ENTREVISTA: A DEPUTADA JOICE HASSELMANN ESCLARECE MUITOS PONTOS NEBULOSOS DA POLÍTICA NACIONAL

A ENTREVISTA é longo, mas super esclarecedora, principalmente para os bolsonaristas que ainda insistem em não enxergar o que realmente está acontecendo na contenda entre os três poderes federais. Nessa ENTREVISTA para os jornalistas Renata Agostini e Caio Junqueira da CNN, que aconteceu meste sábado, a deputada fala que também era uma seguidora totalmente obediente a ponto de mudar a sua estratégia de se candidatar à senadora para atender a um pedido de Bolsonaro e conta quando, como e porque rompeu com ele. E ainda que apesar do rompimento pessoal vota  a favor de todas as propostas do governo que considera benéficas para o país. São muitas revelações importantes que você precisa tomar conhecimento para poder fazer um juízo de valor sóbrio e imparcial do cenário político atual.

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ENTREVISTA: O MUNDO PÓS-PANDEMIA POR LUIZ FELIPE PONDÉ

Nesta segunda-feira vamos assistir na coluna ENTREVISTA o renomado filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé responde perguntas sobre como será o Mundo Pós-Pandemia. O entrevistado faz uma belíssima análise sobre a geopolítica, emprego, tecnologia, política e outros aspectos sócio-econômicos. Eu super recomendo ouvir esse PODCAST. 

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ENTREVISTA: SERGIO MORO DÁ ENTREVISTA EXCLUSIVA À VEJA PARA REBATER ACUSAÇÕES DE TRAIDOR

Neste sábado aproveite para ler essa ENTREVISTA exclusiva que o Ex-Ministro Sergio Moro deu a reportagem de VEJA depois da enxurrada de acusações nas redes sociais pelos bolsonaristas chamando-o de traidor. Nessa entrevista ele reafirma tudo que disse, se indigna pelo presidente ter lhe chamado de mentiroso  explica o porquê da sua atitude, lamenta por ter exposto a deputada Carla Zambelli e promete lavar a honra quando for inquerido a prestar depoimento no inquérito aberto pelo Ministro do STF Celso de Melo. Fato que já está programado para a próxima semana. Convido-o a ler toda a ENTREVISTA a seguir, refletir e tirar suas conclusões e se não for suficiente para fazer o seu juízo de valor sobre a hombridade, honestidade, lisura e caráter de Sergio Moro, aconselho aguardar o desenrolar do inquérito e depois formular o seu conceito.

Sergio Moro afirma que apresentará ao STF provas contra Bolsonaro

Em entrevista exclusiva, o ex-ministro da Justiça diz que o governo nunca priorizou o combate à corrupção

Por Policarpo JuniorLaryssa Borges

Atualizado em 1 maio 2020, 09h12 – Publicado em 30 abr 2020, 19h39
Quando Sergio Moro decretou as primeiras prisões da Operação Lava-­Jato, em 2014, ninguém imaginava que começaria ali uma revolução de consequências históricas para a política, a economia e o combate à corrupção no Brasil. Em quatro anos, as investigações revelaram a existência de uma monumental estrutura que tinha como membros ativos as maiores empreiteiras do país, altos dirigentes de empresas estatais e políticos de todos os quilates — de deputados a presidentes da República. Todos se nutrindo da mesma fonte de um esquema que, durante anos, desviou mais de 40 bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro convertido em financiamento de campanhas eleitorais e propina. O caso fulminou biografias, quebrou empresas, arrasou partidos políticos e desmascarou muita gente que se dizia honesta. A histórica impunidade dos poderosos levou uma surpreendente rasteira — e abriu caminho para que um outsider chegasse à Presidência da República. Com a eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, muitos apostaram que a corrupção sistêmica sofreria o golpe de misericórdia no país — uma tremenda ilusão, segundo o próprio Moro.“O combate à corrupção não é prioridade do governo”, revela o agora ex-­ministro da Justiça, que foi descobrindo aos poucos que embarcara numa fria. Ele estava em casa na madrugada da sexta 24 quando soube que o diretor-geral da Polícia Federal fora demitido pelo presidente. Mas o episódio foi a gota d’água de uma relação tumultuada. Havia tempo o presidente não escondia a intenção de colocar no cargo alguém de sua estrita confiança. Bolsonaro frequentemente reclamava da falta de informações, em especial sobre inquéritos que tinham como investigados amigos, correligionários e parentes dele. Moro classificou a decisão do presidente de pôr um parceiro no comando da PF de uma manobra para finalmente ter acesso a dados sigilosos, deu a isso o nome de interferência política e, na sequência, pediu demissão. Bolsonaro, por sua vez, disse que a nomeação do diretor da PF é de sua competência e que as acusações de Moro não eram verdadeiras. O Supremo Tribunal Federal mandou abrir um inquérito para apurar suspeitas de crime.

RECADO – Moro, em relação a Bolsonaro: “Ele sabe quem está falando a verdade” Alex Farias/Photo Press/.

Em entrevista exclusiva a VEJA, Moro revelou que não vai admitir ser chamado de mentiroso e que apresentará à Justiça, assim que for instado a fazê-lo, as provas que mostram que o presidente tentou, sim, interferir indevidamente na Polícia Federal. Um pouco abatido, o ex-ministro também se disse desconfortável no papel que o destino lhe reservou: “Nunca foi minha intenção ser algoz do presidente”. Desde que deixou o ministério, ele passou a ser hostilizado brutalmente pelas redes bolsonaristas. “Traidor” foi o adjetivo mais brando que recebeu. Mas o fato é que Bolsonaro nunca confiou em Moro. Sempre viu nele um potencial adversário, alguém que no futuro poderia ameaçar seu projeto de poder. Na entrevista, o ex-ministro, no entanto, garante que a política não está em seus planos — ao menos por enquanto. Na quarta-feira 29, durante a conversa com VEJA, Moro recebeu um alerta de mensagem no telefone. Ele colocou os óculos, leu e franziu a testa. “O que foi, ministro?” “O presidente da República anunciou que vai divulgar um ‘vídeo-bomba’ contra mim.” “E o que o senhor acha que é?”, perguntamos. Moro respirou fundo, ameaçou falar alguma coisa, mas se conteve. A guerra está só começando. Acompanhe nas próximas páginas os principais trechos desta conversa.

“O COMBATE À CORRUPÇÃO NÃO É PRIORIDADE DO GOVERNO”
O ex-ministro Sergio Moro recebeu VEJA em seu apartamento em Brasília. Na entrevista, que durou duas horas, ele lembrou que aceitou o cargo de titular da Justiça diante do compromisso assumido por Bolsonaro com o combate à corrupção. Aos poucos, porém, foi percebendo que esse discurso não encontrava sustentação na prática do governo — e ficou bastante incomodado quando viu o presidente se aproximar de políticos suspeitos:

“Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”.

A LENDA - O ex-juiz da Lava-Jato era, até dias atrás, tratado como “herói” pelos militantes bolsonaristas, mas,… Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 

O senhor acusou o presidente Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal. Tem provas disso? O presidente tem muito poder, tem prerrogativas importantes que têm de ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas, na minha avaliação, arbitrariamente. Não teria nenhum problema em substituir o diretor da PF Maurício Valeixo, desde que houvesse uma causa, uma insuficiência de desempenho, um erro grave por ele cometido ou por algum de seus subordinados. Isso faz parte da administração pública, mas, como não me foi apresentada nenhuma causa justificada, entendi que não poderia aceitar essa substituição e saí do governo. É uma questão de respeito à regra, respeito à lei, respeito à autonomia da instituição.

E quais eram as motivações políticas? Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar.

“NÃO POSSO ADMITIR QUE O PRESIDENTE ME CHAME DE MENTIROSO”
O presidente Bolsonaro rebateu as acusações do ex-ministro. Ele negou que houvesse tentativa de interferência política na Polícia Federal e acusou Sergio Moro de tentar negociar a demissão do diretor da PF em troca de sua nomeação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Moro conta por que divulgou uma mensagem trocada entre ele e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e outra entre ele e Bolsonaro:

“Eu apresentei aquelas mensagens. Não gostei de apresentá-las, é verdade, mas as apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo. Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente. Ele sabe quem está falando a verdade. Não só ele. Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade. Por esse motivo, apresentei aquela mensagem, que era um indicativo de que eu dizia a verdade, e também apresentei a outra mensagem, que lamento muito, da deputada Carla Zambelli. O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo”.

IMAGEM QUEIMADA… – depois das acusações que fez contra o presidente, foi alvo de ataques e chamado de “traidor” Pedro Ladeira/. 

Na mensagem, Bolsonaro cita uma investigação sobre deputados aliados e afirma que aquilo era motivo para trocar o diretor da PF. O que exatamente queria o presidente? Desculpe, mas essa é uma questão que também vai ter de ser examinada dentro do inquérito que foi aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar esse caso. Reitero a minha posição. Uma vez dito, é aquilo que foi dito. Não volto atrás. Seria incoerente com o meu histórico ceder a qualquer intimidação, seja virtual, seja verbal, seja por atitudes de pessoas ou de outras autoridades.

O senhor sofreu algum tipo de ação intimidatória após as revelações que fez? Atacaram minha esposa e estão confeccionando e divulgando dossiês contra ela com informações absolutamente falsas. Ela nunca fez nada de errado. Nem eu nem ela fizemos nada de errado. Esses mesmos métodos de intimidação foram usados lá trás, durante a Lava-­Jato, quando o investigado e processado era o ex-presidente Lula.

