REFLEXÃO: VOCÊ RECONHECERIA O SÁBIO NAMONTANHA?

Nesta segunda-feira a nossa coluna REFLEXÃO trás como primeira REFLEXÃO de 2021 uma história sobre aparências, ego e aprendizados, que pode nos ajudar a ver a vida de outra maneira e nos ajudar a crescer ainda mais. Sobre um sábio na montanha a quem um jovem queria muito conhecer. Então convido você a assistir ao breve vídeo de Camila Zen e conhecer essa história de sabedoria, refletir e fazer o seu juízo de valor!

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DESENVOLVIMENTO PESSOAL: FALAR, DAR VOZ AOS NOSSOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS É UMA ATIVIDADE COMUM ENTRE TOODS NÓS

           A palavra e o Caminho

  “Algo dentro de nós ecoa em resposta à expressão dos elos desatados, os nós que nos impedem de explorar nossas possibilidades mais profundas. A pessoa é chamada de sábio porque se reconhece que esse algo está dentro de cada um.”

Tim Boyd*

Menos estresse e mais memória; 7 benefícios do contato com a natureza - 15/09/2018 - UOL VivaBem

Com frequência as coisas mais profundas são encontradas naquilo que é familiar, mas muitas vezes elas são negligenciadas. Há uma atividade comum em que todos nos engajamos falar, dar voz a nossos pensamentos e sentimentos. A maioria de nossa fala tende a ser casual, mais ou menos por hábito ou cortesia. Todos nós já ouvimos a pergunta “Como está você?” num dia em que não estamos nos sentindo bem, e respondemos de imediato “Bem!” – porque essa é a conduta social.

Se pensarmos um pouco mais sobre o dom divino da fala, poderíamos ser mais conscientes   no modo como a usamos. A fala é um reflexo de um poder divino que está dentro de todos nós. muito considerada nas Escrituras de inúmeros povos do mundo. Na Bíblia, as primeiras palavras do Evangelho de João afirmam que “no princípio era o Verbo” – a fala não como nós a entendemos, mas talvez no sentido do som que traz todas as coisas à existência.

Quando João fala da vinda do Grande Instrutor, do surgimento de um Avatar, a linguagem usada é: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.” Uma compreensão clara do poder da palavra, corretamente entendida, é algo que perpassa as religiões do mundo.

Em A Doutrina Secreta, H. P Blavatsky escreveu sobre som e a fala: “Pronunciar uma palavra é evocar um pensamento, e torná-lo presente: a potência magnética da fala humana é o começo de toda manifestação no Mundo Oculto.” Blavatsky escreve a respeito da capacidade da fala de magnetizar, de atrair para si. Isso não se relaciona apenas às práticas ocultas conscientes, mas às conversas normais em que nos engajamos do momento a momento.

Na maioria das vezes usamos a fala sem sabedoria. Segundo Blavatsky, emitir uma palavra é evocar um pensamento e torná-lo presente. Toda palavra que dizemos, seja casual ou profunda, traz um pensamento à nossa presença e à presença dos outros. Ela prossegue dizendo: “Emitir um nome não é apenas definir um ser, mas colocá-lo sob a influência de uma ou mais potências ocultas.” Assim, ao simplesmente dizermos um nome, nós nos engajamos num ato que registra a participação de “potências” cooperativas.

É claro que, em nossa conversação normal, não aplicamos um nível de pensamento tão profundo. Estamos apenas conversando, e para nós não é algo tão sério ou importante. Mas a verdade é que nosso discurso é sempre algo com essa profundidade. Pronunciar um nome é definir um ser e colocá-lo sob a influência de forças divina   ou daquelas forças mais adequa das à fala irrefletida e a uma mente que não é refinada.

Em Aos Pés do Mestre, os mexericos são descritos como perversos. Por quê? O foco de nossa fala é um nome – o nome de uma pessoa. No ato de falar a respeito de Maria, João, Pedro, Suzana ou quem quer que seja que tragamos à nossa conversa, estamos definindo um ser e colocando-o sob influência de uma variedade de forças, e, em virtude da potência magnética da fala, ela atrai todo tipo de influências vindas do pensamento dos fofoqueiros.

Portanto, há uma grande responsabilidade envolvida no modo como usamos a linguagem. Ela pode tornar-se uma bênção ativa no mundo à nossa volta, ou uma maldição. Embora não pensemos em nós mesmos como pessoas que possam causar malefícios a outrem, por causa da natureza casual de nosso pensamento e de nossa fala a respeito dos outros, certamente fazemos tais coisas inconscientemente.

