ESPAÇONAVE RUSSA LEVARÁ MILIONÁRIO JAPONÊS PARA ESTAÇÃO ESPACIAL

Rússia levará milionário japonês para visitar a Estação Espacial

País volta a disputar mercado com empresas privadas que levam pessoas comuns para ver a Terra do espaço

Espaçonave russa Soyuz levará milionário japonês para a Estação EspacialEspaçonave russa Soyuz levará milionário japonês para a Estação Espacial SHAMIL ZHUMATOV / AFP

Uma espaçonave russa Soyuz está programada para levar um milionário japonês à Estação Espacial Internacional (ISS) na quarta-feira (8), uma jornada que consagra os esforços de Moscou para ganhar uma posição no lucrativo negócio do turismo em órbita.

O voo partirá da base de Baikonur, no Cazaquistão, em um momento crucial para a indústria espacial russa, que há anos tem sido afetada por escândalos e pela concorrência do setor privado dos Estados Unidos.

No ano passado, a empresa SpaceX do bilionário Elon Musk começou a levar passageiros para a ISS, encerrando um lucrativo monopólio que a Agência Espacial Russa (Roscosmos) detinha até então.

A expectativa da Roscosmos é abrir um novo capítulo enviando à ISS o magnata japonês da moda na internet Yusaku Maezawa, de 46 anos, que viajará com seu assistente Yozo Hirano.

A espaçonave será pilotada pelo veterano cosmonauta russo Alexander Misurkin, que já realizou duas missões para a ISS.

Os turistas espaciais japoneses passarão 12 dias na estação, onde farão vídeos para postar na conta do milionário no YouTube, que tem cerca de 750 mil seguidores.

“Quase me dá vontade de chorar, é tão impressionante”, disse Maezawa ao chegar ao Cosmódromo de Baikonur.

Maezawa contou que tem uma lista de “quase 100 tarefas” que deseja realizar na estação espacial, especialmente jogar uma partida de badminton.

Os dois japoneses foram treinados na Cidade das Estrelas, uma vila construída nos arredores de Moscou na década de 1960, onde gerações de cosmonautas, primeiro soviéticos e depois russos, foram treinados.

A espaçonave Soyuz – que carregará uma bandeira japonesa para a viagem – foi transferida para a plataforma de lançamento no domingo, constatou um jornalista da AFP.

Vários voos previstos

Esta missão, que foi organizada pela Roscosmos em colaboração com a empresa americana Space Adventures, marcará o regresso da Rússia à corrida no turismo espacial, após uma década de hiato.

Os dois parceiros colaboraram entre 2001 e 2009 para levar bilionários ao espaço oito vezes. O último cliente foi o fundador do Cirque du Soleil, o canadense Guy Laliberté.

A viagem dos japoneses acontece em um momento de multiplicação dos voos privados para o espaço. Em setembro, a SpaceX organizou um voo histórico que manteve três amadores em órbita por três dias.

Um sinal da ambição crescente deste negócio é que a empresa de Elon Musk espera enviar vários turistas para dar uma volta em torno da Lua em 2023.

Maezawa – que financia esta operação – também está na lista de passageiros.

Nessa corrida estão outros atores da iniciativa privada, como a empresa Blue Origin, do bilionário americano Jeff Bezos, fundador da Amazon, que já organizou duas viagens.

A companhia Virgin Galactic do magnata britânico Richard Branson, permitiu em julho ao excêntrico empresário realizar seu sonho de cruzar a fronteira do espaço.

Moscou, que rivalizou com Washington durante a Guerra Fria, está determinado a recuperar seu status de potência espacial, após anos de escândalos de corrupção, cortes e constrangedores problemas técnicos.ar seu status de potência espacial, após anos de escândalos de corrupção, cortes e constrangedores problemas técnicos.