“NUNCA FOI MINHA INTENÇÃO SER ALGOZ DO PRESIDENTE”
Depois das denúncias de Moro, o Supremo Tribunal Federal determinou que fosse aberto um inquérito para apurar se o presidente tentou de fato aparelhar a PF para fins políticos. Em seu parecer, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que também fossem investigados os crimes de denunciação caluniosa e contra a honra — ilícitos que, em tese, podem ter sido praticados por Moro:

“Entendi que a requisição de abertura desse inquérito que me aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa foi intimidatória. Dito isso, quero afirmar que estou à disposição das autoridades. Os ataques mais virulentos vieram principalmente por redes virtuais. Não tenho medo de ofensa na internet, não. Me desagrada e tal, mas se alguém acha que vai me intimidar contando inverdades a meu respeito no WhatsApp ou na internet está muito enganado sobre minha natureza”.

RISCO DE PROCESSO - Aras: pedido de investigação por denunciação caluniosa e crime contra a honra do presidente Andressa Anholete/Getty Images

O senhor recebeu mais críticas ou apoios por se demitir do cargo e acusar o presidente? A opinião pública compreendeu o que eu disse e os motivos da minha fala. É importante deixar muito claro: nunca foi minha intenção ser algoz do presidente ou prejudicar o governo. Na verdade, lamentei extremamente o fato de ter de adotar essa posição. O que eu fiz e entendi que era minha obrigação foi sair do governo e explicar por que estava saindo. Essa é a verdade.

Qual é hoje a sua opinião sobre o presidente Bolsonaro? Pessoalmente, gosto dele. No governo, acho que há vários ministros competentes e técnicos. O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia. Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção.

“NÃO QUERO PENSAR EM POLÍTICA NESTE MOMENTO”
Em todas as grandes manifestações dos apoiadores do presidente, a figura do ex-ministro da Justiça sempre ocupou lugar de destaque. Após sua demissão, ele passou a ser tratado nas redes sociais como traidor e oportunista que estaria tirando proveito político em um momento de fragilidade do governo:

“Lamento ter de externar as razões da minha saída do governo durante esta pandemia. O foco tem de ser realmente o combate à pandemia. Estou dando entrevista aqui porque tenho sido sucessivamente atacado pelas redes sociais e pelo próprio presidente. Hoje mesmo, quarta, ele acabou de dar declarações, ontem deu declarações. Venho sendo atacado também por parte das pessoas que o apoiam politicamente. Tudo o que estou fazendo é responder a essas agressões, às inverdades, às tentativas de atingir minha reputação”.

MANDANTE - Adélio, que tentou matar o presidente: caso ainda não encerrado ./Divulgação

O que o senhor pretende fazer a partir de agora? Estou num período de quarentena. Tive 22 anos de magistratura. Deixei minha carreira com base em uma promessa não cumprida de que eu teria apoio nessas políticas de combate à corrupção. Isso foi um compromisso descumprido. Não posso voltar para a magistratura. Eu me encontro, no momento, desempregado, sem aposentadoria. Tudo bem, tem gente em situação muito mais difícil que a minha. Não quero aqui ficar reclamando de nada. Pedi a quarentena para ter um sustento durante algum tempo e me reposicionar, provavelmente no setor privado.

Fonte: VEJA

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ENTREVISTA: O PERUANO NOBEL DE LITERATURA MARIO VARGAS LLOSA ALERTA PARA OS EFEITOS NEGATIVOS DE UM RETROCESSO DA GLOBALIZAÇÃO

Nesta quinta-feira temos o peruano Mario Vargas Llosa como destaque da coluna ENTREVISTA. O Nobel de literatura diz que nos equivocamos quando acreditamos que a natureza estava dominada por causa do progresso e alerta para os efeitos negativos de um retrocesso da globalização e de ter um governo chinês como modelo. Leia a entrevista completa a seguir, conheça um pouco mais do grande escritor e tire suas conclusões!

Mario Vargas Llosa: “Com o progresso, acreditamos que a natureza estava dominada”

O ganhador do Nobel de Literatura passa o confinamento lendo Galdós na sua casa de Madri, e alerta para os efeitos negativos de um retrocesso da globalização e de ter o Governo chinês como modelo

O escritor peruano Mario Vargas Llosa na sua casa, em Madri, em 2019.O escritor peruano Mario Vargas Llosa na sua casa, em Madri, em 2019.SAMUEL SANCHEZ

“Acaba de sair o sol!”, dizia, às cinco da tarde do último sábado, Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura, com 84 anos recém-completados (em 28 de março). “Assim se levanta um pouco o ânimo.” O autor peruano passa o confinamento em sua casa de Madri, lendo Los Episodios Nacionales, de Benito Pérez Galdós (1843-1920).

Pergunta. Escute isto: “Fiquei sozinho como um cogumelo e tornei a fazer a vida monástica (…). Só continuarei aqui até o fim de mês, felizmente, porque é como viver na Lua (…). Sinto-me menos que um homem, que um animal ou que uma planta, um pedacinho de lixo, umas gotinhas de xixi, às vezes nem sequer isso. Não há um café, nem um cinema, e a ideia de fazer essa longa expedição até os lugares habitados me deprime…”.

Resposta. É a reflexão de um confinado, sem dúvida. De onde saiu isso?

P. É de uma carta que você escreveu ao seu amigo Abelardo Oquendo quando, em 12 de fevereiro de 1966, você estava escrevendo Conversa no Catedral. Como se sente agora?

R. Este confinamento é algo formidável para mim porque tenho um tempo para ler como nunca tive. Geralmente trabalho muito pelas manhãs, mas duas ou três tardes à semana tenho sempre algum encontro, alguma entrevista. Agora não vem ninguém! Posso ler dez horas por dia!

P. E está lendo Galdós.

R. Sim, praticamente já terminei Los Episodios Nacionales. Um trabalho gigantesco, em uma linguagem acessível, divertida. Ele se documentou, mas trabalhou com liberdade. Descreve o caos, as contradições, como são arbitrários alguns dirigentes partidários. E há esse personagem maravilhoso, Mosén Antón, que tem uma raivinha e passa para o lado dos franceses por mau humor. Imagine o que isso significa como caos.

P. Encontra nessa leitura algo que a relacione com a Espanha deste mês, por exemplo?

R. Sem dúvida nenhuma. Tínhamos a impressão de que, com o progresso e a modernidade, tínhamos dominado a natureza. Pois não! Uma grande idiotice. A prova é que isto pegou praticamente todos os países de surpresa. Nenhum estava preparado para um desafio assim. Um chinês come um morcego e isso provoca uma pandemia que aterroriza o mundo. Nenhum país estava preparado para um desafio semelhante. Isto significa como o progresso é relativo, como podemos ter surpresas muito desagradáveis com essa confiança. E uma das lições que será preciso tirar é que temos que estar mais bem preparados para o imprevisível.

P. O aspecto global também fica questionado.

R. Tudo tem um preço, e o preço negativo da globalização é este. Por outro lado, permite aos países pobres derrotarem a pobreza a grande velocidade, algo inesperado há poucos anos. Pela primeira vez hoje os países pobres têm possibilidades de saírem a uma velocidade impensável. Isso é algo que a globalização permite. Seria muito negativo que, como consequência desta pandemia, a globalização retrocedesse e voltássemos a levantar fronteiras que tanto trabalho custou diminuir.

P. Não lhe causa assombro que uma potência como os Estados Unidos seja atacada por um vírus e só possa ser defendida pela ciência, pelo acaso ou pela esperança?

R. Os Estados Unidos, que pareciam estar acima do bem e do mal, estava muito pouco preparados. Prova disso são as 2.000 mortes que ocorreram um dia destes. Havíamos confiado em que o progresso havia trazido tantos benefícios que já não haveria surpresas desagradáveis. Mas não! As surpresas desagradáveis estão à porta. É verdade que alguns países resistiram melhor que outros, mas não foi o caso dos países que acreditávamos estar na ponta do progresso, como os Estados Unidos.

P. Você foi um dos primeiros a levantar a voz em relação à manipulação que a China fez de seu próprio caso.

R. O caso da China é muito interessante, porque tem muita gente surpresa com progressos que a colocavam agora como modelo: sacrificar as liberdades abrindo um mercado livre na economia. Agora ficou demonstrado que o progresso sem liberdade não é progresso, e o caso da China foi flagrante. Um país que se vê sacudido por uma pandemia como esta, que nasce em seu seio e diante da qual os próprios dirigentes agem de maneira autoritária, tentando esconder o que seus melhores médicos denunciaram que iria acontecer. Foi o típico reflexo de um sistema autoritário: negá-lo, obrigar esses médicos a se desmentirem. Muitas vidas poderiam ter sido salvas se um Governo como o chinês tivesse informado imediatamente.

P. Trump, Bolsonaro e Johnson resistiram a entender que isso também acontecia com eles…

R. Isso custou muitas vidas! Agiram de forma irresponsável, pensando que poderiam driblar a ameaça. Acredito que os eleitores dos países democráticos e livres os examinarão, sem dúvida pagarão por isso. Seguiram aquele reflexo autoritário de não dar importância quando se tratava de um perigo tão sério.

P. Como vê a situação da América Latina?

R. Felizmente a pandemia chegou lá no verão. E o calor é dissuasivo para o vírus [ainda não existem estudos concretos que apontem para esta relação]. Ele a está golpeando, mas muitíssimo menos do que se tivesse chegado no inverno [no Brasil e Equador o número de casos não para de aumentar]. Do contrário seria difícil explicar que o Peru, com uma infraestrutura que não está à altura do desafio, ainda não chegou a cem mortos. De qualquer forma, meu país respondeu vigorosa e rapidamente, de modo que o presidente Martín Vizcarra aumentou enormemente sua popularidade.

P. Compartilha as advertências sobre a possibilidade de que as normas para combater a pandemia firam as liberdades civis?

R. Sem dúvida. Infelizmente essa é uma das consequências do pânico generalizado causado pela pandemia… Estava em andamento um processo de dissolução de fronteiras. A globalização estava funcionando muito bem. No entanto, o terror dessa pandemia corre o risco de nos fazer retroceder a essa espécie de retorno à tribo, acreditando que essas fronteiras nos protegerão melhor contra a pandemia. Não é verdade. Acredito que hoje em dia a resposta generalizada da Europa à pandemia está poupando muitas vidas em relação com fatos do passado.

