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TECNOLOGIA: UMA SEQUÊNCIA DE 8 TELESCÓPIOS PARA CRIAR MAPA REQUINTADO DO CAMPO MAGNÉTICO GIRATÓRIO DO BURACO NEGRO

Uma nova TECNOLOGIA desenvolvida por uma equipe mundial de astrônomos usando o Event Horizon Telescope (EHT) é o destaque desta quinta-feira, aqui na coluna. Os cientistas ligaram oito telescópios ao redor do mundo para criar um telescópio virtual do tamanho da Terra, o EHT. A impressionante resolução obtida com o EHT é equivalente à necessária para medir o comprimento de um cartão de crédito na superfície da lua. Então convido você a ler o artigo completo a seguir e conhecer essa incrível descoberta!

Telescópio global cria mapa requintado do campo magnético giratório do buraco negro

Uma nova visão da região mais próxima do buraco negro supermassivo no centro da galáxia mostrou detalhes importantes dos campos magnéticos próximos a ele – e dicas sobre como jatos poderosos de material podem se originar naquela região.

Uma equipe mundial de astrônomos usando o Event Horizon Telescope (EHT) mediu uma assinatura de campos magnéticos – chamados de polarização – ao redor do buraco negro. Polarização é a orientação dos campos elétricos em ondas de luz e rádio, e pode indicar a presença e alinhamento de campos magnéticos.

As novas imagens permitiram aos cientistas mapear as linhas do campo magnético perto da borda do buraco negro de Messier 87 (M87) e são a chave para explicar como o buraco negro, a 50 milhões de anos-luz da Terra, pode lançar jatos energéticos de seu núcleo.

O buraco negro no centro de M87 é mais de 6 bilhões de vezes mais massivo que o sol. O material puxado para dentro forma um disco giratório – chamado de disco de acreção – orbitando próximo ao buraco negro.

A maior parte do material do disco cai no buraco negro, mas algumas partículas circundantes escapam e são ejetadas no espaço em jatos que se movem quase à velocidade da luz.

“As imagens polarizadas recém-publicadas são fundamentais para entender como o campo magnético permite que o buraco negro ‘coma’ matéria e lance jatos poderosos”, disse Andrew Chael, pesquisador do Hubble da NASA no Princeton Center for Theoretical Science e da Princeton Gravity Initiative em os EUA

Os cientistas compararam as novas imagens que mostravam a estrutura do campo magnético do lado de fora do buraco negro com simulações de computador baseadas em diferentes modelos teóricos. Eles descobriram que apenas os modelos com gás fortemente magnetizado podem explicar o que estão vendo no horizonte de eventos.

“As observações sugerem que os campos magnéticos na borda do buraco negro são fortes o suficiente para empurrar o gás quente e ajudá-lo a resistir à atração da gravidade. Apenas o gás que desliza pelo campo pode espiralar para dentro do horizonte de eventos ”, explicou Jason Dexter, professor assistente da Universidade de Colorado em Boulder e coordenador do Grupo de Trabalho de Teoria EHT.

Vista do buraco negro supermassivo M87 e colaboração do jato / EHT, ALMA 

Para fazer as novas observações, os cientistas ligaram oito telescópios ao redor do mundo para criar um telescópio virtual do tamanho da Terra, o EHT. A impressionante resolução obtida com o EHT é equivalente à necessária para medir o comprimento de um cartão de crédito na superfície da lua.

Esta resolução permitiu que a equipe observasse diretamente a sombra do buraco negro e o anel de luz ao seu redor, com a nova imagem mostrando claramente que o anel está magnetizado. Os resultados são publicados em dois artigos no  Astrophysical Journal Letters.

À medida que a colaboração do EHT continua a trabalhar mais no que está acontecendo ao nosso redor no espaço, com certeza informaremos a você suas últimas descobertas.

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CIÊNCIAS: PLANETA 50% MAIOR DO QUE A TERRA É DESCOBERTO NA ÓRBITA DE UMA DAS ESTRELAS MAIS ANTIGAS DA VIA LÁCTEA

Uma descoberta incrível pegou uma equipe de cientistas caçadores de planetas de surpresa. Um planeta 50% maior do que a terra, carinhosamente chamado pelos cientistas de a nova ‘super terra’ e se encontra na órbita de um dos planetas mais antigos da Via Láctea. Porém, devido a sua proximidade com sua estrela sua órbita completa equivale a menos de meio dia nosso. Conheça os detalhes sobre essa descoberta lendo o artigo completo a seguir!

Uma nova ‘super terra’ foi descoberta perto de uma das estrelas mais antigas de nossa galáxia

Uma “super Terra” quente e rochosa, perto de uma das estrelas mais antigas da galáxia, pegou uma equipe de cientistas caçadores de planetas de surpresa.

O planeta é cerca de 50 por cento maior do que a Terra, mas requer menos de meio dia para orbitar sua estrela.

“Para cada dia que você está na Terra, este planeta orbita sua estrela duas vezes”, disse o astrofísico planetário da UC Riverside e membro da equipe Stephen Kane.

