronavírus e 3.612 mortes, de acordo com dados da Johns Hopkins, dos Estados Unidos. Com uma população quase cinco vezes maior, o Brasil registra 2,7 milhões de casos positivos e 93.563 mortos, ainda de acordo com a instituição americana.

Os números sobre vítimas fatais também são altos, por exemplo, no Chile e no Peru, com populações menores que a da Argentina.

Com aproximadamente 18 milhões de habitantes, o Chile registra quase o triplo de mortos do país vizinho — 9.608 — e o Peru, com 32 milhões de habitantes, detém cerca de seis vezes mais mortes — 19.408 — que a Argentina.

‘Máscaras sem política’

A BBC News Brasil entrevistou três especialistas para entender os motivos que levam a Argentina a ter, até o momento, uma baixa taxa de mortalidade na comparação com outros países.

O presidente da Sociedade Argentina de Infectologia (SADI), Omar Sued, que integra o comitê especial que assessora Fernández na pandemia, disse que a sintonia política entre governantes da situação e da oposição permitiu que fossem adotadas medidas comuns e conjuntas em todo o país.

Sued, que é diretor de pesquisas da Fundación Huésped, acredita que, apesar do incremento de casos e de mortes dos últimos dias, a Argentina poderia até chegar a não ter um “pico” da doença.

“Talvez a Argentina não tenha esse pico. Com a quarentena, que começou logo no início da pandemia, e teve forte adesão, o país teve tempo para fortalecer seu sistema de saúde. E caso os atuais índices de ocupação de leitos, em torno dos 60% ou 65%, cheguem aos 80%, certamente o governo decidirá pelo retorno da quarentena rigorosa”, disse Sued.

Nas primeiras etapas da quarentena, somente farmácias e supermercados, por exemplo, estavam abertos e até ministros estavam nas estradas nos controles veiculares, junto com policiais, para evitar a mobilidade, inclusive, entre bairros. E avenidas e ruas estavam praticamente vazias, diferente do que ocorre agora.

Ainda assim, oficialmente, no caso dos voos, por exemplo, a grande maioria está suspensa até setembro. Tudo para evitar, argumentam as autoridades do país, a entrada e a circulação do vírus.

“Nós é que vamos ao encontro do vírus, por isso quanto menos saímos, mas protegidos estaremos”, repete o presidente.

Sued afirmou que as pessoas com mais de sessenta anos, as de maior risco para a covid-19, entenderam a mensagem sobre o perigo e respeitaram, na sua grande maioria, o isolamento social — o que também contribui para o número relativamente baixo de mortes no país.

Também influencia de forma decisiva no resultado o fato de o uso de máscaras não ter entrado no debate político, como chegou a ocorrer nos Estados Unidos, onde, disse Sued, a proteção era vista como sinal de respaldo ou rejeição às orientações do presidente Donald Trump. “Isso não aconteceu aqui. E é difícil ver alguém sem máscara no país”, disse.

‘Gravidade da doença’

Quando perguntado sobre o papel dos cidadãos no combate à pandemia, Sued destaca que foi surpreendente.

“Na verdade, somos mais conhecidos por não respeitar muito as normas, mas a coesão entre os governos e a forma como a gravidade da doença foi informada têm sido fundamentais para os resultados.”

Cirurgião cardiovascular do hospital Britânico de Buenos Aires, Marcelo Nahin foi um dos primeiros do país a defender publicamente o uso massivo de máscaras contra o coronavírus. Ele detalhou os outros pilares que explicam o número de mortes.

“A Argentina suspendeu todos os voos nacionais e internacionais, limitou o transporte público para trabalhadores dos setores essenciais (setores médico e de alimentos, por exemplo) e ainda hoje é difícil se locomover internamente pelo país. Como a maior quantidade de casos, em torno dos 87% a 90%, está na Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA), as restrições foram maiores nesta região, até para impedir a circulação do vírus pelo restante do país”, disse Nahin, que é coordenador de transplantes do hospital El Cruce.

Testes

O médico citou outras ações diretas que contribuíram para o quadro atual da pandemia na Argentina.

“Esse é um vírus traiçoeiro e toda prevenção possível é necessária”, disse.

