O REFUGIADO CAMBOJANO QUE FOI DA POBREZA À RIQUEZA DUAS VEZES

O ‘rei dos Donuts’ que foi da pobreza à riqueza – duas vezes

O refugiado cambojano Ted Ngoy fez fortuna vendendo rosquinhas nos EUA, mas perdeu tudo no jogo

ECONOMIA 

 por BBC NEWS BRASIL

Ted com a icônica caixa de donuts rosa que ele popularizou

Se você entrar em uma loja de donuts na Califórnia, é provável que ela seja de propriedade de uma família do Camboja. Isso se deve a um refugiado que construiu um império e ficou conhecido como “rei dos Donuts” — e depois perdeu tudo.

Ted Ngoy era um estudante do ensino médio em Phnom Penh, capital do Camboja, quando viu pela primeira vez Suganthini Khoeun, filha de um alto funcionário do governo.

Todos os meninos da sua escola eram apaixonados por Suganthini, e sendo um menino pobre de uma vila perto da fronteira tailandesa, ele achava que não tinha chance.

“Ela era poderosa, como uma princesa real”, diz Ted. E era sempre escoltada.

Mas Ted descobriu que o minúsculo cômodo em que ele estava alojado, no quarto andar de um conjunto habitacional sem elevador, dava para a mansão de Suganthini. E ele enxergou uma oportunidade. Todas as noites, se sentava à janela aberta e tocava flauta. Ao ouvir a música flutuar pela cidade tranquila, a mãe de Suganthini comentava que quem estava tocando devia estar apaixonado.

Uma noite, ele viu Suganthini na varanda e decidiu que era hora de agir. Ele escreveu um bilhete, dizendo a ela que morava no prédio em frente e era flautista — enrolou o papel em uma pedra e arremessou.

Seu gesto não foi correspondido por dias. Até que um dos empregados de Suganthini apareceu à sua porta com a resposta.

“O bilhete dizia: ‘Agradeço você por tocar flauta. É tão incrível, tão tocante’. E então começamos a nos comunicar, com o vai e vem de mensagens”, diz Ted.

“O que acontece se eu decidir entrar no seu quarto?”, ele perguntou um dia.

Suganthini respondeu: “Bem, tenha cuidado, se você não entrar no meu quarto, vai entrar no quarto da minha mãe”.

Ela achou que Ted estava brincando, mas ele estava falando sério. Apesar dos seguranças armados e cães de guarda da mansão, em uma noite chuvosa, Ted subiu em um coqueiro, passou por cima do arame farpado e entrou pela janela do banheiro.

Ele se arriscou e abriu a porta de um dos quartos — e lá estava Suganthini, dormindo profundamente.

Ted a acordou, e ela estava prestes a gritar por socorro, quando percebeu que era seu colega de turma.

“O que você está fazendo aqui?”, ela perguntou.

“Bem, é que eu me apaixonei por você”, ele respondeu.

“Mas o que faremos de manhã? Tenho que ir para a escola.”

“Não se preocupe, vou me esconder embaixo da sua cama”, disse Ted. E foi isso que ele fez.

Suganthini levava comida para ele à noite e, depois de muitos dias, ela também disse que o amava. Eles fizeram um pacto de sangue, prometendo fidelidade eterna. Ele conta que se escondeu no quarto dela por 45 dias até ser descoberto.

A família de Suganthini insistiu que Ted terminasse o namoro, dizendo que ele não a amava. Ele fez o que pediram, mas depois puxou uma faca e se esfaqueou, declarando que preferia morrer a viver sem ela. Enquanto ele se recuperava no hospital, Suganthini também cometeu um atentado contra a própria vida. Diante de tal determinação, sua família permitiu que os dois ficassem juntos.

“É uma história maluca, mas é verdade”, diz Ted, agora com 78 anos.

“Eu sentia um amor verdadeiro por ela.”

Mas ele admite que também sabia que conquistar o coração de Suganthini trazia a promessa de uma vida melhor.

Fonte: R7

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