MACRON E CANDIDATA DA DIREITA RETOMAM A CAMPANHA PARA CONVENCER ELEITORES QUE NÃO VOTARAM NELES NO PRIMEIRO TURNO

Campanha presidencial recomeça na França com disputa entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen

Atual presidente obteve quase 28% dos votos no primeiro turno enquanto sua oponente recebeu 23,5%

A candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o presidente francês Emmanuel Macron

SARAH MEYSSONNIER/REUTERS 05.02.2022/02.04.2022

O presidente Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen retomam nesta segunda-feira (11) a campanha para convencer os eleitores franceses que não votaram neles no primeiro turno da eleição já projetando para um segundo turno que promete ser acirrado em 24 de abril.

‘Nada está decidido” e o debate dos próximos 15 dias será decisivo para nosso país e para a Europa’, declarou Macron, o candidato de centro,  a seus simpatizantes no domingo à noite, depois de obter quase 28% dos votos no primeiro turno, um pouco acima das previsões das pesquisas.

Para Marine Le Pen, que recebeu 23,5% dos votos em sua terceira candidatura à presidência, “o que estará em jogo em 24 de abril será uma escolha de sociedade e de civilização”. A França precisa de “uma grande alternância”, disse.

A França repetirá o duelo de 2017, quando Macron recebeu 66,1% de votos no segundo turno e derrotou a herdeira da Frente Nacional. De acordo com as pesquisas divulgadas no domingo, a vantagem do presidente oscilaria agora entre de 2 a 10 pontos.

E o país mudou muito. Em cinco anos foram registrados grandes protestos contra a política de Macron para as classes populares, uma pandemia deixou milhões de pessoas confinadas e nas últimas semanas a guerra na Ucrânia sacudiu a Europa.

A ofensiva russa na Ucrânia ofuscou a campanha do primeiro turno, mas suas consequências nos preços da energia provocaram a alta da inflação e reforçaram a principal preocupação dos franceses: a perda de poder aquisitivo.

Mas agora “é uma nova eleição que começa”, declarou ao canal France 2 o prefeito de Perpignan (sul), Louis Aliot, um dos líderes do partido partido de Le Pen, Reagrupamento Nacional (RN). O tradicional debate na televisão entre os candidatos está programado para 20 de abril.

Dados de Emmanuel Macron e Marine Le Pen

SOPHIE RAMIS, PAZ PIZARRO, MARIA-CECILA REZENDE, KENAN AUGEARD/AFP

“Internacional dos populistas”

Reforçado por sua imagem de presidente estável em períodos de crise, o candidato do partido A República Em Marcha (LREM), de 44 anos, tenta posicionar o debate no impacto que a chegada de Le Pen ao poder teria para as alianças internacionais.

A candidata do RN, de 53 anos, propõe abandonar o comando integrado da Otan, que estabelece a estratégia militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, e sua vitória representaria outro duro revés para a União Europeia (UE) após a reeleição do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban na semana passada.

Macron, no momento em que o país exerce a presidência semestral da UE, rejeitou uma “eventual França que fora da Europa só teria como aliados a internacional dos populistas e xenófobos”.

O liberal deseja retomar a imagem de radical que a candidata de extrema-direita apagou durante a campanha do primeiro turno, quando deixou de lado as propostas sobre migração e se apresentou como defensora do poder aquisitivo e das classes populares.

Marine Le Pen defendeu no domingo sua visão de “reunir os franceses ao redor da justiça social e da proteção, garantida por um âmbito fraternal em torno da ideia milenar de nação, que opôs à “divisão, injustiça e desordem impostas por Macron em benefício de poucos”.

Rivais apoiam Macron

A maioria dos rivais derrotados pediu voto para o presidente centrista ou que os eleitores impeçam que a extrema-direita chegue ao poder.

“Não se deve dar um único voto a Le Pen”, afirmou o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, o terceiro candidato mais votado (21,95%), sem pedir explicitamente votos para Macron.

Comunistas, socialistas e ecologistas expressaram apoio a Macron, assim como a candidata de direita Valérie Pécresse a título pessoal.

Mas o alcance do apoio é incerto, devido à personalidade divisiva entre os eleitores de esquerda do presidente, que em caso de reeleição tentará retomar o projeto impopular de aumento da idade da aposentadoria, de 62 para 65 anos.

Para tentar acabar com as dúvidas, Macron deu a entender que buscará criar uma espécie de estrutura para “um grande movimento político de unidade e ação, além das diferenças”.

“Não buscamos uma coalizão de partidos”, explicou uma de suas principais aliadas, a ministra Amélie de Montchalin, que descartou compromissos sobre o programa eleitoral.

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