No chamado ‘Plano Detectar’, equipes de sanitaristas percorrem bairros buscando casos suspeitos da doença. Quando um caso é positivo, os sanitaristas rastreiam seus contatos, recomendam e oferecem opção de isolamento para os que moram em lugares com muita gente.

A outra justificativa para os números argentinos é a infraestrutura do setor de saúde, que já existia antes da pandemia, e que foi ampliada a partir de março.

Logo no início da quarentena, os hospitais e clínicas separaram entradas e alas para quem chegava com sintomas de coronavírus — como prevenção, os que desembarcavam do exterior eram levados para hotéis pagos pelos governos que chegaram a reunir quatro mil pessoas no total.

Em quatro meses, a Argentina ampliou a quantidade de leitos e agora soma cerca de onze mil enquanto o Chile, por exemplo, tem pouco mais de dois mil, observou Nahin, e este foi um dos problemas do país vizinho.

Comparações com o Brasil

Mas, ao contrário do Chile, a Argentina realiza um dos menores índices de testes do tipo PCR da região. E esta é uma das críticas do ex-ministro da Saúde Adolfo Rubinstein, do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária (IECS) e do Centro de Implementação e Inovação de Políticas Públicas (CIIPS).

“O governo acertou ao implementar a quarentena em março e aqui temos uma política nacional, o que não aconteceu no Brasil. Podemos ter diferenças políticas internas aqui, mas há uma política comum de combate à pandemia. O problema argentino é, porém, a quantidade de testes. O governo demorou em comprá-los”, disse o ex-ministro.

Levantamentos apontam que a Argentina realiza 14 mil testes por milhão de habitantes, o Chile faz 81 mil e o Peru, 69 mil exames pela mesma quantidade de pessoas. Rubinstein entende que é cedo para dizer que a Argentina não terá um “pico”, apesar de não esperar que o sistema de saúde entre em colapso, como ocorreu em outros lugares.

Em outro âmbito, levantamento da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), divulgado na semana passada, apontou que a Argentina será um dos países com maior desigualdade neste ano de pandemia.

Críticos atribuem o fato ao efeito prolongado da quarentena. Segundo fontes do governo, a ideia de Fernández é tentar, principalmente a partir de agora, um “equilíbrio crescente” entre o combate ao vírus e a economia, que já estava em recessão quando a covid-19 apareceu.

Fonte: R7

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PROPOSTA DO GOVERNO DO RN É MANTER RESTRIÇÕES ATÉ 5 DE MAIO

Governo do RN propõe manter restrições de funcionamento do comércio até 5 de maio

Proposta vem após pedido da Fecomércio e FCDL para que o Estado relaxe o isolamento social. Medidas impostas por decreto expiram nesta quinta (23)

Por Redação – Publicado em 21/04/2020 às 22:58

Pedro Vitorino
Comerciantes querem retomada das atividades

OGoverno do Rio Grande do Norte propõe manter as restrições de funcionamento do comércio no estado pelo menos até o dia 5 de maio. A proposta é uma resposta à Federação do Comércio (Fecomércio) e Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas (FCDL), que pedem a flexibilização das medidas impostas por decreto estadual, que expiram nesta quinta-feira (23).A governadora Fátima Bezerra disse que esteve, ao lado do vice-governador Antenor Roberto e de secretários estaduais, reunidos nesta terça-feira (21), por videoconferência, com representantes da Fiern, Fecomércio, Fetronor, Faern e diversos sindicatos e representantes do setor produtivo potiguar para discutir sobre a vigência do decreto que diminuiu a concentração de pessoas no combate à propagação da pandemia da Covid-19.

“Seguindo as recomendações de especialistas do mundo inteiro e do corpo de técnicos do RN, que falam sobre a necessidade de permanência do isolamento social, o Governo propôs manter as regras de restrição do funcionamento do comércio até pelo menos o próximo dia 05 de maio, quando poderá ser reavaliada a possibilidade de retomada das atividadeS”, destacou o Governo.