Parte da razão para a curta órbita é a proximidade do planeta de sua estrela, o que também cria um calor incrível. Sua temperatura média de superfície estimada é de mais de 2.000 graus Kelvin – muito quente para hospedar a vida como a conhecemos hoje, embora possa ter sido possível.

Além disso, Kane disse que embora o planeta tenha aproximadamente três vezes a massa da Terra, a equipe calculou que sua densidade seja igual à do nosso planeta.

“Isso é surpreendente porque você esperaria que a densidade fosse maior”, disse Kane. “Isso é consistente com a noção de que o planeta é extremamente antigo.”

Quanto mais antigo for um planeta, menos denso será, porque não havia tantos elementos pesados ​​disponíveis quando ele se formou, explicou Kane. Elementos pesados ​​são produzidos por reações de fusão em estrelas à medida que envelhecem. Eventualmente, as estrelas explodem, dispersando esses elementos a partir dos quais novas estrelas e planetas se formarão.

A descoberta do planeta TOI-561b, e observações adicionais que a equipe fez sobre sua composição, foram aceitas para publicação no  Astronomical Journal.

“TOI-561b é um dos planetas rochosos mais antigos já descobertos”, disse Lauren Weiss, colega de pós-doutorado e líder de equipe da Universidade do Havaí. “Sua existência mostra que o universo vem formando planetas rochosos quase desde seu início, há 14 bilhões de anos.”

Nomeado para o Transiting Exoplanet Survey Satellite da NASA, o TESS Object of Interest (TOI) 561 pertence a uma rara população de estrelas chamada de disco espesso galáctico. As estrelas nesta região são quimicamente distintas, com menos elementos pesados, como ferro ou magnésio, associados à construção de planetas.

A equipe da Missão TESS usou o acesso da Universidade da Califórnia ao Observatório WM Keck no Havaí – lar de alguns dos telescópios mais produtivos cientificamente da Terra – para confirmar a presença do planeta TOI-561b. O equipamento do observatório também ajudou a equipe a calcular a massa, densidade e raio do planeta.

Os astrônomos estão continuamente tentando entender a relação entre a massa e o raio dos planetas que encontram. Essas informações fornecem uma visão sobre a estrutura interna dos planetas que, com a tecnologia de hoje, estão muito distantes para serem visitados e amostrados.

“As informações sobre o interior de um planeta nos dão uma ideia se a superfície do planeta é habitável pela vida como a conhecemos”, disse Kane. “Embora seja improvável que este planeta em particular seja habitado hoje, ele pode ser o prenúncio de muitos mundos rochosos ainda a serem descobertos em torno das estrelas mais antigas de nossa galáxia.”

Fonte: Universidade da Califórnia, Riverside

Fonte: Good News Network

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CIÊNCIAS: UMA CONJUNÇÃO PLANETÁRIA OCORRERÁ NOAMANHECER DESTA QUINTA-FEIRA

No alvorecer desta quinta-feira será possível ver uma conjunção planetária se formando no céu entre os planetas Vênus e Júpiter. O espetáculo poderá ser observado a olho nu, mas binóculos ou um telescópio básico são sempre úteis ao observar eventos celestes. Então se prepare, durma cedo nesta quarta-feira e acorde cedo para observar esse lindo fenômeno!

Procure a conjunção Vênus-Júpiter no céu noturno desta semana

Muita coisa vai acontecer no céu no dia 11 de fevereiro. Não só estará especialmente escuro graças à lua nova, mas na quinta-feira de manhã, um pouco antes do nascer do sol, olhe para cima e verá Vênus se aproximando de Júpiter.

Você deve ser capaz de ver essa conjunção planetária acontecer a olho nu, mas binóculos ou um telescópio básico são sempre úteis ao observar eventos celestes.

Como identificar essa conjunção rara? De acordo com o Farmer’s Almanac , cerca de 30 minutos antes do nascer do sol parece baixo no horizonte sudeste. Nesse ponto, os planetas deveriam ter subido o suficiente acima do horizonte para serem vistos. O sol ainda não começou a iluminar o céu, e você deve ser capaz de ver Júpiter e Saturno brilhando muito próximos – apenas 0,4 graus de diferença.

Se você está em uma quinta-feira nublada, tente olhar na manhã de sexta-feira – os planetas também aparecerão juntos.

E se você não tiver um mapa celeste de papel ou mapa para se orientar? Não se preocupe. Você pode usar um aplicativo útil como o Star Walk 2 para encontrar facilmente esses dois gigantes gasosos, exatamente onde você estiver.

Fonte: Good News Network

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CIÊNCIAS: CIENTISTAS PODEM TER FEITO A MAIOR DESCOBERTA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Um grande avanço da astronomia e da ciência como um todo é o destaque desta terça, aqui na coluna CIÊNCIAS. Os cientistas do Observatório Nanohertz de Ondas Gravitacionais da América do Norte (NANOGrav) detectaram o ‘zumbido’ do universo, ou seja, a presença de ondas gravitacionais de baixa frequência, que pode ser a prova da onda gravitacional pano de fundo, uma descoberta mais importante do que qualquer coisa na história recente. Então, convido você a ler o artigo completo a seguir e conhecer os detalhes dessa sensacional descoberta!