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RÚSSIA CONDUZIU IRRESPONSAVELMENTE UM DESTRUTIVO TESTE DE MÍSSIL ANTISSATÉLITE

EUA condenam teste ‘irresponsável’ de míssil espacial da Rússia

Estação Espacial Internacional ficou em alerta devido aos destroços do satélite destruído durante o exercício militar

INTERNACIONAL

 por AFP

Astronautas na ISS se preparam para uma eventual evacuação da estação

NASA/AFP – 8.3.2011

Os Estados Unidos criticaram a Rússia nesta segunda-feira (15) pela realização de um teste de míssil que explodiu um dos próprios satélites russos, causando destroços considerados uma ameaça aos astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

“Hoje cedo a Rússia conduziu irresponsavelmente um destrutivo teste de míssil antissatélite contra um de seus próprios satélites”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, chamando o comportamento de Moscou de “perigoso e irresponsável”.

Segundo o porta-voz, a ação “gerou mais de 1.500 detritos orbitais rastreáveis e centenas de milhares de pedaços menores de detritos orbitais que agora ameaçam os interesses de todas as nações”.

Sem detalhar se Washington analisa possíveis medidas retaliatórias, Price disse que os Estados Unidos “deixariam claro que não tolerarão esse tipo de atividade”.

O lançamento do míssil “mostra claramente que as afirmações da Rússia de que se opõe à militarização do espaço são falsas e hipócritas”, acrescentou Price.

O teste da arma antissatélite da Rússia (Asat, na sigla em inglês) é uma rara demonstração de força de Moscou, criticada pela comunidade espacial por causa do risco que representa para as tripulações em órbita terrestre baixa.

Os Estados Unidos e a Rússia mantiveram fortes laços espaciais desde o fim da Guerra Fria, apesar das crescentes tensões políticas nos últimos anos.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, afirmou que “a preocupação imediata são os destroços, que agora estão flutuando e podem se tornar um perigo, inclusive para a Estação Espacial Internacional”.

“Estamos examinando de perto o tipo de meio que a Rússia parece querer desenvolver, que pode representar uma ameaça não apenas aos nossos interesses de segurança nacional, mas também aos incentivos de segurança de outras nações com viagens espaciais”, disse ele.

Mais cedo, o Comando Espacial dos EUA, braço do Pentágono, relatou que um “incidente gerador de destroços no espaço sideral” estava sendo investigado, o que levou os astronautas da ISS a se prepararem para uma possível evacuação das instalações.

Nasa ainda não comentou o incidente, mas sua contraparte russa, Roscomos, minimizou o ocorrido.

“Tudo está normal”

“A órbita do objeto, que forçou a tripulação hoje a se mover em direção à espaçonave de acordo com o procedimento-padrão, se afastou da órbita da ISS. A estação está na zona verde”, declarou a agência russa no Twitter.

“Amigos, tudo está normal conosco! Continuamos trabalhando de acordo com o programa espacial”, declarou Anton Shkaplerov, atual comandante do posto avançado de Moscou, também no Twitter.

Durante o incidente, os astronautas Raja Chari, Tom Marshburn e Kayla Barron, da Nasa, e  Matthias Maurer, da Agência Espacial Europeia, permaneceram em sua nave SpaceX Crew Dragon por segurança, de acordo com um relatório mais recente da Spaceflight Now.

Ao mesmo tempo, os cosmonautas russos Shkaplerov, Pyotr Dubrov e o astronauta da Nasa Mark Vande Hei embarcaram em uma espaçonave Soyuz no segmento russo.

Ambas as espaçonaves podem ser usadas como botes salva-vidas para trazer a tripulação de volta à Terra em caso de emergência. A ISS conta atualmente com sete pessoas a bordo.

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TRÊS ASTRONAUTAS VÃO DECOLAR NESTA SEXTA-FEIRA (15) PARA MAIS UMA MISSÃO ESPACIAL DA CHINA

Saiba mais sobre a missão espacial da China que decola nesta 6ª

Três astronautas — dois homens e uma mulher — vão passar 6 meses em módulo da estação espacial em construção

Ye Guangfu (e), Zhai Zhigang (c) e Wang Yaping vão passar os próximos 6 meses em órbita

REPRODUÇÃO / TWITTER

Três astronautas vão decolar nesta sexta-feira (15), às 13h23 (0h23 de sábado no horário de Pequim) para a mais longa missão espacial tripulada da história do programa espacial da China. Os membros da missão Shenzhou-13 vão passar seis meses no módulo da futura estação espacial do país, que está em órbita desde abril.