P. Como viu a atitude da Europa?

R. É um pouco injusto criticar os países que fizeram bem a lição de casa e estão expostos a demandas daqueles que nem sempre a fizeram. Finalmente, houve um acordo através de uma negociação difícil. Aceitaram fazer parte de uma unidade como a europeia e vamos compartilhar esse progresso graças à compreensão daqueles que fizeram bem a lição de casa.

P. No final do seu artigo de 18 de março no EL PAÍS [Retorno à Idade Média?], você diz: “O terror à peste é, simplesmente, o medo da morte que nos acompanhará como uma sombra”. Você teve medo?

R. Acredito que é impossível não ter medo da morte se você não estiver muito desesperado ou tiver uma vida demasiado trágica para desejar que ela acabe. Essa é a exceção à regra. O normal é ter medo da extinção. Em uma situação como a que vivemos agora, vendo amigos ou conhecidos que desaparecem arrastados por essa doença, é impossível que o medo da morte não se espalhe. É a reação saudável, natural. Além disso, graças à morte a vida é maravilhosa, tem essas compensações fantásticas, como a leitura, por exemplo. Espero que aumente graças à pandemia!

A Europa estará melhor

Não se pode aceitar, diz Vargas Llosa, que esta crise represente um retrocesso para a Europa. É preciso corrigir os defeitos, é claro, “mas os países da União Europeia estarão melhores”. Em primeiro lugar, “a paz na Europa continuará, uma realidade sem precedentes porque até agora as pessoas não fizeram nada além de se inimizar”. Essa é uma projeção que incentiva que o futuro “não seja de retrocesso, mas de avanço, com o desvanecimento total das fronteiras, para consolidar um projeto supra-estatal que agora traz tantos benefícios”.

Fonte: EL PAÍS

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ENTREVISTA: O MAIS IMPORTNATE ARTISTA CHINÊS DA ATUALIDADE DIZ QUE O CAPITALISMO CHEGOU AO FIM

Caro(a) leitor(a),

Ai Weiwei é o maior artista plástico chinês vivo. É renomado e reconhecido mundialmente. Já foi entrevistado no programa Roda Viva da TV Cultura e vive no Reino Unido por banimento ao se rebelar contra o Partido Comunista da China liderado por Xi Jinping. Nesta ENTREVISTA ao Jornal El País é possível, conhecer um pouco mais da face obscura do Sistema Comunista da China e e os impressionantes problemas internos que o monstro asiático enfrenta para se sustentar como potencia mundial. Leia a ENTREVISTA completa a seguir e entenda a responsabilidade da China nessa pandemia mundial.  

Ai Weiwei: “O capitalismo chegou ao seu fim”

Mais importante artista chinês, célebre dissidente do regime comunista, critica a gestão da China sobre a pandemia: “Se este desastre pôde se expandir, se deve em grande parte pela China ter escondido a verdade”

Ai Weiwei, apresentando sua exibição na Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen no ano passado.Ai Weiwei, apresentando sua exibição na Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen no ano passado.FEDERICO GAMBARINI/GETTY IMAGES

Ai Weiwei é um dos dissidentes chineses que mais denunciou a falta de direitos humanos que impera no mundo, assim como o dano que a falta de liberdade de expressão causa na China. O artista vivo mais importante do país asiático lidera o ranking mundial de autores que atraem mais visitantes aos museus: no ano passado, 1,1 milhão de pessoas foi a uma de suas exposições itinerantes no Brasil, mais do que Van Gogh, Klimt e Munch.

A relação entre Ai Weiwei e o Partido Comunista Chinês foi durante anos como de cão e gato. Após ficar preso por 81 dias acusado de evasão fiscal, o artista, ao voltar para sua casa, respondeu à vigilância a que era submetido transmitindo sua vida como protesto. Em 2015, por fim, abandonou seu país e foi para Cambridge, Inglaterra. Hoje está confinado, ainda que dessa vez compartilhe os motivos. Ai Weiwei (Pequim, 1957) fala sobre a crise mundial sem precedentes que a Covid-19 provocou. Aponta o vínculo entre os desastres que assolam o planeta e a falta de valores humanistas durante uma entrevista que começa por telefone e termina por e-mail. São questões essenciais em sua obra e as hasteia com veemência. Talvez sejam as experiencias de sua infância que forjaram seu caráter crítico: acompanhava seu pai, o poeta Ai Qing, para realizar trabalhos forçados no campo e limpar latrinas como castigo por suas críticas ao Partido Comunista. O mais provável é que não possa voltar a seu país. Acusa o Governo de ter destruído seu estúdio em Pequim sem aviso prévio. Acaba de publicar um livro de aforismos na Espanha: Humanidad (Humanidade) pela editora Paidós, em fevereiro de 2020.

Pergunta. O chamado coronavírus está assolando o mundo como se fosse uma grande tempestade, mudando nosso modo de interagir e viver. Como vê o que estamos experimentando?

Resposta. A epidemia chegou repentinamente, ninguém estava preparado para isso. O que se diz é que é um vírus muito democrático porque ataca todos da mesma forma. Os desastres que vimos antes, incluindo as guerras, eram de caráter regional. Essa é a primeira vez que me vejo em meio a um desastre de caráter global.

P. O vírus desatou ondas de racismo. O presidente dos Estados Unidos chegou a chamá-lo de “vírus chinês”. O que o senhor pensa disso?

R. Não é estranho nomear um vírus baseando-se em seu local de origem. É como uma pessoa, pode ter nome e apelido. Covid-19 seria seu nome oficial. Não acho que exista discriminação racial nesse assunto. Além disso, todas as culturas têm um grau de preconceito em relação a outras. Enquanto esses preconceitos não prejudicarem a dignidade nacional e a dos indivíduos, não acho que seja um problema. O grave é que o vírus surgiu e se propagou pela falta de transparência do Governo chinês. A perda de vidas global foi enorme. Por isso, não acho ruim que se chame “vírus chinês”. Espero que chamá-lo assim sirva para que os chineses e seus políticos percebam que a única maneira de contar com um mundo justo e seguro é garantindo a liberdade de expressão.

P. Qual o papel da liberdade de expressão na propagação do vírus na China e, depois, no mundo?

R. Ocorreram tantos desastres na China, e cada um deles esteve ligado a uma coerção da liberdade de expressão. Sua falta é em si um desastre humanitário. Estamos fartos de saber disso. Do contrário, eu não teria ficado no estrangeiro. A liberdade de expressão é como um vírus, e pode ser ofensivo a alguns organismos. O Partido Comunista Chinês é uma organização mais forte do que qualquer outra no mundo e exerce sua autoridade através do controle do pensamento e do discurso das pessoas. Se esse desastre pôde se expandir se deve em grande parte pelo fato da China ter escondido a verdade. A Organização Mundial da Saúde foi cúmplice disso ao não dar a gravidade e magnitude devidas ao problema, negando que estivéssemos diante de uma epidemia.

“Os refugiados confinados em acampamentos dos quais não podem sair deveriam receber ajuda prioritária”

P. O Governo chinês está ajudando muitos países, doando máscaras e material médico. O que acha dessa estratégia?

R. A China, ao encarar um desastre, em vez de assumir suas responsabilidades, faz trocas de favores políticos, politizando os princípios humanitários. O espírito humanitário está sendo distorcido. E me refiro também a todas as crianças em campos de refugiados. Não podem sair, estão confinadas em acampamentos, deveriam receber ajudar prioritária, e acrescento os presos. O Irã ordenou a libertação dos seus enquanto o vírus durar, mas continua sendo um país sancionado pelos Estados Unidos. Quando a ideologia e a animosidade política obstruem a solução dos desastres humanitários, isso pode ser considerado um crime. Atualmente, nenhum país pode condenar outro, o mundo está no caos. Por que o Reino Unido não liberta Assange? É uma figura fundamental na liberdade de imprensa e de expressão; agora, entretanto, deverá enfrentar uma possível extradição aos Estados Unidos e uma pena de até 175 anos. Manter uma coerência ética não é fácil, as pessoas só percebem os desastres que afetam suas regiões, mas os desastres estão conectados.

O artista chinês Ai Weiwei.

O artista chinês Ai Weiwei.ZENITH RICHARDS / CAMERAPRESS / CONTACTOPHOTO

P. Hoje se debate, para enfrentar a crise, a democracia é menos eficiente do que um sistema autoritário. O que o senhor acha?

R. Visto da superfície, a China conseguiu controlar rapidamente a epidemia. Mas pagou um preço que não é visível: a saúde emocional de toda a sua população, que foi trancada em jaulas como animais, obrigada pela força a ficar confinada durante mais de dois meses. Uma sociedade que vive sob um regime autoritário funciona como um exército e as pessoas são como animais em cativeiro. Após ter vivido sob forte controle por mais de 70 anos, perderam o valor de se rebelar. Se o Ocidente acha que manter essa situação é benéfica, será pela estupidez e por motivos sub-reptícios. Muitos têm interesse em fazer negócios com a China. Basta negar a existência de Taiwan e não se relacionar com o Dalai Lama.

P. Dizem que as pessoas de países como a Coreia do Sul, Japão e China são mais submissas. Que o confucionismo faz com que os indivíduos acatem melhor as ordens.

R. Se o pensamento de Confúcio fosse realmente praticado, o regime não seria tão violento. Nós chineses não somos nada submissos. É só ver como tratamos os animais e a brutalidade de certos crimes. O Governo também não é dócil com seu povo. Promove essa imagem para manter as aparências.