Os cientistas podem ter detectado o ‘zumbido’ do universo que pode mudar a astronomia para sempre

Os astrofísicos que tentam detectar a presença de ondas gravitacionais de baixa frequência estão no caminho certo, e pode ser uma das maiores descobertas da história da humanidade.

Em colaboração de um lado ao outro da Terra, apareceu um sinal nos dados de um projeto que usa o ritmo do movimento das estrelas para detectar essas ondas intergalácticas verdadeiramente gigantescas, e os cientistas acham que pode ser a prova da onda gravitacional pano de fundo, uma descoberta mais importante do que qualquer coisa na história recente.

Os pesquisadores, vindos do Observatório Nanohertz de Ondas Gravitacionais da América do Norte (NANOGrav), são cautelosos, sabendo que os aspectos macro e micro de seus dados podem enganá-los.

Seu trabalho envolveu o monitoramento constante de 45 pulsares durante um período de 12 anos. Pulsares são estrelas superdensas que giram em velocidades incrivelmente rápidas, gerando um fluxo contínuo de luz, radiação e até mesmo som.

Sendo que eles estão tentando medir uma das maiores forças do universo, os pulsares trabalham para expandir o equipamento de monitoramento dos cientistas para grandes trechos da Via Láctea, ao invés de apenas um laboratório no Colorado.

Seu recente artigo revelou que o giro contínuo dos pulsares parecia ser interrompido por alguns nanossegundos de uma forma que era replicada em cada uma das 45 estrelas, exatamente o tipo de efeito que as ondas gravitacionais de baixa frequência que viajam pelo universo teriam. .

“É incrivelmente empolgante ver um sinal tão forte emergir dos dados”, disse Joseph Simon, da Universidade do Colorado, que liderou o jornal . “No entanto, como o sinal de onda gravitacional que procuramos abrange toda a duração de nossas observações, precisamos entender cuidadosamente o nosso ruído.

“Isso nos deixa em um lugar muito interessante, onde podemos excluir fortemente algumas fontes de ruído conhecidas, mas ainda não podemos dizer se o sinal é realmente de ondas gravitacionais. Para isso, precisaremos de mais dados ”.

Um universal

Quando em 2015, pesquisadores que trabalhavam no Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) detectaram evidências de uma única onda gravitacional, uma ondulação no tecido do espaço-tempo causada pela colisão de dois buracos negros, ela ganhou o Prêmio Nobel de Física.

A onda detectada por sua matriz de laser era equivalente a uma batida de tarola – um evento de segundos, após o qual o silêncio reinou novamente.

Em contraste, o projeto NANOGrav dos Estados Unidos e Canadá está tentando medir ondas gravitacionais que levam meses, ou até anos para passar sobre a Terra.

Essas ondas seriam geradas por uma força teórica conhecida como onda gravitacional de fundo (GWB), o equivalente ao zumbido baixo e contínuo de vozes em uma lanchonete ou festa, gerada por milhões de eventos cataclísmicos saturando o universo com ondulações no espaço-tempo .

Como muitas descobertas, especialmente aquelas relacionadas a partículas subatômicas ou matéria escura, o método de observação envolve o efeito, não o objeto real. Portanto, a sensibilidade do método detetive deve ser requintada, considerando que o objeto é invisível e tão lento e maciço que requer milhões de anos-luz de espaço de detetive e décadas de foco sem piscar para ver seu efeito no ambiente cósmico.

Portanto, NANOGrav está planejando adicionar mais pulsares às suas observações através da colaboração com o International Pulsar Timing Array, e estudá-los por ainda mais tempo.

“Os próximos anos serão realmente empolgantes para o NANOGrav, à medida que reunimos o próximo conjunto de dados e procuramos ondas gravitacionais”, disse Sarah Vigeland, professora assistente de física da Uni. de Wisconsin para sua editora universitária .

Implicações do fundo da onda gravitacional

Tão universal quanto a força das marés aqui na Terra, tudo sobre a nossa compreensão do universo teria que estar de acordo com o GWB.

Seu poder é gerado pelos eventos mais cataclísmicos que existem, como uma colisão ou fusão entre dois buracos negros supermassivos, objetos bilhões de vezes maiores que o sol e que teoricamente estão no centro de muitas galáxias.

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“Essas primeiras dicas atraentes de um fundo de onda gravitacional sugerem que buracos negros supermassivos provavelmente se fundem e que estamos flutuando em um mar de ondas gravitacionais ondulando de fusões de buracos negros supermassivos em galáxias em todo o universo”, disse Julie Comerford, professora associada de astrofísica e ciências planetárias em CU Boulder e membro da equipe NANOGrav.

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O poder do GWB abriria novos campos de estudo, especialmente aqueles relacionados aos buracos negros supermassivos enigmáticos, e um dia se nos tornássemos um povo viajante do espaço, o GWB, como muitas outras forças da natureza que influenciam as viagens na Terra , fator nas viagens espaciais, uma vez que o poder das ondas de baixa frequência pode alterar as posições de planetas, estrelas e potencialmente até galáxias.