A tripulação, formada por Zhai Zhigang (55 anos), o primeiro chinês a fazer uma saída extraveicular, em 2008; Wang Yaping (41 anos), a segunda chinesa a viajar ao espaço, em 2013; e Ye Guangfu (41 anos), em seu primeiro voo espacial, vai conduzir diversos experimentos, fazer caminhadas espaciais e instalar equipamentos na estação.

A estação espacial deve ser concluída no fim de 2022 e receberá o nome Tiangong (“Palácio celestial”) em chinês ou CSS (“Estação espacial chinesa”) em inglês, com um tamanho similar ao da antiga estação soviética Mir (1986-2001). A previsão é que ela permanecerá operacional por pelo menos 10 anos.

Corrida espacial

O programa espacial chinês avançou de forma agressiva o seu cronograma de missões em 2021. O primeiro módulo da estação, chamado Tianhe (“Harmonia celestial”), foi colocado em órbita em uma missão que partiu em 29 de abril.

Desde então, outras três missões foram realizadas, em maio, junho e setembro. Na decolagem em maio, três astronautas foram para a estação, onde passaram 90 dias, a missão mais tripulada mais longa até a desta sexta.

A Agência Espacial Chinesa (CMSA, na sigla em inglês), anunciou que os tripulantes farão de duas a três “missões extraveiculares”. Com isso, Wang Yaping deve se tornar a primeira mulher chinesa a caminhar no espaço.

Wang, que esteve no espaço em junho de 2013 como tripulante da missão Shenzhou-10, chegou a dar uma aula para uma audiência calculada em cerca de 60 milhões de crianças chinesas. Na missão que se inicia nesta sexta-feira, ela deverá dar mais uma aula para alunos de todo o país.

Com a quinta missão este ano, a China busca reduzir seu atraso em relação a outras potências espaciais, como os EUA, a Rússia e a União Europeia. Para 2022, estão previstas pelo menos outras seis decolagens para seguir no processo de montagem da estação espacial.

Fonte: R7

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TURISMO: CHEGA AOS 20 ANOS E BANCADO POR MULTIBILIONÁRIOS O TURISMO ESPACIAL

Turismo espacial chega aos 20 anos dependente de multibilionários

Setor é bancado por empresários que carregam o sonho infantil de chegar ao espaço – ou então a ambição de explorar financeiramente esse sonho

Eduardo Geraque, colaboração para a CNN Brasil

 Atualizado 28 de abril de 2021 às 11:07

Uma palavra em russo, traduzida por “maravilhosamente”, saiu da boca de um norte-americano a caminho do espaço no dia 28 de abril de 2001. O milionário Dennis Tito, ex-engenheiro da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, alimentou um sonho de criança até os 60 anos. Com um bilhete comprado  na  época por aproximadamente US$ 20 milhões, ele se tornou o primeiro turista espacial da história.

Ao contrário das pioneiras missões espaciais da história, realizadas por EUA e União Soviética, países protagonistas da Guerra Fria no século passado, o início do turismo espacial, 20 anos atrás, já tinha o enredo que se repete agora. Ele permanece totalmente dependente de multibilionários que carregam o sonho infantil de chegar ao espaço – ou então a ambição de explorar financeiramente esse sonho.

Exibindo a bandeira americana no braço, Tito decolou para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) a bordo da Soyuz-U, uma nave russa. Ele deixou a Terra a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Eram 4h37 pelo horário de Brasília.

No início do voo que atingiria 320 quilômetros de altura, Tito respondeu em russo, após ser questionado em inglês, sobre como se sentia. Pouco importava que a missão dele, nos sete dias que ficaria em órbita, era apenas tirar fotos da ISS e do espaço.