“Nós chineses não somos nada submissos, é só ver como tratamos os animais e a brutalidade de certos crimes”

P. O que o senhor pensa do modelo chinês? Está em crise?

R. O [Estado chinês] é um grupo de interesse que se tornou cada vez mais forte com a introdução do capital, se transformou em capitalismo de Estado. A livre concorrência e a economia de mercado sob a premissa da liberdade individual não existem, tudo está sob o controle do Partido. O Ocidente perdeu sua vantagem competitiva, encontrou um competidor poderoso e incontrolável porque desobedece às regras. O que está acontecendo é uma grande lição, mas poderemos aprender com essa lição? Nós nos movimentamos por interesses. Empreendemos projetos somente quando nos trazem lucros, nos esquecendo dos princípios. A Europa e os Estados Unidos apoiaram o regime chinês, não se manifestaram sobre o assassinato de um jornalista em uma embaixada da Arábia Saudita na Turquia. Quando a impunidade é permitida, quem a permite perde o direito de falar sobre o que é justo e injusto. Se o Ocidente se deixa guiar somente pelos lucros e os interesses, será bem merecido quando sofrer perdas.

P. Considera que o capitalismo está em crise?

R. O capitalismo chegou ao seu fim. Não pode continuar desenvolvendo-se moral e eticamente. Causa problemas às pequenas nações, se apodera dos recursos do planeta, saqueia sem freio. A China alimenta os interesses das grandes empresas ocidentais e estas tornaram a China cada vez mais poderosa. Essas empresas não são restringidas por nenhum Estado, nação e cultura. A China está disposta a fazer coisas que não podem ser feitas no Ocidente. A globalização está sendo feita sobre a base do desenvolvimento do capitalismo e o colonialismo. A crise subjacente é palpável, e os desastres por vir ocorrerão mais de uma vez. Como fazer o desenvolvimento livre de um país de 1,4 bilhão de pessoas sob um regime autoritário? O desenvolvimento de uma sociedade depende da legitimidade de seus Governos. E após 70 anos no Governo, o Partido ainda não resolveu esse problema. Essa é a verdadeira crise que a China enfrenta.

P. Muitos países fecharam suas fronteiras, até a globalização começou a ser questionada: isso é atribuído à rapidez com que o vírus se deslocou. Como o senhor vê isso?

R. Se os Estados Unidos constroem um muro que os separa do México, então onde estão a liberalização e a globalização? Para o capital não existem barreiras, o capital circula livremente no mundo. O sonho da globalização é resolver tudo com dinheiro. Os refugiados chegaram às terras europeias e foram tratados pior do que os prisioneiros. Por acaso abandonaram seus lares voluntariamente? Os desastres não acabarão, virão um após o outro, porque os humanos violaram muitos princípios morais.

P. O senhor sabe o que é estar confinado. Viveu isso à força na China. O senhor está acostumado ao isolamento? O que faz Ai Weiwei confinado em casa?

R. Entendo o isolamento, é uma medida que responde à desconfiança das pessoas em relação à ordem social existente. A liberdade individual só pode se basear na confiança pública. Pessoalmente, não me afeta em nada. Passo mais tempo com minha família, o que é motivo de alegria. Isso me permite refletir sobre os assuntos que geralmente me interessam. Penso muito no humanismo, meu último livro se chama Humanidade. Esse desastre nos fez comprovar que nesse mundo já não existem regiões e uma liberdade regional. Essa epidemia nos alertou que o enriquecimento de grupos empresariais e regionais através da globalização deve acabar. Caso contrário, as desgraças por vir serão ainda maiores.

P. Do que sente falta da China? Pode voltar a seu país ou está em estado de exílio absoluto?

R. Não posso voltar, é impossível expressar minhas opiniões lá. A expressão é vital à criação. Não poder fazê-lo é como perder a vida. Não tenho saudades. Sinto falta de minha mãe, de meus irmãos. É minha terra, me é familiar. É meu idioma e tenho amigos lá. Mas, enquanto a China for só um conceito político, não tenho nenhum desejo de retornar.

P. Como sua infância impactou sua arte? Esteve marcada pelas experiências de seu pai, que foi enviado para trabalhar no campo durante a revolução cultural, onde limpou banheiros, morou em buracos escavados no solo.

R. As recordações da infância nos marcam, é como quando uma árvore cresce, sempre estará ligada às suas razies. É inegável que meu capital vivencial está ligado às experiências da geração de meu pai. Tudo aquilo que me ajudou a compreender melhor o valor do humano e a importância de preservar a vida. Qual é o significado dos direitos humanos? É uma pergunta que me faço constantemente. E esse tema influenciou minhas obras. Minha vida é uma obra: minha vida e a própria vida.

Mais repressão

A censura aos dissidentes se intensificou com a crise do coronavírus. Xu Zhiyong, acadêmico crítico ao Governo, foi preso em 15 de fevereiro no sul da China após participar de uma reunião com ativistas. Está em paradeiro desconhecido, investigado por “incitação a subverter o poder do Estado”. Fundador do movimento Novos Cidadãos, publicou um artigo no começo de fevereiro alegando que Xi Jinping, o presidente da China, era “incapaz de lidar” com a crise do coronavírus. A doutora Ai Fen, diretora do setor de emergências do hospital central de Wuhan, figura que participou dos alertas lançados sobre o surto quando o Partido Comunista Chinês (PCCh) estava desesperado para escondê-lo, também deixou de fazer declarações. “As redes sociais estão sendo sujeitas a um escrutínio maior, recebemos a visita da polícia por comentários que fizemos em grupos de chat da Internet”, diz uma escritora dissidente residente em Pequim que pediu para se mante no anonimato.

Fonte: EL PAÍS

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ENTREVISTA: O DEPUTADO OSMAR TERRA DÁ O CAMINHO PARA SAIR DA CRISE

Na coluna ENTREVISTA desta sexta-feira temos o ex-ministro do governo Bolsonaro Osmar Terra, que foi Secretário de Saúde por 08 anos no Estado do Rio Grande do Sul e enfrentou a epidemia do N1H1, dando importantes e esclarecedoras dicas sobre como administrar essa crise, para que ela não se converta de crise de saúde em crise econômico-social, para não dizer o caos!

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ENTREVISTA: NEVA (GABRIEL RL) CONCEDE ENTREVISTA INÉDITA AO SITE “EU SEM FRONTEIRAS”

texto

Entrevista de Neva (Gabriel RL) concedida ao site “Eu Sem Fronteiras”

Ilustração de uma árvore gigante no planeta Terra, atrás da qual a lua se esconde
Gabriel RL
Escrito por Gabriel RL

Eu Sem Fronteiras: Estamos atravessando uma fase de grandes mudanças e sabemos que isso tudo está acontecendo por causa da Transição Planetária. Embora haja um Plano Universal para isso, que nos traz a certeza de que tudo isso que vemos e sentimos faz parte desse processo, ainda convivemos com energias dualistas, que muitas vezes nos desorientam. Como você poderia nos explicar o porquê de isso acontecer?

Imagem em time lapse de um céu noturno, rodeado por estrelas, acima de um rio.

NEVA (Gabriel RL): De fato, para muitos, o que traz essa certeza é a confiança no Plano Universal, pois mesmo não vendo o quadro alargado das situações, nós o sentimos em nosso ser, profundamente, e temos a convicção de que está tudo certo, tudo dentro do plano, e cabe a nós mantermos essa energia de confiança, até a conclusão de tudo.

Estar em um mundo onde a essência deste devido à necessidade do aprendizado é a dualidade certamente para algumas almas acostumadas às energias mais sublimadas, mais sutis e que vieram de ambientes muito diferentes da Terra é algo extremamente desgastante. Mas é justamente essa energia que essas almas trazem desses ambientes sublimes, que vai ajudar no equilíbrio da Terra e ajudar a todos aqueles que ainda não conseguiram sequer visualizar um mundo mais sublimado. Então, somos nós aquelas almas chamadas para virem às pressas à Terra, a fim de ajudar no processo. E por mais que seja muito difícil devido ao extremo da dualidade aqui expresso, no final seremos muito gratos por termos participado desta experiência. Pouco a pouco, vai-se tendo mais calma, mais suavidade, e ainda que a dualidade deste mundo continue vamos ancorando o que somos, de fato. A dualidade já não fará mais tanto efeito porque a cada novo dia, a cada ancoragem e confiança nossa, as energias mais sublimes vão tomando conta de nós, pois isso é quem realmente somos. As energias da dualidade, densidade e quaisquer energias não sublimadas que ainda existam na Terra não terão mais efeito sobre qualquer um de nós. De fato, essa era uma das nossas grandes missões: “aguentar” as pressões da Terra até o fim, e mostrar que não seríamos abalados em nossa essência. Fosse difícil como fosse, manteríamos a nossa energia primária intacta, que é a nossa sublimidade. É isto o que vai fazer a diferença no mundo: a nossa capacidade de nos mantermos em paz em meio ao caos, pois serão nossos olhos transmitindo paz que serão os procurados nos tempos mais turbulentos.

Eu Sem Fronteiras: Sentimos energias densas, uma percepção diferente do tempo, como se nossas ações não gerassem muitos movimentos. Como costumamos dizer, as coisas parecem paradas. Por que isso está acontecendo? Que sintomas isso nos traz, tanto no nível físico como no mental e espiritual?

Placa proibindo ir à direita ou à esquerda.

NEVA (Gabriel RL): No fundo, grandes mudanças estão acontecendo, sim, e sentir energias densas faz parte desse processo. Passamos muitas eras experimentando a mais profunda densidade e o que resta agora é uma “rapa do tacho”. Só que muitos estão cansados, e ao mínimo pressionar das velhas energias parece que algo extremamente denso está dominando-os, quando, na verdade, não é como no passado, mas, sim, o fim de uma velha energia. Como superar esse cansaço? Eu recomendo meditações com o Raio Azul do Arcanjo Miguel, que é o raio da força, disciplina, força de vontade, encorajamento, empoderamento, autoestima, precisão, determinação. Sempre que sentir uma sensação de esgotamento energético, invoque o Arcanjo Miguel e seus Anjos, Mestre El Morya e todos os seres do Raio Azul. Sentirão como se uma injeção de adrenalina estivesse sendo aplicada em vocês. É uma força muito grande. Sinto a presença do Arcanjo Miguel aqui…

“Nunca pensem que seus esforços estão sendo em vão; nunca desacreditem daquilo que estão construindo e ainda vão construir. Não há nada mais sublime do que ver a transformação ocorrendo. Vocês estando dentro dela e regendo todo esse movimento aguardado pelas eras. Grandes profetas anunciaram vocês. As eras anunciaram vocês. Gaia anunciou vocês. Então agora resta, simplesmente, acreditar em vocês mesmos e que têm toda a ajuda que precisarão. Não há força alguma não positiva que possa anular ou adiar o que as eras previram. Há um “aglomerado” de momentuns alcançados e estes apontam e fortificam este seu momentum de agora. Nada pode pará-los. E eu estarei com vocês, sempre. Miguel.”