Fonte: Good News Network

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BOAS NOTÍCIAS: RARA CONJUNÇÃO PLANETÁRIO COM JÚPITER, SATURNO E MERCÚRIO SERÁ O ESPETÁCULO NOTURNO NESTE FIM DE SEMANA

Neste fim de semana teremos uma rara conjunção planetária tripla, com Júpiter, Saturno e Mercúrio, formarão um triângulo estreito no céu. Será possível observar até mesmo com um simples binóculo. Então, lhe convido a ler o artigo completo a seguir e saber dos detalhes tipo: dia, hora e coordenadas dessa rara conjunção!

Uma rara ‘conjunção tripla’ de planetas irá coroar os céus noturnos neste fim de semana

Olhe para o céu noturno em 10 de janeiro para ver uma rara ‘conjunção tripla’ de planetas, enquanto Júpiter, Saturno e Mercúrio formam um triângulo estreito no céu.

A melhor época para ver esse fenômeno será cerca de 45 minutos após o pôr do sol no domingo, olhando para o céu baixo em direção ao horizonte sudoeste.

Embora você não precise pedir emprestado o equipamento de observação de estrelas dos Observatórios Mauna Kea para ver a conjunção tripla, um par de binóculos domésticos certamente o ajudará a ver esses planetas formarem um botão compacto a apenas 1,6 ° de distância.

Para ter algo com que comparar a conjunção, é uma boa ideia procurar também à noite antes e depois de 10 de janeiro. Dessa forma, você será capaz de rastrear este trio planetário conforme eles se movem juntos e depois se separam.

De acordo com o Espaço , Mercúrio aparecerá cerca de 2,5 vezes mais escuro do que Júpiter e quatro vezes mais brilhante do que Saturno.

Fonte: Good News Network

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CIÊNCIAS: ASTRÔNOMOS DESCOBREM SEIS GALÁXIAS EM TORNO DE UM SUPERBURACO NEGRO MASSIVO

Neste domingo temos uma fantástica descoberta da astronomia, aqui na coluna CIÊNCIAS, que pode ajudar a entender como os buracos negros supermassivos se formaram e atingiram seus tamanhos máximos em tão pouco tempo. Astrônomos encontraram seis galáxias em torno de um buraco negro supermassivo quando o universo tinha menos de 1 bilhão de anos. Convido você a ler esse artigo curioso e instigantes e conhecer os detalhes dessa extraordinária descoberta!

‘Teia’ de superburaco negro prende seis galáxias

Descoberta ajuda a entender como os buracos negros supermassivos se formaram e atingiram seus tamanhos máximos

Concepção artística da “teia” que liga seis galáxias a um buraco negro supermassivo: primeira vez que uma estrutura desse tipo é identificada no primeiro bilhão de anos de existência do universo. Crédito: ESO/L. Calçada

Com a ajuda do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), astrônomos encontraram seis galáxias em torno de um buraco negro supermassivo quando o universo tinha menos de 1 bilhão de anos. Esta é a primeira vez que um agrupamento tão próximo foi visto logo após o Big Bang. A descoberta ajuda os cientistas a entender melhor como os buracos negros supermassivos (um dos quais existe no centro da Via Láctea) se formaram e cresceram rapidamente até atingir seus enormes tamanhos. Ela dá suporte à teoria de que os buracos negros podem crescer rapidamente dentro de grandes estruturas semelhantes a teias, que contêm bastante gás para alimentá-los.

“Esta pesquisa foi impulsionada principalmente pelo desejo de compreender alguns dos objetos astronômicos mais desafiadores – buracos negros supermassivos no início do universo. Esses são sistemas extremos e até agora não tivemos nenhuma boa explicação para sua existência”, disse Marco Mignoli, astrônomo do Instituto Nacional de Astrofísica (Inaf) em Bolonha (Itália) e autor principal da nova pesquisa, publicada na revista “Astronomy & Astrophysics”.

As novas observações com o VLT do ESO revelaram várias galáxias ao redor de um buraco negro supermassivo, todas localizadas em uma “teia de aranha” cósmica de gás que se estende por mais de 300 vezes o tamanho da Via Láctea. “Os filamentos da teia cósmica são como os fios da teia de aranha”, explica Mignoli. “As galáxias se erguem e crescem onde os filamentos se cruzam, e fluxos de gás – disponíveis para alimentar tanto as galáxias quanto o buraco negro supermassivo central – podem fluir ao longo dos filamentos.”

Peça no quebra-cabeça

A luz dessa grande estrutura em forma de teia, com seu buraco negro de 1 bilhão de massas solares, viajou até nós desde uma época em que o universo tinha apenas 900 milhões de anos. “Nosso trabalho colocou uma peça importante no quebra-cabeça amplamente incompleto que é a formação e o crescimento de objetos tão extremos, mas relativamente abundantes, tão rapidamente após o Big Bang”, diz o coautor Roberto Gilli, também astrônomo do Inaf em Bolonha , referindo-se a buracos negros supermassivos.