Empresa pioneira fechou as portas

Empresários russos no final do século passado criaram a MirCorp, empresa que pretendia usar a estação espacial Mir, em vias de ser desativada, de forma privada. Ou seja, levando turistas para lá.

O plano não deu certo. A estação russa e a empresa não existem mais. Porém, antes de fechar as portas, os empresários conseguiram cumprir uma das missões — ou seja, mandar ao menos alguns turistas para o espaço. Tito não foi para a Mir, mas conseguiu chegar à ISS.

Projetos dominados por trio de multibilionários

Os últimos anos foram difíceis para as agências estatais dos Estados Unidos e da Rússia. Sem a corrida espacial a todo vapor, como ocorreu durante a Guerra Fria, está cada vez mais difícil conseguir verbas bilionárias para novos programas espaciais estatais dentro dos dois países.

Na última década, a Nasa teve de cortar os lançamentos dos ônibus espaciais e desidratar vários programas científicos. Apesar de manter a Soyuz voando, os russos também estão com o orçamento mais apertado.

Nesse contexto, o turismo espacial está totalmente dependente de multibilionários, como os norte-americanos Elon Musk, dono da SpaceX e CEO da Tesla, e Jeff Bezos, da Amazon, que controla a Blue Origin. O britânico Richard Branson, do grupo Virgin, completa um trio peso pesado de empresários do setor aeroespacial por meio da Virgin Galactic.

“Não há dúvida de que a SpaceX está muito à frente das outras. Pelo menos uns dois degraus a mais”, afirma o brasileiro Lucas Fonseca, engenheiro aeroespacial e empreendedor do setor, hoje radicado nos Estados Unidos.

Custo cai, mas ainda é alto

Fonseca avalia que o avanço do turismo espacial nestes últimos 20 anos, desde a MirCorp, poderia ter sido mais rápido. “Mesmo assim, nos próximos anos, o setor terá cada vez mais viagens, ainda para um grupo restrito, mesmo com o custo caindo bastante”, afirma.

Se em 2001 as estimativas falavam em dezenas milhões de dólares, hoje, com menos de meio milhão, uma pechincha, já é possível pensar em se arriscar em alguma viagem espacial.

As opções mais viáveis atualmente apontam três alternativas: subir a uns 30 km de altura em uma cápsula presa a um balão; fazer voos suborbitais, a menos de 100 km de altitude – foco principal da Virgin Galactic –, e alcançar o espaço propriamente dito, indo à ISS ou dando uma voltinha pela Lua, por enquanto, sem descer.

“Caminhada” no espaço

Mas mesmo esses itinerários básicos já podem contar com alguma sofisticação. Que tal visitar a ISS nas próximas férias e poder, também, andar pelo lado de fora da base, protagonizando um verdadeiro spacewalk?

Essa possibilidade, ainda dentro da apertada nave Soyuz, acaba de ser anunciada, apesar de o preço continuar sob sigilo. A agência russa Roscosmos, por meio do seu braço comercial, a Glavkosmos, pretende liberar em 2023, numa parceria com a empresa americana Space Adventures, uma caminhada pelo lado de fora da Estação Espacial. Isso, claro, se tudo der certo, o que nem sempre ocorre em se tratando de planejamentos espaciais.

O autor ou autora da façanha será o primeiro ser humano civil a fazer um spacewalk. Os treinamentos serão severos, dizem as duas empresas, e tudo será supervisionado por um cosmonauta.

A parceria entre a Space Adventures e os russos já rendeu oito viagens turísticas à ISS. O forte da empresa, entretanto, é vender bilhetes para voos suborbitais, ou seja, a menos de 100 km de altura.

Avanços de Elon Musk

Enquanto os produtos espaciais ganham corpo, as conquistas recentes da SpaceX reforçam a tese de que a empresa está na vanguarda da área, mesmo em projetos não voltados ao turismo.

