
Bimini e suas limitações turísticas
Estamos em Bimini, uma ilha minúscula que faz parte do arquipélago das Bahamas. Um destino turístico pequeno, mas generoso naquilo que entrega: uma longa extensão de praias, areias brancas e águas cristalinas em tons que parecem pintados à mão pelo próprio Caribe.
Bimini é isso: um convite ao silêncio, à paz e a um reencontro quase primitivo com a natureza.
Ainda assim, alguns turistas, principalmente americanos que chegam até aqui pelo simples fato de ser tão perto da Flórida, reclamam que “não há muito o que fazer na ilha”. Para eles, aproveitar a praia, o sol e o mar é pouco.
Mas, ao contrário dos destinos europeus, Bimini não oferece monumentos históricos, shoppings imensos ou uma ampla estrutura comercial. O foco é, e sempre foi, a praia. O farfalhar das palmeiras, o som das pequenas ondas quebrando na orla, o voo das gaivotas disputando peixes…
Esse é o melhor de Bimini, sua força mais pura. Se você deseja outra coisa, aqui não é o lugar.
O que esperamos das pessoas — e o que elas realmente podem nos oferecer
E, curiosamente, fazemos o mesmo na vida: esperamos de pessoas, situações e até de nós mesmos aquilo que não está ali para ser oferecido.
No campo dos relacionamentos e também na carreira, costumamos depositar expectativas irreais, como se todos tivessem a obrigação de corresponder ao roteiro idealizado que escrevemos em silêncio.
Idealizamos parceiros imaginando alguém perfeito, atento, constante, sempre disposto a nos fazer felizes.
Mas a verdade é que as pessoas são o que são: um mosaico delicado de luz e sombra, virtudes e limitações. Assim como nós também somos.
A carreira como escolha: entre o sonho e a realidade
Na carreira, reproduzimos o mesmo equívoco. Escolhemos uma profissão e nos frustramos com aspectos que fazem parte dela — sejam eles a pressão, a rotina engessada, a ausência de crescimento ou até o excesso dele.
Por isso é tão importante reconhecer, desde o início, que cada carreira possui sua dignidade, seus caminhos e seus limites. Há quem floresça numa sala de aula, quem se encontre nas estradas dirigindo caminhões, quem prefira o mundo acelerado dos riscos e da competitividade.
O que não podemos é viver no automático, indo trabalhar apenas para cumprir horas, sem alma, sem brilho, esperando o expediente acabar.
É por isso que as escolhas devem ser cuidadosas. Essa carreira é boa em tais aspectos, mas limitada em outros: quero isso para mim?
O tempo como bem precioso: permanecer, partir ou recomeçar?
Nos relacionamentos, convém conhecer a pessoa antes de entregar o coração. Avaliar seus pontos fortes, suas fragilidades, seu modo de existir no mundo.
Assim como hoje em Bimini: alguns turistas sequer desceram do navio; outros correram para a praia como se aguardassem esse momento há anos.
Da mesma forma, encontraremos pessoas que verão em nós apenas limitações… e outras que descobrirão em nós um verdadeiro paraíso.
Na carreira, também há quem sonhe com uma profissão, mas se decepcione ao descobrir que todo sonho tem um custo — e todo caminho tem pedras.
E não podemos esquecer: nosso bem mais precioso é o tempo. Ele não volta. E escolhas ruins têm o poder de nos roubar anos inteiros.
Nos relacionamentos, se escolhemos alguém que não corresponde ao que buscamos, só existem dois caminhos: permanecer ou partir. Não está em nosso poder moldar o outro para caber no que idealizamos.
Na carreira, é possível mudar — mas nem todos têm coragem de recomeçar. Reaprender, refazer planos, abrir mão de uma segurança construída… e, dependendo da idade, isso exige ainda mais força.
O que Bimini revela sobre nossas escolhas
Voltando a Bimini: se você vier, não espere shoppings ou monumentos. Aqui é praia, pé na areia e mar azul. E há quem daria tudo para escapar do caos da cidade e passar o dia em silêncio, ouvindo apenas o vento.
Escolhas… elas ampliam ou estreitam a vida. Moldam destinos. Definem futuros.
Por isso é preciso olhar para dentro com honestidade: saber quem somos, o que desejamos e, principalmente, o que não aceitamos mais carregar.
O bom da vida é entender o próprio querer, mas será que sempre sabemos?
Ou será que é a própria vida, com seus empurrões, silêncios e reviravoltas, que vai moldando esse querer aos poucos, até que finalmente o reconheçamos?
E você…
Já tomou uma decisão esperando mais de um lugar do que ele podia oferecer? Já se relacionou com alguém que não deveria — ou encontrou alguém com quem tudo fluiu?
Ou ainda escolheu sua própria companhia, por segurança e sabedoria?
Escreva nos comentários que venho já ler.
Bom dia!
Já tive um relacionamento, que hj pensaria antes de começar
Olá, minha amiga Edilza.
Não se martirize pelas escolhas que você tomou e não saíram como pensava. Hoje você é outra mulher, com maturidade, com posicionamento e com certeza, com mais clareza.
Olhe para frente e brilhe sempre.
Um grande abraço, minha amiga.
Que belo presente nos deu no dia do seu aniversário, querida!
Sou só gratidão por ter tido a sorte de conhecer a sua potência tanto na escrita quanto nas relações.
Com carinho, Helenita
Muito obrigada, minha querida amiga escritora Helenita.
Também agradeço a Deus por ter você como amiga e leitora. És uma pessoa muito especial.
Um beijo enorme!
Uma bela provocação, como sempre nas suas crônicas semanais, nós leitores nos deparamos diante da vida e suas linhas sinuosas. Sim já me vi em um labirinto pós tomadas de decisões, são as escolhas necessárias mas nem sempre “acertadas “ ou “erradas “, mas sempre necessárias.
É sempre um enorme prazer lhe ter aqui, meu amigo, escritor, historiador e professor.
A vida nos coloca em labirintos que não tem como fugir, mas faz parte de nosso crescimento como pessoas.
Que tenhamos todos a clareza em escolher a melhor solução.
Um grande abraço, meu querido amigo.
Que reflexão maravilhosa! É o retrato da vida. Quando criamos expectativas irreais sobre lugares, pessoas, relacionamentos, encontros ou eventos, por exemplo, acabamos fadados a frustrações, decepções, tristeza, evoluindo para a ansiedade e a depressão. Já fui algumas vezes a essa ilha e ficava me questionando o porquê ela era subestimada por tanta gente. Mas eu estava ali justamente para aproveitar o que ela tinha de melhor: a natureza. Por isso, saía de lá tão feliz e renovada! Obrigada por esse presente, querida!
Olá, minha querida Lu.
Tens toda razão. Eu acredito que um dos grandes erros das pessoas é criar expectativas, quaisquer que sejam.
Que bom que você conheceu e amou essa ilha, assim como eu.
Sim. Ela oferece o que tem de melhor.
beijos, minha querida amiga.
Uma bela crônica, que nos chama a atenção sobre expectativas e realidades. Excelente.
Obrigada, minha irmã querida.
Beijinhos no coração.
As escolhas são caminhos sem volta, pois o tempo passa e daí continuamos a esperar pelo amanhã que virá e busca tempos melhores.
Sheila Farias
Natal/RN
Boa noite, querida Sheila!
É bem verdade. Convém escolher com sabedoria, pois o tempo não volta.
Um beijo enorme. Fique com Deus.