Os primeiros buracos negros, que se acredita terem se formado a partir do colapso das primeiras estrelas, devem ter crescido muito rapidamente para atingir massas de um bilhão de sóis no primeiro 0,9 bilhão de anos de vida do universo. Mas os astrônomos têm se esforçado para explicar como quantidades suficientemente grandes de “combustível de buraco negro” poderiam estar disponíveis para permitir que esses objetos crescessem até tamanhos enormes em tão pouco tempo. A estrutura recém-descoberta oferece uma explicação provável. Segundo os astrônomos, a “teia de aranha” e as galáxias dentro dela contêm gás suficiente para fornecer o combustível de que o buraco negro central precisa para rapidamente se tornar um gigante supermassivo.

Mas como essas grandes estruturas semelhantes a teias se formaram em primeiro lugar? Os astrônomos acham que halos gigantes da misteriosa matéria escura são a chave. Acredita-se que essas grandes regiões de matéria invisível atraíram grandes quantidades de gás no início do universo. Juntos, o gás e a matéria escura formaram as estruturas semelhantes a uma teia onde galáxias e buracos negros podem evoluir.

Ponta do iceberg

“Nossa descoberta dá suporte à ideia de que os buracos negros mais distantes e massivos se formam e crescem dentro de halos massivos de matéria escura em estruturas de grande escala, e que a ausência de detecções anteriores de tais estruturas foi provavelmente motivada por limitações de observação”, diz Colin Norman, da Universidade Johns Hopkins (EUA), também coautor do estudo.

As galáxias agora detectadas são algumas das mais fracas que os atuais telescópios podem observar. Essa descoberta exigiu observações durante várias horas usando os maiores telescópios ópticos disponíveis, incluindo o VLT do ESO, no deserto do Atacama, no Chile. “Acreditamos que acabamos de ver a ponta do iceberg e que as poucas galáxias descobertas até agora em torno desse buraco negro supermassivo são apenas as mais brilhantes”, disse a coautora Barbara Balmaverde, astrônoma do Inaf em Turim (Itália).

Esses resultados contribuem para a nossa compreensão de como buracos negros supermassivos e grandes estruturas cósmicas se formaram e evoluíram. O Extremely Large Telescope do ESO, atualmente em construção no Chile, poderá desenvolver essa pesquisa observando muito mais galáxias mais fracas ao redor de enormes buracos negros no universo primitivo usando seus poderosos instrumentos.

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CIÊNCIAS: ASTRÔNOMOS CALCULAM QUE A VIA LÁCTEA TENHA 2 MILHÕES DE ANOS LUZ DE DIÂMETRO

Uma descoberta importante é o nosso destaque na coluna CIÊNCIAS desta quinta-feira. Astrônomos calculam que a fronteira da Via Láctea com a sua vizinha Andrômeda esteja bem mais distante do que se imaginava. Leia a reportagem completa a seguir e entenda essa nova descoberta.  

REDAÇÃO GALILEU

 ATUALIZADO EM 

Nossa galáxia pode ser muito maior do que parece. Uma pesquisa publicada no arXiv e liderada por especialistas da Universidade de Durham, na Inglaterra, indica que a Via Láctea se estende por quase 2 milhões de anos-luz — sendo que um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros.

Isso não significa que seu disco luminoso, ou seja, sua parte visível, ocupe todo esse espaço: um estudo do ano passado defende que essa região da nossa galáxia meça apenas 260 mil anos-luz.

Assim como o Sol influencia corpos para além do Sistema Solar, por conta de sua força gravitacional e densidade, o halo “invisível” de matéria escura da Via Láctea também abrange uma área muito maior — e foi justamente esse diâmetro que os pesquisadores mediram recentemente.

Para encontrar a borda da Via Láctea, a equipe realizou simulações por computador de como galáxias enormes como a nossa se formam, focando em casos nos quais duas galáxias gigantes surgiram lado a lado (como é o caso da Via Láctea e de nossa vizinha Andrômeda). Isso porque esses aglomerados celestes influenciam uns aos outros — e é o limite dessa influência que, para os especialistas, delimita a fronteira de cada galáxia.

Tendo isso em vista, os astrônomos perceberam que a influência da Via Láctea chega a cerca de 950 mil anos-luz de seu centro, delimitando, assim, o seu diâmetro de 2 milhões de anos-luz. “Em muitas análises da auréola da Via Láctea, seu limite externo é uma restrição fundamental. Muitas vezes a escolha é subjetiva, mas, como discutimos, é preferível definir um limite externo física e observacionalmente motivado”, escreveram os especialistas no artigo.

Os cientistas esperam conseguir mais dados para continuar estudando o tópico, tornando essa medição cada vez mais precisa. “Há uma grande esperança de que dados futuros forneçam uma medição mais robusta e precisa da borda da Via Láctea e das galáxias próximas dela”, concluíram.

Fonte: Galileu
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CIÊNCIA E TECNOLOGIA: A VIA LÁCTEA ESTÁ SE DEFORMANDO GRAÇAS A UM CHOQUE COM OUTRA GALÁXIA

Na nossa coluna CIÊNCIAS & TECNOLOGIA desta quinta-feira você vai saber tudo sobre um fenômeno natural que está acontecendo há algum tempo, mas que só agora os cientistas conseguiram decifrar e explicar que este fenômeno é a Via Láctea se deformando por colisão com outra galáxia, graças ao satélite Gaia da Agência Espacial Européia que há seis anos monitora mais de um bilhão de estrelas. Leia o riquíssimo artigo completo a seguir e descubra uma parte da história de um universo nunca antes imaginado!