“Eles fizeram algo inédito na história do desenvolvimento aeroespacial. Eles testam e desenvolvem protótipos de forma muito rápida. O que proporciona um aprendizado enorme. Isso não ocorreu nem nos tempos da Guerra Fria, quando havia muitos cientistas debruçados sobre projetos, mas poucos protótipos realmente montados”, analisa Lucas Fonseca.

De acordo com o engenheiro, o fato de alguns testes nos últimos anos terem terminado em explosão não significa fracasso, muito pelo contrário. “Na verdade, em alguns desses casos, eu teria me surpreendido se a aterrissagem tivesse sido perfeita”, afirma.

Um dos projetos da SpaceX com a Nasa, a nave Crew Dragon, não apenas foi testado como está aprovado. A moderna e confortável nave está neste exato momento no espaço. A primeira parte da missão da espaçonave, a chegada na ISS com mais quatro astronautas – Shane Kimbrough e Megan McArthur, da Nasa, Akihiko Hoshide, da Agência Espacial Japonesa, e Thomas Pesquet, da Agência Espacial Europeia –, foi concluída com sucesso no último sábado (24). Nesta quarta-feira (28), deve começar o voo de volta. A Dragon é a primeira nave privada a levar astronautas ao espaço.

O projeto Starship, que teve protótipos testados e destruídos nos últimos anos, corre em paralelo. Essa é uma espaçonave projetada para viagens interplanetárias de longa duração. O que isso quer dizer? Levar carga e seres humanos até a Lua e, como apontam os sonhos de Elon Musk, também a Marte.

Em 2023, o projeto deve promover o seu primeiro voo tripulado, este sim por turistas, para dar uma voltinha na Lua, sem aterrissagem. A viagem está sendo paga pelo empresário japonês Yusaku Maezawa. Os companheiros dele estão sendo selecionados. E existem candidatos brasileiros.

Como viver na Lua e chegar a Marte?

O que ainda parece um filme de ficção científica, viver uma temporada em uma base lunar ou até mesmo no planeta vermelho, talvez não esteja tão distante assim, segundo Lucas Fonseca. As estimativas indicam que isso pode ser uma realidade, principalmente para quem tem hoje menos de 50 anos.

No caso da Lua, que está em média a 380 mil km da Terra, a questão é bem menos complexa do que um deslocamento a Marte. Mesmo assim, desde 1972, os humanos não pisam no satélite natural. Construir uma base lá significa que os turistas terão que estar protegidos de vários problemas, desde aspectos físicos e emocionais até riscos de acidente.

A falta de gravidade pode fazer com que alguém seja atingido por um meteorito, por exemplo. “Costumo dizer que estes anos 20 [2020] serão lunares e, os de 30, serão de Marte. Não estou falando de turismo ainda, mas de pousos nesses lugares”, diz Fonseca.

Sobre Marte, a complexidade ainda é gigantesca. Como não dá para fazer bate e volta – a distância, quando os planetas estão alinhados, é de 230 milhões de km e mais do que dobra quando eles passam para lados opostos do Sol –, o retorno fica inviável sem muita energia a bordo.

Sem a possibilidade de carregar muito combustível na ida, por questão de peso e de segurança, a solução seria encontrar maneiras de produzir energia “made in Marte”. Mas esse é apenas um dos problemas. Como respirar? Como se alimentar? Como produzir água? São perguntas que até agora só em tese podem ser respondidas. Na prática, tudo deve ser diferente. Ainda mais para pessoas sem o mesmo tipo de treinamento dos astronautas.

Novos negócios e muitos riscos

Independentemente do que ocorrer nas próximas décadas, alguns desdobramentos são praticamente certos. Há, por exemplo, empresas que estão construindo hotéis espaciais que poderão ser usados com alguma frequência. Eles ficam perto da Terra, assim como a Estação Espacial Internacional.

O desenvolvimento dos foguetes pelas empresas privadas também poderá tornar possível voos espaciais da Terra para a Terra, o que significa ser transportado de Pequim a Nova York, por exemplo, em uma ou duas horas.