Eu Sem Fronteiras: Vemos muitas pessoas se referindo a mudanças substanciais em sua vida: rompimentos de todo tipo, relacionamentos familiares, românticos, de trabalho etc. Como devemos encarar tudo isso? E ainda: é real a questão de que os carmas estão sendo finalizados?

Mulher caminhando sobre chão coberto de pratos quebrados.

NEVA (Gabriel RL): Estamos realmente numa fase de fechamento e abertura de novos ciclos. É muito simples. A Terra está em uma grande transformação. Está havendo algo como a chamada “separação do joio do trigo”. Carmas sendo finalizados e Darmas chegando. É preciso ter o coração muito aberto e confiar em todas essas transformações. Muitas vezes, você pode estar sendo demitido de um emprego e ficar muito triste com isso porque você tinha amigos ali. Gostava do que fazia, gostava do seu chefe, dos diretores, enfim. Mas a vida movimentou energias e você agora não está mais ali, mas é preciso confiar. Não esqueça que você tem amigos espirituais que o ajudam, que estão sempre orientando-o, mostrando as sincronicidades para que tudo vá se ajeitando, sempre para o seu melhor. Apesar de ser difícil e, às vezes, extremamente doloroso, sejamos gratos. Acordemos sendo gratos, vivamos o dia sendo gratos e adormeçamos sendo gratos, pois é essa a energia também que o impulsionará e lhe trará sempre o melhor. Tudo acontece para o seu aprendizado. Por mais doloroso que possa ser, é para o seu aprendizado. E, se você não vê o quadro mais alargado agora, verá à medida que o tempo for passando. É como um meio de transporte: você chegou correndo para pegá-lo e ele já havia saído. Mas era o transporte que o levaria a seu destino, digamos uma entrevista de emprego. Você se arrumou, se preparou para aquela entrevista, foi até o local onde pegaria o transporte que o levaria até seu destino e, apesar de você ter corrido muito, lá chegando, o veículo já tinha saído. Você se desespera tentando pegar outro, tentando fazer algo para chegar a tempo, acaba não conseguindo e perdendo aquela entrevista. Mas, no caminho de volta para casa, você se senta ao lado de uma pessoa. Essa pessoa, percebendo a sua tristeza, pergunta se pode ajudar. Você diz que está precisando de emprego e acabou não podendo ir à entrevista, pois não chegou a tempo de pegar o transporte. Ocorre que essa pessoa diz que estava justamente precisando de alguém para um trabalho e… Adivinhe? É um trabalho melhor do que o que você teria se tivesse chegado a tempo na outra entrevista. Quantas vezes muitas pessoas perderam um voo e esse avião em que viajariam caiu? Queridos, tudo é como tem que ser. Às vezes, certas situações podem ser livramento de coisas piores para que venham coisas melhores para o seu caminho. Só confie e entregue. O Amor de Deus não tem limites e seu EU Superior quer sempre o seu melhor.

Eu Sem Fronteiras: Nesse período, muitas pessoas estão se sentindo solitárias. Como podemos lidar e aceitar amorosamente essa solidão?

Mulher em um quarto fechado, sozinha, olhando por uma pequena janela.

NEVA (Gabriel RL): Pelas eras, houve, de fato, um abandono de si mesmos, para que o jogo aqui na Terra pudesse ser jogado com mais intensidade. (Isso também fazia parte do plano e da experiência.) Essa era uma das formas de se conseguir adentrar essa dualidade completamente esquecendo-se de si mesmos e mergulhando na experiência. Sem contar a solidão ocasionada pela separação da Fonte, para mergulhar nessa experiência (vide mensagem de Adamu: https://www.sementesdasestrelas.com.br/2019/10/adamu-pleiadiano-o-contrato-para.html). Só que essa experiência está chegando ao fim, e não há mais necessidade disso. Agora está havendo o chamado para um mergulho profundo em si mesmo para reencontro consigo próprio e, devido a esse autoabandono tão intenso, muitos estão sentindo dificuldades de se reencontrarem. É como se não tivessem a companhia delas mesmas, como se faltasse algo. Em verdade, falta sim. Falta enxergarem elas mesmas e a sua grandiosidade. Este é um momento muito importante. Momento para solitude, para que haja esse mergulho ainda mais profundo em si e SE RESGATAR. Resgatar a si mesmo das profundezas intrínsecas. Enquanto o véu cai e vai sendo visto que tudo era fantasia, que todo o jogo externo era apenas uma ilusão, é inevitável uma imensa frustração, seguida de raiva, decepção, descontentamento e desânimo, para que esses sentimentos o forcem a ir mais para dentro, onde há o maior tesouro, e ali você se encontre dentro de você. Todo o externo, as ilusões externas não fazem mais sentido. Daí a sensação aparente de vazio, de desânimo. “Não tem mais graça o externo”, algo assim. E vem esse primeiro pacote de melancolia. Isso, como disse, é para forçá-lo a ir para dentro de você, encontrar você mesmo e as maravilhas que existem dentro de si. Isso tudo foi programado por você mesmo, e não é para se culpar ou se punir. Fez parte da experiência que você mesmo escolheu.

Comece a sair mais com você mesmo, a ficar um pouco mais sozinho. Quando se sentir triste, abrace-se mais, assista a bons filmes, divirta-se com você mesmo, comece a se sentir bem com você mesmo. Faça coisas que gosta de fazer. Claro, não estou dizendo que a partir de agora você abandone as suas amizades, os seus relacionamentos, não é isso! Mas apenas que você precisa mais ser o seu melhor amigo, o seu melhor parceiro, o seu melhor companheiro. Estou dizendo para dar um pouco mais de atenção a você mesmo. Você está voltando para casa, e a casa é dentro de você. Vou deixar aqui uma meditação que canalizei recentemente para ajudar nesse processo: https://www.youtube.com/watch?v=uCM84JfN-6s.

Muito grato mais uma vez pela oportunidade de compartilhar com vocês estas percepções e energias. Deixo o meu carinho e profundo agradecimento!

Deixo também um link para quem deseja ter algum atendimento pessoal comigo e/ou acesso a algumas das tecnologias canalizadas por mim.

https://www.sementesdasestrelas.com.br/2018/09/atendimentostrabalhos-de-gabriel-rl.html

https://www.sementesdasestrelas.com.br/2017/01/atendimentostrabalhos-de-gabriel-rl.html

Pela Verdade, nada mais que a Verdade,

Em Amor e Bênçãos,

Neva (Gabriel RL)

Fonte: Eu Sem Fronteira

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ENTREVISTA: HELEN O’CONNELL E A AINDA DESCONHECIDA ANATOMIA DO CLITÓRIS

Nesta esclarecedora ENTREVISTA a urologista e descobridora do clitóris Helen O’Connell diz que apesar de mapeado e descrito com todos os seus elementos a anatomia do clitóris desde 1998, não é nenhuma surpresa que não se conheça a anatomia do clitóris. É a nossa herança cultural, diz a cientista.  Leia essa curiosa entrevista e conheça tudo o único órgão humano projetado para o prazer!

HELEN O’CONNELL | UROLOGISTA E DESCOBRIDORA DO  CLITÓRIS

“Não é surpresa que não se conheça a anatomia do clitóris. É nossa herança cultural”

Helen O’Connell não foi apenas a primeira australiana especializada em urologia. Ela também descreveu com todos os seus elementos a anatomia completa do clitóris numa data bem recente, o ano de 1998

Helen O'ConnellA urologista australiana Helen O’Connell, em uma foto de dezembro de 2018. KRISTOFFER PAULSEN

Do outro lado do mundo vive uma pioneira a quem as mulheres (e os homens) devem muito em termos de prazer sexual. Helen O’Connell não foi apenas a primeira australiana especializada em urologia. Ela também descreveu com todos os seus elementos a anatomia completa do clitóris numa data bem recente, o ano de 1998. A cirurgiã detalhou sua vascularização e constatou que sua inervação era mais potente do que previamente observado. Além disso, incluiu os bulbos cavernosos como parte da estrutura, de forma piramidal, e explicou suas relações com a uretra e a vagina. O único órgão humano projetado para o prazer tem sido sua obsessão e concentrou grande parte de suas pesquisas, que também enfocam o famoso ponto G. Ela investigou a representação do clitóris ao longo da história. “Há muito lixo, mas no meio disso há descrições muito boas, como as de [Reigner] De Graaf (século 17), [Georg Ludwig] Kobelt (século 19, que não a considerava um órgão completo), de pessoas que fizeram dissecações em vez de permanecer com as mesmas imprecisões que lhes tinham sido transmitidas”, afirma. Aos 57 anos, ela é a chefa de Cirurgia e Urologia em um hospital público de Melbourne, com um currículo volumoso. Recém-chegada a seu consultório, responde via Skype quando ainda é madrugada na Espanha.

Pergunta. Por que é considerada a descobridora do clitóris?