Via Láctea está se deformando por colisão com outra galáxia

Informações do satélite Gaia indicam que a distorção tem origem numa galáxia menor próxima, como Sagitário; choque não tem efeitos visíveis na Terra

Via Láctea: disco um pouco curvado nas extremidades. Crédito: ESO/F. Char

Os astrônomos discutem há anos por que a Via Láctea está distorcida. Dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que faz mapeamento de estrelas, sugerem que a distorção pode ser causada por uma colisão contínua com outra galáxia menor, que envia ondas pelo disco galáctico como uma rocha jogada na água.

Sabe-se desde o fim da década de 1950 que o disco da Via Láctea – onde reside a maioria de centenas de bilhões de estrelas – não é plano, mas um pouco curvado para cima de um lado e para baixo do outro. Durante anos, eles debateram o que está causando essa distorção. Propuseram várias teorias, incluindo a influência do campo magnético intergalático ou os efeitos de um halo da matéria escura, uma grande quantidade de matéria invisível que se espera que rodeie as galáxias. Se tal auréola tivesse uma forma irregular, sua força gravitacional poderia dobrar o disco galáctico.

Com sua pesquisa exclusiva de mais de um bilhão de estrelas em nossa galáxia, Gaia pode ser a chave para resolver esse mistério. Uma equipe de cientistas que usam os dados da segunda leva de informações liberadas por Gaia confirmou agora indicações anteriores de que essa distorção não é estática, mas muda sua orientação ao longo do tempo. Os astrônomos chamam esse fenômeno de precessão, e ele pode ser comparado à oscilação de um pião à medida que seu eixo gira.

Além disso, a velocidade com que a distorção ocorre é muito mais rápida do que o esperado – mais rápida do que o campo magnético intergalático ou o halo da matéria escura permitiriam. Isso sugere que a distorção deve ser causada por outra coisa. Algo mais poderoso – como uma colisão com outra galáxia.

Diferença de velocidade

“Medimos a velocidade da distorção comparando os dados com nossos modelos. Com base na velocidade obtida, a distorção completaria uma rotação em torno do centro da Via Láctea entre 600 milhões e 700 milhões de anos”, diz Eloisa Poggio, do Observatório Astrofísico de Turim (Itália), principal autora do estudo, publicado na revista “Nature Astronomy”. “Isso é muito mais rápido do que o esperado, com base em previsões de outros modelos, como aqueles que observam os efeitos do halo não esférico.”

A velocidade da distorção é, no entanto, mais lenta que a velocidade com que as próprias estrelas orbitam o centro galáctico. O Sol, por exemplo, completa uma rotação em cerca de 220 milhões de anos.

Essas ideias só foram possíveis graças à capacidade sem precedentes da missão Gaia de mapear a Via Láctea em 3D, determinando com precisão as posições de mais de um bilhão de estrelas no céu e estimando sua distância da Terra. O telescópio, parecido com um disco voador, também mede as velocidades com as quais estrelas individuais se movem no céu, permitindo que os astrônomos ‘reproduzam’ o filme da história da Via Láctea, indo e voltando no tempo ao longo de milhões de anos.

“É como ter um carro e tentar medir a velocidade e a direção da viagem dele por um período muito curto de tempo e, com base nesses valores, tentar modelar a trajetória passada e futura do carro”, diz Ronald Drimmel, astrônomo pesquisador do Observatório Astrofísico de Turim e coautor do artigo. “Se fizermos essas medições para muitos carros, poderemos modelar o fluxo de tráfego. Da mesma forma, medindo os movimentos aparentes de milhões de estrelas no céu, podemos modelar processos em larga escala, como o movimento da distorção.”

Sagitário?

Os astrônomos ainda não sabem qual galáxia pode estar causando a ondulação nem quando a colisão começou. Uma das candidatas é Sagitário, uma galáxia anã que orbita a Via Láctea, que se acredita ter rompido o disco galáctico da Via Láctea várias vezes no passado. Os astrônomos pensam que Sagitário será gradualmente absorvida pela Via Láctea, um processo que já está em andamento.

Diagrama da ESA que apresenta o disco da Via Láctea, com as distâncias do núcleo em relação ao Sol (26 mil anos-luz) e às extremidades deformadas (52 mil anos-luz): a amplitude da distorção onde está a Terra é muito pequena. Crédito: Stefan Payne-Wardenaar; Inset: Nasa/JPL-Caltech; Layout: ESA

“Com Gaia, pela primeira vez, temos uma grande quantidade de dados sobre uma grande quantidade de estrelas, cujo movimento é medido com precisão para que possamos tentar entender os movimentos em larga escala da galáxia e modelar sua história de formação”, diz Jos de Bruijne, cientista de projeto adjunto do Gaia. “Isso é algo único. Esta é realmente a revolução de Gaia.”