Para algumas pessoas, parece uma desculpa apropriada dizer: “Eu não sabia disso!” Mas, para aqueles que se comprometeram com um   caminho de conscientização cada vez mais profundo, isso não é aceitável. Mesmo se formos a um tribunal, nos dirão que ignorar a lei não é desculpa. Isso é especialmente verdadeiro com as leis universais e as consequências kármicas resultantes.

A experiência que temos do karma resulta amplamente de certos hábitos mentais desenvolvidos ao longo do tempo, hábitos que, por sua natureza, se repetem. Uma mente que foi habituada a responder ao longo de uma determinada linha atrai as consequências que correspondem a esse modo de pensar. Assim, a pessoa irada sente-se isolada, a desonesta é desconfiada e assim por diante. Quando percebemos isso, a desculpa da inconsciência em causar mal aos outros por meio da fala não nos cabe.

Buscar o que nos nutre

Uma   primeira  dama  dos EUA, Eleanor Roosevelt, envolveu-se de forma profunda em ações humanitárias. Ela, certa vez, fez um comentário a respeito da fala “Mentes pequenas falam sobre pessoas; mentes médias falam a respeito de eventos; as grandes mentes falam sobre ideias.” Isso não é da perspectiva de alguém que estava especificamente engajada num caminho espiritual, porque provavelmente podemos dizer que as mentes maiores falam a respeito do divino, de Deus ou da realidade, e que as mentes ainda maiores permanecem silenciosas. Mas todos nós habitamos diferentes áreas desse espectro da fala, em diferentes momentos.

A ideia é tentar refinar os espectros que habitamos, e é nisso que estamos constantemente   engajados. Num certo sentido nossa questão é a dieta, seja do alimento com o qual nutrimos os nossos corpos, as nossas emoções ou as nossas mentes. Os materiais com os quais nos alimentamos criam os  corpos  que habitamos – os corpos físico, emocional e mental. Por isso, devemos procurar o melhor alimento possível.

As coisas que dizemos são importantes, mas também temos que prestar atenção às coisas que ouvimos. As ideias e conversas que nos permitimos ouvir e repetir têm igual importância. Toda grande tradição espiritual proporciona a prática de algo semelhante a mantras, orações, canções espirituais, poesia elevadora. Elas fornecem combinações específicas de sons para falarmos e ouvirmos.

O mantra deve ser enunciado em voz alta, não apenas porque é bom ouvi-lo, mas porque esses sons, e as ideias que eles corporificam, fazem com que as correspondentes substâncias dentro de nós ecoem – tornem-se ativas. À medida que se tornam ativas, elas também se tornam mais capazes de reproduzir essa atividade. Cada vez que são avivadas, fica mais fácil para esses materiais repetirem suas atividades.

É aconselhável se engajar em práticas de repetição de poesia, CONGERDESIGN/PIXABAY Sophia 87 FINAL. indd 8 29/10/2020 09:17:24 SOPHIA • SET/OUT 2020 9 mantra e oração. A poesia não é para ser lida silenciosamente, é para ser soada pela voz, ouvida pelo ouvido, vibrada nos ossos. Esta é a prática, mas acredito que não a levamos a sério. Busquemos tempo para ouvir a poesia edificante do nosso país e de vários outros países do mundo. Apenas ouçamos, e vejamos como somos tocados internamente.

Antes de chegar a um período em que pudéssemos dizer que definitivamente estávamos no caminho  espiritual, muitos de nós geralmente passamos por um período de busca, muitas vezes sem sequer ter consciência de que já estávamos buscando.

Há um belo poema de Robert Frost que se refere a esse momento do nosso desabrochar, chamado A estrada não percorrida: “Duas estradas bifurcam num bosque amarelo, /E lamentei não ter podido viajar pelas duas/E ser um viajante; durante longo tempo permaneci/E observei uma delas até onde conseguia,/Onde ela se dobrava num matagal;/Depois peguei a outra, tão justa, tão razoável,/E tendo talvez a melhor reivindicação,/Porque era gramada e Sophia 87 FINAL. indd 9 29/10/2020 09:17:25 10 SOPHIA • SET/OUT 2020 queria o desgaste;/Embora quanto a isso o passar por lá/Verdadeiramente as tivesse desgastado por igual, /E naquela manhã ambas estavam igualmente/Cheias de folhas que ainda não tinham sido pisadas./Oh, eu segui a primeira por mais um dia!/Mas sabendo como um caminho leva a outro,/ Duvidei se algum dia retornaria./ Contarei esta história com um suspiro/Em algum lugar daqui aeras incontáveis:/Duas estradas bifurcado num bosque e eu/Segui a menos trilhada,/E isso fez toda a diferença.”

