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OPINIÃO: GENERAL HELENO E O CONGRESSO CHANTAGISTA

Na OPINIÃO de Caio Coppolla o tal “presidencialismo de coalização” dos governos tucano, petista e emedebista e o toma-lá-da-cá acabou a partir de 2019 e deixou os tais parasita, carrapatos acostumados a serem maiores que o boi,  sem hospedeiro, com síndrome de abstinência. Por isso a reação pra lá de escandalosa sobre o: “nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente”, do General Heleno por ocasião de uma cerimônia oficial de hasteamento da bandeira nacional. Leia o irretocável artigo a seguir e conheça o lado sóbrio, equilibrado e isento desse imbróglio político.

General Heleno e o Congresso chantagista

General Heleno, Ministro do Gabinete de Segurança Institucional: flagrado em momento agudo de sinceridade

Por ocasião de uma cerimônia oficial de hasteamento da bandeira nacional, o General Heleno (Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, GSI) foi gravado durante o evento, em conversa privada, queixando-se do Parlamento a outros Ministros: “nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente”. A esse comentário, seguiu-se um sonoro xingamento.

Uma falta de respeito sem precedentes – nunca antes na história desse país

Coitados dos nossos parlamentares de notável saber e ilibada reputação.

Imagina insinuar que esses ínclitos deputados e senadores, essa comunhão de santos que ora e labora todos os dias pelo bem da nação, está chantageando o governo para obter mais dinheiro e poder.

A população de bem, que apoia os políticos e por eles se sente representada, está envergonhada com tantas palavras venenosas. Como o Ministro ousa sugerir a convocação do eleitor às ruas para pressionar seus eleitos? É fascismo!

É um escândalo. Onde já se viu xingar políticos em uma conversa entre colegas?

Ironia à parte, aquele que dessa forma nunca pecou, que atire a primeira crítica. Mesmo considerando que a liturgia do cargo obriga o Ministro a posturas em geral mais comedidas, trata-se de uma manifestação particular para uma audiência reservada. Desagradável, porque a verdade em estado muito cru tende a ser desconfortável… mas segue o jogo.

E o fato é que as salas de Brasília estão bem familiarizadas com linguagem de baixo calão – basta ver a postura indecorosa de Deputados da esquerda radical ao interpelarem Ministros de Estado em audiências públicas. O que realmente desestabilizou o alto clero do Congresso, não foi a forma grosseira da fala, mas o seu conteúdo verídico: a constatação da natureza “chantagista” de setores do Parlamento.

Chantagear é condicionar o seu próprio comportamento à obtenção de uma vantagem, geralmente injusta e/ou ilegal. A fala do General denota que o Congresso não é movido por interesse público, mas por interesse próprio. Se os congressistas estivessem de fato preocupados com o Brasil, atuariam sempre por convicção política, considerando a vontade popular, sem condicionar seu voto e sua pauta legislativa a benefícios e conveniências, de natureza lícita ou ilícita.

Peguemos o exemplo do Pacote AntiCrime, em sua versão original, submetido ao Congresso pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa legislação previa inovações como o confisco alargado de bens dos criminosos, o agravo de pena para crimes praticados com armas de fogo, o fim da progressão de regime para líderes de organizações criminosas e a criminalização do crime de caixa 2 eleitoral – todas essas medidas amplamente endossadas pela população e gestadas pelo Ministro mais popular do governo recém-eleito, Sérgio Moro. Atuar pela aprovação do Pacote AntiCrime era uma decisão que beirava a obviedade para qualquer parlamentar com um mínimo de espírito público. Mas o Congresso condicionou a aprovação dessas medidas a outras questões, de natureza diversa…

Por isso que nós observamos o fenômeno da Proposta de Emenda Constitucional do Orçamento Impositivo, que beneficiava diretamente os parlamentares, ser aprovada em poucas horas; ao passo que uma lei infraconstitucional, como o Pacote Anticrime, foi fatiada, engavetada por meses e desfigurada. Fica parecendo que se o governo não ceder muito aos caprichos legislativos, acaba perdendo na queda de braço. Porque no caso “hipotético” de um Congresso chantagista, a moeda de troca é o voto… e as vantagens pretendidas são cargos, influência política e verbas públicas.

Assim funcionava o tal “presidencialismo de coalização” dos governos tucano, petista e emedebista. A compra de apoio político no Congresso, por meio do loteamento de Ministérios, da distribuição de postos em empresas estatais, do repasse de verbas federais e do desvio de dinheiro público em esquemas de corrupção (como Mensalão e Petrolão). Esse toma-lá-da-cá acabou a partir de 2019 e deixou muito parasita sem hospedeiro, com síndrome de abstinência – e aqui estamos falando de carrapatos acostumados a serem maiores que o boi.

Só que o mais triste é observar que, na sua sanha insaciável por verbas públicas, os parlamentares contam com a condescendência de uma imprensa muitas vezes enviesada e maniqueísta, que enxerga, de um lado, um Congresso de anjos e do outro, um Governo de demônios.

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

Fonte: Boletim Coppolla

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