Por mais impressionantes que a distorção e sua precessão apareçam na escala galáctica, os cientistas nos asseguram que não há efeitos visíveis na vida de nosso planeta.

Muitas colisões

“O Sol está a uma distância de 26 mil anos-luz do centro galáctico, onde a amplitude da distorção é muito pequena”, diz Poggio. “Nossas medidas foram dedicadas principalmente às partes externas do disco galáctico, a 52 mil anos-luz do centro galáctico e além.”

Gaia anteriormente descobriu evidências de colisões entre a Via Láctea e outras galáxias no passado recente e distante, o que ainda pode ser observado nos padrões de movimento de grandes grupos de estrelas bilhões de anos após os eventos ocorrerem.

Enquanto isso, o satélite, atualmente no sexto ano de sua missão, continua varrendo o céu e um consórcio europeu está ocupado processando e analisando os dados que continuam fluindo em direção à Terra. Astrônomos de todo o mundo estão ansiosos pelos próximos dois lançamentos de dados de Gaia, planejados para o final de 2020 e a segunda metade de 2021, respectivamente, para encarar outros mistérios da galáxia que chamamos de lar.

Fonte: Revista Planeta

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CIÊNCIAS: SAIBA COMO SURGIU O NOSSO ASTEROIDE, A LUA E DE QUEBRA O ZODÍACO

Um artigo SUPERINTERESSANTE sobre como surgiu o nosso asteroide, a Lua e qual a sua relação com o zodíaco, os doze signos, os 12 deuses do Olimpo, as 12 tribos de Israel, as 12 horas do relógio. Leia o artigo completo a seguir e entenda a ligação entre todas essas coisas! 

Como o choque com um asteroide descomunal criou o zodíaco

De quebra, a pancada cósmica criou os 12 deuses do Olimpo, as 12 tribos de Israel, as 12 Nidanas do budismo e as 12 horas do relógio.

Num dia qualquer, há uns 4 bilhões de anos, surgiu no céu a mãe de todos os asteroides. Um astro, na verdade. Do tamanho de Marte. A coisa entrou em rota de colisão com o nosso planeta. Bateu. E o resultado foi tão homérico que até hoje um vestígio dele paira sobre as nossas cabeças.

É que a pancada fez a Terra perder uma fatia gorda da própria superfície. Os estilhaços do impacto foram parar em órbita, e se juntaram em volta da Terra na forma de um anel. Um anel de rochas, mais ou menos como o que existe em volta de Saturno. Mas esse nosso anel não durou muito tempo.

Em coisa de um século, os estilhaços em órbita já tinham se juntado na forma de uma bola com 73 bilhões de trilhões de toneladas. Uma pedra flutuante com diâmetro que dá basicamenrte a distância entre o Oiapoque e o Chuí: 3.600 quilômetros.

Uma pedra que, além de grande, é bem bonita para quem olha daqui de baixo. Tanto que costuma ser chamada por nomes femininos. Para o povo da Suméria, a primeira civilização a desenvolver a escrita, há 5 mil anos, a pedra no céu se chamava Nanna. Para os gregos, Selene. Para nós, Lua.

Mas a influência da Lua na Terra não ficou restrita à estética, claro. Para começar, ela foi responsável por reduzir drasticamente a rotação do planeta. Antes do choque-rei que deu origem ao satélite, nosso planeta girava bem mais rápido. Um dia durava só quatro horas há 4,5 bilhões de anos. Dali em diante, a gravidade da Lua foi freando nosso giro. Devagar e sempre. Há 1,5 bilhão de anos, o dia durava 18 horas. Há 500 milhões, 21 horas. Há 200 milhões, quando dinossauros flanavam pela Pangeia, 23 horas.

Um dia durava só quatro horas há 4,5 bilhões de anos. Dali em diante, a gravidade da Lua foi freando nosso giro. Devagar e sempre. Há 1,5 bilhão de anos, o dia durava 18 horas. Há 500 milhões, 21 horas. Há 200 milhões, quando dinossauros flanavam pela Pangeia, 23 horas.

Mas a dança entre a Terra e a Lua teve. O jogo de luz e de sombra entre os dois astros criou um fenômeno particular: o das quatro fases da Lua – crescente, cheia, nova e minguante. E a regularidade com que o satélite muda de fase para quem olha daqui de baixo foi o primeiro relógio da humanidade. Um Rolex celeste: extremamente preciso e com um valor estético indiscutível.

O grande indício de que a Lua foi o nosso relógio primordial está nos primeiros registros escritos da humanidade, cortesia da Suméria de 3,5 mil a.C. O ano já aparece ali dividido em 12 meses. A ideia de “mês”, afinal, é uma abstração baseada nos ciclos do satélite. É o tempo que ele leva para passar por suas quatro fases.

O grande indício de que a Lua foi o nosso relógio primordial está nos primeiros registros escritos da humanidade, cortesia da Suméria de 3,5 mil a.C. O ano já aparece ali dividido em 12 meses. A ideia de “mês”, afinal, é uma abstração baseada nos ciclos do satélite. É o tempo aproximado que ele leva para passar por suas quatro fases.