Para discutir e planejar as próximas ações na área, foi criado um Grupo de Trabalho com representantes do Governo, dos empresários, do comitê científico estadual e da Federação dos Municípios para, juntos, elaborarem um plano que visa a retomada do funcionamento do comércio e da economia em geral.

ÚLTIMAS

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O PESQUISADOR LUIZ DAVIDOVICH DA ABC DIZ QUE MINISTRO DA SAÚDE TERÁ QUE MANTER ISOLAMENTO OU ARCAR COM MORTES

“Ministro terá de manter isolamento ou arcar com mortes”, diz presidente da ABC

Para o pesquisador, o cenário não deixa margem para tentativas que não se baseiem na ciência

Por Estadão Conteúdo – Publicado em 17/04/2020 às 2020

Sumaia Villela/Agência Brasil
Pico da pandemia no país ainda se aproxima

O novo ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich, terá necessariamente de seguir as políticas de isolamento que Luiz Henrique Mandetta vinha adotando, de isolamento horizontal, como determina a Organização Mundial da Saúde, sob o risco de ter de arcar com a responsabilidade de ver um número enorme de mortos no Brasil.O alerta é do físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, ao comentar a troca de comando da Saúde do país quando estamos chegando próximo ao pico da epidemia de Covid-19.

“Nossa avaliação é que Mandetta estava apresentando um desempenho de acordo com as recomendações da OMS e dos profissionais de saúde e que era um desempenho adequado para a tragédia que vivemos, para o enfrentamento da pandemia, com a defesa do isolamento horizontal e tentando organizar o sistema de saúde nacional, que está muito ameaçado”, afirma.

“Qualquer pessoa que viesse a substituí-lo, por melhor que seja, terá de necessariamente seguir a mesma política. É o que está sendo feito em outros países. É só olharmos para o que aconteceu com países que tinham uma visão diferente no começo e depois deram uma guinada, que são Inglaterra e Estados Unidos. Hoje a situação deles poderia ser melhor se eles tivessem tomado uma atitude mais rígida desde o começo.”

Davidovich é incisivo: “Não faltam simulações sobre o que vai acontecer se abandonarmos o isolamento. Não faltam experiências internacionais que mostram que o isolamento vertical não funciona. Não imagino um ministro da Saúde que não siga isso, que não siga a ciência. Se não fizer, será pesada sua responsabilidade quando ocorrer a saturação dos hospitais”.

Para o pesquisador, o cenário não deixa margem para tentativas que não se baseiem na ciência. “Ai do governo que tiver de assumir a responsabilidade pelo grande número de mortos que podem ocorrer com isso.”

Para Davidovich, a definição sobre se e quando começará a redução do isolamento também virá da ciência. “O novo ministro tem de ter como plano a testagem massiva. É isso que vai orientar como vamos sair dessa situação.”

O pesquisador lamenta que parte do drama brasileiro diante do novo coronavírus se deva ao sucateamento da ciência nos últimos anos. “O País paga o preço de cortes sucessivos em ciência e na saúde. A Alemanha passou mais tranquilamente pela pandemia porque tinha equipamentos hospitalares, sistema de saúde adequado. Não faz sentido termos de comprar tudo de fora, insumos da Índia, máscaras e respiradores da China”, lamenta.

“O Brasil precisa se conscientizar que temos de ter desenvolvimeno de alta tecnologia no País. Não podemos depender de coisas essenciais. Espero que o que está acontecendo sirva de motivação para uma guinada na política economia e industrial do País”, complementa.

E defende: “A chave para a solução dessa crise sanitária está na ciência. Repito, na ciência, na ciência. As formas de sair do isolamento também estão sendo examinadas por cientistas no País e no mundo. Isso tem de ser considerado. Não vamos sair de forma apressado, baseados no achismo de que é preciso sair. É claro que uma hora temos de sair, mas tem de ser da maneira mais apropriada possível. E para tomar essas providências, precisamos de muito mais testagem”.

Ele lembra que diversos laboratórios de universidades brasileiras estão testagens novas formas de diagnóstico e defende que mais dinheiro seja colocado nesses esforços. “O investimento em pesquisa é o que pode nos salvar. Tanto as vidas quanto a economia.”

Fonte. Agora Rn

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