É um momento de escolha que nos leva a essa bifurcação. Por que não a outra estrada, que nos teria levado numa direção completamente diferente? Não sabemos, mas, tanto por opção quanto por acaso, nós nos encontramos aqui.

Um grande poeta Sufi chamado Jalal ad-Din Muhamad Rumi fala a respeito da natureza da nossa busca do devocional para alcançar Sophia 87 FINAL.indd 10 29/10/2020 09:17:26SOPHIA • SET/OUT 2020 11 esse amigo divino. Seu poema é intitulado Amigo: “Amigo, nossa proximidade é assim:/Onde quer que ponhas o pé, /Sente-me na firmeza sob ti./O que tem isso a ver com esse amor?/Eu vejo teu mundo, mas não a ti.”

Para onde quer que olhemos vemos as manifestações do divino, mas o bem-amado amigo divi-

no que buscamos não é visto em lugar algum deste mundo. Essa é a natureza do caminho espiritual e do fogo da aspiração dentro de nós. Isso é o que nos impulsiona. Por que iria alguém continuar sem conseguir ver esse divino, invisível, sempre presente, que nos cerca e nos apoia como a própria firmeza sob nossos pés?

Um fragmento de um poema escrito por um dos grandes poetas de língua inglesa fala a respeito de uma experiência verdadeira, que é familiar a todos nós em algum momento. Ele foi membro da Sociedade Teosófica e conheceu Helena Blavatsky na Inglaterra. Seu nome é William Butler Yeats. Os versos vêm de um poema intitulado Vacilação: “Meu quinquagésimo aniversário viera e se fora,/ Eu estava sentado, um homem solitário,/Numa loja cheia de gente em Londres,/Um livro aberto e uma xícara vazia/Sobre a tampa de mármore da mesa./Enquanto da loja a rua eu observava,/O meu corpo de repente se inflamou;/E durante mais ou menos vinte minutos/Pareceu tão grande a minha felicidade,/Que eu fui abençoado e podia abençoar.”

Nesse momento de despertar (para ele, cerca de vinte minutos), o senso de felicidade foi tão profundo que, sem sombra de dúvida, sabia que fora abençoado, e que tinha a capacidade de abençoar os. Esta é uma experiência que provavelmente todos nós tivemos, pelo menos em alguns momentos.

No Mundaka Upanishad (III.2.8), podemos ler: “Assim como os rios perdem o nome e a forma quando desaparecem no oceano, o sábio deixa   para  trás  todos os traços quando desaparece na luz. Percebendo a verdade, ele se torna a verdade; passa para além de todo sofrimento, além da morte; todos os nós de seu coração são desatados.”

Nós sentimos a beleza e o poder dessas palavras. “Algo” dentro de nós ecoa em resposta à expressão dos elos desatados, os nós que nos impedem de explorar nossas possibilidades mais profundas. Não é algo que esteja sendo dado de fora por algum sábio. A pessoa é chamada de sábio porque se reconhece que esse algo está dentro de cada um de nós, e sabe-se  como  falar com ele.

Finalmente, da caneta de um outro membro da Sociedade Teosófica, Edwin Arnold, em A Luz da Ásia, temos os últimos quatro versos deste poema a respeito da iluminação do Buda: “O orvalho está sobre o lótus! – nasce, Grande Sol!/E levanta a minha folha e, me mistura com a onda./Omani padame hum, chega o Amanhecer!/A Gota de orvalho desliza para o Oceano brilhante!”

“Para onde quer que olhemos vemos as manifestações do divino. Por que iria alguém continuar sem ver esse divino sempre presente, que nos cerca e nos apoia como a própria firmeza sob nossos pés?”“Qual a distância daqui ao céu? Não é distante, meu amigo: Um único passo para o interior, Porá   fim a todas as tuas jornadas.” Angelus Silesius (1620).

Fonte: Revista Sophia  ano 18 nº 87

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