DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL: O PROPÓSITO DA EVOLUÇÃO É PERMITIR A CONSCIÊNCIA ALCANÇAR A  PERFEIÇÃO NA MANIFESTAÇÃO HUMANA COMO SERES ALTRUÍSTAS

Em a Mente Compassiva, artigo a seguir, na nossa coluna DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL desta quinta-feira você vai mergulhar numa REFLEXÃO que mescla o pensamento de Buda, Mahavira, Malala e Nelson Mandela para falar de não violência, igualdade e o poder que todos temos para brilhar. Por que será que isso não acontece pra todo mundo?

A mente  compassiva

Nelson Mandela disse: “Quem sou eu para ser tão brilhante, talentoso e famoso? Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Brincar de ser pequeno não serve ao mundo

Bhupendra Vora*

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O propósito da evolução é permitir à consciência alcançar a perfeição na manifestação humana como seres altruístas, com as qualidades de amor e compaixão, à imagem da divina inteligência que é a fonte de toda a vida. O amor dessa inteligência é visível em toda a sua criação, criada com infinita compaixão. Isso fica evidente nas miríades de espécies de vida com as habilidades especiais que lhes foram fornecidas pela natureza para sua sobrevivência.

Mahavira, o grande instrutor e reformador do Jainismo, declarava que não bastava a não violência como credo. Ele estendia esse princípio à solidariedade e ao auxílio a outros seres vivos, para se viver naturalmente, de acordo com as leis da natureza. A Nova Era exige sensibilidade e compaixão, mantendo em mente a interconexão e interdependência da vida em todos os níveis.

No Nobre Caminho Óctuplo de Buda, o primeiro passo, Reta Visão, é considerado de vital importância. Isso significa a compreensão da unidade da vida e das leis que governam o universo. Buda ensinou que trishna ou desejo, é a causa do sofrimento. Os seres humanos se prendem Ao ciclo de vida e morte por meio de desejos incessantes que causam um imenso sofrimento. A ignorância do propósito da vida mantém as pessoas escravizadas.

A mente humana, condicionada por coisas como raça, religião, classe social, etc., está encurralada num modo preconceituoso  de considerar o A mente compassiva mundo. Para compreender esse condicionamento é necessário sabedoria para descobrir suas causas. Os preconceitos a respeito das pessoas são as causas da divisão que cria conflito e sofrimento. Com a percepção, esse condicionamento pode ser reconhecido e a pessoa pode se libertar dele.

J. Kaalam, ex-presidente da Índia, falando perante o Parlamento Europeu, citou o antigo poeta tâmil Kaniyan Pungudranar: “Eu sou um cidadão do mundo e todos os cidadãos do mundo são meus parentes e amigos. Onde há retidão no coração há beleza no caráter. Onde há beleza no caráter há harmonia no lar. Onde há harmonia no lar há ordem na nação. Onde há ordem na nação há paz no mundo.”

São necessários, portanto, corretos valores e corretas formas de educação que resultem em indivíduos responsáveis e compassivos. Há muita coisa errada numa sociedade baseada apenas em valores materiais. Não deveria haver sensibilidade e compaixão para compartilhar os limitados recursos do mundo com aqueles que são menos afortunados que nós?

A extrema ganância de políticos, patrões e outros, com suas práticas ardilosas é responsável por muita iniquidade no mundo Essa doença é visível nos níveis individual, social e nacional do mundo. Há muito sofrimento no continente africano, que é explorado por seus recursos naturais e vida selvagem. O tráfico de “diamantes de sangue” e outras pedras preciosas abastece as indústrias de armamento que fornecem armas para milícias e tribos inimigas. Essas práticas nefastas são responsáveis por assassinatos, estupros e saques.

Em diversas partes do mundo há extrema crueldade contra cães e outros animais, que são cozidos vivos para deleite de pessoas que apreciam esse tipo de culinária. Radha Burnier escreveu: “Viver  de maneira compassiva no mundo moderno dificilmente parece ser um ideal, já que atrapalha grandes e imediatos lucros de negócios e entra em conflito com a procura de novos prazeres e satisfações.”

Outra causa de conflito é a doutrinação religiosa, que cria sociedades intolerantes. No discurso que fez nas Nações Unidas, a jovem Malala Yousufzai enfatizou a necessidade da educação promover um pensamento liberal e a não violência, citando os exemplo de Buda, Cristo, Maomé, Gandhi e Pashtun Badshah Khan.

Para o mundo mudar, o indivíduo precisa mudar. Uma mente que tenha preocupação compassiva com o bem-estar global deve estar envolvida em ações proativas. Nelson Mandela disse: “Nosso medo  mais profundo não é de sermos inadequados. É de sermos poderosos além da conta. É  luz, e não as trevas que nos assusta.‘ Quem sou eu para ser tão brilhante, talentoso e famoso?’ Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Brincar de ser pequeno não serve ao mundo… Nascemos para tornar magnífica a glória de Deus que está dentro de nós.”

Fonte: Revista Sophia • SET/OUT 2020 nº 87

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