Mas como todo negócio, o turismo espacial vai precisar se sustentar financeiramente. Fora as questões de saúde, que afetam inclusive os astronautas que ficam meses no espaço, acidentes serão inevitáveis e provocarão impacto nas contas das empresas e na demanda de clientes. “Um monte de gente provavelmente morrerá no começo”, disse o próprio Elon Musk esta semana. Para o dono da SpaceX, a missão espacial para Marte será “árdua e perigosa” mas, ao mesmo tempo, “uma aventura gloriosa”.

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CORRIDA ESPACIAL CONTA COM NOVOS PAÍSES E MAIORES INVESTIMENTOS

Entenda por que países investem bilhões em programas espaciais

No mundo todo, 35 nações têm agências para lançar missões que cruzam a atmosfera levando astronautas e satélites

INTERNACIONAL

Giovanna Orlando, do R7

Corrida espacial conta com novos países e maiores investimentos

NASA

Se no século 20 a corrida espacial tinha apenas dois competidores, os Estados Unidos e a ex-União Soviética, o cenário no século 21 é outro. Para países interessados em descobrir o que existe além da atmosfera, em buscar autonomia nas pesquisas e em transmitir dados, o desenvolvimento na área espacial é essencial.

A Nasa, a agência espacial norte-americana, e a Roscosmos, a agência espacial russa, ainda são as duas potências no setor, mas outros países também passaram a investir bilhões de dólares em pesquisa espacial e avançaram significativamente no setor, como a Índia, China e também o bloco de países europeus, com a ESA.

No dia 28 de fevereiro, o Brasil lançou o primeiro satélite 100% brasileiro, o Amazônia-1, em parceria com a Índia. O satélite vai monitorar o desmatamento no Norte do país e a agricultura em território nacional.

Os Emirados Árabes Unidos, último país a entrar nessa  corrida espacial, lançaram em julho de 2020 uma sonda espacial com destino a Marte. A sonda Al-Amal (“A esperança”, em árabe”) chegou ao planeta vermelho em fevereiro deste ano.

Com mais avanços e países participando das pesquisas e da exploração espacial, a área tende a crescer e os objetivos ficam ainda mais complexas. Hoje, as missões tripuladas seguem para a Estação Espacial Internacional, mas com a vastidão do universo, as opções de exploração são infinitas em um futuro nem tão distante.

Lançamento de satélites e missões tripuladas

Enquanto muitos acreditam que o foco de programas espaciais é apenas enviar astronautas para a Lua e descobrir se é possível viver em outros planetas do Sistema Solar, as agências também são responsáveis pelo lançamento de satélites na órbita do planeta e por pesquisas científicas.

Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM do Rio Grande do Sul, Roberto Uebel, o lançamento de satélites para áreas de comunicação, defesa e militar garante autonomia para os países, além de dar uma “projeção de poder”.

“Se um país tem autonomia nos satélites, ele fica menos à mercê de países rivais. Como, por exemplo, a Venezuela lançando satélites para evitar depender dos EUA”, explica.

Mandar missões tripuladas pelo espaço não é uma missão fácil e barata. Os EUA e a Rússia já enviaram astronautas para a Lua, e a China já enviou um rover para lá, mas são bilhões de dólares investidos em uma jornada longa e difícil.

Desde 2010, a Estação Espacial Internacional reúne astronautas da Nasa, Canadá, Japão, Rússia e da Agência Espacial Europeia que participam de missões para realizar pesquisas e para monitoramento da Terra.

Como é a relação da NASA e Space X?

Nos Estados Unidos, existe ainda uma empresa espacial privada, a Space X, criada, em 2002, pelo empresário e segundo homem mais rico do mundo, Elon Musk .

No começo, a Nasa resistiu à ideia de empresas privadas atuarem na exploração espacial, por medo da área se tornar um comércio e deixar de ser voltada à pesquisa e desenvolvimento científico.

