
A crônica que nasceu de um sonho
Essa crônica nasceu durante um sonho, daqueles sonhos reais. Não sei se tive fome durante a noite, já que depois do jantar não costumo comer mais nada, só sei que sonhei com um waffles (uma panqueca diferentona) que os americanos adoram. É feito com farinha, açúcar, manteiga, ovos e leite colocado numa prensa quadrada e, em minutos, fica pronto.
Geralmente, os waffles são servidos no café da manhã acompanhado de uma calda, geleia, creme branco, frutas vermelhas e outras gostosuras disponíveis.
Bem, eu sonhei que acordava faminta e degustava um waffle no café da manhã. No, prato via um waffle quentinho com manteiga derretendo sobre os quadrinhos e ainda com geleia vermelha, creme de lado, calda de chocolate e frutas. No sonho, minha boca se enchia de água e cada garfada era uma exclamação de prazer.
Acordei desse sonho decidida a saborear um waffle no café da manhã. Levantei, tomei meu banho e saí sem fazer barulho, para não acordar meu marido, que geralmente acorda mais tarde.
A “realização” de um sonho.
Sentei à mesa, pedi e aguardei com ansiedade meu waffles e um capuccino para acompanhar aquele “sonho.” O garçom me encontrou sorrindo sozinha. Não sabia ele que, naquele momento, eu iria transformar um sonho em realidade, literalmente.
Quando levei a primeira garfada à boca, a decepção roubou meu sorriso. Aquele sabor de coisa americana industrializada, de química invadiu minhas papilas gustativas. Sim, pois não se enganem que iria ser algo caseiro preparado pela “vovó” e sim, uma massa pronta que se encontra nas prateleiras de supermercados para atender à correria da vida americana.
Mastiguei aquela coisa flexível. “Não poderia estar tão ruim assim,” pensei. Tentei dar uma segunda chance, pegando um pedaço menor e passando na calda vermelha. Nesse momento, minha espinha chegou a se eriçar, pois estava tentando fazer algo que meu corpo não queria. Desisti. Educadamente pedi meus tradicionais ovos e torradas integrais ao garçom. Comi em silêncio, meditando naquela lição de vida que recebera logo cedo.
Um sonho realizado e decepcionante
Pensei em quanto prazer eu tive no sonho ao degustar o waffle. Acordei mentalizando que teria a mesma sensação de felicidade que minha mente me vendeu durante o sono, o que não aconteceu.
Estendi o pensamento para os sonhos que temos ao longo de nossa vida. Muitos, roubam parte dela, pois vivemos no afã de realizá-los e, por vezes, esquecemos de viver. Alguns deles são verdadeiros desapontamentos, uma vez que, quando temos algo, a tendência é não valorizar mais.
Com isso, não quero desmotivar ninguém a correr atrás do que deseja, mas precisamos de sabedoria ao selecionar os sonhos que valem a pena dos que são apenas vaidade, dos que nossa mente ou outros fatores nos influenciam a realizá-los, como foi meu caso, ou os que fazem sentido para nós, de verdade, que nos melhoram como pessoas.
Rememorando meus sonhos vi que muitos eu os abandonei porque a pessoa que queria muito determinada coisa, na época, amadureceu e tais sonhos não têm mais sentido. Em contrapartida, criei novos sonhos e vivo, não me desgastando, mas trabalhando com equilíbrio para realizá-los. Se amanhã os meus sonhos serão os mesmos de hoje, eu não saberia responder.
De onde surgem os sonhos?
Lembrei de um amigo de infância, em Natal, cujo sonho era adquirir um telefone celular, bem na época em que lançaram os aparelhos portáteis. Uma rádio, em Natal, anunciou um sorteio de um desses. Era a oportunidade que ele queria. Em pouco tempo, ele mobilizou todos os amigos da rua, inclusive eu e escrevemos centenas de cartas que ele foi deixar no endereço da rádio.