Resposta. Eu fiz meu doutorado sobre este órgão. Calculo que passei 10 anos pesquisando e continuo realizando estudos relacionados a ele. O livro de anatomia no qual estudamos para ser cirurgiões era inadequado. Flagrantemente errado. Isso me deu uma pista de que poderia haver um problema maior. E provei que havia. Muitos livros, também textos ginecológicos, a maioria da literatura médica moderna, apresentavam erros ou imprecisões. A Anatomia de Gray, uma espécie de Bíblia para nós, era francamente inexata. Afirmava que o clitóris é como o órgão masculino, apenas menor e não o descrevia.

P. Então, se interessou em pesquisar esse órgão.

R. Começamos fazendo estudos em cadáveres. Passei muito tempo determinando, com corpos e outros materiais, como era o órgão normal, a relação entre seus componentes e a uretra e a vagina. E entre todas essas partes e a vulva. Quais eram as camadas que levavam a esses órgãos, os vasos sanguíneos… Fizemos mais de cem estudos. Conseguimos responder a muitas perguntas por meio de um processo sistematizado. Não fui a única. Eu tinha uma equipe que me ajudava a determinar qual era o próximo passo.

P. Qual foi sua contribuição mais importante em termos anatômicos?

R. Nos textos não especializados se conhece como clitóris a glande ou a ponta externa do órgão. E essa é uma parte muito pequena de toda a estrutura, que está mergulhada profundamente sob a pele, com vários componentes que se encaixam em um espaço entre a vulva e o monte de Vênus, envolvendo a entrada da uretra e a vagina. Acho que minha principal contribuição é mostrar qual é a forma e o tamanho de cada parte integrante do clitóris. Definitivamente, deixar claro que você está errado se pensa que a ponta é todo o órgão.

P. Por que 22 anos depois daquele primeiro artigo o clitóris permanece desconhecido entre as mulheres e também entre os homens?

R. O que você está falando é na realidade do contexto cultural da sexualidade feminina. Para muitas mulheres é um triunfo passar a vida sem que ninguém ataque seu clitóris. Fizemos progressos, já existe uma legislação sistemática ampla que proíbe a mutilação do órgão. Há essa ridícula situação histórica sociocultural em que negamos completamente seu significado como órgão, e o extirpamos deliberadamente. Confiamos nos meninos para que as meninas aprendam sobre sexualidade. A sexualidade feminina foi confinada na vergonha e na ignorância desde o início dos tempos. Portanto, não é surpresa que as pessoas não conheçam a anatomia do clitóris. É nossa herança cultural.

P. Quais são as últimas notícias sobre o clitóris?

R. Notícias quentes! [brinca]. Espere um momento [levanta-se e volta agitando uma figurinha branca. É um clitóris]. Há alguns modelos em 3D para mostrar às pessoas como é. Sinto que a partir de uma base muito pobre estão acontecendo algumas coisas boas. Mas provavelmente levará algum tempo até que as garotas escolham melhores fontes de informação, as suas, antes de confiarem em seus parceiros, que provavelmente estão aprendendo em sites mais do que suspeitos.

P. Qual é o foco de suas pesquisas e descobertas mais recentes?

R. Em 2015, fizemos um estudo procurando o ponto G, para ver se podíamos encontrar um tecido em aparência distinto daquele da parede muscular da vagina que parecesse similar ao tecido esponjoso erétil. E não encontramos nada na parede anterior da vagina. Estamos agora com outro estudo sobre a anatomia da uretra em relação com a vagina, porque o câncer de uretra em mulheres tem sido pouco estudado.

P. Portanto, o ponto G não existe.

R. Bem, pode ser funcional, ao invés de existir como uma estrutura anatômica. Quando você movimenta a uretra, isso repercute no clitóris, que a envolve. Pode haver um efeito indireto. Qualquer coisa que ocorre na abertura da vagina, que é onde está o tecido esponjoso erétil, pode ter um efeito prazeroso percebido mais profundamente. Além disso, todo o assoalho pélvico está envolvido na resposta orgástica, que é uma área mais ampla de interesse e atividade sexual que o clitóris. Mas se você acha que existe uma área mágica na parede anterior da vagina e é aí que você se concentra na estimulação, você não vai conseguir o efeito prazeroso desejado. Isso tem a ver com os achados anatômicos, e não há um lugar assim na parede anterior da vagina.

P. Por que o conhecimento da sexualidade feminina ainda é tão fraco?

R. A palavra definitiva para nomear a sexualidade feminina é vergonha. Mas estamos evoluindo, e acho que estão acontecendo coisas boas. Com certeza, existe uma conversa global sobre a importância da saúde sexual das mulheres, para além do coito. Sobre o prazer feminino, e parte disso é entender onde reside o prazer sexual. Acho, definitivamente, que há uma base esponjosa (bem, este é um mau jogo de palavras) sobre o assunto. Há mais informações e mais entusiasmo. E oportunidades educacionais para que as pessoas aprendam.

Fonte: El País

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ENTREVISTA: O MINISTÉRIO QUE MAIS TRABALHA E MENOS APARECE “INFRAESTRUTURA”

ENTREVISTA: O MINISTÉRIO QUE MAIS TRABALHA E MENOS APARECE “INFRAESTRUTURA”
Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) realiza audiência pública para avaliar plano de privatizações do governo. Em pronunciamento, secretário de coordenação de projetos da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Secretaria Geral da Presidência da República, Tarcísio Gomes de Freitas. Foto: Pedro França/Agência Senado

Caro(a) leitor(a),

A maioria do povo brasileiro conhece muito pouco dos atos do governo Bolsonaro porque esse governo diferentemente do que os governos anteriores fizeram com relação a mídia e divulgação, está economizando em todas as instâncias para tentar reverter anos seguidos de de déficit fiscal e por causa disso está deixando de informar aos seus eleitores as ações que estão sendo feitas em infraestrutura e que são as que vão realmente colocar o país nos trilhos do progresso e do desenvolvimento novamente. Por isso estou publicando aqui uma entrevista importantíssima e altamente esclarecedora, com o ministro Tarcísio de Freitas  sobre as obras e ações que o Ministério da Infraestrutura está executando e que pouca gente sabe. O povo brasileiro está acostumado a ouvir notícias das ações do Ministro Sergio Moro e do Ministro Paulo Guedes, mas talvez muita gente não saiba nem como é o nome do Ministro da Infraestrutura. Então fique sabendo caro(a) leitor(a) que o nome do Ministro da Infraestrutura é Tarcísio de Freitas e talvez ele esteja fazendo muito mais pelo Brasil do que os outros dois ministros juntos. Portanto, é importante assistir a essa ENTREVISTA e tomar conhecimento do que está sendo feito por esse importante ministério!

Fonte:

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ENTREVISTA: EMBAIXADOR DO BRASIL EM ANGOLA FALA SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE OS DOIS PAÍSES

ENTREVISTA: EMBAIXADOR DO BRASIL EM ANGOLA FALA SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE OS DOIS PAÍSES
Comissão de Relações Exteriores (CRE) realiza sabatina de Paulino Franco de Carvalho Neto para embaixador do Brasil na Angola. Em pronunciamento, indicado para o cargo de embaixador do Brasil em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Uma ENTREVISTA muito boa e esclarecedora com o embaixador do Brasil em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto, é o destaque da nossa coluna desta quarta-feira. Entre outras coisas ele aborda os temas corrupção, lavagem de dinheiro, intercâmbio cultural, nepotismo e outros temas relevantes na política entre os dois países.

Se houver dinheiro levado de forma ilícita ao Brasil será devolvido a Angola

Diogo Paixão

4 de Março, 2020

O embaixador do Brasil em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto, afirma que os dois países tiveram sempre uma cooperação económica muito proveitosa. Em entrevista ao Jornal de Angola, o diplomata destaca que “os recursos de bancos públicos brasileiros que vieram para Angola foram, de modo geral, muito bem utilizados e aproveitados”. Acrescenta que a nação africana foi fiel cumpridora dos seus deveres e que nunca atrasou pagamento algum. “A cooperação entre o Brasil e Angola, no domínio financeiro, é exemplar. Queremos continuar em novas bases esse tipo de cooperação, com ênfase para investimentos directos”Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

A cooperação económica é um dos principais instrumentos de desenvolvimento dos países. Como avalia a cooperação entre Angola e Brasil?

Angola é um tradicional parceiro comercial do Brasil em África e importante destino de investimentos brasileiros desde fins da década de 1970. Vivemos hoje um momento de retomada das nossas relações económicas e comerciais, após período de relativa desaceleração por causa de crise económica que atingiu os dois países. A Embaixada procura continuamente aproximar, não apenas os governos do Brasil e Angola, mas também o sector privado, ajudando a identificar oportunidades e promovendo o estreitamento dos laços interpessoais dos dois lados do Atlântico. As reformas promovidas pelo Presidente João Lourenço, no sentido de melhorar o ambi-ente de negócios, reforçando a transparência e a segurança jurídica para investidores estrangeiros, são muito parecidas com as que se fazem no Brasil. São reformas que também aproximam Angola da agenda económica do Go-verno do Presidente Bolsonaro, dando prioridade à responsabilidade fiscal, à redução do peso do Estado e da burocracia e ao combate à corrupção. É preciso intensificar a divulgação desta nova Angola junto ao empresariado do Brasil. Trabalhamos em coordenação com o Governo ango-
lano para facilitar iniciativas neste sentido.

Qual é o volume de negócios entre os dois países?