“Mas, com a crise internacional e de orçamento, a Nasa sofreu vários cortes e buscou novas parcerias”, diz Uebel.

Com isso, a agência espacial norte-americana e a Space X fizeram uma parceria, na qual a o governo dos EUA fornece recursos humanos e especialistas e a empresa de Musk naves, satélites e tecnologia.

“A Nasa tem o conhecimento e a Space X o dinheiro, assim, a os EUA não precisma desprender bilhões de dólares para construir as naves e consegue investir nos especialistas”, reflete o professor.

Desde 2019, os EUA também contam com mais um grupo interessado em “proteger” o espaço, a Força Espacial dos EUA, que é o sexto membro das Forças Armadas do país.

Segundo o site da corporação, o objetivo dos militares é “fornecer liberdade de operação para o país no espaço” através de operações espaciais e desenvolver “guardiões, adquirir sistemas militares espaciais, amadurecer a doutrina militar para poder espacial e organizar forças espaciais.”

Para o professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Vivaldo José Breternitz, a chegada desta nova força militar pode mudar a forma como a Nasa opera.

“Eu tenho a percepção de que a Nasa vai deixar, ou pelo menos dar menos prioridade, aos satélites de comunicação e monitoramento para focar no trabalho com essa força militar”, diz Breternitz.

Até agora não foi anunciado como a Força Espacial dos EUA vai agir e quais serão o foco de suas missões.

Os novos protagonistas

Nos últimos anos, a Índia e a China ocupam o protagonismo nesse cenário com um avanço rápido na área espacial. Os dois países já entram em listas de maiores países no setor e destinam bilhões no orçamento público para a formação de especialistas e desenvolvimento de satélites.

Segundo Roberto Uebel, o incentivo financeiro do governo atrai jovens para as áreas de engenharia e ligadas ao setor espacial, através de “bolsas de estudo e pesquisa, possibilidade de trabalhar nessas áreas e os altos salários e o emocional”, analisa.

Com os subsídios do governo, o número de engenheiros e cientistas formados nesses países cresceu nos últimos anos, garantindo que a área continue se desenvolvendo no futuro.

“O retorno que um programa espacial trás para a imagem de uma potência é enorme, mas é algo a longo prazo”, conclui Uebel.

Além disso, ter um programa espacial e satélites de espionagem e defesa ajudam a proteger um país, explica o professor Breternitz, “e a Índia tem dois grandes inimigos naturais, a China e o Paquistão”.

Países em desenvolvimento com programas espaciais

Qualquer país pode ter um programa espacial, desde que se tenha recursos econômicos e humanos, destaca o professor de Relações Internacionais, já que essa é uma área em que todos os investimentos são caros. Mesmo assim, países em desenvolvimento como Venezuela, Angola e Quênia possuem agências espaciais.

Apesar de não terem pesquisas significativas na área e nem pretendam lançar missões longas nos próximos anos, esses países conseguem lançar satélites com menor custo e que os ajudam a monitorar “o meio ambiente, a questão agrícola, já que Angola tem problemas com a seca, comunicações e defesa”, explica o especialista.

Além disso, esses programas são parceiros da Rússia, China e Índia, o que aumenta a zona de influência desses países nas regiões.

Como fica o Brasil na corrida espacial?

Sem investimentos altos na área e com a ciência longe de ser uma prioridade, os avanços do Brasil na área espacial são mais lentos, mas não pequenos. O país tem seis universidades que oferecem o curso de engenharia espacial, incluindo o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e já teve parcerias importantes com a Nasa e a Roscosmos no passado.

Além disso, o país possui a Base de Alcântara, que fica em “uma das melhores regiões do planeta para lançamento de foguetes”, já que fica na linha do Equador, diz o professor Uebel.

Porém, desde o acidente de 2003, quando uma explosão matou 21 pessoas no local, “o Brasil não conseguiu fazer a base voltar a funcionar regularmente, mas existem intenções”, segundo Breternitz.

Fonte: R7
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