
Trastes que se acumulam ao longo do tempo
Essa semana, estava organizando o apartamento, quando vi que tinha alguns trastes, coisas acumuladas, sem utilidade, mas que eu estava guardando, não sei por qual razão.
Não estou me referindo a coisas de valor sentimental, mas de trastes que para nada servem, como o próprio nome já diz. Dentre estes, que estavam numa caixa na lavanderia, vi umas rosas de plástico que encontrei quando cheguei para morar (provavelmente, do casamento morto de meu marido), umas taças únicas, de cristal, castiçais de velas e umas lâmpadas coloridas. Lembro de ter acrescentado à essa caixa alguns calendários antigos, cartões de Natal repetidos e umas vasilhas de plástico, algumas sem tampas.
Fiquei olhando a caixa, querendo compreender porque guardara tantos trastes, por tanto tempo (aproximadamente 10 anos). Talvez, pensando que iria precisar deles num futuro próximo que nunca chegou.
Lembro que trouxe essa mania do Brasil, de minha mãe. Demorei, mas me adaptei ao estilo americano: se não usa, jogue fora. Doar coisas usadas não é visto com bons olhos por aqui. Então, coloquei a caixa inteira na lixeira. Titubeei um pouco, confesso, mas fiquei feliz em me desfazer dos trastes.
Nossos trastes de cada dia
Esse apego com coisas também é comum termos com sentimentos, pensamentos ou comportamentos. Temos a mania de guardar sentimentos que não nos servem mais, como culpas, ressentimentos, medos e outros mais que não combinam mais com a pessoa que somos.
Há pessoas que ainda mantém comportamentos não condizentes com a idade, inseguranças que arrastaram até a idade adulta e isso acaba atrapalhando o convívio, a realização de projetos e a própria evolução pessoal.
Esses trastes invisíveis nos atrapalham e muito, sem que percebamos. São âncoras mentais que precisamos nos desfazer para que possamos avançar ainda mais na caminhada da vida, de uma forma leve e assertiva, como deve ser.
Pessoas x trastes
Os trastes também se estendem ao ser humano, infelizmente. Pode parecer rude falar dessa forma, mas sei de muitos exemplos de pessoas que parecem que vêm a esse mundo com a missão de fazer o mal, de atrapalhar.
Virtualmente falando, eu estava com um seguidor no Instagram que criticava (sem motivo) tudo que eu postava. E eu, protelando para não ser indelicada, não o excluía nem revidava. Até que um dia, a gota de água foi ele tocar em assuntos pessoais, sem me conhecer. Eu excluí de imediato. Não me fez falta nenhuma. Só me fez bem me livrar daquele traste virtual.
Há serventia nos trastes?
Temos a mania do apego aos trastes por pensar que, de alguma forma, poderemos precisar algum dia ou segurar uma época que se foi, bem como impedir a passagem do tempo, ao manter algo que nos remete ao passado.
É um engano de nossa parte, pois nada podemos contra o sentido da vida, que é sempre para frente. Dessa forma, devemos sempre fazer aquela pausa e ir jogando nossos trastes visíveis e invisíveis fora, sem dó, bem como se afastando de pessoas que nada acrescentam à nossa vida, para que tenhamos espaço para respirar livremente, conhecer pessoas do bem e agregar coisas de valor, que teremos prazer em cuidar, em manter.
Agora me contem, quando vocês vão fazer faxina em casa, o que mais vocês têm pena de desapegar? E sentimentalmente falando, tem alguma mania que vocês acham que precisa mudar, pois não ajuda em nada? Contem-me!
Beijos e vamos praticar o desapego!
Uma importante reflexão que nos faz pensar sobre o desapego.
Oi, querida. Mais uma importante reflexão. Não costumo me apegar a objetos materiais. Talvez o que tenha mais dificuldade nesse sentido sejam os livros. 🙂 Em relação a pessoas, também costumo me desapegar sem grandes dificuldades. Já sobre os sentimentos, dependendo da situação, esses podem precisar de ajuda para a faxina. Recorrer a um apoio psicológico pode ser de grande valia nesses momentos. A pior coisa é tentar colocar debaixo do tapete. O tombo pode ser grande. Melhor limpar e seguir a vida. Grata pela oportunidade de troca constante. Abraços, Helenita