Em 2019, as exportações brasileiras para Angola somaram 441,5 milhões de dólares e as importações 140,5 mi-lhões, perfazendo uma corrente de comércio de 582 milhões. São números que continuam a ser expressivos e garantem ao Brasil lugar de destaque entre os principais parceiros de Angola. O volume de comércio entre Brasil e Angola chegou a registar 4 biliões de dólares em 2018, mas, assim como o comércio exterior de An-gola com o resto do mundo, tem sofrido considerável queda desde 2015. Em função da crise económica, as trocas com o Brasil também reduziram. Um exemplo significativo do incremento re-cente do nosso comércio é que, no último ano, o Brasil foi o primeiro destino de ex-portação de gás liquefeito de Angola, LNG, no Soyo, e o país continua a importar o produto de Angola. Do lado das importações angolanas, a maior parte dos produtos destinados a Angola são agrícolas (cerca de 80,42% do valor total).
No que diz respeito aos investimentos, embora não se disponha de dados estatísticos precisos, sabe-se que muitas empresas brasileiras investiram em Angola para prestar serviços associados a projectos de infra-estrutura do passado. Hoje, assistimos ao inicio de uma nova era, em que empresários demonstram interesse em actuar em novos sectores. É sinal de que muitos brasileiros já se aperceberam destas novas oportunidades. São vários projectos de investimentos que poderão ser iniciados ainda este ano, como, por exemplo, o empreendimento pioneiro em Angola no sector da indústria farmacêutica, que está a ser analisado pelas autoridades angolanas competentes, para aprovação. Além desse, há projectos iniciados há alguns anos, no período anterior à crise, que continuam a avançar, como a siderurgia do Cuchi, do grupo brasileiro Modulax, e a usina de etanol da Biocom.

No ano passado, durante a visita a Angola do ministro das Relações Exteriores do Brasil, foi assinado, em Lu-anda, um acordo no domínio da Segurança e Ordem Interna. Como está a ser implementado o acordo?

A avaliação sobre a implementação do referido acordo constitui um dos tópicos a serem tratados no âmbito da visita ao Brasil do ministro das Relações Exteriores, Ma-nuel Augusto. Em princípio e sujeito ainda a pareceres jurídicos definitivos, parece que o instrumento terá en-trado em vigor a partir do momento da assinatura, em De-zembro, não devendo necessitar de passar por outros trâmites, na medida em que os compromissos nele plasmados não gerariam ónus específicos, o que é um dos requisitos no Brasil para a aprova-ção parlamentar.
Conforme estabelece o artigo 10 do acordo, a implementação e coordenação estarão a cargo, pelo lado angolano, do Ministério do Interior; e pela parte brasileira, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O artigo 12 do acordo prevê a reunião anual, de forma alternada, do Grupo Técnico Bilateral, incumbido do desenvolvimento, avaliação e acompanhamento da cooperação prevista, sem prejuízo de reuniões extra-ordinárias. Espera-se, para breve, a marcação da primeira reunião.
Convém assinalar que o acordo não se limita à mera troca de informações, contemplando, ainda, formação e capacitação de quadros, fornecimento de equipamentos, gestão de serviços de investigação criminal, desenvolvimento de sistemas de dados, entre outros aspectos em que o Brasil tem condições de colaborar de maneira específica.

Na sua passagem por Luanda, aquando da visita à Índia, o Presidente Jair Bolsonaro disse que ajudaria Angola no combate à corrupção. De que modo seria dada esta ajuda?

Antes de tudo, convém assinalar que, em observância aos princípios da soberania e da não ingerência em assuntos internos de outros países, os quais regem as relações internacionais, eventuais pedidos de cooperação em ma-téria de combate à corrupção precisam de ser formulados expressamente pela parte interessada. Isso pode dar-se de várias formas e mediante pedidos encaminhados por órgãos dos distintos poderes (executivo, legislativos e judiciário) de cada país.
Assim, por exemplo, caso a PGR em Angola queira solicitar cooperação jurídica do lado brasileiro para troca de informações sobre um in-quérito em curso, com potenciais implicações na outra jurisdição, tais como alegadas transacções suspeitas no nosso território, efectuadas por cidadãos angolanos que tenham hipoteticamente expatriado recursos de forma indevida (ou vice-versa), tratar-se-ia de uma modalidade de cooperação a ser levada adiante. Independentemente de existirem ou não acordos bilaterais específicos nessa ou naquela matéria, a colaboração estreita entre instituições angolanas e brasileiras afigura-se uma realidade que ocorre há anos, sendo algo digno de nota, contanto que sempre se respeitem os direitos dos indiví-duos e os respectivos ordenamentos jurídicos. Tal parceria regular entre órgãos es-tatais de lado a lado reflecte a excelência do relacionamento angolano-brasileiro como um todo, fundado na confiança mútua.
Voltando à pergunta anterior, sobre o acordos recém-assinados em matéria de Segurança e Ordem Interna, a primeira reunião do Grupo Técnico Bilateral, destinada à implementação efectiva do instrumento, ganha relevo adicional, à luz da elevada prioridade conferida por ambos os governos, a luta contra a corrupção, uma das modalidades de ilícitos elencadas no artigo 2 para afigurar como objecto de assessoria, assistência técnica e intercâmbio de informações. O acordo pode, portanto, servir de base para a intensificação da cooperação bilateral no combate à corrupção e outros ilícitos que incidam ou perpassem ambos os países.
De todo o modo, as perspectivas de cooperação nessa área são múltiplas e dinâmicas. A isso acresce-se o facto de que as grandes linhas de-fendidas pelo Governo do Presidente João Lourenço encontram ressonância no Governo brasileiro, como no caso do combate à corrupção, circunstância que já se reflecte na nova fase da interacção bilateral, com realce para visitas pioneiras de representantes de instâncias judiciárias e de controlo.
Em Agosto de 2019, uma missão da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) esteve em Brasília, tendo os responsáveis reunido com os ministros brasileiros da Justiça e da Controladoria Geral da União. No mesmo mês, a ex-Procuradora-Geral da República do Brasil recebeu uma comitiva chefiada pelo então Vice-Procurador-Geral da República de Angola. Mesmo com a mudança de um e de outro servidor, a cooperação tende a dar frutos, pois criou-se uma dinâmica de intercâmbio. A propósito, o Ministério Público de Angola já manifestou interesse em conhecer melhor o Instituto da “Delação Premiada”, conforme denominado no Brasil. De igual modo, delegações angolana e brasileira tiveram profícuo encontro à margem da 88ª sessão da Assembleia-Geral da Interpol, em Outubro do ano passado.
Portanto, o Brasil está aberto a cooperar com Angola nesta área e no respeito aos princípios de soberania. Caberá às instituições directamente envolvidas, as procuradorias dos dois países fazerem o seu trabalho. Já houve trocas de visita, trocas de informações entre os dois países. Esta cooperação faz-se com base em acordos e entendimentos entre os dois países. Portanto, Brasil e Angola devem intensificar esta cooperação para combater a corrupção.

O ministro das Relações Exteriores de Angola prepara uma viagem ao Brasil (NR: já lá se encontra). Qual é a essência desta deslocação? Está-se já perante os preparativos da visita de João Lourenço ao Brasil?

A visita do ministro Manuel Augusto inscreve-se num contexto mais amplo de retomada do intercâmbio de visitas de alto nível entre o Brasil e Angola e surge em resposta ao convite efectuado pelo chanceler Ernesto Araújo, por ocasião da sua vinda a Luanda, em Dezembro passado. Será mais uma oportunidade para intensificar a cooperação bilateral. A língua comum, os laços culturais e históricos, a “vizinhança atlântica” sempre farão com que as relações entre Brasil e Angola sejam consideradas estratégicas e prioritárias. Além disso, a cooperação e o intercâmbio de experiências realizados ao longo dos anos constituem vantagens comparativas relevantes para estreitar ainda mais os fortes vínculos que nos unem.
Entendemos que, da perspectiva angolana, a visita do ministro Manuel Augusto propicia valiosa oportunidade para promover a imagem da “Nova Angola” no Brasil, em linha com a prioridade que o Governo do Presidente João Lourenço tem atribuído à vertente económica e comercial da diplomacia deste país. Neste sentido, esta visita insere-se nos esforços que vêm sendo realizados pelo Executivo angolano para atrair novos investimentos estrangeiros (neste caso brasileiros), considerados fundamentais para a diversificação da economia e para o sucesso dos programas de privatizações e concessões em curso. Apenas para citar alguns exemplos, os sectores agro-pecuário, de educação, construção civil, infra-estruturas, defesa e saúde possuem enorme potencial para empreendimentos conjuntos.
Respondendo à segunda pergunta, recordo que o Presidente Jair Bolsonaro convidou o Presidente João Lourenço para visitar o Brasil. Neste contexto, um dos objectivos centrais da visita do ministro Manuel Augusto é, sim, preparar a visita do mandatário angolano ao Brasil, a qual esperamos que ocorra proximamente. Durante a sua visita a Brasília, que começa a 2 de Março, o ministro Manuel Augusto deverá discutir com o seu homólogo brasileiro opções de datas para esta viagem presidencial. Recordo que na escala que fez em Luanda, a caminho da Índia, em Janeiro, o Presidente Bolsonaro afirmou que pretende visitar Angola. Estamos a trabalhar para que essa expectativa possa se concretizar por ocasião da Cimeira da CPLP, que se realiza em Setembro, na capital angolana.

O Governo angolano desenvolve uma acção destinada a recuperar os capitais ilícitos domiciliados no exterior. Há muito capital ilícito angolano no Brasil?

Não tenho informações precisas a este respeito. Se houver, tenho a certeza de que, através da cooperação bilateral já mencionada e por meio de outros instrumentos bilaterais, esses recursos serão repatriados, devolvidos a Angola. Não tenho a menor dúvida disso.

Diz-se que há muitos angolanos envolvidos no caso “Lava Jato”. Pode confirmar?

Cabe à Justiça tratar desse assunto. No Brasil, a operação “Lava Jato” continua. São processos longos de busca de elementos de informação para que as pessoas envolvidas se-jam processadas e, se for o caso, condenadas, o que já ocorreu largamente no Brasil. Esta cooperação tem de continuar. Ca-berá à Justiça, de forma soberana, tomar as decisões que julgar acertadas.

Angola pagou a sua dívida ao Brasil e livrou-se das acusações de contas milionárias. Haverá ainda algum pendente sobre esta matéria?