A coisa, enfim, se provou um jeito matematicamente confortável de dividir com alguma precisão os 365 dias do ano. Tanto que a divisão do ano em 12 meses acabou adotada pela maior parte das culturas humanas, e deu origem ao conceito de calendário. Uma noção tão importante que acabou colocando o número 12 como personagem central de uma série de mitologias ancestrais, todas independentes umas das outras: os 12 deuses do Olimpo, na Grécia Antiga; as 12 Nidanas (Causas do Eterno Retorno), na Índia; as 12 tribos de Israel.

Isso acabou colocando o número 12 como personagem central de uma série de mitologias ancestrais, todas independentes umas das outras: os 12 deuses do Olimpo, na Grécia Antiga; as 12 Nidanas (Causas do Eterno Retorno), na Índia; as 12 tribos de Israel.

Com os 12 signos do zodíaco é a mesma coisa, claro. Segue o fio.

A ideia dos signos surgiu de um jeitinho que os povos da mesopotâmia deram para facilitar a contagem dos dias e meses. Eles estipularam que o ano tinha 360 dias, o que deixava o ano dividido em 12 partes de 30 dias cada.

Faltava combinar com a Terra, já que ela teima em demorar 365 dias 5 horas, 48 minutos e 46 segundos para dar uma volta completa em torno do Sol. Mas acertaram isso adicionando um mês extra ao calendário de tempos em tempos – do mesmo jeito que fazemos hoje com os anos bissextos, colocando um dia a mais em fevereiro a cada quatro anos para dar conta desse um quarto a mais. A diferença é que os meses bissextos deles eram menos bissextos, aconteciam com mais frequência, para dar conta do atraso de 5 dias que se acumulava a cada ano.

Seja como for, o nosso sistema é filhote do deles. Tanto que você carrega um resquício do calendário mesopotâmico no pulso, ou no celular: os dias e noites divididos em 12 partes, de uma hora cada – era uma forma de trazer a elegância da contagem do tempo da escala macro para a micro.

E tudo por conta daquela pancada cósmica de 4,5 bilhões de anos atrás. Se ela tivesse sido um pouco mais forte ou um pouco mais fraca, um ano poderia conter mais ciclos lunares, ou menos. Seu relógio, então, seria um pouco diferente. Idem para o número de deuses do Olimpo, de Nidanas do budismo, de tribos de Israel (e de discípulos de Jesus…).

Bom, a ideia do ano de 360 dias derivou também derivou numa abstração. Não mística, mas geométrica: dividir qualquer círculo em 360 partes iguais, aquilo que a gente conhece como “graus”. Qualquer círculo mesmo, inclusive a abóboda celeste. Os mapas estelares da Mesopotâmia, impressos em tábuas de argila, eram círculos divididos em 12 partes iguais, de 30 graus. Cada um era representado por uma constelação específica, para que quem fosse consultar o mapa conseguisse se localizar direitinho.

Constelações, note bem, não existem fora da nossa cabeça. Pense no Cruzeiro do Sul. Visto daqui da Terra, esse conjunto de cinco estrelas forma mesmo uma cruz harmônica. Mas cada uma das estrelas ali está num ponto completamente diferente da galáxia.

Constelações, note bem, não existem fora da nossa cabeça. Pense no Cruzeiro do Sul. Visto daqui da Terra, esse conjunto de cinco estrelas forma mesmo uma cruz harmônica. Mas cada uma das estrelas ali está num ponto completamente diferente da galáxia.

A Beta Crucis, estrela que marca o braço direito da cruz está a 280 anos-luz de distância. A Delta Crucis, responsável pelo braço esquerdo, a 345 anos-luz. Se você levar em conta que a estrela mais próxima do Sistema Solar é a Alpha Centauri, a 4 anos-luz, já dá para ver que é muita coisa.

Mas ok. Há 5 mil anos não dava para saber mesmo. E que mapear constelações ajudava a ler melhor o céu, ajudava. E o jeito Mesopotâmico de olhar para as estrelas acabou pegando. Boa parte das constelações que eles catalogaram lá atrás para sinalizar as 12 divisões de seus mapas estelares acabaram entrando para a cultura grega, de lá foram para a romana, e terminaram na nossa: o Touro, o Caranguejo (Câncer), a Balança (Libra), o Pé de Cevada (Virgem)…

Eram os doze “sinais” do zodíaco. Os doze signos – palavra cuja raiz é a mesma de design (desenho) e de disegno (desenho em italiano). O nome “zodíaco”, aliás, só apareceu bem depois dos sumérios, na Grécia – vem de “zoe”, “vida”, em referência à criaturas vivas que as dão nome para as constelações. Seja como for, a ideia de organizar o céu dessa forma é pelo menos tão antiga quanto a escrita.

Provavelmente, bem mais antiga. Porque foi graças à habilidade de usar as estrelas, as fases da Lua e a posição do Sol ao longo do ano (para determinar as mudanças de estação), que a humanidade o maior salto de sua existência: a criação da agricultura, que remonta há 15 mil anos. Sem ela, não haveria aquilo que convencionamos chamar de “civilização”. Sem o apetite humano por ver significados no céu, também não.

Fonte: Superinteressante

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