POTIGUAR QUE FEZ TRANSPLANTE DE PULMÃO RECEBE ALTA DEFINITIVA DO HOSPITAL E MÉDICOS CONSIDERAM UM MILAGRE

Por g1 RN

 

Ana Raiane com o marido e os filhos — Foto: Arquivo da famíliaAna Raiane com o marido e os filhos — Foto: Arquivo da família

Foram 60 dias respirando com auxílio de pulmão artificial (ECMO) por causa de complicações da Covid, um transplante de pulmão, e mais de 8 meses internada em São Paulo. Após essa longa jornada, a potiguar Ana Raiane dos Santos, de 32 anos, recebeu alta definitiva do Hospital Albert Einstein, na capital paulista, e voltou para casa em São Vicente, no interior do RN, nesta segunda (25).

“Deus está me abençoando com minha volta pra casa. Recebi minha alta definitiva. Estou muito bem graças a Deus, meu pulmãozinho está guardado, está sendo bem cuidado e agora eu vou ter a oportunidade de cuidar da minha família, dos meus filhos, da minha casa”, disse Ana.

Para o cirurgião cardiovascular especialista em ECMO, Dr. Renato Max, que implantou o pulmão artificial em Raiane, a recuperação dela é um ‘exemplo de resiliência e coragem’.

“Mesmo diante de todas as dificuldades, o medo de ir pra SP, ela foi, quis lutar contra essa doença, e venceu. A gente tem convicção de que presenciou um milagre. Um milagre conduzido pela fé da Raiane, pela fé da equipe, pela força de vontade dela e também da família”.

Ele explicou que Ana Raiane só precisará ficar indo a São Paulo de 3 em 3 meses para exames mais complexos e avaliação da equipe transplantadora. Em Natal, ela terá acompanhado médico especializado, e ficará fazendo exames de rotina, provavelmente no Hospital Onofre Lopes.

Relembre o caso

Ana Raiane foi diagnosticada com Covid em maio de 2021, quando estava grávida. Após o nascimento da filha na maternidade Januácio Cicco, em Natal, teve uma piora no quadro e precisou ser intubada. Quando a situação se agravou, foi necessário o tratamento com ECMO, em manejo liderado pelo cirurgião cardiovascular Renato Max e pelo intensivista Hugo Paiva. Os dois médicos também foram os responsáveis por conseguir a vaga para a continuidade do tratamento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Após 60 dias com o suporte respiratório da ECMO, ela seguiu em agosto para a capital paulista com o marido, Carlos Henrique, que fez campanha nas redes sociais para conseguir custear o necessário para o tempo previsto de tratamento da esposa, que seria, a princípio, de um ano. A equipe médica de Natal se responsabilizou por custear o equivalente à hospedagem em São Paulo por sete meses. O restante necessário (para transporte e alimentação) que era exigido pelo serviço social do transplante pulmonar foi conseguido através das doações, rifas e outros meios que a família buscou.

Em São Paulo, a equipe que assumiu o caso, chefiada pelo cirurgião torácico Marcos Samano, chegou a retirar a ECMO da paciente, mas ela, assim como já havia acontecido em Natal, não suportou ficar sem o aparelho, e foi necessário reimplantar e aguardar pelo transplante.

No dia 31 de agosto, apareceu um doador compatível, e foi feita a cirurgia de imediato. Após alguns dias, a ECMO foi retirada, e ela se manteve com respirador mecânico, que foi removido da paciente após algumas semanas. Atualmente, Ana Raiane respira sem ajuda de nenhum equipamento ou oxigênio suplementar.

No final do ano, a equipe médica que acompanhava o caso liberou o retorno de Ana Raiane a São Vicente, no interior do Rio Grande do Norte, como um “presente de Natal”, para que ela possa ver a filha mais uma vez. O último encontro com a bebê de sete meses havia acontecido no leito da UTI da Promater, em Natal, no dia 7 de agosto.

Em janeiro Ana Raiane voltou para São Paulo e continuou em tratamento pós-transplante, com fisioterapia respiratória e motora, fonoaudiologia e avaliação da função pulmonar. Ela retornará para a capital paulista no dia 12 de janeiro, e deve permanecer lá até a alta definitiva – o que ainda não há previsão para acontecer.

A potiguar é uma das oito pessoas no Brasil que fizeram transplante de pulmão em decorrência do agravamento da Covid-19. Desse grupo, quatro sobreviveram. “É, portanto, um dos poucos casos de sucesso no mundo de transplante pulmonar por síndrome de angústia respiratória ocasionada pelo vírus SARS-COV2”, destacam os médicos.

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