Brasil e Angola sempre tiveram uma cooperação económica muito proveitosa. Os recursos de bancos pú-blicos brasileiros que vieram para Angola foram, de modo geral, muito bem utilizados e aproveitados. Angola sempre foi fiel cumpridora dos seus deveres, nunca atrasou pagamento algum. A cooperação entre o Brasil e Angola no domínio financeiro é exemplar. Queremos continuar em novas bases esse tipo de cooperação, com ênfase em investimentos directos.

Nota-se que os brasileiros es-tão muito bem integrados em Angola. Acontece o mesmo com os angolanos no Brasil? Como está o processo de integração no Brasil? Os angolanos continuam confinados em favelas?

Não, não estão. Os angolanos estão concentrados em algumas localidades, em diversos bairros de algumas cidades, como São Paulo, e eles participam em actividades sociais e económicas do país. Tal como os brasileiros em Angola, eles adaptam-se facilmente ao Brasil, pois os dois países têm muitas semelhanças, história e hábitos comuns. Os angolanos sentem-se em casa, como nós nos sentimos aqui. Muitos vão ao Brasil tentar uma nova vida, conseguir um emprego, que muita vezes aqui não encontram. São bem acolhidos aqueles que vão legalmente, com os vistos adequados.

Há muitos angolanos que tentam entrar ilegalmente no Brasil ou envolvidos em casos de narcotráfico?

Existe dos dois lados, mas é um número muito reduzido. Nós não podemos chamar atenção para a excepção, mas para a regra, para a maioria que age com correcção. De um modo geral, os angolanos que vivem no Brasil são pessoas honestas, trabalhadoras, que se integraram muito bem, tal como os brasileiros em Angola.

Nota-se um certo esfriamento nas relações entre África e o Brasil, depois da chegada do Presidente Bolsonaro ao poder. Não receia que isso possa afectar as economias africanas e brasileira?

Não concordo com essa visão. Para tanto, basta referir a quantidade de actividades que a Embaixada do Brasil em Angola desenvolve e as que a Embaixada de Angola no Brasil realiza, além das visitas de alto nível. Em De-zembro do ano passado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil esteve em Angola. Antes disso, tivemos a visita do ministro da Saúde do Brasil, em Novembro de 2019, e a do ministro da De-fesa, em Abril passado.
O Presidente Bolsonaro fez questão de fazer uma escala em Luanda no final de Janeiro deste ano, a caminho da Ín-dia, onde realizou visita oficial. Foi muito bem recebido, no aeroporto, pelo ministro das Relações Exteriores, Ma-nuel Augusto, e manteve um telefonema muito cordial com o Presidente João Lourenço, que foi convidado a visitar o Brasil. Tudo isto de-monstra que as relações continuam a ser intensas.

Mas reconhece que no passado as relações foram muito mais intensas?

Não reconheço. Foram períodos diferentes, em que a economia angolana andava a um ritmo muito mais acelerado e a economia brasileira também. São períodos distintos, mas a amizade e a cooperação entre os dois países é a mesma.
Não estou a falar das relações com Angola. Estou a falar das relações entre o Brasil e África, de um modo geral.
A exemplo das relações com Angola, as com outros países e regiões de África são muito profícuas. Bastaria mencionar, a título de exemplo, as relações do Brasil com a África do Sul, com a Namíbia, com os países do Norte do continente. São períodos diferentes, épocas diferentes, mas queremos e temos uma presença muito grande em África. Basta dizer que o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento com um número de embaixadas tão grande em África. São 34 embaixadas. Não co-nheço um outro país em de-senvolvimento com esse número de embaixadas.

Normalmente, quando se fala de nepotismo, África aparece nos lugares cimeiros, mas o Presidente Bolsonaro tem filhos em cargos públicos. Não estaremos também perante casos de nepotismo?

Não. Não se trata de nepotismo. Os filhos do Presidente são cidadãos livres, que exercem mandatos públicos, foram eleitos antes do Presidente chegar ao poder. São vereadores, deputados, en-fim, é um direito que lhes as-siste. Têm a mesma visão política do Presidente, que por acaso é seu pai. Não se trata de nepotismo.

No Brasil, terá havido um outro Chefe de Estado com tantos filhos em cargos públicos?

Não sei dizer, mas nada im-pede que os filhos do Presidente da República exerçam cargos públicos, exerçam mandatos electivos. Não foram escolhidos pelo Presidente da República, foram ungidos aos seus cargos pelo voto do eleitor. Po-deriam não ter sido eleitos, mas o foram.

O Presidente Bolsonaro é acusado muitas vezes, por organizações internacionais rurais e estados do Brasil, de não ter uma política de defesa do ambiente muito efectiva. Que comentário faz sobre estas acusações?

O Presidente Bolsonaro tem dito, reiteradamente, nas suas declarações oficiais, que temos uma política ambiental muito decidida. As políticas públicas ambientais existem há muito tempo, temos um Ministério do Am-biente muito activo, temos uma legislação ambiental moderna. O Brasil, ao contrário de outros países, tem não só uma legislação ambiental muito avançada, mas uma matriz energética altamente renovável, o que o diferencia de muitos outros países, inclusive dos desenvolvidos.
Em outras palavras, a matriz energética brasileira é muito compatível com uma visão de preservação e protecção do ambiente. Sempre tivemos participação activa em fóruns internacionais que se ocupam de temas ambientais. Bastar recordar que o Brasil foi um dos elaboradores do conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, que vai além da protecção do meio ambiente, já que se assenta em três pi-lares: o ambiental, o social e o económico.
Mas as políticas ambientais não satisfazem as minorias no Brasil. Refiro-me concretamente aos índios.
A meu ver, são queixas equivocadas, baseadas numa visão sectorial, de grupos de interesse, sem dúvida legítimos, mas que não está baseada em factos que as sustentem. Fazem parte do jogo político e muitas dessas minorias de-fendem interesses de Organizações Não-Governamentais de outros países, com agendas próprias e nem sempre sinceras. Dito de outro modo, tudo isso faz parte da disputa pelo poder económico no plano internacional. Não se trata de uma preocupação ambiental ou de defesa de minorias estri-to senso, mas sim de interesse em explorar a riqueza económica da Amazónia.

Programa “Médicos pelo Brasil”

A saída dos médicos cubanos do Brasil afectou, certamente, o sistema de Saúde brasileiro. Como é que o Brasil pretende dar a volta à situação?

O programa “Médicos pelo Brasil”, que substituirá gradativamente o “Mais Médicos”, visa levar melhor serviços de saúde às regiões mais carentes do país, como os municípios menores ou de difícil acesso. Prevê, ainda, a formação a profissionais de saúde, em áreas como a medicina de família e da comunidade. A lei que cria o novo programa foi sancionada em Dezembro passado e prevê 18 mil vagas em todo o país. Trata-se de um aumento de 7 mil vagas em relação ao programa anterior. O primeiro edital para selecção dos profissionais deve ocorrer ainda no primeiro semestre de 2020.
Para priorizar a alocação dos profissionais em municípios mais carentes, a distribuição dos médicos deverá obede-cer a critérios definidos se-gundo metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseada em estudos da OCDE, levando em consideração o número da população, densidade demográfica e distância em relação aos grandes centros urbanos.
Ao longo dos dois primeiros anos do programa “Médicos pelo Brasil”, os profissionais realizarão o curso de especialização, recebendo bolsa no valor de 12 mil reais mensais líquidos (cerca de 2.760 dólares), com gratificações adicionais que podem chegar a 6 mil reais (1.380 dólares) para locais remotos, comunidades indígenas, ribeirinhas ou fluviais. Durante a participação no programa, os médicos serão avaliados através de métodos cien-tíficos e indicadores de saú-de da população, podendo igualmente avaliar a estrutura da unidade de saúde e da rede de serviço do município em que trabalham. No quadro do novo programa, será, também, permitido o regresso de médicos cubanos por até dois anos.

Os cortes no Orçamento para a Educação no Brasil estão a desagradar os sindicatos. Que políticas existem para reverter a situação?

As limitações orçamentais vigentes no Governo Fede-ral decorrem sobretudo do ambiente recessivo verificado no decorrer desta dé-cada, situação que felizmente vem sendo superada, de forma paulatina. A conjugação de factores, como o ex-cessivo endividamento do sector público e o aumento “natural” ou inflacionário das despesas, reduziu a capacidade do Governo de investir, deprimindo a actividade económica e frustrando a contrapartida de um aumento na arrecadação de impostos proporcional aos gastos.
Cabe salientar, igualmente, a confusão que por vezes existe entre contenção (ou contingenciamento) de gastos e cortes de orçamento. Quando falamos em contenção, referimo-nos, tão somente, ao eventual atraso de parte dos desembolsos referentes a verbas discriminatórias, ou seja, as não-obrigatórias, de modo que não se corra o risco de incorrer em gastos superiores ao orçamento previsto. Mesmo em situação de contenção, cada órgão do Governo deve executar, até ao final de cada ano, a totalidade da alocação orçamental. Esta óptica foi a que pautou o Ministério da Educação, não apenas desde o início do actual Governo, mas também em anos precedentes.
O Brasil conta com dispositivos constitucionais para travar o avanço de desequilíbrio no orçamento público, sendo os mais significativos a chamada “regra de ouro”, que impede a contratação de novas dívidas para o pagamento de despesas correntes e o “tecto de gastos”, que limita a cada sector da administração pública o nível de gastos.
Por tratamento especial, refiro-me ao facto de que, em 2017, primeiro ano de vigência do “tecto de gastos”, o cálculo do orçamento da Educação não se deu com base nas despesas de 2016, mas sim no equivalente a 18% de toda a arrecadação de impostos. Com isso, procurou-se aumentar os recursos antes de fazer valer o critério da correcção inflacionária, observado apenas a partir de 2018. Levando-se em consideração todos estes factores, o orçamento do Ministério da Educação para o ano corrente chega a 157,4 biliões de reais (cerca de 36,2 biliões de dólares), valor extremamente significativo sob qualquer óptica.

Fonte: Jornal de Angola

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