No dia do sorteio, compartilhando o sonho com ele, vibramos de alegria ao vê-lo ganhar o telefone, que parecia um tijolinho. A alegria dele nos contagiava, como ainda me contagia e vi que os sonhos realizados, em tese, são feitos para gerar felicidade.
Os sonhos, nesse caso, como nossos desejos, nascem daquilo que nos falta. Sonhamos, idealizamos e nos dedicamos a conseguir. Estes, podem ser coisas materiais ou projetos de vida: casar, ter filhos, ter determinada profissão, escrever um livro, conhecer um país, etc. ou utopias: um país sem corrupção, um mundo igualitário, sem fronteiras, coisas assim.
Os sonhos que mais desejamos consomem muito de nós. Além disso, precisamos pagar o preço e ter o cuidado de não esquecer de viver enquanto se busca aquilo que quer.
Infelizmente, alguns ao se concretizarem podem ser decepcionantes pelo tempo perdido e pelo resultado não esperado como um casamento fracassado, uma profissão que oprime, uma viagem que se transformou num pesadelo, enfim, os sonhos podem resultar em sofrimentos e não no prazer que nos fez acreditar que teríamos.
É errado sonhar?
Portanto, meus amigos, não é errado sonhar, mas precisamos saber o que desejamos, com os pés no chão. Ademais, precisamos ter sonhos para poder atravessar a caminhada da vida. Imagine que coisa sem graça viver sem ter desejos, projetos, algo a realizar? Sonhe sim e tenha sabedoria e garra para realizá-los.
Agora me falem sobre algum sonho que não aconteceu como você esperava ou se você tem algum sonho que ainda espera se realizar!
Um grande abraço.
Bem, sonhos são necessários pra que tenhamos sempre algo a buscar em nossa existência, não importa se for um grande sonho ou uma simples coisa fútil. Por falar em sonhar com comida como mencionado na crônica, eu lembro na minha infância quando ia pra escola e levava um dito por outros um simples pão com ovos, que eu não achava ruim, mas sempre sonhava em comprar lanche na cantina kkkkkk. Já acordei salivando uma coxinha kkkkk, mas dada a situação financeira da minha família e o esforço pra que eu tivesse uma boa educação numa escola particular. Bem, venci o ensino primário, fundamental, médio, superior (que foi meu sonho durante o ensino médio), escrevi um livro e me tornei servidor público que é sonho de todo mundo que passou necessidades (penso). E parabéns por mais uma crônica que alimenta nossa mente. Ansioso pela próxima terça feira, Kkkkkk. Abraços
Obrigada por compartilhar um pouco de sua história conosco, Pablo. Sei sim como é ser uma criança cheia de sonhos e poucos recursos, o que me fez sonhar mais que o normal, pois o que eu alcançasse, já seria muito. Creio que foi assim com você também.
Obrigada pelo carinho de sempre e por ter você como amigo e colega de escrita.
Um abraço maior que o vale do Assu!
Oi, querida. É como aquela frase que diz “cuidado com o que você deseja, pois pode se realizar”. 🙂 Exatamente isso. 😉 Mas, parafraseando nosso poeta Vinicius de Moraes: “Sonhos, sonhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, como sabê-los?” E vamos seguindo a vida de sonho em sonho, nem sempre se concretizando, por vezes decepcionando, mas tudo vale a pena para continuar sendo sonhador. 😉 Ah! e vamos combinar que suas crônicas são verdadeiros sonhos das terças. 😉 Beijos, Helenita
Obrigada, minha amiga querida e de todas as horas e escritora sensível. Seus comentários me alegram demais e completam o sentido do que me propus a passar.
Sim, precisamos de sonhos. Creio que Deus nos presenteou com isso, pois de outra forma, seríamos incompletos.
Um beijo enorme!
Interessante essa análise sobre os sonhos! Serem atrativos enquanto não se concretizam…
Verdade, minha irmã.
Temos essa mania de querer o que não temos ainda.
Mas vamos evoluindo como pessoas ao aprender a valorizar o que conquistamos e manter aquele frisson inicial.
Beijocas!!!