SAÚDE:  SEGUNDO ESTUDO, MULHERES QUE PROGRAMAM AS RELAÇÕES SEXUAIS PODEM AUMENTAR AS CHANCES DE ENGRAVIDAR

Relação “cronometrada” pode aumentar as chances de gravidez, diz estudo

Análise de revisão sugere que testes que detectam hormônios na urina são

eficazes para estimar o período mais fértil

Lucas Rocha

da CNN

em São Paulo

Getty Images/Maryna Terletska

As mulheres que “programam” as relações sexuais podem aumentar as chances de engravidar, de acordo com um estudo de revisão. A pesquisa aponta que os casais que identificam sua “janela fértil” usando monitores de teste de urina específicos podem melhorar suas chances de gravidez.

Os resultados foram apresentados na 38ª reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia. De acordo com a pesquisadora Tatjana Gibbons, não foi possível chegar a conclusões definitivas sobre outros métodos de detecção de ovulação devido à falta de evidências suficientes.

Isso inclui métodos baseados em conscientização sobre fertilidade (FABM, na sigla em inglês), que são usados ​​na maioria dos aplicativos de ciclo menstrual para mulheres que tentam engravidar. Os métodos incluem o uso de previsões de calendário, identificação de alterações no fluido vaginal e na temperatura corporal a partir de dispositivos com biossensores, que indicam quando a ovulação é mais provável.

“Esta atualização sugere um benefício da relação sexual cronometrada usando a detecção de ovulação urinária. No entanto, são necessárias mais evidências sobre os efeitos adversos da relação sexual cronometrada e sua eficácia em diferentes grupos – como aqueles com infertilidade inexplicável – antes que os médicos possam promover essa prática”, diz Tatjana, da Universidade de Oxford e do Departamento de Nuffield de Saúde Reprodutiva e da Mulher, do Reino Unido.

Os kits de detecção de ovulação são testes que podem ser realizados em casa. Um bastão de teste é mergulhado em uma amostra de urina para medir os níveis de hormônio luteinizante (LH) e estrogênio. Com base nos níveis detectados, o monitor relata três níveis de fertilidade (baixo, alto e pico) para fornecer orientação sobre a “janela fértil”.

A relação sexual programada pode ser mais amplamente praticada devido a um aumento na disponibilidade de aplicativos de saúde, incluindo métodos de detecção de ovulação. A tecnologia prevê os dias no ciclo menstrual em que o ovário tem maior probabilidade de liberar um óvulo.

Para a análise, os pesquisadores avaliaram a eficácia da relação sexual cronometrada assistida por métodos de detecção de ovulação, como aplicativos digitais vinculados a monitores de urina, testes de ovulação de urina que medem hormônios de fertilidade entre outros métodos.

Os especialistas estimaram o impacto da relação sexual programada nas taxas de nascidos vivos, taxas de gravidez, tempo até a gravidez e qualidade de vida. O objetivo também foi investigar quaisquer associações entre as relações sexuais programadas e eventos adversos, incluindo estresse que pode ser causado pela falta de espontaneidade e pressão do desempenho sexual.

Para a análise, foram considerados dados de seis estudos envolvendo 2.374 mulheres que estavam tentando engravidar de maneira natural. No geral, os resultados apontaram que a relação sexual cronometrada, usando a detecção de ovulação urinária, estava associada a taxas mais altas de gravidez do que em casais que não estavam cronometrando a relação especificamente na janela fértil.

Os autores avaliaram a chance de gravidez por meio de relações sexuais programadas entre 20% a 28% em comparação com 18% para relações espontâneas.

Para casais usando detecção de ovulação, foi demonstrado um benefício para aqueles que tentavam conceber há menos de 12 meses, mas não havia evidências suficientes para detectar uma diferença em casais acima desse período.

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