O QUE O DEVEMOS APRENDER COM O MUNDO ÁRABE

Reflexões sobre o mundo árabe

O que o Ocidente perdeu pelo caminho?

Pessoas em um calçadão em Dubai | Foto: PixabayPessoas em um calçadão em Dubai | Foto: Pixabay

Acabei de passar alguns dias de férias nos Emirados Árabes Unidos. Foi a primeira vez que visitei Dubai e Abu Dhabi. Foi a primeira vez que visitei um país muçulmano. Foi uma experiência importante para entender melhor essa parte do mundo. É impressionante o desenvolvimento econômico que estão promovendo neste país. Também temos a aprender com eles sobre a importância das tradições e da religião. A forma como a cultura muçulmana está organizada e fortalecida, principalmente em comparação às sociedades ocidentais, é algo que merece nossa atenção.

Primeiro, vamos à parte econômica. Pode-se argumentar que Dubai é o lugar mais próspero em termos materiais da história da humanidade. Lá tem a maior estrutura vertical já construída pelo homem (Burj Khalifa – 829m) e o maior shopping do mundo (Dubai Mall), apenas para citar dois exemplos. Também já existe o projeto para o prédio que superará o Burj Khalifa como o mais alto do mundo, o Dubai Creek Tower, que terá mais de 1,2 quilômetro de altura.

Mundo árabe

Lá não existe pobreza. As casas “populares” são grandes e bonitas. Um trabalhador estrangeiro consegue tranquilamente ganhar 4.000 dirham por mês, cerca de R$ 6 mil. Para os nativos, esse valor é no mínimo 25.000 dirham (R$ 37 mil). A criminalidade também é inexistente; a segurança é total. Um trabalhador da Jordânia me relatou um episódio curioso. Em sua primeira semana vivendo em Dubai, ele se envolveu em uma briga de rua com outro estrangeiro. Os dois foram levados à delegacia, e foi dito a eles que esse tipo de comportamento não existia naquele país, e que eles deveriam focar em arrumar trabalho. Se acontecesse algum problema novamente, eles estariam no primeiro voo de volta para o país deles. Esse rapaz nunca mais se envolveu em confusão. Vale lembrar também que existe pena de morte no país para crimes mais graves como homicídio.

Portanto, a impressão que o país passa é de um lugar extremamente seguro, desenvolvido e com inúmeras possibilidades de trabalho e investimento. O mais impressionante é que tudo isso foi feito em 50 anos, através de um sistema político estável (monarquia) e uma visão de longo prazo. É claro que o dinheiro do petróleo, principalmente de Abu Dhabi, impulsionou esse crescimento. Mas Dubai não é mais dependente de petróleo. Eles reorganizaram quase toda sua economia para focar no turismo, construção e setor imobiliário.

É curioso ver pessoas no Brasil dizendo que a monarquia é ultrapassada e retrógrada. Só se esquecem que este país, talvez o mais desenvolvido do mundo, é uma. Mas essa é outra discussão. O importante é que a estabilidade política foi fundamental para eles atingirem esse progresso em tão pouco tempo, coisa que é quase impossível de vislumbrar no Brasil. Não temos nem estabilidade, nem visão de longo prazo. Nosso país é, infelizmente, uma confusão generalizada. Não existe união em torno de um projeto para o futuro do país. Precisamos fazer o Brasil dar certo apesar desta complexa realidade.

Sobre o tradicionalismo, a cultura muçulmana é muito presente em todo lugar. Por mais que Dubai esteja mais aberta, existem mesquitas por todo lado. Abu Dhabi já é bem mais tradicional; é recomendável que as mulheres andem com o cabelo e pescoço cobertos. De forma geral, as tradições são muito respeitadas. Não existe espaço para qualquer pauta que possa desestabilizar o futuro do país. Todas as discussões delirantes que temos no Ocidente, como, por exemplo, se homens podem engravidar, simplesmente não existem por lá.

Valores cristãos em crise

É triste fazer a comparação com o Ocidente e perceber como o Cristianismo está enfraquecido. Tanto a igreja católica como a protestante estão infiltradas por pautas progressistas. No mundo muçulmano, eles tem convicção de que o Ocidente está totalmente perdido dentro do que acreditamos ser “liberdade”. E eles tem razão. Estamos com a nossa ordem sagrada muito fragilizada. Boa parte da nossa população não está nem aí para Deus. Sequer sabemos se queremos casar ou ter filhos. Estamos, ao menos parcialmente (para não ser tão pessimista), à deriva.

É fácil entender também porque os muçulmanos serão maioria em diversos países europeus em pouco tempo. Eles têm uma bússola moral clara. Você pode discordar de todas as suas crenças religiosas e da sua moralidade, mas é inegável que eles têm valores muito bem definidos, e não estão dispostos a mudá-los. Isso os fortalece como povo. E é isso que perdemos ao longo do caminho. Quatrocentos anos de ataques ao Cristianismo após o Iluminismo estão cobrando o seu preço. Estamos há séculos em decadência moral.

Diante disso, a conclusão racional é que o Ocidente precisa urgentemente fortalecer o Cristianismo. Recuperar nossas tradições. Retornar com convicção e ênfase à moralidade cristã. Esse é o único caminho possível. Precisamos casar, formar famílias e voltar a viver em comunhão com Deus. Precisamos criar novas gerações que vivam de acordo com valores cristãos. Não quero menosprezar outras crenças e religiões, mas apenas o cristianismo — incluo aqui católicos e protestantes— tem a força, tradição e capilaridade necessárias para nos ajudar nesta retomada de consciência e moralidade na América do Sul, América do Norte e Europa. Caso isso não ocorra, infelizmente, teremos uma sociedade cada vez mais perdida, fragilizada, confusa e desmoralizada. E isso interessa a todos os outros, menos a nós.

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